Hai to Gensou no Grimgar – EX 5: Capítulo 14 – Volume 14++
Hai to Gensou no GrimgarGrimgar of Fantasy and Ash
Light Novel Online – Ex 5:
[Capítulo 05: Não Eram Cavalos]

Eu já tinha ouvido falar do Acampamento Leslie.
Era uma caravana de mercadores liderada pelo morto-vivo Ainrand Leslie, que viajava por Grimgar.
Quando a caravana de Leslie se movia? Ninguém sabia.
Ninguém jamais tinha visto a caravana de Leslie em movimento.
Porém, quando estava parada, a história era outra.
Às vezes a caravana fazia uma pausa em algum lugar—e, quando isso acontecia, passava a ser chamada de Acampamento Leslie.
Leslie possuía tesouros de todas as partes do mundo e de todas as eras, e dizia-se que, se alguém conseguisse roubar até mesmo uma fração mínima desses tesouros, ficaria imensamente rico.
Segundo alguns rumores, o Acampamento Leslie era aberto a todos.
Ele não rejeitava nenhum visitante, independentemente da raça, e estaria disposto a trocar algo valioso até mesmo por um simples pedregulho.
Recebia os convidados de forma luxuosa—mas essa era justamente a armadilha de Leslie.
Dizia-se que, ao final do banquete, os convidados eram colocados em um sono do qual jamais acordavam.
Dizia-se também que todos eles passavam a integrar a caravana.
Que havia sobreviventes do Acampamento Leslie por aí.
Que Garlan Vedoy, o margrave de Altana, era um deles.
Ainda assim, de tempos em tempos, o assunto de procurar o Acampamento Leslie surgia entre os soldados voluntários.
Nunca tinha ouvido falar de alguém que tivesse sucesso, mas histórias de fracasso… essas eu ouvia com frequência na Taberna Sherry.
Não era estranho que eu fosse convidada só para preencher o número de integrantes de uma party.
Um guerreiro de rosto marcado, conhecido como Dune, falou comigo, e acabei embarcando nessa busca pelo Acampamento Leslie.
Éramos doze no total.
Era ridículo.
Nunca encontraríamos o lugar—mas isso não me importava.
Eu estava ali apenas como curandeira auxiliar, para emergências, e Dune tinha prometido me pagar diariamente, além da minha parte na divisão dos lucros.
Se o lucro estava garantido, eu não ia reclamar.
Passamos quatro dias vagando pelas Planícies dos Ventos Rápidos, e nesse tempo fomos atacados por várias feras selvagens.
Minha posição era sempre no centro da formação.
O ponto mais distante dos inimigos, e eu me afastava o mínimo possível.
Havia dois magos que também não podiam lutar corpo a corpo, então eu ficava ao lado deles para protegê-los.
Fora isso, eu só observava.
E, ao observar, fazia questão de não me envolver.
Eu faria meu trabalho, mas emoções só atrapalhavam.
Elas podiam turvar o julgamento. Levar a erros.
Claro que não era fácil fazer isso.
Se alguém se machucava, por exemplo, era impossível não se preocupar.
Não era só comigo—ninguém gosta de ver gente sofrendo.
Mas eu precisava tomar decisões cuidadosas.
Qual era a gravidade do ferimento? Precisava ser curado agora?
Meu poder mágico não era infinito.
Cada feitiço gastava um pouco, e uma hora ele acabava.
Eu precisava economizar.
Já tinha falhado nisso uma vez.
Foi um erro gigantesco.
Na hora em que mais precisei da magia, ela não veio.
Nunca mais queria passar por aquilo.
As pessoas frequentemente protestavam. “Tô com dor aqui, então me cura logo”, diziam.
Não era problema meu.
Eu ignorava.
E, se insistissem demais, eu dizia: “Você ainda está vivo, né? Não morreu, então está tudo certo, né?”
Quando eu dizia isso, a maioria torcia o nariz.
Às vezes, alguém perdia a paciência e dizia “Não se ache”.
Já me perguntaram também: “Você se acha no direito de decidir quem vive ou morre?”
Eu não achava isso.
Mas era um saco ter que responder, então ficava quieta.
Além disso, talvez eles nem estivessem errados.
Talvez eu estivesse mesmo sendo arrogante.
Eu não confiava em mim mesma.
De certo modo, era mais difícil acreditar em mim do que em qualquer outra pessoa.
Por isso, o que eu pensava não importava.
Eu só fazia meu trabalho.
Fazia pelo dinheiro.
Fazia para sobreviver.
Por que eu precisava de dinheiro?
Por que eu tinha que continuar vivendo?
Se eu pensasse nisso, acabaria me confundindo, então preferia não forçar uma resposta.
Mas provavelmente era porque deixei meus companheiros morrerem.
Porque matei três pessoas.
Eu nem tinha mais o direito de morrer quando quisesse.
Acho que era isso.
Eu já tinha trabalhado com o Dune uma vez antes.
Não eram muitos os soldados voluntários que me contratavam uma segunda vez.
Por outro lado, havia um pequeno grupo que me chamava com frequência, e eu, em segredo, pensava neles como meus “clientes fixos”.
Talvez Dune estivesse prestes a se tornar um deles.
Após cinco dias procurando pelo Acampamento Leslie, o moral da party estava em baixa, e naquela noite no acampamento começaram a discutir se não era hora de desistir.
Perguntaram minha opinião, e eu respondi que tanto fazia.
No fim, decidimos voltar.
Levou dois ou três dias até chegarmos de volta a Altana.
Como eu recebia por dia, se demorássemos mais um pouco, melhor para mim—era mais dinheiro entrando, então eu realmente não me importava.
Naquela noite, eu estava de vigia com Dune. Éramos só nós dois, sentados ao redor da fogueira.
— Desculpa, Mary. Por te arrastar pra uma coisa tão chata.
— Não foi nada demais.
— Mas esse tipo de missão não é grande coisa pra uma mulher, né?
— Não sou a única mulher aqui, sou?
— Bom, não… Você continua seca como sempre, hein?
Dune coçou a cabeça de forma desajeitada, depois deu uma risada repentina.
— Mas eu gosto disso em você, sabe?
— Para com isso.
— Estou falando sério. Não é brincadeira.
Quando olhei para ele, Dune estava me encarando com um olhar sério.
— Você tem estado na minha cabeça esse tempo todo. Quer sair comigo?
— Não quero — respondi na hora.
Quis abaixar os olhos, mas resisti. Continuei olhando direto para Dune.
Eu não confiava em mim mesma. Não confiava em homens.
Não fazia ideia do que ele poderia fazer, então não podia me dar ao luxo de baixar a guarda.
— …Isso é só por agora? Ou não tenho chance nem no futuro?
— Nenhuma. Nunca. Zero. Não existe essa chance.
— Ah, é?
Dune virou o rosto, emburrado.
Pelo visto, ele não ia virar cliente fixo.
Acontece. Não havia nada que eu pudesse fazer.
Na volta para Altana, durante a noite, enquanto eu dormia afastada do resto da party, Dune tentou se deitar em cima de mim.
Foi vingança por eu tê-lo rejeitado? Ou um impulso desesperado?
Eu dormia leve.
Percebi o movimento a tempo, e consegui afastá-lo antes que algo mais grave acontecesse.
Acontece. Não podia deixar isso me abalar.
Quando voltamos para Altana, Dune resmungou sobre me pagar pelos oito dias.
Naturalmente, eu exigi o pagamento completo, conforme o combinado.
— Parceira, Incrível como você ainda consegue falar comigo numa boa depois do que aconteceu.
— Quem fez aquilo foi você, não eu. E, aliás, eu não sou sua “parceira”.
— Podia pensar um pouco em como as outras pessoas se sentem.
— Você pensou em como eu me sentia quando tentou fazer aquilo?
— Aquilo foi… Tá bom, eu errei.
— Sim. Você errou. Completamente. Não sei se ficou com o orgulho ferido por ter sido rejeitado, ou o quê, mas é mesquinho demais ficar tentando economizar por causa disso.
— Parceira…
— Não ouviu o que eu disse? Eu não sou sua parceira. Você me dá nojo. O quê? Vai me bater agora? Vai lá. Aposto que vai doer se bater com tudo, mas eu posso curar os ferimentos com magia de luz. E aí você vai se sentir um idiota por ter feito uma coisa tão inútil. E vai merecer.
— Se quer seu dinheiro, toma logo!
Dune ficou vermelho como um tomate e jogou no chão o pagamento pelos oito dias.
— Você é uma mulher miserável, que se vende por dinheiro! É isso que você é, Mary!
Assim que ele saiu correndo, juntei as moedas, uma por uma.
Eu estava furiosa.
Estava miserável. Patética.
Mas dinheiro era dinheiro.
Se eu fosse até a Taberna Sherry, talvez acabasse esbarrando com Dune.
E daí? Eu não era quem devia sentir vergonha.
Esse era o papel dele.
Mesmo pensando assim, quando percebi que ele não estava na taberna, é claro que senti alívio.
Eu não estou me vendendo, e também não estou deixando de pensar nos sentimentos dos outros, ou talvez esteja, e eu não quero pensar nisso.
Foi o que me passou pela cabeça enquanto tomava uma dose de destilado, até perceber que Kikkawa, de repente, estava sentado ao meu lado.
Ignorei, é claro. Mas Kikkawa não era o tipo de pessoa que se deixava abater só porque estava sendo ignorado.
— Ei, vizinha… É coisa da minha cabeça, ou você tá meio pra baixo? Espero que seja só impressão. Quero ver minha vizinha de bem com a vida. Quero ver ela brilhando. Acho que combina com você, sabe? Ah, e só pra constar, tô falando isso aqui como se estivesse pensando alto, tá bom?
Tá bom, tá bom. Continua aí falando sozinho.
Eu também estava falando comigo mesma.
Não. Nem isso. Eu nem estava falando.
Será que eu podia ter rejeitado o Dune de forma um pouco mais sutil?
Não era culpa minha. Eu não tinha feito nada de errado.
Mas talvez eu pudesse ter dito de outro jeito.
“Mary, você é sempre tão extrema.”
Era o que a Mutsumi teria dito.
Mas se eu tivesse dado uma resposta morna, que deixasse uma ponta de esperança, isso também não teria sido bom.
Era isso que eu achava?
Ou será que, no fundo, eu quis ferir o Dune?
Fui eu quem descontou as próprias frustrações nele?
— Viiizinha. Ânimo, vai. Ei. Viiizinha. Se tiver alguma coisa te incomodando, pode falar. Eu escuto. A gente finge que você tá só pensando em voz alta.
Eu não ia contar—Não podia.
Eu estava sozinha.
E estar sozinha era o melhor.
Tradução: ParupiroHPara estas e outras obras, visite o Cantinho do ParupiroH – Clicando Aqui
Tradução feita por fãs.
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