Hai to Gensou no Grimgar â EX 5: CapĂtulo 16 â Volume 14++
Hai to Gensou no GrimgarGrimgar of Fantasy and Ash
Light Novel Online – Ex 5:
[CapĂtulo 07: Antes do Amanhecer]

Oito horas da manhĂŁ, em frente ao portĂŁo norte de Altana. Eu nunca tinha chegado atrasada a um encontro. Costumava chegar antes de todo mundo. Naquele dia, nĂŁo foi diferente.
â E Ă© com esse climĂŁo, pessoal! Que eu apresento pra vocĂȘs a nossa nova amiga! A sacerdotisa, Mary! Vamos lĂĄ, deem uma salva de palmas bem animada…!
Quando o encaracolado Ranta gritou isso em um desespero total, o sonolento Haruhiro e o grandalhão Moguzo bateram palmas de forma hesitante. As outras duas só ficaram boquiabertas. Eram garotas. Uma parecia uma maga bem quietinha. A outra carregava arco e flechas, então devia ser uma caçadora.
Garotas. Elas realmente pareciam garotas, não exatamente material de soldados voluntårios. Na verdade, ninguém naquela party parecia.
VocĂȘ tĂĄ de brincadeira comigo…? Essa foi minha reação mais sincera. Achei que jĂĄ tinha trabalhado com soldados voluntĂĄrios bem variados. Alguns mais velhos, outros mais novos. Uns experientes, outros nem tanto. Mas nunca tinha visto um bando de crianças como aqueles.
Pareciam ter acabado de se tornar recrutas. Normalmente, depois de um ou dois dias nesse estilo de vida, a pessoa mudava um pouco.
Normal. De certa forma, talvez fossem eles os normais. NĂłs Ă© que Ă©ramos os anormais. A gente tinha se adaptado. Querendo ou nĂŁo. Pelo que eu sabia, todo mundo era assim. Essas crianças eram normais… mas estranhos.
â E-Essa Ă© a Mary-san…
Quando Ranta apontou para mim de novo, a garota maga finalmente fez uma leve reverĂȘncia e disse: â O-Oi…
â M-Muito prazer â disse tambĂ©m a garota caçadora.
O que eu deveria responder? As garotas estavam desconfiadas de mim. Claro que estariam. Era de se esperar. Mas não havia agressividade nisso. O tipo de desconfiança ao qual eu estava acostumada era mais combativo, quase hostil. Ou vinha com irritação e nojo. Desagrado. Com essas garotas, a desconfiança era tão misturada com confusão que eu mesma acabei ficando sem saber como reagir.
NĂŁo fazia ideia do que fazer. Puxei o cabelo para trĂĄs da orelha e olhei para o Haruhiro.
â SĂŁo todos?
â Ă…
Olhei nos olhos dele, e Haruhiro rapidamente desviou o olhar. Aquela reação… era normal demais…
â Uhum. Somos todos. Com vocĂȘ, somos seis.
â Entendi â murmurei, soltando um risinho. Se eu nĂŁo risse, nĂŁo ia conseguir continuar com aquilo. Precisava mudar de postura. Isso estava difĂcil. DifĂcil demais.
â Tudo bem. Contanto que eu receba minha parte, nĂŁo me importo. Vamos para Damuro?
â S-Sim… Acho que sim?
â Acho que sim? Seja direto.
â D-Damuro. A Cidade Velha. Caçar goblins… O resto, eu nĂŁo sei.
â Certo, tanto faz. EntĂŁo por que vocĂȘs nĂŁo vĂŁo na frente? Eu acompanho.
â …Ei, sabe? â Ranta me olhou com olhos suplicantes. â N-NĂŁo dava pra vocĂȘ, tipo, mudar um pouco o jeito de falar, a atitude…?
â HĂŁ?
â …N-NĂŁo, d-desculpa… Foi mal mesmo. Esquece…
Esse cara nem merecia atenção. Se eu conseguia calar a boca dele com tão pouco, então ele era fåcil.
NĂŁo houve absolutamente nenhuma conversa durante a caminhada de uma hora atĂ© Damuro. Mesmo que tivessem tentado puxar assunto comigo, duvido que eu teria respondido. Sobre o que serĂĄ que esses garotos costumavam conversar? Eu nĂŁo conseguia nem imaginar. SĂł sabia que eles nĂŁo combinavam comigo. Embora… ninguĂ©m mais combinasse.
Eu vim de longe, nĂ©…? Pensei de repente. Devia ter começado em um lugar parecido com o do Haruhiro e da party dele. NĂŁo foi um tempo fĂĄcil a ponto de eu dizer âaquela Ă©poca era divertidaâ. Mas, sabe… talvez tenha sido divertido. Foi gratificante. Quando olho para esses garotos, sinto que posso me lembrar disso.
Mas eu nĂŁo quero me lembrar.
Eu devia ter recusado esse trabalho.
Fiz besteira.
â …E se a gente encontrar eles de novo?
Foi o que Haruhiro murmurou, pouco antes de entrarmos na Cidade Velha.
â Se a gente encontrar â disse Ranta com um tom estranhamente sombrio â, temos que matar eles. Eu sĂł vou ficar satisfeito depois de cortar aquele desgraçado de armadura e arrancar as orelhas do hobgoblin pra oferecer no altar do Lorde Skullhell.
â Mas… â a maga falou com um tom mais frio do que sombrio. NĂŁo combinava com ela. â A gente nĂŁo tem chance. Do jeito que estamos agora, nĂŁo dĂĄ para vencer.
Ranta bufou com desprezo.
â A gente luta mesmo sem chance.
â Se a gente acabar morrendo por isso… â a voz da caçadora tremia â …Se a gente morrer desse jeito, vai ser tudo em vĂŁo.
â Morrer nĂŁo Ă© bom. â Moguzo assentiu com força. â NĂŁo quero que mais ninguĂ©m morra.
Era estranho uma party nĂŁo ter um curandeiro. Mais estranho ainda era nunca ter tido um. Isso era impossĂvel.
â AlguĂ©m…
Comecei a dizer, mas mordi o lĂĄbio.
NĂŁo precisava perguntar.
NĂŁo era que eles nunca tivessem tido um curandeiro.
Eles perderam um.
Provavelmente morreu.
â …VĂŁo ou nĂŁo? Tanto faz, mas decidam logo.
Ranta desviou o olhar, estalando a lĂngua com irritação.
â Vamos logo com isso, Haruhiro.
â Sim…
Os olhos do Haruhiro ficaram vagando, como se estivesse hesitando. Pensando bem… quem era o lĂder dessa party? Eu tinha a impressĂŁo de que era o Haruhiro, mas nĂŁo dava pra ter certeza. Parecia uma party sem lĂder. SerĂĄ que…
O curandeiro que morreu… era o lĂder deles?
Se for issoâse foi isso que aconteceuâ, entĂŁo foi o pior cenĂĄrio possĂvel.
NĂŁo. Foi o pior mesmo.
Esse trabalho me dĂĄ medo.
Medo demais.
Mesmo pensando assim, eu faria meu trabalho sem deixar transparecer. Era minha polĂtica. Mas, dessa vez, estava realmente difĂcil. Quando Haruhiro gaguejou ao dizer âV-Vamos lĂĄâ, confesso que fiquei bem para baixo. Como serĂĄ que esses garotos caçavam? NĂŁo queria nem imaginar. SĂł esperava que tivessem noção do bĂĄsico. NĂŁo era pedir muito… mas ainda assim, tive minhas esperanças destruĂdas.
Embora… nĂŁo imediatamente.
A gente patrulhou a årea, e Haruhiro até parecia um ladrão de verdade quando foi fazer reconhecimento, mas não encontramos nenhum alvo ideal.
Claro que nĂŁo. Pelo jeito, esses garotos estavam se limitando a atacar apenas grupos com dois goblins ou menos.
Mas goblins nĂŁo sĂŁo idiotas. Eles sabiam que era mais seguro andar em grupo.
NĂŁo ia ter tantos goblins sozinhos ou em duplas.
Na minha experiĂȘncia, goblins na Cidade Velha de Damuro costumavam andar em trios ou mais.
Como essa party conseguiria enfrentar trĂȘs goblins juntos?
Esse era o primeiro obståculo da caça na Cidade Velha. E, de certa forma, era ali que tudo começava.
Basicamente, esses garotos nem estavam na linha de partida ainda.
Ainda assim, se continuĂĄssemos daquele jeito, nĂŁo conseguirĂamos caçar nada, o que significava nenhuma renda. Haruhiro parecia ter tomado uma decisĂŁo.
O alvo que ele encontrou pouco depois do meio-dia era um grupo de trĂȘs goblins.
Nas ruĂnas de uma construção destruĂda, havia um goblin com cota de malha e uma lança curta, e dois outros com roupas feitas de tecido de verdadeâum com um machado e o outro com uma espada curta.
Haruhiro começou a explicar algo que lembrava uma estratégia.
â Primeiro, Yume e Shihoru atacam de surpresa o goblin da lança. Eu, Ranta, Yume e Mary vamos manter o goblin do machado e o da espada curta ocupados, entĂŁo Moguzo e Shihoru eliminam o da lança. Se ficar difĂcil pros dois, eu ou o Ranta damos uma força. Depois que o goblin da lança cair, o resto vai ser tranquilo.
â Espera aĂ.
NĂŁo Ă© que eu nĂŁo esperasse por isso. JĂĄ suspeitava que esses garotos nem conheciam o bĂĄsico da teoria. E era exatamente isso. Mas, mesmo assim, foi um choque. SerĂĄ que eles nĂŁo entendem? Foi por isso que perderam o companheiro.
â Por que eu deveria lutar contra goblins?
â HĂŁ… I-Isso nĂŁo tĂĄ certo…? Por quĂȘ…?
â Eu nĂŁo vou para linha de frente. Eu sou uma sacerdotisa, o motivo deveria ser Ăłbvio.
â Ei… â Ranta começou a responder de forma agressiva, mas se conteve. â …parceira.
â Parceira?
Fiquei irritada. NĂŁo com raiva. NĂŁo havia razĂŁo para ficar com raiva. Era sĂł trabalho.
Para mim, isso é só um serviço.
Mas e para vocĂȘs? TĂĄ tudo bem desse jeito?
Ranta hesitou.
â …V-VocĂȘ? â corrigiu-se. Ele era o que tinha se intimidado, mas parecia nĂŁo gostar nada disso. â NĂŁo, Ă© estranho me referir a vocĂȘ assim… M-Mary!
â CadĂȘ o -san?
â M-Mary…-san â uma veia saltava na tĂȘmpora do Ranta, e o corpo inteiro dele tremia.
Por que ele estĂĄ tĂŁo indignado? Ă idiota, Ă©?
â O-Olha, vocĂȘs sacerdotes sempre andam com aquele negĂłcio, nĂ©? Aquele, como Ă© que chama…? Cajado de sacerdote? VocĂȘ tem um, nĂ©? Aquilo serve pra bater nos outros, nĂŁo Ă©? Ou Ă© sĂł de enfeite?
â Sim. Ă sĂł de enfeite.
â Sua…!
â Sua?
â M-Mary…-san, vocĂȘ, nĂŁo pode ser um pouco mais, tipo, mais… sei lĂĄ. Esquece. Faz o que quiser…
â Eu jĂĄ ia fazer o que quero mesmo sem vocĂȘ me dizer isso.
â Mas Ă© claro que ia! Hahahaha! JĂĄ imaginava! Droga, qual o problema dessa vadia…?
â Poderia evitar usar palavras tĂŁo imundas? Elas sujam meus ouvidos.
â M-Mil perdĂ”es! Desculpa mesmo! Se nĂŁo gosta, por que nĂŁo usa tampĂŁo de ouvido?
â Por que eu teria que me incomodar com isso?
â D-De qualquer forma… â Haruhiro interveio, coçando o pescoço, tentando impedir que a situação piorasse â Entendi o que vocĂȘ quis dizer. A Mary vai ficar na retaguarda atĂ© ser necessĂĄria. Hum, talvez perto da Shihoru seja o melhor. A Shihoru Ă© maga, entĂŁo tambĂ©m nĂŁo vai para linha de frente. Deve estar tudo certo… nĂ©?
Ficar na retaguarda até ser necessåria.
Essa era exatamente a função de um sacerdote.
Parece que ele finalmente entendeu.
A maga. Shihoru, era esse o nome?
Nem tinha ouvido o nome dela antes.
O que hå com essas crianças?
Eles me irritam.
Se eu ficar irritada demais, pode atrapalhar meu trabalho.
â Parece razoĂĄvel, suponho?
â B-Bem, vamos com isso entĂŁo… Yume, Shihoru, por favor.
Quando Haruhiro chamou pelos nomes delas, a maga e a caçadora apenas assentiram em silĂȘncio. Aparentemente, a caçadora se chamava Yume.
Yume e Shihoru estavam visivelmente irritadas. Devem me detestar mesmo, porque nem olhar na minha cara quiseram.
Bom, nĂŁo que eu me importasse.
Talvez os trĂȘs garotos nem tenham explicado direito por que eu estava ali.
Havia sinais que indicavam isso.
Se for o caso, até då para entender as duas estarem desconfiadas.
Quer dizer, normalmente vocĂȘ diria alguma coisa, nĂ©?
NĂŁo era Ăłbvio que a party toda deveria ter conversado sobre isso antes?
Eles nĂŁo se comunicavam?
Mais do que inexperientesâeram piores que amadores. E nem pareciam se dar tĂŁo bem assim.
Sério mesmo, o que estava acontecendo aqui?
Haruhiro foi Ă frente da party, com Yume e Shihoru logo atrĂĄs.
Quando chegou ao local indicado, Haruhiro deu o sinal, e Shihoru começou a preparar uma magia, enquanto Yume armava seu arco.
Shadow Beat, hein?
A magia da Shihoru atingiu o goblin da lança.
Fez o goblin deixar a arma cair.
Mas a flecha da Yume errou o alvo.
Era uma arma de longa distĂąncia, entĂŁo errar era algo esperado de vez em quando.
Mas nĂŁo daquele jeito.
â …Isso foi horrĂvel â murmurei, e Yume deu um salto, apertando o arco com mais força.
VocĂȘ se concentra demais quando dispara a flecha.
NĂŁo Ă© minha especialidade, e eu nĂŁo sou sua companheira, entĂŁo nĂŁo vou te dizer isso diretamente.
Mas espero que perceba sozinha. Mesmo que seja difĂcil enxergar as prĂłprias falhas.
â NĂŁo se preocupa com isso! â Haruhiro gritou para Yume enquanto sacava sua adaga.
VocĂȘ ainda tem presença de espĂrito para tranquilizar a Yume, huh?
Impressionante, mas… nĂŁo Ă© nisso que deveria estar focando agora.
Moguzo e Ranta partiram para cima dos goblins.
O goblin do machado e o da espada curta se colocaram no caminho deles, e, nesse tempo, o goblin da lança se apressava para recuperar sua arma.
Haruhiro acertou um Backstab no goblin da espada curta. Foi sĂł um arranhĂŁo.
Mas o goblin focou nele.
Ranta ficou com o goblin do machado.
Moguzo foi atrås do goblin da lança.
Ahh, mas o goblin da lança foi mais råpido.
Conseguiu pegar sua lança curta e atacou Moguzo com uma estocada.
Moguzo fez um bom trabalho encolhendo os braços e desviando com a espada bastarda.
Ele era bem habilidoso para alguém tão grande.
Yume sacou um facão e avançou.
Pelo jeito, ia apoiar o Haruhiro.
Foi uma atitude ousada, ainda mais para uma caçadora.
Diagonal Cross.
O goblin da espada curta saltou para trĂĄs e evitou o golpe, mas ainda assim foi um bom ataque.
SerĂĄ que a Yume era melhor em combate corpo a corpo?
â Ohm, rel, ect, vel, darsh…!
Shihoru lançou outro Shadow Beat.
Parecia estar tentando ajudar Moguzo, mas o goblin da lança escapou.
O elemental das sombras invocado por Shadow Beat era lento. DifĂcil de acertar sem uma boa preparação.
Mas a pontaria da Shihoru era boa.
O goblin da lança se desequilibrou um pouco, e Moguzo aproveitou para desferir um golpe com a espada bastarda.
Mas estava longe demais.
Acertou sĂł o ar.
Ele nĂŁo conhecia o prĂłprio alcance.
Serå que nunca tinha lutado contra alguém com lança?
Ranta estava se atrapalhando contra o goblin do machado.
NĂŁo ia nada bem, mas serĂĄ que ele nĂŁo podia melhorar a forma como se movia?
Tinha muito movimento desperdiçado.
Era esse o estilo dos cavaleiros das trevas? Duvido. Cavaleiros das trevas se movem muito, sim, mas de forma mais precisa.
Ele parecia um sapo se debatendo em pĂąnico.
Haruhiro e Yume estavam em vantagem numérica, dois contra um.
Eles ficariam bem.
Moguzo estava sendo pressionado por uma série de estocadas do goblin da lança, recuando cada vez mais.
Mas, contra alguém com lança, recuar assim só piorava as coisas.
Faltava experiĂȘncia.
Ele nĂŁo sabia como lutar.
Se eu fosse companheira dele…
NĂŁo. Mesmo se fosse, nĂŁo estaria em uma posição de dizer âfaz issoâ ou âfaz aquiloâ.
â Ai…!
Ranta levou um corte na coxa esquerda e saltou para trĂĄs como um sapo.
Goblins eram mais baixos que humanos.
Ele precisava tomar cuidado com ataques na parte inferior do corpo.
Mas parecia que nem sabia disso.
â Yume, deixa esse comigo! Vai ajudar o Ranta com o goblin do machado!
Haruhiro queria que a Yume ajudasse o Ranta?
Ele estava observando a luta e nĂŁo demorou muito para decidir.
Mas serĂĄ que foi uma boa decisĂŁo?
SerĂĄ que o Ranta realmente precisava de apoio agora?
â Mary, cura o Ranta! â ele pediu.
â NĂŁo â respondi imediatamente.
â NĂŁo?! HĂŁ? Por quĂȘ, nĂŁo?! â Ranta protestou.
â NĂŁo Ă© um ferimento que exige tratamento imediato. Aguenta firme.
â …Mas que droga…! â Ranta descontou sua raiva no goblin do machado.
TĂĄ vendo? Ele tĂĄ bem.
â Droga, droga, droga, droga! SĂł porque vocĂȘ Ă© um pouco… quer dizer, muito bonita, nĂŁo precisa se achar! Isso Ă© uma merda! Uma merdaaaaa…!
â VocĂȘ nĂŁo tĂĄ com dor, Ranta?
â TĂŽ com dor, sim! Com Ăłdio…!
Ranta desceu sua espada longa em um golpe diagonal contra o goblin do machado.
Mas com um ataque tĂŁo Ăłbvio, nĂŁo tinha como acertar.
O goblin desviou com facilidade.
â Eu tĂŽ jorrando sangue, sabia?! Ă claro que dĂłi! DĂłi pra caralho…!
O goblin da espada curta derrubou Yume com uma rasteira, e ela caiu de bunda no chĂŁo com um grito de surpresa.
Por um momento, quase fui ajudĂĄ-la, mas Haruhiro jĂĄ estava lĂĄ.
Não dava para saber se viriam reforços inimigos, e eu precisava proteger a Shihoru.
Além disso, os goblins pareciam prontos para fugir.
â Seu…! â Haruhiro tentou se colocar entre o goblin da espada curta e Yume.
O goblin da espada curta correu. Estava fugindo.
Os outros goblins também.
Haruhiro ficou paralisado, sem reação.
Ranta estava frustrado.
Moguzo, Yume e Shihoru pareciam aliviados.
â VocĂȘs estĂŁo exaustos â falei, sendo honesta.
Talvez nĂŁo devesse ter dito isso.
Mas nĂŁo consegui segurar.
Haruhiro me lançou um olhar fulminante, mas não respondeu.
Se tivesse falado uma palavra que fosse, tenho certeza de que eu nĂŁo teria me controlado.
Bom para vocĂȘs. NinguĂ©m morreu. Tiveram sorte dessa vez. Mas se continuarem assim, um dia a conta vai chegar. NĂŁo que isso seja problema meu. NĂŁo tem nada a ver comigo. Afinal, eu nĂŁo sou companheira de vocĂȘs. E vocĂȘs provavelmente tambĂ©m nĂŁo me veem assim. Nem eu.
Tenho uma sugestĂŁo. Por que vocĂȘs nĂŁo desistem? NĂŁo acho que tenham o que Ă© preciso pra serem soldados voluntĂĄrios. NĂŁo foram feitos para isso. Claro, tambĂ©m nĂŁo Ă© fĂĄcil encontrar outro modo de vida.
Altana era uma base militar do Reino de Arabakia voltada para a reconquista das terras na fronteira.
Era sĂł uma cidade-fortaleza.
O Exército da Fronteira estava aquartelado ali, e os soldados voluntårios existiam para dar suporte a eles.
O Exército era formado por militares de verdade, então não era fåcil entrar.
E os outros trabalhos jĂĄ tinham gente demais.
Para entrar nas guildas dos ferreiros, dos artĂfices ou dos comerciantes, nĂŁo bastava ter dinheiroâe ainda assim te fariam trabalhar pesado por quase nada.
Se fosse mulher, dava para arrumar algo nas tavernas ou em âoutros tipos de negĂłcioâ, mas ainda assim nĂŁo seria uma vida fĂĄcil.
No fim, a Ășnica opção era mesmo ser soldado voluntĂĄrio.
Era de se suspeitar que havia uma conspiração para forçar todo mundo a isso.
Terminamos o trabalho do dia.
Chamar de âtrabalhoâ era bondade. NĂŁo ganhamos nada.
Na verdade, saĂ no prejuĂzo.
Naquela noite, não fui até a Taberna Sherry.
Fiquei no meu quarto.
Felizmente, a estalagem onde eu alugava um quarto tinha um banho decente.
Era possĂvel tomar um longo e relaxante banho sozinha, tarde da noite, entĂŁo quase sempre escolhia esse horĂĄrio.
Sempre fui uma pessoa noturna. Quase nunca dormia cedo.
A ĂĄgua do banho estava morna.
Precisava colocar mais ĂĄgua quente para acertar a temperatura.
Era um saco, mas eu jĂĄ estava acostumada.
Se eu pudesse lavar o corpo e o cabelo, e depois mergulhar em uma banheira com a temperatura ideal, conseguia dar um reset nos meus sentimentos.
Como soldada voluntĂĄria, nĂŁo era como se eu nĂŁo conseguisse aguentar ficar sem tomar banho.
Mas, para ser honesta, se nĂŁo fosse por esse ritual que fazia na estalagem, jĂĄ teria perdido o equilĂbrio mental hĂĄ muito tempo.
No entanto, esse ritual tinha uma falha.
Durante o banho, eu tentava esvaziar a mente, mas era difĂcil alcançar esse estado de vazio.
Ăs vezes, acabava pensando em coisas que nĂŁo precisava.
Serå que vou sair para caçar com aquelas crianças de novo amanhã?
A pergunta pesava em mim.
Meu estĂŽmago doĂa.
Talvez eu devesse recusar.
Nunca abandonei um trabalho depois de aceitar.
Mas serĂĄ que havia necessidade de insistir nisso?
Talvez estivesse tudo bem. Eu podia desistir.
Mesmo assim, hesitava em fazer isso sem dizer nada.
Teria que falar com eles pessoalmente.
NĂŁo posso trabalhar com vocĂȘs. NĂŁo quero morrer sendo arrastada junto.
VocĂȘs querem morrer, nĂŁo Ă©? Ă por isso que sĂŁo tĂŁo desorganizados, certo? Se querem morrer, entĂŁo morram. SĂł nĂŁo me arrastem juntoâNĂŁo.
Isso nĂŁo estĂĄ certo.
Se quisessem morrer, nĂŁo teriam ido atrĂĄs de uma sacerdotisa como eu.
Aquelas crianças estavam fazendo o melhor que podiam, do jeito delas.
SĂł nĂŁo eram boas nisso.
Provavelmente estavam sofrendo por causa disso, porque nĂŁo importa o que fizessem, nada dava certo.
Deve ser frustrante. Doloroso.
Era assim conosco também.
As coisas estavam indo bem, mas tropeçamos. E falhamos, às vezes.
Mas superamos isso. Seguimos em frente.
Porque conseguimos superar, ficamos convencidos. E cometemos um erro fatal.
Todo mundo erra.
Ăs vezes, a linha entre um erro recuperĂĄvel e um erro fatal Ă© bem tĂȘnue.
Todos aprendemos com os erros. Para nĂŁo repetir.
Då até para dizer que, enquanto não morremos, ganhamos o direito de errar de novo.
Enquanto aquelas crianças não morressem, o amanhã poderia ser melhor que hoje.
Elas seriam capazes de lidar um pouco melhor com a situação.
Se conseguissem viver hoje e amanhĂŁ…
â Vamos trabalhar mais um pouco â murmurei, deixando os lĂĄbios afundarem na ĂĄgua.
NĂŁo era companheira deles. Mas podia trabalhar.
Faria meu trabalho como sacerdotisa.
Para que aquelas crianças pudessem viver até amanhã.
AtĂ© o dia em que se cansassem de mimâque sĂł sabia trabalhar.
Até lå, faria meu trabalho. Era só isso que me restava. Não havia mais nada pra mim agora.
Tradução: ParupiroHPara estas e outras obras, visite o Cantinho do ParupiroH â Clicando Aqui
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