Hai to Gensou no Grimgar â EX 2: CapĂtulo 7 â Volume 14+
Hai to Gensou no GrimgarGrimgar of Fantasy and Ash
Light Novel Online – Ex 2:
[CapĂtulo 07: Continue Andando]
Depois de derrotamos o goblin de lama, passamos trĂȘs dias sem conseguir nenhum ganho, e o clima geral da party sĂł piorava.
Era assim mesmo, mas não dava pra deixar as coisas como estavam. Todo mundo com certeza sabia disso, mas ninguém se mexia pra mudar a situação. Eu teria que ser o primeiro a fazer isso.
Ă noite, no quarto da pensĂŁo onde estĂĄvamos hospedados, me sentei na cama.
â …Manato? â alguĂ©m me chamou.
Era o Haruhiro. Ele ainda nĂŁo estava dormindo?
â Sim â respondi.
â TĂĄ acordado? Ainda Ă© noite. Quer dizer, a noite mal começou. TĂĄ indo ao banheiro ou algo assim?
â Nada disso â levantei da cama. â Vou sair um pouco. Acho que nem preciso dizer, mas vou voltar, entĂŁo nĂŁo se preocupe.
â Vai sair… a essa hora da noite?
â A noite sĂł tĂĄ começando â falei, com meu sorriso de sempre. â AtĂ© mais. VocĂȘ deve estar cansado. NĂŁo precisa me esperar. Vai dormir tranquilo.
â Ah, tĂĄ.
Se eu não o convidasse, o Haruhiro não viria. Isso era um pouco frustrante, mas não surpreendente. Ainda assim, como ele pelo menos tinha alguma noção do perigo em que eståvamos, era melhor do que o resto.
Saà da pensão e fui em direção à Rua Jardim das Flores. Tinha um lugar por lå, a Taberna Sherry, um ponto de encontro para soldados voluntårios.
No caminho, fui abordado por garotas tentando me atrair para outros lugares, mas as ignorei e segui até a taberna que procurava.
O burburinho da multidão, por algum motivo, me causava uma sensação de nostalgia. Serå que eu estava acostumado a lugares assim? Era realmente inconveniente não conhecer o próprio passado.
Andando com passos tranquilos, olhei em volta da tabernaâe entĂŁo vi um rosto familiar.
Aqueles cabelos prateados. Sentado sozinho no balcĂŁo. Era o Renji.
Sentei-me ao lado dele.
â E aĂ.
Renji lançou um olhar na minha direção, mas não disse nada.
Chamei uma das garçonetes que passava e perguntei quais bebidas estavam no cardåpio e quanto custavam.
Quando me preparei para fazer o pedido, Renji sacudiu o prĂłprio copo.
â Mais disso aqui â empurrou uma moeda de prata na mĂŁo da mulher confusa. â Dois copos.
A mulher deve ter ficado intimidada, porque agarrou a moeda de prata e saiu apressada.
Sorri, do mesmo jeito de sempre.
â Desculpa te dar trabalho.
â TĂĄ mesmo arrependido? â Renji respondeu com um leve sorriso.
Balancei a cabeça.
â Nem um pouco.
â Imaginei.
â TĂĄ se saindo bem, hein.
â Ao contrĂĄrio de vocĂȘs, lixos.
â VocĂȘ nĂŁo mede as palavras.
â Porque Ă© a verdade.
â Comprou uma bebida pra mim sĂł pra me rebaixar?
â Eu tenho pena de vocĂȘ â Renji esvaziou o copo. â NĂŁo sei no que vocĂȘ tĂĄ pensando. Reunindo aquele bando de escĂłria. O que vocĂȘ tĂĄ tentando fazer?
â EscĂłria, huh…? â Fiquei irritado. Mas nĂŁo o bastante pra explodir. Na verdade, fiquei me perguntando: por que o Renji tĂĄ me cutucando desse jeito?
Se comparasse nossas situaçÔes, o Renji, que podia pagar minhas bebidas, devia estar mais tranquilo. Digo, comparando nĂłs dois, tudo que eu fazia parecia inĂștil. Eu estava perto do fundo do poço, na pior posição possĂvel. E ainda assim, eu nĂŁo era tĂŁo pessimista. JĂĄ o Renji estava visivelmente irritado. Talvez as coisas nĂŁo estivessem saindo como ele planejou.
â Deve ser difĂcil, ser perfeccionista â comentei.
â NĂŁo fala como se soubesse â ele rebateu.
â Eu nĂŁo conheço vocĂȘ, Renji. Nem um pouco.
â Imagino que nĂŁo.
â Mas vocĂȘ tambĂ©m nĂŁo me conhece.
â Ah, mas eu conheço â disse ele, sem olhar pra mim. â Esse seu sorriso Ă© sĂł fachada. VocĂȘ Ă© um merda que nem vĂȘ as pessoas como humanas. NĂŁo confia em ninguĂ©m. NĂŁo espera nada de ninguĂ©m, nem de coisa alguma. Ă assim que consegue manter esse sorriso idiota no rosto, nĂŁo Ă©?
â VocĂȘ dizendo isso… atĂ© que faz sentido.
â Posso dizer com certeza. Ă exatamente o tipo de pessoa que vocĂȘ Ă©.
â Se for resumir em uma palavra… eu sou um monstro? â perguntei.
â Ă. Isso mesmo.
â Pode ser. Mas Ă© patĂ©tico descontar suas frustraçÔes nos outros, Renji.
Renji estava prestes a estalar a lĂngua, mas se conteve. Logo depois, as bebidas que ele tinha pedido chegaram. E, atĂ© terminĂĄ-las, ele nĂŁo falou mais comigo.
â Boa sorte aĂ, Comandante do Lixo â disse, se levantando do banco.
Foi tão engraçado que comecei a rir.
Mesmo rindo, as palavras do Renji ficaram em mim como golpes no estĂŽmago.
Eu nĂŁo confiava nas pessoas? NĂŁo tinha expectativas? Eu podia dizer com certeza que isso nĂŁo era verdade? E mesmo que fosse… eu precisava confiar nelas? Era errado nĂŁo esperar nada dos outros? Meu sorriso era sĂł uma mĂĄscaraâe daĂ?
O Renji era um cara melhor do que parecia, pensei. E achei isso hilĂĄrio.
LĂĄ estava eu, rindo sozinho. Talvez eu fosse mesmo um cara ruim. E talvez nĂŁo me desse bem com o Renji. Mas se ele fosse um pouco mais ingĂȘnuo, a gente atĂ© poderia se dar bem.
Pra ser direto, eu poderia ter enganado o Renji. Manipulado ele. Mas nĂŁo deu. Ele me viu atravĂ©s da fachada. Se eu fosse trabalhar com ele, terĂamos que disputar posição o tempo todo.
Se a gente se juntasse, nosso poder total atĂ© poderia aumentar, mas tudo viraria uma dor de cabeça. Nem eu, nem o Renji, tĂnhamos paciĂȘncia pra isso.
Renji entendeu isso por instinto. E eu também. Foi assim que chegamos até aqui.
â Mas ainda nĂŁo entendo, Renji… â murmurei antes de virar o resto do licor forte.
A verdade é que eu ainda não entendia direito quem eu era. Por que serå? Estava começando a me divertir com isso.
EscĂłria, Ă©? Comandante do Lixo? Bem, e daĂ? Eu ia me reerguer a partir daqui. Ia alcançar a party do Renji… e ultrapassĂĄ-los.
Se eu conseguisse fazer isso, ia ser uma sensação maravilhosa, tenho certeza. Queria ver a cara de frustração do Renji.
Um monstro, é? Talvez. Ainda não me conhecia bem, mas aos poucos estava começando a entender.
Por ora, precisava ganhar dinheiro. Estava começando do zeroâou, se olhasse pro estado lastimĂĄvel dos recursos que eu tinha, de menos que zero. Mas nĂŁo tinha desperdiçado meu tempo. Pelo menos, jĂĄ tinha uma boa noção de como o Haruhiro e os outros eram.
Agora era hora de ficar sério.
Comecei a reunir informaçÔes na Taberna Sherry. Me enturmar com os soldados voluntĂĄrios veteranos foi moleza. Ficar rondando a floresta atrĂĄs de goblins de lama era ineficiente demaisâserĂĄ que existia algum bom campo de caça por aĂ?
Logo encontrei um lugar. Se eu sugerisse, ninguém provavelmente se oporia, então isso basicamente resolvia a questão. E foi exatamente assim que aconteceu.
Começamos a ir regularmente para a Cidade Velha de Damuro. Nosso alvo eram os goblins que viviam por lå.
Se formos falar sobre os inimigos da humanidade, hĂĄ os orcs, mortos-vivos, elfos cinzentos, kobolds, goblins e por aĂ vai.
Os goblins eram menores que os humanos e não eram exatamente inteligentes. Pra falar a verdade, eram desprezados até pelos outros inimigos, tratados como bucha de canhão.
Por isso, os goblins foram empurrados para um canto esquecido da vasta fronteira, e acabaram fazendo de DamuroâtĂŁo prĂłxima do territĂłrio humanoâseu lar.
AlĂ©m disso, o centro do poder dos goblins estava localizado apenas na Cidade Nova de Damuro. A parte leste, conhecida como Cidade Velha, havia sido abandonada e deixada Ă mercĂȘ do tempo.
Os goblins da Cidade Velha nĂŁo eram o que se poderia chamar de goblins âconvencionaisâ. Eram pĂĄrias, sem lugar na Cidade Nova.
Sinceramente, poderia haver presa mais adequada pra gente? NĂŁo estou sendo irĂŽnico; era assim que eu realmente me sentia.
Ganhar dinheiro. Esse era nosso objetivo principal, mas havia mais uma coisa, algo que eu considerava importante.
Experimentar o sucesso.
Se nĂŁo vĂssemos uma sequĂȘncia contĂnua de vitĂłrias concretas, nĂŁo conseguirĂamos criar confiança de que Ă©ramos capazes. PrecisĂĄvamos lutar, e vencer. PrecisĂĄvamos desenvolver o hĂĄbito de vencer.
Pra isso, o ideal era bater em inimigos fracos. Dito isso, se fossem fracos demais, nĂŁo adiantava. Tinham que parecer desafiadores, mas ser fracos na medida certa.
Pelo que ouvi nas minhas buscas por informaçÔes, os goblins pårias da Cidade Velha de Damuro eram os oponentes perfeitos pra gente.
Deixei a tarefa de reconhecimento com o Haruhiro. Ele era cauteloso e não sofria de variaçÔes de humor. Conseguia continuar mesmo com todas as coisinhas irritantes do dia a dia. Dependia bastante de mim, mas isso era porque ele tinha sido jogado numa situação estranha e ainda estava inseguro. No fundo, ele era do tipo que sabia agir por conta própria quando as condiçÔes eram favoråveis.
Com aqueles olhos sonolentos, até podia parecer meio apåtico, mas na verdade era surpreendentemente obediente. Acho que ele podia ser um pouco mais esperto.
Sempre deixava o Moguzo na linha de frente, usando o fĂsico que a natureza lhe deu. JĂĄ tinha sacado qual era o ponto fraco dele. Quando ficava nervoso, perdia o equilĂbrio. Em vez de balançar a espada com firmeza, acabava sendo arrastado pelo peso dela.
Eu sabia que ele tinha força. O que precisava era manter o centro de gravidade baixo e balançar a espada com o corpo inteiro.
Quando dei esse conselho em voz baixa, o jeito como ele se movia melhorou visivelmente.
à primeira vista, o Moguzo podia parecer meio bobão, mas não era nada disso. Se ficasse um pouco mais eståvel emocionalmente, jå seria capaz de se sair bem do jeito que estava. E ainda tinha muito espaço pra crescer.
A Yume, como ela mesma admitia, nĂŁo era muito boa com o arco. Provavelmente nĂŁo era falta de destreza, e sim de foco. Sendo gentil, diria que ela era muito tranquila; nĂŁo sendo, que faltava seriedade.
Como fazer ela levar as coisas a sério? Esse era o desafio.
O problema da Shihoru era a personalidade. Consertar aquele jeito tĂmido e retraĂdo nĂŁo ia ser fĂĄcil. Ela estava sempre consciente dos olhares ao redor, se preocupando com o que os outros pensavam dela ou se estava incomodando alguĂ©m.
Bom, por outro lado, isso significava que ela passava o tempo todo observando os outros. Como maga, e portanto a que ficava mais afastada do inimigo, ela devia ter um campo de visĂŁo mais amplo. Eu precisava fazer com que ela aproveitasse isso.
Quanto ao Ranta, seu espĂrito livre era uma faca de dois gumes. Mas a Ășnica opção era deixĂĄ-lo agir como quisesse, aceitando que, de vez em quando, isso nos prejudicaria. Se eu o restringisse demais, ele perderia seus pontos fortes.
Logo, eu aprenderia a entender como ele funcionava. AĂ, se eu incluĂsse suas açÔes nos meus cĂĄlculos, conseguiria usĂĄ-lo bem.
No nosso primeiro dia na Cidade Velha de Damuro, matamos quatro goblins e conseguimos 10 pratas e 45 cobres.
No segundo dia, foi 1 prata.
No terceiro dia, enquanto continuĂĄvamos explorando a Velha Cidade e desenhando um mapa simples, matamos goblins e conseguimos 4 pratas e 32 cobres.
Tendo juntado um pouco, fomos ao mercado naquele dia. Todo mundo parecia se divertindo e continuaram animados mesmo depois de voltarmos para a pensĂŁo.
As luzes jĂĄ estavam apagadas. Ranta respirava suavemente em seu sono. Moguzo roncava. E o Haruhiro?
Eu também estava um pouco com sono.
TĂnhamos finalmente chegado Ă linha de partida. Tudo ainda estava por vir. Por enquanto, eu estava conseguindo aproveitar. SerĂĄ que ia ficar ainda mais divertido? O Renji estaria se divertindo? NĂŁo parecia.
Quando vi o Ranta todo feliz revirando os pertences de um goblin morto, meio que fiquei com inveja. Eu nĂŁo conseguia me empolgar daquele jeito. NĂŁo era que eu nĂŁo tivesse emoçÔes, mas… chorar, ficar eufĂłricoânĂŁo conseguia me imaginar fazendo isso. Tinha a impressĂŁo de que o Renji era igual.
Havia um muro. Era essa a sensação. Um Ășnico muro. Entre mim e a realidade.
Realidade, hein?
Isso aqui Ă© mesmo a realidade…?
â Manato â alguĂ©m chamou.
Era a voz do Haruhiro. EntĂŁo ele nĂŁo estava dormindo, afinal.
â Oi? â respondi.
â Obrigado.
â De onde veio isso, do nada? â ri sem querer. â Eu Ă© que devia agradecer.
â HĂŁ? VocĂȘ tĂĄ agradecido…? Por quĂȘ?
â Por todos vocĂȘs, por serem meus companheiros.
O que eu estava dizendo? Era mesmo assim que eu me sentia? Se fosse papo furado, eu devia ser um mentiroso nato.
â Agradeço por isso â continuei. â Sei que falando assim pode atĂ© parecer mentira, mas Ă© o que eu realmente sinto.
â NĂŁo acho que vocĂȘ esteja mentindo, mas… â Haruhiro fez uma pausa. â Como posso dizer…? A gente sempre depende de vocĂȘ. Se vocĂȘ nĂŁo tivesse estado com a gente, estarĂamos encrencados. Dependendo do rumo que as coisas tivessem tomado, talvez nem estivĂ©ssemos mais vivos agora.
â Isso vale pros dois lados. Sem vocĂȘ e os outros, vai saber o que teria acontecido comigo. VocĂȘ percebe que nĂŁo estamos numa situação em que dĂĄ pra sobreviver sozinho, nĂ©?
NĂŁo, eu nĂŁo estava mentindo. SĂł estava dizendo a verdade.
Se eu nĂŁo estivesse por perto, Haruhiro e os outros estariam em apuros. Bom, Ă©, provavelmente era verdade.
Ninguém vive sozinho. Mas talvez eu conseguisse encontrar um lugar onde pudesse viver.
Haruhiro e os outros, talvez nĂŁo conseguissem. Renji os chamou de lixo, e abandonou todos.
Para o Renji, eles não tinham a capacidade de sobreviver e não valiam a pena. Para alguém forte, ou ao menos tentando ser forte, como o Renji, eles não passavam de lixo.
E eu? No fundo, como me sentia em relação ao Haruhiro e os outros?
â Olha, nĂŁo me entenda mal, mas… â A forma como o Haruhiro falou era tensa, cheia de hesitação. â Acho que vocĂȘ conseguiria encontrar vĂĄrias pessoas dispostas a serem seus companheiros. Era sĂł pedir pra entrar em alguma party, por exemplo.
â Uma party de soldados voluntĂĄrios? â perguntei.
Era uma opção viĂĄvel. Provavelmente teria sido possĂvel. Por que eu nĂŁo tinha feito isso?
Uma ideia me veio à cabeça.
Quando entrei para a guilda dos sacerdotes pra virar sacerdote, não era exatamente o melhor aluno. Mas também não era o pior.
No meu caso, se eu conseguia entender como fazer algo logo de cara, repetir aquilo vĂĄrias vezes era um sofrimento, entĂŁo eu cortava caminho. Meu mestre na guilda nĂŁo era burro, entĂŁo percebeu isso e me deu uma bela bronca.
Sempre que ele ficava bravo comigo, eu dava um jeito de encontrar outro método, uma forma mais eficiente de enrolar.
NĂŁo importava o quanto meu mestre, Mestre Honen, ficasse furioso, nĂŁo importava o quanto tentasse me convencer, eu sĂł mantinha aquele sorrisinho de canto de boca, sem mudar minha postura em nada.
Era tão teimoso que até eu me perguntava o que havia de errado comigo.
âSeja humildeâ, Mestre Honen me dizia. âSe fizer isso, hĂĄ em vocĂȘ o potencial de um talento excepcional.â
O sincero Mestre Honen continuava tentando me ensinar com aquelas palavras diretas dele.
Mas podia me ameaçar, me elogiar, ser duro ou gentil o quanto quisesseâeu nĂŁo mudava. Absorvia rĂĄpido o que precisava, e o resto entrava por um ouvido e saĂa pelo outro.
NĂŁo devo ter sido um aluno muito querido pelo Mestre Honen. Eu era descaradamente rebelde.
E o pior: por mais estranho que fosse, eu nĂŁo o enfrentava diretamente, o que tornava tudo ainda mais irritante.
â Pra ser sincero, nunca considerei isso de verdade â falei. â Sabe, provavelmente nĂŁo sou do tipo que aguenta ter que se curvar pros outros. RelaçÔes hierĂĄrquicas, tambĂ©m. Duvido que eu saiba lidar bem com isso. NĂŁo me lembro do que fazia antes de vir pra cĂĄ, entĂŁo nĂŁo sei ao certo.
â Ah… Pode ser que comigo seja igual â confessou Haruhiro.
â De certa forma… â murmurei.
Senti que estava feliz por ter vindo pra Grimgar. Mas o que tinha acontecido antes de eu vir pra cĂĄ?
Que tipo de pessoa eu sou?
Que tipo de pessoa eu fui?
â Sinto que nĂŁo sou o tipo de pessoa que alguĂ©m deveria considerar um companheiro â falei.
â Isso nĂŁo Ă©… â Haruhiro murmurou um pouco antes de continuar. â O que importa nĂŁo Ă© o Manato do passado. NinguĂ©m se importa com isso. Ă o Manato de agora que Ă© nosso companheiro. VocĂȘ Ă© nosso lĂder. EstarĂamos ferrados sem vocĂȘ aqui com a gente.
â Eu tambĂ©m preciso de vocĂȘs â respondi.
Era mesmo assim que eu me sentia? Ou sĂł estava dizendo o que parecia certo?
Sorri de lado, com ironia. Era realmente inconveniente, sabe. NĂŁo saber quem vocĂȘ Ă©.
â Ainda assim, Ă© tĂŁo estranho â falei. â Tudo isso. O que Ă© que a gente tĂĄ fazendo, afinal? Espadas e magia… Parece atĂ© que estamos dentro de um jogo.
â Um jogo… â Haruhiro começou a responder, mas parou no meio. â Um jogo… o que Ă© mesmo isso?
â Huh? â fiquei sem saber o que dizer. â …NĂŁo sei. Mas foi o que me veio na cabeça. âParece um jogo.â SĂł pensei nisso na hora.
â Bem, quando vocĂȘ falou, atĂ© achei que fazia sentido. Mas que tipo de jogo? Um jogo…
Pouco depois, Haruhiro adormeceu.
Eu, por outro lado, estava completamente acordado. NĂŁo conseguia dormir. Incapaz de ficar parado, saĂ discretamente da pensĂŁo.
Fui até a Taberna Sherry, onde o Renji bebia no balcão. Estava bem cheia, mas ninguém ocupava os bancos ao lado dele.
Sentei num dos assentos ao lado de Renji.
â Como vai? â Renji me perguntou do nada.
â Nada mal.
â Por onde vocĂȘs tĂȘm andado?
â Damuro.
â Goblins, huh? â disse Renji. â Combina com vocĂȘs.
â VocĂȘ tĂĄ de bom humor hoje.
â Derrotei um orc.
â SĂ©rio?
â Quando luto contra insetos como goblins, sinto que tĂŽ sendo um valentĂŁo. Ă deprimente.
â EntĂŁo, se for pra lutar, vocĂȘ prefere inimigos mais fortes? â perguntei.
Renji nĂŁo respondeu.
Pedi uma bebida para uma das garçonetes. Renji aproveitou e pediu outra pra ele também.
Seu rosto nĂŁo estava vermelho por causa do ĂĄlcool, e sua expressĂŁo era a mesma de sempre, mas estava claro que ele estava animado.
â Manato â ele disse â, eu podia ter deixado vocĂȘ entrar.
â Na sua party?
â Sim. Mas, o problema Ă© que… nĂŁo dĂĄ pra ter dois lĂderes.
â Concordo.
â Se estiver disposto a seguir minhas ordens, ainda posso usar vocĂȘ agora.
â VocĂȘ sĂł pode estar brincando.
â NĂŁo. NĂŁo Ă© brincadeira. Para de perder tempo com aquele bando de lixo.
â VocĂȘ tĂĄ com pressa de chegar a algum lugar, nĂŁo Ă©? â falei.
â Se eu realmente corresse, ninguĂ©m conseguiria me acompanhar. E vocĂȘ?
Ohh… Entendi.
Eu estava enganado. O Renji nĂŁo estava de bom humor, nada disso. Era o contrĂĄrio. Ele estava irritado. Muito irritado.
E eu praticamente sabia o motivo.
Os orcs, junto com os mortos-vivos, eram os inimigos mais poderosos da humanidade. Havia essa opiniĂŁo geral de que um soldado voluntĂĄrio sĂł era completo depois de matar um orc. A party do Renji enfrentou um orc cedoâe venceu. Mas isso nĂŁo foi o suficiente pra ele. Pior ainda, ele percebeu nitidamente a diferença entre ele e seus companheiros, e perdeu as esperanças.
Eu consigo fazer isso fĂĄcil, mas Ă© sĂł isso que esses caras conseguem? â Se fosse pra adivinhar o que ele estava sentindo, era isso.
â Ei, Renji. Sabe o que eu acho? â Coloquei a mĂŁo no ombro dele. â NĂŁo importa o quĂŁo rĂĄpido alguĂ©m seja, nĂŁo dĂĄ pra correr a toda velocidade o tempo inteiro. Tem gente que Ă© mais lenta, mas consegue seguir em frente sem parar muito. Do meu ponto de vista, vejo vocĂȘ lĂĄ na frente, mas isso nĂŁo vai ser assim pra sempre.
â Larga essa bagagem. â Renji me lançou um olhar feroz. â AĂ vocĂȘ tambĂ©m vai conseguir correr rĂĄpido.
â Em vez de sair correndo, eu prefiro aproveitar a paisagem â respondi com um sorriso, dando um tapinha no ombro dele antes de soltar. â De qualquer forma, nĂŁo consigo me imaginar correndo ao seu lado. Quer dizer, fala sĂ©rio, Renji. Suas pernas sĂŁo compridas demais.
Renji olhou pras minhas pernas, franziu a testa um pouco e resmungou: â VocĂȘ Ă© um palhaço mesmo.
Tradução: ParupiroHPara estas e outras obras, visite o Cantinho do ParupiroH â Clicando Aqui
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