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Hai to Gensou no Grimgar – EX 6: Capítulo 18 – Volume 14++

 

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[Capítulo 02: Trigono dos Sonhos]


— Haruhiro-kun. Mary-san. Muito obrigado, vocês dois.

Enquanto caminhava pela cidade dos artesãos carregando a espada do temido Death Spots, Moguzo parecia a imagem da felicidade. Era raro vê-lo tão satisfeito.

— Ah, imagina… — Haruhiro respondeu com um sorriso vago e soltou uma risadinha.

— Não foi nada — disse Mary, em um tom simples, mas um pouco seco.

O que será que Mary estava pensando ao responder daquele jeito? Como ela se sentia? Provavelmente nada demais. Mary estava agindo de forma natural. Mas o “natural” de agora era bem diferente de como ela era antes, e parecia estar começando a se acostumar com a party. Ainda assim, havia uma certa distância—dava para sentir. Por exemplo, era possível notar uma barreira extra entre ela e as outras garotas, Yume e Shihoru. Mas aos poucos, bem devagar, ela estava tentando diminuir essa distância. Provavelmente foi por isso que ela veio junto hoje. Só isso. Não havia um motivo especial.

— …É. Deve ser isso. Com certeza é isso.

— Haru? Você disse alguma coisa?

— Hã? E-Eu? E-Eu falei…?

— Fui eu quem perguntou.

— F-Foi mesmo, né?! É verdade. Sim… Não, não falei nada… É-É que às vezes eu fico falando sozinho, sabe? Sem motivo. Nem tem muito sentido.

— Ohhh… — Mary deu um leve sorriso, quase imperceptível, e respirou fundo. — Acho que a gente faz isso às vezes. Eu também faço.

— Né?! Pois é, acontece. Mas por que será…?

— Eu… — Mary começou a dizer algo, mas parou. — Não, deixa para lá. Esquece.

— Huh? O-O quê? Apenas diga.

— É só que…

— Só o quê?

— Eu fico sozinha a maior parte do tempo. Então achei que talvez fosse por isso.

Urgh… Haruhiro sentiu algo apertar no peito.

Na real, deu até vontade de gritar.

Maryyyyyyy…! Maryyyyyyyyyy…?!

Não fala isso…!

Sim, ele mesmo é que tinha dito “Apenas diga” e fez ela dizer algo tão triste, tipo “falo sozinha porque estou sempre sozinha”, mas ainda assim!

Eu não queria que você dissesse isso… sabe?

Bom… como líder da party? Talvez…? É. Estritamente como líder. No meu papel de líder, eu devia me preocupar com esse tipo de coisa, prestar atenção, né? Pode até ser um assunto pessoal, íntimo, mas… somos companheiros, pô. Sim, companheiros! Mesmo que eu não fosse o líder, seria normal me preocupar com ela como ser humano também, né? Né?

— Ahh, é… E-Em momentos assim…

— Momentos assim? — Mary perguntou, piscando. Era como se ela estivesse com uma expressão vazia.

Aquela cara.

O que será que significava? Mary era meio… sabe? Às vezes podia ser bem fria. Quando se conheceram, ela tinha sido meio ríspida, certo? Não era mais assim, mas ela também não era do tipo que expressava muito o que sentia.

Segundo o Hayashi, ela já tinha sido bem alegre, antigamente, mas o que aconteceu ainda devia lançar uma sombra sobre ela. A dor da perda tinha mudado Mary.

Ela foi forçada a mudar.

E não era como se ele quisesse forçar ela a voltar a ser como era antes. Mas um dia, queria ver ela sorrir de verdade, do fundo do coração.

Foi por isso que aquele olhar vazio… o pegou de surpresa.

Parecia inocente, puro… Como dizer isso?

Em uma palavra: fofa?

Fofa, huh?

Não parecia certo… mas também não estava errado. Ou talvez estivesse certo demais? Na mosca? Um acerto em cheio?

— …M-Momentos assim… Uh, é… momentos assim… Assim? Huh…?

Como era mesmo?

Que tipo de momentos são esses? Sobre o que ele tava falando mesmo? Ele não sabia. Não conseguia lembrar.

E agora? Perguntar? Para Mary? Mas foi ele que começou o assunto… seria estranho. Então o quê? Pensar? Ele estava tentando lembrar. Mas não dava.

— A-Acontece, né?! Tem horas assim!

Foi no impulso. Haruhiro soltou essa com convicção.

Mary franziu um pouco a testa, parecendo meio desconfiada, mas no fim das contas disse: — Claro.

Isso só pode ter sido por bondade. Ela estava sendo atenciosa.

 Mary havia sido gentil com ele.

Eu é que devia ser gentil! Como líder! Como companheiro! Eu sei que a Mary tá passando por várias coisas. E aí eu deixo que ela seja gentil comigo? Que tipo de líder faz isso? Não, nem é exagero dizer que eu falhei como ser humano. Tá bom, talvez seja exagero sim. Tô dramatizando. Mas enfim, saí dessa numa boa, então tá tudo certo.

— Ah! Ali! — Moguzo parou de repente, apontando para uma ruazinha estreita à esquerda.

Haruhiro olhou naquela direção e viu um beco curto que terminava em uma bifurcação. Bem no fim dele, havia uma construção de pedra nua. Havia uma placa na frente.

Oficina Masukaze, dizia.

— Meio escondido, né? — comentou Haruhiro.

— S-Sim — respondeu Moguzo, com a voz um pouco tensa. Seu rosto estava meio rígido. — Dizem que é de um ferreiro muito habilidoso. Mas… meio esquisito. Ouvi dizer que ele só aceita trabalhos fora do comum, algo assim…

Haruhiro olhou para a espada do Death Spots que Moguzo carregava no ombro.

— É mesmo? Bom, o que você tem aí provavelmente se encaixa nisso, né?

— Foi o que pensei também.

— Então vamos ver — disse Mary, dando o impulso necessário para que os três seguissem pela ruela estreita.

A porta da Oficina Masukaze era de aço. Havia padrões entalhados em toda a superfície e preenchidos com um metal escuro. Era um trabalho delicado, dava para perceber mesmo sendo leigo. Olhando de perto, a placa da oficina também era de ferro e tinha os mesmos entalhes em metal escuro.

Quando abriram a porta e espiaram lá dentro…

— Uwah! — Moguzo deu um pulo para trás.

E não foi só ele. Haruhiro e Mary também recuaram na mesma hora.

Havia armas alinhadas nas paredes e em suportes. Isso não era o problema. O problema estava bem no centro da sala, olhando fixamente para eles—um cavalo… de metal?

Era isso? Um cavalo?

Não parecia. Se fosse um cavalo, teria duas pernas na frente e duas atrás. Mas aquilo tinha rodas no lugar das pernas. Duas na frente, uma atrás. Três no total.

Talvez um… cavalo com rodas?

A cabeça presa ao pescoço tinha um formato levemente equino, mas ainda assim diferente. “Então o que é isso?”, você poderia perguntar. Haruhiro não sabia responder. Talvez os dragões dos quais ouvira rumores tivessem rostos assim. Então seria um… cavalo-dragão com rodas?

— Oh! Bem-vindos!

Um homem surgiu dos fundos, aparentemente de onde ficava a forja.

Tinha cabelo comprido e usava um avental de artesão. Não era muito grande, mas parecia robusto e ágil. Era difícil dizer sua idade. Com certeza era bem mais velho que Haruhiro, mas dava a impressão de que estava exatamente do mesmo jeito há dez anos e continuaria igual por mais dez. Passava um ar meio desligado.

Pelo jeito leve com que caminhava, sorrindo e acenando com uma mão, parecia sociável. Mas, embora estivesse olhando na direção deles, seus olhos pareciam focados em outro lugar.

— Olá! Me chamam de Riyosuke. Sou ferreiro — disse o homem, dando um tapinha na criatura com rodas. — E então? O que os traz à minha oficina?

— C-Certo! — Moguzo rapidamente tirou a espada do ombro.

Mas antes mesmo disso, os olhos de Riyosuke brilharam de um jeito nada natural.

Ele estava olhando. Olhando bastante. Totalmente vidrado.

Em quê?

Na espada do Death Spots. Se alguém olhasse para Haruhiro com aquele olhar, ele não aguentaria nem dez segundos. Nem cinco.

— Uwahhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh — gritou Riyosuke, voando até Moguzo e arrancando a espada das mãos dele.

Com a espada colossal nas duas mãos, Riyosuke não parecia só olhar para ela—era como se estivesse lambendo com os olhos. Moguzo recuou um passo. Haruhiro ficou lado a lado com Mary—quer dizer, não teve escolha, tá? Foi a Mary que chegou mais perto dele; Haruhiro mesmo não se mexeu, ok? Também não parecia que Mary tivesse feito isso de propósito, então acabou acontecendo. Só isso.

Mas, mais importante que isso, Riyosuke estava inspecionando a espada do Death Spots. De todos os ângulos, variando a distância, virando-a, inclinando, examinando cada detalhe com obsessão.

Por quanto tempo ele vai continuar olhando pra isso?

Pra sempre, talvez?

Pela eternidade…?

Depois de encarar a espada tempo suficiente para fazer Haruhiro se perguntar essas coisas, Riyosuke sussurrou: — Interessante… Realmente interessante. É diferente. Nos ideais. Na história. Essa é uma peça incrivelmente antiga. Ora, ora… Entendo. Isso aqui vai assim… Hmm. Entendo. Entendo. É por isso que… Ah. Hmm. Então foi isso que fizeram? Mas é claro que foi. Não esperava que fizessem isso. Ah, mas se não tivessem feito, então o quê? Isso teria acontecido, então… Entendo.

Riyosuke lançou um olhar para Moguzo.

— Posso ficar com isso?

— O quê—?! — Moguzo ficou sem palavras. E claro que ficou. Por que ele teria carregado aquilo até ali só para entregar de graça?

— N-Não! — Haruhiro se meteu. — V-Você não pode ficar com ela! Não pode, ok? Isso é loucura! Tipo, esse nem é o ponto. A gente quer que você conserte a espada para que ela possa ser usada.

— Tô brincando — disse Riyosuke com um sorriso. Em seguida, abaixou o olhar e estalou a língua.

— …Você acabou de estalar a língua.

Mary apontou isso de forma gentil. Riyosuke sorriu de novo.

— Isso também foi uma brincadeira.

— Será mesmo…? — Haruhiro acabou dizendo o que pensava em voz alta.

— Mas é claro que foi, puxa — Riyosuke respondeu, olhando para o dragão-cavalo sobre rodas por algum motivo. — Aliás, o que acham dessa obra? É impressionante, não é?

Moguzo parecia um pouco intimidado ao responder com um aceno: — A-Ah, sim… é legal… Sim. V-Você também fez isso, Riyosuke-san?

— Sim. Fui eu. É legal? Entendo. Obrigado. Fico honrado.

— O que é isso? — perguntou Mary.

— Vamos inverter isso — disse Riyosuke. — O que você acha que é?

— …Um cavalo?

— Sim. Um dos motivos é, de fato, um cavalo.

— A cabeça é… um dragão, talvez? — sugeriu Haruhiro.

— Sim — Riyosuke confirmou com um aceno. — A imagem da cabeça é mesmo a de um dragão. Encontrei um quando era soldado voluntário. Só um, na verdade.

— Ah, então você era um soldado voluntário, huh?

— Mudei de ramo. Faz bastante tempo.

— Um cavalo e um dragão… — Haruhiro olhou para as rodas. — E por que as pernas são rodas?

— Ah, essas — a expressão de Riyosuke sumiu de repente. — Eu vi em um sonho. Acho que devem vir de algum tipo de veículo. Esse “Trigono” foi feito com o cavalo, o dragão e esse veículo como inspiração.

— Trigono…

Moguzo observava o Trigono com uma expressão séria, depois suspirou.

Quanto a Haruhiro, ele só conseguia pensar: Tá, e daí?

O que é essa coisa, afinal? Não parece uma arma. É um veículo? Talvez desse pra montar nas costas do cavalo, mas ele é pesado demais pra ser puxado como uma carroça. Seria só uma peça de arte?

— Bom, é uma coisa de sonho que veio de um sonho — disse Riyosuke, com um sorriso simpático. — Desculpem por falar de algo tão esquisito. Obrigado por entrarem na brincadeira. Ah, mas foi divertido conversar. Agora, ainda tenho trabalho a fazer, então vamos encerrar por aqui.

— A-Ah, muito obrigado… — Moguzo se curvou, mas—Não, não, não!

— E-Espere aí! — Haruhiro chamou Riyosuke.

— A espada! Por que você tá tentando fugir com a espada do Death Spots?!

— Ah, me pegou, foi? — Riyosuke, que já estava indo para parte de trás com a espada nos braços, se virou. E claro, estava sorrindo. — Era brincadeira.

— Você tava completamente sério…

— Só o suficiente pra pensar “Vai que cola.” Ha ha ha.

— Isso é mesmo uma boa ideia…? — Mary franziu a testa e abaixou o tom de voz, ainda que não tanto a ponto de Riyosuke não ouvir. — Vocês têm certeza de que querem confiar em alguém assim?

— U-Um, é… — Moguzo hesitou, visivelmente inseguro. Haruhiro também não sabia se dava para confiar naquele ferreiro.

— Deixem comigo, eu insisto.

O fato de que o único confiante ali era o próprio Riyosuke só tornava tudo ainda mais suspeito.

— Acredito que posso garantir a satisfação de vocês. Ah, sim. Vou tirar umas medidas agora e fazer um orçamento. Se aprovarem o valor, não me importo de ser pago depois do serviço. Então, peço que deixem a espada comigo por quatro dias. Vai dar certo. Vieram ao lugar certo.


Tradução: ParupiroHPara estas e outras obras, visite o Cantinho do ParupiroH – Clicando Aqui


Tradução feita por fãs.
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