Hai to Gensou no Grimgar – Capítulo 16 – Volume 2

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Hai to Gensou no Grimgar Grimgar of Fantasy and Ash

Capítulo 16: Desejo e Determinação


Houve uma mudança visível – ou melhor, não, uma mudança audível – agora.

Tudo ficou quieto.

Haruhiro e os outros estavam escondidos em um curral vazio, sem pigrats ou pigworms. Era um pouco distante de onde eles achavam que Ranta estava, mas havia um grande alvoroço naquela årea até pouco tempo atrås.

Agora, algo havia mudado. Quase nĂŁo havia som algum.

O que isso indicava?

Ranta havia sido pego ou havia escapado?

Se ele tivesse escapado, poderia muito bem ter subido até o terceiro nível. Esse pensamento de repente ocorreu a Haruhiro, preocupando-o porque ele nunca havia considerado essa possibilidade antes.

Se eu fosse mais inteligente, todos os possĂ­veis resultados viriam Ă  mente, e eu seria capaz de escolher rapidamente aquele com a maior chance de sucesso. Ou serĂĄ que eu seria? Infelizmente, Haruhiro nĂŁo conseguia imaginar a si mesmo sendo tĂŁo inteligente. Ele teria que se contentar com o que tinha.

— Vamos nos mexer. Vamos procurar o Ranta. NĂłs o encontraremos… — Acho que, provavelmente, Haruhiro quase disse, mas ficou em silĂȘncio.

— EstĂĄ tudo bem —, disse Mary, dando-lhe um tapinha no ombro. — Haru, vocĂȘ deve lidar com as coisas da maneira que lhe for mais conveniente.

Sim, sim —, concordou Yume e, em seguida, por motivos que Haruhiro nĂŁo entendia muito bem, deu um tapinha na cabeça dele. — Haru-kun, vocĂȘ Ă© Haru-kun porque ser Haru-kun faz de vocĂȘ Haru-kun.

NĂŁo entendo o que vocĂȘ estĂĄ tentando dizer, ou melhor, parece tĂŁo direto que nĂŁo tem nenhum significado, mas receber um tapinha na cabeça foi agradĂĄvel, embora embaraçoso, entĂŁo, bem, acho que estĂĄ tudo bem.

Moguzo se levantou, pontuando o gesto com um grunhido, como se quisesse se animar.

Shihoru estava respirando fundo para se acalmar.

O grupo entrou em ação.

Primeiro, eles se dirigiram para a ĂĄrea onde achavam que Ranta talvez, potencialmente, estivesse.

Como eu imaginei, nĂŁo hĂĄ muitos kobolds, pensou Haruhiro. Ou, na verdade, nĂŁo hĂĄ nenhum. EstĂĄ tudo quieto.

Silencioso demais.

Enquanto caminhavam por um espaço entre os currais dos pigrats e dos pigworms, Haruhiro teve um mau pressentimento.

NĂŁo importa o que tenha acontecido, nĂŁo Ă© certo estar tĂŁo silencioso. SerĂĄ que o Ranta foi pego pelos kobolds?

Haruhiro sentiu uma forte vontade de gritar o nome de Ranta.

Mas não vou fazer isso. Seria estranho. Embora acho que esse não é o problema, né. Seria uma må ideia elevar a minha voz agora.

Pela expressĂŁo deles, cada um de seus companheiros parecia ter seu prĂłprio pensamento sobre isso. Eles provavelmente nĂŁo estavam imaginando um resultado feliz.

— Ainda não sabemos —, disse Haruhiro em um sussurro, depois refletiu que suas palavras poderiam ter sido um pouco mais fortes.

Se eu fosse dizer alguma coisa, deveria ter dito que tinha certeza de que ele estava vivo. Comigo sĂŁo sempre meias medidas. Fico feliz que meus companheiros me incentivem a ser eu mesmo, mas preciso trabalhar para corrigir meus pontos negativos. SerĂĄ que sou capaz de fazer isso? As pessoas sĂŁo capazes de mudar tĂŁo facilmente?

Aaaaauuuuuuuuuuuuuu….

— Agora mesmo… — disse Mary, parando em seu caminho.

Yume olhou ao redor da área. — Eles nos encontraram?

— Não —, Shihoru abriu bem os olhos, balançando um pouco a cabeça.

Moguzo desembainhou sua espada bastarda e ficou em posição de combate. — Ranta-kun.

Onde? À nossa esquerda? Eu sĂł ouvi o som caracterĂ­stico de kobolds uivando uma vez, mas ele veio daquela direção. Ainda assim, nĂŁo havia muitos deles – ou eu nĂŁo achava que houvesse. No mĂ­nimo, ainda nĂŁo se transformou em um grande distĂșrbio.

O que devo fazer?

Haruhiro começou a correr. — Vamos lá!

EstĂĄ tudo bem? Posso estar colocando todos em perigo. Tenho certeza de que nĂŁo estou cometendo um erro?

Se parecer perigoso, vamos recuar. Sim. Ainda não estamos em uma situação crítica.

Fico frustrado por continuar dando desculpas como essa e arrastando os pés. Quero ser um líder decisivo. Posso me tornar um? Se não posso, não tem jeito, mas não me importaria em parecer um. Quero fingir ser decisivo. Sabe, isso é mais legal em alguns aspectos. Tenho certeza de que isso também tranquilizaria a todos.



LĂĄ.

Estou vendo kobolds correndo.

SĂŁo trĂȘs, talvez quatro. NĂŁo, cinco. SĂŁo cinco. Um anciĂŁo, e os demais parecem trabalhadores. NĂŁo sĂŁo nĂșmeros com os quais precisamos nos preocupar.

Os kobolds estavam perseguindo alguĂ©m. Ou melhor, eles jĂĄ tinham alguĂ©m cercado. Havia um Ășnico humano armado cercado por kobolds.

Esse homem tinha uma espada longa na mão direita e a estava balançando. Ele estava tentando se livrar dos kobolds que o perseguiam, mas não estava indo muito bem.

Ele deu um salto para trås, colocando distùncia entre ele e os kobolds. Ou pelo menos tentou, mas eles logo o alcançaram.

— Ranta…! — Haruhiro gritou.

Ao ouvir isso, Ranta parecia ter visto um fantasma.

NĂŁo, cara, essa frase deveria ser minha, pensou Haruhiro, mas quando pensou nisso, Ranta nĂŁo havia dito nada. NĂŁo Ă© minha frase – Minha o quĂȘ, entĂŁo? Acho que nĂŁo importa. NĂŁo tenho tempo para pensar nisso.

Enquanto Ranta estava parado, depois de ter parado de surpresa, um dos trabalhadores se lançou para cima dele e o empurrou para baixo.

— Whoaa…?! — Ranta gritou.

— Estamos indo salvá-lo agora! — gritou Haruhiro.

Um deles prendeu Ranta. Os outros quatro também estão mirando no Ranta e não estão prestando atenção em nós. Podemos fazer isso.

— Todos atacam! Todos de uma vez! — Quando ele disse isso, Haruhiro já podia ver aquela linha de luz nebulosa. A linha serpenteava da adaga de Haruhiro para um trabalhador e depois para as costas do ancião.

Essa Ă© uma longa linha, pensou Haruhiro.

Mesmo sem pensar ativamente nisso, seu corpo se movia como se estivesse sendo controlado por outra pessoa.

Primeiro, um golpe råpido no trabalhador. Em seguida, ele cravou sua adaga no ancião. Ele não sabia bem como descrever a reação que sentia quando atingia um ponto vital. Era como um aperto no peito.

Sim, eu consegui, ele perceberia quando isso acontecesse.

Enquanto Haruhiro estava fazendo um trabalho råpido em um trabalhador e no ancião, Moguzo estava usando sua especialidade, o Thanks Slash, para cortar um trabalhador. Mary usou seu cajado de sacerdote para atingir outro trabalhador e, em seguida, Shihoru o atingiu com Shadow Beat. Depois que Yume usou um combo em cadeia de Brush Clearer e Diagonal Cross para persegui-lo até um canto, Moguzo usou o Thanks Slash.

— Meu Deus! Maldição! — Ranta ainda estava sendo segurado por um trabalhador.

Haruhiro correu silenciosamente até o trabalhador, agarrou-o por trås e colocou sua adaga sob o queixo dele enquanto o puxava para baixo. Spider.

— Healing! — Mary ajudou Ranta a se sentar e imediatamente começou a curá-lo com magia de luz.

Os ombros de Ranta estavam pesados com a respiração pesada. Ele olhou de lado para Haruhiro. — …NĂŁo chame o nome de um cara assim do nada. Eu quase morri de choque, seu idiota.

Mesmo assim, ele estå em um estado terrível, pensou Haruhiro. Mary começou a curar aquele ferimento no braço esquerdo que parecia bem profundo, mas o rosto dele também estå uma verdadeira bagunça, então é difícil ficar muito bravo com ele.

— Desculpe —, desculpou-se Haruhiro com sinceridade.

Ranta se virou e desviou o olhar.

— Ohhh? — Yume deu a volta na direção em que Ranta estava olhando agora, depois arregalou os olhos. — Ranta, vocĂȘ estĂĄ chorando?

— Não estou!

— Mas seus olhos estão marejados.

— Sim, porque estou com dor por toda parte!

— Não precisa ficar bravo. Somos sortudos por podermos nos ver vivos novamente dessa forma, sabe.

— Eu queria ver vocĂȘs! — disse Ranta, depois seguiu apressadamente:

— N-NĂŁo! NĂŁo, eu nĂŁo queria! Eu nĂŁo queria ver vocĂȘs de jeito nenhum! NĂŁo vocĂȘs, seus perdedores! É que, quando pensei que nunca mais veria o rosto de vocĂȘs, meu peito, meu peito…

— Que histĂłria Ă© essa de seu peito? Parecia que estava sendo despedaçado?

— Cale a boca, tábua!

— Não os chame disso!

— Eu as chamo do que eu quiser! Vou chamá-los assim um milhão de vezes! Tábua, tábua, tábua, tábua, tábua, tábua, tábua, tábua, tábua, tábua, tábua, tábua, tábua, tábua, tábua, tábua, tábua, tábua.

— Ei vocĂȘ! — Mary agarrou Ranta pelo queixo. — Cale a boca e fique quieto. Ou prefere que eu nĂŁo cure vocĂȘ?

Mary estava sem expressĂŁo, com a voz firme. Isso fez com que suas palavras tivessem um impacto ainda maior.

— …N-NĂŁo. — Ranta se endireitou. — …Me desculpe.

— VocĂȘ foi repreendido —, brincou Yume.

Ranta apenas fez uma careta para ela, sem se mexer um centĂ­metro. Ele devia estar com muito medo da Mary.

— …Graças… a Deus… — disse Shihoru, curvando-se no chĂŁo.

Moguzo soltou um suspiro de alĂ­vio, dizendo:

— Sim

De repente, Haruhiro pensou:

Estamos começando a relaxar. É em momentos como esse…

É em momentos como esse que precisamos ser mais cautelosos. Nosso maior inimigo são os erros causados por baixar a guarda.

Haruhiro observou os arredores.

Veja, eles estĂŁo aqui. Eles vieram.

Mais kobolds saltaram de um dos currais Ă  distĂąncia.

HĂĄ dois, nĂŁo, trĂȘs deles? Se for sĂł isso, entĂŁo podemos lidar com eles, mas nĂŁo hĂĄ garantia de que parem em apenas trĂȘs.

— Mary, como está o Ranta? — perguntou Haruhiro.

— Estou quase terminando —, disse ela.

— Vamos sair daqui. Ranta, levante-se. VocĂȘ consegue correr, certo?

— Pode crer que sim! Com quem vocĂȘ acha que estĂĄ falando, seu lixo? — Ranta esbravejou.

Quem vocĂȘ estĂĄ chamando de lixo e que tal uma palavra de agradecimento, cara? Pensou Haruhiro.

Se ele dissesse que nĂŁo tinha pensado nisso, seria uma grande mentira, mas Ranta era Ranta porque ser Ranta fazia Ranta ser Ranta. Com esse pensamento parecido com o de Yume, ele decidiu deixar passar.

Aaaaauuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuu

Como era de se esperar, um dos kobolds uivou, mas Haruhiro e os outros jå estavam correndo para longe. Mesmo assim, eles estavam de volta à fuga novamente, então a situação ainda era perigosa. No entanto, era importante não reagir exageradamente.

— Para o terceiro nĂ­vel! Desculpe, Mary, nĂŁo tenho certeza se me lembro do caminho! VocĂȘ nos levarĂĄ ao poço mais prĂłximo!

— Entendi!

— Ranta, vocĂȘ fica ao lado de Moguzo! VĂĄ na retaguarda!

— Entendi! Mas me irrita ter de seguir ordens de um perdedor como vocĂȘ!

— Pare de reclamar! — Yume estalou.

Yume havia tirado as palavras da boca de Haruhiro, entĂŁo ele conseguiu evitar ficar muito irritado com Ranta.

Quando Mary dava instruçÔes, elas eram precisas e exatas.

De repente, um pensamento ocorreu a Haruhiro. Talvez Mary quisesse voltar para cå. Talvez ela estivesse repassando a estrutura das minas em sua cabeça, repetidamente, para poder voltar.

Mary havia dito que queria superar algo.

SerĂĄ que ela tinha algum assunto inacabado ou algo do gĂȘnero aqui? SerĂĄ que ela estava secretamente esperando que, algum dia, conseguisse realizar o que quer que fosse? Seria uma vingança, como seria de se esperar? Ou era…

Eles chegaram ao poço. Depois de mandar as meninas subirem primeiro, Ranta, Moguzo e, finalmente, Haruhiro subiram a escada de corda.

— Eu nĂŁo vou ficar para trĂĄs de novo, ok? — Ranta reclamou, mas nĂŁo Ă© que Haruhiro nĂŁo confiasse nele, ele sĂł nĂŁo queria correr riscos desnecessĂĄrios.

Os kobolds não os perseguiram até o terceiro nível. Depois de tudo o que aconteceu, eles estavam exaustos, então decidiram descansar em um local onde não havia tantas flores de luz florescendo.

Sim, esse era o plano.

LĂĄ estava escuro. Muito escuro. TĂŁo escuro que eles nĂŁo conseguiam ver nada. Era como uma piscina de escuridĂŁo.

Haruhiro parou.

— …Espere um pouco. Eu ouvi algo, um som.

— …Um som? — Shihoru perguntou, inclinando a cabeça para o lado.

Haruhiro ouviu com atenção.

Ele podia ouvi-lo.

Click, Click.

Clack, clack.

Click, Click.

Era um som silencioso, mas havia algo se movendo.

NĂŁo Ă© um kobold – acho que nĂŁo.

— Espere aqui —, disse Ranta, dando meia-volta e retornando pelo caminho por onde vieram. Ele logo voltou com flores de luz em suas mãos.

Ranta juntou dois ramos de flores de luz e os jogou no meio da escuridão. As bolas de flores de luz rolaram até os pés deles.

Seus pés.

— Oh! Oh…! — Moguzo gritou, recuando. —…F-Fantas…!

— Aah! — Yume gritou, pulou no ar, abraçou Ranta e imediatamente o empurrou para longe. — O que vocĂȘ estĂĄ tentando fazer comigo?!

— Foi vocĂȘ quem se agarrou a mim!

— …Poderiam ser… — Shihoru segurou seu cajado com força, sua respiração acelerou. — …E-Esqueletos…?

— Sim. — Mary deu um passo à frente.

Quando ela bateu no chão com o pomo do cajado, ouviu-se um som nítido quando os anéis do cajado tremeram.

— Eles sĂŁo cadĂĄveres que receberam uma vida falsa e temporĂĄria por causa da maldição do No-Life King. Isso Ă© o que eles se tornam quando apodrecem. Esqueletos.

— NĂŁo pode ser… — Haruhiro ficou em silĂȘncio, sem saber o que dizer.

Na área iluminada pela luz fraca das flores de luz, ele podia ver que aquelas coisas – não, pessoas – eram mais de uma.

Eram trĂȘs.

Cada um deles usava suas próprias armas, armaduras e roupas, mas sua pele exposta – não, não havia pele, era osso. O branco levemente amarelado de seus ossos estava aparecendo.

Um deles usava armadura e carregava uma espada. Outro estava vestido de forma semelhante a Haruhiro, carregando uma adaga. O Ășltimo usava uma tĂșnica de mago e segurava um cajado.

— Faz tempo que não nos vemos —, disse Mary.

Mary estava Ă  frente de Haruhiro, entĂŁo ele nĂŁo conseguia ver o rosto dela.

Que tipo de expressĂŁo Mary tinha agora? Fosse qual fosse, sua voz nĂŁo estava tremendo. Ela falou no mesmo tom que usaria para cumprimentar velhos amigos que estava vendo pela primeira vez em muito tempo.

Provavelmente, ela havia se preparado para isso.

Aqui nas minas Cyrene, Mary havia perdido trĂȘs amigos. Haruhiro nunca a ouvira dizer que voltaria para procurar os corpos. Teria sido impossĂ­vel realizar um culto adequado para eles. Ela nĂŁo teve escolha a nĂŁo ser deixĂĄ-los aqui.

E aqueles que morriam nas terras fronteiriças de Grimgar, apĂłs cinco dias no mĂĄximo, trĂȘs no mĂ­nimo, eram transformados em cadĂĄveres em movimento pela maldição do No-Life King se nĂŁo fossem cremados.

Mary havia previsto que seus antigos companheiros teriam tido esse fim miserĂĄvel.

— Michiki. Ogu. Mutsumi. — Mary chamou cada um de seus nomes e depois disse:

— Sinto muito.

— Preparem-se! — Haruhiro gritou.

Isso porque ele tinha visto Mutsumi, a maga, levantar seu cajado. Mas ela era apenas ossos. Tudo o que restava dela eram ossos, entĂŁo por que ela tinha uma voz?

— …Delm… Hel… Em… — A voz dela era como o som do vento e, honestamente, era assustadora, mas ele nĂŁo tinha tempo para se preocupar com isso.

Mary gritou:

— Esquiva! — e pulou para o lado. Sem perder o ritmo, Haruhiro e os outros tambĂ©m se espalharam para a esquerda e para a direita.

— …Van… Arve…

Havia vento. Um vento incrivelmente poderoso soprou contra ele.

NĂŁo era um vento comum. Era um vento quente.

— EstĂĄ quente…?! — Haruhiro, por reflexo, cobriu o rosto com os braços.

Mesmo assim, acho que nĂŁo estĂĄ quente o suficiente para me queimar. Mas estĂĄ quente. Ainda estĂĄ muito quente. Parece que derreteria meus olhos se eles estivessem abertos. Mas acho que eles nĂŁo vĂŁo derreter.

— Vou usar Dispel para libertá-los dessa maldição abominável! — Ao contrário do habitual, parecia que Mary pretendia se mover ativamente para a frente. — Preciso me aproximar!

Não posso impedi-la, pensou Haruhiro. Mesmo que eu diga a ela para parar porque é perigoso, essa é uma situação que isso não vai funcionar. Preciso deixar a Mary fazer o que ela quiser. Para que isso seja possível, temos que apoiå-la.

— Moguzo, pegue o guerreiro! —, ele chamou. — Ranta, pegue o ladrão!

Com um grito, Moguzo começou a golpear o guerreiro, Michiki.

— Deixe isso comigo! — Da mesma forma, Ranta atacou o ladrão, Ogu.

— Yume! — Haruhiro fez um sinal para Yume com os olhos.

Mary provavelmente estava planejando lançar Dispel em Mutsumi primeiro. Ele e Yume precisavam trabalhar juntos para ajudá-la. Yume imediatamente acenou com a cabeça e lhe deu um — Claro!

— Ohhhhh…!

Ele estava enfrentando um esqueleto, entĂŁo talvez nĂŁo adiantasse muito, mas Haruhiro rugiu enquanto atacava diretamente a Mutsumi. Yume estava bem ali com ele.

Se Mutsumi mostrar qualquer sinal de conjuração, eu preciso me esquivar. A magia que ela usou antes provavelmente foi Hot wind. É um tipo de Magia Arve, eu acho. Magia Arve deve ter muitos feitiços de ataque e destruição, então seria ruim se fîssemos atingidos por um deles.

— …Delm… Hel… Em…

LĂĄ vem ela.

Mutsumi desenhou os sigilos elementais com seu cajado e começou a entoar.

Delm, hel, em. Isso era o mesmo de antes. Era a Magia Arve.

— Fujam!

Haruhiro correu para a esquerda, enquanto Yume soltou um grito engraçado e se jogou para a direita o mais forte que pÎde.

— …Rig… Arve…

O que Ă© isso?

Algo se acendeu. Chamas.

SĂŁo chamas. Uma parede de fogo apareceu na frente de Mutsumi.

— Firewall! — Shihoru gritou de surpresa e começou a entoar um feitiço.

— Ohm, rel, ect, nemun, darsh…!

O feitiço de Shihoru era Shadow Bond. O elemental das sombras se prendeu ao chão, bem na frente de onde Ogu estava indo. Ogu pisou nele e não conseguiu mais se mover.

— Muito bem, Shihoru! — Agora que estava em vantagem, Ranta redobrou seu ataque.

— Hah, hah, hah, hah, hah, hah…! O que…?!

No entanto, Ogu era um ladrĂŁo, assim como Haruhiro. Ele usou sua adaga para desviar a espada longa de Ranta. Ele desviou e desviou.

Teria sido difícil fazer isso contra golpes pesados como os de Moguzo, mas até Haruhiro provavelmente teria conseguido desviar os ataques de Ranta de alguma forma. Talvez o Ranta não conseguisse derrotar o Ogu.

— Murgh! Wahhhh…!

Enquanto isso, Moguzo havia travado as lĂąminas com Michiki. Eles se empurravam ferozmente para frente e para trĂĄs. Moguzo gostaria de usar Wind para girar sua espada em torno da do oponente, mas, como ambos eram guerreiros, cada um conhecia os movimentos do outro, entĂŁo nĂŁo era tĂŁo simples assim. Por enquanto, nĂŁo havia dĂșvida de que Moguzo estava tendo dificuldades.

— O que podemos fazer…?! — Yume estava em pĂ© em frente Ă  parede de fogo.

Mutsumi estĂĄ do outro lado. Por causa das chamas, nĂŁo conseguimos vĂȘ-la.

— O que vocĂȘ quer dizer com o que… — a cabeça de Haruhiro foi jogada para trĂĄs. —Ah…?!

Uma pequena bola de luz atravessou a parede, acertando em cheio o rosto de Haruhiro. Por um momento, ele pensou que estava morto, mas ainda estava perfeitamente vivo. NĂŁo causou mais danos do que um soco, mas doeu mesmo assim.

— Isso foi um míssil mágico?!

— Ahh?! — Parecia que Yume tambĂ©m tinha sido atingida.

Feixes de luz estavam girando ao redor.

Tudo o que Haruhiro podia fazer era se afastar da parede de fogo e se esquivar das gotas de luz. Ele nunca havia percebido que a magia poderia ser usada dessa forma.

Um grunhido veio de trĂĄs dele.

SerĂĄ que pegaram o Moguzo…?

Não, parece que ele se esquivou por um triz. Michiki. Essa técnica.

Haruhiro só viu por um instante, mas serå que Michiki acabou de dar um salto mortal invertido enquanto balançava a lùmina para baixo?

Isso Ă© uma habilidade dos guerreiros? EntĂŁo eles tambĂ©m tĂȘm esse tipo de manobra acrobĂĄtica em suas habilidades?

Moguzo imediatamente tentou contra-atacar, mas Michiki rapidamente deu um salto para trås, colocando-os em pé de igualdade novamente.

Esse guerreiro é durão. Michiki. Suas técnicas ågeis são melhores do que as de Moguzo. Eles também podem ser iguais em termos de força.

Em uma luta individual, ele acabarå levando a melhor sobre Moguzo. Ele jå estå começando a empurrå-lo para trås.

Se Moguzo for derrubado, não restarå ninguém que possa conter Michiki. Podemos ter a vantagem numérica, mas se cairmos um a um, perderemos. Preciso apoiar o Moguzo.

No momento em que Haruhiro pensou isso, Shihoru lançou um feitiço.

— Ohm, rel, ect, vel, darsh…!

Era o Shadow Beat. O elemental das sombras, que parecia uma bola preta de algas marinhas, atingiu o ombro de Michiki. No entanto, foi sĂł isso que ele fez. Michiki pode ter tremido um pouco, mas nĂŁo de forma perceptĂ­vel. Basicamente, isso significava que o Shadow Beat era ineficaz contra esqueletos.

— Shihoru, use o Shadow Bond! — Haruhiro gritou.

No mesmo momento, Ranta gritou:

— Seu feitiço se esgotou aqui!

Quando Haruhiro olhou para o lado, ele viu que Ogu conseguia se movimentar livremente, e Ranta estava encurralado.

A duração do feitiço Shadow Bond deveria ser de aproximadamente 25 segundos. Jå haviam se passado 25 segundos? Não, não parecia ser isso.

Haruhiro não conhecia os detalhes, mas havia muitas coisas que poderiam facilitar ou dificultar o funcionamento de um feitiço e, mesmo quando ele funcionava, aparentemente havia maneiras de enfraquecer o poder ou o efeito dele por meio da força de vontade ou sob vårias condiçÔes.

— Eu estou fazendo isso agora…! Ohm, rel, ect, nemun, darsh…! — Shihoru tentou pegar Ogu com um Shadow Bond novamente, mas talvez tenha sido Ăłbvio demais. Ogu saltou sobre o elemental das sombras no chĂŁo, aproximando-se de Ranta.

Durante todo o tempo, havia gotas de luz saindo de trĂĄs da parede de fogo e, quando elas apareciam, Haruhiro tinha que se esquivar delas, entĂŁo…

O que eu devo fazer…?!

— Mutsumi…! — Mary gritou o nome de sua companheira.

— O quĂȘ? — Haruhiro ficou chocado com o que viu. Espere, Mary…

O que diabos vocĂȘ estĂĄ pensando?

Mary avançou em direção à parede de fogo.

De jeito nenhum.

VocĂȘ vai se queimar.

Se fizer isso, vocĂȘ vai se queimar.

Se ele pudesse detĂȘ-la, ele o teria feito, mas nĂŁo havia como chegar a tempo.

Mary desapareceu alĂ©m da parede de fogo. — Ó luz! Que a proteção divina de Lumiaris esteja sobre vocĂȘ… Dispel!

Ele ouviu a voz de Mary.

Logo, as chamas se enfraqueceram, desaparecendo rapidamente.

Mary estava agachada no chĂŁo.

A seus pĂ©s, havia uma tĂșnica e um chapĂ©u de mago e um cajado rolando no chĂŁo.

Além disso, havia apenas cinzas.

Haruhiro tentou chamĂĄ-la, mas nĂŁo conseguiu encontrar as palavras.

— Estou bem! — Mary se levantou.

Como vocĂȘ estĂĄ bem?

NĂŁo tem como vocĂȘ estar bem.

Seu cabelo estĂĄ levemente chamuscado. Seu rosto estĂĄ um pouco vermelho por ter sido queimado tambĂ©m. Claro, nĂŁo Ă© sĂł isso. Mary acabou de derrubar um companheiro – alguĂ©m que provavelmente era seu amigo tambĂ©m – e ela fez isso com as prĂłprias mĂŁos. NĂŁo hĂĄ como ela estar bem depois disso.

Mas consolĂĄ-la terĂĄ de esperar.

— Yume! Shihoru! Ajudem o Moguzo! — ele chamou.

— Claro!

— C-Certo.

Tendo deixado o apoio ao Moguzo para as duas, Haruhiro tentou ficar atrås de Ogu. Mas, é claro, seu oponente também era um ladrão. Ogu se movia rapidamente, mantendo Ranta sob controle, e nunca deixava de ficar de olho em Haruhiro para que ele não pudesse ficar atrås dele também.

Ele Ă© melhor do que eu, pensou Haruhiro. Os reflexos de Haruhiro nĂŁo eram nada comparados aos de Ogu. Mesmo sendo um esqueleto, suas habilidades devem ser as mesmas que quando estava vivo.

Provavelmente, em uma luta direta, Haruhiro nĂŁo seria capaz de derrotar Ogu. Ele pode ser derrotado facilmente.

Desculpe, Ogu. Peço desculpas por te chamar de Ogu como se fĂŽssemos amigos, mas eu e Mary somos amigos, por isso faço isso. Reconheço que sou mais fraco do que vocĂȘ, Ogu, mas nĂŁo estou sozinho.

— Ranta! —, ele chamou.

— Sim!

Haruhiro trocou de lugar com Ranta. Em momentos como esse, Ranta era estranhamente rĂĄpido em perceber o que ele queria. Ele tinha bons instintos.

Ogu parecia um pouco confuso, como se estivesse procurando por Ranta. Como se dissesse: VocĂȘ estĂĄ vulnerĂĄvel, Haruhiro deu um empurrĂŁo em Ogu.

Ogu usou Swat. Em seguida, ele tentou um contra-ataque, entĂŁo, dessa vez, Haruhiro usou o golpe Swat. Quando ele atacava, o oponente usava o Swat, quando o oponente atacava, ele usava o Swat.

Quando ele usou o Swat pela quarta vez, Haruhiro levou um susto. Ogu mudou o Ăąngulo de sua adaga, fazendo com que Haruhiro quase nĂŁo conseguisse desviĂĄ-la.

Como ele havia pensado, Haruhiro nĂŁo poderia vencer Ogu. Ele nĂŁo precisava.

Haruhiro deu um passo Ă  frente, empurrando sua adaga para frente.

Swat era puramente uma técnica para afastar ataques inimigos, uma habilidade defensiva. Então, por um momento, o usuårio tinha que focar toda a atenção no ataque do oponente. Com a pråtica, se tornava um reflexo, quase automåtico. Talvez até mesmo quando não deveriam.

Ogu usou Swat na adaga de Haruhiro.

— Peguei…! — Naquele exato momento, Ranta surgiu na diagonal por trĂĄs de Ogu, acertando a perna direita dele com a espada longa.

Honestamente, Haruhiro estremeceu.

NĂŁo combinamos nada disso, entĂŁo, Ranta, cara, estou impressionado que vocĂȘ fez isso. Na verdade, Ă© meio assustador.

— Ogu…!

Quando a perna de Ogu se partiu em duas e ele não conseguiu mais ficar de pé, Mary correu até ele.

— Ó luz! Que a proteção divina de Lumiaris esteja sobre vocĂȘ… Dispel!

Era normal que ele estivesse observando ou deveria desviar o olhar? Haruhiro nĂŁo sabia.

De toda maneira, ele presenciou Ogu ser envolto pela luz e, no instante seguinte, seu corpo, ou mais especificamente, seus ossos, se desfazerem completamente. Haruhiro experimentou uma dor profunda no peito. Até teve a sensação de que poderia chorar.

Como foi Mary, que jå havia sido sua companheira, quem libertou Ogu de sua maldição, ele pensou que talvez isso fosse uma coisa boa. Mas, de outra forma, ele sentiu que não era nada bom. Era cruel demais para Mary.

Mary se ajoelhou, pegando nas mĂŁos as cinzas que haviam sido de Ogu. Mesmo quando ela as agarrou, elas escaparam de seus dedos.

Mary olhou para baixo, abaixando a cabeça. — Agora Ă© sĂł Michiki.

— Ei! — NĂŁo ficou claro o que Ranta estava pensando, mas ele apontou sua espada longa para Mary. — VocĂȘ nos tem com vocĂȘ agora! NĂŁo se esqueça disso!

NĂŁo, Haruhiro entendeu o que ele estava tentando dizer. Mas provavelmente havia maneiras mais educadas, ou mais precisas, de dizer isso, e por que ele estava apontando uma espada para ela?

Bem, independentemente disso, Mary ergueu o rosto e disse:

— Sim. — Ela atĂ© sorriu ao fazer isso, entĂŁo talvez estivesse tudo bem.

— Haruhiro-Kuan! — Shihoru gritou.

— Vamos lá! — Haruhiro se virou para encarar Michiki.

Michiki estava lentamente encurralando Moguzo. Parecia que nem Yume nem Shihoru podiam fazer muita coisa. Se Moguzo pisasse em um Shadow Bond, seria um desastre, entĂŁo talvez fosse difĂ­cil.

— Ranta está entrando em ação! — Ranta atacou o flanco de Michiki.

Michiki desviou facilmente o golpe com sua espada, mas isso permitiu que Moguzo, que estava em uma situação muito ruim, recuperasse o fÎlego.

Haruhiro decidiu mirar nas costas de Michiki.

Michiki Ă© mais observador que Moguzo, mas nĂŁo Ă© um Ogu. Ranta continua atacando sem hesitar, e Moguzo pode ser bastante habilidoso e Ă© bom em trabalhar em sincronia com seus companheiros. NĂłs podemos fazer isso.

–Aqui.

Agora Ă© a hora.

Haruhiro agarrou Michiki por trĂĄs. Ele era sĂł ossos, entĂŁo cutucĂĄ-lo e esfaqueĂĄ-lo com a adaga nĂŁo ia adiantar nada.

Ele o pegou pelo pescoço. Envolvendo-o com os dois braços, arrancou o crùnio de Michiki da coluna vertebral. Logo depois disso, a espada bastarda de Moguzo bateu no braço direito de Michiki.

— Hungh…!

A mĂŁo direita e a espada de Michiki voaram pelo ar.

— Ó luz! Que a proteção divina de Lumiaris esteja sobre vocĂȘ…

Mary estava chegando.

Ela levou os cinco dedos à testa, formando um pentagrama. Depois, pressionando o dedo médio na testa, ela completou o símbolo de Lumiaris, o hexagrama.

Mary apontou a palma da mĂŁo para Michiki. — Dispel…!

A luz era brilhante, mas de alguma forma parecia triste. Michiki se desfez nos braços de Haruhiro.

A maneira como apenas as coisas que ele estava carregando e suas cinzas foram deixadas para trĂĄs, Ă© muito cruel.

No entanto, o mesmo aconteceu com Manato. É a mesma coisa para todo mundo. Quando vocĂȘ morre, Ă© isso que acontece. No final, morrer Ă© isso.

Quando a luz se dissipou, Haruhiro caiu no chĂŁo. Ele nĂŁo conseguia dizer nada. NĂŁo conseguia pensar em nada. Nada lhe vinha Ă  mente.

Mary se agachou na frente do que antes era Michiki. Moguzo e Ranta ficaram parados. Yume também. Shihoru segurava seu chapéu, com os ombros erguidos por uma respiração difícil.

— …Acabamos com eles, — disse Ranta.

— Sim, — disse Mary, pegando as cinzas de Michiki e fechando os olhos. — Acabou. Finalmente estĂĄ feito. Eu fiz o que tinha que fazer. NĂŁo teria conseguido sem todos vocĂȘs. Obrigada.

— Ele era forte —, disse Moguzo, suspirando. — Ele era forte, aquele Michiki. Eu tambĂ©m preciso ficar mais forte.

Shihoru assentiu com a cabeça:

— …Quero mais poder de fogo. Quero aprender novos feitiços. Eu preciso…

— Humm —, Ranta ficou pensativo. — Talvez eu desenvolva meu próprio super ataque, um que seja bom o suficiente para mim.

LĂĄ vai ele de novo, falando besteiras.

— Yume quer tentar criar um cão-lobo —, disse Yume. — Por uma moeda de ouro, eles a deixarão ter um filhote. Mas parece que leva muito tempo para eles crescerem.

— …O que vocĂȘ farĂĄ com ele atĂ© lĂĄ? — Haruhiro tentou perguntar, sĂł para ver a resposta dela.

Yume inclinou a cabeça para o lado. — Ele não vai se apegar se não estiver com a Yume, então talvez ela tenha que tentar colocá-lo no bolso e carregá-lo assim, hein.

— SerĂĄ que vai caber? Em um bolso…? — perguntou Mary.

Yume tocou seu bolso da frente. — Mmm, não sei. Talvez seja um pouco difícil de caber. Talvez a Yume devesse comprar uma bolsa para carregá-lo.

Ranta, apesar de ser Ranta, e por ser Ranta, não tendo esse direito, ficou chocado. — Escuta, isso vai ser realmente pesado.

— A Yume Ă© quem vai carregĂĄ-lo, entĂŁo estĂĄ tudo bem. Ah, jĂĄ vou avisando que a Yume nunca vai deixar vocĂȘ tocar nele, Ranta.

— Por que nĂŁo? — questionou ele. — VocĂȘ poderia me deixar acariciĂĄ-lo, pelo menos. Se eu o acariciar, com certeza ele crescerĂĄ forte.

— Não vai!

— Ele vai sim!

— Vai! Não!

— Ele vai!

— Uh-uhun, de jeito nenhum!

— Ele vai ficar muito forte, sua idiota!

— HĂĄ um ditado que diz que nĂŁo se deve contar com as galinhas… — Haruhiro disse com uma risada irĂŽnica e depois suspirou.



(NT: VocĂȘ nĂŁo deve fazer planos baseados na expectativa de algo bom acontecer antes de ter certeza.)



— Ah, tanto faz.

Temos que ficar mais fortes, hein.

Ficar mais forte.

O que isso significaria para Haruhiro?

Ele tinha desenvolvido diversas habilidades, porém não acreditava que poderia se tornar muito mais forte apenas dessa maneira. Ele percebia que, por mais que treinasse o Backstab e o Spider, havia limites. Além disso, era crucial aumentar sua própria força, mas talvez, ao se desenvolver como líder, pudesse potencializar o poder da party como um todo. Mesmo assim, essa melhoria provavelmente não seria claramente perceptível.

No fim das contas, talvez um papel mais simples fosse o ideal para Haruhiro.

— Mary —, disse ele.

— O quĂȘ?

— VocĂȘ estĂĄ bem? NĂŁo quer, vocĂȘ sabe… trazer uma lembrança, ou algo assim?

— Ah —, os olhos de Mary se arregalaram um pouco, como se tivesse sido pega de surpresa. — Isso nĂŁo tinha passado pela minha cabeça. Vamos ver. Sim, trarei algo de volta. Quando voltarmos para Altana, terei de contar ao Hayashi tambĂ©m.

— Sim. VocĂȘ deve contar. Tenho certeza de que Hayashi-san ficarĂĄ aliviado ao ouvir isso.

— Espero que sim.

Mary começou a examinar o equipamento que Michiki havia deixado para trås. Haruhiro chegou perto de sugerir que ela curasse seus ferimentos, mas pensou melhor. Mary estava verificando com carinho as coisas que Michiki, Ogu e Mutsumi haviam deixado para trås. Ele achava que seria errado perturbå-la.

— …Hoje foi muito cansativo —, murmurou Shihoru.

Yume gentilmente balançou os braços em círculos, dizendo:

— Verdade.

— NĂŁo terminou ainda —, disse Haruhiro, advertindo-as severamente. — NĂŁo podemos nos acalmar atĂ© voltarmos para Altana. Mas acho que nĂŁo devemos nos deparar com mais nada.

— Eu não teria tanta certeza —, disse Ranta, sorrindo.

Pare com isso. NĂŁo seja assim. Quando vocĂȘ diz coisas desse jeito, Ă© assim que nos envolvemos em situaçÔes como essa.

Um calafrio percorreu sua espinha.

Haruhiro se virou.

— -Dea…

— Huh? — Ranta tambĂ©m se virou. — Oh…

Moguzo disse:

— Isso Ă© ruim.

— Hã? — disse Yume, com a cabeça nas nuvens.

Shihoru soltou um gritinho curto.

— De jeito nenhum… — disse Mary, as palavras escapando sem que ela quisesse.

Por quĂȘ?

Por que agora, de todas as vezes?

Teria sido um problema a qualquer momento, mas agora era demais.

— Corram… — Foi tudo o que Haruhiro conseguiu dizer.

Ele estĂĄ aqui. EstĂĄ chegando. EstĂĄ realmente chegando. SĂ©rio? Por favor, pare. Por quĂȘ? O que estĂĄ acontecendo?

< span style="font-family: Times New Roman, serif;">Ele possuía uma pelagem manchada de preto e branco, com um corpo enorme que parecia ser quase grande demais para pertencer a um kobold. Em suas mãos, ele segurava uma espada que se assemelhava a uma faca de trinchar, porém era grossa e bem grande.

Death Spots.

O Death Spots ofegava descontroladamente, com sua saliva pingando e se espalhando por toda parte enquanto avançava sobre eles, com um brilho severo em seus dois olhos vermelho-sangue.

Ele tinha trĂȘs servos que pareciam anciĂŁos seguindo-o, cada um deles usando armaduras e capacetes e carregando espadas e escudos redondos.

Isso nĂŁo Ă© bom. NĂŁo hĂĄ como vencermos isso.

Mas, e se nos virarmos para fugir? Não, isso também não é bom.

Se mostrarmos nossas costas, eles nos matarĂŁo em pouco tempo.

NĂŁo quero lutar contra eles, mas temos de fazĂȘ-lo. Se vamos lutar com eles, nĂŁo posso pensar em perder.

Temos de vencer. O que podemos fazer para vencer?

— Desculpe, Moguzo, mas vocĂȘ fica com o Death Spots! — gritou Haruhiro. — O resto de nĂłs cuidarĂĄ dos outros!

Ele não conseguia ouvir as respostas de todos. Haruhiro estava em pùnico. Alguém poderia culpå-lo? Por enquanto, eles tinham que eliminar os servos o mais råpido possível. Tudo começava com isso.

— Ohm, rel, ect, nemun, darsh…! — Shihoru disparou um feitiço Shadow Bond, parando um servo em seu caminho. Graças a isso, Haruhiro se acalmou um pouco.

— Ranta, vocĂȘ fica com um…! Eu e a Yume vamos pegar o outro…!

— Pode deixar!

— Nyaa!

— Eu tambĂ©m vou! — Mary veio com Haruhiro e Yume, com o cajado de sacerdote na mĂŁo. Haruhiro estava prestes a impedi-la, mas depois reconsiderou.

Até matarmos os servos, talvez eu devesse deixar a Mary vir conosco na frente. Quando os servos forem abatidos, eu a farei recuar. Sim. Vamos fazer isso.

— Obrigado…! — Moguzo usou toda a sua força em um Thanks Slash, mas o Death Spots o derrubou facilmente usando sua arma. Logo depois, ele partiu imediatamente para o contra-ataque. Foi uma sĂ©rie violenta de golpes, com a espada golpeando Moguzo.

Gritando a cada vez, Moguzo estava de alguma forma conseguindo impedir os golpes, mas se falhasse, mesmo uma vez, parecia que o golpe seria fatal, mesmo usando sua armadura.

Haruhiro estava assustado, mas deve ter sido ainda mais assustador para Moguzo.

Ele estĂĄ resistindo ao terror para bloquear os ataques. De alguma forma, precisamos encontrar uma maneira de aproveitar o tempo. NĂŁo, nĂŁo de alguma forma. NĂłs com certeza faremos isso.

Dois servos ignoraram o Death Spots que lutavam contra Moguzo e correram em direção de Haruhiro e os demais.

— Hatred…! — Ranta avançou em direção ao Servo C, fazendo-o vacilar.

— Vou cuidar desse! — Haruhiro passou por Yume, correndo na direção do Servo B. Mesmo assim, ele não pretendia atacá-lo.

O Servo B balançou sua espada.

Swat.

Ele a desviou com sua adaga.

Enquanto ele desviava e desviava e desviava, Yume e Mary se moveram para os lados do Servo B para flanqueĂĄ-lo.

— Diagonal Cross!

— Smash!

Yume e Mary atacaram simultaneamente de ambos os lados. O Servo B bloqueou com sua espada e escudo, mas sua postura foi quebrada.

Agora. Haruhiro ficou atrĂĄs do Servo B e usou Spider.

Agarrando-o por trås, ele levantou a proteção facial do capacete e cravou a adaga no olho direito. Ele girou a adaga, puxou-a para fora e saltou para longe.

O Servo B ainda estava respirando, entĂŁo Mary deu um golpe violento com seu cajado e Yume o chutou para o chĂŁo com um grito.

O Servo B nĂŁo estava se levantando. Faltavam mais dois.

Ele deveria ir para o Servo A, que estava preso pelo Shadow Bond, ou para o Servo C, que Ranta estava segurando?

Haruhiro se dirigiu ao Servo A sem hesitar. Yume e Mary o acompanharam. O Servo A nĂŁo podia se mover, entĂŁo seria fĂĄcil.

Com Yume e Mary chamando sua atenção, Haruhiro deu a volta por trås dele. Spider. Ele o eliminou da mesma forma como fez com o Servo B e depois seguiu para o Servo C.

Mas, e o Moguzo? Parece que ele estĂĄ passando por um momento muito difĂ­cil. Agora mesmo, quando bloqueou a espada do Death Spots com sua espada bastarda, parecia que seus joelhos iam se dobrar. Ele conseguiu se recuperar, mas nĂŁo pode mais resistir sozinho desse jeito.

— Eu posso lidar com esse cara sozinho! — Ranta gritou.

Haruhiro nĂŁo hesitou. — Estou contando com vocĂȘ!

Eu vou acreditar. Em meus companheiros.

— Mary, afaste-se! — ordenou Haruhiro. Yume e ele se posicionaram ao lado e atrĂĄs do Death Spots para pressionĂĄ-lo. Mas, em vez de pressionĂĄ-lo…

O que Ă© isso? Por que ele parece tĂŁo intimidador?

O Death Spots estava de costas para Haruhiro. NĂŁo estava nem mesmo dando uma olhada em sua direção. Apesar disso, ele nĂŁo tinha ideia de como atacar. NĂŁo importava como ele atacasse, ele tinha a sensação de que seria inĂștil.

Quer fosse inĂștil ou nĂŁo, ele tinha que fazer isso.

É isso mesmo. Ele tinha que fazer.

Haruhiro tentou dar um Backstab. Esse era o plano. No entanto, quando se deu conta, estava deitado no chĂŁo.

O quĂȘ?

Talvez, quando tentei me aproximar por trĂĄs, o Death Spots tenha me chutado, ou algo assim?

É confuso, mas consigo lembrar que isso aconteceu. Como está o meu corpo? Haruhiro se ergueu. Sinto um pouco de dor aqui e ali, e estou um pouco tonto. Não tenho certeza, mas provavelmente estou bem.

— Toma essa, e essa, e mais essa, e essa, e essaaaa…! — Ranta gritou, derrubando a espada e o escudo do Servo C com um ataque combinado mais rĂĄpido do que os olhos podiam acompanhar. Apesar de parecer forçado, ele estava obtendo resultados com o golpe.

Em seguida, Ranta derrubou o capacete do Servo C com a ponta de sua lĂąmina e, finalmente, enterrou sua espada longa profundamente em sua garganta. — Wahaha! Um vĂ­cio…!

Mesmo em uma situação como essa, ele estå preocupado com o maldito do vício? Preciso questionar sua humanidade, mas ainda assim ele é confiåvel.

— Agora só falta o Death Spots! — Haruhiro disse corajosamente, alto o suficiente para que todos pudessem ouvir. Ele queria encorajar os outros o máximo que pudesse.

No entanto, ele também duvidava que conseguisse.

O Death Spots estava uivando:

— Awoogahahaha! Awoogahahaha! Awoogahahahahah! — enquanto dominava Moguzo por completo.

Haruhiro, Yume e até mesmo Ranta queriam ajudar Moguzo, é claro. Mas eles não conseguiam se aproximar o suficiente.

Por que nĂŁo? SerĂĄ que Ă© por causa dessa aura intimidadora? SerĂĄ que o motivo Ă© algo tĂŁo vago e indefinido como isso?

NĂŁo.

Eram os movimentos do Death Spots eram extremamente dinùmicos, parecendo que suas pernas tinham molas quando ele se movia balançando sua espada. Ele nunca parava de se mover, dificultando assim a concentração no alvo.

Ainda assim, ele deve ter hĂĄbitos e padrĂ”es que segue, certo? Se eu pudesse aprendĂȘ-los…

NĂŁo, nĂŁo tenho tempo para me acalmar assim.

— Ohm, rel, ect, vel, darsh…! — Shihoru lançou Shadow Beat.

Seu timing parecia perfeito, mas nĂŁo teve sorte, hein?

Death Spots balançou sua espada com um latido, cortando facilmente a massa negra semelhante a algas marinhas do elemental das sombras e fazendo-a desaparecer.

No entanto, por um instante, isso criou uma abertura, embora nĂŁo merecesse ser chamada de abertura.

— Guh…!

Moguzo, que estava na defensiva todo esse tempo, passou para a ofensiva.

Ele jĂĄ estava começando a se cansar, e devia ter levado alguns ferimentos tambĂ©m, mas se deixasse o Death Spot atacar por muito mais tempo, estava garantido que sua defesa seria quebrada. Ele nĂŁo tinha escolha a nĂŁo ser correr um grande risco. Foi isso que Moguzo deve ter decidido. Haruhiro nĂŁo achava que ele estava errado. Era claramente a Ășnica opção. Mas, mesmo que ele fizesse…

— Gwoohahah…!

O Death Spots derrubou a espada bastarda de Moguzo não com sua espada semelhante a uma faca de trinchar, mas, surpreendentemente, com seu braço esquerdo.

Que diabos foi isso? Como isso Ă© justo?

Haruhiro ficou perplexo, mas isso nĂŁo deve ter sido nada comparado ao choque que Moguzo havia sentido. Na verdade, mesmo que ele nĂŁo tivesse ficado chocado, o resultado teria sido o mesmo.

Com um — Gahwahahh…! — Death Spots golpeou sua espada no ombro esquerdo de Moguzo. A espada rasgou sua armadura, afundando muito mais fundo do que sua clavĂ­cula.

— Moguzooooo…! — Ranta pulou em direção aos Death Spots.

VocĂȘ estĂĄ louco. Isso Ă© muito imprudente.

Ranta quase foi cortado em dois pelo golpe de retorno do Death Spots, mas ele gritou e se abaixou, fazendo com que o golpe nĂŁo o atingisse por um fio de cabelo.

Mesmo assim, isso foi bom. Graças a isso, Moguzo conseguiu rolar para longe do Death Spots. No entanto, ele estå sangrando muito e parece ser um ferimento grave.

— Mary, cure o Moguzo…! — Haruhiro nĂŁo precisava ter dito nada. Mary jĂĄ estava tentando curar o Moguzo.

Tempo. Tenho que ganhar tempo para ela.

Em algum momento, Yume preparou seu arco e flecha. — Ali! — ela disparou. De relativamente perto.

Ela acertou. Ela atingiu o Death Spots no flanco. O Death Spots uivou de raiva, virando-se para encarar Yume.

— NĂŁo desvie o olhar de mim…! — Ranta atacou. Mas o Death Spots desviou facilmente a espada longa de Ranta com sua espada, lançando um ataque feroz contra Yume.

Yume, Ă© claro, fugiu. — Assustador, assustador, assustador…!

Ela largou o arco e usou sua habilidade Pit Rat para rolar e tentar fugir.

Haruhiro estava perseguindo o Death Spots, mas nĂŁo podia fazer nada. Ou melhor, ele nĂŁo conseguia nem mesmo acompanhar o Death Spots.

— Droga! — ele gritou.

— Ó escuridĂŁo, Ăł Senhor do VĂ­cio…! — Ranta entoou um feitiço. — Demon Call…!

Sabe-se lå de onde, surgiu algo que parecia um torso humano roxo e negro, sem cabeça. Ele tinha dois olhos parecidos com buracos e, embaixo deles, uma boca parecida com um chiclete. Era o demÎnio Zodiac-kun.

— Agora vá, Zodiac-kun! — ele gritou.

— …NĂŁo quero… De jeito nenhum… Keehehehe… Keehehehehehehe… Eehehehehehehehehe…

— Tch, sim, nĂŁo pensei que isso fosse acontecer…

Que merda vocĂȘ estĂĄ fazendo, cara? Isso Ă© uma emergĂȘncia. Haruhiro estava enojado demais para falar. NĂŁo que ele tivesse tempo para falar agora.

— Agh…! — Yume levou um chute do Death Spots e foi mandada voando.

— Arrg! Vamos lĂĄ, maldito…! — Ranta agarrou Zodiac-kun pelo braço e arrastou o demĂŽnio com ele.

Ele também é capaz de fazer coisas assim?

EntĂŁo Ranta jogou Zodiac-kun no Death Spots. — Pegue isso…!

(Maldito seja vocĂȘ… Maldito seja vocĂȘ, maldito sejaaaaaaaaaaaaa…)

Zodiac-kun colidiu com Death Spots – ou melhor, acabou se agarrando ao rosto dele. O Death Spots puxou o demĂŽnio e o jogou longe em pouco tempo, mas, durante esse tempo, Ranta estava se aproximando. — Anger…!

Ele foi para o pescoço. Mas o Death Spots se torceu para sair do caminho, o que significa que a espada longa de Ranta só raspou alguns centímetros de seu pescoço, incluindo o pelo. Dito isso, ainda assim foi um golpe. O sangue não jorrou, mas houve um sangramento.

Legal, pensou Haruhiro. Este nĂŁo Ă© um inimigo imbatĂ­vel. NĂłs podemos vencĂȘ-lo. Se fizermos tudo certo, podemos lutar contra ele. Talvez atĂ© conseguimos vencer.

Ele sĂł se sentiu assim por um breve momento.

— Fshrrruuuuuuuuuuuuuuuuuu…! — A cor dos olhos do Death Spots mudou. Ele tinha um brilho em seus olhos que era completamente diferente de antes.

— Uwaah…!

Ranta foi pulverizado em um instante.

Mas, agora mesmo – o que aconteceu?

Haruhiro nĂŁo tinha sido capaz de ver.

O que quer que tenha acontecido, deixou Ranta nocauteado e ensanguentado. O Death Spots está erguendo aquela espada – será que está planejando acabar com o Ranta?

Algo está agarrado ao braço da espada. É de cor roxa escura e os olhos de Haruhiro se arregalaram.

— Zodiac-kun…?!

— Keehehehe… Keehehehehehehehehe… Eekekekekekekeke… Keehehehehehehehehehehe…!

Com um latido, o Death Spots agarrou Zodiac-kun e, como se dissesse VocĂȘ estĂĄ no caminho, bateu o demĂŽnio contra o chĂŁo. Zodiac-kun desapareceu com um assobio, como se estivesse evaporando, mas, graças ao demĂŽnio, Ranta sobreviveu.

O Death Spots brandiu sua espada contra Ranta.

Quando isso aconteceu, Moguzo saltou, gemendo de esforço ao parar o golpe com sua espada bastarda.

Se Zodiac-kun nĂŁo estivesse lĂĄ, ou nĂŁo tivesse interferido com o Death Spots, o que teria acontecido? Provavelmente, Moguzo nĂŁo teria conseguido. Zodiac-kun salvou Ranta.

Shihoru tinha acabado de ajudar Yume a se levantar, mas Yume ainda estava segurando a barriga. Parecia que ela estava sentindo muita dor.

Mesmo quando Moguzo foi empurrado pelo Death Spots, ele estava tentando afastĂĄ-lo de Ranta, que havia caĂ­do e nĂŁo conseguia se mover.

— O Death Spots fica mais forte quanto mais ele Ă© ferido! — Mary gritou, correndo atĂ© o Ranta. — Haru! Vou ficar sem magia logo! Mais duas vezes, trĂȘs se eu forçar, esse Ă© o meu limite!

Haruhiro inalou bruscamente e cerrou os dentes.

Moguzo… Mesmo com Mary curando seus ferimentos, ela nĂŁo restaura sua energia. Ele jĂĄ estĂĄ com falta de ar.

Quanto mais o ferimos, mais forte ele fica? Quanto mais conseguirmos encurralĂĄ-lo, mais difĂ­cil serĂĄ para nĂłs, que jĂĄ estamos encurralados? Que diabos Ă© isso? O que podemos fazer a respeito?

NĂŁo hĂĄ nada a fazer.

Fugir.

É tudo o que podemos fazer.

Mas serĂĄ que podemos fugir? Se pudĂ©ssemos fugir, jĂĄ terĂ­amos feito isso no inĂ­cio. NĂŁo, no começo ele tinha trĂȘs servos, entĂŁo a situação mudou. Agora Ă© apenas o Death Spots. Ainda assim, serĂĄ que todos nĂłs podemos fugir em segurança?

Caso ele nos persiga, Ă© certo que nos alcançarĂĄ. Se ele nos atacar por trĂĄs, nĂŁo teremos chance. Seria questĂŁo de segundos para que ele matasse um de nĂłs. Se alguĂ©m morrer em questĂŁo de segundos, outros seguirĂŁo – NĂŁo, nĂŁo Ă© uma boa ideia. Devemos correr juntos. Esse Ă© o meu desejo, mas nĂŁo Ă© viĂĄvel. TerĂ­amos que sacrificar alguns de nĂłs e, mesmo que conseguĂ­ssemos escapar, serĂ­amos poucos, no melhor dos casos. Na pior das hipĂłteses, serĂ­amos todos dizimados.

Uma pessoa. No mĂ­nimo, uma pessoa precisa ficar para trĂĄs. Uma pessoa atrasarĂĄ o Death Spots. Literalmente, colocando sua vida em risco. Essa pessoa morrerĂĄ. Se uma pessoa morrer, os outros cinco poderĂŁo viver.

É a Ășnica opção. Eu sei disso. NĂłs faremos isso. Enquanto eu estiver agonizando com isso, o Moguzo pode ser derrubado. Se isso acontecer, estamos acabados. SerĂĄ um massacre. Todos morrerĂŁo. Seremos eliminados. NĂŁo posso deixar isso acontecer.

Tenho de matar uma pessoa. Para salvar cinco. Mas, quem será? Quem vai atrasar isso? Tenho que dizer isso a ele? “Todo mundo vai correr, então cuide dessa coisa enquanto corremos. Por favor, morra.” Para, digamos, Moguzo, por exemplo?

— Okay! — Ranta se levantou. Parecia que ele estava curado.

Haruhiro fechou os olhos. — …Me desculpem, pessoal.

Por ser um líder tão patético.

NĂŁo consigo fazer mais do que o que estĂĄ dentro dos meus limites.

Haruhiro subiu nas costas do Death Spots e o agarrou por trĂĄs enquanto ele tentava esmagar o Moguzo no chĂŁo. Ele conseguiu fazer isso com uma facilidade surpreendente, mas nĂŁo o suficiente para ser decepcionantemente fĂĄcil.

Porque eu jĂĄ me resolvi e nĂŁo sinto mais medo, Ă© isso? NĂŁo importa.

Death Spots tentou se livrar de Haruhiro.

NĂŁo vou deixar vocĂȘ fazer isso. NĂŁo vou deixĂĄ-lo ir.

Agarrado desesperadamente, Haruhiro bateu na cabeça de Death Spots com o punho de sua adaga. Ele bateu de novo, e de novo. Enquanto fazia isso, gritava:

— Moguzo, Ranta! Mary, Yume, Shihoru! Enquanto eu o seguro! Fujam!

— M-M-Mas…! — alguĂ©m disse, Moguzo, ele pensou, mas nĂŁo tinha certeza.

— VĂŁo…! — Haruhiro estava frenĂ©tico. Ele atacou o Death Spots de forma violenta com sua adaga, repetidamente.

O Death Spots ainda era um kobold e sua estrutura corporal o tornava ainda menos capaz de colocar os braços atrås das costas do que um humano. Mesmo assim, ele estava conseguindo golpear Haruhiro com os cotovelos ou algo assim. Não parecia que seria capaz de cortå-lo com a espada, mas conseguiu acertar Haruhiro nas costas e na cabeça.

Ah, Droga. Sinto que vou choramingar. Parece que vou perder o controle antes mesmo de começar a choramingar. Mas não vou soltar.

— Vão fazer com que a minha morte seja em vão?! — gritou ele. — Eu não vou conseguir! Veja como estou machucado! Estou destruído! Por favor, corra! Vamos, estou implorando!

— Vamos! — Ranta gritou.

Oh, Ranta.

Isso Ă© bom, vocĂȘ ser assim. Esse Ă© o Ranta que eu conheço. EstarĂ­amos em sĂ©rios problemas sem vocĂȘ na party. Continue arrastando todos com vocĂȘ dessa forma. É algo que sĂł vocĂȘ pode fazer. Estou contando com vocĂȘ.

Por um instante, Haruhiro viu Yume olhando para ele. No entanto, o corpo de Yume estava virado para o outro lado – ela havia acabado de virar a cabeça para trĂĄs para olhar. Ela estava se preparando para ir embora. Ele se sentiu aliviado. Se Yume fugisse, ele tinha certeza de que Shihoru tambĂ©m fugiria.

Yume, quando vocĂȘ acariciou minha cabeça, fiquei muito feliz. Shihoru, nĂŁo arraste suas lembranças do Manato por muito tempo.

— Haru! — Mary gritou seu nome. VĂĄ. Por favor, vĂĄ. Sabe, acho que comecei a gostar de vocĂȘ, e quero que vocĂȘ continue vivendo, Mary, entĂŁo, por favor, apenas vĂĄ.

Ele podia ouvir o rugido de Moguzo, sua voz se esvaindo na distĂąncia.

Ele podia ouvir o rugido de Moguzo, sua voz se perdendo ao longe.

Isso Ă© bom, pensou Haruhiro. Corra, Moguzo. VocĂȘ Ă© forte. Sem dĂșvida, vocĂȘ tem ficado mais forte. Vai ficar ainda mais forte. Moguzo, vocĂȘ Ă© o nĂșcleo do grupo. Todos nĂłs dependemos de vocĂȘ, podemos dizer isso.

Mas, nĂŁo Ă© mais “nĂłs”, nĂŁo Ă©?

Porque nĂŁo farei mais parte do grupo.

Estou completamente sozinho agora.

NĂŁo havia como evitar isso, eu mesmo tomei a decisĂŁo.

NĂŁo poderia ter feito outra escolha. Nunca teria pedido a nenhum de vocĂȘs para morrer por mim. Se fosse necessĂĄrio, preferiria morrer sozinho.

Tenho certeza de que isso estĂĄ sendo difĂ­cil para todos vocĂȘs. VocĂȘs nĂŁo querem me sacrificar para sobreviver, nĂŁo Ă©? NĂŁo quero que pensem assim, mas sei que vĂŁo pensar, nĂŁo Ă©?

Apesar disso, eu quero que vocĂȘs superem isso. NĂŁo sei como expressar, mas, a menos que vocĂȘs consigam superar, nĂŁo terĂĄ valido a pena eu ter realizado essa proeza estĂșpida.

Michiki. Ogu. Mutsumi.

Se eu morrer aqui, terei o mesmo destino que vocĂȘs?

Se isso acontecer, espero que Mary lance Dispel em mim. Por favor, me transformem em cinzas. Quando isso acontecer, serå que alguém vai entrar no grupo e ocupar o meu lugar?

Sabe, de alguma forma… Isso me faz sentir incrivelmente solitĂĄrio e triste. Eu gostaria de nĂŁo ter imaginado isso. Mas, talvez, eu estivesse no meu limite.

Haruhiro sentiu seu corpo flutuando no ar.

Uh oh.

Ele se soltou.

Ele havia se soltado do Death Spots.

Ele caiu no chĂŁo. O Death Spots estava se preparando para fugir. Ele nĂŁo ia matar Haruhiro? SerĂĄ que ele planejava deixar o Haruhiro meio morto para trĂĄs e perseguir o resto do grupo?

NĂŁo. NĂŁo, nĂŁo, nĂŁo, nĂŁo, nĂŁo, nĂŁo, nĂŁo, nĂŁo.

Quanto tempo Haruhiro havia lhes dado? Até onde seus companheiros haviam fugido? Para ele, parecia que havia se passado muito tempo. Mas, talvez não tenha sido tanto tempo assim? Ele não sabia dizer.

— Ei…!

Haruhiro se levantou. O Death Spots nĂŁo se virou.

Eu nĂŁo vou deixar vocĂȘ ir. VocĂȘ achou que eu deixaria?

NĂŁo seja ridĂ­culo.

–Naquele momento, ele viu a linha.

Não estava embaçada, Haruhiro viu uma linha de luz, clara como o dia, e se moveu.

Estou lento, pensou ele. Por que sou tão lento? Mas não sou só eu, o Death Spots também é lento. Bem, acho que estå tudo bem, então.

Consegui alcançå-lo afinal.

É este o local? Nas costas do Death Spots? Deve haver um órgão interno ou algo assim aqui.

Ele se lançou sobre o kobold, cravando sua adaga nele. Ela deslizou suavemente, atingindo o ponto certo.

Haruhiro nĂŁo duvidou por um momento. Este era o fim.

O Death Spots tropeçou, caindo no chão onde estava.



Por um tempo, Haruhiro enterrou o rosto no pelo sujo do Death Spots, mas eventualmente ele virou de lado.

Quando ele tentou falar, um estranho som de ohhh escapou de trås de sua garganta. Ao tentar tocar seu rosto e pescoço, tudo estava uma bagunça de sangue. Havia também dor. Então, passou por sua mente:

O que farei se me deixarem para trĂĄs assim? Eu realmente preferiria que isso nĂŁo acontecesse. Mas, acho que nĂŁo consigo me mover.

— Eiiiiii… — Haruhiro conseguiu elevar a voz e chamar por seus camaradas.

Ele acreditava que viriam por ele.

E ele estava certo.


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Anime X Novel 7 Anos

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