Hai to Gensou no Grimgar – Capítulo 01 – Volume 5

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Hai to Gensou no GrimgarGrimgar of Fantasy and Ash

Light Novel Online – CapĂ­tulo 01:
[Algumas Vezes como Animais Selvagens no Cio]


O inimigo era… Negro.

NĂŁo, nĂŁo exatamente negro; era mais como se fosse enegrecido, e ele usava algo que parecia um casaco de chuva.

Ele devia ter uns 2,5 metros de altura. Bem alto.

Mais ou menos, vocĂȘ poderia chamĂĄ-lo de humanoide.

Ele tinha uma cabeça estranhamente pequena, além de braços e pernas. Seus ombros eram incrivelmente largos. Seu corpo tinha a forma de um triùngulo invertido.

Ele segurava uma arma com um cabo longo. A lĂąmina era como uma faca grossa e resistente, e, bem, era basicamente uma naginata. Ele estava inclinado para frente, usando sua naginata como uma bengala enquanto caminhava.

NĂŁo havia som em seus passos, e mesmo enquanto a naginata arrastava no chĂŁo, nĂŁo fazia barulho. Por alguma razĂŁo, ele era silencioso. Era um mistĂ©rio por quĂȘ, mas Haruhiro decidiu simplesmente aceitar que era assim.

— Bom, vamos nessa? — perguntou Haruhiro.

Kuzaku soltou um suspiro profundo, abaixando a viseira de seu elmo fechado. Ufa…

De dentro do elmo craniano de Ranta—a viseira tinha um design que lembrava uma caveira, então, como servo de Lorde Skullhell, foi assim que Ranta decidiu chamá-lo—, ouviu-se uma risada baixa e ameaçadora. Ele tinha adquirido o hábito de rir assim recentemente. Talvez ele achasse que isso o fazia parecer legal. Talvez ele fosse um idiota. Sim, provavelmente a segunda opção. Ele sempre foi um idiota, e provavelmente sempre será.

Yume puxou uma flecha da aljava, encaixando-a em seu arco composto élfico. Ela ainda manuseava o facão melhor do que o arco, mas hå algum tempo havia comprado um arco novo, juntamente com um facão novo. Ela também aprendeu duas habilidades de arquearia. Mesmo que não fosse a mais adequada para isso, parecia estar tentando fazer algo a respeito.

Mary verificou a marca brilhante em seu pulso esquerdo, que indicava que seu feitiço Protection estava ativo, e então fez o sinal do hexagrama.

— Ó Luz, que a proteção divina de Lumiaris esteja sobre vocĂȘ… Assist.

Instantaneamente, outro pequeno hexagrama de cor diferente apareceu no pulso esquerdo de Kuzaku.

O inimigo deve ter ouvido a cantoria de Mary. Ele estava vindo na direção deles, acelerando conforme se aproximava.

Shihoru começou a recitar e a desenhar sigilos elementares com sua varinha de madeira élfica.

— Ohm, rel, ect, delm, brem, darsh.

Um elemental negro e nebuloso surgiu, envolvendo o corpo de Shihoru de forma sutil. Shadow Armor. Funcionaria apenas uma vez, e havia limites ao que podia suportar, mas poderia neutralizar um ataque. Para uma maga levemente armada, era um feitiço defensivo que poderia fazer uma grande diferença.

O inimigo jĂĄ estava se aproximando. Em breve, estaria ao alcance do ataque com sua naginata.

— Vá em frente, Kuzaku — disse Ranta.

Em vez de responder ao estímulo de Ranta, Kuzaku avançou com passos largos e relaxados.

O inimigo balançou sua naginata. Kuzaku não recuou. Ele parou e levantou o escudo. Ele não bloqueou a naginata, mas a repeliu com o escudo. Não era a habilidade de Bloqueio, era a de Pancada.

Houve um som de impacto incrível, e a naginata do inimigo foi lançada pelos ares.

Kuzaku lançou sua espada em direção ao torso exposto do inimigo. O inimigo saltou para trås, quase sem fazer barulho.

Yume disparou uma flecha. Ela atingiu o ombro esquerdo dele.

Haruhiro se dirigiu ao lado direito do inimigo, enquanto Ranta tentava avançar pela esquerda. O inimigo não gostou disso e recuou ainda mais.

— Agora! — gritou Mary. Claro, todos sabiam o que ela queria dizer.

— Suuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuu…

Ele emitiu aquele som bizarro. Ambos os braços dele se estenderam. Durante o intervalo em que eles se estendiam, ele estava totalmente exposto.

— Pressionem! — Haruhiro chamou.

Haruhiro circulou por trĂĄs do inimigo. Kuzaku ergueu o escudo Ă  sua frente e avançou. Ranta estava…

O quĂȘ, de novo? Ele realmente gosta de fazer isso.

— Bwaheheheh…! Slice…!

Ele balançou uma espada longa—que Ranta decidiu chamar de Betrayer (Traidora), sĂł porque o cabo era enegrecido e combinava com o nome, embora fosse de qualidade apenas razoĂĄvel—como se estivesse desenhando um oito, uma habilidade de espada que era certamente chamativa. Se fosse qualquer cavaleiro das trevas alĂ©m de Ranta usando-a, talvez atĂ© parecesse bonita. A vulgaridade de Ranta diminuĂ­a a graça e a dignidade da habilidade Slice. Mas isso estava bem, desde que ele nĂŁo estivesse comprometendo seu poder.

Betrayer cortou o braço direito do inimigo. A espada longa de Kuzaku também abriu o flanco do inimigo. O braço esquerdo e a cabeça do inimigo eram resistentes, mas o resto dele nem tanto; uma lùmina atravessaria.

Quando os braços do inimigo se estenderam para um comprimento e meio do original, Haruhiro jå estava posicionado atrås dele. Ele não atacaria imediatamente; ainda não era o momento.

Enquanto Haruhiro permanecia escondido, Kuzaku e Ranta se aproximavam mais e mais. Quando o inimigo estava em modo de braços longos, lutar de perto era a melhor estratégia.

Yume disparou outra flecha, acertando o ombro direito dele.

Ele estĂĄ vindo? Haruhiro pensou.

Cerca de dois segundos depois, o inimigo tentou recuar, mas Haruhiro estava bem ali, na direção para a qual ele estava tentando fugir. Parecia que ele tinha até esquecido que Haruhiro existia.

Haruhiro estava usando a habilidade Sneaking para tentar fazer o inimigo esquecer ou não notå-lo. Isso deu certo. Haruhiro conseguiu agarrar as costas do inimigo, cravando sua adaga nele enquanto ele ainda processava o que acabara de acontecer. Haruhiro deu uma torção råpida na adaga e a arrancou, depois a cravou novamente.

O inimigo provavelmente tentaria dar um salto vertical para tentar jogar Haruhiro longe. Ele dobrou os joelhos e abaixou os quadris. Esse era um sinal de que estava prestes a acontecer.

Haruhiro saltou para longe antes que o inimigo pulasse.

O inimigo saltou no ar para um salto meio sem energia, e entĂŁo imediatamente abaixou sua postura novamente.

— Siuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuu…

Ambos os braços encolheram. Aquilo era outra abertura.

— Punishment! — gritou Kuzaku.

— Hatred! — berrou Ranta.

Kuzaku e Ranta avançaram ao mesmo tempo contra o inimigo, balançando suas espadas diagonalmente. A espada longa de Kuzaku atingiu o inimigo com força na cabeça, arrancando seu capuz, enquanto a Betrayer de Ranta se cravava em seu ombro direito. Depois disso, eles conseguiram acertar mais dois ou trĂȘs golpes cada um, entĂŁo recuaram quando os braços terminaram de encolher. O crĂąnio metĂĄlico que formava sua cabeça agora estava claramente visĂ­vel.

— Jess, yeen, sark, fram, dart!

Era a Magia Falz de Shihoru. Lightning. O inimigo foi atingido pelo raio e se contorceu.

Sua boca se abriu, mas os dentes estavam cerrados com força.

Chik, chik, chik, chik, chik, chik, chik, chik, chik, chik, chik, chik, chik, chik, chik, chik, chik.

Ele começou a estalar a língua.

— Kuzaku! — chamou Haruhiro.

— Sim — respondeu Kuzaku, avançando contra o inimigo.

O inimigo estava no meio de levantar o joelho esquerdo. Era o movimento que ele fazia ao se preparar para uma joelhada saltada. Quando Kuzaku colidiu com ele usando seu escudo, o inimigo foi derrubado.

— Mandou bem! — gritou Ranta com uma risada vulgar enquanto atacava o inimigo.

Kuzaku também estava golpeando o inimigo com sua espada longa.

Haruhiro tomou uma decisĂŁo. Vamos acabar com ele aqui. Ele nĂŁo estava tentando bater um recorde de tempo ou algo assim, mas parecia bem possĂ­vel, e mesmo que o inimigo contra-atacasse um pouco, a party conseguiria se recuperar.

Ele estava sendo excessivamente confiante? Não. Esse era um inimigo que eles jå haviam enfrentado vårias vezes. Eles mais ou menos jå tinham entendido o que tornava esse diferente dos outros. Na verdade, eles estavam bem cientes de como havia pouca variação entre os membros dessa raça.

Os Ustrels.

Haruhiro nĂŁo estava se deixando levar, e desde a primeira vez que encontraram esse tipo de monstro, ele nunca teria imaginado que chegaria um momento em que ele poderia pensar isso.

Eles não são påreo para nós agora, ele pensou com confiança.

— Vamos acabar com isso! — gritou.

Quando Haruhiro fez essa declaração, Yume sacou seu facão e se aproximou. Mary preparou seu cajado curto, permanecendo ao lado de Shihoru.

O ustrel, é claro, estava tentando se levantar, mas toda vez que ele tentava, Ranta caçoava e chutava seus braços ou pernas, impedindo-o de se levantar.

Ranta sempre faz essas coisas com tanto prazer, pensou Haruhiro. Deve ser por causa de sua personalidade desagradĂĄvel.

Kuzaku estava concentrando seus ataques na cabeça e no pescoço do ustrel, golpeando em vez de cortando. Kuzaku sempre fora abençoado com um corpo alto e forte. Quando ele desferia sua espada longa com toda a força, o impacto destrutivo era considerĂĄvel. Ele perdia a capacidade de falar quando se concentrava, mas isso nĂŁo era uma deficiĂȘncia. Kuzaku continuava silenciosamente reduzindo o que restava da força vital do ustrel.

— Miau! Raging Tiger! — chamou Yume.

Essa habilidade de Yume, em que ela fazia uma cambalhota seguida de um golpe poderoso no inimigo, era bastante perigosa. Toda vez que via isso, Haruhiro pensava, É incrível ela não ter medo de fazer isso.

Enquanto observava seus companheiros, Haruhiro ocasionalmente fixava o olhar nas costas do ustrel. Isso era, bem, apenas um hábito. Não importava contra quem eles estavam lutando, se ele observasse atentamente, poderia descobrir que tipo de criatura era—ou pelo menos ele achava isso. Era apenas uma sensação, e não poderia ser verdade, mas era estranhamente reconfortante observar as costas de seu inimigo.

De vez em quando, uma estratĂ©gia surgia em sua mente enquanto ele fazia isso. Algo como, Esse cara parece ser mais fraco aqui, ou, Ele tem essa idiossincrasia na maneira como se move, ou, Devemos atacĂĄ-lo aqui. E entĂŁo, raramente, ele via aquela linha. Para ser mais preciso, era uma luz tĂȘnue que parecia algo como uma linha. Parecia ser uma visualização, de certo modo. Meu oponente se moverĂĄ assim, e tem essa fraqueza, entĂŁo eu devo fazer isso. Era uma espĂ©cie de previsĂŁo instantĂąnea. Uma que ele processava como se fosse uma linha Ășnica.

Deixando de lado a questĂŁo de se era realmente uma linha ou nĂŁo, aparentemente todos tinham esse tipo de visualização. Geralmente, elas eram mais fĂĄceis de ver em situaçÔes difĂ­ceis. Em alguns casos, ele ouvira dizer que era possĂ­vel ver vĂĄrias linhas. Em outras palavras, algumas pessoas eram capazes de fazer previsĂ”es instantĂąneas mĂșltiplas.

Isso variava de pessoa para pessoa. Na verdade, variava muito.

De qualquer forma, era uma habilidade que todo ladrĂŁo possuĂ­a. Nada de especial.

Claro que nĂŁo seria, pensou Haruhiro. Estou bem com isso, de verdade. Haruhiro nĂŁo estava decepcionado. Uma habilidade especial que sĂł eu tenho. Seria legal ter uma, Ă© claro, mas duvido que eu tenha uma. E, na verdade, eu nĂŁo tenho. É sĂł isso. Eu nĂŁo tenho o que nĂŁo tenho.

Dito isso, se alguĂ©m dissesse que eu—que nĂłs—nĂŁo temos nada, isso nĂŁo seria verdade. Podemos ter uma quantidade, qualidade e variedade de habilidades inferiores em comparação com um gĂȘnio, mas atĂ© as pessoas comuns tĂȘm algo. Elas precisam se virar com o que tĂȘm. HĂĄ coisas que pessoas comuns podem fazer. Pessoas comuns podem crescer. Podemos ficar mais fortes de uma maneira simples e comum.

Houve um som agudo e estridente. O ustrel jĂĄ estava espumando pela boca e batendo os dentes. Ele estava Ă  beira da morte.

— Pega essa, e essa, e essa, e toma, e toma! — gritou Ranta.

Ele cravou vigorosamente a Betrayer nas costas do ustrel repetidamente. Kuzaku recuou, olhando para Haruhiro. Haruhiro assentiu. Não havia necessidade de desperdiçar mais energia do que precisavam. O ustrel estava morrendo. Ranta podia cuidar do resto. Ranta adorava atormentar um inimigo à beira da morte antes de extinguir sua vida.

NĂŁo era como se Haruhiro nĂŁo questionasse se ele deveria mesmo agir assim, como uma pessoa, mas sua crueldade implacĂĄvel os ajudava ocasionalmente. Claro, se vocĂȘ perguntasse a Haruhiro se ele gostava do cara ou nĂŁo, a resposta seria que ele realmente o odiava com todas as fibras de seu ser.

— Oh, deliciaaaa! — gritou Ranta, montando no ustrel imóvel e começando a fazer algo. Provavelmente tentando pegar algum saque.

Dito isso, ustrels nĂŁo eram uma boa fonte de dinheiro. As Ășnicas coisas que tinham algum valor eram seus crĂąnios metĂĄlicos e as naginatas que carregavam. Ambos eram volumosos e nĂŁo valiam o esforço de carregĂĄ-los de volta. Especialmente os crĂąnios metĂĄlicos. Eles podem parecer capacetes, mas na verdade eram algo como um exoesqueleto, e nĂŁo podiam ser removidos, entĂŁo vocĂȘ tinha que carregĂĄ-los de volta com a cabeça ainda dentro. Eles tentaram fazer isso uma vez, mas, por todo o esforço envolvido, ficaram desapontados com o retorno mĂ­nimo. Haruhiro nunca quis fazer isso de novo.

O que Ranta queria era pegar um pedaço do corpo do ustrel, nĂŁo porque manter trofĂ©us era seu fetiche nojento—nĂŁo, na verdade nĂŁo era isso. Cavaleiros das Trevas pegavam uma orelha, garra ou outro pedaço pequeno dos inimigos que matavam pessoalmente para oferecer a Skullhell. Eles acumulavam vĂ­cio dessa forma, o que lhes permitia aprender magia e habilidades de combate dos Cavaleiros das Trevas, ou fortalecia suas magias com a bĂȘnção de Skullhell.

Bem, ele Ă© um bruto, pensou Haruhiro.

Em um grupo de vinte soldados voluntĂĄrios, vocĂȘ teria sorte se encontrasse atĂ© mesmo um Cavaleiro das Trevas. Era fĂĄcil entender por que havia tĂŁo poucos deles.

Eu nĂŁo suportaria fazer isso, pensou Haruhiro. A menos que isso realmente combine com sua personalidade, vocĂȘ nĂŁo consegue continuar como um Cavaleiro das Trevas.

Pior ainda, mesmo que vocĂȘ nĂŁo conseguisse continuar, qualquer um que se tornasse Cavaleiro das Trevas nĂŁo poderia mais mudar para outra guilda. Eles eram forçados a jurar lealdade apenas a Skullhell e a nunca traĂ­-lo enquanto vivessem. Em outras palavras, o cĂłdigo deles dizia que nĂŁo podiam deixar de ser Cavaleiros das Trevas. Se ele deixasse a guilda, seus companheiros Cavaleiros das Trevas o perseguiriam. Ele seria morto.

Assustador. Cavaleiros das Trevas eram muito assustadores.

— Uhehehehe! — Ranta riu, levantando algo coberto de sangue escuro. Um dente do ustrel, aparentemente. Haruhiro cobriu a boca com o dorso da mão, lutando contra o impulso de vomitar.

Sim, tenho certeza de que ele ficarĂĄ bem. O trabalho realmente combina com ele. Na verdade, ele Ă© um Cavaleiro das Trevas de corpo e alma. É sua vocação, tenho certeza disso.

Com o trabalho de Ranta terminado, Haruhiro e a party decidiram deixar os restos do ustrel e seguir em frente. Estavam na borda do ninho dos muryans. Os muryans iriam limpar o corpo, sem dĂșvida.

O Buraco das Maravilhas. Fazia mais de quatro meses desde que eles pisaram lĂĄ pela primeira vez.

Honestamente, nĂŁo era muito lucrativo. Na verdade, estavam usando todo o dinheiro ganho em comida, bebida, banhos, equipamentos e viagens ocasionais de volta a Altana para aprender novas habilidades.

O Posto Avançado do Campo Solitårio tinha uma filial da Companhia de Depósito Yorozu e, se estivessem dispostos a ignorar as altas taxas, poderiam retirar o dinheiro que tinham depositado na filial principal, mas suas economias não haviam crescido nada. Pior ainda, as de Haruhiro haviam diminuído, e ele não ficaria surpreso se as de seus companheiros também tivessem.

Podemos ir um pouco mais fundo agora, pensou Haruhiro. Kuzaku se acostumou a party e agora Ă© um tanque funcional. Cada um de nĂłs ficou mais forte Ă  sua maneira, a ponto de podermos facilmente acabar com um ustrel. Estamos fazendo progressos constantes… talvez?

É difĂ­cil dizer. Acho que estamos indo em um bom ritmo, embora. Às vezes, as coisas nĂŁo vĂŁo bem, e isso pode ser um verdadeiro desastre. HĂĄ momentos em que eu me preocupo sobre o que fazer tambĂ©m. EntĂŁo, tambĂ©m hĂĄ momentos em que eu simplesmente aceito que pensar demais nĂŁo vai mudar nada e me concentro no trabalho do dia.

As coisas estĂŁo bem assim?, ele se perguntou. A resposta a essa pergunta muda de vez em quando. No momento, sim, estĂĄ bem, ou pelo menos nĂŁo estĂĄ ruim, eu diria.

NĂŁo estĂĄ ruim. Pelo menos, nĂŁo deveria estar.

Haruhiro estava na frente da party, mantendo um olhar atento na årea ao redor enquanto avançavam pelo ninho dos muryans com seus muitos buracos laterais. Porque aquele ustrel havia aparecido, os muryans haviam recuado. Eles não se mostrariam.

— Cara… — disse Ranta com um fungado. — As coisas tĂȘm ficado, nĂŁo sei, meio repetitivas, nĂŁo acha? Ultimamente, quero dizer.

— …LĂĄ vem ele de novo — disse Shihoru com um suspiro.

— Hã? Disse algo, peitos caídos? — perguntou Ranta.

— E… Eles nĂŁo sĂŁo caĂ­dos! — exclamou Shihoru.

— NĂŁo sei — disse Ranta. — Eu nĂŁo os vi. VocĂȘ teria que me deixar dar uma olhada para eu poder confirmar. É isso. Isso Ă© o que vocĂȘ tem que fazer. NĂŁo dĂĄ para dizer com certeza se eles nĂŁo sĂŁo caĂ­dos. TĂŽ certo, Kuzacky?

— Pode parar com isso? — perguntou Kuzaku. — Não me chame assim.

— Kuzackyyyy!

— O que vocĂȘ Ă©, uma criança? — perguntou Kuzaku.

— Eu. Sou. Um. Adulto. Eu sou um adulto, nĂŁo importa como vocĂȘ veja. Sou tĂŁo adulto que sou adulto demais. VocĂȘ pode ver isso, certo, Kuzacky?

— Cara… — Haruhiro disse, amaldiçoando-se por se intrometer quando sabia que nĂŁo adiantaria nada e que era melhor apenas ficar quieto. Claro, ele amaldiçoava Ranta ainda mais. Meio bilhĂŁo de vezes mais. — VocĂȘ nĂŁo consegue fazer outra coisa alĂ©m de incomodar as pessoas? VocĂȘ nĂŁo tem vergonha de viver assim, como pessoa?

— Eu nĂŁo tenho vergonha, claramente — disse Ranta. — Eu faço isso com orgulho, e vocĂȘ sabe disso. Eu vivo sem mostrar contenção para ninguĂ©m. NĂŁo consegue ver isso, seu idiota?

— VocĂȘ Ă© um excelente exemplo de como o mal prospera — disse Mary friamente

— Seu Ăłdio — disse Ranta com uma risada profunda e sinistra —, ele me dĂĄ força. Entendeu? Isso Ă© porque eu sou um cavaleiro das trevas, um cavaleiro do medo. Eu sou a escuridĂŁo. Entendeu? A propĂłsito, Yume, os peitos da Shihoru, eles sĂŁo caĂ­dos, nĂ©?

— Hã? — Yume franziu a testa e então, provavelmente sem pensar, levou as mãos ao peito e fez um gesto como se estivesse levantando algo pesado. — Espera, de jeito nenhum que a Yume vai te dizer isso, Ranta, seu pervertido!

Haruhiro rapidamente desviou o olhar. Seus olhos encontraram os de Kuzaku por acaso. Eles tiveram uma conversa silenciosa.

— …Pareciam pesados agora hĂĄ pouco…

— É… Bem pesados..

NĂŁo, nĂŁo, nĂŁo, nĂŁo, nĂŁo, pensou Haruhiro insistentemente. Pare. É estranho pensar assim sobre meus companheiros. É melhor nĂŁo pensar nisso. Eu nĂŁo deveria pensar nisso. Se eu começar a vĂȘ-los como homens e mulheres, seria bem esquisito. Mas, bom, o Kuzaku…

Haruhiro lançou um olhar para Mary. Hmm. Eu me pergunto. Não tenho nenhuma prova decisiva, seja de um jeito ou de outro. Não que eu tenha tentado descobrir. Quero dizer, eles são livres para fazer o que quiserem, não é? Por isso, embora eu não saiba ao certo o que estå acontecendo, Kuzaku sai da tenda à noite de vez em quando. Quando eu o sigo silenciosamente, às vezes ele e Mary estão conversando do lado de fora. Só os dois. Eu os flagrei fazendo isso vårias vezes.

Eu nĂŁo sei, mas parece que estĂŁo progredindo surpreendentemente pouco…? Mas, dito isso, nĂŁo Ă© como se eles nĂŁo estivessem conscientes um do outro dessa forma.

Claro, eles são livres para fazer o que quiserem. Haruhiro disse a si mesmo que eles deveriam fazer o que quisessem. Ele só havia seguido o Kuzaku nas primeiras vezes porque estava preocupado com ele, sendo uma adição posterior a party. Tipo, ele pode estar se sentindo deslocado.

Quero dizer, quem nĂŁo se preocuparia numa situação dessas? Pensou Haruhiro. Eu sou o lĂ­der e tudo mais. EntĂŁo, parecia que a Mary estava dando conselhos a ele, e eu pensei, “Oh, que bom.” Mas, Ă© sĂł conselhos que ela estĂĄ dando a ele?! É realmente sĂł isso?! Se eles tĂȘm algo acontecendo, eu gostaria que me contassem! Gostaria que parassem de se esconder pelas minhas costas! Quer dizer, estou curioso… Eu realmente me sinto assim, mas, bem, acho que estĂĄ tudo bem? EstĂĄ tudo bem, nĂŁo estĂĄ?

Olha, tudo bem enquanto eles estão se dando bem, né? Mas se terminarem, isso não vai ficar estranho? Ou serå que eles conseguem separar as coisas?

SerĂĄ? Haruhiro nĂŁo sabia. Eu nĂŁo tenho experiĂȘncia. NĂŁo, eu nĂŁo me lembro da vida antes de vir para Grimgar, mas provavelmente nĂŁo tenho? É essa a sensação. Definitivamente, eu nĂŁo tinha muita experiĂȘncia. Disso eu tenho certeza. NĂŁo tem como um cara como eu ter sido popular com as garotas. Quer dizer, nĂŁo sou agora. Às vezes, tenho a sensação de que Yume, Shihoru e Mary nem me veem como uma pessoa do sexo oposto. E o que hĂĄ de errado nisso?

Na verdade, era mais conveniente assim. Significava que, quando algo acontecia na party, Haruhiro era o Ășnico que podia se aproximar das garotas com a mesma distĂąncia emocional que fazia com os rapazes. Se as coisas ficassem ruins entre alguns dos outros, Haruhiro podia intervir e tentar consertar as coisas.

É um saco, e eu me pergunto por que eu deveria ter que fazer isso, mas sou o lĂ­der, disse a si mesmo. Tenho que aceitar. Estou bem ciente de que me falta o que se chama de habilidades de liderança. Mas um bom companheiro, um amigo relativamente bom, alguĂ©m que valoriza a harmonia da party e que, mesmo que nĂŁo consiga levar todos consigo, encontra uma maneira para todos nĂłs lutarmos juntos, esse tipo de figura central… Ă© isso que eu aspiro ser.

Bem, acho que Ă© isso que eu gostaria de ser, se conseguir. SĂł se conseguir.

— Peitos caídos — cantou Ranta. — Peitos, peitos caídos. Caídos. Peitos. Caídos. Peitos.

Se eu nĂŁo tivesse o estĂșpido, estĂșpido Ranta, e sua mĂșsica idiota e horrĂ­vel, provavelmente nĂŁo seria tĂŁo difĂ­cil, sabe? Vou te dar um Backstab, cara, pensou Haruhiro com raiva.

NĂŁo, ignore-o, sĂł ignore-o. Isso Ă© sempre o melhor. Todos jĂĄ perceberam isso agora. AtĂ© Shihoru estĂĄ segurando a raiva. Desculpe, Shihoru, por vocĂȘ ter que aguentar esse pedaço de lixo. Eles nem estĂŁo caĂ­dos. Eles nĂŁo caem, certo? Embora, se forem tĂŁo grandes, vocĂȘ nĂŁo poderia lutar contra a gravidade para sempre…

Não, não, não, pare. Haruhiro balançou a cabeça.

As paredes de pedra à frente estavam cuidadosamente esculpidas para parecerem prédios. Não, não apenas pareciam, eram prédios. Bastante impressionantes, por sinal. Eles quase haviam chegado ao reino dos demÎnios.

— Ranta, vamos passar direto, entendeu? — perguntou Haruhiro.

— …Sim, jĂĄ sei — disse Ranta. — VocĂȘ nĂŁo precisa me dizer toda vez. SĂł cometi um pequeno erro da primeira vez.

E por causa disso, acabamos em uma encrenca de verdade, pensou Haruhiro.

Haruhiro e os outros pisaram no reino dos demĂŽnios, que parecia um templo esculpido na lateral de uma caverna. Das janelas dos prĂ©dios, alguĂ©m—muitos alguĂ©ns—estava olhando na direção deles.

Não humanos, claro. Embora fossem construídos de forma semelhante aos humanos, suas pernas e partes inferiores eram cobertas por uma espessa camada de pelos, e eles tinham chifres de cabra na cabeça. Todos carregavam bastÔes que levavam para todo lugar. Eram chamados de bastÔes, mas alguns pareciam instrumentos de pancada, enquanto outros tinham lùminas de lança ou espada na ponta. Todos eram bastante imponentes.

Baphomets. Também conhecidos como demÎnios.

— Olá, olá — disse Ranta com um sorriso forçado, e então a mesma voz voltou.

— Olá, olá — repetiu um demînio.

Ranta nĂŁo havia se repetido. Era obra de um demĂŽnio. Eles nĂŁo necessariamente entendiam a lĂ­ngua humana, mas eram incrĂ­veis em imitar vozes.

— Ei, pare com isso! — gritou Yume, dando uma cotovelada nas costas de Ranta.

Outro demînio falou com a voz de Yume. — Ei, pare com isso!

Os demĂŽnios nĂŁo eram especialmente amigĂĄveis com os humanos, mas tambĂ©m nĂŁo eram hostis. No entanto, sempre que um humano dizia algo, eles imitavam dessa forma. NĂŁo estava claro o porquĂȘ. Talvez achassem engraçado, poderia ser um traço natural deles, ou talvez estivessem apenas tentando ver como as pessoas reagiriam. Honestamente, era um pouco irritante.

Tudo o que os demĂŽnios faziam era observar os humanos, imitando cada palavra que diziam. Antes de chegarem ao reino dos demĂŽnios, Haruhiro e a party haviam adquirido essa informação. Por mais frustrante que fosse, desde que a party nĂŁo fizesse nada para provocar, a imitação de suas vozes seria o pior que teriam que enfrentar. Nesse caso, tudo o que precisavam fazer era ficar em silĂȘncio. Se ficassem calados, os demĂŽnios tambĂ©m ficariam.

Claro, esse era o plano. Os demĂŽnios tinham um grande amor por arquitetura e escultura, e valorizavam muito seus bastĂ”es. Mas, alĂ©m desses bastĂ”es e das suas artes em pedra, eles nĂŁo valiam muito em dinheiro. E havia muitos deles, entĂŁo matĂĄ-los seria inĂștil.

Apesar disso, apĂłs ser imitado apenas algumas vezes, Ranta perdeu a paciĂȘncia e começou a gritar.

Os demÎnios devem ter interpretado isso como uma ação hostil, pois vieram e atacaram. Haruhiro e os outros conseguiram escapar de alguma forma, mas desde então, sempre que se aproximavam do reino dos demÎnios, os demÎnios se reuniam para intimidå-los. Na verdade, eles foram atacados duas vezes e forçados a recuar. Haruhiro pensou que iam morrer em uma dessas vezes.

Eles passavam pelo vale conhecido como o domĂ­nio dos trĂȘs demi-humanos para chegar ao ninho dos muryans, mas sem passar pelo reino dos demĂŽnios, nĂŁo poderiam avançar mais. O reino dos demĂŽnios tinha um layout complexo. NĂŁo importava quĂŁo capaz fosse a party, seria difĂ­cil atravessa-lo se tivessem que lutar contra os demĂŽnios o tempo todo. Por isso, mantinham boas relaçÔes com os demĂŽnios. Todos faziam isso, e Haruhiro pretendia fazer o mesmo, mas porque Ranta agiu como um completo idiota, os demĂŽnios agora os odiavam. Pior ainda, os demĂŽnios pareciam ter boa memĂłria, e nĂŁo iriam esquecer o que Haruhiro e sua party haviam feito. Mesmo que tentassem esperar atĂ© que a inimizade diminuĂ­sse, nĂŁo havia como saber quanto tempo isso levaria. Por isso, Haruhiro e os outros tentaram de tudo para melhorar o humor dos demĂŽnios.

— Ugh, esses caras me irritam… podemos simplesmente matĂĄ-los? — murmurou Ranta num tom estranhamente animado.

— Ugh, esses caras me irritam… podemos simplesmente matĂĄ-los? — imitaram os demĂŽnios.

— Ele Ă© um idiota certificado — disse Shihoru com um tom sombrio.

— Ele Ă© um idiota certificado — repetiram os demĂŽnios.

— SĂ©rio, cara, para com isso… — suspirou Haruhiro.

— SĂ©rio, cara, para com isso… — disseram os demĂŽnios, replicando atĂ© mesmo o suspiro dele perfeitamente.

— Mas, sĂ©rio, isso tem que te irritar — Ranta gargalhou. — HĂĄ hĂĄ hĂĄ!

— Mas, sĂ©rio, isso tem que te irritar. HĂĄ hĂĄ hĂĄ!

— VocĂȘ pode simplesmente tapar os ouvidos — disse Mary, seu tom mais frio que gelo.

— VocĂȘ pode simplesmente tapar os ouvidos — imitaram os demĂŽnios, nĂŁo menos frios que ela.

— Que tal tentar não falar em primeiro lugar — sugeriu Yume.

— Que tal tentar não falar em primeiro lugar.

— Cala a boca, Peitos Pequenos.

— Cala a boca, Peitos Pequenos.

— Não chame eles de pequenos!

— Não chame eles de pequenos!

— Isso vai me deixar louco… — murmurou Kuzaku.

— Isso vai me deixar louco…

— Se isso Ă© suficiente para te deixar louco, vocĂȘ Ă© realmente fraco, Kuzacky! Seu vara-pau! — gritou Ranta.

— Se isso Ă© suficiente para te deixar louco, vocĂȘ Ă© realmente fraco, Kuzacky! Seu vara-pau!

— Por favor, poderia calar a boca? — disse Haruhiro, tapando os ouvidos para não ter que ouvir os demînios o imitando. Não ajudou.

— Por favor, poderia calar a boca?

Ainda consigo ouvi-los muito bem, pensou Haruhiro. Tem algo especial nas vozes dos demĂŽnios? NĂŁo sei por quĂȘ, mas colocar as mĂŁos sobre os ouvidos mal bloqueia suas vozes. Eu nĂŁo sou o Kuzaku, mas realmente sinto que isso estĂĄ me deixando louco. Na verdade, se o Ranta simplesmente mantivesse a boca fechada, ninguĂ©m mais diria nada. Isso Ă© culpa do Ranta. Tudo Ă© sempre culpa do Ranta.

Haruhiro lutava para manter a sanidade enquanto caminhavam pelo reino dos demĂŽnios. Havia luzes saindo das janelas, entĂŁo o local era relativamente iluminado, mas as ruas eram estreitas e sinuosas, dificultando a visĂŁo Ă  frente. Às vezes, o que ele pensava ser uma estrada, nĂŁo era. Havia muitos becos sem saĂ­da. Se baixasse a guarda, eles se perderiam em um instante. Ele atĂ© considerou tentar fazer um mapa, mas teve que desistir da ideia. NĂŁo tinha uma boa noção de distĂąncias ou direção, entĂŁo seria muito difĂ­cil desenhar um mapa. Provavelmente seria impossĂ­vel, a menos que medisse tudo.

Uma estimativa conservadora de quanto tempo levava para atravessar o reino dos demĂŽnios era de 40 a 45 minutos.

Eu acho que jĂĄ estamos andando hĂĄ 45 minutos, pensou Haruhiro.

As construçÔes da caverna que pareciam templos haviam terminado hå algum tempo, e o ambiente havia escurecido. Haruhiro pegou uma lanterna para iluminar o caminho.

— HĂŁ…? — disse ele.

Isso Ă© estranho. Haruhiro parou. Ele iluminou a ĂĄrea ao redor.

— Isso aqui Ă© o poço de mineração, nĂŁo Ă©? Deve ser…

— Como eu vou saber? — Ranta cuspiu. — VocĂȘ Ă© quem estĂĄ liderando o caminho, Parupiro. Estamos te seguindo porque confiamos em vocĂȘ. Se vocĂȘ estĂĄ dizendo que traiu nossa confiança e nos trouxe para algum lugar estranho que vocĂȘ nĂŁo conhece, entĂŁo isso Ă© um grande problema, cara, um grande problema. É sua responsabilidade! Agora faça um harakiri para se desculpar, seu idiota!

— Pegamos o caminho certo… ou deverĂ­amos ter pegado — Shihoru ignorou Ranta e concordou com Haruhiro. — Se eu nĂŁo estiver errada, pelo menos…

Ela nĂŁo parecia muito confiante.

— Hm. — Kuzaku se virou. — Acho que vocĂȘ nĂŁo estĂĄ errada. Pessoalmente, quero dizer…

Novamente, sem soar muito confiante.

— Espera, peraĂ­ — Yume olhou ao redor, inquieta. — Isso aqui nĂŁo Ă© o poço de mineração? O poço de mineração nĂŁo era assim?

Quanto a Yume, parecia que ela nem se lembrava de como era o poço de mineração que jĂĄ havia visitado vĂĄrias vezes…

— Tem algo diferente… — Mary disse, inclinando a cabeça para o lado. — …talvez?

Ela nĂŁo parecia nada confiante.

— Tem algo errado — disse Haruhiro, agora certo disso.

O poço de mineração.

Chamava-se Poço de Mineração Grimble, para ser mais preciso.

O nome vinha de criaturas chamadas grimbles que viviam nesta ĂĄrea. Elas eram como ratos enormes, mas com pele dura como pedra e cascos nas costas. Alguns indivĂ­duos raros tinham ouro, prata e diamantes em seus cascos, que, Ă© claro, tinham alto valor de venda. No entanto, devido Ă  caça excessiva, seus nĂșmeros haviam diminuĂ­do—ou pelo menos essa era a crença comum, mas parecia que a população estava mostrando uma tendĂȘncia de recuperação recentemente.

Isso era o que Haruhiro e os outros pensavam, de qualquer forma. Esta era a sĂ©tima vez que vinham a este poço de mineração. Nas Ășltimas seis vezes, nĂŁo haviam visto nenhum grimble de diamante, mas tinham avistado um grimble de ouro uma vez e um grimble de prata em quatro ocasiĂ”es diferentes. Claramente, eles nĂŁo estavam Ă  beira da extinção. Embora ainda nĂŁo tivessem conseguido capturar nenhum, atĂ© mesmo as conchas de prata valiam muito dinheiro, entĂŁo nĂŁo custava tentar.

No entanto, fossem conchas de ouro ou prata, seria melhor que, uma vez que conseguissem capturar um e adquirissem o conhecimento necessĂĄrio, eles conseguissem reunir o mĂĄximo que pudessem e vendĂȘ-los todos de uma vez. Se parecesse que havia dinheiro a ser ganho, vĂĄrias outras equipes provavelmente se apressariam para o poço de mineração. Se isso acontecesse, Haruhiro e sua party provavelmente nĂŁo conseguiriam competir. Precisavam garantir um lucro considerĂĄvel antes que isso acontecesse.

Esse era o plano. E eles tinham vindo ao poço de mineração para capturar grimbles de ouro ou prata.

Era assim que deveria ser, pensou Haruhiro. JĂĄ se passaram trĂȘs dias, no entanto.

Eles não podiam se dar ao luxo de passar vårios dias seguidos apenas procurando por grimbles. Se passassem muito tempo sem lutar uma batalha difícil, seus sentidos de combate começariam a enfraquecer.

TrĂȘs dias desde a Ășltima vez que viemos aqui, pensou Haruhiro.

— Isso nĂŁo estava aqui, — ele disse. — NĂŁo da Ășltima vez.

Haruhiro direcionou sua lanterna para o que deveria ter sido uma parede de pedra. A luz foi sugada pela escuridĂŁo e desapareceu. Parecia bastante profundo.

— …Esse buraco — disse Haruhiro.

— Como! Eu! Disse! — Ranta gritou enfaticamente. — VocĂȘ errou o caminho! VocĂȘ pegou o caminho errado! Isso aqui nĂŁo Ă© o poço de mineração, cara! Quer dizer, chamam de poço de mineração, mas Ă© sĂł uma caverna comum, cheia de labirintos! Elas estĂŁo por toda parte! Esse lugar sĂł parece semelhante! É sĂł isso! Use um pouco de bom senso!

— NĂŁo, mas…

Eu nĂŁo peguei o caminho errado… eu acho, pensou Haruhiro. Estou confiante… Mas, entĂŁo, por que esse buraco estĂĄ aqui, se nĂŁo deveria estar?

Tinha trĂȘs metros de largura e mais de dois metros de altura. NĂŁo havia como eles terem deixado de notar. Se tivessem passado por ele, certamente teriam percebido. Era um grande buraco redondo.

Haruhiro olhou para os lados. Porque, como Ranta disse, o poço de mineração era como uma caverna natural, sem nada de especial. NĂŁo tinha caracterĂ­sticas que o tornassem distinto, nada que ele pudesse usar para reconhecĂȘ-lo de imediato. EntĂŁo, embora nĂŁo pudesse dizer nada de definitivo, exceto pela existĂȘncia desse buraco, achava que o resto nĂŁo era diferente de antes.

— AlguĂ©m — Yume disse distraidamente. — Veio e cavou, nĂŁo acha? Esse buraco.

— Como se pudessem! — Ranta chutou o chĂŁo. — Quem cavaria um buraco! Aqui no Buraco das Maravilhas! Como se alguĂ©m tivesse tempo! Pensa um pouco antes de falar!

— VocĂȘ diz isso, mas o Buraco das Maravilhas, tambĂ©m Ă© sĂł um grande buraco! — retrucou Yume.

— Hm…? — Ranta cruzou os braços e inclinou a cabeça para o lado. — Agora que vocĂȘ mencionou, acho que sim…?

— Pode nĂŁo ter sido um humano — Shihoru disse em um tom conspiratĂłrio. — Pode haver todos os tipos de criaturas aqui cavando…

— Uau — disse Kuzaku, enfiando a cabeça no buraco. — EstĂĄ bem escuro. VocĂȘs acham que tem algo aĂ­ dentro?

— Espera aĂ­. — Mary puxou o braço de Kuzaku. — Isso Ă© perigoso.

Claro, vĂŁo em frente e mostrem o quĂŁo prĂłximos vocĂȘs dois sĂŁo, Haruhiro pensou—Ou isso Ă© algo que eu posso ou nĂŁo posso ter pensado. NĂŁo, eu nĂŁo estou pensando nisso, tĂĄ? É sĂł muito estranho. Embora, seja algo que eu poderia avisar vocĂȘs para nĂŁo fazerem, sabe? talvez?

Mas, quando Haruhiro pigarreou um pouco, Mary pareceu recobrar os sentidos, virou-se e soltou o braço de Kuzaku.

HĂŁ? HĂŁ, hĂŁ, hĂŁ? pensou Haruhiro. Por que ela estĂĄ tentando se distanciar de Kuzaku de maneira tĂŁo estranha? Talvez seja estranho para ela? Eu atrapalhei os dois? Talvez eu devesse pedir desculpas? NĂŁo que isso seja o que eu estava tentando fazer.

Haruhiro suspirou.

Eu deveria parar, pensou ele. É quase como se eu estivesse com ciĂșmes. NĂŁo que eu esteja. Quer dizer, sim, eu estava interessado na Mary. Houve um tempo em que me sentia assim. Mas, bem, ela estĂĄ claramente fora do meu alcance, sabe? Embora, se eu tivesse que dizer se gosto ou nĂŁo dela, eu diria que sim, eu gosto. Tipo, se a Mary me pedisse para namorar com ela, obviamente eu diria sim. Mas Ă© sĂł atĂ© aĂ­.

Eu queria que ela simplesmente dissesse “Na verdade, nós dois estamos namorando.” Isso tornaria mais fácil para mim aceitar.

Na verdade, isso nĂŁo incomoda os outros? Eles tĂȘm que ter notado mais ou menos, certo? Que algo estranho estĂĄ acontecendo entre Mary e Kuzaku? É evidente, nĂŁo Ă©? Ou todo mundo simplesmente nĂŁo liga? Talvez eu esteja me importando demais?

Talvez eu esteja sĂł carente? Haruhiro se perguntou, meio zombando de si mesmo. Carente. Se eu dissesse que estou como uma besta selvagem no cio, isso seria muito exagerado. Eu sinto que nĂŁo Ă© bem isso, de qualquer forma. O que Ă© entĂŁo? Eu quero estar apaixonado? Ter uma namorada? Sim, talvez seja isso.

Eu quero uma namorada.

Mas, duvido que eu consiga.

— Sim, este Ă© o lugar — disse Haruhiro. — Este Ă© o poço de mineração.

Haruhiro olhou para cada um de seus companheiros. Eu quero dar um chute no Ranta. Mas, fora isso, minha atual equipe Ă© mais preciosa para mim do que qualquer outra coisa.

— Mas agora tem um buraco — disse Haruhiro. — NĂŁo sei por quĂȘ. A questĂŁo Ă©: o que fazemos a respeito?

Agora não é hora de dizer que eu quero uma namorada. Quando eu penso no Moguzo, de alguma forma, sinto que talvez ainda seja cedo demais para mim também. Eu não conheço muitas pessoas novas, então não é como se eu tivesse opçÔes. Além disso, se eu deixar meu coração se distrair com coisas bobas e ficar com a cabeça nas nuvens, isso seria um grande problema. Eu preciso me manter focado.

— Pode ser uma nova descoberta — concluiu Haruhiro.

Quando ele disse isso, seus companheiros, especialmente Ranta, ficaram empolgados.

Uma descoberta.

Alguém deve ter descoberto o Buraco das Maravilhas pela primeira vez. Então, à medida que as exploraçÔes progrediam, outras descobertas foram sendo feitas dentro do Buraco das Maravilhas, e isso continuava até hoje.

Por exemplo, Soma, o lĂ­der do clĂŁ ao qual Haruhiro e os outros tecnicamente pertenciam, os Day Breakers, estava sempre explorando terras inabitadas para encontrar uma rota para os antigos reinos de Ishmal e Nanaka. Ele e sua party descobriam lugares e criaturas desconhecidos todos os dias.

Fundamentalmente, a glória das novas descobertas ia para equipes como a de Soma, que sempre se aprofundavam cada vez mais. No entanto, o Buraco das Maravilhas era vasto de forma infinita. Dizia-se que mesmo o vale dos buracos, o ninho dos muryans e o reino dos demÎnios ainda não haviam sido totalmente explorados, especialmente porque desastres naturais ou as açÔes das criaturas que ali residiam poderiam causar mudanças no Buraco das Maravilhas. Não havia como prever onde essas mudanças poderiam acontecer.

Em outras palavras, mesmo Haruhiro e sua party tinham a chance de fazer uma nova descoberta. Esse buraco poderia muito bem ser essa descoberta. Do outro lado desse buraco, poderia haver um mundo inteiro que ninguém conhecia.

— O que vamos fazer? — Ranta lambeu os lĂĄbios. — Nem preciso dizer, nĂ©? SĂł hĂĄ uma coisa a fazer.

— Estou com um mau pressentimento… — Shihoru apertou sua varinha contra o corpo, encolhendo-se e tremendo.

— A culpa Ă© minha?! — gritou Ranta. — A culpa Ă© minha, hein, peitos caĂ­dos?!

— Eu já disse que eles não são caídos! — Shihoru gritou de volta.

— E eu já disse, me mostre!

— Oh…? — uma voz disse.

— Hã? — Haruhiro franziu a testa.

De quem tinha sido aquele “Oh…?” agora? Era a voz de um homem. Mas nĂŁo de Ranta, nem de Kuzaku.

Haruhiro se virou. Ele conseguia ver a luz de uma lanterna ou algum outro tipo de equipamento de iluminação.

AlguĂ©m estava vindo na direção deles, do reino dos demĂŽnios. NĂŁo era apenas uma pessoa. Ele nĂŁo conseguia dizer o nĂșmero exato, mas parecia uma party.

— Ah! — outro homem gritou.

— Hã? — Haruhiro reagiu surpreso. Desta vez, era uma voz que ele reconhecia.

Alguém saiu correndo da party desconhecida e correu na direção deles.

— Ei, ei! Harucchi! Se nĂŁo Ă© meu velho amigo Harucchi! Que dinky-coincidĂȘncia! Ah, foi difĂ­cil de entender?! Quero dizer, uma coinkidink, uma coincidĂȘncia! E que coincidĂȘncia Ă© essa, nĂłs nos encontrarmos aqui! Sou eu, eu mesmo, o pequeno eu! Kikkawa! Yay, yay! Vamos dar uma vivaz para encontros ao acaso! Entendeu?

Eles haviam se encontrado com Kikkawa.


Tradução: ParupiroHPara estas e outras obras, visite o Cantinho do ParupiroH – Clicando Aqui


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