Hai to Gensou no Grimgar â CapĂtulo 06 â Volume 5
Hai to Gensou no GrimgarGrimgar of Fantasy and Ash
Light Novel Online – CapĂtulo 06:
[Bem-Vindos ao Reino do CrepĂșsculo]
DĂ©cima segunda, dĂ©cima terceira, dĂ©cima quarta, dĂ©cima quinta…
A busca pelas salas prosseguia.
Ă medida que avançavam, os ovos realmente aumentavam de tamanho, ainda que apenas um pouco a cada vez. Comparando os ovos de uma sala com os da prĂłxima, a diferença era praticamente imperceptĂvel, mas ao comparar a primeira sala com a dĂ©cima sexta, havia uma grande diferença no tamanho dos ovos. Embora talvez nĂŁo tivessem dobrado de tamanho, eram pelo menos metade maiores.
Desde entĂŁo, eles nĂŁo encontraram outro ri-komo.
O que era aquele ri-komo? O que estava fazendo antes de o encontrarmos? Esses eram ovos de ri-komo? Ou nĂŁo? Haruhiro nĂŁo sabia.
A décima sétima sala era grande. Ou talvez apenas parecesse assim.
â NĂŁo tem… ovos â disse Haruhiro lentamente.
Sem nada para iluminar, estava totalmente escuro. NĂŁo havia como saber se havia algum ri-komo.
Ele não sentia nenhuma presença ali, mas Haruhiro procurou minuciosamente pela sala com uma lanterna só para ter certeza.
NĂŁo havia ri-komos.
No entanto, havia um buraco em um canto. NĂŁo na parede. Era um buraco redondo no chĂŁo, com cerca de 1,2 metros de diĂąmetro. Um buraco vertical.
Todos cercaram o buraco.
Haruhiro se agachou e enfiou a mĂŁo que segurava a lanterna no buraco.
â O fundo nĂŁo… Ă© visĂvel, de forma alguma. Vai bem fundo, pelo jeito.
â Hmm. â Mimorin acenou com a cabeça, inclinando o queixo. â Vamos investigar.
Por alguma razĂŁo, Mimorin estava agachada ao lado de Haruhiro. Bem, essa razĂŁo era claraâera porque ela queria cuidar dele como um bichinho de estimação. No entanto, mesmo agachada, ela era uma mulher gigantesca. Simplesmente enorme.
â DĂĄ pra usar aquelas protuberĂąncias como apoios para as mĂŁos e os pĂ©s, nĂŁo acham? Ali â Kikkawa indicou a superfĂcie das laterais do buraco com o queixo. â Mesmo sem uma escada, dĂĄ pra descer e subir. NĂŁo acham?
Era verdade, havia saliĂȘncias que pareciam poder ser agarradas com as mĂŁos ou onde podiam prender os pĂ©s. NĂŁo seria rĂĄpido, mas se se concentrassem, poderiam descer.
â Zodiac-kun. â Ranta se virou para o demĂŽnio. â VocĂȘ desce primeiro pra gente.
â …Kehe… Ranta… Eu nĂŁo me importaria de empurrar vocĂȘ lĂĄ pra baixo… Kehehehe…
Uma recusa direta.
â Heh… â Inui jogou uma moeda para cima e a pegou na palma da mĂŁo. â Vamos tentar com isso…
â Ai! â gritou Anna-san. â Isso era o que Anna-san estava pensando em fazer, entendeu?!
â Tarde demais… Heh… â Inui jogou a moeda no buraco.
Eles ficaram atentos.
Logo, houve um som metĂĄlico. Parecia que o buraco tinha um fundo, pelo menos. NĂŁo poderia ser tĂŁo profundo assim.
â Bem… â Haruhiro suspirou levemente. â Eu vou entrar.
â Desculpe por isso, ladrĂŁo â Tokimune exibiu seus dentes brancos em um sorriso.
â Faça o seu melhor â disse Mimorin impassĂvel.
Seria estranho ignorĂĄ-la completamente. Haruhiro amarrou a lanterna na cintura, com os cantos dos lĂĄbios tremendo levemente enquanto acenava com a cabeça. Sentindo-se incomodado, nada feliz, sobrecarregado, e carregando todos os tipos de sentimentos insatisfatĂłrios, ele entrou no buraco. Ou melhor, desceu pelo buraco. Agarrando-se com as mĂŁos e os pĂ©s nas saliĂȘncias, ele desceu.
No meio do caminho, começou a se perguntar, SerĂĄ que Ă© realmente inteligente para o lĂder ir na frente? Ă algo que eu sempre faço, mas o lĂder tem o papel importante de tomar decisĂ”es para a party como um todo. Se perdermos o lĂder, por mais simples e medĂocre que eu seja, isso terminaria mal. Explorar traz um nĂșmero considerĂĄvel de riscos. Pode levar a ferimentos graves ou, bem, Ă morte, entĂŁo talvez nĂŁo seja algo que o lĂder deva fazer…?
Foi algo que acabou de ocorrer a ele. No momento, eles tinham Tokimune, então as coisas se resolveriam mesmo que algo acontecesse com Haruhiro, teoricamente. Também havia a questão de se ele poderia deixar isso para algum de seus outros companheiros. Embora Ranta e Yume fossem ambos råpidos, devido a seus trabalhos, nenhum dos dois tinha a personalidade para isso. Eles careciam de capacidade de concentração.
Quem fazia isso pelos Tokkis? Talvez Inui, jå que ele também costumava ser um ladrão?
Ele estava pensando nos Tokkis, afinal. Eles podem nĂŁo se importar em explorar e simplesmente entrar e resolver tudo rapidamente com um bam e boom.
Não, não é que explorar seja algo sem importùncia. Ele não odiava fazer isso. Esses tipos de tarefas que eram bem simples, mas que alguém tinha que fazer, e que tinham um efeito real no resultado se fossem feitas corretamente, mas que não rendiam muitos elogios para quem as fazia, mas que ele ainda assim sentia uma certa satisfação pessoal, eram as tarefas que Haruhiro secretamente apreciava.
Eu devo dizer, não sou uma pessoa esperta, pensou. Mas tudo bem, estou bem assim. Mesmo que ele tentasse se forçar a mudar, logo seria desmascarado pelo que ele realmente era.
De uma maneira simples e comum, sem fazer barulho, ele desceu pelo buraco.
Ele chegou ao fundo. Havia um caminho. Ele nĂŁo conseguia ver o que havia mais adiante, mas nĂŁo sentia nada por perto.
â Parece que estĂĄ limpo â Haruhiro chamou para cima. â Podemos continuar. Desçam.
Tokimune e, em seguida, cada um dos outros desceram. Em momentos como esse, Haruhiro pensou que talvez fosse melhor se Tokimune tivesse ficado em cima até que todos estivessem embaixo, mas ele optou por não dizer nada.
O caminho estreitava a partir dali. Tinha cerca de dois metros de altura e menos de um metro e meio de largura. NĂŁo era impossĂvel andar lado a lado, mas seria apertado, entĂŁo Haruhiro foi Ă frente, com Tokimune logo atrĂĄs Ă esquerda, Kikkawa diagonalmente Ă direita, atrĂĄs de Tokimune, e assim por diante. Eles avançaram em uma formação incomum, uma coluna em zigue-zague, ou uma e meia.
Agora, nĂŁo era apenas Haruhiro e sua party que estavam em silĂȘncio; os Tokkis tambĂ©m estavam quietos.
Provavelmente vai acontecer alguma coisa aqui. Tem que ter algo. Haruhiro sentiu seu coração acelerar. Não, calma, ele disse a si mesmo. Cabeça fria. Mantenha a cabeça fria. Se eu ficar muito nervoso, meu campo de visão vai se estreitar e meu corpo vai ficar tenso.
O caminho era mais ou menos plano e reto. Em algum momento, Haruhiro percebeu que estava indo muito devagar. Talvez fosse seguro acelerar um pouco o passo.
â Agora hĂĄ pouco… â Haruhiro parou de andar e se virou. â AlguĂ©m disse alguma coisa?
â Hmm? â Tokimune deu de ombros. â Pode ser. AlguĂ©m disse alguma coisa?
Ninguém levantou a mão. Todos balançaram a cabeça.
â VocĂȘ ouviu alguma coisa? â Tokimune perguntou a ele.
â NĂŁo… Bem, eu acho que ouvi… talvez? Foi sĂł isso. Oh… â Haruhiro levou o dedo indicador aos lĂĄbios. Todos prenderam a respiração.
âConsigo ouvir, ele pensou.
…Aruburuburah.
…Furaguraburubaradirah.
…Shurubiraburaharagureroh.
…Pyuraryugadih.
…Aburaguh.
Eram esse tipo de vozes que ele ouvia.
â Ri-komos… â Kikkawa disse em voz baixa. â VocĂȘs acham que, tipo, tem um monte deles?
Haruhiro respirou fundo, colocando a lanterna no chĂŁo.
â Eu vou dar uma olhada.
â VocĂȘ vai ficar bem? â Era incomum Tokimune soar preocupado com ele desse jeito.
Isso Ă© um mau pressĂĄgio, Haruhiro pensou nervosamente. NĂŁo, nĂŁo.
â Se vocĂȘ quiser, eu posso ir com vocĂȘ, sabia? â Ranta disse, todo cheio de si.
â Se a Ășnica alternativa fosse ir com vocĂȘ, eu estaria oitocentos milhĂ”es de vezes melhor sozinho, entĂŁo, nĂŁo, obrigado â disse Haruhiro.
â Cara, vocĂȘ nĂŁo nada fofo. Augh! â Ranta se encolheu. AlguĂ©m tinha batido nele com um cajado.
â Haruhiro Ă© fofo â disse Mimorin, tĂŁo inexpressiva como sempre.
â Como? â Shihoru perguntou.
Ela provavelmente só fez a pergunta porque lhe veio à cabeça, mas ainda assim foi um pouco cruel.
NĂŁo, talvez nĂŁo.
Não. Não foi. Haruhiro não era nada fofo. Ele não queria que ninguém pensasse que ele era fofo.
â A maneira como ele Ă© lamentĂĄvel, mas ainda assim faz todo esse esforço â respondeu Mimorin.
Entendi. Haruhiro beliscou o nariz. Entendi.
Era verdade, ele era lamentĂĄvel, e talvez estivesse se esforçando demais apesar disso. De fato, ele ficou chocado por ela ter acertado em cheio, e nĂŁo tinha certeza se conseguiria se recuperar disso. Bem, mesmo que ele estivesse bem com issoâo que ele nĂŁo estavaâcomo isso poderia ser fofo?
â Mimoriiiin… â Anna-san disse enquanto abraçava Mimorin pela cintura, o que era bem alto para ela, dado o quanto ela era baixinha. â Agora eu meio que entendo, tĂĄ?
â NĂ©? â Mimorin acenou com a cabeça.
â TĂŁo Bad assim… Anna-san acha que Ă©… suportĂĄvel. NĂŁo… Cativante? Um tipo, uma forma, de pena? Entendeu? Ele Ă© patĂ©tico? Certo? â perguntou Anna-san.
Mimorin inclinou a cabeça para o lado e pensou por um momento, mas, no final, não respondeu à pergunta de Anna-san antes de se virar para Haruhiro.
â Haruhiro, vocĂȘ Ă© fofo.
â Uh… Obrigado â ele disse.
â Eu quero te manter como um bichinho de estimação. Deixa eu fazer isso.
â NĂŁo posso.
â Mesmo?
â Sim.
â NĂŁo morra.
â …Okay.
Haruhiro saiu como se estivesse tentando escapar.
Tenho que explorar. Vou me dedicar totalmente a isso. Vou fazer o trabalho de exploração mais perfeito de todos. Vou explorar como ninguém jamais fez. Eu sou o melhor batedor que existe. Quero ser capaz de encher o peito de orgulho e dizer isso. Okay, não exatamente, mas agora é hora de explorar. Por enquanto, vou explorar.
Usar Sneaking. Ahh, isso Ă© realmente divertido, Sneaking. Eu adoro. Sneaking. Eu sou patĂ©tico, mas vou me esforçar muito. O que hĂĄ de errado em trabalhar duro?! Nada. Eu jĂĄ sou patĂ©tico, entĂŁo se eu pelo menos nĂŁo tentar, vou ser muito mais patĂ©tico, sabe? Vou ficar igual a Anna-san. Suspiro…
Foco. Tenho que me concentrar.
O caminho continuava sem muitas curvas. Ele continuava ouvindo os ri-komos conversando. Ele nĂŁo entendia muito bem, mas talvez estivessem batendo papo? NĂŁo parecia que havia urgĂȘncia no tom. Ă medida que avançava, as vozes ficavam mais altas, entĂŁo a Ășnica coisa de que ele tinha certeza era que havia ri-komos Ă frente. Foi uma boa decisĂŁo deixar a lanterna para trĂĄs… ele pensou. Provavelmente.
Ele podia ver uma luz Ă frente. Uma luz fraca e tĂȘnue. Ele se aproximou.
Antes de sair para uma ĂĄrea mais ampla, Haruhiro parou.
â Aburerah, burareryoh, samuragerasshuh.
â Bagashoburirah, faiabushuh, fakkashuburyoh.
â Rabureshuburaruroh, fanafarabushoh, ireburesshoruttoh.
Eles estĂŁo ali. Eles estĂŁo vindo agora. De lĂĄ.
A sala tinha uma altura, largura e profundidade considerĂĄveis. Mas, como exatamente era por dentro? E de onde vinha essa luz fraca? Ele apertou os olhos. NĂŁo adiantava. NĂŁo dava para ver.
Haruhiro virou o pescoço, depois os ombros. Acenando com a cabeça, ele espiou um pouco.
Ă grandeâmas, dito isso, nĂŁo Ă© ridiculamente ampla. Bem, talvez uns dez metros de largura. Por aĂ. NĂŁo sei o quĂŁo alto Ă© o teto, ou atĂ© onde vai para o fundo. HĂĄ fontes de luz por toda parte. HĂĄ muitos buracos, grandes e pequenos, na parede de pedra, e parece que uma luz azul estĂĄ saindo deles. Parece que os ri-komos estĂŁo dentro desses buracos. Onde os buracos estĂŁoâpendurados de cabeça para baixo?â tambĂ©m hĂĄ ri-komos ali. E os ri-komos, eles estĂŁo falando sobre alguma coisa? Parece que sim.
Ă um ninho de ri-komos?
Provavelmente Ă© isso que este lugar Ă©.
Haruhiro voltou antes que os ri-komos pudessem encontrĂĄ-lo. Haruhiro foi recebido de volta por um grupo silencioso de onze soldados voluntĂĄrios e um Zodiac-kun.
â Parece um ninho de ri-komos â disse Haruhiro. â Tem muitos deles. Mais de dez ou vinte. Avançar nĂŁo Ă©, bem, algo que eu gostaria de fazer. Pessoalmente falando.
â Hmm… â Tokimune tinha uma expressĂŁo pensativa no rosto.
â Deixe isso comigo â disse Tada, com a luz da lanterna refletindo em seus Ăłculos enquanto ele falava. â Pelo que vejo, os ri-komos nĂŁo vĂŁo atacar. Vou verificar isso agora. VocĂȘs, pelo menos, estejam prontos para correr caso precisem.
â Espere aĂ â disse Ranta, com um sorriso nĂŁo tĂŁo ousado, que na verdade era uma mistura de medo e bravata em seu rosto. â NĂŁo podemos deixar os Tokkis fazerem tudo por nĂłs. Deixa eu ir tambĂ©m.
â …Kehe… Desista… Ranta… Kehehe… VocĂȘ pode tentar bancar o legal, mas nunca vai ser…
â Isso nĂŁo Ă© verdade! Eu fui muito legal agora mesmo, nĂŁo fui?! â gritou Ranta. â Foi num nĂvel que vocĂȘs poderiam se apaixonar por mim, mesmo contra a vontade de vocĂȘs, nĂ©? NĂ©? Vamos lĂĄ? NĂ©?
Ranta olhou para as garotas. Ele não recebeu nenhuma resposta além de olhares frios.
â NĂŁo, uh… â Haruhiro coçou a cabeça. â Isso Ă© claramente perigoso, entĂŁo talvez seja melhor desistir?
â NĂŁo. â Tada ajustou os Ăłculos com o dedo indicador esquerdo. â De jeito nenhum. Ouça, Tokimune. Se as coisas derem errado, fuja sem mim.
â Certo â disse Tokimune. â Okay, vamos fazer isso.
â Ele aceitou facilmente… â murmurou Kuzaku.
â VocĂȘ estĂĄ bem com isso, nĂ©, Haruhiro? â Tokimune perguntou. O fato de Tokimune ter perguntado a ele o pegou um pouco de surpresa. â Okay, vĂĄ em frente, Tada.
Bem, eu ainda não te dei uma resposta, né? Haruhiro pensou.
Tada colocou seu martelo de guerra no ombro, cantarolando enquanto caminhava em um ritmo tranquilo.
â E-Espere, espere! Eu tambĂ©m! Eu tambĂ©m! â Ranta e Zodiac-kun correram atrĂĄs dele.
â Uau… â Yume olhou, perplexa.
Mary pigarreou. Ela provavelmente estava tentando se acalmar.
Haruhiro suspirou. Ele parecia pontuar quase tudo com um suspiro. Suspiros eram a Ășnica coisa em que ele podia acreditar. NĂŁo, nĂŁo era uma questĂŁo de acreditar ou nĂŁo acreditar. SĂł que…
â Vou seguir um pouco atrĂĄs de Tada-san â ele disse. â Tokimune-san, sĂł por precaução, prepare todos para correr.
â Okay. â Tokimune acenou com a cabeça. â Obrigado pelo seu trabalho duro.
â Haruhiro. â Mimorin tambĂ©m acenou com a cabeça para ele, sem expressar nenhuma emoção. â Viva.
â …Okay.
Ele ficou feliz que ela estivesse torcendo por ele, pelo menos. NĂŁo, talvez nem tanto.
Haruhiro manteve-se a trĂȘs metros atrĂĄs de Ranta e Zodiac-kun.
Tada continuava cantarolando para si mesmo. O cara estava se divertindo demais. Ele sĂł podia ser maluco.
O mais normal de aparĂȘncia nĂŁo era apenas louco, ele era o mais louco de todos. Esse era o padrĂŁo que os Tokkis haviam seguido.
Tada parecia estar indo para um passeio alegre, mas Haruhiro estava nervoso. Ranta também estava andando de forma estranha. Ele estava totalmente apavorado. Comparado a Tada, o comportamento de Ranta era quase fofo.
Esse foi um novo pensamento para Haruhiro. Ranta sendo fofo.
Tada nĂŁo parou uma vez sequer, nem diminuiu o passo, antes de entrar no ninho. Ranta estava hesitante, mas Zodiac-kun o empurrou por trĂĄs.
â Ei… Ei! Zodiac-kun?! Para?! Eu preciso estar preparado mentalmente antes de fazer isso, sabe?!
â …Kehe… Cala a boca e morre…
â Eu nĂŁo vou morreeeeeeer…!
â Ranta â Haruhiro o advertiu, mesmo que jĂĄ fosse tarde demais â, vocĂȘ tĂĄ sendo barulhento demais, cara.
â O quĂȘ?! â Ranta pulou de susto.
â Haha! â Tada se virou para eles e balançou seu martelo de guerra. â NĂŁo se preocupe! NĂŁo tem problema! Se eu estiver certo, os ri-komos nĂŁo vĂŁo nos atacar!
As vozes dos ri-komos… pararam.
Ficou tudo em silĂȘncio.
â Viu? â disse Tada, com orgulho, olhando ao redor do ninho. â Exatamente como eu pensei. Esses caras sĂŁo bem covardes. Eles nĂŁo sĂŁo exatamente beligerantes.
â NĂŁo, mas, Tada-san, vocĂȘ matou um deles na outra sala â disse Haruhiro.
â Foi aĂ que eu percebi â ele disse, confiante. â Pela sensação quando eu o acertei? Eu sabia que ele era fraco.
â EntĂŁo, Ă© esse tipo de coisa… Como eu deveria dizer…? Instintiva, nĂ©? â Haruhiro perguntou.
â A vida, mano â disse Tada. â NĂŁo se trata de razĂŁo.
â Ohhh! â Ranta caiu de joelhos, segurando o peito. â Uma grande frase nasceu! VocĂȘ tĂĄ certo! âA vida nĂŁo se trata de razĂŁoâ, nĂ©?! Tada-san, vocĂȘ Ă© incrĂvel!
â NĂŁo me elogie tanto. â Tada bateu o martelo de guerra no ombro enquanto ajustava os Ăłculos. â Eu vou pegar a sua estupidez!
â Wahaha! NĂŁo, nĂŁo, nĂŁoooo! AĂ estĂĄ vocĂȘ, sendo assim de novo, Tada-saaaan!
Qual é o problema desses dois? pensou Haruhiro. Ranta sempre foi um idiota, mas talvez Tada seja um idiota também? Serå que ambos são idiotas?
Os ri-komos continuavam em silĂȘncio, sem dar sinal de movimento. Dito isso, isso poderia ser a calmaria antes da tempestade, talvez? Haruhiro, honestamente, nĂŁo se sentia nada seguro.
â Haruhiro, vem cĂĄ tambĂ©m â Tada fez um sinal para ele.
â …Acho que nĂŁo quero.
â SĂł chega aqui â disse Tada.
â Ă, Parupiroooo â gritou Ranta. â NĂŁo amarela, seu idiota!
â Anda logo â disse Tada. â Ou eu vou te bater.
â Se vocĂȘ me acertar com isso, eu posso morrer facilmente, sabia…? â Haruhiro murmurou.
Ele provavelmente não estava falando sério. Mas, sendo Tada, Haruhiro não podia ter certeza, então não teve escolha a não ser obedecer.
Haruhiro caminhou hesitante para dentro do ninho. Era verdade que o ri-komo que eles encontraram na sala anterior nĂŁo havia sido difĂcil. Ainda assim, se os ri-komos os atacassem em massa, seriam uma grande ameaça. Ou melhor, a diferença em nĂșmeros era tĂŁo grande que Haruhiro e os outros dois poderiam ser dilacerados em pouco tempo. Ele podia sentir a morte muito perto. Mimorin havia dito para ele viver, mas isso talvez nĂŁo fosse possĂvel.
Ou talvez fosse.
Os ri-komos nĂŁo se moveram, afinal de contas. Suas vozes estavam em silĂȘncio.
â Ranta. â Tada gesticulou em direção ao caminho de onde vieram com o queixo. â Vai chamar o Tokimune. Haruhiro e eu vamos esperar aqui.
â Sim, senhor! â Ranta gritou.
â …Kehehe… VocĂȘ Ă© tipo um faz-tudo, Ranta… Kehe… Isso combina com vocĂȘ… Kehehehe…
â Cala a boca! TĂĄ tudo bem! O Tada Ă© o cara com a frase do dia! â Ranta fez essa declaração sem sentido e depois correu de volta pelo caminho. Zodiac-kun o seguiu.
Agora Haruhiro estava sozinho com Tada. NĂŁo… havia um monte de ri-komos ao redor deles. Era difĂcil chamar isso de estar sozinho.
â Haruhiro.
â …O quĂȘ?
Tada nĂŁo disse mais nada imediatamente. Um momento se passou antes que ele dissesse:
â Cuide bem da Mimori para mim.
â …O quĂȘ?
â Ela Ă© maior do que eu, e tem um gosto horrĂvel, e eu nunca sei o que ela estĂĄ pensando, e ela nĂŁo me deixa chamĂĄ-la de Mimorin, e ela me irrita, mas ainda somos camaradas â disse Tada.
â NĂŁo… Eu nĂŁo sou o cara certo para pedir isso â Haruhiro respondeu.
â VocĂȘ nĂŁo tĂĄ satisfeito?
â HĂŁ? NĂŁo, eu nĂŁo acho que esse seja o problema aqui…
â Os peitos dela sĂŁo enormes, mano â disse Tada. â Embora ela seja grande em geral.
â Eu nĂŁo acho que isso seja relevante â disse Haruhiro.
â Ă relevante â afirmou Tada com certeza. â Mano, vocĂȘ tira sarro dos peitos, depois vai chorar por eles.
â Ă assim que funciona?
â O quĂȘ? VocĂȘ nunca chorou por peitos antes? â Tada perguntou.
â …Nunca.
â Eu jĂĄ.
â HĂŁ.
â NĂŁo vai perguntar? â Tada perguntou. â NĂŁo vai pedir todos os detalhes?
â VocĂȘ quer falar sobre isso? â Haruhiro perguntou.
â Claro que nĂŁo â respondeu Tada, irritado. â Ă um assunto particular. VocĂȘ deve estar fora da casinha, mano.
VocĂȘ Ă© o Ășltimo cara de quem eu quero ouvir isso. Haruhiro olhou ao redor. Os ri-komos continuavam quietos.
â NĂŁo me diga… vocĂȘ nos deixou a sĂłs sĂł para poder falar isso? â Haruhiro perguntou.
â Sim â disse Tada. â E nĂŁo diga que fiz isso âsĂłâ por isso. Ă algo importante, entendeu?
â Eu nĂŁo tenho nenhum sentimento especial por ela, entĂŁo Ă© isso â disse Haruhiro.
â VocĂȘ Ă© bem claro sobre isso, nĂ©. VocĂȘ Ă© um cara honesto. Como Ă© que, sendo tĂŁo bonzinho, vocĂȘ Ă© tĂŁo ferrado da cabeça? O que hĂĄ de errado com vocĂȘ?
â O que hĂĄ de errado, de fato â respondeu Haruhiro. Com vocĂȘ, no caso.
Logo, Ranta voltou com Tokimune e os outros. Ranta, Zodiac-kun e os Tokkis entraram no ninho como se nĂŁo fosse nada demais, mas Kuzaku, Shihoru, Yume e Mary estavam receosos.
Isso Ă© normal, pensou Haruhiro. Ă reconfortante ver isso. Normal Ă© bom. Normal Ă© o melhor.
â Ohh. â Tokimune sombreou os olhos com uma mĂŁo e olhou ao redor inquieto. â Este Ă© o ninho dos ri-komos, hein. Hmm. Tem um monte deles.
Os ri-komos, que atĂ© hĂĄ pouco tempo estavam em silĂȘncio, agora faziam um barulho ensurdecedor. Haruhiro estava aflito de preocupação.
â O q-que fazemos? Daqui em diante â ele gaguejou.
â Continuamos, Ă© claro â respondeu Tokimune.
â …Isso era de se esperar â Haruhiro murmurou.
â Quer voltar? EntĂŁo volte. NĂłs vamos ficar. Na verdade, vamos avançar ainda mais, sabe?
Tokimune estava dizendo que não precisavam de Haruhiro para prosseguir com a exploração. Se Haruhiro quisesse desistir, os Tokkis continuariam explorando sozinhos.
â Vamos â disse Haruhiro.
â NĂŁo esperava menos de vocĂȘ â Tokimune respondeu, exibindo seus dentes brancos.
Não consigo evitar a sensação de que fui levado a essa decisão, pensou Haruhiro, frustrado. Tudo estå acontecendo no ritmo dos Tokkis. Mas se eu tentar lutar pelo controle, não vejo como sairia por cima. Serå que só preciso seguir o fluxo?
Se os ri-komos decidissem eliminar os intrusos, Haruhiro e os outrosânaquele instante, seria o fim. Era difĂcil prever qualquer resultado que nĂŁo fosse sua completa aniquilação.
Pegando a lanterna de Kuzaku e avançando em duas colunas, Haruhiro se questionava se aquelas pessoas compreendiam a situação. NĂŁo poderia ser que nĂŁo tivessem consciĂȘncia do perigo. Estavam assumindo um risco calculado. Isso provavelmente era algo natural para os Tokkis.
EntĂŁo essas sĂŁo as pessoas… Haruhiro pensou.
Essas sĂŁo as pessoas certas para a vida de soldado voluntĂĄrio. NĂŁo pessoas comuns e monĂłtonas como Haruhiro, mas indivĂduos como os Tokkis ou, bem, como Ranta, que tinham um toque de loucura.
Haruhiro estava fazendo algo para o qual nĂŁo tinha aptidĂŁo. Havia algum sentido em fazer o que ele podia, mesmo sendo Inadequado? Ou havia coisas que ele podia fazer justamente por ser Inadequado para a tarefa?
Os gritos dos ri-komos nĂŁo mostravam sinais de cessarâmas eles nĂŁo tomavam nenhuma outra ação.
â Se fossem sĂł esses caras â Tokimune inclinou o pescoço enquanto falava â, seriam esmagados em pouco tempo. O Buraco das Maravilhas nĂŁo Ă© um lugar para fracos.
Haruhiro mais ou menos entendeu o que ele estava dizendo. O Buraco das Maravilhas era um lugar onde apenas os mais aptos sobreviviam, onde os fortes devoravam os fracos. Criaturas que nĂŁo conseguiam defender seu territĂłrio seriam rapidamente exterminadas.
AtĂ© mesmo os trĂȘs demi-humanos, vistos como as raças mais fracas no Buraco das Maravilhas, podiam ser bastante ferozes, dependendo de seus inimigos. Os ri-komos, baseando-se apenas nas impressĂ”es atuais de Haruhiro, eram passivos demais e muito fracos.
O caminho se estendia diretamente à frente. Havia aberturas para virar à esquerda, à direita, e novamente à direita, mas Tokimune as ignorou e seguiu em frente. Em seguida, chegaram a uma bifurcação.
Os ri-komos faziam um barulho infernal, mas nĂŁo atacavam.
Haruhiro e os outros viraram Ă esquerda.
Havia duas aberturas Ă esquerda. Quando passaram por elas, pararam de ver aquele brilho fraco. Eles nĂŁo ouviam mais as vozes dos ri-komos.
â SerĂĄ que Ă© o fim do ninho? â Haruhiro murmurou.
Tokimune apontou para frente.
â NĂŁo, ainda hĂĄ um caminho. E alĂ©m disso…
â Sim.
Eu sei, Haruhiro pensou. O vento.
Havia um fluxo de ar vindo da frente. Era justo chamĂĄ-lo de vento.
Haruhiro nĂŁo estava relaxado, mas de repente se tensionou, esperando por algo. Ele nĂŁo sabia o motivo. Haruhiro nĂŁo tinha uma base clara para isso, mas suas expectativas para o que estava por vir estavam crescendo. Por alguma razĂŁo, todos os outros pareciam sentir o mesmo.
O caminho começou a serpentear. Além disso, passou a ter uma leve inclinação. Para cima.
â HĂŁ? â Ranta levantou a voz, olhando para a esquerda, para a direita e para trĂĄs. â O Zodiac-kun sumiu…
â NĂŁo acabou o tempo dele? â perguntou Yume.
â NĂŁo pode ser isso. Hmm… â Ranta inclinou a cabeça para o lado. â Bem, tĂĄ tudo bem.
TĂĄ tudo bem? Haruhiro pensou por um momento. Bem, acho que tĂĄ, reconsiderou, sentindo que talvez estivesse um pouco apressado. Quero chegar ao fim desse caminho o mais rĂĄpido possĂvel. Sinto que algo estarĂĄ lĂĄ. NĂŁo, definitivamente haverĂĄ algo lĂĄ.
O vento estĂĄ frio.
HĂĄ luz adiante.
Aquela luz Ă©…
â Heh… â Inui rosnou baixo. â Estamos lĂĄ fora, Ă©?
LĂĄ fora, pensou Haruhiro. NĂŁo, isso Ă© absurdo. Quero dizer, estamos bem longe abaixo. Isso Ă© subterrĂąneo. NĂŁo podemos estar lĂĄ fora. Mas… aquela luz Ă© quase como se estivĂ©ssemos ao ar livre. E tem esse vento.
â Ohhhhhhh! NĂŁo consigo esperar! â Ranta correu.
â VocĂȘ…! â Tada correu atrĂĄs dele.
â Hahahahahahahaha! â Tokimune começou a correr enquanto ria.
â NĂŁo Ă© justo! Eu tambĂ©m, eu tambĂ©m, eu tambĂ©m! â Kikkawa gritou, seguindo-os.
â Heh… â Inui foi tambĂ©m.
â Hah! NĂŁo hĂĄ cura para os tolos! â Anna-san gritou algo insultante e correu atrĂĄs deles. â EntĂŁo, vou tambĂ©m, sabe! Eu tenho que ir, Yeah!
Mimorin estava sem expressĂŁo, em silĂȘncio, e avançou com passos largos.
Haruhiro olhou para Kuzaku, Shihoru, Yume e Mary antes de começar a persegui-los em um trote. Ele entendia um pouco o que Ranta e os outros estavam sentindo, mesmo que não quisesse.
Afinal, e se realmente estivessem lĂĄ fora?
Claro, ele nĂŁo achava que estavam. Isso era impossĂvel.
Mas… e se, por uma chance em um milhĂŁo, estivessem? Isso seria um acontecimento. NĂŁo, poderia ser mais do que apenas âum acontecimentoâ. Pelo menos, para o pobre Haruhiro, o cara mediano que se esforçava demais, seria um grande acontecimento.
Mesmo sem estar correndo a toda velocidade, ele estava ficando sem fĂŽlego.
LĂĄ fora, ele pensou. Ahh.
â Uau! â Haruhiro gritou.
O céu. Ele podia ver algo como o céu.
â Hyohhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh! â Ranta soltou um grito bizarro de puro espanto.
â Ă isso! â Tokimune gritou, aparentemente jĂĄ tendo ultrapassado Tada.
â Haha! â Tada riu.
â Schwing! â Kikkawa nĂŁo estava fazendo o menor sentido.
O que diabos âschwingâ deveria significar?
â Heh… Hahahahaha! â Inui deu uma risada alta de vilĂŁo.
â Oh, meu Deus! Oh, meu Deus! â Anna-san estava enlouquecendo.
Mimorin havia parado e ficado imóvel logo após sair. O vento era revigorante. Forte o suficiente para fazer o cabelo espesso de Mimorin esvoaçar na brisa.

Haruhiro parou ao lado de Mimorin.
â Isso…
Encontrar uma cena como essa e sĂł conseguir dizer âIsso…â era uma manifestação precisa da mediocridade de Haruhiro, e isso doĂa.
â Fuwahhhhhhh… â Yume estava com a boca aberta.
â NĂŁo acredito â Shihoru sussurrou, segurando seu chapĂ©u.
â SĂ©rio? â Kuzaku estreitou os olhos.
â Isso Ă©â â Mary balançou a cabeça de um lado para o outro, começando a estender a mĂŁo em direção a Kuzaku antes de recuĂĄ-la.
Havia um céu.
Haruhiro e os outros estavam sob um céu pontilhado de azul profundo, azul com um tom avermelhado, roxo, laranja, amarelo, vermelho e todas as cores intermediårias.
Era o céu do entardecer.
AtrĂĄs deles havia um buraco que simplesmente se abria no lado de uma colina, e o cĂ©u se espalhava em todas as direçÔes. Eles viam o cĂ©u ao crepĂșsculo quase todos os dias, mas este era diferente. As cores eram muito mais vibrantes. NĂŁo, isso nĂŁo era tudo. O sol nascia no leste e se punha no oeste. Quando o sol se punha, era o cĂ©u ocidental que ficava vermelho. Quando o sol nascia, era o oposto. Mas nĂŁo neste cĂ©u.
Ele não conseguia identificar as direçÔes cardeais, mas o céu estava todo vermelho, com toques de amarelo também.
NĂŁo havia sinal do sol.
Era quase como se o céu tivesse sido salpicado com diferentes cores de tinta.
Ranta e todos os Tokkis, exceto Mimorin, estavam correndo pela encosta coberta de grama. Havia rochas esbranquiçadas em forma de pilares espalhadas pela colina.
Haruhiro percebeu que Tokimune, os outros e os pilares não lançavam sombra. Claro, o mesmo acontecia com Haruhiro.
â NĂŁo â murmurou Mimorin. â Este nĂŁo Ă© o nosso mundo.
â Ă â Haruhiro assentiu. â Ă outro mundo.
Tradução: ParupiroHPara estas e outras obras, visite o Cantinho do ParupiroH â Clicando Aqui
Tradução feita por fãs.
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