Hai to Gensou no Grimgar – EX 1: Capítulo 2 – Volume 14+

 

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Hai to Gensou no GrimgarGrimgar of Fantasy and Ash

Light Novel Online – Ex 1:
[CapĂ­tulo 02: Frutas Vermelhas]


— Bom, pode-se dizer isso ou aquilo sobre o que aconteceu, mas… Yumelin e todo mundo tiveram sorte, isso que Yumelin acha…

SerĂĄ… que isso estava certo?

Honestamente, eu realmente nĂŁo sabia.

Mas, bem, talvez nĂŁo fosse impossĂ­vel dizer que sim…?

Afinal, ainda eståvamos vivos. Mesmo depois de tanta contorção e agonia, ninguém havia morrido.

Quando Hobuzo saiu correndo, provavelmente enlouquecido pela dor, todos nós rastejamos atrås dele até uma årea cheia de årvores. Foi a primeira vez que vi tantas årvores na vida.

Enquanto descansĂĄvamos contra as ĂĄrvores, aos poucos fomos nos acalmando. Aqueles cogumelos eram venenosos, mas talvez nĂŁo fossem tĂłxicos o suficiente para serem letais.

De qualquer forma, havĂ­amos sobrevivido.

— De qualquer maneira, nĂŁo Ă© isso ou aquilo, Ă© aquilo ou isso, entendeu? — falei.

— Miau…? Yumelin sempre achou que era isso ou aquilo. SerĂĄ que ela estava errada? Huh…

— Bom, tanto faz — respondi. — Isso e aquilo, ou aquilo e isso. Não tem tanta diferença.

— Tem uma diferença enorme, seu idiota! — Gobuta disse, praticamente cuspindo as palavras. Ele estava se agarrando a uma árvore por algum motivo. — Elas são muito diferentes. Qualquer coisa e tudo, e tudo e qualquer coisa, são completamente diferentes!

— Mas não foi isso que ela disse.

— Cala a boca. Gobuhiro estĂșpido. VocĂȘ nĂŁo sabe como eu me sinto…

— Essa conversa nunca foi sobre como vocĂȘ se sente.

— Gwehhhh — Gobuta gemeu. — TĂŽ tĂŁo faminto…

— Cara, vocĂȘ tĂĄ me ouvindo?

— TĂŽ com fome demais pra isso…

— Isso aqui Ă© uma floresta? — Shiholin pareceu despertar e olhou ao redor. — Eu jĂĄ ouvi histĂłrias de um lugar com muitas ĂĄrvores chamado floresta.

— Ah, Ă©? — Gobuto se levantou com as pernas trĂȘmulas, apoiando a mĂŁo em uma ĂĄrvore enquanto olhava para cima. — Floresta. TambĂ©m jĂĄ ouvi falar. HĂĄ todo tipo de criatura na floresta. Devemos ter mais facilidade para encontrar comida, pelo menos comparado aos campos ou Ă  Cidade Velha.

— NĂłs vamos… — Hobuzo olhou para a ĂĄrvore com olhos vazios. — NĂłs vamos comer isso…?

— NĂŁo… — Gobuto balançou a cabeça. — NĂŁo Ă© assim que funciona…

Hobuzo, era bem Ăłbvio, estava chegando ao seu limite. NĂŁo, ele jĂĄ o havia ultrapassado. Talvez sĂł estivesse aguentando ainda porque era um hobgoblin, maior e mais resistente que nĂłs, goblins.

Olhei para Hobuzo, Gobuto, Yumelin, Shiholin e, por Ășltimo, Gobuta. NĂŁo me importava com Gobuta, mas todos os outros, eu os considerava amigos. TambĂ©m havia um senso de propĂłsito comum ali. Ou talvez fossem como irmĂŁos e irmĂŁs para mim.

— Eu vou procurar — disse. — Por comida. Acho que consigo me mover, se não for por muito tempo.

— Eu vou tambĂ©m. — Mesmo numa hora dessas, Gobuto sorriu.

— O que Yumelin deve fazer? Ela quer ir, mas pode acabar desmaiando…

— VocĂȘ nĂŁo deve… se esforçar… — Shiholin usou algo parecido com um cajado para se apoiar, forçando-se a se levantar. — …Eu vou. VocĂȘ fica aqui…

— Eu nĂŁo vou. — Gobuta ainda estava agarrado Ă  ĂĄrvore. — VocĂȘs vĂŁo. VĂŁo e tragam comida pra mim. Depressa. Se nĂŁo trouxerem, eu vou morrer.

— EntĂŁo morre logo… — murmurei.

— Como vocĂȘ pode dizer isso, Gobupirolin?! Eu vou te matar, seu idiota!

— VocĂȘ ainda tem energia, hein?

— Eu não tenho! Eu mal tî respirando aqui! Agora vão! Rápido! Depressa! Andem logo! Sumam daqui! Vão, vão, vão! Tratem de voltar rápido e me manter vivo!

Eu não queria desperdiçar minha força discutindo com esse lixo. Gobuto, Shiholin e eu adentramos a floresta.

Pouco depois, Shiholin tropeçou, Gobuto a segurou sem hesitar, e disse para ela se apoiar em seu braço. Shiholin pareceu hesitar no começo, mas, uma vez que segurou, não deu sinais de que soltaria.

Por minha parte, me sentia mais seguro com ela fazendo isso. Shiholin tinha menos resistĂȘncia do que todos nĂłs. Honestamente, era um mistĂ©rio para mim. Por que ela veio? NĂŁo teria sido melhor descansar junto com Yumelin?

— Gobuhiro — Gobuto começou.

— Hm…? O quĂȘ, Gobuto?

— …Nada.

— Ei, escuta — eu disse.

— Huh?

— Eu nĂŁo me arrependo, ok? Quem sugeriu sair de Damuro… Bom, pode atĂ© ter sido vocĂȘ. Mas eu concordei quando saĂ­mos. Quer dizer, eu nĂŁo sei direito, mas… nĂŁo acho que tenha sido um erro, ou algo assim…

— Sim.

— Isso nĂŁo Ă© culpa de ninguĂ©m… nem nada, sabe? Especialmente nĂŁo Ă© sua culpa, Gobuto. VocĂȘ sempre… lidera a gente, por assim dizer. Se vocĂȘ nĂŁo estivesse aqui, nĂłs… nunca terĂ­amos mudado.

— Não posso dizer que concordo com isso.

— NĂŁo, Ă© verdade. gente teria continuado como sempre. ÓrfĂŁos sem nada e sem poder fazer nada… Era assim que as coisas teriam acabado pra gente. NĂŁo acha, Shiholin?

— Acho. Honestamente… Gobuhiro-kun tem razĂŁo. Eu…

Isso me surpreendeu.

Shiholin começou a chorar.

— …Eu sou grata. Muito grata… Queria te dizer isso algum dia, Gobuto-kun. Mas nĂŁo conseguia…

— NĂŁo, eu que deveria agradecer vocĂȘs — Gobuto disse suavemente.

Como eu imaginava, Gobuto era incrível. Se fosse eu, e ela começasse a chorar assim, provavelmente entraria em pùnico, sem saber como reagir. Gobuto era diferente. Ele deu tapinhas de leve nas costas de Shiholin, sorrindo para ela.

— Sou grato a todos vocĂȘs por deixarem um cara como eu fazer parte disso.

De certa forma, isso me surpreendeu mais do que as lĂĄgrimas de Shiholin.

Um cara como eu?

Se estivéssemos falando de Gobuta, eu até entenderia ele se referir a si mesmo assim. Embora, aconteça o que acontecer, Gobuta nunca diria algo assim.

Mas Gobuto nĂŁo tinha motivo algum para se menosprezar. Era humildade? Se fosse, nĂŁo combinava com ele.

Na verdade, eu queria agradecer a ele por deixar gente como nĂłs ser seus companheiros. Esse era meu verdadeiro sentimento. Mas, assim como Shiholin, eu nĂŁo conseguia dizer isso, mesmo querendo. Era embaraçoso e soava impessoal demais. Mas…

Tinha algo errado?

Era o que parecia.

Gobuto sabia de muitas coisas. Ele conhecia vĂĄrias coisas que ĂłrfĂŁos como nĂłs nĂŁo deveriam saber. Naturalmente, isso nĂŁo importava, e Gobuto era um de nĂłs, mas ele era diferente. Eu percebia isso de vez em quando—nĂŁo, na verdade, com bastante frequĂȘncia. Gobuto nĂŁo era como a gente. Ele era diferente demais de nĂłs, ĂłrfĂŁos sem nomes de famĂ­lia.

Gobuto pode nĂŁo ser um ĂłrfĂŁo.

Esse pensamento passou pela minha cabeça novamente. Mas isso era impossível. Se ele não fosse um órfão, estaria vivendo bem, em uma casa decente e tudo mais.

Bom, que diferença faz? Pensei.

Gobuto era um de nós. Todos nós o víamos como um companheiro. Então, não importava quem Gobuto fosse. Se ele tinha um segredo, uma situação difícil de falar, ou qualquer outra coisa, ele nos contaria se quisesse falar sobre isso.

Se ele nĂŁo falava, significava que ou nĂŁo havia nada, ou ele nĂŁo queria falar. Se ele nĂŁo queria falar agora, talvez um dia quisesse. E, claro, eu ficaria feliz em ouvir.

NĂŁo havia necessidade de apressar as coisas.

Gobuto nĂŁo iria a lugar nenhum.

Ele era nosso companheiro.

Sempre estarĂ­amos juntos.

Bom, isso assumindo que nĂŁo morrĂȘssemos de fome.

Sentindo uma tontura repentina, desabei na vegetação rasteira.

— Gobuhiro…?!

— Gobuhiro-kun!

Gobuto e Shiholin correram imediatamente e tentaram me tirar dos arbustos. Mas eu rejeitei a ajuda.

— …Espera. Isso é—

Nos galhos baixos da vegetação em que eu caí, havia o que pareciam ser bagas vermelhas.

Não, elas não pareciam apenas bagas—eram bagas.

Eu as colhi. Depois do Incidente do Cogumelo, talvez eu devesse ter mais cautela, mas coloquei uma na boca sem hesitação.

— É azeda… mas doce…?

— HĂŁ? Gobuhiro? O que vocĂȘ tĂĄ comendo? — perguntou Gobuto.

— O que Ă©… doce…? — arriscou Shiholin.

— Bagas! Essas frutinhas vermelhas e redondas! SĂŁo deliciosas! Acho?! Nunca comi nada assim, entĂŁo elas tĂȘm uma sensação estranha na boca, mas… TĂŁo boas! Sim! SĂŁo deliciosas!

Quando me viram enchendo a boca com as bagas, Gobuto e Shiholin também estenderam as mãos. Eu me apressei em impedi-los.

— Ei, ei! Podem ser venenosas! Eu jĂĄ comi, entĂŁo sou o testador de veneno! Se o tempo passar e eu continuar bem, aĂ­…

— O-Opa, verdade. — Gobuto limpou a boca. — Ih… No momento em que pensei que podĂ­amos comer, elas começaram a parecer mais apetitosas…

Shiholin se jogou no chĂŁo, com uma expressĂŁo derrotada.

— Isso Ă© tortura…

Eu entendia o sentimento, mas precisĂĄvamos manter os sacrifĂ­cios no mĂ­nimo.

Esperamos assim.

Por um tempo que me pareceu bem longo.

— É seguro… — Gobuto engoliu em seco, ansioso. — NĂŁo… diria que sim?

Shiholin assentiu vigorosamente.

— Está tudo bem. Com certeza.

— Bom… — Passei a mĂŁo na garganta e no estĂŽmago. NĂŁo senti nada estranho. Pelo menos, atĂ© onde percebia. — Acho que sim?

— EntĂŁo… — Gobuto arrancou uma das bagas vermelhas do galho. — LĂĄ vai.

Não querendo ficar para trås, comi também.

Shiholin fez o mesmo.

Uma atrĂĄs da outra.

Comemos mais e mais.

Não conseguia parar—

Espera, precisa parar? Não, né? Então é hora de comer. Eu vou comer. Eu tenho que comer, né? Eu devo comer. Eu preciso comer, certo? Vou comer feito louco. Claro que vou comer. Qual é o problema em comer?! Nenhum. Absolutamente nenhum. Comer é justo. Precisamos comer. Comer, comer, coooomer!

— …Ah!

Quando recuperei os sentidos, meu rosto estava coberto de suco das bagas vermelhas… nĂŁo, meu corpo inteiro tinha ficado vermelho.

Não só eu. Shiholin também. E Gobuto.

— Ha! — Sem conseguir me segurar, comecei a rir. — Wahaha! Waha! Gobuto, Shiholin! VocĂȘs estĂŁo vermelhos! Vermelhos demais! Aha! Hahaha!

— Bwahaha! — Gobuto riu. — VocĂȘ tambĂ©m, Gobuhiro! Vermelho por toda parte! E Shiholin tambĂ©m!

— N-NĂŁo olhem… Hee hee. Gobuto-kun, Gobuhiro-kun, vocĂȘs dois estĂŁo vermelhos… Pfft…! Mweeheeheehee…

Nós nos seguramos a barriga e rimos alto. A vontade de rir não passava. Mas jå nem sabia mais o que era tão engraçado, e aquele não era momento para risadas.

— P-Precisamos ir, heheheheh… Temos que avisar Hobuzo e Yumelin… e acho que o Gobuta tambĂ©m… Heheheheh… Eles precisam comer tambĂ©m!

— V-VocĂȘ tem razĂŁo, heheheh… DĂłi… Heheheh… Precisamos ir logo e deixar eles comerem… Hahahaha…

— Eu nĂŁo aguento mais… M-Minha barriga, dĂłi… TĂŽ rindo demais… Heh, heh, heh…

De alguma forma, conseguimos segurar a risada no caminho de volta, mas quando os outros nos viram, Hobuzo, Yumelin e Gobuta pularam para trĂĄs.

— Uwahhhh?!

— Eeeeeeeeeek?!

— Gwahhhhh, cara, vocĂȘs estĂŁo cobertos de sangue?! N-NĂŁo me digam que morreram e voltaram como fantasmas?!

TĂ­nhamos esquecido completamente que estĂĄvamos cobertos de suco de baga vermelha.

Esse evento ficaria conhecido mais tarde como o Incidente da Baga Vermelha.

Deixando isso de lado, finalmente tínhamos conseguido comida. As bagas não eram muito sustanciosas, mas eram abundantes, e conforme nos empanturråvamos, a sensação de fome ia desaparecendo. Ninguém teve dor de estÎmago, e ficar vermelho de suco era algo toleråvel.

PodĂ­amos nĂŁo estar completamente satisfeitos, mas tĂ­nhamos muito no estĂŽmago.

Todos nos deitamos no chĂŁo.

— Que bom — murmurei, por fim. — NĂŁo sei bem como dizer, mas… — Eu tentava expressar algo, mas nĂŁo encontrava as palavras. — Foi bom. Conseguir encontrar algo para comer.

— É, foi sim — Yumelin riu. — Mas foi uma baita surpresa ver Gobu-kun, Gobuto e Shiholin chegando. Nyuhuhuhuh…

— NĂŁo estĂĄvamos tĂŁo diferentes de como vocĂȘs estĂŁo agora, sabe? — Shiholin disse, num tom provocador, algo raro para ela.

— Ah, Ă©? Wahh! É mesmo. Eeheehee. Acho que vamos precisar de um banho.

— Tomar banho, hein… — Gobuta soltou uma risada perversa. — Parece uma boa ideia pra mim. Se procurarmos, tem que haver alguma coisa. Uma poça d’água, em algum lugar. Vamos todos tomar banho juntos e dar uma refrescada. Uweheheh…

— JĂĄ vou avisando, a Yumelin nĂŁo vai entrar com vocĂȘ, Gobuta.

— Por quĂȘ?! Foi vocĂȘ que disse que queria tomar banho!

— Porque, Gobuta, vocĂȘ com certeza ficaria encarando. Tipo, lugares estranhos. VocĂȘ com certeza faria isso.

— Keh — Gobuta resmungou. — O que vocĂȘ tem a perder sendo vista? Digo, sua pele nua? Nem vale a pena olhar. Agora, a Shiholin, por outro lado…

— Eu tambĂ©m recuso. E isso nem precisava ser dito.

— NĂŁo sejam tĂŁo pĂŁo-duras! — Gobuta berrou. — VocĂȘs nĂŁo perdem nada sendo vistas! Pensem nisso como um serviço para nĂłs! Um serviço!

— Por que eu deveria oferecer qualquer tipo de serviço para vocĂȘ? Prefiro morrer.

— A Yumelin tambĂ©m! Nem nessa vida, nem na prĂłxima!

— Água… — Gobuto sentou-se, coçando o queixo. — Isso mesmo. Precisamos garantir um ponto de ĂĄgua. As bagas vermelhas vĂŁo durar alguns dias, entĂŁo nesse tempo precisamos encontrar um local com ĂĄgua e uma nova fonte de comida.

Esse era o Gobuto, jĂĄ pensando no prĂłximo passo. Mas eu? NĂŁo queria fazer, nem pensar em nada por um tempo. NĂŁo sentia que conseguiria pensar em nada.

— Estamos vivos, huh — Hobuzo murmurou, com a voz um pouco trĂȘmula. — Estar vivo Ă© incrĂ­vel. Todos nĂłs estamos vivos. Eu estou… tĂŁo feliz.

Shiholin fungou. Parecia estar chorando.

— Sim… Isso mesmo. — Yumelin deu um tapinha na cabeça de Shiholin. — Yumelin tambĂ©m tĂĄ muito feliz. Quem diria que sĂł estar vivo seria algo tĂŁo maravilhoso?

— É… — Gobuto se deitou. — VocĂȘ tem razĂŁo. SĂ©rio. É bom estar vivo. Estamos bem, e talvez sĂł o fato de estarmos vivos assim jĂĄ seja o bastante. NĂŁo era isso que vocĂȘ estava tentando dizer antes, Gobuhiro?

— Bom… — Comecei a sentir que sim. Quer dizer, provavelmente era isso mesmo, entĂŁo fiquei um pouco envergonhado. — …Talvez? Quem sabe. É, pode ser…?

— Hah! — Gobuta zombou. — Quem Ă© que fica feliz sĂł por estar vivo? Seu idiota. SĂł viver jĂĄ basta? Suas ambiçÔes poderiam ser mais baixas? DĂĄ pra melhorar isso aĂ­? Tenha um pouco de determinação, alguma ambição…

— Oh, e vocĂȘ tem alguma ambição, entĂŁo, Gobuta? — perguntei.

— Com certeza tenho. Ouçam e fiquem impressionados, Gobupirosuke. Se liguem nessa, eu…

— Shh! — Gobuto levou um dedo aos lábios.

Ficamos em silĂȘncio. A seriedade no semblante de Gobuto nos fez obedecer.

Ele se levantou rapidamente. Nós nos levantamos também, fazendo o possível para não fazer barulho. Caminhamos silenciosamente pela floresta, com Gobuto nos guiando. Não demorou muito até ouvirmos vozes. Cada um de nós se encostou em uma årvore, abaixando a postura.

Sussurrei para Gobuto, que estava ao meu lado: — Que vozes são essas?

— Não são goblins. Acho que podemos ter certeza disso.

— EntĂŁo…

Fiquei apavorado. Não só por dentro. Estava tão assustado que não conseguia disfarçar.

SerĂĄ que eu tĂŽ sendo medroso demais? Pensei. Mas havia um motivo para eu estar tĂŁo abalado.

— …Humanos? — murmurei.

— Muito provavelmente — Gobuto respondeu, fazendo sinais com as mĂŁos para nĂłs. O sinal queria dizer “fiquem aqui”, isso eu entendi, mas… o que ele estava planejando fazer?

…Entrar sozinho, aparentemente.

Antes que a hesitação me pegasse, meu corpo se moveu sozinho.

Corri atrås de Gobuto. Ele me notou e balançou a cabeça. Balançei a minha de volta.

Eu estou com um medo do inferno, mas vocĂȘ acha que eu vou te deixar ir sozinho?

Gobuto deu de ombros, como quem diz: Acho que vou ter que aceitar isso.

Talvez fosse só imaginação minha, mas naquele momento, ele parecia um pouco aliviado.

E, pela primeira vez, ele parecia vulneråvel de alguma forma. Se ninguém ficasse ao lado dele, poderia ser ruim. Talvez eu tenha sentido isso e o seguido por instinto, mesmo sabendo que minha presença provavelmente não faria muita diferença.

Ainda assim, se chegasse a esse ponto, talvez eu conseguisse, pelo menos, morrer no lugar dele. Sem Gobuto, todos estariam em apuros. Pensar assim me deu um pouco de coragem.

Eventualmente, as vozes humanas ficaram bem prĂłximas. Ainda nĂŁo conseguia vĂȘ-los, mas a situação parecia perigosa. Gobuto e eu nos mantivemos juntos, escondidos nos arbustos.

Eu estava tremendo, claro, mas… Gobuto tambĂ©m.

Gobuto estava com medo?

Em algum momento, começou a escurecer.

Os humanos conversavam sobre algo.

— …E agora?

— NĂŁo hĂĄ muito o que fazer… Temos que voltar. Para Altana.

— Os garotos com dor, tudo em vĂŁo, huh…

— Quem são os garotos com dor?

— N-Nada! …N-Na verdade, esquece.

— …Estou com fome.

— Quando voltarmos, vamos direto ao mercado e comer alguma coisa. Conheço um lugar barato pra passar a noite. É uma hospedaria para soldados voluntĂĄrios no oeste da cidade…

— Tch. Talvez devĂȘssemos acampar. NĂŁo trouxemos nem um Ășnico cobre.

— NĂŁo, isso deve ser um Ășltimo recurso. A hospedaria pode ser compartilhada, mas tem—

O medo crescia dentro de mim, e eu sentia que poderia morrer a qualquer momento, mas entĂŁo notei algo estranho.

Por que eu conseguia entender o que os humanos estavam dizendo?

Isso nĂŁo era normal… certo? Digo, eu era um goblin. Os humanos claramente falavam uma lĂ­ngua diferente da nossa. E, mesmo assim, eu entendia. Isso era definitivamente estranho.

Eventualmente, os humanos se afastaram. Gobuto e eu espiamos por entre os arbustos, observando-os partir.

Um… Dois… TrĂȘs… Quatro… Cinco… Seis… Seis deles.

Tinha que ser coincidĂȘncia, mas havia seis humanos, assim como Ă©ramos seis.

Logo, eles desapareceram de vista, e nĂŁo podĂ­amos mais ouvir suas vozes nem seus passos.

— Esses são os humanos — Gobuto disse, com uma expressão atormentada, ainda olhando na direção em que tinham ido.

— Gobuto…?

— HĂŁ? O quĂȘ?

— Nada… nem sei o que eu queria dizer…

Por alguma razĂŁo, eu nĂŁo conseguia dizer. Que tinha entendido a lĂ­ngua dos humanos.

Também não conseguia evitar a sensação de que Gobuto tinha sentimentos especiais em relação a eles, mas não tive coragem de confrontå-lo sobre isso.

— Devemos voltar? — perguntei. — Para os outros. Devem estar preocupados.

— Ah… — Gobuto sorriu.

Mas não parecia apenas forçado. Parecia fabricado ou, para ser mais franco, um sorriso falso e suspeito. Não combinava com Gobuto.

— Faz sentido. Vamos voltar. Para nossos companheiros.


Tradução: ParupiroHPara estas e outras obras, visite o Cantinho do ParupiroH – Clicando Aqui


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