Hai to Gensou no Grimgar – EX 5: Capítulo 13 – Volume 14++
Hai to Gensou no GrimgarGrimgar of Fantasy and Ash
Light Novel Online – Ex 5:
[Capítulo 04: O Interior da Cabeça Dele é Waradeganf]

Enquanto eu estava na Taberna Sherry, saboreando um licor destilado vindo do continente, um sujeito estranhamente espalhafatoso se aproximou de mim dizendo: — Ei, ei, ei!
— Ei! — disse o homem, levantando a mão direita. Na esquerda, segurava uma caneca de cerâmica. Tudo nele—a voz, o rosto, a aparência, o jeito de agir—exalava frivolidade. Existiria alguém no mundo para quem a palavra “frívolo” fosse mais apropriada? Aquele cara parecia a própria encarnação da frivolidade.
Arrependida de ter olhado em sua direção, baixei o olhar para o balcão.
— Ei! — gritou o homem, animado.
— Ei! Ei! Ei!
…Persistente.
Eu estava ignorando ele de propósito. Ele devia ter percebido.
— Ei, ei, ei! Ei…?
Como era de se esperar, o tom da voz dele perdeu força. Estava na hora de desistir.
— Oh! Você pensou que eu ia desistir, né? Pois é, não! Eu sou diferente! É isso que me separa dos caras normais, entendeu? Sabia? Brincadeira!
Suspirei. Ou melhor, o suspiro escapou por conta própria.
Que tipo de cara era esse? Frívolo e irritante num nível que ia além de tudo o que eu poderia imaginar.
Ultimamente, quando eu ia beber assim em um taverna, quase nenhum soldado voluntário vinha puxar conversa sem motivo.
Se tivessem um motivo, aí era outra história.
Por exemplo: se o sacerdote da party tivesse adoecido de repente. Ou se tivesse sido aliciado por outra party. Ou se tivesse se irritado e dado no pé.
Nos melhores casos, a party ainda tinha um sacerdote, mas planejava se aventurar em um lugar mais perigoso e queria mais um por segurança.
Para emergências, para cobrir uma vaga ou como curandeira reserva—esses eram os papéis que eu costumava assumir. E, na prática, havia uma demanda razoável por isso. Só que a oferta era escassa.
Isso porque, normalmente, como sacerdotes eram indispensáveis em qualquer party, não faltava quem os aceitasse.
Mesmo que fossem meio incompetentes, ainda assim não ficavam de fora.
Quando um sacerdote atuava como freelancer, alguma party ou clã logo tentava recrutá-lo.
E, mesmo sem receber um convite, se o próprio sacerdote tomasse a iniciativa, entrava em uma party sem dificuldade.
Eu recusei todas as ofertas para entrar em um clã.
Por isso, se algum soldado voluntário vinha falar comigo, era para que eu cobrisse uma vaga ou atuasse como curandeira reserva.
Estar bebendo aqui na Taberna Sherry era, em parte, uma questão de negócios. Basicamente, eu estava procurando trabalho.
Dava para ganhar o suficiente para me manter assim, então eu não tinha do que reclamar.
Eu até tinha um certo objetivo, algo que estava tentando alcançar, mas não fazia ideia de quando conseguiria.
Também não tinha planos de mudar meu estilo de vida. Não via motivo para isso.
Eu não queria que ninguém atrapalhasse meu caminho.
Muito menos esse sujeito espalhafatoso.
Sem olhar para ele, e tomando cuidado para não colocar emoção na voz, eu disse: — Cai fora. Não estou com disposição para conversar com alguém como você.
— O quêêê?!
Por algum motivo, o espalhafatoso girou três vezes no lugar. Foi um giro bem executado.
— Você não quer conversar comigo-buina?
— …Buina?
Uh-oh. Acabei reagindo. O sujeito não perdeu a chance de continuar.
— Okay! Entendi, entendi, entendi! Saquei tudo! Tipo, vejo bem dentro de você! Yay, yay! Yahhh!
— O… o que você entendeu?
— Isso mesmo! Vou ser breve! O que eu entendi é que… eu não entendi!
Por algum motivo, ele disse isso com uma expressão séria e segura.
Eu fiquei sem palavras. Nunca tinha encontrado alguém que se empenhasse tanto em uma conversa tão vazia.
— …Se entendeu que não entendeu, então vai embora. Mas se for para falar de negócios, aí é outra história.
— Negócios? O que é isso? Negó-bizí?! A gente vai falar de negóbizí aqui?!
— N–Negóbizí…?
— Não, mas sério agora, tipo, é muito doido, né? — disse ele, se sentando na cadeira ao meu lado.
— Muita coisa acontece na vida. Muitamuitamuitaaaa coisa, sacou?!
— …Muitamuitaaa…?
— É! Isso mesmo! Este lugar não é nenhum par de dados, né?! Pegou? Hein? Como é que você se chamava mesmo?
— Mary…
— É isso aí! Mary, Mary, bem diferente! Uau, que nome bom!
— …Mas acho que eu nem te falei meu nome.
— Não falou?! Sério mesmo?! Éééé, na real, eu sabia que não tinha ouvido ainda. Desculpaaa. Eu falei isso já sabendo que não sabia. Essa é minha técnica. Entendeu?
— Eu… não faço ideia do que era para eu entender.
— Vamos ficar de bom humor! Este lugar não é nenhum paraíso, mas dentro da minha cabeça é. Waradeganf! Sacou?
— …Desculpa por não estar de bom humor.
— Nada disso! Você não fez naaaaada de errado! Na real, tá tudo suuuuuper de boa! Vai de doce, pra mais doce, pra docíssimo, tô certo?! Ei, ei, ei, Mary-san, você quer ser minha costela querida?
— Costela…?
— Opa, falei errado! Não era minha costela, era minha namorada! Minha amada! Ou então minha esposa!
— Como é que você confunde essas coisas…?
— Isso é top secret!
— Passo.
— Gowhuh! Então vamos começar como amigos!
— Não preciso de amigos.
— OOOOOOOOH! O-o-o-o-o-o-ohhhh! Não diga algo tão triiiste, tão triiiiste! Nããão! Vamos ser amigos! Eu serei seu amigo pra sempre! Eu, tipo, quero muuuito, muuuito ser seu amigo! Eu tenho que ser!
Ele chegou a implorar para ser meu amigo, parecendo prestes a se ajoelhar, mas isso não mexeu meu coração nem um milímetro.
Só que, apesar de ser absurdamente idiota, esse homem parecia estar estranhamente falando sério.
— Eu não posso ser sua amiga. Sinceramente, não preciso de amigos. Só de parceiros de trabalho — respondi.
— Beleza!
Isso foi rápido.
Mas se eu reagisse, ia parecer que tinha perdido.
Espera aí… isso era uma disputa agora? Não sabia dizer.
Mas, espera… ele ainda não tinha ido embora.
Virando a caneca, ele tomou o resto da bebida parecida com cerveja, e falou para o atendente: — Me traz outra breja bem gelada!
Ele estava pedindo outra bebida.
O que isso queria dizer? Que ele pretendia ficar ali…?
— Mary-san. Eu entendi você. Esquece essa coisa de amizade! Porque, tipo, eu sou um homem! A gente não é amigo! Nem namorado e namorada! Nem marido e mulher! Que tal, tipo… pai e filha…?
— Nem pensar.
— Já imaginava. Ia ser meio estranho mesmo. Bom, então… irmãos…?
— Não somos.
— Pensei que não. Tá, e se fosse isso: vizinhos?
— …Vizinhos?
— Ama o teu cavalo! Não era assim o ditado? Hein? Cavalo agora? Não, não! Vizinha! Viiiziiinhaaa…! Desculpa, desculpa. Tipo, foi mal mesmo. Cara, hoje eu tô afiado. Número mágico quinze! Por que quinze? Nem sei! Bokeracho! Yay! Enfim, chegou minha breja. Mary-san, Mary-san, Mary— posso tirar o “-san”? Posso?! Agora que somos vizinhos, né? Uhul! Quebremos os limites! Vamos abrir a porta pra um novo mundo? Abre a poooorta! Oh, yeah!
Comecei a sentir uma dor de cabeça, não sabia bem por quê…
Como alguém conseguia juntar tanta baboseira em uma conversa só? O que estava acontecendo dentro da cabeça desse homem…?
— Wah!
Ele se encolheu de repente. Ficou pálido, tremendo inteiro.
— …O-O que foi? Aconteceu alguma coisa…?
— Acabei de perceber algo… tipo, devastador, yo…
— Yo…?
Ele assentiu, e então, apoiando a caneca no balcão, cobriu o rosto com as mãos.
— …Cara, eu sou doido. Sério mesmo. Como é que eu esqueci uma coisa tão importante…?
— E… o que foi?
— Meu nome.
Ele puxou a língua para o canto da boca, fechou um olho e fez uma pose estranha.
— Meu nome é Kikkawa! Quase que eu esqueço de me apresentar. Essa foi por pouco! Ia te deixar com uma lembrança misteriosa, sem nome! Seria cruel, né? Ia ser chato, né? Né, né?! Uhul! Então, eu sou o Kikkawa! Mary, deixa eu dizer: prazer em conhecê-laááá!
— P-Prazer em…
Fechei a boca. Essa foi por pouco.
Quase tinha dito “prazer em conhecê-loóóó”.
E… eu realmente não queria dizer isso.
Kikkawa não era um rosto familiar. Talvez fosse um novato.
Ele é perigoso, pensei. Mas não do jeito normal.
Respirei fundo e tomei um gole do destilado.
O álcool forte queimou minha garganta até chegar no estômago.
Quando o calor passou, eu já tinha esfriado por dentro também.
— Kikkawa. Agora eu sei seu nome.
— Yahoo! É uma honra!
— …Agora que eu sei, acabou. Vai embora.
— Ué. Por quê? Pra quê?
— Eu já disse. Não pretendo conversar sobre nada além de trabalho. Você está incomodando.
— Nem um papinho?
— Isso.
— Nem jogar conversa fora?
— Exato.
— Nem falar de amor…?
— De jeito nenhum.
— Ugh…
Kikkawa fez uma careta estranha e desabou sobre o balcão.
Por que ele simplesmente não ia embora, mesmo com a minha rejeição tão clara?
Agora era uma prova de vontades.
Eu podia ficar em silêncio para sempre. Não importa o que acontecesse, não ia responder. Não ia me mexer dali.
…Mas Kikkawa também era teimoso.
Impressionante como ele não emitia um som.
Os clientes já tinham quase todos ido embora.
A Taberna Sherry, que funcionava até de manhã, já estava prestes a fechar.
Sem mais paciência, virei o rosto para o lado—e Kikkawa estava dormindo.
Com um sorriso no rosto, dormia como uma pedra.
— …O que há de errado com esse cara?
Tradução: ParupiroHPara estas e outras obras, visite o Cantinho do ParupiroH – Clicando Aqui
Tradução feita por fãs.
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