Hai to Gensou no Grimgar â CapĂtulo 11 â Volume 5
Hai to Gensou no GrimgarGrimgar of Fantasy and Ash
Light Novel Online – CapĂtulo 11:
[Rondo do Leopardo, Baleia e Golfinho]
Tada não estava reclamando, e sua expressão não havia mudado, mas sua respiração estava ofegante. Parecia que ele estava tendo dificuldades.
Quanto a Inui, ele estava segurando o cajado de Shihoru enquanto ela o puxava. Inicialmente, ele havia pedido para que ela lhe desse um ombro ou segurasse sua mão, mas quando Shihoru recusou friamente, ele implorou para pelo menos deixå-lo segurar o cajado. Shihoru, no fim, cedeu. Mesmo que metade disso fosse encenação, Inui provavelmente estava sofrendo de alguma forma também.
Kikkawa aparentemente havia fraturado algumas costelas. Parecia que elas doĂam quando ele se movia.
Haruhiro e os outros ainda estavam vagando pelo labirinto de escombros. Eles tentaram voltar para o ponto de entrada, mas acabaram se perdendo ainda mais.
â Se a Anna-san estivesse aqui… â Kikkawa lamentou. â Anna-san faz, tipo, mapas como hobby e porque sĂŁo Ășteis. Eles ajudam muito em momentos como esse…
â Aqueles mapas…? â Haruhiro nĂŁo pĂŽde deixar de perguntar.
â VocĂȘ sĂł precisa saber como lĂȘ-los, cara â insistiu Kikkawa. â Se souber ler, consegue decifrĂĄ-los. Claro, Ă s vezes estĂŁo errados, mas isso faz parte do charme.
â Deixa isso pra lĂĄ, Kikkawa â Tada disse, rindo. â SĂł nĂłs precisamos entender a grandeza da Anna-san.
â Ă, vocĂȘ disse tudo â Ranta resmungou, claramente sem se importar. â VocĂȘs podem guardar isso pra vocĂȘs…
Todos estavam exaustos. Mentalmente e fisicamente.
Haruhiro parou e olhou para o teto.
â …Oh.
â Hein? O que foi? â Kuzaku tambĂ©m olhou para cima.
â Espera aĂ. â Haruhiro nĂŁo esperou por uma resposta dos seus companheiros antes de começar a escalar a parede de escombros para alcançar o teto.
Ele chamou de teto, mas nĂŁo era como se houvesse uma Ășnica placa cobrindo tudo. Havia muitos espaços. Se algum fosse grande o suficiente, nĂŁo seria impossĂvel passar por ele.
Havia muitos relevos e depressĂ”es, entĂŁo escalar nĂŁo era tĂŁo difĂcil. No entanto, parecia que tudo poderia desabar facilmente, entĂŁo ele precisava ser cuidadoso.
Deslizando seu corpo em um vĂŁo, ele subiu e subiu. NĂŁo olhou para baixo enquanto seguia para o alto.
Ele saiu.
Estava no topo do teto.
Era inclinado, entĂŁo era um pouco difĂcil de se manter de pĂ©. Enquanto permanecia agachado, Haruhiro olhou ao redor da ĂĄrea.
â Entramos por… qual direção? â murmurou. â Whoa. NĂŁo faço ideia…
Ele pensou que, se pudesse chegar ao topo, seria capaz de se situar e descobrir em que direção deveriam seguir para voltar, mas… agora que realmente havia feito isso, tudo que encontrou foi a si mesmo em pĂ© no meio de uma montanha de escombros.
â NĂŁo vai dar, nĂ© â murmurou.
NĂŁo, mas nĂŁo posso me deixar abater, pensou Haruhiro. NĂŁo Ă© a primeira coisa que nĂŁo dĂĄ certo. Normalmente as coisas nĂŁo dĂŁo certo, e estamos sempre raspando o fundo do barril. JĂĄ caĂmos o mĂĄximo que podĂamos cair. SĂł podemos subir a partir daqui.
â Estava sendo tĂŁo negativo que acabou se tornando positivo… â Haruhiro murmurou.
â Haruhiroooo…! â Ranta chamou.
â TĂĄ, tĂĄ… â Haruhiro suspirou, depois respondeu de volta, â JĂĄ estou voltando!
â Descobriu alguma coisa?!
â Sim, que estamos completamente perdidos… â Haruhiro murmurou, depois começou a descer.
Por que ele parou e decidiu nĂŁo descer? Ele nĂŁo tinha certeza. Algo o incomodava. Mas o que era…?
Haruhiro se levantou.
â Oh… Whoa…
Ele cambaleou um pouco, o que o assustou. Ele desejou ter algo para se apoiar. Quando olhou, nĂŁo muito longe, havia um lugar que parecia uma pequena concavidade, levemente inclinada e com profundidade rasa, como uma xĂcara delicadamente moldada.
Para chegar lĂĄ, ele teria que pular um vĂŁo de mais de um metro de largura. Haruhiro hesitou, mas decidiu tentar. Bem, nĂŁo era um salto difĂcil de qualquer forma. Ele conseguiu chegar Ă concavidade em segurança.
O que? O que estava incomodando ele? Ele ouviu algo? Ou talvez, viu algo?
â Eeeeeeeeeiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii! Haruhiro! Seu idiota! â Ranta gritou novamente.
Haruhiro estava prestes a gritar Cala a boca!, mas pensou melhor.
â Ah! â ele exclamou.
Eles nĂŁo estavam perto.
Estavam longe. Quase como pequenos pontos no horizonte, a mais de cem metros de distùncia. Ele não tinha certeza da direção. Nunca tinha sido claro sobre qual lado era norte, sul, leste ou oeste ali. De qualquer forma, da perspectiva de Haruhiro, eles estavam à frente e um pouco à esquerda. Havia uma pilha de escombros ali, quase como uma torre.
Ele os viu no meio do caminho. Movendo-se. NĂŁo conseguia distinguir suas formas. Mas, enquanto os escombros eram em sua maioria brancos, aqueles pontos eram pretos.
Um, dois, trĂȘs. Havia trĂȘs deles.
TrĂȘs, Haruhiro pensou.
Tokimune, Anna-san e Mimorin somariam trĂȘs.
Haruhiro levou as mĂŁos Ă boca, formando um megafone improvisado, e estava prestes a chamĂĄ-los. Mas parou.
MĂĄ ideia? Talvez. Provavelmente seria melhor assumir que ainda havia mais dos cultistas e quem sabe o quĂȘ dentro do labirinto de escombros. Os cultistas abaixo poderiam ouvir a voz de Haruhiro.
Haruhiro enfiou a cabeça por um vão no teto.
â Acho que avistei eles. Tokimune-san e os outros. Mas nĂŁo consigo ver claramente.
â O quĂȘĂȘĂȘĂȘĂȘĂȘĂȘĂȘĂȘ?! â Ranta gritou.
E agora, o que fariam? Atravessar o labirinto de escombros para chegar até a torre seria um grande trabalho, jå que era um labirinto, afinal. Além disso, enquanto o ågil Haruhiro talvez não tivesse muita dificuldade em chegar lå, Kuzaku e Kikkawa, com suas armaduras pesadas, se esgotariam rapidamente. Mesmo que todos conseguissem chegar ao topo, ainda havia a questão de saber se conseguiriam chegar até a torre. Não havia caminhos ali em cima, e nem era plano. Ainda assim, não havia razão para não tentar.
As garotas subiram primeiro, seguidas por Inui, Tada e Kuzaku, com Ranta por Ășltimo. Foi trabalhoso, mas eles conseguiram subir.
Realmente parecia haver pessoas na torre. Yume, com sua visĂŁo excelente, afirmou com certeza que havia trĂȘs pessoas lĂĄ. Em termos de distĂąncia, nĂŁo eram apenas cem metros; eram duzentos.
Haruhiro foi na frente, avançando lentamente enquanto procurava por pedaços de escombros que fossem viåveis como apoio. Mesmo que fosse uma rota um tanto indireta, ele priorizou a facilidade de passagem ao escolher o caminho. Se seus companheiros não pudessem segui-lo, não adiantaria de nada.
Para avançar apenas dez metros, estavam levando cinco ou dez minutos. Haruhiro estava mais ou menos bem, mas seus companheiros estavam ficando frustrados. Ele podia entender o porquĂȘ. Haruhiro tinha que se concentrar em escolher o caminho, e podia focar nisso, mas os outros estavam apenas o seguindo. Sempre que as pessoas tĂȘm espaço para isso, elas começam a pensar em coisas que provavelmente nĂŁo deveriam.
Haruhiro estendeu o pé direito, testando os escombros. Serå que esse serve? Não, estå solto. Ele deslocou o pé para a esquerda, pisando em um pedaço diferente. Este parece bom.
â Ranta â ele chamou.
â Hein? O que foi?
â O que aconteceu com a Betrayer?
â Eu joguei fora â disse Ranta. â Quem precisa daquilo? NĂŁo eu. Porque agora eu tenho a Lightning Sword Dolphin. Se eu ficasse com aquilo, sĂł seria bagagem extra.
â Que desperdĂcio â Yume reclamou. Haruhiro nĂŁo podia olhar para ela agora, mas tinha certeza de que suas bochechas estavam infladas.
â Eu acho legal, sabe â disse Kikkawa. â O jeito que o Ranta faz essas coisas. VocĂȘ Ă© o cara, Ranta.
â Ah, vocĂȘ Ă© um cara que entende, Kikkawa â disse Ranta. â Eu nĂŁo disse que vocĂȘ tinha potencial Ă toa.
â Quando Ă© que vocĂȘ decidiu que ele tinha potencial…? â Shihoru murmurou.
â Agora? â Ranta respondeu.
â De certa forma, estou com inveja. â A voz de Mary estava tĂŁo incrivelmente fria que nĂŁo parecia nada com inveja.
â Eu tambĂ©m meio que sinto isso. â disse Kuzaku, num tom contido.
â SĂ©rio? â Mary parecia incomodada.
â Aquela ali Ă© a Anna-san, sem dĂșvidas â Tada disse de repente. â Aquela Ă© a Anna-san, Tokimune e Mimori. Sem dĂșvida. Eu reconheço.
â Sim… â Inui concordou. â VocĂȘ estĂĄ certo… Heh…
Espero que estejam certos, pensou Haruhiro. Mas não quero me empolgar antes da hora, nem me deixar levar pelas emoçÔes e perder a concentração, então prefiro não pensar que são eles ainda.
â Haruhiro â Tada chamou de repente.
Assustado, Haruhiro quase escorregou e caiu.
Não faça isso!, ele quase gritou, mas reconsiderou. Tudo bem, tanto faz.
â O que foi? â ele perguntou.
â Sabe, vocĂȘ Ă© um lĂder surpreendentemente bom â disse Tada.
â …NĂŁo, nĂŁo sou.
â VocĂȘ Ă© tĂŁo comum quanto uma joaninha, e nĂŁo tĂŁo bom quanto o Tokimune, claro â disse Tada.
â Eu sei, nĂ©? â Haruhiro respondeu.
Ele nĂŁo sabia bem por que tinha respondido assim. E, espera, o que Tada queria dizer com âcomum como uma joaninhaâ? Isso nĂŁo fazia sentido. Bem, talvez ele nĂŁo devesse esperar sentido vindo de Tada.
NĂŁo era ruim ser elogiado, no entanto. SĂł que, mais do que qualquer coisa, fazia Haruhiro se sentir um pouco desconfortĂĄvel, e o sentimento mais forte que tinha era o de querer dizer: Por favor, pare.
Ele queria fazer o seu melhor, dar o måximo por seus companheiros e por aqueles com quem tinha laços. Haruhiro realmente sentia isso, mas, ao mesmo tempo, não queria se destacar. Finalmente havia percebido que esse era o tipo de pessoa que ele era.
O que hĂĄ de errado em ser comum?, pensou. Comum Ă© bom. Comum Ă© o melhor. Quero ser comum para sempre.
Haruhiro nĂŁo estava particularmente com sono, mas com os olhos sonolentos, continuava procurando um caminho adequado para a torre, tendo pensamentos comuns, como: Ainda estĂĄ bem longe e NĂŁo estamos chegando muito perto. Mas, afinal, ele era um cara comum, entĂŁo isso nĂŁo era surpresa.
No entanto, ele nĂŁo parou. NĂŁo jogou a toalha. Se ele nĂŁo desistisse, poderia seguir em frente, um passo, ou, bem, meio passo de cada vez. Mesmo que voltasse um pouco de vez em quando, bastava seguir adiante novamente depois. De forma simples e entediante, devagar e sempre.
â Eles tĂŁo acenando â disse Yume, acenando de volta com os dois braços. â Parece que os trĂȘs tĂŁo bem.
Haruhiro estreitou os olhos e confirmou que as trĂȘs pessoas na torre estavam acenando. NĂŁo, apenas duas delas estavam. Tokimune e Anna-san. Mimorin estava sentada e nĂŁo se mexia. Tada tinha dito que Mimorin havia machucado a perna, ou algo assim. Esperava que a lesĂŁo nĂŁo fosse grave. Ainda assim, ela havia chegado atĂ© ali, entĂŁo nĂŁo devia ser algo tĂŁo sĂ©rio a ponto de nĂŁo conseguir se mover.
Estamos indo agora, Haruhiro disse silenciosamente. Logo estaremos aĂ. Ou, bem, ainda pode demorar um pouco, talvez? Mas, chegaremos eventualmente. Faltam sĂł uns cinquenta metros, acho.
â Tada! Inui! Kikkawa! â Anna-san chamou, esticando seu corpinho. Ela devia estar segurando a ansiedade atĂ© agora.
Tada ajeitou os Ăłculos com o dedo indicador da mĂŁo esquerda e, em silĂȘncio, ergueu o martelo de guerra.
â Heh… â Inui estava… com lĂĄgrimas nos olhos?
Kikkawa parecia prestes a chorar também, então Ranta deu um tapa em seu ombro.
â VocĂȘs, hein! â Tokimune abriu bem os braços. â Viva Tokkis!
â O que Ă© que ele tĂĄ fazendo? â Kuzaku sussurrou.
â Um âTâ?… â Mary inclinou a cabeça, confusa.
â Ah… â Shihoru parecia desaprovar. â O âTâ de Tokkis…
â Hoooh. â Yume assentiu, impressionada, e entĂŁo olhou para Tada. â Isso Ă© uma coisa que as pessoas fazem, nĂ©? Como que chamam? Er… uma pose de equipe, algo assim?
â NĂŁo. â Tada balançou a cabeça. â Ă a primeira vez que vejo isso.
â Pra mim tambĂ©m… â Inui disse. â Heh…
â TambĂ©m nunca vi isso antes â disse Kikkawa. â Ah! Ă o âTâ de Tokkis! Ă isso aĂ, nĂ©!
O que mais Kikkawa achava que poderia ser?, pensou Haruhiro. Tanto faz o que seja, acho. Sim. Seja o que for, nĂŁo importa.
Mimorin realmente estava sentada. Agora, ela apenas levantou um pouco a mĂŁo. Ela estava olhando para Haruhiro. Eles estavam longe demais para ele distinguir seu rosto, mas ele podia sentir os olhos dela sobre ele.
Haruhiro levantou a mĂŁo direita em resposta.
SerĂĄ que a geralmente inexpressiva Mimorin sorriu?, ele pensou. Quem sabe. NĂŁo que isso importasse. Sim. NĂŁo importa. Afinal, logo estaremos aĂ.
Haruhiro tentou pular um vĂŁo maior.
â …Whoa â murmurou.
Os olhos deles se encontraram.
Tinha uma cabeça de leĂŁo. Branca. Com um Ășnico olho. Seu corpo parecia uma escultura, mas o globo ocular era muito real, cru e vĂvido.
A ĂĄrea abaixo do vĂŁo era bem larga, e aquela coisa estava olhando para cima, direto para Haruhiro de lĂĄ de dentro.
Ah! Aha! EntĂŁo Ă© esse o que eu tanto ouvi falar.
â Um giganâ
O gigante branco estendeu a mĂŁo em sua direção. Haruhiro pulou para trĂĄs. Aquela coisa… conseguia alcançå-lo.
â OHHHHHHHHHHHHHHHH?! â Ranta gritou.
Kikkawa estava surtando, e Haruhiro achou ter ouvido as garotas gritarem também.
A mão do gigante branco atravessou o vão, e os escombros que formavam o teto começaram a desmoronar.
â R-Recuem! Recuem! â Haruhiro gritou, enquanto ele mesmo recuava.
Isso é ruim, ele pensou freneticamente. Mesmo pensando com calma sobre isso, é realmente muito ruim. Para voltar pelo caminho que cuidadosamente usamos para chegar até aqui, vai exigir o mesmo cuidado na volta, mas agora estamos com pressa. Mais do que isso, estamos em pùnico.
â Hyahhhh! â gritou Kikkawa.
Quem foi esse? Kikkawa? Pelo visto, sim. Kikkawa sumiu. Deve ter caĂdo em algum buraco por aĂ.
â Miaaau?! â Yume quase caiu em outro buraco tambĂ©m, mas conseguiu se agarrar na borda.
â Heh! â Inui estava tentando puxar Yume para fora do buraco. Ranta, Mary e Shihoru pareciam que iam ajudĂĄ-lo.
â Droga! Kikkawa! â Tada deslizou por um buraco prĂłximo.
â Haruhiro?! â Kuzaku virou o rosto na direção dele.
Tokimune e os outros também perceberam que algo estava errado, e tentavam vir para o lado deles.
Isso Ă© pĂ©ssimo, pensou Haruhiro. Um instante. Foi sĂł um instante e tudo foi por ĂĄgua abaixo. NĂŁo Ă© justo. Eu estava dando o meu melhor, do jeito devagar, constante e entediante, mas isso Ă© horrĂvel. Tudo foi por ĂĄgua abaixo. Ă horrĂvel demais.
Ă assim que as coisas acontecem. Eu sei disso. Quando eu finalmente penso que consegui construir uma pequena montanha de esforço, sempre vem algo para destruĂ-la.
Mesmo assim, nĂŁo vou choramingar. Preciso tomar uma decisĂŁo imediata. Isso exige uma resposta instantĂąnea. Se eu errarânĂŁo, nĂŁo tenho tempo para pensar no que acontecerĂĄ se eu errar.
â Ranta, desça lĂĄ! Inui, vocĂȘ tambĂ©m! Apoiem o Kikkawa e o Tada lĂĄ embaixo! Todos os outros, ataquem daqui de cima!
â Cara, o que vocĂȘ quer dizer com atacar… â começou Ranta.
â TĂĄ com medo, Ranta?! â Haruhiro gritou.
â NĂŁo seja estĂșpido! Claro que eu nĂŁo tĂŽ com medo! Pode vir! â berrou Ranta.
Era uma sorte que Ranta fosse um idiota. Inui e Ranta agiram imediatamente.
O gigante branco estava usando um braço para destruir os escombros de forma insana. Atacar de cima? Serå que eles conseguiriam fazer isso?
Yume jĂĄ estava sendo puxada para cima. Tokimune e os outros ainda iam demorar um pouco para chegar.
â NĂŁo se esforcem demais! â gritou Haruhiro para Tokimune, saltando de um pedaço de entulho para outro, indo em direção Ă s costas do gigante branco. â Shihoru! Teste se magia Darsh funciona ou nĂŁo!
â Certo! Ohm, rel, ect, el, vel, darsh!
Vuuuon, vuuon, vuuuon. TrĂȘs elementais das sombras, que pareciam bolas de alga marinha preta, voaram em direção ao gigante branco.
Shadow Echo. Acertaram. Todos os trĂȘs. Por um instante, parecia que o braço dele parou de se mover, mas foi sĂł isso.
â Acho que nĂŁo! â gritou Shihoru.
â Ufa! â Yume soltou uma flecha, mas ela ricocheteou. â NĂŁo adianta! Ă duro!
O olho, Haruhiro pensou. Aquele Ășnico olho. Parece que uma lĂąmina entraria ali. Mas o olho, hein. Como vou fazer isso?
â Ohhh! â ele gritou, em realização.
Assim? SerĂĄ que Ă© o Ășnico jeito?
Haruhiro se impulsionou dos escombros, saltando no braço do gigante. Era realmente duro. E frio. Como uma pedra. Impressionante que aquilo conseguia se mover. Haruhiro saltou do braço para o ombro. Depois, para a cabeça.
â Isso Ă© perigoso, sabia?! â ele ouviu Ranta gritar.
Ă, vocĂȘ disse tudo.
Haruhiro se moveu para a frente da cabeça do gigante, torcendo sua adaga no Ășnico olho dele.
Ahh, isso parece ruim, percebeu. Essa coisa vai se debater, com certeza. Devo pular?
O gigante tinha mais de trĂȘs metros de altura. Talvez nĂŁo chegasse a quatro metros. NĂŁo era uma altura da qual ele morreria ao cair, mas ele poderia se machucar.
Enquanto hesitava, o gigante abriu a boca e soltou um rugido estrondoso. Go, go, go, go, go… EntĂŁo ele mergulhou de cabeça nos escombros prĂłximos.
Haruhiro conseguiu se mover para a parte de trĂĄs da criatura momentos antes do impacto, entĂŁo sobreviveu, de alguma forma. Mas o gigante nĂŁo tinha parado ainda.
â Go, go, go, go, go, go, go, go, go, go, go, go, go, go, go, go…!
Ele socou a parede de entulho. A destruiu. Tudo o que Haruhiro conseguia fazer era se segurar. NĂŁo tinha ideia do que poderia acontecer com ele se fosse jogado fora agora.
Na verdade, serå que vou morrer mesmo se continuar segurando? ele pensou. Talvez. Pode ser uma situação em que, se eu não morrer, vai ser porque tive muita sorte.
â Gwahhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh! â gritou Ranta.
Haruhiro achou te visto Ranta correndo em direção ao gigante. Um segundo depois, o gigante estremeceu levemente e parou.
Foi por uma fração de segundo, acho, pensou Haruhiro. Não, não pode ser isso, pode? Lightning Sword Dolphin. à isso? Ele o cortou com a espada?
â Ah! â gritou Haruhiro.
Ele se jogou para longe das costas do gigante com toda a força que pÎde. Quando o fez, o gigante jå estava começando a se mover novamente, e se ele perdesse essa chance, achava que não teria outra.
Ele estava tentando ser cuidadoso para não cair de forma estranha, mas seu braço esquerdo bateu em algo, ele caiu de bunda, e suas costas colidiram com algo duro.
Isso dĂłi!… era algo que ele nĂŁo podia se dar ao luxo de dizer agora.
O gigante estava bem ao lado dele. Haruhiro rolou para longe. Por enquanto, sĂł precisava se distanciar da criatura. NĂŁo importava como, ele sĂł precisava conseguir essa distĂąncia.
Depois de se afastar mais, e de se esconder atrås de alguns dos escombros maiores, Haruhiro percebeu que não conseguia mexer o braço esquerdo.
Seu cĂłccix, ele nĂŁo tinha certeza. DĂłi quando toca algo. Suas costas doĂam tambĂ©m. Estava sangrando? Pelo visto, sim. Sua respiração estava normal. Tirando o braço esquerdo, bem, era sĂł dor. Mas o braço esquerdo… ele nĂŁo tinha certeza. Talvez estivesse quebrado.
O gigante continuava a destruir tudo, aparentemente de forma aleatĂłria.
Onde estava Ranta? E o Tada? E o Inui?
Pelo menos, eles nĂŁo pareciam estar lutando com o gigante.
â Haru-kuuuun! â Haruhiro ouviu a voz de Yume vinda de cima.
Por apenas dois segundos, ele pensou. EntĂŁo, gritou de volta: â Onde estĂŁo Tokimune-san e o grupo dele?!
â Haru-kun?! â Yume respondeu. â Ah, deixa eu ver… eles ainda nĂŁo chegaram!
â E os outros?! â Haruhiro gritou.
â EstĂŁo bem!
â Saiam daqui! â Haruhiro gritou. â Afastem-se do gigante! Nos reunimos depois! Ranta! Tada-san, Kikkawa, Inui-san! Conseguem me ouvir?!
â Sim! â Ranta respondeu de imediato, embora Haruhiro nĂŁo pudesse vĂȘ-lo.
â Entendido! â A julgar pela voz de Kikkawa, ele ainda estava cheio de energia.
â Estamos nos virando! â Tada respondeu um pouco depois dos outros dois.
Nenhuma resposta de Inui. Procurå-lo não era uma opção.
Desculpe, Inui-san, pensou Haruhiro.
â Yume! â ele chamou. â VĂĄ na direção de Tokimune-san e do grupo dele, e assim que se juntarem a eles, esperem! Ranta! Tada-san, Kikkawaâe Inui-san tambĂ©m! Me encontrem e me sigam!
Haruhiro se lembrou da direção da torre onde Tokimune e os outros estavam. Para ir naquela direção, eles teriam que passar correndo pelo gigante, o que era perigoso, mas não havia escolha.
Quanto ao seu braço esquerdo, ele podia mover o ombro, mas nada abaixo do cotovelo. Claro, doĂa. Mas nĂŁo tanto, ainda. O quadril e as costas tambĂ©m eram suportĂĄveis.
â Vamos lĂĄ! â Haruhiro gritou, dando o sinal para todos, e entĂŁo começou a correr.
Para garantir, ele escolheu um momento em que o gigante estava de costas para ele. Mas, quando tentou passar por ele, o gigante se virou, o que o fez entrar em pĂąnico.
Haruhiro nĂŁo pĂŽde parar ou voltar atrĂĄs. Tinha que continuar correndo. Ele quase foi chutado pelo gigante. De algum jeito, conseguiu desviar da perna e virou-se de costas.
Ranta estava com ele. Kikkawa também. E Tada? Ou Inui?
â Go, go, go, go, go, go, go, go, go…! â O gigante emitiu seu rugido retumbante.
Haruhiro nĂŁo tinha tempo para pensar. Precisava se preocupar consigo mesmo antes dos outros. Ele tinha ferido o Ășnico olho da criatura, mas ainda podia ver? Podia senti-lo? O gigante estava perseguindo Haruhiro!
â Por quĂȘ?! â Haruhiro gritou.
Os movimentos do gigante eram lentos, mas ele era duas vezes maior que um humano. Se corresse em linha reta, seria tĂŁo rĂĄpido quanto um humano, talvez mais. Sem mencionar que Haruhiro estava ferido. NĂŁo podia correr na sua velocidade mĂĄxima.
Quando Haruhiro saltou atrĂĄs de uma parede de entulho, o gigante colidiu com a parede e a pulverizou.
â Ai! â Haruhiro gritou.
Pedaços de entulho voaram para todos os lados, e Haruhiro correu enquanto eles choviam sobre ele. O gigante derrubou montes de entulho, saltando no ar em perseguição.
â Parece que… ele tĂĄ guardando rancor?! â ele gritou.
â Go, go, go, go, go, go, go, go…!
â O-Opa! Ferrou!
SerĂĄ que eu vou morrer? pensou Haruhiro. Eu vou morrer mesmo? Normalmente, eu morreria, certo?
Ele queria desistir.
Mas Haruhiro ainda estava correndo em direção à torre.
Devo mudar de direção? ele se perguntou. Afastar o gigante o mĂĄximo que puder e entĂŁo… se eu fizer isso, posso salvar meus companheiros.
Mesmo que fosse morrer, ele queria, ao menos, fazer isso.
Isso mesmo. Ainda nĂŁo Ă© hora de morrer. Haruhiro ainda tinha coisas que podia fazer. Vou afastar o gigante dos meus companheiros. NĂŁo serĂĄ tarde demais para morrer depois disso.
Certo.
Com um objetivo definido, sentiu a força crescendo dentro de si.
â Por aqui! â ele gritou.
Haruhiro tentou virar Ă direita. Foi entĂŁo que aconteceu.
â O pai chegouuuuuuuuuuuuuuuuu!
O que foi isso? Haruhiro parou e olhou para trĂĄs, mesmo sem querer.
Parecia que alguĂ©m tinha caĂdo de cima. Ou seja, atravĂ©s de uma abertura no teto. O teto era bastante alto naquela ĂĄrea, deixando um considerĂĄvel espaço acima da cabeça do gigante, que tinha quase quatro metros de altura. O teto devia estar cerca de dois metros mais alto que o gigante.
A pessoa tinha caĂdo daquela altura. NĂŁo, nĂŁo era issoâela tinha saltado daquela altura sobre o gigante.
A pessoa deu uma pancada na cabeça do gigante com a espada. O gigante cambaleou. Não estava claro quanto dano aquilo causou, mas parecia que o gigante não podia simplesmente ignorar.
EntĂŁo, a pessoa aterrissou nos ombros do gigante, golpeando o flanco do seu grande rosto com o escudo.
â Goooooooooooooooooooooooooooooooong!
A pessoa usou a espada nĂŁo para cortar, mas para dar pancadas poderosas.
â Dahhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh!
Então, como um cervo correndo por um vale, ele pulou dos braços do gigante, para os joelhos, e finalmente para o chão.
â Wahaha! Aqui estĂĄ Tokimune-san! â Tokimune bateu sua espada no escudo com força. â Vem, grandĂŁo! Vou acabar com vocĂȘ rapidinho!
â NĂŁo, isso claramente nĂŁo vai funcionar, sabe? â Haruhiro deixou escapar seus verdadeiros sentimentos.
â Haruhiro! â Tokimune chamou.
â S-Sim.
â VocĂȘ vai presenciar um milagre! EntĂŁo, limpe olhos e observe!
â Se eu limpar meus olhos, nĂŁo vou ver nada…
â VocĂȘ Ă© muito implicante! â Tokimune gritou.
Eu sou mesmo? Ou serĂĄ que vocĂȘ Ă© apenas muito despreocupado com as coisas, Tokimune? E aleatĂłrio, tambĂ©m. Estou feliz que vocĂȘ tenha aparecido para ajudar, mas isso Ă© imprudente.
â Go, go, go, go, go, go, go, go…! â O gigante se agachou e atacou Tokimune.
Seu punho direito. Ele ia dar um soco. NĂŁo um direto. Um gancho.
â Ta-da-da-dahhhh! â Tokimune… nĂŁo estava desviando.
NĂŁo, vocĂȘ nĂŁo deveria desviar aqui? pensou Haruhiro.
Seu escudo. Tokimune pretendia bloquear o gancho direito do gigante com seu escudo.
âNĂŁo. Isso nem Ă© uma opção. Ele Ă© louco. Completamente louco.
â Guhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh…!
Houve um barulho incrĂvel, e entĂŁo Tokimune… nĂŁo foi arremessado. Ele estava firme. Tinha sido empurrado cerca de um metro pelo impacto do gancho do gigante, mas parou ali.
â Yay! Ta-dah! â gritou Tokimune.
Antes que o gigante pudesse puxar o braço direito de volta, incrivelmente, Tokimune correu por ele. De onde vinha aquele senso de equilĂbrio? Como ele conseguia se comprometer assim?
Em pouco tempo, Tokimune chegou ao ombro direito do gigante. EntĂŁo, mais uma vez, ele bateu na lateral do rosto da criatura com sua espada e escudo.
â Gooooooooong! Dahhhhhhhhhhhhhhhhhhh!
O gigante cambaleou um pouco, mas logo tentou agarrar Tokimune com as mĂŁos. SĂł que era lento e desajeitado. Tokimune saltou para longe, fazendo uma aterrissagem estilosa, e entĂŁo desceu a espada nos joelhos do gigante.

â Toma essa! E essa! E essa! E essa! E essa! E essa, e essa, e essa, e essa! â gritou Tokimune enquanto golpeava o gigante.
â Go, go, go, go, go, go…! â o gigante rugia, enquanto descia o braço direito, tentando esmagar Tokimune. Era um golpe assustador, capaz de achatĂĄ-lo num instante, mas Tokimune esquivou-se rindo, usando um mortal para trĂĄs, por algum motivo.
â Isso foi desnecessĂĄrio â comentou Haruhiro.
â Foi, sim, necessĂĄrio! â gritou Tokimune, se aproximando do gigante e atingindo-o com a espada e o escudo. â Porque foi incrĂvel! Forte e legal sĂŁo sinĂŽnimos! Yeahhhhhh!
â Tch! Droga, Tokimune! â gritou um homem.
Era Tada. Tada estava lå, sangrando por todos os lados, mas correndo em direção ao gigante com seu martelo de guerra no ombro.
â NĂŁo me importa quem Ă© o mais legal, mas eu sou mais forte! â berrou Tada. â Somersault Bomb!
Aquele golpe… ele correu, deu uma pirueta para frente e entĂŁo desceu sua arma com tudo no inimigo. Aquilo nĂŁo era uma habilidade de autodefesa de um sacerdote. Era uma habilidade de combate de um guerreiro pesado.
Vai esmagar! O martelo de guerra de Tada acertou o joelho esquerdo do gigante. O joelho do gigante afundou, fazendo voar fragmentos brancos por toda parte.
Tada rolou no chĂŁo para trĂĄs, tentando se colocar atrĂĄs do gigante, mas nĂŁo conseguiu se levantar, ficando deitado de costas.
â Urgh… NĂŁo tenho sangue suficiente…
â Wahaha! Ă porque vocĂȘ estĂĄ se esforçando demais, Tada! Epa… â Tokimune deslizou pelos braços do gigante enquanto recuava, batendo com sua espada nos braços da criatura. Ele golpeava repetidamente. â Mas foi um bom ataque! Isso o desacelerou!
Era verdade, o gigante estava arrastando a perna esquerda. O Somersault Bomb! de Tada foi bastante eficaz.
â SĂ©rio?! A gente vai mesmo, mesmo, mesmo acabar com essa coisa aqui?! â uma voz gritou.
Alguém irritante havia chegado. Era Ranta.
â Isso significa, significa, significa que Ă© minha hora de brilhar, certo?! â gritou Ranta.
NĂŁo, vai embora! Era o que Haruhiro queria dizer, mas Ranta nĂŁo o ouviria.
â Yahoo! â berrou Kikkawa. â Eu tambĂ©m vou nessa!
â Haru! â chamou Mary.
â Haru-kun! â gritou Yume.
â Haruhiro-kun… â murmurou Shihoru.
â Haruhiro?! â gritou Kuzaku.
Ă, parece que agora todo mundo estĂĄ aqui, Haruhiro notou. Vamos fazer isso. Ă assim que as coisas vĂŁo ser? Provavelmente Ă©. Eu nĂŁo gosto disso. Quero dizer, meu braço esquerdo, bunda e costas estĂŁo doendo. Se vamos fazer isso, temos que ganhar. Claro, o gigante desacelerou um pouco, mas serĂĄ que podemos derrotar esse monstro?
Haruhiro nĂŁo achava que seria tĂŁo fĂĄcil.
O gigante estava indo atrĂĄs de Tokimune, estendendo a mĂŁo direita, depois a esquerda. Tokimune estava evitando os golpes com agilidade e revidando, mas nĂŁo estava conseguindo causar nenhum dano real.
Tada ainda estava no chĂŁo. NĂŁo parecia que ele seria capaz de se mover. Ranta e Kikkawa pareciam tentar cercar o gigante por trĂĄs. Yume, Shihoru, Mary e Kuzaku estavam tentando se aproximar de Haruhiro.
O braço esquerdo de Haruhiro estava começando a doer de verdade agora. A dor chamava sua atenção, e ele não conseguia evitar. Precisava voltar a se concentrar. Qual era o foco? No que ele precisava pensar? Reforços. Isso mesmo. Inimigos. Podiam haver cultistas chegando. Ainda não parecia haver nenhum.
Eles precisavam derrubar o gigante. MatĂĄ-lo. Aquele gigante. Como? O martelo de guerra de Tada. A pele do gigante… ou o que quer que fosse aquilo, era extremamente dura. Parecia que armas de impacto funcionariam, mas seria demais pedir para Tada acertar outro golpe como aquele. O sap de Haruhiro tambĂ©m era uma arma de impacto, mas seria difĂcil realizar um ataque poderoso com ele, ao contrĂĄrio do que Tada fez. Na verdade, seria impossĂvel. O cajado curto de Mary provavelmente teria o mesmo problema. Restava a magia, talvez. Os cultistas eram vulnerĂĄveis Ă magia Darsh. E o gigante?
Shadow Bond nĂŁo podia prender inimigos poderosos, entĂŁo seria inĂștil. Mesmo que Shadow Complexpudesse confundir o gigante, se ele se agitasse violentamente, nĂŁo faria diferença. Essa habilidade tambĂ©m estava fora.
E quanto a colocå-lo para dormir com Sleepy Shadow? Ele acordaria se fosse atacado, então essa também não era uma boa opção. Shadow Echo também não parecia que faria uma grande diferença.
â O que fazemos? â Haruhiro murmurou para si mesmo, enquanto olhava ao redor e para cima.
Onde estavam Anna-san e Mimori? SerĂĄ que Inui nĂŁo conseguiu acompanhar o grupo, afinal? O que ele deveria fazer?
â Kuzaku, ajuda a cercar o gigante â disse Haruhiro. â NĂŁo chegue muito perto. Yume e Mary, deem cobertura para Shihoru. Shihoru, usa magia. Tenta acertar ele com um Thunderstorm.
â Certo! â Shihoru imediatamente se virou para o gigante. â Pessoal, recuem um pouco!
Tokimune e os outros se afastaram do gigante. Shihoru começou a desenhar sigilos elementais com a ponta de seu cajado enquanto entoava um feitiço: â Jess, yeen, sark, kart, fram, dart!
O alvo era enorme, entĂŁo todo o feixe de raios atingiu o gigante. Houve um barulho impressionante, e o corpo do gigante estremeceu, com fumaça saindo de vĂĄrias partes, mas, como se tudo estivesse normal, ele se virou nessa direçãoâou melhor, na direção de Shihoru.
Ah, droga, Haruhiro pensou. LĂĄ vem ele.
â NĂŁo vou deixar vocĂȘ fazer isso! â gritou Ranta, enfiando a Lightning Sword Dolphin no gigante. â NĂŁĂŁĂŁĂŁĂŁĂŁo!
O gigante estremeceu. SĂł isso. EntĂŁo tentou agarrar Ranta.
â Go, go, go…!
â Whoa, hoh! â Ranta soltou um grito estranho e balançou a Lightning Sword Dolphin novamente. A ponta da lĂąmina roçou o dedo mĂ©dio da mĂŁo direita do gigante.
O gigante estremeceu.
Ranta saltou para trĂĄs nesse momento, e Tokimune, Kikkawa e Kuzaku se aproximaram do gigante, atacando suas extremidades inferiores com espadas e escudos. No entanto, por mais que o golpeassem, nĂŁo conseguiam causar o mesmo tipo de dano que o Somersault Bomb! de Tada.
â Go, go, go, go, go, go…!
â Whoa! â gritou Tokimune.
â Aah! â gritou Kikkawa.
â O q…?! â gritou Kuzaku.
Quando o gigante fez um grande balanço com ambos os braços, Tokimune, Kikkawa e Kuzaku foram forçados a recuar. Serå que poderiam derrotå-lo apenas repetindo isso?
â Haruhiro! â Tokimune gritou enquanto desviava de um gancho de direita do gigante. â Como seu veterano, vou te ensinar o segredo para derrubar inimigos assim!
â Qual Ă© esse segredo?! â gritou Haruhiro de volta.
â Ataque concentrado!
â Hein?
â VocĂȘ concentra os ataques! Se tem cinco pessoas, sĂŁo cinco vezes os ataques! Se tem dez, sĂŁo dez! VocĂȘ joga tudo de uma vez! Um ataque focado! Esse Ă© o segredo!
â …Entendi â murmurou Haruhiro. Ele se sentiu um idiota por ter esperado algo mais.
Qual Ă© a grande coisa sobre um ataque concentrado? VocĂȘ sĂł estĂĄ concentrando os ataques. Qualquer um pensaria nisso. Ă Ăłbvio, nĂŁo Ă©?
A questĂŁo era onde concentrar seus ataques. Como concentrariam seus ataques?
Um ataque concentrado, Haruhiro pensou.
â Mimori! Continua tentando, yeah?! â uma voz nova gritou.
Aquela voz, aquele jeito de falarâĂ a Anna-san, ele percebeu.
Quando olhou para cima, viu Mimorin presa em uma fenda no teto. Ela estava tentando descer, mas seus seios eram um pouco volumosos, o que a fez ficar emperrada. Mesmo assim, conseguiu se libertar.
Ou melhor, ela caiu.
â Kyah! â Mimorin aterrissou de bunda, soltando um gritinho surpreendentemente fofo ao fazer isso. EntĂŁo gemeu. â Ngh…
A queda parecia ter sido dolorosa.
â Mi-Mi-Mimoriiiin?! â Anna-san estava tentando descer pela mesma fenda. Seus seios tambĂ©m eram grandes, mas, ao contrĂĄrio de Mimori, seu corpo era pequeno, entĂŁo nĂŁo parecia que ela ficaria presa. â VocĂȘ tĂĄ bem, yeah?! NĂŁo se machucou?!
â NĂŁo foi nada grave â Mimorin usou o cajado como apoio para se levantar, e entĂŁo sacou sua espada.
Ă verdade, Haruhiro se lembrou.
Ela era uma maga agora, mas Mimorin jå tinha sido uma guerreira, e ainda carregava uma espada, além de seu cajado. O que Mimorin planejava fazer com seu cajado na mão esquerda e a espada na mão direita?
Por ora, ela olhou ao redor, um tanto inquieta, e entĂŁo pareceu encontrar o que estava procurando. Ela começou a andar na direção dele, mas sua perna estava ferida, e parecia que sua bunda doĂa tambĂ©m, entĂŁo estava cambaleando instavelmente.
â Espere, isso Ă© perigoso â Haruhiro disse para ela.
Mimorin estava tentando enfrentar o gigante. Aparentemente, ela ia se juntar ao ataque concentrado. Por que todos nos Tokkis tinham que ser assim?
Concentrando nossos ataques, Haruhiro pensou.
Nenhum plano veio à mente. Lutar assim era absurdo. Por que precisavam derrotar o gigante, afinal? Causar um grande golpe para ganhar tempo e fugir seria o suficiente. Qualquer coisa além disso era desnecessåria.
â Ranta! â gritou Haruhiro. â Continua atacando as pernas do gigante com essa sua Lightning Sword Dolphin! Quando vocĂȘ fizer isso, todo mundo vai atacar o olho! Ele ainda consegue enxergar com aquele olho! Vamos cegĂĄ-lo e fugir! VocĂȘ pode reclamar depois, apenas faça o que eu digo agora! Vai, Ranta!
â NĂŁo se ache sĂł porque vocĂȘ Ă© o Parupiro! â gritou Ranta. Ele se aproximou do gigante e acertou sua perna com a Lightning Sword Dolphin. â VocĂȘ vai chorar e me agradecer depois!
Nem pensar, Haruhiro pensou. Nunca vou te agradecer, mas, se fizer bem, posso te elogiar por isso.
â Hah! Hah! Hah! Hah! Hah! Hah! Hah! Hahhhhh…! â Ranta balançou a Lightning Sword Dolphin sem parar, como um louco, acertando a perna esquerda do gigante.
Cada vez que ele acertava o gigante, o monstro tremia. Tremor, tremor, tremor, tremor. Cada um desses tremores durava pouco, mas quando vinham em sequĂȘncia, era como se o gigante estivesse paralisado, porque nĂŁo conseguia se mover.
â Miaau! â Yume encaixou uma flecha em seu arco composto e disparou.
Em rĂĄpida sucessĂŁo, ela disparou, disparou e disparou.
Era a habilidade de arco, Rapid Fire. Com o nĂvel de habilidade de Yume, a cada dois ou trĂȘs tiros, um saĂa completamente errado ou nĂŁo ia longe o suficiente, mas duas em cada cinco flechas atingiram o olho do gigante. Esse era um resultado tĂŁo impressionante que Haruhiro sĂł podia imaginar que foi pura sorte.
â Haruhirooo! â Tokimune subiu correndo pelo corpo do gigante. â Parece que vocĂȘ dominou o segredo! Agora Ă© hora do meu super ataque! Flutuar como um leopardo, picar como uma baleia!
Tudo errado, Haruhiro pensou. Provavelmente quis dizer âflutuar como uma borboleta, picar como uma abelhaâ.
Mas seria meio grosseiro corrigi-loâou talvez nĂŁo? AlĂ©m disso, Tokimune nĂŁo flutuava como uma borboleta ou um leopardo, e definitivamente nĂŁo picava como uma baleia ou uma abelha. No entanto, quando chegou aos ombros do gigante, ele esfaqueou com vontade o olho Ășnico dele.
â Eu tambĂ©m! Eu tambĂ©m! Me deixa participar! â Kikkawa tentou escalar o gigante tambĂ©m, mas falhou.
Kuzaku balançou a cabeça, como se dissesse Ă, nĂŁo, eu nĂŁo consigo. Haruhiro estava basicamente tranquilo com isso. Ele foi o primeiro a sugerir que todos deveriam atacar o olho, mas talvez Tokimune sozinho fosse o suficiente.
Claro, Mimorin, que estava ferida, não precisava fazer nada. Haruhiro correu até Mimorin, dando leves tapinhas em suas costas.
â VocĂȘ jĂĄ fez o suficiente! Vamos correr, Mimorin!
â HĂŁ? â Mimorin olhou para baixo, na direção de Haruhiro, depois assentiu. â Certo.
Haruhiro balançou o braço direito, chamando em voz alta: â Retirada! Estamos recuando! Tokimune-san, desça logo! Kikkawa, vocĂȘ tambĂ©m!
â Zwahhhhhhhhhhhhhh! â Tada, que atĂ© entĂŁo estava de cabeça baixa, gritou enquanto corria em direção ao gigante.
Antes que Haruhiro pudesse dizer JĂĄ fizemos o suficiente e detĂȘ-lo, Tada deu uma cambalhota para frente e esmagou seu martelo de guerra no joelho direito do gigante.
â Somersault Bomb!
Crac. O joelho direito do gigante afundou.
Tada cambaleou para trĂĄs e caiu sentado.
â E aĂ, gostou? Eu sou o mais forte aqui… heh heh…
Quem liga? pensou Haruhiro.
â Nwahhhh! â Ranta recuou dois, trĂȘs passos, e depois cravou a Lightning Sword Dolphin no chĂŁo. â E-Eu… tĂŽ… tĂŁo… exausto… maldiçãããão!
Esse é o limite, né? Haruhiro pensou.
O gigante começou a se mover.
No final, Kikkawa, que nunca conseguiu escalar o gigante por completo, desceu, meio que caindo no processo, e ajudou Tada a se levantar. Ele lhe ofereceu um ombro de apoio e o fez andar.
â Tadacchi! Consegue continuar, nĂ©?! â gritou Kikkawa.
â Mas Ă© claro! â gritou Tada. â Quem vocĂȘ acha que eu sou?!
Tokimune fez uma aterrissagem graciosa.
â Anna-saaaan! Vamos dar o fora daqui! VocĂȘ sabe o caminho, nĂ©?!
â Claro que sei, yeah?! â Anna-san ainda estava agarrada Ă parede de entulho, mas pulou agilmente. â VocĂȘs me seguem, tĂĄ! Letâs go!
SerĂĄ que tudo ia ficar bem? Haruhiro nĂŁo estava totalmente convencido, mas ele mesmo nĂŁo sabia o caminho, entĂŁo nĂŁo tinha escolha a nĂŁo ser deixar que Anna-san os guiasse.
â Ranta-kun! â Kuzaku arrastava Ranta consigo.
â Go, go, go, go, go, go, go, go, go, go, go, go, go, go, go…!
O gigante parecia tentar se debater, mas com as duas pernas colapsando, foi forçado a se agachar. As duas Somersault Bomb! tinham machucado muito seus joelhos.
Haruhiro olhou rapidamente para Yume, Shihoru e Mary.
â Sigam a Anna-san! â ele gritou.
As trĂȘs assentiram em unĂssono.
Anna-san e Tokimune tomaram a dianteira; logo atrås vinham Yume, Shihoru e Mary; depois Kuzaku e Ranta, seguidos por Kikkawa e Tada; e, por fim, Haruhiro e Mimorin. Não estavam fugindo na velocidade måxima. Mesmo que Ranta fosse deixado de lado, Tada e Mimorin não estavam em condiçÔes de correr. O melhor que conseguiam era uma caminhada apressada.
Mimorin havia guardado sua espada na bainha e agora usava o cajado como uma bengala, mas ainda assim estava com dificuldades. Parecia que ela tinha perdido a força na perna esquerda. Além disso, estava sangrando.
Se o lado esquerdo dela estava fraco, talvez, se Haruhiro a apoiasse pelo lado direito, pudesse facilitar as coisas. Felizmente, era o braço esquerdo de Haruhiro que estava doendo. Se fosse o direito, seria mais complicado, mas assim ele conseguiria lidar.
Haruhiro deslizou suavemente entre o braço esquerdo de Mimorin e o flanco dela, passando seu braço direito em volta do ombro dela.
â Vamos fazer o nosso melhor â disse, tentando animĂĄ-la, mas Mimorin nĂŁo respondeu. Quando ele olhou, viu que ela estava mordendo o lĂĄbio. Parecia que ia desabar em lĂĄgrimas a qualquer momento.
O gigante estava atrås deles, concentrando seus esforços em empurrar as paredes de entulho, agarrando pedaços de destroços e os lançando para longe. Tomara que nenhum desses pedaços viesse em sua direção.
Isso Ă© meio estranho, pensou Haruhiro.
Afinal, eles estavam explorando o Reino do CrepĂșsculo com os Tokkis, que haviam descoberto juntos, eâbem, os Tokkis os apunhalaram pelas costas e tentaram passar a perna na party de Haruhiro, mas ainda assim eles se sentiam como companheiros, e foi por isso que a party aceitou o pedido de Kikkawa e chegou atĂ© ali.
Tendo chegado tĂŁo longe, Haruhiro queria salvar quem pudesse, e esse sentimento nĂŁo era direcionado a nenhum indivĂduo em especĂfico, mas aos Tokkis como um todo. Claro, isso incluĂa Mimorin. Era sĂł isso. O que ele estava fazendo agora era apenas uma parte disso. Ele poderia explicar que nĂŁo significava mais nada, e talvez devesse, mas essa nĂŁo era a hora, certo?
â Ei… Mimorin â disse Haruhiro. â HĂŁ… O Inui-san meio que nĂŁo estĂĄ aqui, sabe. NinguĂ©m disse nada, mas…
â Oh â respondeu Mimorin.
â Isso estĂĄ certo? Quero dizer, claro que nĂŁo estĂĄ, mas…
â EstĂĄ tudo bem.
â HĂŁ?
â Acho que sim.
â VocĂȘ acha?
â Ele Ă© um sobrevivente teimoso, o Inui â Mimorin voltou Ă sua expressĂŁo impassĂvel de sempre. â Ă como uma barata.
â …Uau â murmurou Haruhiro.
â Mas ele nĂŁo Ă© bonitinho como uma barata.
NĂŁo, tenho certeza de que baratas nĂŁo sĂŁo bonitinhas.
Mas, mesmo que ele dissesse algo normal assim, provavelmente Mimorin nĂŁo entenderia. Ele tinha a sensação de que nunca entenderiam um ao outro. TambĂ©m nĂŁo precisavam. Ele nĂŁo queria particularmente entendĂȘ-la.
NĂŁo importa, ele disse a si mesmo. Tanto faz.
Primeiro, precisavam sair do labirinto de escombros. Depois, sairiam do Reino do CrepĂșsculo. Quando pudessem receber as bĂȘnçãos do Deus da Luz, Lumiaris, se curariam com magia de luz. EntĂŁo, retornariam ao Posto Avançado do Campo SolitĂĄrio.
NĂŁo me importa o que acontecer depois disso, Haruhiro pensou em silĂȘncio.
â Meu deus! â exclamou Anna-san, parando no meio de uma encruzilhada de quatro caminhos.
Todos tiveram que parar.
â Ei, ei, ei, ei, Anna-san! â Ranta bufou.
â Shut the fuck up!â Anna-san se virou e disse algo numa lĂngua estrangeira que provavelmente significava que queria que ele calasse a boca. â Yeah! Vamos embora, tĂĄ! Cometi um errinho! Nada demais, yeah!
â SerĂĄ que isso Ă© verdade? â Kuzaku murmurou para si mesmo.
â Pessoal â Tokimune deu um joinha para eles, exibindo os dentes brancos. â Vamos, apenas confiem na Anna-san. Tenho certeza de que estamos prestes a testemunhar um milagre. Sim, um milagre. Sem dĂșvidas.
Tokimune parecia ser um grande fĂŁ de milagres. Haruhiro nĂŁo pĂŽde evitar a vontade de retrucar;
Eles são chamados de milagres porque geralmente não acontecem, mas se conteve. Principalmente porque tinha preocupaçÔes maiores.
Logo Ă frente deles, do outro lado da encruzilhada, um grupo de cultistas apareceu.
à direita também.
E Ă esquerda, do mesmo jeito.
â Pra onde, Anna-san?! â gritou Tokimune.
Anna-san apontou para o caminho Ă esquerda. â Por ali, talvez… Com certeza! Com certeza Ă© por ali, nĂ©?
â NĂŁo vai adiantar perguntar pra gente â Haruhiro nĂŁo pĂŽde deixar de comentar.
Anna-san lançou um olhar irritado para ele.
â Um, dois, trĂȘs, quatro… â Tokimune começou a contar o nĂșmero aproximado de cultistas que se aproximavam. â Bem, vai ser difĂcil fugir. Vamos ter que matar eles!
Haruhiro nem se deu ao trabalho de contar. Mas, sim, eles teriam que matĂĄ-los. Isso era um fato.
Haruhiro se afastou de Mimorin e tentou mover o braço esquerdo. Dói. Dói muito. Nem se movia direito. Ele puxou sua adaga com a mão direita. Havia cinco cultistas na frente, cinco à direita e quatro à esquerda. Era bastante. Talvez houvesse mais a caminho.
â Ohm, rel, ect, el, krom, Darsh! â Shihoru desenhou sĂmbolos elementais com seu cajado e entoou o feitiço Shadow Mist. A nĂ©voa negra em forma de sombra se materializou, flutuando na direção dos cultistas no caminho Ă direita.
Isso vai funcionarâou deveria, pensou Haruhiro. EntĂŁo?
Os cinco cultistas desabaram.
Gostaria de dizer para Shihoru lançar outro feitiço no caminho à esquerda ou à frente, mas não era uma opção. Os cultistas jå estavam perto demais, e alguns dos membros do grupo acabariam atingidos pela årea de efeito.
â Cacete, Haruhiro! Que bom que vocĂȘs vieram! â gritou Tokimune.
Tokimune avançou. Ele desviou a lança estendida de um cultista com seu escudo e mirou no olho. O cultista se inclinou para trås para evitar, mas Tokimune continuou avançando. Ele empurrou o cultista, depois usou Bash no cultista à sua esquerda. Ao mesmo tempo, ele derrubou o cultista à sua direita com sua espada.
â Devemos a vida a vocĂȘs, cara! â gritou Kikkawa. â Amo vocĂȘs, Harucchi!
Kikkawa seguiu Tokimune. Parecia que Tokimune agia como nenhum paladino deveria, avançando e bagunçando o inimigo, enquanto Kikkawa atacava os inimigos que Tokimune deixava em completa desordem, ao mesmo tempo que recebia os ataques e servia de tanque.
â Estou de folga â disse Tada, embora tenha mandado um cultista voando com uma chuva de golpes de seu martelo de guerra.
Mimorin usava seu estilo de cajado e espada de duas mĂŁos, protegendo Anna-san.
â Vai! Kill todos eles! Massacre, Vai! â Anna-san parecia ser a animadora designada do time.
â Ahh, isso Ă© perigoso! â gritou Kuzaku.
Mesmo reclamando, Kuzaku avançou contra a linha de lanças dos cultistas à esquerda. Embora tivesse um escudo resistente, obviamente ainda era assustador. Mas, apesar do que dizia, ele não hesitava. Mesmo com as lanças arranhando seu escudo, ele se aproximou de um cultista e balançou sua espada longa. Ele atacou. Os quatro cultistas pararam de avançar.
â NĂŁo se preocupem! â declarou Ranta, atacando os quatro cultistas cujo Ămpeto Kuzaku havia interrompido. â Eu estou aqui! Aqui vou eu! TĂ©cnica secreta… Dança do Golfinho!
Por um momento, a imagem vĂvida de um grupo de golfinhos saltando alegremente passou pela mente de Haruhiro.
Golfinhos. Eles eram criaturas marinhas. Desde que veio para Grimgar, Haruhiro nunca tinha ido ao mar nem uma vez. Apesar disso, ele sabia o que era o mar e conseguia imaginå-lo. Ele também sabia o que eram golfinhos. Serå que Haruhiro jå tinha visto golfinhos no mar antes?
De qualquer forma, isso nĂŁo tinha praticamente nada a ver com golfinhos.
Ranta acertou as lanças dos cultistas com a Lightning Sword Dolphin. Quando fez isso, os corpos dos cultistas tremeram. Aproveitando essa brecha, Ranta avançou e atingiu os corpos com sua tĂ©cnica. Por causa dos mantos que eles usavam, nĂŁo pĂŽde cortĂĄ-los, mas os cultistas se contorceram e caĂram. Kuzaku pressionou o ataque. Ranta aproveitou totalmente a situação para atacar tambĂ©m.
â Stop-eye, depois… Quick-eye! â Yume ajustou uma flecha em seu arco composto, movendo os olhos ao redor e os estreitando.
Essas eram habilidades de caçador. Stop-eye usava exercĂcios oculares especiais, tĂ©cnicas de respiração e controle corporal para aumentar a precisĂŁo dos disparos. Quick-eye era uma espĂ©cie de truque para acertar alvos em movimento.
Ela disparou.
Um cultista foi atingido no olho por uma flecha.
â Muito bom, Yume! â elogiou Haruhiro enquanto avançava em direção aos cultistas caĂdos no caminho Ă direita. â Mary, cuide da Shihoru!
â Certo, pode deixar! â gritou Mary.
Mesmo com o braço esquerdo fora de combate, Haruhiro ainda conseguia lidar com isso. Ou melhor, ele tinha que lidar. Ia acabar com os cultistas que Shihoru havia posto para dormir.
Sua adaga perfurou o olho de cada um dos cultistas. Ele nĂŁo fez nada desnecessĂĄrio. Apenas cravou sua adaga, segurando-a com um golpe invertido, fundo no olho, torceu e arrancou. Haruhiro provavelmente estava com um olhar sonolento agora. NĂŁo sentia nada. Executou a tarefa como uma rotina.
TrĂȘs caĂdos, faltam dois.
Cultistas estavam correndo em sua direção de mais adiante no caminho. Ou melhor, eles haviam virado uma esquina logo ao lado, entĂŁo o perigo jĂĄ estava prĂłximo. Sim, eles. Infelizmente, nĂŁo era sĂł um. Dois. NĂŁo, trĂȘs.
Reforços. Ele havia considerado essa possibilidade. Não tinha feito nada para se preparar. Não havia nada que pudesse ter feito. As mãos do grupo jå estavam cheias o suficiente.
Claro que não pode ser tão fåcil assim, né? pensou Haruhiro.
â Haru?! â gritou Mary.
Parece que ela havia notado a situação difĂcil em que Haruhiro se metera. Isso poderia significar que a ajuda mĂĄgica de Shihoru estaria a caminho. SerĂĄ que chegaria a tempo? Quem sabe. Poderia ir para qualquer lado. Afinal, Haruhiro jĂĄ estava tentando usar Swat na lança do lĂder com sua adaga. Ele a afastou, de algum jeito.
As lanças continuavam vindo. Uma atrås da outra.
Parece que nĂŁo vou conseguir lidar com isso, sabe?, ele pensou.
Enquanto concentrava seus nervos em desviar as lanças dos cultistas, Haruhiro se preparou para o pior.
Em vez de aceitar passivamente, preciso pensar no que fazer agora. Claro, nĂŁo tenho tempo para isso. Ainda assim, preciso pensar e dar ordens. Eu posso nĂŁo ser grande coisa, mas sou o lĂder, afinal. NĂŁo, talvez eu realmente nĂŁo consiga…
Ele falhou ao tentar desviar. Isso foi porque estava pensando em coisas que nĂŁo deveria.
No seu braço direito, a lança do cultista rasgou a carne entre o pulso e o cotovelo. Ele quase deixou a adaga cair.
Com a adaga na mĂŁo direita enfraquecida, Haruhiro tentou usar Swat para aparar a prĂłxima lança. De alguma forma, conseguiu. Mas a prĂłxima seria muito mais difĂcil. Na verdade, provavelmente impossĂvel. Mesmo assim, ele nĂŁo suportava a ideia de simplesmente morrer sem lutar.
Haruhiro tentou aparar usando Swat novamente. Errou.
â Heh! â Inui gritou.
AlguĂ©m havia agido antes dele. AtrĂĄs do cultista que estava prestes a empalar Haruhiro, surgiu um homem com um tapa-olho. Seu rabo de cavalo caracterĂsticoâou talvez nem fosse tĂŁo caracterĂstico, Haruhiro nĂŁo sabiaâtinha se desfeito, e seu cabelo estava solto e despenteado. Mas ainda era Inui.
Inui agarrou a cabeça do cultista entre as mĂŁos, entĂŁo torceu com força, e de repente…
Sabe, acho que jĂĄ vi isso em algum lugar, pensou Haruhiro. Esse estilo de matar.
Inui provavelmente havia quebrado o pescoço do cultista. Não estava claro se o cultista havia morrido instantaneamente, mas ele caiu no chão, sem forças.
Os dois cultistas restantes deviam estar surpresos, pois se viraram para olhar Inui. Nesse ponto, Inui jĂĄ havia desembainhado suas duas espadas.
Inui enfiou uma espada no olho de um dos cultistas. O outro virou o pescoço, evitando a outra espada de Inui.
As costas, Haruhiro pensou.
As costas do cultista estavam meio viradas para Haruhiro. Quando isso acontecia, Ă s vezes ele enxergava a oportunidade. Aquela linha.
Haruhiro praticamente se colou nas costas do cultista, chutando o calcanhar atrĂĄs do joelho dele, quebrando sua postura. Seu braço esquerdo nĂŁo se movia direito. No entanto, nĂŁo estava completamente imĂłvel. Ele colocou o cotovelo esquerdo contra o pescoço do cultista, entĂŁo jogou o peso do corpo sobre ele. Ao mesmo tempo, reuniu o resto da força que tinha e cravou sua adaga no Ășnico olho do cultista. O corpo do cultista se sacudiu algumas vezes, convulsionando.
EstĂĄ morto?
Sim, estava morto.
Haruhiro nĂŁo conseguia mais segurar a adaga e a deixou cair. O cultista caiu no chĂŁo.
â Ai… â Haruhiro murmurou. Ele estava prestes a chorar. Neste ponto, sua mĂŁo direita estava praticamente inutilizada.
â Heh… â Inui pegou a adaga, entĂŁo a segurou em frente ao nariz de Haruhiro. â No fim das contas, acabou tĂŁo fĂĄcil assim para vocĂȘ?
NĂŁo, vocĂȘ nĂŁo sabe disso, Haruhiro pensou. O que isso quer dizer? VocĂȘ Ă© idiota? E, espera, por que vocĂȘ ainda estĂĄ vivo? Caramba, vocĂȘ Ă© persistente. SĂ©rio, vocĂȘ Ă© como uma barata. Qual Ă© o seu problema?
â Achei que vocĂȘ estivesse morto â Haruhiro se forçou a aceitar a adaga com a mĂŁo direita, que estava causando uma dor excruciante. Ele nĂŁo sentia mais as pontas dos dedos. â Fico feliz de estar errado.
â Eu me chamo Inui, o Imortal!
â Ă sĂł um tĂtulo auto-proclamado, nĂ©.
â Finalmente, parece que chegou a hora de liberar meu verdadeiro poder! â Inui acrescentou.
â E vocĂȘ nem estĂĄ ouvindo o que eu digo…
â Heh… â Inui tirou o tapa-olho e o jogou longe. â Agora, começo de verdade.
Seu olho esquerdo era… normal.
Ele nĂŁo tinha perdido um olho em alguma lesĂŁo? Bem, para que servia o tapa-olho, entĂŁo?
â Me siga, Harunire! â Inui gritou.
Inui parecia prestes a sair andando, mas entĂŁo parou para matar dois cultistas, aqueles que Shihoru havia colocado para dormir e que pareciam prestes a acordar.
Eu realmente nĂŁo entendo ele, mas ele parece confiĂĄvel, Haruhiro pensou.
â Eu nĂŁo sou Harunire, sou Haruhiro â disse ele.
Tokimune e seu grupo avançavam, e avançavam, e avançavam loucamente, tentando acabar com os cinco cultistas restantes. O grupo de Ranta havia derrotado dois dos quatro. Inui se moveu silenciosamente, não em direção ao grupo de Tokimune, mas ao de Ranta. Então, sem perder tempo, ele enterrou suas espadas nos olhos de dois cultistas.
â HĂŁ…? â Kuzaku disse.
â Ei! â Ranta gritou. â O que vocĂȘ acha que estĂĄ… Espera, Inui?!
Kuzaku e Ranta ficaram perplexos.
â Insetos insignificantes… â Inui puxou suas espadas dos cultistas, entĂŁo se virou lentamente com um sorriso diabĂłlico em seu rosto de aparĂȘncia envelhecida. â Prostrem-se diante do meu verdadeiro poder. Pois eu sou Inui! O lorde DemĂŽnio, Inui!
â De novo isso, yeah! â Anna-san bateu na prĂłpria testa. â Bem, tudo bem. Todo mundo, sigam o Lorde DemĂŽnio Inui, tĂĄ! Lorde DemĂŽnio Inui! Go!
â Hahaha! â Tokimune chutou o Ășltimo cultista no chĂŁo, cravando sua espada no Ășnico olho dele. â Ei, Inui! VocĂȘ estĂĄ vivo! E entrou nesse modo, hein! Vamos sĂł entrar no ritmo! Haruhiro, deixa o Inui fazer o que quiser! Quando ele fica assim, nĂŁo hĂĄ como parĂĄ-lo de qualquer forma!
NĂŁo Ă© sĂł o Inui, pensou Haruhiro, exausto. Todos vocĂȘs basicamente fazem o que querem, e ninguĂ©m consegue impedir.
Inui estava correndo pelo caminho de pedra a uma boa velocidade.
Haruhiro gemeu. â Vamos segui-lo.
Ah, tanto faz, pensou Haruhiro. Deixe o que tiver que acontecer, acontecer. Ou melhor, tenho certeza de que tudo vai se resolver.
Se as coisas dessem errado, eles poderiam usar os Tokkis como peĂ”es descartĂĄveis e fugir. Mesmo que fizessem isso, sua consciĂȘncia provavelmente nĂŁo o acusaria. NĂŁo, provavelmente nĂŁoâdefinitivamente nĂŁo. Os Tokkis nĂŁo teriam o direito de criticĂĄ-los. Haruhiro e a party jĂĄ tinham feito o suficiente. NĂŁo, tinham feito mais do que o suficiente. A ponto de terem feito mais do que deveriam.
Entre aquele momento e quando eles finalmente saĂram do labirinto de escombros, Haruhiro perdeu a conta de quantos cultistas eles eliminaram. PorĂ©m, com o tapa-olho removido, Inui estava absurdamente forte. Tokimune tambĂ©m estava em um ritmo Ăłtimo. Kikkawa estava de bom humor. Tada parecia intenso. Ranta estava sendo barulhento e irritante. Kuzaku estava se esforçando. Anna-san se perdeu no caminho vĂĄrias vezes. Yume, Mary e Shihoru se revezaram em ajudar Haruhiro e Mimorin.
Finalmente, quando escaparam do labirinto de escombros, Inui desabou de repente. Olhando de perto, não era apenas seu cabelo que estava bagunçado; ele tinha ferimentos por todo o corpo. Ele estava tão gravemente ferido que era um milagre que ainda estivesse se movendo como se nada estivesse acontecendo. Quando Mary, Anna-san e Yume tentaram cuidar dele, Inui nem se mexeu, mas quando Shihoru, relutante, falou com ele, ele se levantou de repente. Dito isso, ele estava tendo dificuldades para andar, assim como Tada, Mimorin e Haruhiro.
Independentemente de estarem com dificuldade ou nĂŁo, eles tinham que voltar para aquela colina inicial.
Duas, talvez trĂȘs vezes, Haruhiro viu Manato e Moguzo Ă distĂąncia. Aquela garota que estava olhando na direção dele, seria Choco, talvez?
De repente, Tokimune e os outros estavam tentando afastar um cachorro caolho.
Deixa ele em paz, Haruhiro se lembrou de ter dito. Embora, talvez ele não tenha realmente dito isso. Talvez não tenha sido Haruhiro. Alguém mais pode ter dito.
â Ohhh! Olhem! â Ranta gritou em voz alta, como um idiota.
Ele era um idiota, afinal. Haruhiro olhou, sem muito interesse, para Ranta. Ranta estava bem ao lado dele, apontando para alguma coisa. Haruhiro olhou naquela direção.
â Isso Ă© mĂĄ notĂcia… â Kuzaku, ou alguĂ©m, murmurou.
â Com certeza â alguĂ©m, talvez Tokimune, respondeu com uma risada.
Era uma silhueta do tamanho de uma montanha.
O gigante que eles haviam enfrentado no labirinto de escombros tinha, no mĂĄximo, quatro metros de altura. Eles jĂĄ tinham visto um gigante antes nas PlanĂcies do Vento RĂĄpido tambĂ©m. Aquele os havia surpreendido, mas era nada comparado a esse. Estava a algumas centenas de metros de distĂąncia, mas era realmente do tamanho de uma montanha.
Aquele gigante estava se movendo lentamente.
Estava caminhando.
Quem disse: Um dia, vou derrubar essa coisa? Pode ter sido Tada.
Era impossĂvel.
Espera, por que vocĂȘ iria querer derrubĂĄ-lo? Haruhiro pensou. Ele nĂŁo entendia. Haruhiro nĂŁo entendia nada disso. Ele nem sabia quando havia começado a andar novamente.
Mesmo quando foram atacados pelos cultistas escondidos nas sombras das rochas, e Mary foi forçada a balançar seu cajado curto, tudo o que Haruhiro pÎde fazer foi rastejar e tentar escapar.
Depois de um tempo, ele perdeu a consciĂȘncia. Sempre que voltava a si, alguĂ©m estava lhe oferecendo um ombro, e ele se surpreendia ao perceber que estava andando com seus prĂłprios pĂ©s.
Ele estava com dor, sim, mas não tinha uma lesão na perna como Mimorin, então achava que estava em uma situação melhor.
Em algum momento, um pano foi enrolado na ferida de seu braço direito, e esse pano estava escuro, vermelho e encharcado. Quem o teria enfaixado?
A ferida em suas costas talvez fosse mais complicada do que ele pensava. Ele não conseguia sentir nada das costas até a cintura, mas parecia estranhamente pesado.
â NĂŁo morre, cara â Ranta disse com uma expressĂŁo sĂ©ria no rosto.
Aquilo foi um sonho? Ou era realidade?
â Como se eu fosse morrer e deixar vocĂȘ pra trĂĄs… â Haruhiro murmurou.
Foi o que ele respondeu, mas pensou: Estou dizendo algo estranho. NĂŁo. Foi um erro. Por que eu teria que morrer antes de Ranta? NĂŁo seja idiota. Se vocĂȘ olhar a forma como agimos no dia a dia, Ranta com certeza vai morrer antes de mim. Eu nĂŁo vou deixar que eu morra antes de Ranta, caramba.
Isso era o que ele queria ter dito.
Quando a colina inicial apareceu Ă vista, Kikkawa o carregou.
Tå tudo bem, não precisa fazer tanto por mim, Haruhiro pensou, mas não tinha forças para recusar.
Quando entraram no buraco e avançaram um pouco, parecia que a bĂȘnção de Lumiaris havia retornado. Mary lançou o Sacrament em Haruhiro. O efeito foi imediato. Ele ainda se sentia grogue, mas a dor desapareceu completamente. Sua cabeça clareou, e ele finalmente se encontrou com a deusa chamada alĂvio.
â Todo mundo estĂĄ bem… nĂ©? â Haruhiro murmurou.
Os Tokkis tinham dois sacerdotes, Anna-san e Tada. Incrivelmente, nenhum dos dois tinha aprendido o feitiço Sacrament ainda, mas com a ajuda de Mary, a cura foi råpida.
â Essa foi uma experiĂȘncia incrĂvel â disse Kuzaku, sentado encostado na parede de pedra, soltando um suspiro profundo. â NĂŁo, talvez nĂŁo seja tĂŁo incrĂvel, mas sim algo terrĂvel, eu acho…
â Honestamente… â Mary estava agachada ao lado de Kuzaku. â JĂĄ tive o suficiente…
â Ă isso mesmo â Yume estava balançando a lanterna que segurava sem motivo algum. Ela parecia sonolenta. â Pra coisas assim, sabe, uma vez por ano jĂĄ tĂĄ bom.
â Eu acho que nem uma vez por ano quero isso… â Shihoru tambĂ©m parecia exausta.
â Fracos â Tada ajustou os Ăłculos com o dedo indicador da mĂŁo esquerda. â VocĂȘs todos sĂŁo fracos. Por isso que nunca sobem na vida. Tentem aprender com o nosso exemplo.
â Nem ferrando â Haruhiro respondeu firmemente.
â Hein? â Tada estalou a lĂngua, olhando para Haruhiro de lado. â Bem, dessa vez, jĂĄ que vocĂȘ teve a honra de nos ajudar, deve ter sentido muitas coisas tambĂ©m. Reflita sobre essa experiĂȘncia e cresça com ela. Se nĂŁo, nĂŁo terĂĄ valido a pena deixarmos vocĂȘ nos ajudar.
â Hum, Tada-san, por que vocĂȘ tĂĄ sendo tĂŁo condescendente? â perguntou Haruhiro.
â Porque eu sou melhor que vocĂȘ, Ăłbvio.
â …VocĂȘ acha? Depois de tudo isso? â perguntou Haruhiro.
â O quĂȘ, Haruhiro? VocĂȘ acha que Ă© melhor do que eu?
â NĂŁo… Na verdade, eu nem ligo muito pra quem Ă© melhor do que quem â disse Haruhiro.
â Hahahaha â Kikkawa riu. â Isso Ă© tĂŁo vocĂȘ, Harucchi. Eu meio que adoro esse seu jeito, sabia?
â …Certo â Haruhiro disse. â Meio que invejo a forma como vocĂȘ leva as coisas tĂŁo de boa.
â Uhuu! Fui invejado! Yay, yay! Ei, ei, Anna-san, Anna-san, ouviu isso? Ouviu? Tem alguĂ©m que me inveja. Pela minha… superioridade? Raridade? Eu sou super de boa!
â Kikkawa, vocĂȘ nĂŁo Ă©! VocĂȘ Ă© shallow! TĂĄ entendendo?! â Anna-san gritou.
â Hein? O quĂȘ? O quĂȘ? NĂŁo sei o que shallow significa, eu sou shallow?! SĂł brincando!
â NĂŁo Ă© engraçado! Quer morrer?! Shallow significa frĂvolo! TĂĄ entendendo?!
â Whoa. FrĂvolo, hein. Essa palavra soa meio chique pra mim?! Meu valor tĂĄ subindo de repente?! Ou, tipo, eu sou inestimĂĄvel?!
â O valor do Kikkawa Ă© forever zero, yeah?! â Anna-san gritou.
â O quĂȘ?! Tipo, multiplica ou divide, ainda Ă© zero?! Nunca muda, Ă© isso que vocĂȘ tĂĄ dizendo?! Whoa, Anna-san, eu nĂŁo sabia que vocĂȘ pensava tanto assim de mim! Nunca teria imaginado! TĂŽ tĂŁo feliz?! Parece que tem lĂĄgrimas nos meus olhos?!
Era estranho dizer isso agora, jĂĄ que isso acontecia sempre, mas o otimismo de Kikkawa era tĂŁo fora da realidade que parecia um fenĂŽmeno sobrenatural. Haruhiro nĂŁo ficava sĂł surpreso ou espantado. Ele achava assustador.
Isso Ă© assustador. Realmente Ă©, ele pensou. Tem algo de errado com ele. Como ele consegue ser tĂŁo alegre e cheio de energia, mesmo depois do que passamos?
â Heh… â Inui andava cambaleando, depois parou em frente a Shihoru. Ele havia jogado fora seu tapa-olho, entĂŁo nĂŁo o usava mais, mas seu olho esquerdo ainda estava fechado. Talvez estivesse selando seu verdadeiro poder. O cara era um idiota.
â Permita-me conceder-lhe um direito muito importante â disse Inui. â O direito de ser minha esposa, Ă© claro… Heh…
â Eu… Eu nĂŁo quero isso â Shihoru gaguejou, mas respondeu imediatamente.
â Eu nĂŁo odeio garotas tĂmidas â disse Inui.
â Eu, hum… NĂŁo gosto de pessoas como vocĂȘ, entĂŁo…
â VocĂȘ… nĂŁo gosta de mim? â Inui perguntou.
â …Isso.
â Mas vocĂȘ tambĂ©m nĂŁo me odeia?
â Eu… eu nĂŁo diria que te odeio…
â EntĂŁo vocĂȘ nem gosta nem odeia…
â B-Bom… Sim… Ă isso mesmo.
â Muito bem. â Inui deu meia-volta. â Com o tempo, vocĂȘ tambĂ©m entenderĂĄ… a verdade oculta, Ă© claro… Heh…
â Eu nĂŁo quero entender, nĂŁo â Shihoru disse.
â Kwahaha… Heheheh… HĂĄ hahahaha! â Rindo enquanto se afastava, Inui foi embora para o Reino do CrepĂșsculo.
â Hein? â Haruhiro olhou para os Tokkis. â V-VocĂȘs estĂŁo bem com isso? Inui-san estĂĄ indo sozinho…
â TĂĄ tudo bem, yeah? â Anna-san acenou com a mĂŁo e riu. â Ele tĂĄ de coração partido? Ele tĂĄ em choque, entĂŁo Ă© melhor deixar ele sozinho, yeah?
â Mas, isso nĂŁo Ă© perigoso? â Haruhiro perguntou.
â Bem, ele provavelmente nĂŁo vai morrer! â Tokimune riu enquanto se aproximava, mostrando os dentes brancos enquanto estendia a mĂŁo direita para Haruhiro. â De qualquer forma, obrigado, Haruhiro!
â …Suave. â Haruhiro apertou a mĂŁo de Tokimune hesitante. â Bem, Ă© meio estranho depois de vocĂȘs tentarem nos passar a perna.
â Ahaha! NĂŁo deixe isso te incomodar! â Tokimune disse.
â Meio que percebi que me incomodar com isso nĂŁo vai adiantar…
â Ă isso aĂ! NĂŁo tĂnhamos mĂĄs intençÔes! Nos perdoe!
â VocĂȘs poderiam, pelo menos, ter se desculpado primeiro, nĂ©? â Haruhiro perguntou.
â Cara. â Tokimune parou de apertar a mĂŁo de Haruhiro e deu um tapinha brincalhĂŁo nas bochechas dele. â VocĂȘ age como se fosse fraco, mas consegue falar o que pensa muito bem, nĂ©.
â P-Pare com isso â disse Haruhiro. â NĂŁo me toque assim.
â Quando vocĂȘ me diz pra parar, sĂł me dĂĄ mais vontade de continuar, sabe? â perguntou Tokimune.
â E-EntĂŁo nĂŁo pare!
â Entendi. NĂŁo vou parar.
â Uwaa… â Haruhiro resmungou.
â O que quer dizer com âUwaaâ? NĂŁo me faça te beijar.
â NĂŁo, sĂ©rio, nĂŁo faça isso! â Haruhiro gritou.
â NĂŁo! â gritou Mimorin.
Por alguma razĂŁoânĂŁo, a razĂŁo era ĂłbviaâMimorin se enfiou entre os dois. Ela puxou Haruhiro para longe de Tokimune e o colocou debaixo do braço. SĂł que Haruhiro nĂŁo era um objeto.
â Sem beijos â disse Mimorin, ferozmente. â Isso Ă© meu.
â Desde quando eu pertenço a vocĂȘ? â Haruhiro murmurou. â Vamos, me solta…
â Wahaha! â Tokimune levantou o polegar. â De qualquer forma, te devemos uma, Haruhiro. Uma grande. Eu sou esquecido, mas nĂŁo esqueço esse tipo de coisa com frequĂȘncia.
â Com frequĂȘncia, nĂ©… â Haruhiro resmungou. â EntĂŁo nĂŁo Ă© algo absoluto.
â Eu raramente esqueço â disse Tokimune.
â TĂĄ certo. Tanto faz… â respondeu Haruhiro.
â Se precisar de algo, Ă© sĂł falar comigo a qualquer hora â disse Tokimune. â Se for pra vocĂȘs, os Tokkis estĂŁo prontos para quebrar uma perna, duas atĂ©, por vocĂȘs. Eu nĂŁo empresto dinheiro, mas empresto minha vida.
â O dinheiro vale mais que sua vida? â Haruhiro perguntou, cĂ©tico.
â NĂŁo. Quando dinheiro entra no meio, as coisas se complicam, sabe? NĂŁo gosto disso. Sou do tipo que prefere dar dinheiro do que emprestar. EntĂŁo, se precisar de grana, peça pra eu te dar, e te dou tudo o que tenho. NĂŁo que eu tenha economias.
Haruhiro piscou. â VocĂȘ nĂŁo tem?
â Ă, nada.
â Nem eu â disse Tada, com uma atitude de Por que vocĂȘ tĂĄ dizendo uma coisa Ăłbvia, idiota?
â Eu tambĂ©m tĂŽ, tipo, quase sem nada, acho? â disse Kikkawa.
â Eu nĂŁo tenho nada â declarou Mimorin claramente.
â Anna-san tem dinheiro, yeah! Tipo, quinhentos gold?! Hahaha! Itâs joker! Eu talvez tenha trinta prata, yeah?
E o Inui, que foi embora para o Reino do CrepĂșsculo? Haruhiro pensou. NĂŁo Ă© da minha conta, acho.
Enquanto Haruhiro lutava para se desvencilhar de Mimorin, seus companheiros, Kuzaku, Mary, Yume e Shihoru, trocavam olhares. Todos pareciam perplexos demais para fazer qualquer coisa.
Os Tokkis. Essas pessoas eram ainda piores do que eles pensavam. Com o quĂŁo ridĂculos eram, era um milagre que tivessem sobrevivido atĂ© agora. E o pior, pareciam estar se divertindo mais do que qualquer um.
Esse estilo de vida era viåvel também? Haruhiro não podia aprovar, mas mesmo se alguém rejeitasse o modo de vida deles, os Tokkis provavelmente não se importariam. E, bem, Ranta talvez fosse o mais parecido com eles.
Falando em Ranta, ele estava estranhamente quieto. No momento em que Haruhiro pensou nisso, Ranta saltou em sua direção.
â Haruhirooooooooooooooooooooooooooo!
â Wah! â gritou Haruhiro.
Ele nĂŁo sabia o que tinha deixado Ranta tĂŁo maluco, mas Ranta estava pressionando a ponta da Lightning Sword Dolphin contra a bochecha de Haruhiro. Estava perfurando um pouco.
â O q-quĂȘ vocĂȘ tĂĄ fazendo? TĂĄ me furando… HĂŁ?
â Eu sabia que nĂŁo era imaginação minha… â Ranta jogou a Lightning Sword Dolphin no chĂŁo e começou a se arrastar. Ele nĂŁo parecia estar se desculpando com Haruhiro. Devia estar deprimido. â Droga… Isso Ă© terrĂvel… SĂ©rio… SĂ©rio… SĂ©rio… SĂ©rio…
â O-O que houve? â perguntou Haruhiro.
â TĂĄ tudo bem. â Mimorin ainda nĂŁo soltava Haruhiro.
â Nada… â Ranta socou o chĂŁo. â Minha Lightning Sword Dolphin! O efeitoooo de choque dela se foooi! No caminho de volta, quando bati em um cultista, achei que tinha notado algo estranhooo…
â Uau. â Kikkawa pegou a Lightning Sword Dolphin e tocou na lĂąmina. â VocĂȘ acha que, tipo, sabe? Tinha um nĂșmero limitado de cargas, ou algo assim?
â Isso nĂŁo Ă© o que me prometeraaaaaam! â lamentou Ranta. â Eu sĂł joguei fora a Betrayer porque consegui a Lightning Sword Dolphin! Agora isso nem Ă© mais a Lightning Sword Dolphin!
â TĂŽ vendo â Yume olhou para ele como se dissesse: Bem feito. â Eu te avisei que era desperdĂcio. Ă por fazer essas coisas desperdiçadas que essas coisas acontecem com vocĂȘ, nĂŁo acha?
â Cala a boca! Cala a boca! Cala a boca! â gritou Ranta. â Haruhiroooo! Seu desgraçadoooo! O que vocĂȘ vai fazer sobre isso?! Como vocĂȘ vai compensar isso pra miiiiim?!
â NĂŁo Ă© problema meu â disse Haruhiro. â NĂŁo importa como eu olhe, isso nĂŁo Ă© culpa minha.
â Bem, sabe? â Tokimune deu um tapinha nas costas de Ranta. â Apenas desista e tente esquecer, tĂĄ?
â Como eu poderia esqueceeeeeer! Eu perdi a Betrayer enquanto salvavaaaaa vocĂȘs, entĂŁo, basicamente, Ă© tudo culpa de vocĂȘĂȘĂȘĂȘĂȘĂȘĂȘs! â gritou Ranta.
â Hahaha! â Tokimune riu. â VocĂȘ poderia dizer isso, hein. Bem, vamos procurar outra. Uma arma boa. Que tal?
â Oooooooooooohâessa nĂŁo Ă© uma mĂĄ ideia, hein? â Ranta berrou, empolgado.
â NĂŁo aguento mais â Shihoru murmurou para si mesma.
Mary concordava com a cabeça. Kuzaku não disse nada, mas quase certamente concordava também.
â A propĂłsito â disse Mimorin, finalmente soltando Haruhiro.
Mimorin levantou Haruhiro e o colocou sentado em frente a ela, em uma posição formal, de joelhos, com a expressão inalterada. Eles estavam cara a cara, e Mimorin olhava para baixo, diretamente para ele.
â Haruhiro â ela disse.
â Sim?
â Haruhiro, vocĂȘ nĂŁo Ă© lamentĂĄvel. O jeito como vocĂȘ nĂŁo Ă© lamentĂĄvel e tenta tanto… Ă© fofo.
â Entendo â ele respondeu.
Hein? Por que serĂĄ que estou com vontade de sorrir?
Haruhiro estava… feliz? Pelo jeito, sim. NĂŁo ser lamentĂĄvel. NĂŁo era exatamente um grande elogio, mas talvez justamente por ser tĂŁo moderado, ele conseguiu aceitar com mais facilidade e se sentir bem com isso.
â VocĂȘ acha? Bem… Obrigado.
â Eu…
â Sim?
â Eu quero te criarâ
Ela ia dizer âte criar como um bichinho de estimação?! Haruhiro pensou.
Mimorin limpou a garganta e se corrigiu.
â Eu quero sair com vocĂȘ. Por favor, namore comigo.
Haruhiro abaixou a cabeça lentamente.
Estou feliz, Mimorin. Estou realmente feliz. Feliz por vocĂȘ ter me dado esse reconhecimento, ainda que moderado. Mas isso e aquilo sĂŁo coisas diferentes.
Haruhiro nĂŁo era exatamente decidido, mas ele conseguia dizer o que precisava. Conseguia falar com clareza.
â Desculpa.

Tradução: ParupiroHPara estas e outras obras, visite o Cantinho do ParupiroH â Clicando Aqui
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