Hai to Gensou no Grimgar – Capítulo 01 – Volume 6

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Hai to Gensou no GrimgarGrimgar of Fantasy and Ash

Light Novel Online – CapĂ­tulo 01:
[Um quarto de um dia]


— Huff… Hahh… Huff… Hahh… — Haruhiro corria, ofegante.

Ele olhou por cima do ombro.

…Eles estĂŁo ali.

Ali.

Ali.

Ali.

Perseguindo-o.

Eles usavam grandes capas brancas, com um Ășnico buraco para os olhos. Era algo como um poncho longo. Tinham um torso, uma cabeça, dois braços e pernas. Seria justo dizer que sua constituição era notavelmente semelhante Ă  de um humano. SĂł que havia um Ășnico olho espiando pelo buraco.

Nunca era apenas um daqueles com capa branca. Sempre havia vĂĄrios deles.

Ele nĂŁo precisava se preocupar em contar. JĂĄ sabia o nĂșmero. Seis. Cinco deles carregavam lanças, e outro segurava uma espada e um escudo. As lanças nĂŁo tinham nada de especial, exceto pelos cabos brancos, mas cada espada tinha um brilho ligeiramente arroxeado, e os escudos pareciam quase espelhos. Suas espadas, por algum motivo, haviam recebido o nome de Lightning Sword Dolphin, e os escudos eram chamados de Escudos Espelho, por causa de sua aparĂȘncia.

AlguĂ©m começou a chamĂĄ-los assim—bem, nĂŁo foi apenas alguĂ©m, foram eles que começaram com isso—cultistas.

Os portadores de lança eram cultistas comuns, aos quais eles apelidaram de Pansuke. O portador da espada era um cultista de elite, que apelidaram de Tori-san. Esses nomes pegaram.

— Droga, estou exausto… — murmurou Haruhiro.

Mesmo reclamando, ele continuava correndo sem diminuir o ritmo. Se ele nĂŁo continuasse a todo vapor, os Pansukes e Tori-san o pegariam. Se isso acontecesse, Haruhiro, sendo apenas um ladrĂŁo, seria cercado e quase certamente morto num instante. EntĂŁo, ele tinha que correr.

Correr. Era o Ășnico pensamento em sua mente. Por enquanto, sĂł corra. Corra como um louco. É a Ășnica opção.

Sob um céu de azul profundo, com tons avermelhados, roxos, laranjas, amarelos, vermelhos e todas as cores entre eles espalhados, ele corria o mais råpido que podia pela cidade branca.

…Uma cidade.

Sim, aquilo era uma cidade, ou pelo menos algo do tipo. De ambos os lados das ruas pavimentadas com pedra branca, havia edifĂ­cios em forma de caixas, feitos, obviamente, de pedra branca. Nenhuma coincidĂȘncia miraculosa jamais teria criado algo assim naturalmente. Era claro que alguĂ©m, algum ser inteligente, havia construĂ­do aquilo.

— Argh! Chega! — gritou Haruhiro.

O suor escorreu para o seu olho direito e o fez arder. Ele sentiu vontade de olhar para trĂĄs novamente, mas resistiu. Sem fazer nada desnecessĂĄrio, ele correu. Com um olho fechado, ele correu.

— Hah… Hahh… Hah… Hah, hah…!

É naquela esquina. Vire ali.

Ele praticamente se jogou para a esquerda ao virar a esquina, e continuou correndo pela rua ligeiramente estreita.

Os passos dos cultistas se aproximavam. Seu estÎmago doía, como se estivesse sendo apertado com força.

Haruhiro gritou o mais alto que pĂŽde. Ou melhor, ele nĂŁo conseguiu conter o grito, e sua voz saiu por conta prĂłpria. Seu corpo estava tĂŁo ereto que ele sentia que poderia se dobrar para trĂĄs.

Devo levantar mais as coxas? Isso sĂł vai me cansar mais? Ah, jĂĄ nĂŁo sei mais. DĂłi. Eu nunca deveria ter seguido esse plano estĂșpido.

— Crown Break! (Quebra da coroa) — Tada gritou.

Eles chegaram. Finalmente. Eles vieram.

Sem parar, Haruhiro olhou para trås. De um prédio à sua direita, um homem de óculos e uniforme de sacerdote saltou, atacando os cultistas. Especificamente, o Tori-san. O homem vestido como sacerdote tinha um martelo de guerra que parecia estupidamente pesado, e ele o desceu com um impacto satisfatório sobre a cabeça do Tori-san.

Tori-san era um espadachim de nível bastante alto, bem superior aos Pansukes, mas ele não tinha visto isso chegando. Recebeu o golpe com toda a força.

É claro que ele nĂŁo estava bem depois de levar um golpe daquele martelo de guerra na cabeça. As capas dos cultistas eram altamente resistentes a ataques cortantes e podiam absorver impactos atĂ© certo ponto, mas isso nĂŁo seria suficiente aqui. Tori-san caiu com a cabeça esmagada.

Com seu lĂ­der derrubado de repente, os Pansukes entraram em pĂąnico.

— Aqui! — ecoou uma voz que parecia exatamente como se esperaria de um cara bonitão.

A emboscada ainda nĂŁo tinha terminado.

Um homem que usava uma armadura com um hexagrama gravado saltou no ar, seguindo o homem com o uniforme de sacerdote, Tada.

— HĂŁ? — Haruhiro parou, sem nem perceber. Por quĂȘ? Por que ele teve que pular? NĂŁo poderia simplesmente descer?

Mas Haruhiro sabia a resposta para essa pergunta. Tokimune nĂŁo era um homem ao qual se podia aplicar lĂłgica. Ele estava bem ciente disso, mas ainda assim, ficava chocado.

— Aqui Ă© onde eu termino tudo com estilo!

Tokimune, o paladino que liderava os Tokkis, exibiu seus dentes brancos no åpice de seu salto, antes de mergulhar em direção ao chão.

Eles haviam conseguido deixar os Pansukes atordoados, mas Tokimune desperdiçara isso. Os Pansukes estenderam suas lanças em direção a ele.

Droga. Isso nĂŁo Ă© bom. Ele vai ser empalado, pensou Haruhiro. Mas, surpreendentemente, isso nĂŁo aconteceu.

— Dance como uma pantera! — Tokimune girou o corpo inteiro junto com sua espada e escudo, desviando as lanças dos Pansukes. — E pique como uma baleia!

Pisando na cabeça do Pansuke A, ele se impulsionou e desferiu um chute circular no Pansuke B, antes de aterrissar no chão e fechar um dos olhos.

— Resolvi isso, nĂ©? — Tokimune disse, sorrindo.

— Bem, pelo menos ainda não foi furado. — retrucou Haruhiro, com uma piada.

Tada, o homem com roupa de sacerdote, golpeou o flanco do Pansuke C com seu martelo de guerra, lançando-o para longe.

— VocĂȘ nĂŁo resolveu nada! — ele gritou.

— Tch, tch, tch. — Tokimune clicou a língua calmamente, balançando a cabeça. — A luta já está decidida, sabia?

— Heh! — Um homem de meia-idade com um rabo de cavalo, um tapa-olho e um macacĂŁo de couro apertado, uma combinação embaraçosa, saiu de um beco e enterrou sua espada de lĂąmina Ășnica no olho do Pansuke D.

Logo em seguida, uma mulher, que parecia uma maga pelo traje, mas era gigantesca de vårias maneiras e empunhava tanto um cajado quanto uma espada, surgiu. Seu apelido era giganta. Mimori, também conhecida como Mimorin, primeiro atingiu o Pansuke E no lado do rosto com seu cajado, e em seguida, sem perder o ritmo, perfurou seu olho com a espada.

— Boa sorte, yeah?! Kill them all! — Uma garota pequena, com cabelos loiros e olhos azuis, espiou do beco e os incentivou com uma mistura de japonĂȘs e inglĂȘs.

Anna-san podia até espiar, mas não se envolvia nas lutas. Ela era basicamente uma animadora de torcida.

— Yahoo! Deixa eu participar tambĂ©m! — Kikkawa gritou. O guerreiro descontraĂ­do pulou do telhado, provavelmente imitando Tokimune. AtĂ© aĂ­, tudo bem, atĂ© o momento em que ele dançou no ar e fez uma pose.

Na verdade, nĂŁo, nĂŁo estava bem. Era completamente inĂștil.

O guerreiro descontraído, Kikkawa, tentou se jogar sobre o Pansuke A, o mesmo que Tokimune havia desequilibrado ao pisar na cabeça. Ou pelo menos foi isso que parecia que ele ia fazer, mas enquanto ele fazia a pose, Tada grunhiu e balançou seu martelo de guerra, lançando o Pansuke A contra a parede do prédio, e a espada de Kikkawa cortou apenas o ar.

— Ahahaha, Tadacchi! VocĂȘ roubou minha kill! — Kikkawa reclamou.

— Wahahahahahh! — Tokimune berrou.

Então, um pedaço de lixo saltou sobre o Pansuke B, que Tokimune havia derrubado com o chute circular, mas que ainda tentava se levantar.

— Meu, meu, meu! — Aquele lixo sanguinário segurou o Pansuke B no chão e foi para o golpe final. — Para Skullhell!

— Sai da frente. — Tada deu um chute no lixo para afastá-lo e, sem dó, bateu com seu martelo na cabeça do Pansuke B, espalhando os pedaços dentro do seu poncho.

— Nããããããããããããão! — O pedaço de lixo conhecido como Ranta sentou-se no chão e começou a chorar.

Bem, pelo menos ele nĂŁo estĂĄ chorando de verdade.

— Que inferno?! — Ranta gritou. — Eu ia matar aquele! Seu idiota estĂșpido!

— HĂŁ? — Tada pressionou o dedo indicador esquerdo contra seu martelo coberto de sangue. —Um idiota estĂșpido? VocĂȘ tĂĄ me chamando disso?

— …NĂŁo, nĂŁo vocĂȘ — Ranta disse rapidamente. — Desculpa. SĂ©rio, sĂ©rio, desculpa. Eu nĂŁo quis dizer vocĂȘ, de verdade. NĂŁo… P-Perdoe-me! — O lixo rapidamente se prostrou no chĂŁo. — Foi sĂł o jeito que saiu, sabe! No calor do momento, e tudo mais! Eu nĂŁo quis dizer isso de verdade!

— Bom, está bem. Desta vez, eu vou deixar passar. — Tada apoiou o martelo de guerra no ombro. — Na próxima, eu te mato.

— S-S-Sim, s-senhor! M-M-Muito obrigado! — Ranta gaguejou.

Ele é um idiota?, Haruhiro se perguntou, mas também sabia que Tada não hesitaria em esmagar Ranta com aquele martelo. Pedir desculpas provavelmente foi a decisão certa. Sério, os Tokkis eram exagerados de todas as formas possíveis.

— Uau… — Yume, que estava escondida por perto, apareceu com os olhos arregalados. — JĂĄ acabou. Foi rĂĄpido, nĂ©?

— Foi mesmo. — Shihoru saiu de trás de Yume, olhando ao redor.

— Nem tivemos chance de mostrar serviço… — O esguio Kuzaku saiu do beco.

— Foi rápido demais — Mary suspirou. Ela estava atrás de Kuzaku, um pouco na diagonal.

— Bom, quando a gente trabalha, Ă© fĂĄcil assim, nĂŁo Ă©? — Tokimune exibiu seus dentes excessivamente brancos e lhes deu um sinal de positivo. — A luta de verdade estĂĄ sĂł começando, nĂ©, Haruhiro?

— É. — Haruhiro deu um chute nas costas de Ranta. — Vamos, se prepara.

— AĂ­! Ei! VocĂȘ nĂŁo passa de um Haruhiro. Como ousa me chutar—

— Miau! — Yume já tinha uma flecha pronta. — Está vindo!

Um barulho. Um som alto vindo em sua direção. Da mesma esquina que Haruhiro havia acabado de virar. Ali estava.

Mais alto que Mimorin, a Giganta, mais alto que Kuzaku, com seus 1,90 metros. Provavelmente mais que o dobro do tamanho deles. Tinha quase quatro metros de altura. Sua cabeça era semelhante à de um leão, mas tinha apenas um olho.

— Wahaha! Hora de eu mostrar minhas habilidades! — Ranta pegou a Lightning Sword Dolphin do Tori-san. — LĂĄ vou eu! Com minha Super EstratĂ©gia Atordoante de Sempre!

— Esse nome… — Shihoru parecia completamente desinteressada.

— Fiu! — A flecha que Yume soltou disparou em direção ao Ășnico olho do gigante branco de quatro metros, mas—nĂŁo acertou. Apenas arranhou o lado de seu rosto.

— Ahhh! Quase!

Haruhiro respirou fundo, soltando a tensĂŁo dos ombros, e entĂŁo olhou para Tokimune.

— Okay, vamos fazer do jeito de sempre.

— Haha! — Tokimune deu uma risada amigável e deu um tapa nas costas de Haruhiro. — Beleza, beleza. Vamos fazer como sempre.

— Delm, hel, en, — Mimorin começou a entoar enquanto desenhava sigilos elementais com seu cajado, ainda segurando a espada desembainhada na mão esquerda. — Ig, arve.

Ela era uma ex-guerreira, e parecia que ainda estava mais acostumada a lutar em combates corpo a corpo, mas agora era uma maga. Esse era o mais bĂĄsico dos feitiços de magia Arve, Fireball. O elemental formou uma bola de fogo maior que o punho de uma pessoa, e entĂŁo acelerou em direção ao gigante branco. O gigante branco nĂŁo fez nenhuma tentativa de evitĂĄ-la. A bola de fogo atingiu o peito do gigante branco e… desapareceu.

— NĂŁo deixem ele pisar em vocĂȘs! — Haruhiro gritou uma ordem que percebeu que todos jĂĄ sabiam, mesmo enquanto falava, e entĂŁo olhou para Kuzaku. — Kuzaku, vocĂȘ vai na frente. Tokkis, formem a linha de frente, por favor.

— Estamos nessa! — Tokimune bateu no escudo com o punho direito enquanto segurava a espada com a mesma mão. — Kikkawa, Inui, Tada, vamos fazer isso com estilo!

— Certo! — gritou Kikkawa.

— Heh… Que seja! — acrescentou Inui.

— Sim — retrucou Tada. — Vou mostrar que sou o mais forte.

Tokimune avançou, seguido por Kikkawa, Inui, Tada e um silencioso Kuzaku.

Haruhiro mexia os quadris para cima e para baixo, sem mudar de posição. Yume, Shihoru e Mary se posicionaram logo atrås dele. Anna-san e Mimorin também vieram para perto dele.

Provavelmente estou com olhos de sono agora, pensou. Sua respiração não estava ofegante, e ele estava relativamente calmo, de certo modo.

Tokimune, Kikkawa, Inui, Tada e Kuzaku formaram uma linha horizontal com o mĂĄximo de espaço entre eles que a estrada permitia. Mesmo assim, nĂŁo era exatamente uma estrada larga. Tinha pouco mais de trĂȘs metros de largura, talvez.

SerĂĄ que devĂ­amos ter escolhido outra rua?, Haruhiro pensou. Mas, se tivessem escolhido, nĂŁo teria funcionado tĂŁo bem para emboscar os cultistas e derrotĂĄ-los rapidamente.

Dessa vez, os cultistas formaram um grupo junto com o gigante branco, então havia, em linhas gerais, duas opçÔes: desistir ou bolar um plano.

Se fosse apenas Haruhiro e sua party, teriam escolhido a primeira opção. Ranta (o pedaço de lixo) poderia ter berrado o quanto quisesse, mas Haruhiro teria usado toda a sua autoridade como líder para fazer a party recuar.

Mas, como, para o bem ou para o mal, estavam trabalhando com os Tokkis, jĂĄ nĂŁo era tĂŁo fĂĄcil para ele. Se Haruhiro dissesse: Ei, isso Ă© perigoso, vamos sair fora, os Tokkis nĂŁo eram do tipo que ouviria e recuaria sem mais nem menos.

No fim, elaboraram um plano em que Haruhiro agiria como isca, correndo para separar os cultistas do gigante branco. Assim que derrotassem os cultistas, lidariam com o gigante.

Bem, jĂĄ me acostumei a isso, pensou Haruhiro. Um mĂȘs havia passado desde que encontraram essa nova ĂĄrea, NA para abreviar, e descobriram o Reino do CrepĂșsculo.

Muita coisa aconteceu nesse tempo, pensou. Muita, na verdade. NĂŁo, talvez nem tanto, serĂĄ?

Aconteceu? Sim. Aconteceu.

Pelo menos, pelos padrĂ”es de Haruhiro, tinha sido um mĂȘs bem agitado. NĂŁo era exagero dizer que os Tokkis foram metade do motivo disso.

Afinal, encontraram esse lugar juntos. Na verdade, Haruhiro e sua party haviam encontrado a entrada primeiro, mas, no geral, era considerado que a galera dos Tokkis, os palhaços, haviam descoberto o lugar, enquanto os Matadores de Goblins, a party de Haruhiro, apenas seguiram o fluxo. Desde entĂŁo, muitas coisas aconteceram que os tornaram mais prĂłximos. Foi por isso que, porque Haruhiro e os outros estavam preocupados demais para continuar sozinhos, as duas party acabaram explorando o Reino do CrepĂșsculo juntos regularmente, sem realmente terem discutido sobre isso.

Muita coisa aconteceu. Todo dia, Ă s vezes vĂĄrias vezes ao dia, surgia algum incidente ou outro. Afinal, os Tokkis eram loucos.

A menos que Haruhiro, o cara que se achava sensato, fosse na verdade o maluco? SerĂĄ que os Tokkis eram normais? Ele ficou um pouco preocupado com isso, mas era tudo bem ridĂ­culo.

Os Tokkis eram malucos. Haruhiro era são. Ranta à parte, havia um abismo quase intransponível entre a party de Haruhiro e os Tokkis. Não, não quase intransponível, completamente intransponível. Não dava pra fechar essa lacuna de jeito nenhum. Quando começou a pensar assim, as coisas ficaram um pouco mais fåceis. Só um pouco.

Se ele soubesse que nĂŁo dava pra fechar esse abismo, nĂŁo precisava tentar. Era inĂștil.

Ele tentava não pensar: Por que as coisas são assim? Mas, de qualquer forma, acabava pensando nisso, só que não deixava que isso o atormentasse. Não havia como evitar. Era o tipo de pessoa que eles eram. Quando aceitou isso, quando apenas entendeu, conseguiu prever o que provavelmente fariam em cada situação. Dessa forma, não precisava ficar irritado ou surpreso toda vez que eles mostrassem suas loucuras.

AlĂ©m disso, eles certamente nĂŁo eram incompetentes, entĂŁo era possĂ­vel aproveitĂĄ-los bem. De fato, embora fossem um pouco tendenciosos demais para o ataque, eram uma força a ser considerada em combate. Tokimune e Tada, em particular, eram atacantes de primeira linha. Tokimune era um paladino, entĂŁo isso estava dentro do esperado, mas, mesmo sendo um ex-guerreiro, Tada deveria ser um sacerdote…

De qualquer forma, se eles conseguissem apenas se dar bem com os Tokkis, poderiam fazer juntos coisas que a party de Haruhiro não conseguiria fazer sozinha. Não seria impossível passar por situaçÔes que pareciam mortais.

Além disso, e este era o ponto mais importante de certa forma, eles poderiam ganhar dinheiro. Mesmo dividindo metade dos ganhos com os Tokkis, Haruhiro e sua party estavam ganhando de forma muito mais eficiente do que jamais conseguiriam se tivessem trabalhado lenta e constantemente por conta própria.

— Jess, yeen, sark, kart, fram, dart! — Shihoru lançou Thunderstorm, e um feixe de raios atingiu o gigante branco.

Houve um barulho estrondoso, e o corpo inteiro do gigante branco se contorceu. Seus pés pararam. Claro, ele logo voltaria a andar, e, mesmo apenas andando, o gigante branco era enorme. Suas pernas eram longas. Ele se aproximaria com passos gigantescos.

— Ei, ei, eiiiiii! — Tokimune bateu no escudo para provocá-lo. — Vamos, vamos, vamossssss!

— Go, go, go, go! — O gigante branco desceu o punho em direção a Tokimune.

— Ágil! — Tokimune saltou para trás, escapando.

— Go, go! — O gigante branco balançou o punho novamente.

— Gira! — Tokimune dançou para fora do alcance.

— Go! — O gigante branco estendeu ambos os braços para tentar agarrá-lo.

— Uhul! — Tokimune deu um mortal para trás, escapando mais uma vez.

— Rahh! — Tada imediatamente desferiu um golpe no braço do gigante branco com seu martelo de guerra.

— Go, go… — O gigante branco recuou o braço, focando seu Ășnico olho em Tada.

Tada, intencionalmente, sem dĂșvida, descansou o martelo no ombro e mostrou o dedo do meio para o gigante branco. Ele provavelmente queria dizer algo como: Vem cĂĄ, seu pedaço de lixo. NĂŁo era claro se o gigante branco entendia o gesto. Isso era incerto, mas o gigante branco dobrou os joelhos e abaixou os quadris. Estava se preparando para pular.

— Recuem! — Haruhiro gritou.

Provavelmente isso nĂŁo precisava ser dito, mas ele gritou sĂł para garantir.

Sim, todo mundo jĂĄ sabe disso! NĂŁo precisa falar! Ele nĂŁo queria que pensassem algo assim, ou JĂĄ sabemos disso, seu idiota, mas… Mesmo que o chamassem de idiota, Haruhiro tinha que fazer isso. Esse era o seu jeito.

— Beleza! — gritou Tokimune.

Os combatentes da linha de frente, incluindo Tokimune, Tada, Kikkawa, Inui e Kuzaku, recuaram juntos. Quase ao mesmo tempo, o gigante branco deu um grande salto.

— Faraó?! — Kikkawa exclamou de maneira estranha.

O que Ă© um faraĂł?, Haruhiro pensou.

O gigante branco saltou uns sete ou oito metros e aterrissou com um impacto tremendo. Ninguém foi esmagado, mas se tivessem recuado um pouco mais tarde, havia o risco de que pudessem ser atingidos.

Agora. Haruhiro nem precisava dar a ordem.

— Yeaahhhhhhhhhhhhhh! — Ranta, que estava escondido no beco, levantou sua Lightning Sword Dolphin e investiu contra o gigante branco.

Ranta nĂŁo cortou exatamente; ele mais bateu com a espada. Ele mirou na perna direita do gigante branco.

— Hah, hah, hah, hah, hah, hah, hah, hah, hah, hah, hah! — Sem dar tempo para o gigante respirar, Ranta atacava repetidamente.

Cada vez que o gigante branco era atingido com a Lightning Sword Dolphin, mesmo que por um curto perĂ­odo, seu corpo enorme e escultural se convulsionava.

Essa era a Estratégia do Super Atordoamento. Que nome horrível.

Mas, nome Ă  parte, a tĂĄtica era altamente eficaz, e ao parar seus movimentos assim, criava uma oportunidade de derrubar o gigante branco. SĂł uma oportunidade, no entanto. A partir de agora, a batalha seria decidida por pura força de ataque… ou poder destrutivo, na verdade.

— Tada-san! — chamou Haruhiro.

Tada lambeu os lĂĄbios e avançou. — NĂŁo precisa me dizer tudo. Basta presenciar meu poder pra te mandar pro cĂ©u.

Não, eu não vou pro céu, Haruhiro queria murmurar, mas se conteve. Se ele fizesse uma piadinha a cada comentårio dos Tokkis, nunca acabaria.

— Agora, meu golpe fatal — Tada tomou distñncia, fez um mortal para frente e desceu seu martelo de guerra com ambas as mãos no joelho esquerdo do gigante branco. — Somersault Bomb! (Bomba de salto mortal)

Mas falando sério, o Tada-san é realmente incrível, pensou Haruhiro.

O martelo de guerra de Tada afundou no joelho esquerdo do gigante branco, lançando muitos estilhaços para o ar.

— Toma, toma, toma, toma, toma, toma, toma, toma, toma! — Ranta gritou. Ele continuava balançando sua Lightning Sword Dolphin, atordoando o gigante branco.

Tada deu uma respirada, ajustou os Ăłculos, e tranquilamente se afastou do gigante branco.

— Uo, uo, uo, uo, uo, uo! — Ranta gritou, olhando para Tada enquanto batia a Lightning Sword Dolphin contra a perna do gigante branco. — Anda logo, cara! Isso aqui tá difícil pra caramba, droga! Waaaahhhhhh!

Tada inclinou a cabeça para o lado, girando o martelo. — VocĂȘ acabou de me xingar?

— NĂŁo, senhor, nĂŁo xinguei! VocĂȘ tĂĄ ouvindo coisas, cara! SĂł ouvindo coisas! Waaaaahhhhhh!

— Ah, Ă©? EntĂŁo, tĂĄ difĂ­cil?

— TĂĄ super, super difĂ­cil, cara! Anda logo! SĂ©rio, sĂ©rio, dĂĄ outro golpe!

— Como se eu me importasse — disse Tada.

— Heeeeeeiiiiin?!

— Se tĂĄ difĂ­cil pra vocĂȘ, Ă© problema seu, nĂŁo meu.

— Ei, seu—!

— “Seu…”? — Tada repetiu.

— Tada-san! Tada-sama! Tada, o Deus!

— Tî gastando. — Tada sorriu maliciosamente e então avançou rapidamente.

É… pensou Haruhiro. Eu nĂŁo entendo. As piadas do Tada sĂŁo sempre incompreensĂ­veis.

— Ahaha! Essa foi demais! Eu adoro as piadas surreais do Taddachi! — gritou Kikkawa.

Se o Ășnico que estĂĄ rindo Ă© o Kikkawa, e ele tem habilidades sociais ridiculamente boas, isso provavelmente significa que nem os Tokkis entendem as piadas do Tada, pensou Haruhiro. Isso Ă© um pouco reconfortante. Se fossem o tipo de pessoas que se desmancham de rir com isso, eu nunca conseguiria aturĂĄ-los.

— Kwahhhh! Kwahhh! Kwahhh! Kwahhhhh! Kwahhhhh! Uwahhhh! — Ranta soltou o que pareciam ser gritos de morte, exaurindo suas Ășltimas forças para continuar golpeando a perna direita do gigante branco.

— Agora que eu penso nisso… — Tada fez outro mortal para frente e desferiu mais um Somersault Bomb. — Esse golpe mortal nĂŁo tĂĄ matando nada, nĂ©?!

Dessa vez ele mirou no joelho direito. Houve um som alto de estilhaçamento.

Tada olhou de relance para ver que Ranta ainda estava se esforçando, entĂŁo desferiu mais dois ou trĂȘs golpes.

— Yume! — Haruhiro gritou, ao que ela respondeu:

— Miau! — e começou a disparar flechas.

Era a habilidade de arquearia, Rapid Fire. Sem intervalo entre os tiros, ela encaixava flechas no arco composto e disparava. Ela disparava, e disparava.

Inui tambĂ©m Ă© caçador, e ele tem um arco, mas eu nunca o vi usar—acho. Esse pensamento ocorreu subitamente a Haruhiro. Talvez eu devesse perguntar na prĂłxima vez que tiver a chance. “VocĂȘ nĂŁo vai usar o arco?” NĂŁo, talvez devesse ser, “VocĂȘ nĂŁo consegue usar o arco?” Claro, Inui poderia se irritar. Mas talvez ele lutasse com mais afinco por causa disso. SerĂĄ? NĂŁo sei. Quero dizer, Ă© o Inui.

Yume disparou seis flechas em råpida sucessão, duas das quais acertaram o olho do gigante branco. Foi um bom resultado, considerando que Yume era uma arqueira ruim, apesar de ser uma caçadora.

— Gwah! — Ranta recuou, tropeçando. — Estou no meu limite!

— Good job, Ranta! VocĂȘ tem um belo cuzinho, yeah! — Os elogios de Anna-san eram bem eficazes. NĂŁo era de se estranhar que os Tokkis a mantivessem como mascote e Ă­dolo. Embora fosse questionĂĄvel o porquĂȘ de ela elogiar justamente o… buraco dele.

— Beleza! Deixa comigo! — A voz de Tokimune veio de cima—

Espera, desde quando ele tĂĄ lĂĄ?

Ele estava na rua até poucos momentos atrås, mas agora Tokimune estava no topo de um prédio à frente de Haruhiro à esquerda.

— Hahhh! — Tokimune gritou. Ele saltou do prĂ©dio com um grito.

Ou melhor, ele saltou do telhado para algo mais. Do telhado para o ombro do gigante branco.

Ranta estava exausto, e o efeito paralisante de sua Lightning Sword Dolphin havia se dissipado.

— Gu, go, ga, go! — O gigante branco tentou se debater.

Antes que pudesse, Tokimune enterrou sua espada no olho Ășnico do gigante. Tokimune nĂŁo apenas cravou a espada, mas tambĂ©m a girou.

— AĂ­ estĂĄ! A tĂ©cnica mortal do Tokimune-san, Arpejo Sagrado! — gritou Kikkawa.

Kikkawa estava dizendo alguma coisa, mas se Haruhiro começasse a se perguntar por que era chamado de arpejo, de todas as coisas, ele não conseguiria dormir à noite, então preferiu fingir que não tinha ouvido o comentårio.

NĂŁo, mas sĂ©rio, por que Ă© um arpejo? Virou mĂșsica agora?

— Hah! — Tokimune imediatamente saltou para longe do gigante branco, voltando para o prĂ©dio.

Entre as flechas de Yume e o Arpejo Sagrado de Tokimune, ou seja lĂĄ como aquilo se chamava, o gigante branco havia sofrido mais dano no olho do que conseguia suportar.

— Recuem! — Haruhiro gritou enquanto recuava tambĂ©m.

Yume e as outras garotas, Ranta, e todos na linha de frente, exceto Tokimune, se distanciaram do gigante branco. Tokimune, no entanto, era diferente. No topo do prédio, ele literalmente observava tudo de cima.

— Go, go, go! — O gigante branco balançou os braços ao redor, cambaleando. Ele provavelmente queria atacar Haruhiro e os outros de algum jeito, mas estava cego. AlĂ©m disso, seus joelhos estavam destruĂ­dos. O gigante branco caiu sobre um prĂ©dio Ă  direita, oposto de onde Tokimune estava. A parede externa, embora nĂŁo tenha desmoronado completamente, sofreu danos.

— Go, go! — O gigante branco tentou se equilibrar, mas não conseguia firmar as pernas, então estava com dificuldades. Parecia que ele ia tropeçar.

— Ata— — Haruhiro começou a gritar, mas engoliu a palavra. Tada já estava avançando em direção ao gigante branco.

O gigante branco nĂŁo caiu completamente, mas se ajoelhou em uma das pernas. Tada saltou em direção a esse joelho com um mortal Ă  frente e…

— Somersault Bomb!

Foi um golpe Ășnico—nĂŁo, uma explosĂŁo Ășnica. Depois de ser atingido pelo segundo Somersault Bomb, o joelho esquerdo do gigante branco estava meio destruĂ­do. Provavelmente nĂŁo conseguiria se levantar mais.

— Go! — O gigante branco estendeu a mão para agarrar Tada, mas nem chegou a tocá-lo.

— Viu sĂł como eu sou incrĂ­vel! — gritou Tada. Enquanto se gabava, ele nĂŁo sĂł nĂŁo recuou, como tambĂ©m acertou um golpe sĂłlido na mĂŁo direita do gigante branco com seu martelo de guerra.

Tendo localizado Tada com base nisso, o gigante branco tentou alcançå-lo com a mão esquerda. Tada a rebateu com o martelo de guerra também.

— Se acha que pode me vencer, tenta de novo daqui a um milhão de anos! — berrou Tada.

— Nada para fazer… — murmurou Kuzaku.

Ah, serå mesmo? Haruhiro virou-se para olhar atrås de si. As coisas às vezes aconteciam de repente, então ele nunca baixava a guarda. E, como esperado, do outro lado da rua, vårios Pansukes estavam correndo em sua direção com suas lanças prontas.

— Reforços inimigos! — ele gritou. — TrĂȘs Pansukes! Kuzaku, Kikkawa, Inui-san!

— Entendido! — chamou Kuzaku.

— Beleza! — gritou Kikkawa.

— Tch… Que escolha eu tenho? — respondeu Inui.

Kuzaku, Kikkawa e Inui imediatamente se afastaram da linha de frente, passando por Haruhiro e as garotas que estavam na retaguarda para enfrentar os reforços inimigos. Mary olhou rapidamente naquela direção, mas logo voltou sua atenção para o gigante branco. O poder do Deus da Luz, Lumiaris, nĂŁo alcançava o Reino do CrepĂșsculo, entĂŁo ela nĂŁo podia usar magia da luz ali. Mesmo que tudo o que pudesse fazer fosse atuar como guarda-costas de Shihoru, Mary permanecia concentrada.

Isso nĂŁo Ă© o que me preocupa, pensou Haruhiro. Mary Ă© sĂ©ria por natureza. Por causa disso, uma vez que ela faz o que deve, ela tende a pensar: “Isso Ă© o suficiente?” ou “SerĂĄ que nĂŁo tem mais nada que eu possa fazer?” Eu preciso ficar de olho nisso e cuidar dela. Naturalmente, eu quero dizer isso como lĂ­der. Nada mais. NĂŁo hĂĄ outros sentimentos envolvidos. Nenhum. Zero, entendeu? Zero.

— Agora vocĂȘs dĂŁo o empurrĂŁo final, hein! Lutem com tudo! Entendido? Fight! — Anna-san deu um incentivo bem-vindo.

— Delm, hel, en, rig, arve! — Mimorin entoou enquanto desenhava símbolos elementais com seu cajado.

Fire Pillar (Pilar de Fogo). Esse era o feitiço mais forte que a ex-guerreira Mimorin possuía. Um pilar de chamas se ergueu aos pés do gigante branco. Dito isso, era menor do que a própria Mimorin e, na verdade, um tanto fofinho. Considerando o tamanho enorme do gigante branco, não parecia que teria muito efeito.

Se ela quer se tornar uma usuåria de Magia Arve, não deveria pelo menos adquirir o feitiço Blast(Explosão)?, pensou Haruhiro. Não era algo que um ladrão, e ainda por cima membro de outra equipe, devesse opinar, e Haruhiro tinha uma relação um tanto complicada com Mimorin, então, embora pensasse nisso, ele não disse nada. Mesmo que às vezes quisesse falar, ele realmente não podia.

— Ohm, rel, ect, el, vel, darsh! — Shihoru usou o feitiço Shadow Echo (Eco das Sombras) para lançar trĂȘs elementais das sombras, que atingiram o gigante branco. O dano foi mĂ­nimo, sem dĂșvida, mas sua magia era puramente de suporte aqui.

— …Ufa. — Ranta se aproximou de Haruhiro e se agachou.

— Bom trabalho — disse Haruhiro, olhando ao redor enquanto falava.

Enquanto fazia isso, ele flexionava os joelhos, pronto para se mover a qualquer momento. Por causa disso, em momentos assim, Haruhiro ficava em uma posição levemente inclinada para frente, com os braços soltos ao lado do corpo, olhando ao redor com olhos cansados. Se alguém que não o conhecesse visse, provavelmente pensaria: Esse cara tå bem?

Haruhiro sabia que aquela não era uma boa postura, mas era a posição ideal para ele, então não havia muito o que pudesse fazer. Ele jå tinha desistido de parecer estiloso. Por enquanto, precisava focar na praticidade. Haruhiro nunca seria como Tokimune.

Falando em Tokimune, ele chegou aos novos inimigos antes de Kuzaku.

— A verdadeira arte de matar no ar! — gritou Tokimune.

Saltando de telhado em telhado, ele desceu com um chute espetacular na cabeça do Pansuke F. Depois de derrubå-lo e aterrissar, Tokimune afastou a lança do Pansuke G com seu escudo e enfiou sua espada no buraco do olho do cultista. Sem perder o ritmo, avançou sobre o Pansuke H e o atingiu com os golpes Bash (Pancada) e Double Thrust (Dupla Estocada). Pansuke H conseguiu torcer o corpo para evitar um golpe fatal no olho, mas estava completamente sobrecarregado e recuava. Quando Kuzaku e os outros dois finalmente chegaram, a luta jå estava ganha.

Tokimune era forte. Ele era forte quando se empolgava e também quando estava encurralado. Basicamente, ele era sempre forte. Além disso, tinha carisma e uma boa personalidade.

Se ele tinha uma falha, talvez fosse o fato de ser impulsivo, arbitrĂĄrio, e de sair correndo para fazer as coisas por conta prĂłpria. Mas isso era algo comum entre todos os membros dos Tokkis.

Quando as pessoas sĂŁo parecidas, muitas vezes elas se tornam hostis e rejeitam umas Ă s outras, mas isso nĂŁo acontecia com os Tokkis. Todos pareciam se dar bem e se divertir, entĂŁo deviam estar fazendo algo certo.

— Go, go! — O gigante branco provavelmente tinha medido mal as distĂąncias, pois colidiu com um prĂ©dio enquanto se movia de forma quase rastejante. NĂŁo, ele nĂŁo conseguia enxergar, entĂŁo nĂŁo podia medir coisa alguma.

— Seu brutamontes desajeitado! — berrou Tada.

Como se estivesse esperando por esse momento, Tada desferiu uma série de golpes no cotovelo do gigante branco, quase destruindo-o. Agora, tanto o joelho quanto o cotovelo esquerdo do gigante tinham sofrido danos graves. Em seguida, mirando no pé direito do gigante branco, Tada atacou o tornozelo, e depois de mais alguns golpes, derrubou o calcanhar. O joelho direito também jå havia sido atingido, então o alcance de movimento do gigante branco estava bastante limitado agora.

Haruhiro assentiu.

— Ranta. Mais uma vez, Ă© sua vez.

— Heh. — Ranta se levantou, balançando a cabeça de um lado para o outro, girando os ombros e respirando fundo. — Tudo bem, se vocĂȘ insiste. Eu vou fazer isso!

— Tada-san! — Haruhiro gritou.

Quando Haruhiro deu o sinal, Tada recuou, e Ranta entrou em seu lugar.

Tada foi para um beco. Provavelmente pretendia subir no telhado.

— Ohhhhhhhhhhhhhhhhhhhh! — Ranta acertou o gigante branco com sua Lightning Sword Dolphin. Ele acertou. E acertou, e acertou, e acertou, e acertou, e acertou, e acertou, e acertou.

Parecia que Tokimune e os outros jå haviam terminado de eliminar os reforços inimigos. Eles estavam voltando para cå.

Tada deu um mortal para frente descendo do telhado.

Ainda assim, estou impressionado que ele consiga fazer algo tĂŁo perigoso, pensou Haruhiro. Neste ponto, isso nĂŁo o surpreendia mais, mas ainda o impressionava.

— Ultra! Somersault! Booomb! — O martelo de guerra de Tada desceu com força incrível sobre a nuca do gigante branco.

Eles jĂĄ tinham tentado muitas coisas diferentes, mas os pontos fracos de um gigante branco pareciam ser seu Ășnico olho e a nuca. Ou melhor, comparado ao resto do corpo, a pele nesses lugares era um pouco mais fina. NĂŁo era apenas que seus pescoços eram especialmente vulnerĂĄveis a impactos; parecia que tambĂ©m havia algo anĂĄlogo Ă  medula espinhal dos humanos ali. Era uma ĂĄrea difĂ­cil de atingir, mas os ataques que acertavam ali eram extremamente eficazes.

— Já chega, Ranta! — Haruhiro gritou.

— Eu sei?! — Ranta se afastou do gigante branco.

Embora Tada tenha caĂ­do no chĂŁo depois de usar seu Somersault Bomb, ele parecia ter aterrissado bem.

O gigante branco desabou de frente. Nesse ponto, Haruhiro não precisou motivar ninguém.

— Certo, party time! NĂŁo Ă©?! — Anna-san gritou.

Com essa declaração, Mimorin foi a primeira a começar a subir nas costas do gigante branco. Tokimune rapidamente a alcançou e passou à frente, seguido por Kikkawa e Inui. Kuzaku veio um pouco depois deles. Ranta e Tada correram em direção ao gigante branco e começaram a golpeå-lo. E a esfaqueå-lo.

Haruhiro sentiu vontade de participar também, mas se conteve. Não havia necessidade, e mais cultistas podiam aparecer. Também era possível que outro gigante branco viesse para cå.

Haruhiro, Yume, Shihoru e Mary ficaram à margem dessa celebração impiedosa, sem participar. Eles torciam junto com Anna-san.

Preciso manter a cabeça fria o tempo todo, pensou Haruhiro. Claro, haverĂĄ momentos em que terei que arriscar minha vida tambĂ©m. Quando esses momentos chegarem, em vez de raciocinar, a Ășnica opção serĂĄ confiar no instinto e na selvageria, e contar com a agilidade para me salvar, tenho certeza. Mas eu nĂŁo quero provocar esse tipo de situação, e para evitĂĄ-las, preciso realmente me manter calmo.

VocĂȘ Ă© chato, sabia?, Ranta sempre dizia para ele. Haruhiro nĂŁo achava que fosse uma pessoa interessante. Se estavam dizendo que ele era chato, provavelmente era verdade.

Minha personalidade é simples. Meu rosto é comum. No meio da média, ou até abaixo. Também não sou alto. Não sou especialmente perspicaz, nem alguém que tem um talento incrível mas estå tentando esconder isso ou algo assim. O melhor que posso dizer é que sou mediano. Bem, sou normal.

A questĂŁo Ă© que eu nĂŁo me importo com meu eu atual, alguĂ©m que pode dizer “Estou bem com ser normal” e nĂŁo se menosprezar por isso.

Eu sou normal, e tenho certeza de que vou continuar sendo normal. Não posso me tornar alguém especial, e nem estou tentando. Embora não seja como se eu estivesse satisfeito com a situação atual, também.

Eu diria para dar um passo de cada vez, mas isso é pedir demais, então meio passo estå bom. Mesmo que seja só um quarto de um passo, e mesmo que não possamos fazer tanto progresso todos os dias, daqui a dez dias, eu quero ter avançado um pouco mais.

De alguma forma, tenho a sensação de que estamos conseguindo isso. Talvez seja por isso que consigo não me odiar.

Estou fazendo o meu melhor, certo? AlĂ©m disso, tenho resultados para mostrar, o que significa que estou sendo recompensado, nĂŁo Ă©? Ser recompensado pelo esforço Ă© uma bĂȘnção, correto? Isso significa que sou bastante afortunado, nĂŁo sou? Posso olhar para o cĂ©u e dizer a Manato e Moguzo, que nunca veremos novamente: “Ainda estamos nos esforçando, pessoal.” NĂŁo Ă© incrĂ­vel?

Eu acho que Ă©.

Enquanto observava o massacre com seus olhos sonolentos, Haruhiro olhou ao redor para garantir que nenhum novo inimigo estivesse chegando. Não importa o quão vantajosa fosse a situação, mesmo que a batalha estivesse praticamente decidida, algo poderia acontecer de repente para mudar tudo. Se isso acontecesse, aconteceria, e eles teriam que aceitar e seguir em frente, mas ele não queria tomar esse tipo de decisão se não fosse necessårio.

A nuca do gigante branco e a parte de trås da cabeça dele estavam praticamente destruídas, e ele jå havia parado de se mover. Parecia estar morto.

Mas, de certa forma, a parte mais difĂ­cil de lidar com um gigante de quatro metros ainda estava por vir. Era uma tarefa demorada e incĂŽmoda, mas que valia a pena.

A princípio, os gigantes brancos eram essas coisas enormes e perigosas que só atrapalhavam, e a party de Haruhiro os tratava como algo de que deviam fugir assim que os vissem. No entanto, Shinohara, do Clã Orion, descobriu que os gigantes brancos possuíam vårios órgãos internos onde um metal desconhecido estava concentrado. Desde que alguém espalhou essa descoberta, os gigantes brancos se tornaram alvos preferidos dos soldados voluntårios.

A propĂłsito, isso nĂŁo era algo recente. Tinha acontecido quase um mĂȘs atrĂĄs.

— Achei uma piroxena arco-íris! — gritou Ranta, como um idiota, segurando uma esfera com quinze centímetros de diñmetro, que brilhava com as cores de um arco-íris, como o nome sugeria.

Até onde Haruhiro sabia, esses órgãos de piroxena arco-íris, que eram exclusivos dos gigantes brancos, normalmente tinham o tamanho de um punho, então essa era considerada grande.

— Eu tambĂ©m! Eu tambĂ©m! Eu tambĂ©m! Eu achei uma! — Kikkawa ergueu outra piroxena arco-Ă­ris, com um olho fechado e a lĂ­ngua de fora. Essa segunda tinha cerca de dez centĂ­metros de diĂąmetro, talvez. Ainda assim, nĂŁo era pequena.

No final, essas foram as Ășnicas duas piroxenas arco-Ă­ris que eles extraĂ­ram do gigante branco. No entanto, ao despirem os ponchos dos cultistas e revistĂĄ-los, encontraram vĂĄrios acessĂłrios com pequenas peças de piroxena arco-Ă­ris incrustadas. Essas piroxenas tinham sido polidas com cuidado, entĂŁo, apesar de pequenas, tinham um valor alto.

— Bom, eu diria que vamos fazer umas seis — disse Tokimune de cima dos restos do gigante, exibindo seus dentes brancos em um sorriso brilhante.

Enquanto pensava, Uau, eles sĂŁo brilhantes, Haruhiro inclinou a cabeça de lado em dĂșvida.

— Nah… Eu diria que umas cinco, talvez?

— Só? — perguntou Tokimune.

— Provavelmente.

Cinco moedas de ouro. Dividido meio a meio com os Tokkis, a parte da party de Haruhiro seria duas moedas de ouro e cinquenta pratas. Dividido em seis partes, dava um pouco mais de 41 pratas para cada um. Nada mal. Ou melhor, era uma quantia incrĂ­vel que eles jamais poderiam ter imaginado ganhar alguns meses atrĂĄs.

NĂŁo posso me acostumar com isso, ele pensou. Tenho que presumir que ganhar essa quantia nĂŁo serĂĄ algo garantido.

Os restos do gigante branco teriam que ser deixados onde estavam, mas pelo menos eles arrastaram os corpos dos cultistas para a beira da estrada antes da party de Haruhiro e os Tokkis seguirem em frente.

Logo, eles passaram por alguém. Não era um cultista, nem um gigante branco, mas um humano.

NĂŁo, humanos. Para ser preciso, soldados voluntĂĄrios.

— Oh. — O caçador que liderava a party emanava uma vibração desagradĂĄvel. Ele vestia uma roupa de couro, um chapĂ©u com uma pena e carregava um arco e uma aljava de flechas nas costas. Provavelmente era um pouco mais velho que Haruhiro e os outros. Tinha olhos de raposa e uma boca torta. — SĂŁo os Matadores de Goblins e os palhaços.

— Olá, Kuzuoka-san. — Haruhiro inclinou levemente a cabeça.

Entre todos os soldados voluntårios mais experientes, havia alguns com quem ele não ficava feliz de ter que falar, e esse era um deles. Eles não tinham tido muita interação, mas Haruhiro tinha uma mågoa desse homem. Quando tinham acabado de chegar em Grimgar, Kuzuoka tentou recrutar Moguzo para sua party, depois roubou seu dinheiro e o abandonou.

— Tch… — Ranta estalou a lĂ­ngua, com desdĂ©m.

Kuzuoka estreitou os olhos, tentando intimidĂĄ-los com um “Huhhh…?”

Havia um guerreiro, um ladrĂŁo, um mago, um sacerdote e um cavaleiro das trevas seguindo Kuzuoka. Um parecia querer dizer “LĂĄ vamos nĂłs de novo…”, outro estava impassĂ­vel, e outro parecia achar a situação divertida. Cada um dos cinco tinha sua prĂłpria reação, mas nenhuma delas era remotamente amigĂĄvel.

— Ora, ora, ora, Kuzuoka-saaaaan — Kikkawa interrompeu, dando um tapa no ombro de Kuzuoka de forma exageradamente amigĂĄvel. — JĂĄ faz sĂ©culos. TĂĄ tudo bem com vocĂȘ, Kuzuoka-saaaaan? Como tĂȘm sido as coisas ultimamente?

— Droga, não me toque, Merda-kawa! — Kuzuoka gritou.

— HĂŁ? O que Ă© isso? Eu sou fofo pra caramba? Cara, sempre achei que fosse.

— Eu nĂŁo disse isso, estĂșpido!

— NĂŁo, nĂŁo, nĂŁo precisa ser tĂ­mido, Lixo-oka-saaaaan. Ops, errei, Ă© Kuzuoka! Malz, malz! Vou refletir sobre o que fiz!

(NT: Kuzu, escrito em katakana, pode significar ‘lixo’, ‘escória’ ou ‘pedaço de bosta’).

— NĂŁo tem como vocĂȘ refletir sobre coisa alguma! — Kuzuoka gritou.

— É! Não vou! Hehe!

— VocĂȘ me irrita, sabia? — Kuzuoka rosnou. — Saia do caminho, ou morra! Eu vou te matar!

— Isso nĂŁo Ă© possĂ­vel — disse Tokimune com um sorriso amigĂĄvel. — NĂŁo te conheço muito bem, mas sei que vocĂȘ Ă© mais fraco do que eu. Quer testar e ver?

— N-Não vou fazer isso! — Kuzuoka empurrou Kikkawa para o lado.

— Vamos embora! — ordenou aos seus companheiros, e eles foram saindo. Mesmo enquanto se afastava, Kuzuoka continuava a murmurar o que pareciam ser insultos ao grupo, algo bem típico dele.

— Aquele cara. — Ranta chutou o chão. — Com uma personalidade podre dessas, me surpreende que ele consiga ser líder de uma party. Não consigo acreditar.

— É… — Haruhiro coçou a nuca. — Mas vocĂȘ tambĂ©m nĂŁo Ă© muito diferente…


Tradução: ParupiroHPara estas e outras obras, visite o Cantinho do ParupiroH – Clicando Aqui


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