Hai to Gensou no Grimgar – Capítulo 5 – Volume 15
Hai to Gensou no GrimgarGrimgar of Fantasy and Ash
Light Novel Online – Volume 15:
[Capítulo 05: Conceda-nos Bênçãos]

Haruhiro voltou a se mover antes mesmo do sol nascer. Não havia sinal de que os perseguidores estivessem se aproximando e, além disso, eles precisavam de água—e de comida.
Kiichi era a chave para as duas coisas. O nyaa tinha aparência felina, mas andava sobre as patas traseiras como um macaco. As patas dianteiras eram bastante ágeis. Segundo Mary, os nyaas eram animais altamente inteligentes.
Ele até parecia entender as palavras de sua mestra, Setora.
O grupo seguiu em direção às montanhas ao sul. Escalá-las era perigoso, já que havia dragões por lá, mas talvez ainda fosse seguro ficar nas encostas. Se a situação ficasse feia, eles poderiam fugir.
Além disso, seria mais fácil encontrar água nas montanhas do que nas planícies.
— Escute — Setora explicou a Kiichi que eles estavam procurando comida e água. — Sem comida e água, nós morremos. Você também. Comida e água. Entendeu?
Quando o sol já estava alto no céu, o número de encostas íngremes aumentou.
A paisagem começou a ficar cada vez mais… montanhosa. Montanhas de verdade, com cara de montanha.
Talvez fosse hora de voltar. Se um dragão aparecesse, estariam em sérios apuros. Haruhiro e os outros decidiram não avançar mais ao sul.
Foi então que aconteceu. Kiichi saiu correndo de repente. Eles o seguiram e acabaram chegando a um vale. No fundo dele, corria um rio estreito.
O nyaa mergulhou o focinho na água e começou a beber.
Setora ficou radiante.
— Muito bem, Kiichi!
Não era uma boa ideia beber água sem tratar. Mesmo sem as memórias, eles ainda tinham bom senso suficiente para saber disso.
Ainda assim, todos estavam absurdamente sedentos. Não resistiram e engoliram grandes goles daquela água límpida e gelada.
— Temos vivido uma vida bem dura — disse Mary, com um leve brilho nos olhos depois de se hidratar o suficiente. — Acho que nossos estômagos não vão se revoltar com facilidade. Enquanto tivermos água, devemos conseguir sobreviver por um tempo.
Que tipo de vida eles tinham levado até ali? Haruhiro decidiu que precisaria ouvir os detalhes disso com Mary depois.
Também resolveu pedir que ela explicasse o que sabia sobre a magia de Shihoru. Por enquanto, eles usariam aquele ponto de água como base. Qualquer que fosse a decisão final, antes precisavam construir uma base sólida para sobreviver.
Na noite anterior, Haruhiro não havia conseguido animar Shihoru quando ela se sentira esmagada pela ansiedade e pelo peso da responsabilidade.
Ele até pensou no assunto, mas estava tão inquieto quanto ela e não tinha margem emocional para lidar com aquilo. Não sabia o que poderia fazer e temia não poder fazer nada. Na prática, era verdade.
Ele não fizera nada. Nem sequer tentou.
Ele queria aumentar, pouco a pouco, o número de coisas que eles faziam—e que eram capazes de fazer.
Mesmo que não conseguissem recuperar as memórias, ainda tinham a sorte de contar com Mary. Podiam absorver as informações que ela possuía, aos poucos, e torná-las suas. Também tinham Kiichi. O nyaa de Setora não era útil apenas para encontrar comida e água; parecia capaz de fazer muito mais. Era bem mais útil do que o próprio Haruhiro.
Também era importante contar com os outros, não apenas com Kiichi.
Havia um limite para o que ele podia fazer sozinho. Mesmo que não fosse capaz de algo, talvez outro conseguisse.
Da mesma forma, havia coisas que alguns não podiam fazer, mas ele sim. Além disso, ainda que ninguém conseguisse sozinho, talvez dois ou três juntos dessem conta.
Era difícil distinguir quais plantas eram venenosas, então eles usaram o que Kiichi comia como referência. Tocavam nos lábios, colocavam um pouco na boca e observavam com cuidado para ver se algo estranho acontecia.
Havia várias nozes e frutas silvestres e, surpreendentemente, também um tipo de musgo que era relativamente saboroso e saciava razoavelmente.
Kuzaku teve dor de estômago quando experimentaram cogumelos e tubérculos, então passaram a evitá-los depois disso.
Kiichi também conseguia capturar pequenos animais. Ratos, lagartos, cobras e coisas do tipo.
Os ratos e lagartos eram pequenos demais, serviam apenas como lanches para Kiichi. As cobras eram cheias de ossos, mas não eram intragáveis.
Quando chegou a hora de decidir se fariam fogo ou não, eles conversaram em grupo e analisaram a questão com cuidado.
Se fizessem uma fogueira para cozinhar, a fumaça seria inevitável.
Em um dia claro e sem vento, aquela fumaça provavelmente poderia ser vista a vários quilômetros de distância.
Por outro lado, ter fogo faria uma enorme diferença. Muitas coisas só se tornavam seguras para comer depois de cozidas.
Eles construíram um forno de pedras em um espaço fechado onde, mesmo que a fumaça subisse, seria barrada pelas folhas e pelas árvores ao redor.
Quando o forno ficou pronto, reuniram folhas secas e galhos e tentaram acender o fogo. Kuzaku parecia confiante, dizendo que aquilo seria moleza, mas acabou sendo muito mais difícil do que imaginava.
Já estavam prestes a desistir quando o sol começou a se pôr, mas Shihoru demonstrou um nível assustador de concentração.
Ela esfregou um graveto entre as mãos, fazendo-o girar, e finalmente conseguiu acender o fogo.
Ver Shihoru—que estava convencida de sua própria inutilidade—se esforçar tanto assim aqueceu o coração de Haruhiro. Ele chamou por ela e disse que tinha conseguido, mas Shihoru apenas ficou um pouco envergonhada.
— Agora estou toda suada… — murmurou, baixando a cabeça.
Grande parte do primeiro dia sobrevivendo naquele vale, aos pés das montanhas, foi gasta com a construção da fogueira.
A partir do segundo dia, eles passaram a caçar. Ainda assim, no segundo e no terceiro dia, os poucos animais pequenos que Kiichi capturou foram tudo o que conseguiram trazer de volta.
No quarto dia, Haruhiro arremessou uma de suas adagas e conseguiu ferir um cervo. Ele o seguiu enquanto fugia e, quando o animal enfraqueceu, conseguiu alcançá-lo.
Ainda era apenas um filhote. Haruhiro deu um fim rápido, drenou o sangue, retirou a pele e esquartejou o corpo. A partir daí, ocasionalmente passou a ser agraciado com alguma presa.
Porém, na tarde do sétimo dia acampados no vale, enquanto Haruhiro olhava distraidamente em direção às Montanhas Tenryu, ele viu uma criatura enorme se movendo.
Mais da metade do corpo estava acima das copas das árvores na encosta da montanha, então não era exagero algum dizer que era gigantesca. Parecia absurdo que ele conseguisse enxergá-la a quilômetros de distância.
— Aquilo é um dragão? — Setora piscou várias vezes. A expressão não mudou, mas à sua maneira, ela parecia surpresa. — É enorme.
O dragão cruzava a encosta da montanha. Não parecia estar descendo nem subindo, mas também não estava indo embora.
Observando melhor, Haruhiro conseguiu ver o que pareciam ser outros dragões mais ao longe.
Dragões viviam nas Montanhas Tenryu. Mary tinha ouvido isso logo após se tornar uma soldada voluntária e nunca havia realmente duvidado, mas aquela era a primeira vez que via um com os próprios olhos.
Dragões realmente viviam nas Montanhas Tenryu. E não eram raros. Eram comuns.
Essa constatação tornava acampar no vale algo mais assustador, mas, se algo daquele tamanho se aproximasse, eles certamente perceberiam. Não havia necessidade de um medo exagerado.
Aos poucos, o grupo começou a produzir cordas usando casca de árvore e cipós. Com isso e alguns troncos, no décimo dia no vale eles construíram um abrigo simples. Não tinha paredes dignas desse nome; eram basicamente pilares sustentando um teto, mas servia para protegê-los do sol e da chuva.
Naturalmente, acabaram estabelecendo um sistema: três saíam para caçar e coletar, enquanto os outros dois ficavam no vale cuidando do fogo, preparando comida e trabalhando para reforçar a pequena cabana.
Setora trabalhou com argila e a queimou para fazer recipientes de barro. Era difícil produzir potes de boca estreita, mas, se tivessem jarros fundos, poderiam usá-los para armazenar comida.
Também foi Setora quem sugeriu fazer cantis usando os estômagos e bexigas dos animais caçados.
Ela lavava bem, amassava para deixá-los mais macios, depois inflava e deixava secar. Era um processo relativamente complexo, mas o resultado ao menos se parecia com um cantil, permitindo que carregassem água.
Ela gostaria de aproveitar melhor as peles, mas isso se mostrou surpreendentemente difícil.
O equipamento de ladrão de Haruhiro incluía uma agulha, mas não havia linha. Sem um fio resistente, era impossível costurar as peles, então, por enquanto, eles apenas as penduravam ou estendiam no chão.
Ainda assim, conhecendo Setora, era apenas questão de tempo até ela encontrar um jeito de produzir algum tipo de corda.
Era a décima sétima noite.
Naquele momento, Kuzaku e Setora estavam de vigia. Mary e Shihoru estavam no abrigo—ou melhor, sob o teto—e Haruhiro estava deitado um pouco mais afastado.
Haruhiro acordou antes que Kuzaku tentasse chamá-lo.
Ele não achava que fosse porque dormira mal; simplesmente havia aprendido a despertar rápido sempre que algo acontecia.
— O que foi?
— Não sei. Tem esse barulho… ou uma presença, se quiser chamar assim. O Kiichi percebeu…
— Entendi. Por segurança, vai acordar a Mary e a Shihoru.
— Tá.
Haruhiro foi até onde Setora estava agachada, ao lado do forno improvisado. Para evitar que o fogo ficasse forte demais, eles só alimentavam as chamas com o mínimo necessário durante a noite.
Kiichi estava ao lado dela, encarando a escuridão, o corpo tenso, pronto para saltar a qualquer momento.
— É algum animal? — Haruhiro perguntou.
Setora balançou a cabeça.
— Não sei. Mas o Kiichi está estranho.
Tudo o que Haruhiro sabia era que Kiichi estava alerta em relação a algo. Se Setora dizia que ele estava agindo de forma diferente, então devia ser verdade. O nyaa encarava à frente, um pouco à esquerda.
— É por ali, então… Vou dar uma olhada.
— Tome cuidado.
— Pode deixar.
Haruhiro avançou em silêncio, misturando-se à escuridão. Com o tempo que passara caçando, parte dos seus instintos de ladrão parecia ter despertado novamente.
Mesmo naquela noite quase sem luz alguma, ele conseguia se mover sem fazer barulho.
Ele não enxergava no escuro, mas a falta de visão aguçava os outros sentidos. Qualquer mínima variação de som ou luz se tornava uma pista importante.
Haruhiro saiu do vale e avançou cerca de sessenta passos antes de parar.
Ouviu algo como: — Nggh… ahh… uhh…
Era uma voz?
Também ouviu um som parecido com passos… ou melhor, algo sendo arrastado.
Vinha um pouco pela direita.
A luz da lua, filtrada pelas frestas entre as árvores, iluminava vagamente algo em movimento.
Podia ser humano. Ou alguém de alguma raça humanoide.
O primeiro pensamento de Haruhiro foi: Está ferido? Alguém vagando machucado por aí?
A figura parou.
Ele não conseguia ver direito, mas teve a sensação de que estavam olhando na sua direção.
Haruhiro prendeu a respiração por um instante. O coração disparou. Ele respirou fundo, tentando se acalmar.
Será que tinha sido notado? Ainda não dava para saber.
Haruhiro pousou a mão no cabo da adaga. Sacá-la sem fazer qualquer som era extremamente difícil. Ele decidiu esperar. Se o outro se movesse, ele puxaria a arma. Até lá, ficaria imóvel.
Paciência ele tinha. Podia esperar o tempo que fosse necessário.
O outro se moveu.
Haruhiro sacou a adaga e assumiu uma postura defensiva.
Mas não vinham em sua direção.
Estavam se afastando.
Ele hesitou por um momento, mas decidiu segui-los. Não pretendia ir longe. Só queria saber exatamente quem—ou o quê—eram.
Pouco tempo depois de começar a perseguição, um suor frio escorreu por suas costas.
Isso é ruim…
Tem algo atrás de mim também.
Seriam seus companheiros? Não. Não era isso.
Kuzaku e os outros talvez estivessem preocupados, mas este não era o momento de virem atrás dele. Só atrapalhariam. Eles precisavam entender isso.
Além disso… era parecido.
— Uwah… ohh… uhh…
O mesmo tipo de som. Provavelmente uma voz. O mesmo jeito de andar. Até o ritmo dos passos era semelhante.
E não era só um. Não dava nem para dizer se eram pessoas. De qualquer forma, não estava sozinho. Havia vários.
Ficar ali pensando no que fazer seria a pior escolha possível.
Haruhiro decidiu recuar.
Não precisava voltar direto para o vale. Podia dar uma volta maior e ainda assim conseguir chegar. Bastava manter a calma, não se apressar, apenas caminhar.
Mas, conforme avançava, a calma se esvaía.
— Ohh…
— Uhh…
— Ahh… ohh…
— Eahh… uohh…
Vozes vinham de todos os lados.
Não eram apenas duas ou três. Eram dez, talvez mais.
No momento, ele não sentia nenhuma delas extremamente próxima—nada a cinco ou seis metros—mas não ficaria surpreso se uma ou duas estivessem a menos de dez metros.
À direita, captou um contorno em movimento. Chamar aquilo de sombra parecia estranho, já que tudo estava escuro, mas era exatamente isso: um contorno sombrio, humanoide. Não havia dúvida quanto a isso.
À frente, o terreno descia.
O vale.
Ele tinha conseguido.
Haruhiro avistou o fogo.
O forno.
— Ahh…
— Ohh…
— Uhhh…
— Ahhhh…
As vozes estavam se aproximando. Estavam perseguindo Haruhiro? Se fosse isso, ele não sentia tanta pressão, e não parecia que estavam realmente tentando encurralá-lo. O que era aquilo? Era muito estranho.
Haruhiro desceu a encosta, indo em direção ao forno. Seus companheiros estavam todos reunidos ao redor dele.
— Algo está vindo — foi tudo o que Haruhiro conseguiu dizer.
— Hã? O que você quer dizer com “algo”? — Setora soou exasperada, e ele não podia culpá-la por isso.
— Ah…! — Kuzaku olhou para a encosta por onde Haruhiro tinha descido.
Haruhiro também se virou. Algo cambaleava descendo a colina.
Kuzaku sacou a espada.
— Temos que acabar com eles, né?!
— É. — Haruhiro mudou a adaga para a empunhadura reversa. — Não se afastem de mim. Tentem não se separar.
— Eu vou manter todos vocês vivos — disse Mary.
Ele ouviu a respiração tensa de Shihoru.
Está vindo. Seja lá o que for.
A coisa arrastava uma das pernas. O corpo balançava para cima e para baixo de forma grotesca enquanto se movia.
Era humano? Não parecia um goblin. Talvez fosse um orc.
Setora puxou um pedaço de lenha em chamas do forno e o apontou na direção da criatura.
— É humano! — gritou Setora.
Ao mesmo tempo, Mary gritou: — Zumbi!
— Não importa o que seja…! — Kuzaku avançou, a espada reluzindo.
A espada de Kuzaku era longa e grossa. Tinha apenas um fio, então dava para chamá-la de uma katana grande. Sem a altura e os músculos de Kuzaku, seria extremamente difícil controlá-la.
A grande katana de Kuzaku separou com facilidade a cabeça do humano—ou zumbi, ou seja lá o que fosse—do resto do corpo.
A cabeça decepada caiu no chão e rolou até parar ao lado do forno. Parecia a de um homem. Ele estava extremamente magro, e o cabelo, crescido de forma selvagem, estava tão duro que mal parecia cabelo.
— Iiiih…! — Shihoru soltou um grito agudo.
Os olhos e a boca da cabeça decepada ainda se mexiam.
Setora chutou a cabeça para longe.
— …Isso foi além do nojento!
— Assustador! — Kuzaku era um homem corajoso, mas até ele estava tremendo. — Isso é assustador demais! Zumbis são—
— Tem mais vindo! — Setora o interrompeu para avisar.
Todos aqueles eram zumbis? Eles vinham se arrastando colina abaixo, em direção ao fundo do vale.
Mary avançou.
— Ó Luz, que a proteção divina de Lumiaris esteja sobre você.
Ela estava indo tão rápido que parecia que ia se jogar contra os zumbis.
Haruhiro correu atrás dela.
— Mary?!
— Dispel…! — Mary se aproximou dos zumbis e conjurou o feitiço.
Aquilo era, literalmente, magia de luz. Houve um clarão intenso, e Haruhiro foi forçado a fechar os olhos.
— Urgh…
Ele os abriu logo em seguida e olhou ao redor. Demorou um pouco até conseguir enxergar direito.
Havia dois zumbis caídos aos pés de Mary. Imóveis. Como cadáveres.
— São cadáveres em movimento, incapazes de descansar em paz por causa da maldição do No-Life King! — Mary pressionou os dedos contra a testa mais uma vez, preparando outro feitiço. — Ó Luz, que a proteção divina de Lumiaris esteja sobre você.
— Eles estão vindo de todos os lados! — gritou Setora.
Virou um combate caótico.
Setora e Kiichi protegiam Shihoru, enquanto Kuzaku golpeava furiosamente os zumbis que avançavam, e Haruhiro cortava cabeças, chutando-as para longe ou pisoteando-as, focado em deixá-los incapazes de se mover.
Os zumbis atingidos pela magia de luz de Mary se tornavam cadáveres—ou voltavam a ser o que cadáveres deveriam ser—mas os que não eram atingidos continuavam se movendo até não poderem mais.
Talvez o cérebro ainda estivesse no controle, porque corpos sem cabeça paravam de se mexer, mas as cabeças continuavam cheias de energia. Embora não pudessem falar, as cabeças de zumbi ainda abriam e fechavam a mandíbula.
Haruhiro quase foi mordido por uma delas. Se não tomasse cuidado, estaria realmente em perigo.
Em parte por causa da escuridão, a batalha contra os zumbis parecia não ter fim.
Quando achava que não havia mais nenhum por perto, ele ouvia novos gemidos vindos de outra direção.
Ouvia zumbis descendo a encosta. Ouvia um estalo sinistro e, ao olhar, encontrava uma cabeça de zumbi. Não importava quantas vezes fizesse isso, ele nunca se acostumava à sensação horrível de esmagar uma cabeça de zumbi sob o calcanhar.
No fim, ninguém do grupo conseguiu relaxar até o céu clarear, permitindo que vissem com os próprios olhos que não havia mais zumbis na área.
Durante a batalha, eles perceberam que havia zumbis de raças não humanas também. No entanto, todos os corpos que Mary não atingira com magia de luz tinham sido basicamente despedaçados, então era difícil dizer quantos eram humanos e quantos tinham sido outra coisa.
Mas, falando sério… quantos zumbis o grupo tinha derrotado?
Era difícil até fazer uma estimativa aproximada. Sinceramente, Haruhiro nem queria contar.
— Nós… — Shihoru olhou para o resto do grupo com hesitação. — A gente vai ter que limpar isso…?
— É… — Kuzaku estava num estado inacreditável, coberto de sangue enegrecido e pedaços de carne. — …Acho que sim. A gente… provavelmente devia limpar, né? Não sei se eu conseguiria dormir aqui desse jeito…
— Tem algo mais importante. — Setora era forte por conseguir dizer aquilo. Embora não estivesse no mesmo nível de Kuzaku, ela também tinha bastante sangue e carne podre espalhados pelo corpo, mas parecia completamente indiferente. — Nós fomos alvo dos zumbis? Ou esse ataque foi só coincidência?
Mary devia estar exausta por ter usado magia demais. Ela estava ajoelhada.
— Os mortos dominados pela maldição do No-Life King se reúnem em colunas e vagam sem rumo. Eu ouvi isso em algum lugar… mas não sei quando…
— Então foi coincidência. — Quando Setora estendeu o braço, Kiichi subiu até o ombro dela e lambeu sua bochecha. — Tivemos azar.
Kuzaku abaixou a cabeça, soltando um suspiro.
— Um azar terrível…
Haruhiro não suspirou.
Ele gostaria de dar um tom mais positivo à situação, mas isso claramente não era possível.
Estava frustrado e também queria reclamar. Queria choramingar até não aguentar mais. Queria descontar em alguém.
Bem… não, não exatamente.
Não que ele não estivesse decepcionado. Ele só conseguia lidar com isso. Ou pelo menos queria acreditar que conseguia.
Se ainda era capaz de pensar assim, então isso significava que seu espírito ainda não estava quebrado.
— Odeio ter que dizer isso, mas vamos abandonar este lugar. — Haruhiro se esforçou para não soar relutante. — Não parece que os goblins de Altana ainda estejam nos procurando, e temos comida conservada. Acho que estamos prontos pra seguir em frente.
Tradução: ParupiroHPara estas e outras obras, visite o Cantinho do ParupiroH – Clicando Aqui
Tradução feita por fãs.
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