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Hai to Gensou no Grimgar – EX 2: Capítulo 5 – Volume 14+

 

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[Capítulo 05: Mesmo que eu não entenda]


O garoto de olhos sonolentos era Haruhiro.

O de cabelo cacheado era Ranta.

O grandalhão era Moguzo.

A garota tímida era Shihoru.

O cara descontraído era Kikkawa.

E eu era Manato.

Conversando enquanto andávamos, consegui descobrir isso.

Ou talvez devesse dizer que foi tudo o que consegui descobrir.

Não apenas não sabíamos nada sobre este lugar onde a lua era vermelha, como também não sabíamos nada sobre nós mesmos. Ainda assim, todos podíamos dizer nossos nomes. Também sabíamos nossa altura e peso. Mas, se tentássemos ir além— sobre onde nascemos, nossas famílias, se tínhamos amigos—simplesmente não conseguíamos alcançar essa informação.

Parecia que estava lá, mas, por mais que tentássemos alcançar, não conseguíamos tocar. Quando nossas pontas dos dedos pareciam roçar nela, a memória escorregava e sumia. Era como se houvesse uma parte dentro de nossas mentes que estava inacessível. Essa era a sensação.

Hiyomu nos levou até o escritório do Esquadrão de Soldados Voluntários do Exército da Fronteira de Altana, chamado Lua Vermelha, e então desapareceu sem dar explicações.

O escritório parecia um bar. Atrás do balcão, um homem de cabelo verde, queixo fendido, olhos azul-claros, maquiagem pesada e batom nos esperava, apoiado nos cotovelos.

— Hmmm… — Ele assentiu para si mesmo várias vezes enquanto nos analisava. — Muito bem. Venham cá, meus gatinhos. Bem-vindos. Eu sou Britney. Sou o chefe e anfitrião aqui no escritório da Lua Vermelha, o Esquadrão de Soldados Voluntários do Exército da Fronteira de Altana. Podem me chamar de Chefe, mas Bri-chan também está bom. Só que, se forem me chamar assim, quero que digam com muito amor, tá bom?

— Chefe. — Cabelos Prateados se aproximou do balcão, inclinando a cabeça para o lado. — Responda às minhas perguntas. Sei que essa cidade se chama Altana. Mas o que é esse Exército da Fronteira e o Esquadrão de Soldados Voluntários? Por que estou aqui? Você sabe?

— Você tem atitude. Gosto de garotos assim. Qual o seu nome?

— Renji. E eu odeio viados como você.

— Ah, é mesmo…?

Num piscar de olhos, Britney pressionou uma faca contra a garganta de Renji, seus olhos se estreitando de forma ameaçadora.

— Renji, vou te dar um conselho. Ninguém que me chama de viado vive por muito tempo. Você parece um garoto esperto; acho que entendeu o recado. Ou quer tentar de novo?

— Pois bem. — Renji agarrou a lâmina da faca com a mão nua. — Nunca fiz questão de viver muito, e não ligo para ameaças. Se acha que pode me derrubar, tente, Chefe Viado.

— No devido tempo — Britney respondeu, lambendo os lábios e passando a mão no rosto de Renji. — Eu vou te pegar com força. E, quando terminar, você nunca mais vai me esquecer.

Ranta, Haruhiro e a garota de tranças cochichavam algo entre si.

Eu não conseguia tirar os olhos de Renji. Ele era um homem de nervos de aço. Era confiança? Provavelmente já havia passado por algumas brigas antes.

— Bem, de qualquer forma! — Kikkawa se enfiou entre Renji e Britney. — É nosso primeiro encontro! Inevitavelmente, há mal-entendidos! Vamos resolver isso pacificamente! Vamos tentar nos dar bem e manter o clima leve, ok? Ok? Em respeito à minha beleza!

— Sua beleza? — Renji bufou, largando a faca.

— Parece que temos alguns imprudentes aqui. — Britney recolheu a faca. — Oito homens, quatro mulheres. Não é o suficiente de mulheres, mas eu até prefiro assim. Além disso, os homens são mais úteis em combate, então não tem problema.

Franzi a testa.

— Em combate…?

— Isso mesmo. — Britney sorriu. Um sorriso inquietante, para dizer o mínimo. — Úteis em combate.

— Este é um escritório de soldados voluntários. — Olhei para baixo. — Isso quer dizer que estamos nos tornando soldados voluntários ou algo assim?

— Ora, ora! — Britney bateu palmas de forma exagerada. — Você tem potencial também. É exatamente isso. Todos vocês vão se tornar soldados voluntários. Mas, claro, têm alguma liberdade para decidir.

— Mestre das decisões. — Haruhiro deu um tapa nas costas de Ranta. — Agora é com você.

— O-Oquê?! E-Eu… sou eu, né?! Sou… eu…?

Pelo que Britney nos contou, essa terra chamada Fronteira era habitada por humanos e várias raças hostis. A função do Exército da Fronteira era expulsá-los e transformar a Fronteira em território humano.

O Exército da Fronteira não tinha vantagem numérica. Na verdade, estavam em desvantagem, o que os forçava a se esforçar ao máximo apenas para manter Altana e os postos avançados na linha de frente. Era aí que entrava a força destacada do Exército da Fronteira: o Esquadrão de Soldados Voluntários.

— Nós, soldados voluntários — Britney explicou —, surgimos repentinamente e de forma inesperada, infiltrando-nos no território inimigo por todos os lados, espionando, causando confusão e encontrando maneiras de enfraquecer as forças adversárias. Embora cooperemos com o exército principal, raramente participamos de operações organizadas. A maioria dos soldados voluntários age sozinha ou em pequenos grupos de três a seis pessoas, eu diria. De qualquer forma, usamos nossas habilidades e julgamento individuais para coletar informações e atacar o inimigo. É assim que funciona o Esquadrão de Soldados Voluntários, Lua Vermelha.

Ele continuou explicando que, ao nos tornarmos soldados voluntários, receberíamos um distintivo de recruta, que nos identificaria como soldados voluntários em treinamento, além de dez moedas de prata, equivalentes a 100 moedas de cobre. Em outras palavras, dinheiro. Se recusássemos, o que aconteceria conosco não era problema dele.

Tecnicamente, tínhamos a liberdade de escolha. Tecnicamente. Mas só um idiota escolheria ser jogado na rua, sem um tostão, em um lugar desconhecido. Não importava como olhássemos para a situação, não tínhamos escolha além de aceitar nos tornar soldados voluntários.

— Justo. — O primeiro a pegar um distintivo de recruta e uma bolsa de couro cheia de moedas de prata foi, obviamente, Renji. — Não sei direito o que é esse negócio de soldado voluntário, mas eu topo. Depois a gente vê no que dá.

Ele sempre me passava a perna. Qual era o problema dele?

Depois de Renji, o homem de cabelo raspado e a mulher extravagante pegaram seus distintivos e bolsas. Eu fui o quarto. Depois de mim, foi o cara de óculos.

— Beleza, tô dentro também! — disse Kikkawa, estendendo a mão para pegar duas bolsas, mas Britney deu um tapa nela. — Ei!

Isso deixou Haruhiro, Ranta, Moguzo, Shihoru, a garota de tranças e a menina pequena. Pra que ficar enrolando?

Embora… talvez essa fosse a reação mais normal.

— E vocês? — Britney os pressionou.

O primeiro a se aproximar do balcão foi Ranta.

— Sei lá… Sinto que estou prestes a me ferrar. Tenho um pressentimento ruim sobre isso…

— Hmm. — A garota de tranças foi atrás de Ranta. — Dizem que onde há vontade-vontade, há um caminho-caminho

— Não — Haruhiro balançou a cabeça. — Ninguém diz vontade-vontade ou caminho-caminho

— Ah? Não dizem? Yume sempre falou assim, com vontade-vontade e caminho-caminho.

— Você aprendeu errado. O ditado é só “onde há vontade, há um caminho”.

— Ah. Mas soa mais bonitinho com vontade-vontade e caminho-caminho. Yume acha que ser bonitinho também é importante.

— Definitivamente soa mais bonitinho assim.

— Né que soa?

A garota de tranças se chamava Yume, ao que parecia.

A garota pequena, Haruhiro e Moguzo também pegaram seus distintivos de recruta. Com isso, todos haviam aceitado.

— Parabéns! — Britney disse, sorrindo e batendo palmas. — Agora todos vocês são soldados voluntários em treinamento. Trabalhem duro e aprendam a se virar sozinhos o mais rápido possível. Assim que vocês—

Eu já não estava prestando atenção naquilo. Minha mente estava focada no que fazer a seguir.

Britney tinha dito que era comum formar grupos de três a seis pessoas. Bem, parecia mesmo difícil fazer isso sozinho. Primeiro, eu teria que juntar quem parecesse capaz de lutar junto. Quem e quem?

Quando fui olhar ao redor, Renji agiu antes de mim de novo.

Mas… dar um soco no homem de cabeça raspada do nada?! O que ele estava pensando?

— Levanta — disse Renji.

— Seu desgraçado! — Cabeça Raspada gritou, tentando se levantar, mas Renji o chutou imediatamente, jogando-o no chão outra vez.

— O que foi? Levanta.

— Qual é o teu problema, seu babaca?

— Desde a primeira vez que te vi, fiquei me perguntando qual de nós era mais forte. Agora vou te mostrar a resposta. Levanta.

— Droga…!

Cabeça Raspada ficou furioso, mas Renji o espancou sem piedade. Foi completamente unilateral. Terminou com uma cabeçada, e o Homem de Cabeça Raspada caiu.

Ou melhor, não caiu. Ele só ficou de joelhos, aguentando a dor.

Renji limpou o sangue da testa com um dedo só.

— Você tem a cabeça dura. Qual é o seu nome?

— …Ron. Caramba, você é forte.

— Você também é resistente. Vem comigo, Ron.

— É. Vou ficar com você por enquanto.

— Certo. Agora, quem mais… — Renji olhou ao redor do escritório e parou o olhar em mim.

Ron foi o primeiro. E eu o segundo, é?

Ah, vai se ferrar, foi algo que eu não pensei. Mas Renji percebeu.

Desviou o olhar de mim e olhou para o Cara de Óculos.

— Você parece que pode ser útil. Vem comigo.

O Cara de Óculos cruzou os braços, pensou um pouco e assentiu.

— Claro. Me chamo Adachi. Prazer, Renji.

Suspirei baixo. Ele continuava tirando tudo de mim.

Por quê? O que fazia com que Renji sempre estivesse um passo à minha frente?

Era o fato de que Renji não hesitava. Eu parava pra pensar, e acabava ficando para trás. Talvez fosse isso.

— Ei, Chibi.

— Aye…?

Mas essa me pegou de surpresa. Renji estava chamando a garota pequena.

— Vem.

Quando ele fez um gesto para que ela o seguisse, a menina caminhou cambaleando na direção dele e olhou para cima.

Renji deu um tapinha na cabeça dela.

— Você parece que vai ser útil. Vem com a gente.

— …Aye.

Enquanto eu olhava para o rostinho dela, agora completamente vermelho, tentava desesperadamente entender o porquê.

O quê? Com base em que Renji escolheu ela? Que ela seria útil em combate? Sua força física? Inteligência? Não, não era isso. Ou pelo menos não era só isso. Então o quê…?

— Vamos. — Renji saiu do escritório levando Ron, Adachi e a garota pequena.

Quatro pessoas. Quatro é o suficiente?

— Espera! — a mulher extravagante gritou atrás de Renji. — Me leva também!

— Não preciso de peso morto.

— Eu faço qualquer coisa! — disse ela, se agarrando em Renji. — Sou Sassa. Por favor. Qualquer coisa mesmo, eu faço.

— Qualquer coisa, hein? — Renji respondeu, empurrando Sassa com força.

Naquele instante, eu vi. Foi só por um momento, mas Renji sorriu.

— Não esquece essas palavras.

Ah, entendi. Agora faz sentido.

Era lealdade. Não se a pessoa seria útil em combate. Claro, isso também era importante, mas o que realmente importava era se ele conseguiria fazer a pessoa obedecer.

Se a pessoa se submeteria a ele—era isso que o Renji procurava. Desde já, ele já tinha uma imagem clara em mente. Estava tentando montar um time com ele como centro.

Quando Renji saiu do escritório com seu Time Renji, Kikkawa também disse alguma coisa e foi embora.

— Bem, eu vou nessa também — falei.

Por enquanto, eu não queria ficar por ali. Sentia como se tivesse sido deixado para trás, e isso me incomodava. No momento, eu só queria sair o mais rápido possível. Era assim que eu me sentia, mas, por alguma razão, eu estava sorrindo.

— Não vou aprender nada ficando aqui parado, então vou sair pra dar uma olhada ao redor. — Sorri para os cinco que tinham sobrado. Aí, como se não fosse nada demais, acrescentei: — A gente se vê por aí.

— Sim, até mais — respondeu Haruhiro, acenando com a mão.

Ele deve querer vir junto, pensei. Então que venha. Por que não vem? Só porque ninguém mais foi? Isso é motivo? Não entendo.

Saí do escritório. Estava frustrado, mas quando toquei o rosto, ainda tinha um sorriso colado nele.

O que é isso? Que tipo de pessoa eu sou, afinal…?


Tradução: ParupiroHPara estas e outras obras, visite o Cantinho do ParupiroH – Clicando Aqui


Tradução feita por fãs.
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