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Hai to Gensou no Grimgar – Capítulo 13 – Volume 15 –

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Hai to Gensou no GrimgarGrimgar of Fantasy and Ash

Light Novel Online – Volume 15:
[Capítulo 13: Ninguém Está Sozinho]


Barbara estava a cerca de dez metros à frente, bem de frente para Haruhiro. Eles estavam na floresta, mas não havia árvores obstruindo a linha de visão entre os dois. O terreno também era majoritariamente plano.

Barbara parecia esboçar um sorriso tênue, mas sua expressão era quase inexistente.

Antes de uma pessoa ou animal se mover, sempre há sinais. Uma tensão nos músculos, nos tendões, até mesmo na pele—fenômenos que indicam que uma ação está prestes a acontecer.

Ele não sentia nada disso vindo de Barbara.

Ela usava uma roupa extremamente reveladora, e seu corpo e rosto eram absurdamente sensuais, então Barbara se destacava demais. Ainda assim, por algum motivo, sua presença era estranhamente fraca.

Ela apenas estava ali parada. Como uma planta em forma de Barbara. Era difícil até imaginar que estivesse viva.

Haruhiro piscou. Foi involuntário.

Nesse instante, ouviu um som à sua direita.

Haruhiro se distraiu com o ruído e, nesse momento, Barbara desapareceu.

Uma pessoa havia sumido em um instante. Aquilo era possível?

Era. Haruhiro conhecia o truque.

Seus olhos ficaram fechados apenas por um momento ao piscar. Era impossível alguém se esconder nesse intervalo, mas era possível arremessar algo para fazer barulho. Naturalmente, ao ouvir um som, ele desviaria o foco de forma reflexa.

Nesse ponto, Barbara teria ganhado o tempo necessário para desaparecer.

Seu pulso acelerou, e o sangue subiu à cabeça.

Droga. Ela me pegou.

Era impossível não entrar em pânico, mas se perdesse a calma, estaria fazendo exatamente o que Barbara queria.

Ele respirou fundo. Endireitou os joelhos, que em algum momento haviam se dobrado. Relaxou os ombros e os braços tensos.

Claro que isso aconteceria. Barbara estava um ou dois níveis acima dele em habilidade, então era totalmente esperado.

Onde ela estava agora? Prever isso era importante. Mas ele não podia deixar que suas previsões o prendessem ou o enganassem.

Haruhiro manteve os olhos fixos em um ponto, varrendo uma área ampla ao redor.

Aguçou os ouvidos. Havia algum outro som, bem escondido no farfalhar das folhas, no som dos insetos, no canto dos pássaros? Sua própria respiração atrapalhava. Ele tentou torná-la o mais suave possível.

Forçando-se ao máximo, fechou os olhos.

O tempo passou, e ele não conseguiu captar nada.

Não, isso não era totalmente verdade. Haruhiro começava, pouco a pouco, a sentir toda a floresta ao redor.

Ele abriu os olhos.

Agora conseguia até sentir os lugares que não podia ver.

Algo parecia estranho à frente, à esquerda.

Havia uma árvore a cerca de sete metros dele, uma castanheira ou algo do tipo.

Ah. Ali. Tem que ser ali. No mesmo instante, a previsão se transformou em certeza. Sentindo a necessidade de confirmar com os próprios olhos, ele deu um passo à frente.

Haruhiro caminhou.

Deu a volta para o outro lado da árvore.

Ela não estava lá.

Ele havia considerado essa possibilidade. Seria fácil para Barbara jogar contra as suposições dele.

Ela poderia deixar sua presença ali de alguma forma e então se mover secretamente para outro lugar.

Onde ela estava agora?

Muito perto.

Haruhiro tentou se virar.

Não. Ela não estava atrás dele.

Ele saltou para trás, e algo caiu da árvore. Ela estava acima dele, não atrás.

— Você acertou.

No instante em que Barbara pousou no chão, puxou a adaga e avançou. Haruhiro sacou a própria adaga, mas Barbara evitou seus bloqueios com fluidez.

Haruhiro contra-atacou imediatamente, mas aquilo partira de sua vontade ou fora forçado a isso? Não importava de que ângulo atacasse, Barbara escapava. Ele não conseguia alcançá-la.

O que é isso?

No momento em que sentiu que não havia abertura para atacar, os papéis se inverteram, e Barbara passou à ofensiva.

O arco da adaga dela se dobrava e girava, tornando difícil de acompanhar, e Barbara alternava constantemente entre encurtar e aumentar a distância, tentando varrer sua perna ou usando a mão que não segurava a adaga para empurrar o braço dele. Era absurdamente difícil de lidar.

Embora estivesse tendo dificuldade, ele tentou tudo o que conseguia fazer—ou achava que talvez fosse capaz de fazer—um após o outro.

No entanto, Barbara aparentemente enxergava através de tudo. Ela lia cada movimento dele. Barbara provavelmente conseguia até ouvir as batidas do coração dele.

Havia tão pouco que ele podia fazer a respeito que chegava a ser cômico.

A respiração de Haruhiro ficou acelerada, seus movimentos ficaram lentos e, por fim, sua mão direita, a que segurava a adaga, foi presa em uma chave de articulação. Ele largou a arma imediatamente, foi arremessado e, no instante seguinte, estava pressionado contra o chão.

— Desiste? — perguntou Barbara.

Ela o mantinha imobilizado de lado.

— …Desisto. Isso dói.

— Tem certeza de que não tá gostoso, na verdade?

— Não, só dói mesmo…

— Mesmo sem as memórias, você continua o mesmo de sempre, hein?

Barbara soltou Haruhiro, mas não se levantou. Sentou-se no chão, com um joelho erguido.

Seguindo o exemplo dela, Haruhiro se sentou e cruzou as pernas.

— Como eu fui?

— Seus instintos estão voltando, não estão? Pareceu que seu corpo se lembrou de mim.

Haruhiro esboçou um sorriso tenso. Ele não sabia bem como reagir àquela forma de dizer, mas as técnicas de ladrão que Barbara havia martelado nele ainda estavam ali. Elas não tinham desaparecido.

Antes do amanhecer do dia seguinte, a Força Expedicionária lançaria a operação para retomar Altana.

Havia várias passagens ligando Altana ao exterior. Algumas dessas rotas também se conectavam entre si em certos pontos.

Já havia pouco mais de oitenta soldados—incluindo os cinquenta e quatro do esquadrão suicida—escondidos sob a guilda dos cavaleiros das trevas na Cidade Oeste, sob a guilda dos guerreiros, no distrito sul, e abaixo do Templo de Lumiaris, no distrito norte.

No segundo dia, houve quarenta e oito voluntários para o esquadrão suicida e, quando o general começou a procurar alguém para executar por violar o regulamento militar, mais seis levantaram a mão às pressas. Havia mais voluntários do que o necessário, mas o general disse: — Se estão tão ansiosos para morrer, eu deixo.

E adicionou os seis ao grupo, totalizando cinquenta e quatro. Mas isso agora já era apenas uma lembrança distante.

De forma geral, o plano era simples.

A força principal da Expedição, liderada pelo general Mogis, atacaria o portão sul de Altana.

Quando os goblins começassem a defender, o esquadrão suicida, com cinquenta e quatro homens, entraria em ação.

A missão deles era abrir o portão sul de Altana por dentro. Mesmo que não conseguissem, o simples fato de haver humanos dentro da cidade tentando abrir o portão já teria significado.

Sendo atacados de fora e de dentro ao mesmo tempo, os goblins certamente entrariam em pânico.

Aproveitando essa confusão, uma equipe formada por pessoas de confiança do general, junto de Anthony Justeen e seus subordinados, além do grupo de Haruhiro, invadiria a Torre Tenboro e eliminaria o vice-rei Bogg.

Era uma missão extremamente importante.

Kuzaku podia lutar como estava. Setora também daria conta, desde que tivesse uma arma—além disso, ela tinha o Kiichi. Shihoru havia aprendido a usar magia das Trevas. Mary, nem se falava, não teria problemas.

E Haruhiro? No fim das contas, ele ficaria bem?

Ele ainda tinha suas dúvidas, mas Barbara havia certificado suas habilidades ao reavaliá-lo durante o treinamento.

— …Então, acho que dá pra dizer que eu passei? — Haruhiro perguntou à sua instrutora.

— Gato Velho.

— Sim?

Barbara passou o braço ao redor da cabeça de Haruhiro e bagunçou seu cabelo.

— O-o que você tá fazendo?

— Você cresceu bastante nesse tempo em que eu não te vi, hein?

— …Acha mesmo? Eu não lembro de nada, então não sei dizer.

— Mas você se conteve porque estava lutando comigo, não foi?

— Essa não era a minha intenção. Eu nem fui bem o bastante pra poder me dar ao luxo de me conter…

— Foi um confronto desfavorável. Você não estava tentando me matar, estava?

— Hã? Mas… isso não é óbvio?

​— Não se trata de ter culhões para fazer ou não — disse Barbara, esticando a mão para tentar apertar os próprios culhões pendurados entre as pernas dele.

Haruhiro a parou no último segundo.

— Uou, você não precisa pegar eles, precisa?!

​— Ora — Barbara sorriu e, em seguida, abraçou a cabeça de Haruhiro. Ele ficou surpreso, é claro, mas não conseguiu resistir.

​— Escute, Gato Velho. O importante é estabelecer um objetivo apropriado.

​Barbara o acariciou por inteiro, beijou-o na testa e lhe deu uma lição íntima.

​— Trabalhe de trás para frente a partir desse objetivo para formular um plano. Obviamente, imprevistos acontecerão, então você precisa ser flexível. Mas se você tiver o objetivo errado para começar, qualquer estratégia será insignificante. Se você está me enfrentando, mesmo que seja um treino, você tem que me matar. É aí que você deve fixar seu objetivo. Mesmo que, no fim das contas, você não o faça. Entende?

​— …Sim, Sensei.

​Haruhiro sentiu-se incrivelmente envergonhado e queria fugir, mas, por algum motivo, não empurrou Barbara para longe. Ele não conseguia desafiá-la. Seria aquilo algo que seu corpo havia aprendido?

— Você só estava avançando em linha reta, sem nem saber para onde ia. Não tem como vencer assim. Na verdade, aposto que você nunca chegou a acreditar que precisava vencer. Você perdeu porque era pra perder.

Talvez, apesar de ser constrangedor, aquilo até fosse confortável.

— Gato Velho. É o seguinte. Você tem uma visão ampla e não se assusta fácil. Seu raciocínio é só mediano, mas você não se superestima e tem a teimosia necessária pra avançar passo a passo. Essas partes de você não vão mudar, mesmo sem as memórias. Você não é do tipo que consegue fazer as coisas só porque tenta. Você é do tipo que tenta até conseguir. Por isso, agora, é bom que existam coisas que você ainda não consegue fazer. Porque, um dia, você vai conseguir.

Haruhiro não pôde deixar de pensar: Antes de perder minhas memórias, eu era um cara bem sortudo.

Haruhiro, de quem Barbara dissera, quando o conheceu, que não parecia alguém que viveria muito, havia sobrevivido até ali.

Ele devia ter feito o melhor que podia, do jeito dele. Ou, no mínimo, tentado. Mas, acima de tudo, isso só tinha sido possível graças aos companheiros dele—e à sua mestra. Se eles não estivessem ali, Haruhiro já teria morrido há muito tempo, não teria?

Ele não sabia o que aconteceria no dia seguinte, mas a perspectiva estava longe de ser animadora.

Barbara voltou para Altana acompanhada de Neal, seu observador.

Haruhiro e a equipe de invasão à Torre Tenboro partiriam quando o sol se pusesse. Ele deveria tirar um cochilo ao entardecer.

Haruhiro se deitou dentro da tenda, mas não conseguiu dormir. Kuzaku roncava ao lado dele. Mesmo tendo dito: — Não tem como eu dormir.

Ele apagou no mesmo instante. Haruhiro invejou isso sinceramente.

Ele já sabia que seria assim, mas não tinha o que fazer. Não havia como dormir. Haruhiro desistiu e saiu da tenda.

Mary e Shihoru estavam sentadas ali perto.

As duas olharam para Haruhiro.

— Haru.

— …Haruhiro-kun.

Não, elas não estavam exatamente lado a lado. Havia cerca de um metro entre elas.

Também não estavam se encarando, mas não estavam paralelas. Ficavam levemente anguladas, sem que os olhares se encontrassem, e não parecia que estivessem conversando.

— É… — Haruhiro assentiu vagamente.

Ele não sabia o que fazer.

A distância entre elas era estranha. Sentar no meio seria esquisito. Não impossível, mas apertado demais.

Não, pensou Haruhiro. Essa não era uma opção.

Ele hesitou por um momento, então se sentou de modo que ele, Mary e Shihoru formassem um triângulo equilátero.

Arrependeu-se imediatamente.

Não importava o que fizesse, as duas estavam sempre olhando para ele.

Era constrangedor, mas agora seria ainda mais estranho mudar de lugar. Ele teria que aguentar.

— É… onde a Setora tá? — tentou perguntar. E se arrependeu de novo.

— Dormindo com o Kiichi — respondeu Mary.

— …Ah, é? — disse Haruhiro, murmurando um “Claro que tá” quase inaudível, enquanto esfregava o ponto entre os olhos.

Ele devia ter escolhido um assunto mais fácil de desenvolver.

— É… — Shihoru abriu a boca.

— Huh? — Haruhiro respondeu.

Shihoru abaixou a cabeça.

— …É amanhã, né? Finalmente vai acontecer…

— A-ah, é. — Haruhiro respondeu depressa. Shihoru tinha se esforçado para lhe dar uma abertura, então ele queria aproveitá-la. — …A gente só foi indo no embalo até agora. Mas às vezes eu fico pensando se… sei lá, não tinha um jeito menos perigoso de lidar com tudo isso pra todo mundo…

— Eu não acho que a culpa seja sua, Haru — disse Mary.

— E-eu também não! — Shihoru concordou com vigor. — …Eu também não acho. Você tem se esforçado muito, muito mesmo… por todos nós…

Parecia que Shihoru estava evitando ele, mas talvez fosse só coisa da cabeça dele. Haruhiro se sentiu aliviado.

— …Não, quando você fala assim, parece que eu sou algum cara incrível, mas não é nada disso. De verdade. É… — disse ele.

Mary sorriu.

— Você sempre foi assim, Haru.

Shihoru lançou um olhar de lado para Mary, depois baixou os olhos imediatamente.

Mary olhou para Shihoru, abaixou o olhar e mordeu o lábio, só um pouco.

Depois disso, as duas ficaram em silêncio.

Por quê?

Hã? Hã? Hã?

Por que, de repente, as duas ficaram quietas desse jeito?

Haruhiro não fazia a menor ideia.

Esse tipo de coisa o deixava angustiado, e era difícil de lidar. Ele queria melhorar as coisas. Se houvesse algum problema, queria resolver. Gostaria de conversar sobre isso, mas não tinha certeza de como.

Por mais que quisesse sugerir que escutassem o que cada uma realmente pensava e depois tivessem uma discussão construtiva sobre o que quer que estivesse errado, o silêncio se prolongou, e ele não conseguiu fazer nada a respeito.

No fim, Haruhiro finalmente conseguiu abrir a boca.

— V-vamos dar o nosso melhor.

Quando ele disse isso, as duas engoliram em seco e olharam para ele.

As duas estavam esperando algo. Era isso que havia nos rostos delas.

Mas eu não tenho nada para oferecer?

Elas podiam esperar o quanto quisessem, mas nada viria.

— Amanhã, vamos todos… trabalhar juntos…

Acrescentar isso foi o máximo que ele conseguiu.

— Sim — Mary assentiu. — Claro.

Shihoru sorriu um pouquinho. Ou pelo menos tentou.

— …Tá bom.

Antes do pôr do sol, Kuzaku, Setora e Kiichi saíram da tenda.

— Ufa, eu sei que disse que não dava, mas dormi que foi uma beleza, hein?

— Eu só estava descansando os olhos.

— Nyaa.

— Setora-san, sério, tem algum motivo pra você precisar bancar a durona desse jeito?

— Eu não estou bancando nada. Estou apenas declarando os fatos.

— Você pode ser assim às vezes, né, Setora-san?

— Assim como?

A equipe de invasão à Torre Tenboro tinha Dylan Stone, um aliado próximo do General Mogis, como comandante, e Anthony Justeen como vice-comandante. Junto com cinco guerreiros do Regimento de Guerreiros do Exército da Fronteira subordinados a Anthony, oito soldados da Força Expedicionária e o grupo de Haruhiro—cinco pessoas, mais o Kiichi—eram ao todo vinte pessoas e um nyaa.

O comandante Dylan era um sujeito sombrio de quarenta e poucos anos, com um nariz grande e uma barba espessa. Como dava para perceber pelo manto de pele preta que usava, igual à do general, ele também era dos Cães Negros.

Ele chamava pessoas e coisas de “pedaços de merda” o tempo todo. Também mandava os outros “irem morrer” com uma frequência impressionante.

Aliás, todos os soldados da Força Expedicionária também usavam mantos de pele preta. O general havia montado a equipe de invasão à Torre Tenboro apenas com pessoas em quem confiava. Dava para assumir isso com segurança.

A equipe de invasão partiu assim que o sol se pôs, entrou em Altana por um túnel secreto no meio da noite e se reuniu com Neal, o batedor, na guilda dos cavaleiros das trevas.

A Barbara-sensei, que ele vinha observando o tempo todo, deveria estar fazendo o reconhecimento da Torre Tenboro naquele momento.

A guilda dos cavaleiros das trevas também era o local onde vinte membros do esquadrão suicida estavam de prontidão. Quando o corpo principal da Força Expedicionária, liderado pelo General Mogis, iniciasse o ataque, o esquadrão suicida teria que avançar imediatamente em direção ao portão sul de Altana.

O comandante Dylan, da equipe de invasão, dirigiu algumas palavras de incentivo ao esquadrão suicida.

— Se pensarem que vão morrer de qualquer jeito, então morrer não é grande coisa. Na improvável chance de vocês sobreviverem, é porque deram sorte. A gente só morre uma vez, e todo mundo vai ter que morrer um dia. Então vão lá e morram, seus pedaços de merda.

O comandante Dylan sabia exatamente quem eram todos os membros do esquadrão suicida, então, à maneira dele, provavelmente estava tentando motivá-los. Era difícil imaginar que alguém tivesse se sentido encorajado por aquelas palavras. Pelo contrário, pareciam ter ainda menos vida neles do que antes.

O comandante Dylan era um homem de poucas palavras, mas, quando falava, sempre desmotivava quem estivesse ao redor. Mesmo quando não dizia nada, havia nele uma aura exaustiva por si só, de modo que ninguém queria ficar muito perto.

Haruhiro e Neal foram para a superfície verificar a situação. Quando o corpo principal da Força Expedicionária atacasse o portão sul, eles precisariam avisar o esquadrão suicida.

Altana, antes do amanhecer, estava silenciosa, não havia ninguém, ou melhor, nenhum goblin à vista.

Os dois deixaram a Cidade Oeste e escalaram as paredes do que costumava ser a hospedaria dos soldados voluntários até o telhado. Haruhiro aparentemente tinha vivido naquela hospedaria em algum momento do passado, mas ele não se lembrava de nada.

— Isso aqui é um desastre — Neal sussurrou para Haruhiro, soltando uma risadinha baixa. — Aquele desgraçado do Dylan é praticamente o ceifador em pessoa. Muita gente morre em qualquer esquadrão que ele lidera. O único que com certeza sobrevive é ele mesmo.

— Você não vai participar do ataque também? — Haruhiro perguntou.

— Nem pensar. Sou batedor. Tenho que observar seus feitos de longe e depois relatar tudo ao general.

— Ah… é mesmo…?

— Deixa eu te contar uma coisa. Dylan Stone é um monstro desumano que é muito bom em usar os outros como escudos. Ele não se importa nem um pouco se o resto de vocês vai sobreviver ou não. O general gosta de caras assim.

— Mas parece que o general confia em você também.

— Confia em mim?

Neal tentou passar o braço pelo ombro de Haruhiro de um jeito exageradamente amistoso.

Quando Haruhiro se esquivou, Neal fez uma careta teatral.

— O general não confia em ninguém. Ele só quer ver quem está disposto a abanar o rabo e obedecer. Eu não vou trair o general. Eu sigo ordens. Porque isso é vantajoso pra mim.

O líder era ruim, e seus subordinados também. Mesmo assim, eles teriam que arriscar a vida numa missão gigantesca junto com esse tipo de gente. Pior ainda, haviam sido integrados ao grupo maior. Agora estavam todos no mesmo barco. Haruhiro odiava isso, mas não tinha escolha.

Ainda faltava um pouco para o nascer do sol, mas o céu a leste já começava a clarear.

— Vai acontecer a qualquer momento — Neal disse, fungando. — Hoje é o dia em que encontramos nosso destino.

Era uma expressão espalhafatosa, mas talvez não fosse exagero.

Então eles ouviram gritos confusos vindos do sul.

Clang, clang, clang, o som de gongos ecoou em seguida.

— Vai — Neal deu um tapa nas costas de Haruhiro. — E não ouse morrer.

Ele não esperava ouvir aquilo. Haruhiro ficou um pouco surpreso, mas quando olhou, Neal estava com um sorriso torto no rosto. Nenhum dos subordinados do General Mogis era realmente uma boa pessoa.

— Você também, Neal — Haruhiro respondeu, embora não quisesse dizer aquilo, e então desceu apressado do telhado da hospedaria.

Ele pulou em um beco e começou a correr. O barulho era completamente diferente de antes, quando Haruhiro e seu grupo tinham sido expulsos depois de se aproximarem de Altana. Havia gongos e sinos tocando por toda parte, e os goblins berravam descontroladamente.

Os goblins que estavam dormindo dentro das edificações devem ter saltado da cama e corrido para fora. Não, as ruas já estavam cheias deles.

Haruhiro quase trombou com goblins várias vezes, mas talvez por ter o mapa da Barbara gravado na memória, conseguiu usar as vielas para chegar à guilda dos cavaleiros das trevas. Ao ouvir o relatório de Haruhiro, o comandante Dylan ordenou que todos subissem para a casa em ruínas que formava a parte acima do solo da guilda. Dentro da casa havia corredores estreitos e vários cômodos, mas todos eram pequenos.

— Certo, hoje é um bom dia pra morrer. Então vão lá morrer, seus pedaços de merda.

O comandante Dylan praticamente expulsou o esquadrão suicida do local, depois entrou em um cômodo que mal comportava cinco pessoas e se sentou numa cadeira malfeita que parecia mais um banquinho.

— …E nós? — Haruhiro perguntou do lado de fora do pequeno quarto.

— Fiquem de prontidão — ordenou o comandante Dylan, cruzando os braços e fechando os olhos.

Haruhiro reuniu seus companheiros em outro cômodo, perto da saída da casa em ruínas, ao lado do quarto onde Anthony e seus homens estavam. Esse cômodo também era apertado.

— Ahh… — quando Kuzaku se espreguiçou, sua mão quase encostou em Setora.

— Ei — Setora lançou um olhar fulminante. Kiichi também sibilou em advertência.

Kuzaku riu baixinho e disse: — Foi mal. Tô meio tenso — então bocejou.

— …O que há com esse cara? — Setora perguntou, exasperada.

— Parece que quando ele fica tenso, começa a dar sono… ou bocejar — Mary tentou explicar.

— Isso mesmo — Kuzaku respondeu, meio convencido. — É isso aí. Só pode ser isso.

Shihoru ergueu o rosto, respirando fundo, inspirando e expirando repetidas vezes.

— Você tá bem? — Haruhiro perguntou.

Shihoru se virou para ele e deu um sorriso um pouco envergonhado.

— …Sim porque todo mundo está aqui.

— É… — foi tudo o que ele conseguiu responder. E isso fez Haruhiro pensar: Não dava pra dizer algo a mais?

Será que eu respondo “é” com frequência demais? “É, você tem razão” não seria melhor? Acho que dá no mesmo, né? É, dá no mesmo.

Ele se sentia meio estranho. Não como Kuzaku, mas talvez também estivesse tenso.

Não, claro que estava tenso. Se achasse que estava calmo, isso seria pura ilusão.

— Hum… Mary — disse Shihoru.

Mary pareceu pega de surpresa; seus olhos se arregalaram.

— …Hã?

As duas se encararam.

Foi nesse momento que caiu a ficha em Haruhiro: ele realmente estava tenso. Ou melhor, ele percebeu o que era essa sensação estranha de tensão. Era como se estivesse sentado sobre um barril de pólvora.

Shihoru abaixou a cabeça.

— …Por favor.

Mary não parecia entender o que ela queria dizer e não conseguiu falar o que começou, porque sua boca abriu e fechou algumas vezes sem som algum.

Shihoru levantou a cabeça e tentou sorrir. O esforço era visível, mas ainda assim seu rosto ficou com uma expressão de quem estava prestes a chorar.

Mary caiu na gargalhada, levou a mão à boca, riu de novo e então baixou o olhar.

— …Desculpa.

Shihoru balançou a cabeça.

— …Não, eu que devo pedir desculpas…

Havia uma atmosfera estranhamente pacífica entre Mary e Shihoru, mas o que, afinal, estava acontecendo ali? Haruhiro olhou para Setora, esperando que ela o salvasse.

Setora abraçou Kiichi e se comprometeu a agir como se não soubesse de nada.

— Isso aí! — Kuzaku disse a Haruhiro com um sorriso radiante, erguendo o polegar.

O que exatamente era pra ser esse “isso aí”?

Se naquele momento não tivesse surgido um barulho, como se alguém estivesse tentando abrir a porta da casa em ruínas, Haruhiro provavelmente teria perguntado.

— Houve movimento na Torre Tenboro! O vice-rei Bogg…!

Era a voz da Barbara. Haruhiro estava prestes a sair correndo do cômodo.

— Espera! — Mary o deteve. Ela pressionou os dedos contra a testa e fez o sinal do hexagrama. — Ó Luz, que a proteção divina de Lumiaris esteja sobre você… Protection.

Um hexagrama brilhante apareceu no pulso esquerdo de todos.

Mary continuou entoando outra prece.

Assist.

Mais dois hexagramas, de cores diferentes, se acenderam em seus pulsos.

Kuzaku saltou animado e riu.

— Tô me sentindo leve pra caramba.

Protection era uma magia de luz que aumentava as capacidades físicas e a recuperação natural, ainda que não de forma drástica. Assist fortalecia todas as resistências.

— Obrigado — Haruhiro disse a Mary.

Mary balançou a cabeça.

— Se o efeito acabar, eu conjuro de novo. Vou tentar perceber antes, mas se o hexagrama sumir, me avisa.

Haruhiro assentiu e então olhou para seus companheiros.

— Vamos.


Tradução: ParupiroHPara estas e outras obras, visite o Cantinho do ParupiroH – Clicando Aqui


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