Hai to Gensou no Grimgar – Capítulo 09 – Volume 5

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Hai to Gensou no GrimgarGrimgar of Fantasy and Ash

Light Novel Online – CapĂ­tulo 09:
[Ajuda Indesejada]


Por aqui. É por aqui. Por aqui. Por aqui. Por aqui… Haruhiro continuava dando direçÔes. NinguĂ©m mais estava dizendo nada.

— O, o, o, o, o, o…

— O, o, o, o, o, o, o, o, o…

— O, o, o, o…

— O, o, o, o, o, o, o…

Os cachorros de um olho sĂł rosnavam. Às vezes, uivavam alto tambĂ©m.

Até onde viemos daquela colina inicial? Quantos minutos se passaram desde que fomos cercados por esses cachorros? Serå que é um tempo que pode ser contado em minutos? Dez minutos? Quinze minutos? Vinte minutos? Eu não sei.

Os olhos de Haruhiro pareciam sonolentos agora? Com certeza. Seus olhos deviam parecer bem sonolentos.

Isso. Isso Ă© difĂ­cil, ele pensou. Meu coração parece prestes a ceder. NĂŁo consigo respirar direito. Estou suando como louco. Isso Ă© nojento. Minhas pernas estĂŁo prestes a ceder tambĂ©m. Estou surpreso por ainda conseguir andar. É um milagre que eu esteja conseguindo.

No entanto, os cachorros caolhos saltavam em direção a Haruhiro e os outros, e depois recuavam, como se mantivessem uma distñncia fixa—era o que Haruhiro pensava. Era cerca de dois metros. Fora do alcance das armas da party.

Era questionåvel se Haruhiro e a party podiam continuar se movendo. Verdade, o cerco dos cachorros caolhos ao redor deles era frouxo, mas também parecia que estavam quebrando o círculo em resposta ao movimento de Haruhiro e dos outros.

Essas criaturas são cautelosas. Até um ponto quase covarde. Elas não atacam facilmente, pensou Haruhiro. Hå uma depressão mais à frente. Um vale. Com muitas rochas em forma de pilares. Os Tokkis foram emboscados por cultistas em um vale denso com rochas como essas. Eu não quero entrar nesse vale.

Haruhiro respirou fundo.

— Ranta, Kuzaku, Kikkawa. VocĂȘs trĂȘs, trabalhem juntos para matar um deles rapidamente. Shihoru, use Thunderstorm. Yume, use flechas. Certifique-se de acertar. Se conseguirmos eliminar alguns deles num instante, o resto vai dar no pĂ©. Vamos fazer isso. Entendido? A magia de Shihoru serĂĄ o sinal para começar.

SerĂĄ que elas vĂŁo fugir? Tenho alguma garantia? NĂŁo. Estou confiante? TambĂ©m nĂŁo. Mas nĂŁo tenho escolha a nĂŁo ser afirmar isso como um fato aqui. NĂŁo, Ă© o que devo fazer. É por isso que fiz isso. Isso Ă© bom.

Ranta apontou para o cachorro caolho Ă  sua frente com a Betrayer.

Yume puxou a corda do arco.

— Jess, yeen, sark… — Shihoru começou a entoar.

EstĂĄ indo bem. Estamos em um bom fluxo. NĂŁo trabalhamos os detalhes, mas estamos agindo em sincronia. As coisas funcionam quando estamos assim.

— Kart, fram, dart…!

Houve um flash de luz. Em seguida, um som estrondoso. Um feixe de raios caiu. Shihoru pegou trĂȘs dos cachorros caolhos dentro da ĂĄrea de efeito de Thunderstorm. Os cachorros caolho foram lançados para longe sem emitir um Ășnico grito.

Yume soltou a corda do arco. Haruhiro avançou.

— Okay! — Kuzaku tambĂ©m foi.

Ele investiu com seu escudo, derrubando o cachorro caolho que Ranta havia apontado. O cachorro tentou se levantar imediatamente, mas Ranta e Kikkawa nĂŁo deixaram.

Ranta bradou e Kikkawa gritou: — Aqui vai…!

A flecha de Yume perfurou o flanco de um dos cachorros, mas isso nĂŁo seria o suficiente para matĂĄ-lo.

Tudo bem. NĂŁo Ă© um problema. JĂĄ contava com isso. Haruhiro se aproximou de um cachorro caolho. Essa nĂŁo era uma habilidade que ele usava frequentemente, e jĂĄ fazia um tempo, mas ele se dedicou a ela agora.

— Assault!

Ele liberou seu limitador interno. Essa era a imagem. Ele apunhalou e cortou freneticamente com a adaga na mĂŁo direita, e golpeou como um louco com o porrete na mĂŁo esquerda. Ele nĂŁo respirava.

Faça isso. Faça isso. Faça isso. Faça isso. Faça isso. Apenas faz!

Haruhiro não conseguia enxergar o cachorro caolho como um ser vivo; para ele, tratava-se de um objeto. Sua intenção não era apenas matar a criatura, mas sim aniquilå-la por completo. Ele a reduziriam a pó.

Mesmo quando o cachorro caolho caiu, Haruhiro não parou. Yume acertou uma flecha em outro cachorro caolho que tentou avançar em Haruhiro. A flecha fez com que esse cachorro recuasse.

Haruhiro permaneceu focado na tarefa de destruir o cachorro caolho Ă  sua frente. Kuzaku e Ranta estavam começando a trabalhar em seu segundo cachorro caolho. Kikkawa desferiu um golpe no cachorro que tentou atacar Haruhiro—aquele que Yume havia acertado com uma flecha. Haruhiro estava acompanhando a situação com o canto dos olhos e em uma parte de sua mente, mas nĂŁo tinha intenção de parar atĂ© que seu alvo fosse completamente destruĂ­do.

Esse alvo logo silenciou.

— O, o, o, o, o…!

Os cachorros caolhos restantes fugiram. Dos trĂȘs cachorros que foram atingidos pelo Thunderstorm de Shihoru, um deles se levantou e correu atrĂĄs de matilha.

Haruhiro estava exausto. Não tinha mais forças. Sentia-se incrivelmente cansado. Queria sentar e descansar. Ou melhor, dormir. Queria tirar um cochilo, talvez dois cochilos. Claro, isso não seria uma opção.

— Vamos sair daqui! — ele gritou.

Eles conseguiram afastar os cachorros caolhos. Pelo que parecia, ninguém havia se ferido. Mesmo Haruhiro, cansado como estava, não tinha se machucado.

Eles tinham alcançado seu objetivo, embora fosse um objetivo secundårio. O objetivo principal era resgatar os Tokkis. Era necessårio seguir em frente. Agora era hora de avançar.

— Uh, vejamos… — Kikkawa estava olhando ao redor, inquieto.

Droga, pensou Haruhiro. Ele deve ter perdido a noção de onde eståvamos enquanto nos movíamos cercados pelos cachorros caolhos.

Haruhiro limpou o suor do rosto com a mĂŁo. O-O que agora?

Temos que fazer algo.

Mas como?

Não importa. Escolha uma direção, qualquer direção—Não, má ideia, isso não vai funcionar, mas o que fazemos?

— Ah! — Kikkawa gritou, apontando para uma direção. — Ali! Ali estĂĄ! Os restos dos prĂ©dios… aquele lugar que parece uma ruĂ­na!

Haruhiro olhou naquela direção. Sim. Lá está. É verdade.

— V-Vamos! — ele chamou.

Eu gaguejei. Mas e daĂ­? NĂŁo Ă© nada demais. NĂŁo se preocupe.

Era totalmente possível que os cachorros voltassem com amigos. Só para garantir, Haruhiro manteve parte de sua atenção focada na direção em que os cachorros haviam fugido enquanto a party seguia em direção às ruínas.

As coisas estavam meio bagunçadas no começo, mas conseguiram se recuperar enquanto caminhavam em um ritmo acelerado. Haruhiro não estava em ótimas condiçÔes, mas também não estava em må forma. Pelo menos, ele não estava mais respirando ofegante.

Se ele tivesse que descrever as ruĂ­nas com uma palavra, seria “branco”. De longe, pareciam uma colina branca, mas eram irregulares, o que permitia notar que havia prĂ©dios alinhados no local.

Como Kikkawa havia dito, era uma ĂĄrea grande. Como uma cidade composta apenas de edifĂ­cios brancos.

Uma cidade branca.

Se os Tokkis ainda estiverem lĂĄ, serĂĄ que conseguiremos encontrĂĄ-los? Seremos capazes de nos reunir? À medida que se aproximavam, Haruhiro ficava cada vez mais incerto. Eu entendo por que Kikkawa chamou essa cidade branca de ruĂ­na. De fato, aquilo nĂŁo Ă© um prĂ©dio. Provavelmente, havia aqui, em algum momento, um prĂ©dio branco inimaginavelmente grande—quanto tempo atrĂĄs, nĂŁo estĂĄ claro. Esse prĂ©dio, seja pelo passar do tempo ou por algum acontecimento, desabou. O teto e as paredes caĂ­ram, foram demolidos, os pedaços se espalharam, e os pilares de sustentação foram quebrados. A maioria dos mĂłveis apodreceu, deixando apenas alguns pequenos vestĂ­gios, e hĂĄ fragmentos de estĂĄtuas e louças espalhados por todo lado. Todos sĂŁo incrivelmente grandes.

Provavelmente, era um edifĂ­cio onde gigantes viviam.

Como os materiais de construção eram completamente brancos e por conta da escala Ășnica do edifĂ­cio, a palavra “templo” veio Ă  mente.

Um templo de gigantes—é o que esse lugar era.

Se for o caso, acho que deverĂ­amos chamĂĄ-lo de RuĂ­nas do Templo dos Gigantes.

Bem, tudo isso era apenas imaginação de Haruhiro. Ele poderia estar completamente enganado, mas essa era a impressão que tinha.

Haruhiro e os outros olharam para os pilares agora inclinados, assim como para os que os sustentavam, embora ambos os tipos fossem mais precisamente descritos como pilares quebrados. O espaço entre eles era algo como um portão. Tinha mais de dez metros de altura e aproximadamente a mesma largura.

A escala era impressionante. Fez Haruhiro se sentir incrivelmente pequeno, e ele ficou parado por alguns segundos, olhando vagamente para aquilo. Ele realmente era pequeno.

— Devemos… entrar…? — Shihoru perguntou timidamente.

— N-NĂłs viemos atĂ© aqui. — Ranta, apesar de ser o Ranta, estava hesitante. — NĂŁo entrar seria, bem, sabe, nĂ©. Esse tipo de coisa Ă© meio que, sabe o quĂȘ. VocĂȘ sabe o que quero dizer. Qual Ă© a palavra? DesconfortĂĄvel, nĂ©? Basicamente. NĂŁo acha?

— VocĂȘ sĂł fala “sabe o quĂȘ”. — Yume parecia relativamente tranquila com a situação. — Mas, ainda assim, Ă© enorme, nĂ©. Yume nunca viu nada tĂŁo grande antes.

— Se estivĂ©ssemos aqui para turismo… — Kuzaku levantou a viseira e apertou os olhos, — …seria um lugar divertido para explorar.

— VocĂȘ pode estar certo. — Mary sorriu levemente.

— Quanto ao interior, pessoal — disse Kikkawa, um pouco envergonhado, — honestamente, eu não lembro muito bem. Desculpa. Eu estava mais preocupado com outras coisas na hora. Mas não acho que fomos muito longe. Tipo, quando saí daqui, não demorei tanto.

— Cultistas e gigantes brancos, nĂ©. — Haruhiro respirou fundo. — NĂŁo, Ă© melhor assumirmos que pode haver mais do que isso. Afinal, tinham os cachorros de um olho sĂł.

— Na verdade, parece que há mais do que apenas eles. — Ranta gesticulou com o queixo para cima e à esquerda.

Quando Haruhiro olhou, havia algo no topo de um dos pilares quebrados.

Branco. Claro que Ă© branco—Um macaco? É isso que Ă©? À primeira vista, parece um pequeno macaco branco sem pelos, mas com apenas um olho.

— Miau… — Yume preparou seu arco. — O que vocĂȘ quer fazer? Dessa distĂąncia, Yume acha que pode acertar.

— NĂŁo. — Haruhiro rapidamente balançou a cabeça. — NĂŁo, por enquanto…

HĂĄ mais de um desses macacos de um olho sĂł, ele pensou. Tem um no topo daquele pilar quebrado tambĂ©m, e outro no topo daquela montanha de escombros. Se eu consegui identificar trĂȘs tĂŁo rĂĄpido, deve haver mais por aĂ­. AlĂ©m disso, eles estĂŁo altos o suficiente para que sĂł flechas ou magia possam atingi-los.

— Kikkawa, vocĂȘ jĂĄ viu esses macacos antes? — Haruhiro perguntou.

— Não — respondeu Kikkawa. — Ah, mas talvez a gente só não tenha notado. A gente não foca muito nessas coisas, sabe. Como posso dizer? Se algo não está vindo para cima da gente, tendemos a ignorar.

— Nessas ruĂ­nas do templo—é assim que vou chamar esse lugar, a propĂłsito—quando vocĂȘs lutaram contra os cultistas e os gigantes brancos aqui, havia outras criaturas?

— Tudo o que vi foram os cultistas e os gigantes brancos — disse Kikkawa. — Não sei o que aconteceu depois que me separei da party, então não posso dizer se continua assim.

— Entendi.

É uma decisão após a outra. Acho que vou ter que me acostumar com isso. Acostumar-se pode levar a baixar a guarda. Mas se eu não me acostumar, não consigo continuar.

— Vamos ignorar os macacos de um olho só — disse Haruhiro. — Vamos entrar.

Estamos andando lado a lado com o perigo aqui, pensou Haruhiro enquanto avançava. É vida ou morte. O que Kuzaku disse sobre ser um lugar divertido para passeios turĂ­sticos cruzou a mente de Haruhiro. Ele concordou totalmente. Nunca tinha visto nada parecido com esse lugar antes. Estava alĂ©m de qualquer coisa que ele pudesse imaginar. Se fosse um turista, estaria maravilhado com a vista.

Haruhiro foi Ă  frente da party para confirmar que era seguro, e os outros seis o seguiram.

Confirmar que era seguro.

Isso Ă© possĂ­vel? Ele se perguntou.

Ele estava fazendo o melhor que podia, na sua opiniĂŁo, mas ainda nĂŁo estava confiante. A verdade Ă© que ele queria ter cem por cento de certeza de que era seguro antes de levar seus companheiros para lĂĄ. No entanto, realisticamente, isso nĂŁo era algo que ele pudesse fazer. Era impossĂ­vel.

Ele caminhou sobre a grama, passando pelos fragmentos brancos entre os pilares quebrados. NĂŁo havia nada oculto nas sombras desses pilares.

Acho que nĂŁo hĂĄ nada, acrescentou para si mesmo. Mas, mais ao fundo, nĂŁo posso ter tanta certeza.

Ele nĂŁo podia contornar cada obstĂĄculo em trezentos e sessenta graus. Isso levaria uma eternidade.

Oitenta por cento Ă© bom o suficiente? Setenta por cento? Ou cinquenta? Ele se perguntou. NĂŁo Ă© algo que dĂĄ para representar com um nĂșmero. Mas, bem, acho que estĂĄ tudo bem. Embora, com esse grau de certeza, isso esteja longe de ser certo.

Ele passou pelo portão dos pilares quebrados e, além dele, dos dois lados, havia grandes fragmentos empilhados formando paredes. De certa forma, era como se estivessem formando um caminho. No entanto, embora ele pudesse chamå-los de paredes, estavam cheias de brechas. Se algo estivesse escondido nelas, seria difícil de notar.

Isso me faz querer chorar. Mas eu não vou. Haruhiro soltou um longo suspiro. Por enquanto, vou me esforçar ao måximo. Não posso fazer o que estå além das minhas capacidades. Não tem como mudar isso.

Haruhiro usou Sneaking para progredir ao longo do lado direito. Armas em punho. Verificando as brechas o melhor que podia. Cuidadosamente. Mas nĂŁo excessivamente. Era bom ser cauteloso, mas timidez excessiva nĂŁo era bom.

Não pare, ele disse a si mesmo. Mesmo que seja assustador, não tenha medo. Os macacos de um olho não estão atacando. Também não hå sinal de que estejam me seguindo.

Algum som? Ele sentia que podia ouvir algo, mas nĂŁo tinha certeza.

A parede terminou—ou melhor, se abriu, formando algo como uma encruzilhada de quatro direçÔes. Ele reuniu todos ali.

— Haruhiro-kun, vocĂȘ estĂĄ bem? — Shihoru perguntou.

— HĂŁ? O quĂȘ? Por quĂȘ? — ele gaguejou.

— Sua cor… no rosto…

— Não está boa? — ele perguntou.

— Ohh! — Ranta olhou para o rosto de Haruhiro e zombou. — Cara, vocĂȘ Ă© mesmo um caso Ă  parte. Sua pele sempre foi tĂŁo branca assim? VocĂȘ estĂĄ parecendo pĂĄlido. Ehehehe.

— Haru-kun — Yume disse com uma expressĂŁo sĂ©ria, e de repente apertou a mĂŁo de Haruhiro. — Yume sabe que deve ser difĂ­cil, mas vocĂȘ tĂĄ fazendo o seu melhor.

— …C-Certo — Haruhiro respondeu.

— Cara, eu tenho que tirar o chapĂ©u pra vocĂȘ, sĂ©rio… — Kuzaku disse, e entĂŁo fez exatamente isso. — DĂĄ medo, cara. Avançar sozinho num lugar como esse. Eu nĂŁo conseguiria fazer isso.

— S-SĂ©rio? VocĂȘ acha…? — Haruhiro perguntou.

— Haru. Se vocĂȘ se cansar, me avisa — disse Mary, praticamente o encarando. — Por favor.

— …Se eu me cansar, certo.

— Então o grande Ranta-sama vai assumir o seu lugar! — Ranta anunciou.

— Isso, vou ter que dizer não.

— Uma recusa imediata?! Por quĂȘ?! — Ranta gritou.

— Bem… — Kikkawa deu um tapinha no ombro de Ranta. — Isso Ă© meio Ăłbvio, nĂ©? NĂŁo Ă©?

Foi apenas por um breve momento, mas todos riram. Isso foi o suficiente para Haruhiro se recuperar, pelo menos mentalmente.

Eu sou tĂŁo simples, ele pensou. NĂŁo sĂł simples, mas um cara vergonhoso que se deixa levar facilmente. Estou quase ficando eufĂłrico sĂł por causa disso. Mas nĂŁo vou. Isso nĂŁo seria bom. Se eu me acomodar, sinto que vou falhar.

Enquanto estava na encruzilhada, considerando para qual lado seguir—

Acho que posso amĂĄ-los, Haruhiro pensou. Acho que posso amar essa equipe. Exceto Ranta, claro. Mas, bem, ele Ă© como um tempero a mais na mistura. Provavelmente. Ranta Ă© Ranta, e, do seu jeito, estarĂ­amos em apuros sem ele.

Ainda assim, pensando sobre como gostava de seus companheiros… Haruhiro realmente era um cara embaraçoso. NĂŁo era uma coisa ruim, claro, mas era vergonhoso. AlĂ©m disso, Haruhiro achava que isso nĂŁo combinava com ele. Pensar que amo meus companheiros. Isso nĂŁo Ă© quem eu sou, sabe? Eu sou mais um cara, bem, sem compromisso, de vĂĄrias maneiras, certo…?

— Vamos começar indo para a direita — ele disse.

NĂŁo era intuição. Haruhiro nĂŁo tinha uma intuição natural, como, digamos, Tokimune tinha. Haruhiro e a party haviam chegado atĂ© ali seguindo a parede direita. Se virassem Ă  direita na encruzilhada, poderiam continuar seguindo a parede direita. Esse era o Ășnico motivo dele. Se nĂŁo encontrassem nada, poderiam simplesmente voltar e tomar outra rota.

Ele queria se apressar o mĂĄximo possĂ­vel, mas nĂŁo tinham pistas concretas, entĂŁo tinham que buscar de maneira lenta e constante. E, embora Tokimune talvez nĂŁo fosse do tipo que fazia as coisas dessa forma, Haruhiro era.

Eles avançaram novamente com Haruhiro liderando o caminho e o resto da party seguindo atrås dele. Até alguns momentos atrås, honestamente, ele estava bem cansado, mas agora estava bem.

Provavelmente, ficarei bem por um tempo. NĂŁo posso ficar autoconfiante, no entanto. Haruhiro nĂŁo tinha a habilidade necessĂĄria para se dar ao luxo de ser autoconfiante.

As brechas na parede… agora havia mais do que antes, e elas eram maiores. Mais do que apenas se esconder—uma pessoa poderia entrar nelas. Se os Tokkis estivessem bem, poderia ser porque fugiram por uma dessas brechas.

Quando Haruhiro avançou mais dois ou trĂȘs metros, o caminho virou Ă  esquerda. ApĂłs ali, havia muitos pilares quebrados e outros escombros, e, embora fosse possĂ­vel continuar, a visibilidade Ă  frente nĂŁo era boa. Estava claramente perigoso.

Mas ele ouviu um som.

Haruhiro abaixou os olhos e escutou atentamente. Ele ouviu o som dos passos de seus companheiros. EntĂŁo, um outro som.

— …Uma voz — ele murmurou.

Era provavelmente uma voz humana. Haruhiro levantou o rosto e se virou. Seus olhos encontraram os de seus companheiros. Parecia que eles ainda nĂŁo tinham notado.

— Tem alguĂ©m aqui — ele disse.

— Eu vou na frente! — Kikkawa correu à frente, ultrapassando Haruhiro.

Haruhiro olhou para os olhos de seus companheiros. Eles tinham chegado até ali. Depois de todo esse esforço, ele queria resgatar os Tokkis. Todos os outros deviam sentir o mesmo.

Eles seguiram Kikkawa na ordem de Haruhiro, Kuzaku, Ranta, Mary, Shihoru e Yume. Kikkawa era rĂĄpido. Ele estava apressado demais. Mas era difĂ­cil culpĂĄ-lo. Tudo o que podiam fazer agora era correr, desviando dos obstĂĄculos que obstruĂ­am sua linha de visĂŁo.

Houve um grito abafado de Kikkawa, como se ele tivesse começado a chamar, mas se deteve. Ele deve ter querido chamar os nomes de seus companheiros. Dizer que estava ali, que tinha vindo para salvå-los. Mas a situação ainda era desconhecida. Nem era certo que os Tokkis realmente estivessem ali. Era cedo demais para gritar.

— Estamos quase lá! — Haruhiro gritou.

Ele nĂŁo sabia se Kikkawa podia ouvi-lo ou nĂŁo. Mas faltava pouco. Ele podia ouvir uma voz.

— Nghrahhhh…!

Era uma voz familiar.

— Tadacchi! — Kikkawa gritou. — Sou eu, Tadacchi! É o Kikkawa! O amigo de todo mundo, Kikkawa, estĂĄ de volta! E adivinhe sĂł, adivinhe sĂł! Harucchi e seus amigos tambĂ©m estĂŁo aqui! Tadacchiiiiiiiii!

— Gwohrahhh! Zwahhhhh! Nuwagrahhhh…!

Tada estå rugindo, Haruhiro pensou. Ele provavelmente não estå em posição de responder. Ele estå em combate, hein. Era o que parecia.

Kikkawa correu entre os escombros e os pilares quebrados. Haruhiro acelerou e conseguiu se aproximar logo atrĂĄs de Kikkawa.

Haruhiro o viu.

Tada.

— Wahhrahhh! Fwahhhhhgrah! Zwahhhhhh…!

Tada estava balançando seu martelo de guerra descontroladamente, contra humanoides usando algo como grandes lençóis brancos sobre suas cabeças e empunhando armas parecidas com lanças.

Esses sĂŁo os cultistas, hein, Haruhiro pensou. SĂŁo quatro. Quatro contra um.

No entanto, parecia que nem sempre tinha sido quatro contra um. Havia dois cultistas caĂ­dos.

EntĂŁo, havia aquele rabo de cavalo. Aquela roupa de couro, parecida com um macacĂŁo. Perto dos dois cultistas caĂ­dos, aquele era…

— Inui-san! — Kikkawa gritou, atacando um dos cultistas. — VocĂȘs nĂŁo vĂŁo escapar com isso! Wahhhhhhhhhhhhhhhhhhhh!

Agora eram quatro contra dois. Tada ainda estava cercado por trĂȘs cultistas. A roupa de sacerdote de Tada, seu rosto e atĂ© seus Ăłculos estavam cobertos de sangue.

Haruhiro se posicionou atrĂĄs de um dos cultistas. O trabalho de um ladrĂŁo era ficar quieto e usar Backstab. Ele se aproximou, e sua adaga… nĂŁo perfurou as costas do cultista.

— Hã?! — Haruhiro deu um salto para trás.

O cultista se voltou em sua direção. Qual seria a natureza daquele tecido branco que os cultistas utilizavam? O que havia de peculiar na maneira como aquilo o fez sentir?

O cultista investiu uma lança contra ele.

Swat. Ele usaria sua adaga ou cassetete para desviar? Não—Haruhiro optou por esquivar.

Aquele tecido branco. Não era um tecido simples. Sendo assim, as lanças deles poderiam não ser comuns, também. Ele precisava ser cuidadoso.

— LĂąminas! — Tada rugiu enquanto balançava seu martelo de guerra descontroladamente. — Elas nĂŁo atravessam bem! Mwahhhh! Fugahhhhhhhhh…!

— SĂ©rio?! — Kuzaku gritou enquanto investia contra um cultista com seu escudo.

— Hmm. — Ranta parou de repente. — Acho que espadas nĂŁo vĂŁo funcionar contra eles, nĂ©.

— Seu idiota! — Yume deu um chute giratório nas costas de Ranta.

— Urgh! — Ranta avançou ameaçadoramente na direção de Yume. — O que vocĂȘ estĂĄ fazendo?!

— O que está funcionado?! — ela gritou. — Para de falar besteira!

— VocĂȘ Ă© quem nunca faz sentido!

O idiota estava fazendo o que os idiotas fazem, mas por enquanto, Tada, Kikkawa, Kuzaku e Haruhiro se encontravam frente a frente com um cultista cada, convertendo a batalha em quatro confrontos individuais.

NĂŁo, Tada deve estar quase no seu limite, Haruhiro pensou. Precisamos deixĂĄ-lo descansar.

— Ranta! — Haruhiro evitou por pouco uma investida afiada de seu cultista. — Já chega! Troque com o Tada! Rápido!

— Ah, tudo bem, se vocĂȘ insiste! — Ranta tentou correr na direção de Tada.

— VocĂȘ Ă© um incĂŽmodo! Fique longe! — Tada declarou enquanto afastava a lança do cultista e continuava atacando. Ele atacava, atacava e atacava como um louco.

— VocĂȘ ouviu o homem! — Ranta gritou.

— EntĂŁo escolha o Kikkawa, ou o Kuzaku, ou atĂ© mesmo eu, mas venha aqui e ajude alguĂ©m! — Haruhiro gritou de volta. — NĂŁo consegue pensar por si mesmo, seu idiota?!

— Quem vocĂȘ estĂĄ chamando de idiotaaa?! — Ranta saltou sobre o cultista que tentava atacar Haruhiro com sua lança. — Me chame de gĂȘnio! Um grande gĂȘnio!

O cultista levou um golpe no ombro direito da Betrayer de Ranta, mas, como esperado, não conseguiu cortar. O cultista cambaleou por um momento, mas foi só isso. Não, o cultista se virou na direção de Ranta depois disso, então talvez ele tenha conseguido algo mais do que isso.

Haruhiro se afastou um pouco do cultista. O que Ă© isso? Ele pensou. Aquele tecido branco nĂŁo parece um tecido comum. Parecia mais espesso, mas nĂŁo Ă© duro; Ă© macio. Parecia mole. Seria algum material que nĂŁo existe em Grimgar? Parece que eles estĂŁo apenas usando lençóis brancos sobre as cabeças, mas realmente sĂŁo? Podem ser armaduras; eles atĂ© tĂȘm mangas adequadas. SĂŁo longas e vĂŁo atĂ© os joelhos. Eles estĂŁo usando sapatos brancos nos pĂ©s tambĂ©m, Ă© claro. Aqueles sapatos parecem ser feitos do mesmo material.

HĂĄ um buraco onde os olhos deles deveriam estar. SerĂĄ que os cultistas tĂȘm um olho sĂł? Bem, isso realmente nĂŁo importa. De qualquer forma, esse pode ser o ponto fraco deles.

Yume estava colocando uma flecha no arco. Ela olhou para Haruhiro. Ela deveria atirar? NĂŁo deveria? Esse era o olhar em seu rosto. Bem… Haruhiro nĂŁo tinha certeza. Parecia que ela teria dificuldade em acertar aqueles buracos em um alvo em movimento.

— Haruhiro-kun! — Shihoru segurava seu cajado com força nas duas mãos.

Ah, certo.

Quando Haruhiro acenou com a cabeça, Shihoru começou a entoar o encantamento enquanto desenhava sigilo elementais com a ponta de seu cajado.

— Ohm, rel, ect, el, vel, darsh!

NĂŁo era Shadow Beat. Com um vuuuuon, vuuuuon, vuuuuon, trĂȘs elementais das sombras que pareciam bolas de algas marinhas negras apareceram, em vez de apenas um. Era uma versĂŁo superior do Shadow Beat, o Shadow Echo.

Os elementais das sombras avançaram, enrolando-se uns nos outros enquanto voavam. Todos os trĂȘs colidiram com o cultista que Kikkawa estava enfrentando. No momento em que isso aconteceu, o corpo inteiro do cultista começou a se convulsionar violentamente.

Ele soltou um Guwah…

— Funcionou! — Shihoru exclamou.

Com um grito, Kikkawa rapidamente golpeou o cultista com a espada bastarda que segurava com as duas mĂŁos. Ele nĂŁo conseguiu cortĂĄ-lo, mas nĂŁo precisava. Parecia que aquela capa, ou armadura, ou seja lĂĄ o que fosse, nĂŁo conseguia absorver completamente o golpe, entĂŁo ele sĂł precisava continuar espancando o cultista repetidamente.

— Acaba com ele, Kikkawa! — Haruhiro gritou.

Antes mesmo de Haruhiro dizer qualquer coisa, Kikkawa jå havia começado a golpear o cultista com pura força bruta.

— Wah, rah, rah, rah, rah, rah, rah, rah, rah, rahhhh!

Haruhiro ajudou o quanto pĂŽde, principalmente usando o porrete em sua mĂŁo esquerda para bater no cultista.

— Ohm, rel, ect, el, vel, darsh!

vuuuuon, vuuuuon, vuuuuon.

Shihoru acertou o cultista que Tada estava enfrentando com o Shadow Echo também.

— Eu nĂŁo…! — Tada balançou seu martelo de guerra, derrubando a lança do cultista de suas mĂŁos e depois o chutando no chĂŁo. Em seguida, ele começou a esmagĂĄ-lo repetidamente com o martelo de guerra. — Quero! Sua! Ajuda! Drogaaa…!

Quanto aos dois cultistas restantes, só precisavam se unir e espancå-los até deixå-los inconscientes.

Quando nĂŁo havia mais cultistas se movendo, Tada sentou-se.

— Droga. Estou. Cansado. SĂ©rio. Maldição. Idiotas. Morram. Merda. Que. Inferno…

Ele parecia estar murmurando algo perigoso em pequenos fragmentos, mas era um mistério como ele ainda tinha força para falar. Seus braços e pernas não pareciam quebrados ou algo assim, mas Tada estava tão coberto de sangue que era difícil dizer onde estava ferido.

Haruhiro olhou para os cadåveres dos cultistas e pensou: Esses caras também sangram vermelho, hein. As capas deles não estavam rasgadas ou cortadas. As capas não pareciam danificadas de forma alguma, mas o chão estava molhado com o sangue vermelho que escorria debaixo delas.

Ranta estava indo de um lado para o outro, pisoteando as cabeças dos cultistas que se presumia estarem mortos. Ele não estava fazendo isso para profanar os cadáveres, mas sim para confirmar que estavam realmente mortos—ou pelo menos era isso que Haruhiro queria acreditar.

Shihoru, Yume e Mary trocaram olhares. Cada uma tinha uma expressĂŁo ligeiramente diferente, mas todas estavam perturbadas.

Kuzaku levantou a viseira de seu elmo fechado e suspirou profundamente.

— Heh… — Kikkawa deu uma risada curta, entĂŁo caminhou instavelmente atĂ© o rabo de cavalo e macacĂŁo de couro.

Até Inui, que estava caído de bruços no chão.

Kikkawa caiu de joelhos e abaixou a cabeça.

— …Que inferno, cara? VocĂȘ nĂŁo pode fazer isso comigo. Eu fui buscar o Haruhiro e os outros, como deveria. Depois disso, isso nĂŁo Ă© justo. Inui-san…


Tradução: ParupiroHPara estas e outras obras, visite o Cantinho do ParupiroH – Clicando Aqui


Tradução feita por fãs.
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Anime X Novel 7 Anos

Trazendo Boas Leituras AtĂ© VocĂȘ!

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