Hai to Gensou no Grimgar – EX 1: Capítulo 3 – Volume 14+

 

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Hai to Gensou no GrimgarGrimgar of Fantasy and Ash

Light Novel Online – Ex 1:
[CapĂ­tulo 03: A IlusĂŁo na Qual Existo]


Dia apĂłs dia, continuamos vagando pela floresta.

As frutas vermelhas cresciam aqui e ali, entĂŁo nĂŁo parecia que passarĂ­amos fome tĂŁo cedo.

Encontramos um poço d’água que nĂŁo era tĂŁo turvo. Pequeno demais para tomar banho, mas pelo menos servia para beber. Tinha um gosto meio lamacento, mas jĂĄ havĂ­amos bebido ĂĄgua muito pior na Cidade Nova, entĂŁo isso atĂ© parecia um luxo.

Um dia, encontramos os restos de uma fera. Ainda estava fresco, mal havia apodrecido, entĂŁo comemos juntos.

Gobuta encontrou o cadĂĄver de um humano. Esse jĂĄ estava ali hĂĄ algum tempo e dava para ver sinais de que animais selvagens o haviam dilacerado. Gobuta pegou as roupas e uma faca do corpo.

Achei os pertences do morto assustadores e sinistros, mas quanto mais lùminas tivéssemos, melhor. O arco que Yumelin tinha encontrado em algum lugar não acertava nada e não seria de grande ajuda.

No começo, só tínhamos espadas quebradas, machados de pedra e pedaços de pau. Do jeito que eståvamos, se tivéssemos que lutar, estaríamos em apuros.

— Gobuhiro! Eles estĂŁo indo para o seu lado tambĂ©m! — Gobuto gritou.

Ajustei rapidamente a empunhadura da minha espada quebrada.

Havia essas criaturas grandes, parecidas com ratos, correndo entre nĂłs seis. NĂŁo era sĂł um. VĂĄrios deles.

Um veio direto na minha direção.

— Gwah…! — Balancei minha espada quebrada.

O golpe nĂŁo acertou.

Quando percebi, uma dor lancinante atravessou minha canela.

— Arrrgh!!

Ele me mordeu?!

NĂŁo, espera, ele ainda estĂĄ mordendo!

Sacudi a perna com força para me livrar dele, mas outro daqueles ratos pulou em mim e cravou os dentes no meu braço esquerdo.

— Agh…!

— Gobu-kun! — Yumelin armou uma flecha no arco. Ela estava mirando na minha direção.

HĂŁ? Em mim?!

— N-Não faz isso, Yumelin! — gritei.

Ela queria acertar os ratos que estavam me atacando, mas não havia chance de ela conseguir. Não tinha como. Digo, ela ia me acertar em vez disso—

— Mrrawr! — Yumelin soltou a flecha.

No fim, meu medo foi completamente em vĂŁo.

A flecha voou para uma direção totalmente diferente.

Basicamente, nada mudou. Os ratos ainda estavam me devorando vivo.

— Fwaghh! Waghh! — Não dava para saber se Hobuzo estava balançando aquele tronco enorme ou se era o tronco que estava balançando ele.

— Nããããããão! — Shiholin corria sem rumo.

— Droga… — E quanto ao Gobuta? Ele jĂĄ tinha subido sozinho em uma ĂĄrvore e olhava para a gente lĂĄ de cima. — Isso aqui Ă© um desastre total…

— AĂ­! — Era Gobuto. Ele era o Ășnico que conseguia repelir os ratos, ainda que com dificuldade, usando um pedaço de pau. — Hah! Grahh! Gobuhiro! VocĂȘ tĂĄ bem?!

Gobuto também não estava tendo vida fåcil, então apenas respondi que sim, mas minha canela direita e meu braço esquerdo estavam latejando de dor. Eu não estava nada bem. Mal conseguia segurar o choro.

— Uwagh…!

No fim, tropecei em algo e caĂ­ no chĂŁo.

Os ratos continuavam cravando os dentes em mim, sem nenhuma intenção de soltar.

Eu nem conseguia me levantar.

— Urgggggghh! — gemi.

Eu vou morrer…?

Vou ser morto por ratos…?

— Gobuhiro!

Os ratos soltaram meu braço esquerdo primeiro, depois minha canela direita. Gobuto correu até mim, espantando-os com seu bastão.

— Consegue ficar de pĂ©?! — ele gritou.

— S-Sim!

— Fica de costas pra mim! Yumelin, Shiholin, fiquem atrás do Hobuzo!

— Miau!

— C-Certo!

— Gobuta, desce logo! NĂŁo dĂĄ pra fazer isso sem vocĂȘ, cara!

— B-Bem, acho que vou ter que descer entĂŁo! Se vocĂȘs insistem, eu vou salvar vocĂȘs!

— Todo mundo, mantenham a calma! O pelo dessas coisas Ă© duro para caramba, entĂŁo lĂąminas provavelmente nĂŁo vĂŁo funcionar! NĂŁo cortem nem perfurem, esmaguem com tudo o que tiverem! Hobuzo, vocĂȘ nĂŁo precisa desse tronco! Seu prĂłprio corpo Ă© uma arma!

— Ngh! Ngh! Nghhhhhhh!

A marĂ© virou num instante—ou melhor, nĂŁo.

Eu, por exemplo, estava no meu limite só de ficar de costas para Gobuto, como ele pediu. Tudo o que eu podia fazer era rezar: “Que nenhum rato venha pra cá, não venha, por favor, não venha!”

Mas, conforme continuĂĄvamos, os ratos acabaram fugindo para algum lugar.

Nos sentamos.

— Ratos sĂŁo assustadores… — Gobuta gemeu, entĂŁo balançou a cabeça. — NĂŁo! Mas eu nĂŁo fiquei com medo, tĂĄ bom?! S-SĂł estou dizendo que eles sĂŁo uma ameaça para vocĂȘs, fracotes.

— E-Eu fiquei com medo… — Hobuzo estava suando frio. — Ainda estou…

— Isso foi exaustivo… — Yumelin se deitou. — Os ratos eram enormes. Mas eram tĂŁo fofinhos…

— F-Fofinhos…? — Shiholin pareceu um pouco enojada. — VocĂȘ… acha mesmo?

— Gobuhiro. — Gobuto pegou meu braço esquerdo e examinou o ferimento. — NĂŁo Ă© muito profundo, mas pode piorar se nĂŁo tratarmos. O da sua perna tambĂ©m.

— Um pouco de cuspe e melhora. — Olhei para o chĂŁo. — …Provavelmente.

Foi tudo o que consegui dizer. NĂŁo havia mais nada a ser feito. O mĂĄximo que podĂ­amos fazer era lavar o ferimento com aquela ĂĄgua lamacenta.

Mesmo assim, Gobuto e os outros rasgaram pedaços de suas roupas e pressionaram os panos limpos sobre os cortes. Me fizeram beber algo parecido com remédio, feito de ervas moídas. Arrumaram um canto para eu descansar e me deixaram repousar. Fizeram tudo o que podiam.

Mas eu tive febre.

Uma febre absurda, como se meu corpo inteiro estivesse pegando fogo.

Devia ser algum ar ruim ou coisa assim que entrou pela ferida. Eu jĂĄ estava assustado desde o ataque dos ratos, mas, por alguma razĂŁo, agora me sentia estranhamente calmo. Se eu perdesse para esse ar ruim, eu morreria. Senti pena dos meus companheiros e pedi desculpas.

NĂŁo conseguia me mover. Um deles sempre ficava ao meu lado, cuidando de mim, enquanto os outros saĂ­am para procurar comida ou fazer outras coisas.

Quando era a vez de Yumelin cuidar de mim, ela se deitou ao meu lado e me abraçou.

— Escuta, Gobu-kun, se vocĂȘ nĂŁo gostar disso, Ă© sĂł dizer, tĂĄ bom?

— NĂŁo… TĂĄ tudo bem. Totalmente bem, mas… por quĂȘ?

— Hmm, bem, Yumelin tava pensando… Se ela estivesse passando por um momento difĂ­cil, ia querer que alguĂ©m fizesse isso por ela.

— Entendo… Faz sentido… É meio… reconfortante…

— Pode relaxar muuuuuito mais. Aí, se sentir sono, dorme. Se dormir um monte, com certeza vai melhorar.

Enquanto Yumelin me abraçava e fazia carinho na minha cabeça, parece que acabei pegando no sono.

Dormia, acordava, dormia, acordava—tantas vezes que jĂĄ nem sabia mais o que era o quĂȘ. Estava dormindo? Ou acordado?

Shiholin conversou comigo.

— Acho que sua aparĂȘncia tĂĄ um pouco melhor, talvez?

— Oh… SĂ©rio? Se estiver… Que bom.

— Acho que vocĂȘ tĂĄ melhorando, aos poucos — ela disse. — Todo mundo tĂĄ dando o seu melhor… e sei que vocĂȘ tambĂ©m tĂĄ lutando, Gobuhiro-kun.

— Mas tudo o que eu faço Ă© dormir…

— Gobuhiro-kun.

— …Huh? O quĂȘ?

— VocĂȘ nĂŁo pode morrer. Por favor, sĂł… nĂŁo morra.

— VocĂȘ tĂĄ exagerando… Isso nĂŁo Ă© nada…

Ri. Mas, sério, eu ainda estava vivo? Tinha certeza de que não estava morto?

— Ei! Levanta, Gobuhiro! — Gobuta gritou.

Senti uma dor no lado do corpo.

— Ai! …NĂŁo me chuta, Gobuta. TĂŽ machucado aqui…

— Como se eu me importasse, seu idiota! Melhora logo e levanta! Ficar te vendo jogado assim Ă© muito deprimente! Se recupera rapidinho, por mim! Isso Ă© uma ordem!

— NĂŁo seja irracional… Eu tĂŽ me sentindo meio lerdo…

Ou melhor—

Sim. É mais como se eu não conseguisse dizer se meu corpo estava pesado ou leve. Tudo parecia distante. Como se eu estivesse em outro lugar, longe daqui.

Que sensação estranha. O que Ă© isso…?

— Haruhiro-kun… Haruhiro-kun? Haruhiro-kun…

— HĂŁ… Moguzo?

— VocĂȘ estava dormindo? Seus olhos estavam abertos, entĂŁo achei que estivesse acordado…

— Eu… nĂŁo sei… Eu estava acordado… Acho?

— Fiz uma sopa. Acendi o fogo. Consegue comer? VocĂȘ devia comer alguma coisa, mesmo que tenha que se forçar…

— É… Eu devia… Vou comer… VocĂȘ fez isso… sĂł por mim…

— Vamos, eu te ajudo a se sentar, tá?

— Ngh… Eu tĂŽ bem…

— Aqui, come. Já esfriou um pouco, então não deve estar quente.

— Ngh… Haww… Ngh… TĂĄ boa, Moguzo… VocĂȘ cozinha bem…

— NĂŁo, eu nĂŁo… Eu sĂł gosto de comer, entĂŁo—

Mas que gosto tinha?

Espera aĂ­, o que Ă© que eu estava comendo mesmo?

Eu nĂŁo sabia.

— Ei, Manato.

— Huh? — Manato se virou para mim.

NĂŁo. NĂŁo era Manato.

— Gobuhiro — Gobuto disse. — Como Ă© que vocĂȘ me chamou agora?

— Eu te chamei de… alguma coisa… — Pisquei. — O que foi mesmo…? NĂŁo, mas vocĂȘ Ă© o Gobuto. HĂŁ…? Mas, de alguma forma, eu…

— VocĂȘ nĂŁo me chamou de Manato?

— Manato… — Passei a mĂŁo no canto da boca. — É verdade. Eu te chamei de Manato. Sim. E acho que… Eu estava sonhando? Chamei o Hobuzo de Moguzo. E o Hobuzo me chamou de… Haruhiro.

— É igual.

— Hã? Igual como?

— Comigo tambĂ©m, Haruhiro—NĂŁo, espera, Gobuhiro. Às vezes eu tenho sonhos. E nesses sonhos, nĂłs nĂŁo somos goblins… Somos humanos. VocĂȘ Ă© Haruhiro. Gobuta Ă© Ranta. Hobuzo Ă© Moguzo. Yumelin Ă© Yume, e Shiholin Ă© Shihoru. E eu… Todo mundo me chama de Manato.

Ao me sentar, tentei encontrar as palavras certas. Mas nada me veio Ă  mente. O que exatamente isso significava? Manato e eu—nĂŁo, Gobuto e eu—estĂĄvamos tendo o mesmo sonho, e nele, nĂŁo Ă©ramos goblins, Ă©ramos humanos, e—

Espera, eu estava… de pĂ©?

— Ah! Eu… melhorei? — exclamei.

— Oh! — Os olhos de Gobuto se arregalaram. — V-VocĂȘ… tĂĄ bem, nĂ©? Quer dizer, vocĂȘ se levantou sozinho…

— S-Sim. Bem… Ainda me sinto um pouco tonto, mas acho que tĂŽ bem melhor.

— Graças a deus. — Quando Gobuto cobriu o rosto com as mãos, algo que eu jamais esperaria aconteceu. Seu corpo inteiro começou a tremer.

EntĂŁo, huh? SerĂĄ que ele…? Pensei.

Gobuto estava… chorando?

— Que bom… De verdade… Eu sempre acreditei que vocĂȘ ia melhorar, mas sempre existia a possibilidade… NĂŁo queria pensar nisso, mas nĂŁo conseguia evitar… Mas, enfim, que bom que vocĂȘ tĂĄ bem.

Comecei a estender a mĂŁo, mas a recolhi e cocei a cabeça. AtĂ© que Gobuto recobrasse o fĂŽlego, afastasse as mĂŁos do rosto e me desse um sorriso, eu nĂŁo consegui fazer nada alĂ©m de ficar ali, em silĂȘncio.

— Vou chamar os outros — ele disse. — Gobuhiro, fica aqui. Tenho certeza de que vocĂȘ ainda nĂŁo tĂĄ 100%.

— Beleza. Entendido. Hm… — Devolvi o sorriso. Sei lĂĄ, me senti meio envergonhado, entĂŁo a Ășnica coisa que consegui fazer foi sorrir. — Obrigado. Por tudo.

Gobuto me deu um leve tapa no ombro e foi chamar os outros. Talvez eu ainda estivesse meio fora de órbita. Me sentia um pouco fraco, então deitei de novo. Mas, bem, eu tinha certeza de que ficaria bem. Como o Gobuto disse, era óbvio que eu ainda não tinha recuperado toda a minha força. Devia ser só isso.

Foram mais trĂȘs dias antes que eu conseguisse me mover normalmente de novo.

Enquanto eu estava de cama, meus companheiros encontraram nozes duras que podiam ser comidas depois de descascadas, cogumelos nĂŁo venenosos, insetos de aparĂȘncia duvidosa, mas com um gosto nĂŁo tĂŁo ruim, e ĂĄgua de nascente cristalina. Eles tambĂ©m voltaram Ă  Cidade Velha, observando como as coisas estavam por lĂĄ.

Nossa vida estava melhorando um pouco. Os ratos grandes e de pelo duro ainda exigiam cuidado. Se viessem em bando, o melhor era correr.

De vez em quando, víamos outras criaturas. Uma delas tinha pernas finas, um pescoço longo e grandes olhos negros. Pegamos uma, comemos e, olha, era bem gostosa.

Às vezes, encontrávamos ferramentas que pareciam ser de humanos. Mesmo que estivessem quebradas ou desgastadas, sempre as pegávamos.

TambĂ©m fomos atĂ© a Cidade Velha. Quando encontrĂĄvamos outros goblins, a situação ficava meio estranha, e alguns tentavam nos intimidar. Sempre que isso acontecia, Gobuta perdia a paciĂȘncia.

Se parecia que uma briga séria ia começar, arraståvamos Gobuta para longe e íamos embora.

Muitos dos goblins da Cidade Velha—mas nĂŁo todos—estavam bem armados e atĂ© usavam armaduras. Havia grupos nĂŁo sĂł de alguns poucos, mas de mais de dez goblins. Esses geralmente controlavam um poço e pareciam conseguir comida de alguma forma.

Consideramos entrar para um desses grupos. Teríamos que nos humilhar bastante, mas, desde que nos garantisse uma vida segura, eu não acharia tão intoleråvel. Mas não era só Gobuta que rejeitava a ideia; Gobuto também se opÎs.

— Não saímos da Cidade Nova para sermos governados por outra pessoa — ele disse.

— VocĂȘ ouviu, Gobupiroh — rosnou Gobuta. — Nem isso vocĂȘ entende, cara? Seu imbecil. Seu cĂ©rebro Ă© tĂŁo podre que nĂŁo tem salvação. VocĂȘ Ă© um lixo! Um pedaço de merda!

— Mesmo que eu seja um lixo, nĂŁo quero ouvir isso de um verme como vocĂȘ.

— HĂŁ? Eu? O quĂȘĂȘĂȘĂȘ? O que vocĂȘ disseĂȘĂȘĂȘ? Desculpa, eu nĂŁo falo a lĂ­ngua dos pedaços de merda, entĂŁo nĂŁo entendi nadaaa.

— Espero que vocĂȘ vire poeira — murmurou Shiholin.

— Oh, ho. Isso Ă© jeito de falar com um companheiro, Shiholin? VocĂȘ nĂŁo tem classe, hein? Totalmente depravada. Mas, se me deixar apalpar seus peitos antes, eu aceito virar poeira.

— M-Meus pe…?! N-Nem em sonho eu deixaria!

— Caramba! Gobutaaa! AtĂ© onde vocĂȘ quer chegar sendo nojento?! — gritou Yumelin.

— Oooh, me insulta mais! Não tî nem aí pro que uma idiota me diz!

— Ha ha — riu Hobuzo. — VocĂȘ Ă©… incrĂ­vel, Gobuta. DĂĄ pra dizer que tem um coração forte…

— Hobuzo! Com esse tamanho todo, seu coração Ă© pequeno demais, cara!

Se Gobuto se opunha, não íamos nos juntar a nenhum grupo, Gobuta à parte. No fim das contas, eu também não queria ter que puxar o saco de ninguém. Se fosse possível, eu queria evitar isso.

Se nĂŁo precisĂĄssemos escolher esse caminho—se pudĂ©ssemos viver sem fazer o que nĂŁo querĂ­amos, entĂŁo nĂŁo havia motivo para fazĂȘ-lo.

Como poderĂ­amos continuar juntos assim pelo mĂĄximo de tempo possĂ­vel?

Gobuto pensaria nisso. Eu sĂł precisava segui-lo.

De vez em quando, eu quase começava a pensar desse jeito. Pior ainda, às vezes nem pensava. Só me via confiando em Gobuto para tudo enquanto levåvamos nossa vida diåria.

Hoje, encontramos muitos cogumelos comestĂ­veis.

Hoje, matamos uma fera e a comemos juntos. Estava uma delĂ­cia, e todos ficamos satisfeitos.

Hoje, pegamos uma espada muito boa. Era grande, entĂŁo deixamos Hobuzo carregĂĄ-la.

Hoje, choveu.

Hoje, alguns goblins da Cidade Velha arranjaram briga conosco. A situação ficou tensa.

Hoje, nada de bom ou ruim aconteceu.

Hoje, dormi bem.

Hoje, tive aquele sonho. Falei sobre isso com Gobuto.

Hoje, atravessamos a floresta. Era absurdamente vasta.

Hoje, tentamos nos aproximar da cidade dos humanos.

Hoje, parece que Gobuta fez alguma besteira, porque Yumelin deu uma surra nele.

Hoje, nada deu certo, e foi deprimente.

Hoje, tive um dia até que bom.

Hoje—

Nossa situação estava bem melhor do que quando saĂ­mos da Cidade Nova. Era raro passarmos um dia sem encontrar algo para comer. Bem alimentados e nos movendo bastante, naturalmente ganhamos resistĂȘncia. Provavelmente, agora Ă©ramos mais fortes do que antes. Vimos, ouvimos e aprendemos muito. O que havia em cada lugar, o que fazer em diferentes situaçÔes. Ficamos um pouco mais sĂĄbios.

Era como se estivéssemos avançando. De um jeito concreto.

NĂŁo estava tudo bem assim?

NĂŁo estava tudo bem nĂŁo pensar demais, nĂŁo se angustiar com tudo?

— Não que eu esteja fazendo isso — murmurei.

Eu estava tirando um cochilo Ă  tarde.

O motivo? A chuva da noite passada tinha sido forte, e foi difĂ­cil se acomodar e dormir direito. Mas, ao nascer do sol, o tempo abriu, e o chĂŁo secou rapidinho. O calor era intenso, entĂŁo acabamos decidindo cochilar no meio do campo.

SerĂĄ que era seguro? Talvez eu me perguntasse isso, mas parecia Ăłbvio que, escolhendo um lugar com boa visĂŁo, perceberĂ­amos qualquer coisa se aproximando. Gobuto ficou um pouco hesitante, mas nĂŁo disse que nĂŁo podĂ­amos.

EntĂŁo, estava tudo bem, certo?

SerĂĄ que todo mundo jĂĄ estava dormindo?

Dava para ouvir roncos. Hobuzo? Ou talvez Gobuta?

— Pfft… — Shiholin soltou uma risadinha de repente.

Ela estava acordada? NĂŁo, nĂŁo era isso. Olhei para o lado e vi que seus olhos estavam fechados, parecendo dormir. Mas ela tentava segurar o riso.

— Heheheh…

Talvez estivesse tendo um sonho esquisito. Se fosse Yumelin, eu entenderia, mas vindo de Shiholin, era inesperado.

Yumelin estava deitada de barriga para cima, as mĂŁos cruzadas sobre o abdĂŽmen, respirando suavemente.

E Gobuto? Seus olhos estavam fechados, mas serĂĄ que estava dormindo ou apenas descansando?

Soltei um suspiro.

Honestamente, isso era tĂŁo… confortĂĄvel.

Esse estado em que eu estava ficando ridiculamente sonolento, prestes a apagar, mas sem conseguir, era Ăłtimo.

Minha mente embotada divagava sobre vĂĄrias coisas.

Mas esses pensamentos se dissolviam assim que surgiam. E quando outra coisa vinha Ă  mente, eles desapareciam sem deixar rastros.

Se eu estivesse sozinho, jamais teria algo assim.

Com certeza. Era praticamente garantido.

Se eu estivesse sozinho, ficaria ansioso.

SĂł porque os outros estavam ali, eu podia tirar um cochilo assim.

Cochilos sĂŁo incrĂ­veis.

NĂŁo, mais do que isso—ter companheiros Ă© incrĂ­vel.

Viver Ă© incrĂ­vel.

IncrĂ­vel…

Mesmo com os olhos fechados, tudo estava claro. O vento era suave, a terra e a grama, acolhedoras. A presença dos meus companheiros era reconfortante.

Tudo isso se unia, e eu estava no meio disso. NĂŁo, mais do que estar no meio, eu fazia parte disso…

Era como se estivesse prestes a ter outro sonho…

Foi essa a sensação que tive.

Manato.

Moguzo.

Ranta.

Yume.

Shihoru.

Eu ia vĂȘ-los de novo.

— Levanta!

Manato? NĂŁo. Era Gobuto.

Ele parecia desesperado. Eu fiquei de pé sem demora.

Shiholin jå estava de pé. Gobuta e Yumelin estavam apenas se sentando, esfregando os olhos.

— Droga, temos que correr! — Gobuto tentava puxar Hobuzo para cima. — Não, não vai dar tempo—temos que nos preparar para lutar!

— Lutar?! — Gobuta agarrou a espada que tinha conseguido há pouco tempo ao se levantar com um salto. — Q-Q-Q-Quem foi que disse que esse lugar era seguro?!

— VocĂȘ tambĂ©m estava dizendo isso, cara! — retruquei, balançando a cabeça.

Minha visĂŁo tremia.

O que Ă© isso? O que Ă© isso? O que diabos estĂĄ acontecendo? NĂŁo entendo. Tanto faz, eles estĂŁo vindo. SĂŁo os humanos. Eles estĂŁo avançando. Quero dizer, jĂĄ estĂŁo quase em cima da gente. EstĂŁo perto. Perto demais. NĂŁo vai dar tempo. É, correr nĂŁo Ă© mais uma opção. Temos que encarar. Encara-los? Quer dizer lutar? Com aqueles humanos?

— Toma essa! Hatred!

Ranta.

Ranta veio voando na minha direção.

Desviei. Pulei para o lado, evitando desesperadamente a espada longa de Ranta.

— Uwaaah!

— Tch…! Errei, hein? Mas vocĂȘ nĂŁo vai escapar!

— Obrigadoooo…!

O prĂłximo foi Moguzo. Moguzo tentava acertar Gobuto com sua espada bastarda.

— Ah! — Gobuto aparou a espada bastarda de Moguzo com seu bastão de madeira.

— Marc em Parc!

Era Shihoru. Vestida com seu traje de maga, Shihoru desenhou sigilos elementais com a ponta do cajado, e uma esfera de luz do tamanho de um punho disparou—em direção a Shiholin.

— Augh! — A esfera de luz atingiu Shiholin no peito, jogando-a no chão.

— Miau! Shiholin! — Yumelin tentou disparar uma flecha contra Shihoru.

Uma flecha voou.

Era Yume. Yume havia atirado. A flecha foi na direção de Yumelin e, embora não a tivesse acertado diretamente, passou de raspão.

Yumelin deixou seu arco cair, assustada. — Fwah…?

— Hmph, essa passou perto! — Yume exclamou ao largar o arco e sacar um facão. Ela avançou.

Naquele momento, senti um calafrio e me joguei no chão. Quando olhei, lá estava ele—o eu humano, Haruhiro.

Haruhiro tinha se esgueirado até mim, o eu goblin, tentando enfiar uma adaga nas minhas costas, pelo visto.

Consegui evitar levar uma apunhalada nas costas por um triz. Mas, sério, o que era isso? O que estava acontecendo? Como isso estava acontecendo? Que diabos estava rolando aqui?

— Rahhhh!

Haruhiro avançou contra mim.

Consegui aparar a adaga dele com minha espada, de alguma forma. Bloqueei, desviei, mas Haruhiro nĂŁo parava.

Seus olhos estavam vermelhos de sangue. Ele estava falando sério. Haruhiro não estava brincando. Ele estava tentando me matar.

Assustador. O que Ă© isso? Assustador. Assustador pra caramba.

Fiquei paralisado. Tropecei. Haruhiro pulou em mim. Ele me imobilizou.

Eu nem tinha mais minha espada. Tinha soltado em algum momento.

Haruhiro tentou cravar a adaga em mim. Segurei seus braços, impedindo-o.

— Larga! Larga! Caramba, vocĂȘ Ă© bem forte!

Haruhiro estava tentando me matar.

Gritei. — Para! Para com isso! Sou eu! Eu sou eu?! VocĂȘ Ă© eu! Eu sou eu! Me matar Ă© loucura!

Mas talvez Haruhiro nĂŁo pudesse me ouvir. Porque eu era um goblin? Mas eu conseguia entender o que Haruhiro dizia. Quer dizer, ele era eu. Eu era Haruhiro. NĂŁo, eu era Gobuhiro, nĂŁo era? Bom, tanto faz, isso era insano.

— Morre! — ele gritou. — Só morre logo! Por favor, morre! Desiste! Por favor!

De jeito nenhum eu ia desistir. Eu nĂŁo podia desistir, nĂ©? Mas isso nĂŁo ia acabar bem. Ele ia me dominar nesse ritmo. Ele ia superar minha resistĂȘncia.

Ahhh. Não é bom. Sério. A adaga.

Estava bem na frente do meu olho. NĂŁo metaforicamente. A ponta da adaga estava quase tocando. Se eu piscasse, podia encostar na minha pĂĄlpebra.

Para. Isso estå errado. Alguém me ajuda.

Manato…!

— Hm…? — murmurei.

Manato.

Era o Manato.

— O que foi, Haruhiro? — Manato perguntou. — Huh? VocĂȘ estava dormindo?

— …HĂŁ… — balancei a cabeça. Pisquei. Isso deveria ser Ăłbvio, mas nĂŁo havia nenhuma adaga tocando meu olho.

Espera. O que foi isso? Que adaga?

— O quĂȘĂȘĂȘĂȘĂȘ?! — Ranta me olhou zombeteiro. — Parupiro, cara, aqui estava eu achando estranho vocĂȘ estar tĂŁo quieto, e vocĂȘ tava dormindo no meio do serviço? NĂŁo acredito. Tirando uma soneca em Damuro?! InacreditĂĄvel. Aqui Ă© territĂłrio inimigo, cara. TerritĂłrio inimigo. VocĂȘ Ă© um lixo?!

— …Damuro. — Minha cabeça estava confusa, entĂŁo nem consegui ficar irritado. — Eu… estava dormindo? Huh? Mas…

— Nyohoh? — Yume se agachou ao meu lado, espiando meu rosto. — Haru-kun, vocĂȘ tava dormindo? SerĂĄ que nĂŁo descansou direito?

— Ah… Vai ver. Hm…

— Pensando bem… — Moguzo estava sentado no chĂŁo, praticando golpes com sua espada bastarda. — Haruhiro-kun, vocĂȘ quase nunca vai dormir antes de mim, nĂŁo Ă©?

— Acho que sim? — murmurei. — Talvez vocĂȘ tenha razĂŁo.

— Ah! Yume nunca viu o rosto da Shihoru dormindo! Ou será que já viu?

— Hm… Eu tenho dificuldade para dormir. E costumo acordar cedo tambĂ©m.

— Isso Ă© meio frustrante. Yume, da prĂłxima vez, vai ficar acordada atĂ© vocĂȘ dormir. Yume vai olhar pro seu rostinho dormindo um monte!

— Isso… nĂŁo tem problema. Mas, falando assim, Ă© meio constrangedor.

— Deixem-me participar da conversa de garotas! NĂŁo, me deixem ver seu rosto dormindo tambĂ©m! NĂŁo, aliĂĄs, nĂŁo sĂł o rosto, mas o corpinho dormindo inteiro… Gweheheheh…

— Ranta, seu pervertido! — Yume gritou.

— VocĂȘ Ă© o pior — Shihoru concordou.

— Digam o que quiserem! Eu não ligo! Geheheheheh!

— Haha… Ranta-kun, vocĂȘ realmente nĂŁo desiste… — Moguzo comentou.

— Moguzo! VocĂȘ devia aprender comigo! VocĂȘ Ă© um guerreiro! Se nĂŁo ficar durĂŁo, de corpo e alma, como vai servir de isca pra mim?!

— T-Talvez tenha razão. É. Vou dar o meu melhor.

— NĂŁo, nĂŁo vai! — Yume berrou. — Se vocĂȘ acabar agindo como o Ranta, Yume vai odiar isso!

— S-SĂ©rio…?

— Eu tambĂ©m — Shihoru assentiu sem hesitação.

Manato riu, observando a nossa conversa.

Damuro.

Isso mesmo. Essa era a Cidade Velha de Damuro. Viemos aqui, como sempre, para caçar goblins. Depois, paramos para descansar em uma construção em ruínas.

Eu me sentei e entĂŁo… cochilei…? Talvez?

— O cansaço está acumulando? — Manato perguntou.

— Ah… — Inclinei a cabeça para o lado. — Pode ser. Mas nĂŁo sei direito. Se eu simplesmente dormi assim, entĂŁo deve estar. Hm.

— O quĂȘ? Teve um sonho estranho?

— Um sonho… — murmurei.

Isso mesmo.

Eu sentia que… tinha sonhado.

E foi um sonho bem… complexo… digo, longo.

— Manato — chamei baixinho. — Quanto tempo eu fiquei apagado?

— SĂł um pouquinho, eu acho. Por quĂȘ?

— NĂŁo…

Parecia que… o sonho tinha sido longo demais para isso ser verdade.

Mas eu nĂŁo lembrava do que era.

NĂŁo sĂł um pouco. Absolutamente nada.

— NĂŁo Ă© nada… Acho que estou sĂł cansado mesmo.

— Ah, Ă©? Bom, entĂŁo vamos encerrar o dia mais cedo.

— HĂŁ? Mas eu tĂŽ bem. Se eu fizer todo mundo voltar mais cedo, vou ficar meio sem graça…

— NĂŁo Ă© culpa sua, Haruhiro. É importante levar em conta nossa condição. Para o bem de todos.

Quando ele disse isso de forma tĂŁo gentil, eu nĂŁo tive como recusar. Nunca senti vontade de discutir com Manato.

— Que tal voltarmos para Altana enquanto ainda está claro e relaxarmos? — Manato sugeriu a todos.

Ranta resmungou um pouco, mas todos os outros ficaram felizes. E, mesmo Ranta, provavelmente nĂŁo estava realmente irritado; sĂł queria implicar. Manato sabia como lidar com isso. Era uma habilidade que eu nunca conseguiria imitar.

Se Manato nĂŁo estivesse por perto, alguĂ©m jĂĄ teria perdido a paciĂȘncia com Ranta e algo irreversĂ­vel poderia ter acontecido.

SaĂ­mos de Damuro.

Era culpa minha, e eu me sentia um pouco mal por isso, mas, sendo honesto, também achava que tudo bem ter dias assim.

— Quer que eu cozinhe? — Moguzo perguntou no caminho de volta. — Estamos voltando bem cedo, entĂŁo dĂĄ tempo. AlĂ©m disso, Ă© mais barato.

— Eu vou comer nas barracas — Ranta disse.

— Por que vocĂȘ tem que estragar nossa caminhonha de equipe desse jeito, hein?!

— Yume. — NĂŁo pude deixar de apontar. — É “trabalho”, nĂŁo “caminhonha”. Trabalho em equipe…

— Mewww. Era assim mesmo?

— Claro que era — Ranta zombou. — Caminhar pra quĂȘ, sua idiota?

— Murgh. Quando o Ranta fala, fica super irritante.

— EntĂŁo nĂŁo me faça falar. Isso Ă©, se conseguir!

— M-Mas… — Shihoru murmurou hesitante. — Eu nĂŁo acho que uma caminhonha de equipe seria uma ideia tĂŁo ruim…

— Oh, Shihoru, eu estava pensando nisso tambĂ©m — disse Manato. — Todos nĂłs caminhando juntos. Trabalho em equipe Ă© para trabalhar, entĂŁo talvez uma caminhonha de equipe combine mais com a gente.

— N-NĂŁo Ă©? Eu… Eu acho isso tambĂ©m…

— Shihoruuuu! — Yume gritou.

— Fwah, o-o quĂȘ?! Yume, i-isso foi tĂŁo de repente…

— VocĂȘ Ă© demais!

— P-Para—espera, não, se me abraçar, eu vou tropeçar!

— Esperem — Manato levantou a mão, sinalizando para pararmos. — Lá na frente. Tem alguma coisa ali.

Abaixamos nossas posturas e apertamos os olhos. Ele estava certo. Havia algo se movendo do outro lado do campo. Fiquei um pouco surpreso. Pareciam goblins. NĂŁo era Damuro, mas eles estavam em grupo.

— Um… Dois… TrĂȘs… Quatro… Cinco… Seis deles, hein? — contei. — Isso Ă© bastante.

— Mas, mesmo assim, esses caras parecem meio burros, sabe? — Ranta lambeu os lábios, levando a mão ao cabo da espada longa. — Por que não matamos eles? Com um ataque surpresa, vai ser moleza.

— Isso Ă© verdade, assumindo que o ataque surpresa funcione — disse Moguzo, em uma rara ocasiĂŁo em que parecia animado. — Talvez seja possĂ­vel?

— Muh… — Yume preparou o arco. — Parece que eles nem perceberam Yume e todo mundo, sabe?

— Se vamos atacar — Shihoru apertou seu cajado —, temos que decidir rápido.

— VocĂȘ tem razĂŁo.

Manato estava um pouco hesitante?

Era natural. A decisĂŁo era dele, afinal. Quem sabia no que isso poderia dar? Claro, aceitarĂ­amos qualquer escolha, mas Manato carregava a responsabilidade.

Ele olhou para mim.

NĂŁo achei que estivesse pedindo conselho. Provavelmente sĂł estava observando como eu estava.

Mas, ainda assim, se eu assentisse agora, Manato tomaria sua decisĂŁo? Foi o que pensei. Bem, eu poderia pelo menos dar um empurrĂŁozinho. Eu devia isso a ele.

Estava prestes a assentir quando algo passou pela minha mente.

Coisas que talvez tenha visto, talvez tenha ouvido. Pareciam fazer sentido, mas ao mesmo tempo, nĂŁo. Tudo misturado. Era difĂ­cil de explicar, mas… algo ficou preso no meu peito, e tive dificuldade para respirar.

SĂł sabia de uma coisa. NĂŁo podĂ­amos fazer isso. Seria um erro.

— Podemos nĂŁo fazer? — perguntei. — SĂŁo muitos. Um deles parece grande demais, tambĂ©m. NĂŁo estou sentindo que vai dar certo… Acho que nĂŁo estamos prontos pra isso.

— HĂŁ?! — Ranta veio para cima de mim. — VocĂȘ Ă© o Ășnico que nĂŁo tĂĄ pronto aqui! Eu tĂŽ mais do que preparado! Agora escuta—

— Wah! — Yume apontou para os goblins. — Eles fugiram!

— É verdade — Moguzo pareceu um pouco aliviado.

Shihoru tambĂ©m parecia aliviada. — Mesmo que fĂŽssemos atrĂĄs deles agora…

— Não conseguiríamos alcançar — Manato riu um pouco. — Bom, talvez isso tenha sido o melhor. As coisas acontecem como devem acontecer.

— Tch! — Ranta estalou a língua e chutou o chão. — Aqueles desgraçados acabaram de ganhar mais tempo de vida.

Enquanto eu observava os goblins desaparecendo na distĂąncia, pensei no longo sonho que havia acabado de me lembrar.

Sim.

Aquilo foi um sonho.

Um sonho longo que tive em um tempo muito curto.

Mas… foi mesmo um sonho? Como eu podia ter certeza de que isso aqui nĂŁo era o sonho?


Tradução: ParupiroHPara estas e outras obras, visite o Cantinho do ParupiroH – Clicando Aqui


Tradução feita por fãs.
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