Hai to Gensou no Grimgar – EX 5: Capítulo 15 – Volume 14++
Hai to Gensou no GrimgarGrimgar of Fantasy and Ash
Light Novel Online – Ex 5:
[Capítulo 06: Imprevisível]

Minhas lembranças do dia em que deixei três pessoas morrerem—e das coisas que aconteceram depois—podiam ser meio confusas, mas mesmo quando eu bebia, tomava o cuidado de nunca chegar ao ponto de me embriagar de verdade, então eu sempre sabia o que tinha feito, pelo menos.
Eu também tinha plena consciência de que não era muito bem vista.
Ganhei alguns apelidos, embora ninguém tivesse coragem de dizê-los na minha cara.
Um deles era Mary Mal-Humorada.
Outro, Mary Assustadora.
Segundo os outros, eu era uma mulher intimidadora.
Para começo de conversa, tinha meu jeito seco de responder. Nunca dizia mais do que o necessário. Reconhecia isso.
Embora, na minha visão, não achava que estava sendo especialmente fria.
Nunca tentei intimidar ninguém, ou insultar alguém de propósito. Mas é claro que falava, quando era preciso.
Por exemplo, se alguém estivesse prestes a fazer uma idiotice, seria perigoso não impedi-lo.
A maioria das pessoas não dizia tudo o que pensava, e eu entendia por quê. Talvez por serem tímidas, ou com medo de estragar uma relação, ou, enfim, por mil motivos.
Mas se eu achasse que devia parar alguém, não hesitava.
Eu não ligava para o que pensavam de mim. Minha segurança vinha antes de qualquer outra coisa.
Diziam também que eu era antissocial. Que por isso eu não conseguia encontrar companheiros.
Essa era uma reclamação comum. Mas, se querem saber, eu não precisava de sermão de ninguém.
Eu nunca tive a menor intenção de fazer companheiros.
Queria que não presumissem que, só porque eles sentiam necessidade de estar cercados de gente, porque se sentiam inseguros sozinhos, porque não conseguiam fazer nada sem ajuda, eu fosse igual.
Eu me sentia melhor sem companheiros. E agia de acordo.
Não era que eu não conseguia formar laços. Era uma escolha minha.
Você faz o que quiser com seus companheiros, e eu faço o que quiser sozinha. Então me deixa em paz.
Era mais ou menos assim que eu me sentia.
Não era que eu não tivesse capacidade de cooperar—eu apenas não tentava. Porque não havia necessidade.
Trabalho eu estava conseguindo, na verdade. Não era constante, mas eu não passava fome.
Ninguém tinha o direito de me criticar pelas minhas escolhas. Mas, de fato, eu escutava isso o tempo todo.
A vida de um soldado voluntário nem sempre era fácil, mas talvez muita gente tivesse tempo demais sobrando.
Mas não era só isso. Eu entendia.
Os caras da União Livre, e homens como o Dune. Tinha um bando de homem que pegava no meu pé por absolutamente nada.
E como se isso não bastasse, às vezes surgia uma mulher que virava minha inimiga do nada, só porque estávamos na mesma party.
Elas também não tinham motivo real.
Imagina o seguinte: uma mulher está caidinha pelo líder da party. Mas ele não corresponde.
Eu entro na party como curandeira substituta, ou por algum outro motivo.
O cara é educado comigo, demonstra alguma consideração.
Ela não gosta disso.
Eu continuo agindo do meu jeito de sempre, mas ela vem dizer que eu estou “dando em cima” dele, e que por isso ele estava se confundindo.
“Fica longe dele,” ela diz. “Fazer tipo difícil é parte da sua rotina, né?”
Já me disseram isso antes.
Tudo que eu podia fazer era responder, com toda clareza, que não tinha nenhuma intenção dessas.
Mas existem mulheres que, mesmo quando você diz isso na lata, continuam presas nas próprias ideias.
Homens e mulheres assim andavam por aí espalhando boatos sobre mim—alguns verdadeiros, outros não. Eu não fazia questão de sair por aí desmentindo, e quando percebi, já tinham me dado fama de Mary Desagradável e Mary Assustadora.
Eles podiam fazer o que quisessem, me chamar do que bem entendessem.
Se a minha má reputação crescesse o suficiente, ninguém mais teria expectativas sobre mim.
Só apareciam para me contratar pessoas tão desesperadas que não se importavam com o tipo de pessoa que eu era.
Elas só queriam me usar.
E tudo bem. Para falar a verdade, assim era até mais fácil para mim.
As únicas vezes em que me sentia desconfortável eram quando encontrava com Hayashi, Shinohara-san ou os outros membros da Orion na Taberna Sherry.
Eu não conseguia simplesmente ignorar meus antigos companheiros, que sempre tinham me tratado bem, então ao menos fazia um aceno com a cabeça. Às vezes, tentavam puxar conversa comigo.
Shinohara-san, em especial, nunca deixava de vir falar comigo. Nunca sobre nada importante.
Algo como “Como você tem passado?” ou “Tá indo bem?”
Só umas poucas palavras.
O comportamento de Shinohara-san era impecável.
Ele se importava até com uma ingrata como eu.
Era um sujeito tão bom que chegava a dar arrepios.
Era a única pessoa com quem eu não conseguia ser ríspida.
E então, tinha esse cara.
Kikkawa.
— Ne ne ne ne ne ne ne ne ne ne ne ne ne ne ne. Vizinha, vizinha, Mary-san? Ne ne ne ne ne ne ne ne ne ne ne ne. Hein? O que eu tô fazendo, você pergunta? Não tá perguntando? Ah, pergunta, vai! Vai, pergunta. Tá, tudo bem se não perguntar. Eu vou contar de qualquer jeito. Então escuta. Tem, tipo, esse desafio de ver quantas vezes dá pra dizer “ne” seguido. Ne ne ne ne ne ne ne ne ne ne ne ne ne ne ne ne ne ne ne ne ne ne ne ne ne ne ne ne ne ne ne ne ne ne nen nen ne. Uau! Errei! É bem difícil, se tentar de verdade, sabia? Sério. Se acha que eu tô mentindo, tenta aí. Vai tentar? É, né, não vai. Até porque fui eu que inventei! Talvez eu mesmo pare. Ah, aliás, aliás, ne ne ne ne ne ne ne ne ne ne ne ne ne ne ne ne ne ne ne ne ne… olha só, falei de novo! Isso é bem minha cara! Bam! Ah, é, é, é. Na real, dessa vez eu até tinha um assunto sério com você!
Era raro ele realmente ter algum assunto sério comigo.
Quando eu estava no balcão da Taberna Sherry esperando algum trabalho, Kikkawa às vezes—não, frequentemente—se aproximava e começava a despejar um monte de bobagens.
Eu basicamente ignorava tudo.
Ele nunca tinha negócios comigo.
Sim. Se não tinha, o que é que ele queria, afinal?
Homens com segundas intenções eram mais fáceis de entender—e de lidar.
Mas esse cara? Ele era assim com todo mundo, não era só comigo.
Saía por aí tagarelando com qualquer um.
Até onde eu sabia, não havia outro soldado voluntário como Kikkawa.
Ele desafiava a compreensão.
— …O quê, você tem um assunto comigo? — acabei respondendo, sem querer.
— Isso mesmo! — disse Kikkawa, franzindo a testa e esfregando a base do nariz com o dedo indicador. — Então, escuta só. Hm. É, então. Tipo, isso é sobre trabalho… de certa forma? Mas não é comigo, tá? Tipo, eu sou dos Tokkis, né? Tô com o Tokimune e os amigos fabulosos dele, então não é comigo, mas queria te apresentar uns caras que meio que têm relação comigo, sabe? Basicamente, a gente se alistou na mesma época. Então, que tal fazer uma party com eles? É essa a ideia.
— Você quer que eu entre em uma party com essas pessoas?
— Isso, isso mesmo. Wahey!
— Como curandeira reserva?
— Nãããão, aí que tá, viu? Rolou uns perrengues, e eles tão sem curandeiro. Então você seria, tipo, a curandeira principal. Aliás, não “tipo”, você vai ser a curandeira principal.
— Se for um trabalho, eu aceito.
— Ah, é mesmo? Sério?! Ótimo! Beleza, então eu apresento vocês! Hã, vou trazer eles aqui, pode ser? Tipo, agora. Tá tranquilo?
— Pode ir.
— Então, só espera aí! Vou voar na velocidade da luz! Whoosh…!
Se eles tinham se alistado na mesma época que o Kikkawa, então eram meus juniores.
Mas isso não importava.
Trabalho era trabalho.
Não importava com quem fosse, eu manteria as emoções totalmente neutras e faria apenas o meu papel.
Não era que eu tivesse poucas expectativas—eu não tinha nenhuma.
Mas os soldados voluntários que o Kikkawa trouxe pareciam tão obviamente pouco confiáveis que eu não pude deixar de pensar: Isso não vai acabar sendo perigoso…?
Eram três homens. Embora, falando a verdade, seria mais adequado chamá-los de garotos. Não pela idade, mas pelo comportamento. Se eu quisesse ser gentil, diria que pareciam ingênuos. Se não, eram crianças.
— Então, então, esse aqui é o Haruhiro, esse é o Ranta, e esse é o Moguzo! Certo, vocês três, deem um oi agora! Saudações são a base da boa comunicação, sabiam?
Com o empurrãozinho do Kikkawa, o soldado voluntário de olhos sonolentos, com cara de ladrão, disse: — …Ah, olá. — E fez uma leve reverência. — Eu sou… Haruhiro. Um… ladrão. Não tem muito mais o que dizer.
— E-Eu sou o Ranta!
O homem baixo, de cabelo encaracolado, parecia levemente equipado para um guerreiro. Tinha um olhar atrevido no rosto.
— Eu sou um cavaleiro das trevas… Entendido? Heh. A-Ah, e… Ah, é, tô procurando uma namorada. Sim. Heheh!
— E-Eu sou o Moguzo. Sou um guerreiro.
Esse homem, que parecia um urso sem pelos de tão grande, passava uma sensação inofensiva, apesar do físico imponente. Parecia tímido, e eu tinha que questionar se ele realmente seria útil.
— …M-Muito prazer — concluiu ele.
— Então tá! — disse Kikkawa, piscando para mim com um brilho imaginário saindo dos olhos. Fazendo um sinal de paz ao lado do rosto, falou: — Vou nessa! Deixo o resto com vocês, criançada! Até mais, até mais, até mais, Mary, beeeeeam…! — E foi embora. Que tipo de raio era esse?
Os três só ficaram ali se remexendo, gemendo, com os olhos fechados e uma expressão de sofrimento no rosto, mas nenhum deles dizia nada para mim. O que é isso? Pensei. Não era com eles que eu tinha que tratar? Eu é que teria que dar andamento à conversa? Se não o fizesse, aquilo nunca ia acabar.
— E então?
Me virei para eles, usando o mínimo possível de palavras, e finalmente Haruhiro abriu a boca.
— Hum, bem… Eu pedi ajuda ao Kikkawa. Quer dizer, ele trouxe a gente aqui, então você já sabe disso, né? Sim, claro que sabe. Então, hã… A gente tá meio que sem sacerdote. Dá pra dizer que estamos procurando um sacerdote que tope entrar na party. Então, huh…
Será que você consegue falar sem parar tanto…? Tive que conter o impulso de dizer isso, respirando fundo. Eu devia ter imaginado. Era típico do Kikkawa. Era a primeira vez que ele me arranjava trabalho, e olha só no que deu. Ele era um homem imprevisível.
— Condições?
— …Condições? — Haruhiro repetiu, surpreso. Seus olhos ainda pareciam sonolentos.
— É… as condições são… vamos até Damuro, e… ah, condições… tipo, o quê, exatamente?
— Idiota — resmungou Ranta, dando uma cotovelada nas costelas de Haruhiro. — É tipo quanto a gente paga pra ela por dia. Essas coisas. Você devia saber, né!
Lancei um olhar cortante para ele. Ranta soltou um “Ih…” e deu um passo para trás.
— F-Foi uma piada… tá? Não, não foi uma piada, foi um exemplo, só que talvez não muito apropriado…
— Sim. Foi extremamente inapropriado.
— …Sim, foi, né? Foi mal? Não quis dizer nada com isso… Tô só meio tenso…
— Você? Tenso? — Haruhiro provocou, e Ranta respondeu na hora: — Ah, vai se catar!
Moguzo encarava o chão, como se estivesse com dor de estômago ou algo assim, e suava.
Eu tive que concluir que cobrar uma diária estava fora de questão. Esses garotos não tinham como pagar. O que significava que tudo o que eu receberia seria minha parte. E quanto eu podia esperar ganhar com essas crianças? Não muito, com certeza. Provavelmente seria um valor bem baixo. Se eu não ficasse no prejuízo depois de descontar o aluguel diário e os gastos com comida, já estaria no lucro.
Eu não era exigente. Ainda assim, talvez essa fosse a primeira proposta que eu devesse recusar.
Mas.
Se eu recusasse, o que essas crianças tão desesperadamente inexperientes fariam? O que aconteceria com elas?
E daí? Elas não tinham nada a ver comigo.
Mas.
— Se eu receber a minha parte, já está bom. A gente começa amanhã? Se tiverem um ponto de encontro, me digam.
Tradução: ParupiroHPara estas e outras obras, visite o Cantinho do ParupiroH – Clicando Aqui
Tradução feita por fãs.
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