Hai to Gensou no Grimgar – Capítulo 17 – Volume 15
Hai to Gensou no GrimgarGrimgar of Fantasy and Ash
Light Novel Online – Volume 15:
[Capítulo 17: Histórias Curtas Bônus]

O Significado de um Nome de Trabalho
O nome do meu professor era Ripper, e ele já era um homem velho.
Quando eu me dirigia a ele dizendo: — Ei, velho — Ripper ficava irritado.
— Eu não sou velho — ele dizia.
Tudo bem, em termos de idade real, ele não era mesmo. Só parecia. O cabelo já tinha ficado completamente branco, e ele estava magro e frágil. Quando ouvi a idade verdadeira dele pela primeira vez, fiquei chocada. Por um tempo, nem consegui acreditar.
E, ultimamente, ele tinha envelhecido ainda mais. Eu sabia o motivo também. Um tempo atrás, quando passei pela guilda pela primeira vez em muito tempo…
— Quer beber alguma coisa? — ele me perguntou.
— O quê, tá dando em cima de mim? — provoquei.
— Não seja idiota — respondeu, com um sorriso constrangido.
Então bebemos juntos, pela primeira vez em sabe-se lá quanto tempo. Eu pensei comigo mesma: talvez eu devesse dormir com ele. Na minha opinião, as pessoas dão importância demais a isso. Se o clima tá bom, é só deixar rolar. Eu faço isso com bastante frequência, e com praticamente qualquer um. Não me sinto mal quando isso estraga relacionamentos. Se eu me diverti, isso é o que importa.
Ripper tinha sido meu professor desde que acordei em Grimgar, mas, enquanto bebíamos, pensei que ele seria uma boa aventura de uma noite. Ripper, no entanto, não pensava assim, então não era essa a sintonia entre nós.
— Não tenho muito tempo — disse Ripper. Não precisei perguntar o que ele queria dizer. Eu não era burra. Entendi na hora.
— O que você vai fazer? — perguntei. Ripper não respondeu, então mudei a pergunta. — O que você quer fazer?
A implicação, claro, era que eu faria tudo o que pudesse para ajudar. Eu já tinha esquecido a ideia de dormir com ele, e, em vez disso, senti vontade de ser o mais gentil possível.
— Nada por mim — disse Ripper. Ele tomou um gole. Depois, respirou fundo. — Você trabalharia para a guilda? — perguntou.
— Você tá me dizendo pra virar mentora?
— É… de forma geral, é isso que tô pedindo.
— Por que eu?
— Vou bater as botas em breve. Os sacerdotes não conseguem curar o que eu tenho. Mas fazer o quê, né? Ainda assim, tenho você e todos os meus outros alunos.
— E você quer que eu cuide dos outros por você?
— Escuta, Barbara. O nome de trabalho que eu te dei significa “mulher estrangeira”.
— Combina comigo. Eu sempre pareço deslocada onde quer que vá. Você tem um bom olho pra gente, velho.
— Não é que você não se encaixe. É que você não tenta. Você olha tudo de forma objetiva, até deixando a si mesma de lado.
— Eu faço isso?
— Você não se apega aos seus companheiros, então nunca fica muito tempo no mesmo grupo, porque sabe que o momento em que estamos é só isso: um momento, e nada mais. Larga essa vida de soldado voluntário. É pesado demais pra você, não é?
— E trabalhar na guilda vai combinar mais comigo?
— Você vai ser uma boa professora. Muito melhor do que eu.
— Fico feliz que você tenha sido meu mestre.
— Com o tempo, vai ter gente que vai pensar o mesmo de você.
— Ei, velho.
— O quê?
— Dorme comigo uma vez antes de morrer.
— Não — disse Ripper, com um sorriso triste. — Eu não posso mais dormir com mulheres. E além disso… você brilha demais.
Naquele momento, percebi que Ripper tinha medo de morrer. Ele não tinha vivido tempo suficiente para realmente ser um velho. Era cedo demais. Mas, aqui na fronteira de Grimgar, homens e mulheres ainda mais jovens morriam como se não fosse nada.
Como mentor da guilda dos ladrões, Ripper precisava morrer com tudo resolvido, amarrado com um laço bonito. Se ele passasse uma noite inesquecível comigo, começaria a pensar que não queria mais morrer, e levaria esse arrependimento para o túmulo.
Menos de dez dias depois, Ripper ficou acamado. Cinco dias depois disso, morreu.
Eu deixei de ser soldado voluntário e peguei o emprego na guilda.
Mentalidade
Eliza era uma mentora da guilda dos ladrões.
Mas ela era tímida demais, e todo mundo, inclusive ela, sabia disso. Ela não gostava de se mostrar pros outros. Especialmente o rosto. Se pudesse evitar, não queria nem que ouvissem a voz dela. Quando precisava falar com colegas ou alunos, ela se escondia o melhor que podia e imitava a voz de outras pessoas.
— Tenho um aluno interessante — disse Barbara.
Eliza estava entre duas estantes, fora do campo de visão de Barbara. Barbara também era mentora e tinha sido aluna veterana do mesmo professor. Por serem ambas mulheres, era relativamente mais fácil conversar com ela.
— Ele tem uns olhos extremamente sonolentos. Fico me perguntando qual é a dele. Não tem ambição nenhuma, mas também não é totalmente desmotivado. Se eu tivesse que dizer se ele leva as coisas a sério ou não… eu diria que sim.
— Há muitas crianças que são sérias — disse Eliza, em um tom tão baixo que parecia forçado.
— É coisa de geração? — perguntou Barbara. — Eles são um pouco diferentes da gente.
— Quando você tenta nos colocar todas no mesmo saco, não posso deixar de achar que você está meio equivocada.
— Ahh, verdade. Você é um pouco mais nova do que eu, né? Mas somos basicamente da mesma geração, certo?
— Acho que sou da geração seguinte à sua.
— Pra mim não faz diferença. Mas tudo bem, se você diz.
— Então, o que tem esse aluno dos olhos sonolentos?
— Ah… bem, ele anda muito na minha cabeça.
— Você gosta dele? Você sempre foi meio fogosa.
— Não é isso. Ele parece tão vulnerável. Não consigo imaginar que ele vá sobreviver por muito tempo desse jeito.
— Se é isso que você acha, provavelmente está certa.
— Não diga algo tão sinistro assim — disse Barbara, com um sorriso tenso.
— Mas seus pressentimentos costumam se tornar realidade, não costumam?
— …Eliza, escuta.
— O que foi, Barbara?
— Dizem que você é tímida e não fala com as pessoas, mas isso não é exatamente verdade, né? Já penso nisso há um tempo.
— Eu sou tímida. É um fato que eu quase nunca falava com meu mestre ou com os membros do meu grupo.
— Mas você está falando comigo agora, não tá?
— Você acha que está falando comigo? Ou que eu sequer sou Eliza? Você já viu Eliza falar alguma vez?
— Não, mas já sei há muito tempo que você é um pé no saco com essas coisas.
— Você é praticamente a única que sabe como eu sou e, ainda assim, insiste em tentar puxar conversa comigo, Barbara.
— Mesmo assim, é um milagre você ter conseguido virar mentora.
— É bem mais fácil do que ser soldado voluntário. Não preciso sair de dia desse jeito.
— …Verdade, tinha esquecido que você é reclusa.
— Então, você já terminou de falar do seu aluno dos olhos sonolentos?
— Você que trouxe ele de volta agora.
— Morrer cedo não é exatamente incomum.
— …Bom, não.
— Você nunca vai durar como mentora se deixar a morte de um aluno te abalar.
— Talvez você esteja certa.
— É por isso que eu faço questão de pensar nos meus alunos como pedras.
— Pedras?
— São pedras. Eu as esculpo na forma de um humano, de um ladrão. Mas, no fim das contas, eles são só pedra. São estátuas. Quando quebram, eu só preciso esculpir mais.
— …Esse é um jeito de pensar.
— Eu não conseguiria continuar fazendo isso se não pensasse assim, sabe.
— Eu gosto disso em você, Eliza.
— …Você acha que eu sou Eliza? Mesmo nunca tendo visto Eliza falar?
— Tá bom, já chega disso — Barbara riu.
Não sei se eu diria que gosto disso em você, mas com certeza não odeio, pensou Eliza.
Tradução: ParupiroHPara estas e outras obras, visite o Cantinho do ParupiroH – Clicando Aqui
Tradução feita por fãs.
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