Hai to Gensou no Grimgar – EX 6: Capítulo 20 – Volume 14++
Hai to Gensou no GrimgarGrimgar of Fantasy and Ash
Light Novel Online – Ex 6:
[Capítulo 04: A Razão da Solidão]

Aquilo foi um desastre. Mas, bem, Barbara-sensei sempre fora daquele jeito. Era só mais do mesmo. Ainda assim, será que ela agia assim com todos os alunos? E, se não, será que ela realmente odiava o Haruhiro ou algo assim?
— …Mas ela parecia estar se divertindo — murmurou. — Quando me provocava. Tô começando a achar que é disso que ela gosta…
De qualquer forma, graças à Barbara-sensei, ele tinha conseguido aprender a técnica Arrest. Como as habilidades eram aprendidas dentro de um sistema de treinamento em tempo integral, ele não pôde ver seus companheiros durante esse período. Tinham se passado poucos dias no máximo, mas mesmo assim ele sentia uma estranha nostalgia.
Ah, é. Ele também precisava pegar a arma do Moguzo na Oficina Masukaze. Ou será que o próprio Moguzo já tinha feito isso? Enquanto pensava nisso tudo, voltou para a hospedaria—e encontrou uma confusão à sua espera.
— Eu sou contra! Completamente contra, eu digo! Totalmente contra!
No pátio, Ranta, Moguzo, Yume e Shihoru estavam divididos em dois grupos. Eles discutiam—ou melhor, só o Ranta estava gritando.
— Vocês esqueceram?! Dos dias que a gente passou nessa hospedaria dos voluntários?! Vocês não têm coração! Eu não sabia que vocês eram tão sem coração assim! Inacreditável! Sério, sério, sério…!
— Ei, o que houve? — Haruhiro correu até eles.
— Aconteceu de tudo! — Ranta gritou, apontando para Yume e Shihoru com raiva. — Essas duas aí! Começaram a falar umas bobagens sobre sair daqui!
— Não, é que… — Moguzo tentou interromper.
— Cala a boca você também! — Ranta gritou com ele. — Isso tá errado! Abandonar esse lugar! É absurdo, não é?! Fala aí, Haruhiro! Você concorda comigo, não concorda?! Claro que concorda! Sabia! Tá vendo, o Haruhiro tá do meu lado, então acabou! Esquece essa ideia! Ponto final! Fim de papo!
— …Na verdade, não. Eu não concordei com você.
— O que você disse?! Vai me trair também, Parupiro?!
— Não estou te traindo… Digo, a gente vai sair dessa hospedaria eventualmente, então não é estranho que aconteça agora.
— Pois é, né? — Yume cruzou os braços e estufou as bochechas. Ela estava brava. — A Yume já se acostumou, mas essa hospedaria é velha, e nem é muito limpa, sabia? Ela queria se mudar assim que pudesse pagar. E agora pode.
— …Por isso — Shihoru levantou a mão. — A Mary… ela fica em uma estalagem só para mulheres, então… a gente só estava perguntando para ela como era. Só isso, mas…
— Ou seja, vocês vão embora!
O que era que estava deixando o Ranta tão transtornado? Haruhiro não conseguia entender.
— Qual o problema em sair? Vai ser um passo à frente, comparado com esse lugar. Certo?
— Gah…! Lá vem! Lá vem! Um passo à frente, é? Ei, Haruhiro, você acha que tá acima desse lugar, é?!
— E-Eu nunca disse isso. Nem um pouco…
— Você acha que é melhor que todo mundo, é isso?!
— Ah, já chega! Tá me irritando!
— Isso é porque você se acha melhor que os outros, né?!
— Cara…
Haruhiro estava ficando furioso.
Droga, isso não é bom. Ranta… esse cara tem talento pra irritar os outros. Mas não vou cair nessa. Não vou estourar de verdade com ele.
Haruhiro suspirou e relaxou. Então olhou para o Ranta.
É, só de olhar pra ele já me dá raiva. A cara, o cabelo, tudo. Não, não. Preciso me controlar.
— Que bicho te mordeu, Ranta? Para com essa palhaçada e, se tem um motivo de verdade pra achar que a Yume e a Shihoru não deviam se mudar, explica direito.
— E-Eu já expliquei, caramba!
— Então fala de um jeito que eu entenda.
— C-Como eu disse! — Ranta desviou o olhar e chutou o chão. — …Tem motivos! Um monte! Tipo… as memórias! Esse lugar tá cheio delas, e você sabe disso. Aqui, ali, em todo lugar.
— Memórias…
— Isso mesmo! Você quer jogar tudo isso fora?! Só porque as coisas estão um pouco melhores agora. É isso que você acha? Vocês tão mesmo de boa com isso?!
Yume, Shihoru e Moguzo—todos abaixaram a cabeça ao mesmo tempo.
Haruhiro cobriu a parte inferior do rosto com a mão. O que o Ranta estava tentando dizer? Será que ele queria passar uma mensagem sem dizer diretamente? Haruhiro sabia o que era. Provavelmente, todos sabiam.
Não tinha como não saberem.
Eles tinham vivido ali com ele. Por pouco tempo. Mas ele esteve ali.
Ele era o companheiro deles.
Mais confiável do que qualquer um. E o líder da party.
— …É disso que eu tô falando.
Ranta fungou, depois soltou um suspiro bem longo.
— Eu sou totalmente a favor de subir na vida. Mas essa não é a questão aqui.
— Bom, sim… — Haruhiro coçou a cabeça. — Mas querer ganhar mais, comer melhor, morar num lugar melhor… essas coisas podem servir de motivação.
— Você é tão superficial. Superficial demais! Esse é o seu problema, Haruhiro. Você não tem profundidade nenhuma!
— E você tem…?
— Não tem muita gente tão elevada quanto eu.
— Ah, é mesmo…? — Shihoru rebateu, com frieza.
— Hah! — Ranta deu de ombros. — Vocês, seus ignorantes, nunca entenderiam meu pensamento elevado. E, além do mais, o que tem de tão especial numa estalagem só pra mulheres? Só entra mulher, né? Isso é antinatural. Existem homens, existem mulheres. É errado ter um lugar onde só tem mulher. Sério mesmo.
— Ohhh… — Moguzo balançou a cabeça, com uma expressão de exasperação compreensiva.
Então a verdade veio à tona, hein? Haruhiro balançou a cabeça.
— Então era isso mesmo…?
— O-O que era isso mesmo?! Do que você tá falando?! Fala logo, seu idiota!
— Basicamente, a ideia da Yume e da Shihoru saírem da hospedaria tá deixando você se sentindo sozinho, né?
— Hãããããããããããã?! Q-Que diabos?! Quando foi que eu disse isso?!
— Sozinho…? — Yume franziu a testa e fez um biquinho. — Ranta, você vai ficar se sentindo sozinho se Yume e Shihoru acabarem deixando a hospedaria?
— E-E-E-E-Eu não tô sozinho! Como se eu fosse ficar sozinho! E-E-Eu?! Nunca! N-N-Não seja ridícula!
O rosto do Ranta ficou vermelho como um tomate, e cuspe voou por todo lado. Ele estava completamente—completamente mesmo—confuso.
Totalmente perdido. Que que deu nesse cara?
Haruhiro tinha jogado no ar a ideia de que ele estaria se sentindo sozinho. Foi uma forma sutil de tocar no assunto.
Se a Yume e a Shihoru morassem no mesmo lugar, haveria diversas oportunidades. Aquele não era um campo de batalha onde não dava para baixar a guarda, então, por serem garotas, às vezes acabariam deixando alguma brecha. Não dava para garantir que ele não tentaria um “Ops, foi sem querer”, ou um “Foi coincidência, juro”.
Ranta estava só esperando uma chance dessas. Em outras palavras, ele era um animal. Um verdadeiro bicho.
Se Yume e Shihoru se mudassem, ele não teria mais nenhuma chance.
Haruhiro só tinha amenizado a coisa toda dizendo que ele ia se sentir sozinho. Não dava para soltar algo tipo: “Você não vai mais poder dar uma espiadinha nelas, né?”
Isso teria agitado um vespeiro.
Mesmo que fosse em grande parte culpa do Ranta, o próprio Haruhiro e até o Moguzo já tinham feito esse tipo de coisa no passado. —Mas.
Pelo jeito que o Ranta estava agindo, podia mesmo ser solidão de verdade.
— E-E-Eu não tô! De jeito nenhum! E-Eu não tô me sentindo sozinho! Eu não entendo! Não entendo como vocês pensam, seus perdedores! Não faz o menor sentido!
Ranta pigarreou, depois esfregou a palma da mão no nariz.
— Enfim! Não é isso! Eu não tô me sentindo sozinho, nem um pouco!
— Hmm… — Yume apertou as bochechas com as mãos, achatando o rosto de um jeito engraçado. — Bom, agora que Yume pensou nisso, ela também tá começando a se sentir um tiquinho sozinha.
— Q-Quê…? — Ranta começou a surtar de novo. — V-Você tá? V-Você tá se sentindo… sozinha? P-Por quê…?
— Porque é pra cá que a gente volta quando termina nossas aventuras do dia.
Aventuras… Haruhiro até que não discordava tanto, então decidiu não rir dela por isso.
A Yume ainda estava pressionando as bochechas, então a voz dela estava engraçada também, não só o rosto.
— Todo mundo volta pra cá, né? Menos a Mary-chan. Quando a gente toma banho, vai dormir e acorda, tá todo mundo aqui.
— É mesmo… — Moguzo murmurou, olhando para o pátio. Isso fez Shihoru olhar para o pátio e para as construções também.
— A gente já se acostumou, sabe? — disse Yume, soltando um suspiro. — Totalmente. Se mudasse tudo, Yume ia se sentir meio solitária…
— I-I-Isso! Né?! — Ranta voltou a se animar de repente. — É isso que eu estava tentando dizer! Os hábitos são importantes!
— Ranta, cara, você não falou nada disso…
— Cala a boca, Haruhiro! Eu tava dizendo com o coração! Meu coração tava gritando bem alto!
— Eu não consigo ouvir seu coração.
— Isso é falta de treino! Treina mais! Treina, treina! Treina até ficar maluco!
— Treinar o quê…?
— Descobre isso por conta própria, idiota! Agora, continuando…! — Ranta pôs as mãos na cintura e estufou o peito. — Essa conversa acabou! Vamos viver felizes para sempre aqui, beleza, galera?! Beleza?! Tá decidido!
Shihoru olhou para Yume, depois abaixou os olhos. Aparentemente, Yume ainda estava indecisa.
— …Eu vou pensar mais sobre isso. Junto com a Yume.
Tradução: ParupiroHPara estas e outras obras, visite o Cantinho do ParupiroH – Clicando Aqui
Tradução feita por fãs.
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