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Hai to Gensou no Grimgar – EX 6: Capítulo 22 – Volume 14++

 

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[Capítulo 06: O Retorno do Terror]


O sino soou, marcando a hora.

8 da manhã.

Haruhiro e os outros estavam em frente à Oficina Masukaze.

Dessa vez não era só Haruhiro, Moguzo e Mary. Ranta, Yume e Shihoru também estavam presentes. Assim que pegassem a arma, já planejavam sair para caçar imediatamente. Todos estavam prontos. Só faltava a arma de Moguzo.

— B-Bom… — Moguzo abriu a porta da Oficina Masukaze.

— Uuooa…?! — Ranta se jogou para trás, assustado.

— Kya…! — Shihoru se agarrou a Yume, que por sua vez soltou um estranho — Nyoh!

Haruhiro, Moguzo e Mary engoliram em seco.

O dragão-cavalo com rodas, o Trigon, estava do outro lado da porta, como sempre. E, pelo que Haruhiro conseguia perceber, o formato da cabeça dele estava um pouco diferente de ontem. Será que o ferreiro tinha mexido nele de novo? Mas, mais importante que isso…

— Sejam bem-vindos. — Riyosuke, o ferreiro, estava ajoelhado diante do Trigon.

Tudo bem até aí.

Mas… por quê?

Por que Riyosuke estava sem roupa da cintura para cima?

E por que havia uma adaga desembainhada repousando diante de seus joelhos?

Seu semblante era pensativo. Tinha algo quase patético em sua expressão.

— O que os traz a esta oficina? — Mas, pelo jeito como repetiu aquela fala…

Esse cara é doido de pedra.

— O que nos traz…? — Haruhiro chegou a começar, mas parou.

Riyosuke assentiu em silêncio. — Brincadeira. — Fechou os olhos. — Estava esperando por vocês.

— ..H-Hum — Moguzo perguntou, hesitante. — Onde está a arma que deixei com você…?

— Imaginei que perguntariam.

— Huh…? B-Bem, é a única razão pela qual estamos aqui, né…?

— Por isso mesmo! Eu disse que estava esperando, não disse?!

Ele estava irritado… mesmo sendo o culpado?

Era exatamente isso.

Não tinha como ser outra coisa. Estava bem claro.

Nenhum deles—nem mesmo Ranta—conseguiu dizer nada em resposta. Todos ficaram atônitos diante da intensidade estranha de Riyosuke.

— Agora escutem bem! — Os olhos de Riyosuke se abriram bruscamente. — Sim, eu aceitei a arma de vocês! Isso é verdade! Ontem, eu disse que ela estaria pronta às 8 da manhã de hoje! Disse isso, sim! Porém! Isso não é garantia de que realmente aconteceria! Nada é certo! Nada! Não é assim que a vida é?! É, não é?! Estou dizendo alguma mentira? Não estou, né? Não estou! A vida seria interessante se tudo saísse conforme o planejado, pessoal?! Seria sem graça, não seria?! Não saber o que vai acontecer! Isso é a vida! Sim, é aí que tá a alegria da vida! Em outras palavras…! Isto é a vida…!

— …Do que esse cara tá falando…? — Yume perguntou a Shihoru.

Shihoru pareceu hesitar, sem saber como responder, e apenas disse, balançando a cabeça: — N-Não faço ideia…

— Então, o que você quer dizer é… — Mary deu um passo à frente. — Ainda não está pronta?

Riyosuke fechou os olhos e balançou a cabeça… na diagonal.

 Por que na diagonal…?

— Eu nunca disse isso.

— E-Então… — Moguzo engoliu em seco. — Está… pronta?

— Que pergunta rasa!

— …Rasa?

— Essa pergunta é rasa demais! Sim ou não! Preto ou branco! A vida é assim tão simples? Não, eu digo! Não…!

— Mas essa aí é um “não”, né…? — Haruhiro não conseguiu deixar de apontar isso. Afinal, Riyosuke acabara de dizer que não dava para dividir tudo em preto e branco. No entanto, Riyosuke sorriu serenamente.

— Há momentos em que precisamos dar uma resposta. Isso também é parte da vida.

— Ei… — Ranta apontou para Riyosuke. — Tudo o que esse cara fala é maluquice. Nada faz sentido…

— Você também não é lá o melhor exemplo…

— Como é que é, Haruhiro?! O que tem de louco em mim?! Eu sou a pessoa mais lógica do mundo!

— Sim!

— Tá vendo?! O velhote concorda co— Pera, hã…?

— Sim?

Riyosuke parecia impassível enquanto Ranta o encarava. Ranta apontou para si mesmo, depois para Riyosuke, e de volta para si.

— Nunca nos encontramos antes, né…?

— Pode-se dizer que sim.

— …Hã? Como assim pode-se dizer que nunca nos encontramos…?

— Boa pergunta.

— V-Você acha?

— Sim. Mas é uma pergunta profunda. Aceitaria refletir sobre ela comigo até encontrarmos uma resposta?

— Não, acho que não… E espera aí, qual é a desse velhote?

Seria possível…?

Será que ele estava tentando enrolar, na esperança de que, no meio da confusão, eles simplesmente esquecessem o assunto…?

— …Entendi. — Mary avançou mais um passo e bateu com a extremidade de seu cajado entre Riyosuke e a adaga. — Se você se sentisse encurralado, ia fazer uma cena dizendo que pensava em cometer seppuku com essa adaga, não é? Já saquei a sua jogada.

Riyosuke olhou para Mary… e sorriu. Ainda havia compostura em sua expressão, mas ele estava suando.

— Parece que me entendeu mal.

— Entendi, foi?

— Eu jamais cometeria seppuku. Cruz credo.

— Também acho que não teria coragem de fazer isso de verdade. Só fingiria.

Riyosuke sustentou o olhar de Mary por um tempo, depois baixou os olhos e murmurou: — …Você é boa. De verdade. Faz três anos desde a última vez que alguém me impediu de usar esse truque. Ufa, essa foi boa. Você me pegou. Me pegou mesmo. Tá bom. Vamos ser francos aqui, tá? Francos! Sim, francos…!

— Por que dizer a mesma coisa três vezes…? — Shihoru perguntou, arrepiada, mas Riyosuke se preparava para o quarto e proibido “franco”.

— Lá vai euuuu! Fran—

Whoosh… O cajado de Mary passou raspando na bochecha de Riyosuke. Aquele cajado de sacerdotisa dela não era só enfeite.

Um risco vermelho surgiu em seu rosto.

Sangue. Ele está sangrando.

— Seja franco. Quando vai ficar pronta?

— …De tarde?

— Que horas?

— Nove, não, dez—

— Quer dizer que vai demorar até a noite?

— Huh? Não, seis da tarde… ou por volta disso.

— Por volta?

— Até às quatro! Não, eu estava tentando bancar o descolado! Quatro é impossível! Até às seis…!

— Seis em ponto, entendeu?

— Sim!

— Sabe o que acontece se você atrasar?

— …Tenho uma leve ideia.

— Termine dessa vez.

Mary recuou o cajado e se virou de costas para Riyosuke.

Naquele instante, Riyosuke soltou um “Ufa…” em voz baixa. Estou salvo. Consegui escapar dessa. Sobrevivi. —era o que seu rosto parecia dizer.

Como se respondesse “Inocente”, Mary girou nos calcanhares e apontou a ponta do cajado para a ponta do nariz de Riyosuke.

— Escute bem. Não me decepcione.

— …Entendido.

— Estaremos aqui às seis da tarde.

— …Estarei esperando.

Até Riyosuke agora estava um pouco pálido, e encarava a ponta do cajado. Com os olhos completamente vesgos. Os mais vesgos que se podia ter.

Mary então cutucou o nariz de Riyosuke com o cajado.

— Eek!

Sem nem olhar para trás enquanto Riyosuke se desequilibrava, Mary deixou a oficina.

— …Que mulher assustadora — Ranta sussurrou. Talvez não fosse algo que se devesse dizer sobre uma companheira. Mas, sendo sincero, Haruhiro sentia o mesmo.

É claro que não podia dizer isso para Mary. Ou melhor, se ele dissesse “sendo franco” perto dela, depois de tudo o que aconteceu… com certeza algo aterrorizante aconteceria.

De todo modo, agora que Mary havia saído, ele não podia deixá-la sozinha. Dando um aceno rápido para Riyosuke, disse: — Bom, a gente volta às seis da tarde, tá?

E saiu da oficina. Mas não viu Mary do lado de fora, o que o fez entrar um pouco em pânico.

— M-Mary…?!

Correu pela ruela estreita. Olhou para a direita. Depois, para a esquerda.

Lá estava ela.

Mary tinha parado, com a cabeça baixa. O que tinha acontecido? Estava de costas para Haruhiro, então ele não podia ver sua expressão. Mas ela parecia… abatida, de algum modo?

Ele não conseguiu chamá-la. Enquanto hesitava, Yume se aproximou calmamente, deu a volta e olhou o rosto dela.

— Mary-chan? Tá tudo bem?

— Me desculpa. Eu…

— Foo?

— Agora há pouco… aquilo foi…

Ranta se aproximou com passos largos.

— Heh! — fez um joinha. — Nada mal. Foi uma bela intimidação. Agora entendi por que te chamavam de “Mary Aterrorizante”!

— …! — Mary balançou a cabeça.

Haruhiro trocou olhares com Shihoru e Moguzo, que haviam os alcançado. Era evidente que Mary estava estranha. No mínimo, ela não parecia estar pensando com um sorrisinho no rosto: “Haha, dei uma lição nele.” Muito pelo contrário. Se algo passava pela cabeça dela, era mais do tipo: Eu estraguei tudo. Errei feio—ou algo assim?

Yume tentava dizer alguma coisa para Mary, mas, apesar da boca abrir e fechar, tudo o que saía eram sons como “Uhh”, “Nngh” ou “Miau”. Nada que se parecesse com palavras de verdade.

Ranta se virou para Haruhiro e inclinou a cabeça de lado.

— …O que foi?

Você, cara. Você começou a chamar ela de “Merry Aterrorizante”.

Mas será que era só isso mesmo? Será que era só por causa disso?

De repente, Mary respirou fundo e ergueu o rosto. Olhou para cada um deles. Seria aquilo um sorriso? Se era, era forçado. E sem muita convicção.

— Bem… até às seis, aqui.

Dizendo isso, Mary saiu andando rápido. Não era exatamente uma corrida, mas era quase isso. Mary estava indo embora.

— Qual é a dela…? — Ranta resmungou, mas àquela altura, Mary já estava bem longe.

Tenho que ir atrás dela.

Mas… o que eu diria?

Haruhiro não sabia. E, para piorar, suas pernas se recusavam a se mover.


Tradução: ParupiroHPara estas e outras obras, visite o Cantinho do ParupiroH – Clicando Aqui


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