Hai to Gensou no Grimgar – EX 1: Prólogo – Volume 14+
Hai to Gensou no GrimgarGrimgar of Fantasy and Ash
Light Novel Online – Ex 1:
[Prólogo: Adeus, amado Gobligar]

— Desperte.
Abri os olhos, sentindo como se tivesse ouvido a voz de alguém.
— Ei. Por que diabos você tá dormindo, seu idiota? Tá achando que é o quê? Um imbecil? É isso, né? Você é um imbecil. Aliás, um lixo também. É, eu sei, eu sei. Você é um caso perdido. Ninguém sabe disso melhor do que eu.
Por algum motivo, eu estava sendo xingado do nada.
Espera aí.
Por quê?
Qual o motivo?
Onde eu estava deitado? Eu conseguia ver o céu.
Parecia que eu tinha dormido. E agora tinha acordado. Isso eu entendi.
Mas ainda assim…
O que estava acontecendo?
O cara que tinha acabado de me insultar sem parar se agachou, olhou bem para mim e disse…
— …Cara.
— Hã? — soltei, atônito.
A pele dele era de um tom amarelado esverdeado, o nariz era baixo e achatado, e os dentes, pontiagudos, pareciam presas saindo de uma boca aberta como um ferimento. As orelhas eram enormes. Ele era, bem… Para falar a verdade, horrível.
O cabelo ralo que crescia no topo da cabeça era enrolado, como um permanente natural, e isso me irritou de um jeito inexplicável.
Bom, ignorando o cabelo enrolado por um momento, havia algo muito mais importante aqui.
— Cara, você é um goblin? — perguntei.
— Huh? — O goblin de cabelo cacheado franziu a testa, parecendo irritado, e inclinou a cabeça. — É claro que eu sou, né, seu idiota. Você também é um goblin.
— Hã? — Levantei as mãos e as coloquei diante do rosto. Eu não conseguia acreditar no que via. — Essas… mãos?
Essas mãos.
Minhas mãos.
Elas eram… verdes.

Meus braços também. Eles eram meio estranhos. Meio mirrados.
Isso estava errado. Tudo isso.
— O quê? Algum problema? Bom, você sempre foi um pedaço de lixo burro. — O goblin de cabelo cacheado bagunçou os próprios fios e olhou para trás. — Ei, o Gobuhiro acordou!
— …Gobuhiro?
Não, espera aí, esse não era meu nome… ou era?
Huh?
Se não era, então qual era?
Calma. Meu nome. Meu próprio nome. Eu tinha que saber. Não tinha como eu não saber.
Pressionei a mão contra o peito e respirei fundo.
Agora, era só dizer o nome que surgisse na minha mente.
Certo.
— Gobu…hiro.
Sério…?
Enquanto eu ainda tentava assimilar aquilo, outros goblins se aproximaram correndo. Naturalmente (?), como era de se esperar (?), todos eles eram goblins.
Era um monte de goblins.
Havia um… dois… três… quatro goblins, sem contar o goblin de cabelo cacheado.
Não, espera. Eu também era um goblin, então eram quatro, mais eu, mais o goblin de cabelo cacheado, o que dava cinco… seis goblins, né.
Não havia nada além de goblins.
Não, pera.
Tinha um que era grande demais para ser um goblin. Nenhum goblin deveria ser tão grande, então ele não era um goblin.
Um hobgoblin, hein?
Ele também usava um equipamento bem pesado. Era porque ele era um hobgoblin? Eu já não sabia mais de nada.
— Gobuhiro…? — Um goblin de cabelo estranhamente sedoso e um rosto limpo — pelo menos, para um goblin, mas que ainda assim era, sem dúvidas, um goblin, inclinou-se sobre meu rosto (de goblin) para me observar melhor. — Você tá bem?
— Hã? Uhh… Sim. Acho que sim…
Eu preferia que ele não me chamasse de Gobuhiro como se fosse a coisa mais natural do mundo, mas eu era, de fato, Gobuhiro, então essas pessoas (goblins) não tinham escolha a não ser me chamar assim.
Enquanto esses pensamentos confusos giravam na minha cabeça, eu (um goblin) me sentei.
— Estou bem… acho — falei. — Sim. Bem… eu acho, Gobuto.
— É mesmo? Que bom.
Mesmo sendo um goblin, o sorriso de Gobuto era incrivelmente revigorante.
Espera aí.
Eu acabei de chamá-lo de Gobuto?
Gobuto deu um tapinha de leve no meu ombro. Mesmo sendo um goblin.
— Eu sei que às vezes você se esforça demais, Gobuhiro. Se tiver algo errado, espero que me diga.
— Ha ha… Não acho que tenha, mas…
Eu realmente não achava que tinha algo de errado, mas será que eu estava me forçando um pouco…?
Ele tinha dito que queria que eu contasse, então eu poderia contar… ou melhor, eu queria contar. Mas como diabos eu ia explicar isso? Que quando acordei, tinha um goblin do meu lado? E que eu era um goblin? E que havia outros goblins também?
— Nyuh? Tem alguma coisa errada, Gobu-kun?
— Não, não é nada, Yumelin…
Yumelin?
A goblin de cabelos longos, que carregava um arco e tinha se agachado ao meu lado, era Yumelin? Sim, era isso mesmo. Yumelin. Quando me perguntei de novo qual era o nome dela, só veio a mesma resposta de antes. Yumelin. Essa goblin fêmea era Yumelin.
Eu sabia que Yumelin era Yumelin, mas algo parecia errado. Só que… o que exatamente estava errado? Isso eu não conseguia dizer.
— Você tem certeza… que está bem? — perguntou a goblin fêmea atrás de Yumelin.
A goblin fêmea atrás de Yumelin, a que usava um chapéu pontudo… Eu a conhecia também. O cajado que ela segurava e aquele jeito tímido eram familiares.
— Eu estou bem. Tudo bem — Eu disse. — Estou bem… Certo?
Mesmo assim, talvez houvesse algo de errado. Não, não era só uma coisa, eu não conseguia afastar a sensação de que tudo estava errado.
Falei seu nome, como se estivesse confirmando para mim mesmo.
— Shiholin.
— T-Tudo bem então…
— …Heheh.
Soltei uma risada, sem nem saber por quê.
Era Shiholin.
Claro. Quero dizer, ela era Shiholin.
O próximo a se aproximar, o grande hobgoblin que não era um goblin, era…
— E-Erm… B-Bom dia, Gobuhiro-kun.
— Sim… Bom dia… Hobuzo.
Eu sabia.
Eu sabia muito bem. Sobre Hobuzo.
Por mais que eu pensasse sobre isso, não havia nada de errado.
Eu, Gobuhiro, estava aqui, e Gobuto também, assim como Yumelin, Shiholin, Hobuzo e, por fim, Gobuta. Cinco goblins e um hobgoblin. Seis pessoas ao todo.
— Eu estou tendo um sonho esquisito? — murmurei para mim mesmo.
— Hoeh? — Yumelin inclinou a cabeça para o lado. — Agora há pouco, Gobu-kun, você chamou a Yumelin?
— Não, não chamei. Quer dizer, olha, Yumelin, se você me chama de Gobu-kun, todo mundo, menos o Hobuzo, poderia ser Gobu-kun, então não sei se isso funciona. Mas acho que já disse isso antes…
— Oh. Você disse? Você tava falando isso pra Yumelin antes?
— Acho que sim… Ou talvez não… Hmm…
— Bom, é como você falou, Gobu-kun. Ah, Yumelin te chamou de Gobu-kun de novo. Desculpa, Gobu-kun. Ah.
— Você não aprende nada, Yumelin?! Sério! — Gobuta gritou.
— Cala a boca, Gobuta! Yumelin não quer ouvir isso de você! Você é só um Gobuta, Gobuta!
— Eu sou o quê agora?! Não entendi! Não entendo nada do que você fala!
Essa cena de Gobuta e Yumelin brigando também me era familiar.
Eu ainda não conseguia entender o que estava acontecendo, mas eu estava aqui, este era o meu lugar, e ainda assim sentia que algo estava errado. Isso era meio estranho da minha parte. Mas, mesmo assim, não conseguia deixar de sentir isso.
Balançando a cabeça, olhei ao redor.
As paredes estavam desmoronando. O chão estava podre, expondo a terra coberta de grama por baixo. Apenas um quinto do teto restava. O azul do céu ardia nos meus olhos.
Parecia uma ruína. E isso era porque realmente era uma ruína.
— Hmph… — Gobuta se encostou na parede, cruzando os braços. — Mas, falando sério. Esse lugar tá pior do que eu tinha ouvido…
Quando Gobuta disse isso num tom autodepreciativo, Shiholin encolheu o pescoço, parecendo envergonhada por alguma razão, e Hobuzo sentou-se, cabisbaixo.
— Parece que o lugar não tem manutenção há um bom tempo — disse Gobuto, dando de ombros. — Certamente está bem diferente de antes. Mas, bem, talvez tudo dependa da nossa perspectiva?
— Nossa perspectiva? — Gobuta resmungou. — Como a gente deveria ver isso?
— Como um bom lugar para recomeçar, não acha?
— Como assim?!
— D-Do zero! — Shiholin exclamou de repente. — S-Se… a gente olhar… como se estivesse começando do zero… Quero dizer, a gente realmente não tem nada…
— Zero, hein. — Yumelin mordiscou o dedo indicador, estufando uma das bochechas. — Mas, sabe, Yumelin acha que o que a gente tinha antes nem era melhor que nada. Mas se me perguntar o que é pior que nada… Yumelin não sabe.
— É… — Hobuzo rabiscava no chão com os dedos grossos. — Para, bom… órfãos como a gente… nossa situação lá era ruim. Quer dizer, a gente nem tinha uma posição…
Olhei de novo para o céu. A cor do céu, obviamente, não deveria ser diferente na Cidade Nova em comparação com aqui na Cidade Velha.
Ou pelo menos não deveria ser.
Mas, de alguma forma, parecia totalmente diferente.
Como se o céu daqui fosse desbotado, sabe?
Tive uma sensação forte de “Oh, como caímos…”
Foi algo que escolhemos por nós mesmos.
Para nós, goblins, o mais importante era o sangue de nossos pais. Para os hobgoblins que coexistiam conosco, isso não era diferente. Quando dávamos nossos nomes, primeiro vinha o nome do nosso sangue. Se tínhamos herdado um nome de nosso pai ou não. Isso decidia a maior parte, embora não tudo, sobre nossas vidas.
Se um goblin ou hobgoblin tivesse cinco ou dez esposas, e cada uma delas desse à luz filhos, nem todos poderiam herdar o nome do sangue.
A situação financeira do pai também entrava nessa equação — e, bem, o parentesco influenciava nisso. No fim, era uma questão de quão bom era o sangue dele. Se ele tivesse cinco filhos, talvez um ou dois herdassem o nome da linhagem. A escolha era feita por adivinhação, aparência ou pela qualidade da mãe biológica. Apenas aqueles que recebiam o nome da linhagem eram reconhecidos como filhos legítimos.
Os outros se tornavam órfãos.
Não importava o quão ricos fossem, ou quão bom fosse seu sangue, era raro um goblin bondoso acolher órfãos. Assim que eram desmamados, eram jogados para fora da casa do pai.
Foi assim que eu, por exemplo, nem sequer conhecia o rosto dos meus próprios pais.
Gobuta disse que também não conhecia os seus, e Shiholin e Hobuzo só conheciam suas mães.
Yumelin era uma órfã nascida de órfãos. Gobuto nunca falava sobre sua situação, então talvez houvesse algo ali.
De qualquer forma, órfão era órfão.
— Bem, é — disse Gobuta, apoiando a mão em um buraco na parede. — Mesmo que a gente tivesse ficado lá, só ia acabar sendo forçado a trabalhar de graça até bater as botas. Aqui não tem nada, e a gente mal tem o que comer, mas pelo menos podemos escolher onde vamos morrer. …Oh? Eu acabei de dizer algo incrível? Isso foi incrível agora, né? Né?
— Nem um pouco… — murmurei.
— Cala a boca, Gobupiropiro! Quem te deu moral pra avaliar minha incrívelzice, hein?! Nem ferrando, seu imbecil!
— Ha… Ha ha… — Hobuzo esfregou a barriga. — M-Mas… primeiro a gente tem que resolver, sabe, a questão da comida…
O estômago de Yumelin roncou alto.
— Ohhh! Tá roncando pra valer!
— Comida… — Quanto a Shiholin, dependendo de como se olhasse para ela, podia parecer que estava prestes a morrer de fome a qualquer momento.
— Comida, huh… — Olhei para Gobuto, quase sem pensar. — Vai ficar tudo bem. — Gobuto aceitou meu olhar e, apesar de ser um goblin, sorriu. — Vamos dar um jeito. Todo mundo junto.
Tradução: ParupiroHPara estas e outras obras, visite o Cantinho do ParupiroH – Clicando Aqui
Tradução feita por fãs.
Apoie o autor comprando a obra original.
Compartilhe nas Redes Sociais
Publicar comentário