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Hai to Gensou no Grimgar – EX 1: Capítulo 1 – Volume 14+

 

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Hai to Gensou no GrimgarGrimgar of Fantasy and Ash

Light Novel Online – Ex 1:
[Capítulo 01: Uma História a Ser Contada]


— Uh, nyuh, nyuh, nyuh, nyuh… — Puxando a corda do arco até o limite, Yumelin soltou. — Mrriawr!

A flecha cortou o ar.

O corvo solitário, empoleirado em um lugar alto, não foi atingido. Com um bater de asas, ele alçou voo.

Enquanto isso, a flecha nem sequer alcançou o poleiro do corvo, perdendo velocidade e despencando no chão.

— …Noo-hyoo. — Yumelin abaixou os ombros.

Eu não encontrava palavras para consolá-la. Honestamente, eu nem estava tão desapontado quanto Yumelin. Afinal, nem parecia que tinha sido por pouco.

Se me perguntassem se, por um segundo sequer, eu acreditei que ela poderia acertar… não. Não acreditei.

Além disso, eu estava com tanta fome que me sentia lento.

Isso estava complicado.

Estava ficando bem ruim.

— Heh, heh, heh, heh… — Gobuta estava esparramado no chão. — Você é péssima… Heh, heh, heh, heh, heh…

— Não diga que a Yumelin é péssima! — Yumelin reclamou, quase chorando. — A Yumelin tá dando o melhor dela, tá bom? Ela não é boa em atirar com arco, então não é culpa dela! Se vai dizer que a Yumelin é péssima, faz você então, Gobuta!

— …Nem ferrando. Não quero me mexer… E para de gritar… Não faz bem com o estômago vazio…

— Fuh, gyuh. Gyuh, gyuh, gyuh! — Por fim, a raiva de Yumelin explodiu… só que não. Ela simplesmente murchou ali mesmo. — …Ooh-hyooh. Tô com tanta fome…

Eu entendo, pensei.

Sinceramente, completamente, profundamente entendo.

Puxa vida. Nem conseguia culpar o Gobuta. Eu simplesmente não tinha forças para isso. Eu podia não estar deitado como ele, mas em algum momento tinha me agachado e ainda não tinha conseguido me levantar.

Não era só eu; Hobuzo também estava sentado, olhando para o céu, imóvel. Shiholin estava encolhida. Até mesmo Gobuto—

— Um corvo não vai ser o suficiente — murmurei.

Mas ele era Gobuto, afinal de contas. Gobuto se levantou de imediato, erguendo o punho no ar de maneira decidida.

— Mesmo que conseguíssemos acertar o corvo, ele não seria o bastante para encher nossos estômagos. Um corvo não é o suficiente. Precisamos encontrar outra presa!

— Não, mas… — Comecei a responder, e isso na verdade me surpreendeu. — O que devemos fazer? Quer dizer, na Cidade Velha, só tem… órfãos como nós… ou corvos, e só. Talvez ratos também…

— Já tá na hora daquilo? — A garganta de Gobuta fez um som estranho, um gorgolejo. — Tá na hora do canibalismo…? Digo… eles fazem isso, né…? O pessoal da Cidade Velha…? Não culparia eles…

— Goooobliiin… — Hobuzo murmurou. Sua voz era assustadora, como se viesse das profundezas da terra.

Quando olhei para ele, seus olhos estavam vermelhos, com os brancos à mostra, e a baba escorria de sua boca. Isso não era brincadeira; ele estava num estado perigosíssimo.

— Qualquer coisa, menos isso… — Os ombros de Shiholin tremiam. — Qualquer coisa, menos isso, não… Como goblins… temos que evitar isso a todo custo…

— Ohhhh… — Yumelin lançou um olhar intenso na direção de Shiholin. — Agora que você mencionou, faz um tempo que a Yumelin tá achando que a Shiholin parece bem saborosa…

— Iiih! — Shiholin deu um pulo para trás.

— Não, não! — Gobuto interrompeu, colocando uma animação forçada na voz. — É óbvio que não vamos recorrer ao canibalismo. Isso seria o último recurso… não, tô brincando, tá? O que eu quero dizer é que não vejo motivo para ficarmos parados aqui na Cidade Velha.

— Whaa…? — Gobuta olhou para Gobuto com olhos vazios. — Mas… a gente veio até aqui. Saímos da Cidade Nova, então voltar seria…

— Eu nunca disse nada sobre voltar.

— Huh? Se não vamos voltar, então para onde…?

— Não vamos voltar… — murmurei, piscando.

— Para onde, então…? — Shiholin perguntou, piscando. — Você… quer dizer?

— Nuhoh…? — Talvez imitando Shiholin, Yumelin olhou para o horizonte.

— Ohhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh… — Hobuzo soltou um gemido.

Gobuto assentiu firmemente.

— Para fora. Vamos sair de Damuro. Tenho certeza de que todos vocês sabem disso, mas existe um mundo imenso além de Damuro.

— Mas ainda assim… — Baixei a cabeça. — Não é perigoso? Digo, lá fora. Não que eu realmente saiba. Tem, tipo, humanos, orcs e essas coisas…

— Gobuhiro. A gente ainda não encontrou nenhum, mas humanos também vêm para a Cidade Velha.

— Isso é… Bom, é, eu já ouvi histórias.

— Mas aparentemente não há orcs em lugar nenhum perto de Damuro. Eles ficam muito mais longe, em uma região chamada Nananka ou Ishmal. É lá que vivem os orcs e os mortos-vivos.

— Gobuto, você… — Gobuta pareceu um pouco impressionado. — Você realmente sabe das coisas. Onde ouviu tudo isso?

— Ah, um pouco daqui, um pouco dali. — Gobuto sorriu de um jeito surpreendentemente refrescante, considerando que era um goblin.

Estreitei os olhos, pensando mais uma vez: ele é mesmo um cara misterioso.

Todos nós éramos órfãos, mas Gobuto tinha algo diferente. Para começar, ele sabia de muitas coisas e era incrivelmente tranquilo. Desde que nos conhecemos, ele sempre foi assim.

Será que Gobuto não era realmente um órfão? Não poderia ser um goblin respeitável, com um nome de linhagem?

Mas isso não fazia sentido. Se ele não fosse um órfão, não estaria conosco. Se tivesse um nome de linhagem, estaria vivendo bem na Cidade Nova.

— Lá… fora… — Shiholin repetiu, hesitante. — O que tem lá? Que tipo de lugar é o lado de fora…?

— Isso é só o que eu ouvi falar, mas… — Gobuto bateu o pé no chão para dar ênfase. — A terra se estende para sempre.

— Fukyoh… — Yumelin apertou as bochechas com as mãos. — Para sempre…?

— Isso mesmo. Continua até além de Nananka e Ishmal. Quanto ao que existe lá, eu também não sei. Mas justamente por não saber, quero descobrir.

Levei a mão ao peito. O que era isso? Dentro de mim, havia uma sensação de aceleração, um pulsar intenso. Era uma sensação estranha, algo que eu nunca havia sentido antes.

— Além disso — Gobuto continuou —, os goblins não estão em Damuro desde sempre. Pelo que dizem, viemos do norte de Ishmal e Nananka, ou do oeste. Mas então surgiu esse tal de No-Life King, que formou uma Aliança dos Reis, e isso levou ao surgimento de um rei goblin. Antes disso, nunca tivemos um rei. Por isso, os orcs nos desprezavam e oprimiam. Mesmo depois de entrarmos na Aliança dos Reis, continuamos em uma posição inferior. Os goblins eram usados como soldados rasos, e muitos dos nossos morreram nas linhas de frente. Ainda assim, na esperança de sermos reconhecidos pelas outras raças, nunca reclamamos e lutamos com bravura. Foi assim que Damuro nos foi concedido como domínio do nosso reino. Esta é a terra que nossos ancestrais conquistaram, e por isso é nossa terra sagrada. É por isso que os goblins se agarram a Damuro, não importa o que aconteça. A Cidade Nova, em especial, que ainda se parece com o que era quando os humanos viviam lá, é motivo de orgulho, conquistada com o sangue dos goblins. Nunca podemos abandoná-la. Não importa o que aconteça, devemos protegê-la…

— H-Hey, Gobuto. — Gobuta piscou, confuso. — Essa história tá ficando complicada, e eu não tô entendendo direito. Você tava falando daquele No-Time Kong e da Aliança dos Anéis, mas… Sei lá, se tem alguma coisa que você quer dizer, pode encurtar? Vai direto ao ponto. Não, só pra deixar claro! Não é que eu não entenda, tá?! Eu tô de boa, mas esses outros idiotas, você vai ter que explicar de um jeito mais simples pra eles…

— Foi mal, foi mal. — Gobuto coçou a cabeça. — Bom, basicamente, o mundo é enorme. Os goblins estão expandindo a Cidade Nova, construindo por baixo dela. Mas nunca tentamos sair. Na verdade, há boatos de que temos um pacto secreto com os humanos… Mas isso não vem ao caso. O que importa é que acho isso estranho. Se o mundo continua para sempre, por que precisamos ficar presos aqui? Temos pernas para andar. Se andarmos, seguimos em frente. Então, por que não podemos ir para onde quisermos?

— Nghboaghhhhhh…! — De repente, Hobuzo saltou de pé. — Eu vou! Vamos! Comida, comida, comida! Vamos buscar comida! Comiiiiida! Comida para comeeeeer!

— Ugahhh! — Yumelin ergueu os braços. — Foooooooooood…!

Shiholin olhava para Gobuto como se ele fosse uma luz ofuscante.

— N-Não, mas ainda assim! — Gobuta parecia relutante. — Mesmo que a gente vá lá fora, não tem garantia de que vai ter comida, né? Cara, você acha que vale esse risco?

Antes que Gobuto pudesse abrir a boca, eu falei: — Você tá com medo?

— Hã?! Q-Quem disse alguma coisa sobre estar com medo?! Eu nunca falei nada disso!

— Então por que tá enrolando?

— E-Eu não tô! Eu só…

— Só o quê? Quero dizer, você tá dizendo que é arriscado, mas ficar aqui procurando comida que pode nem existir, ou sentar e esperar quieto por uma presa que pode nunca aparecer, isso é muito mais arriscado, não acha?

— C-Cala a boca, Gobupiro! Eu não preciso ouvir isso de você, eu só… só tô fazendo o papel do cara do contra, ou sei lá, tá bom?! Isso é necessário! Alguém tem que fazer! Vocês são um bando de idiotas, então não percebem como eu sou importante, seus merdinhas! — Gobuta se levantou e avançou. — Vamos lá! Todo mundo comigo! O mundo lá fora é enorme e maluco! A gente pode ir a qualquer lugar, se só botarmos isso na cabeça!

Gobuto e eu trocamos olhares. Até mesmo Gobuto teve que sorrir de canto de boca diante daquilo.

Primeiro, Hobuzo seguiu atrás de Gobuta, depois eu fui, um tanto relutante. Gobuto pegou Shiholin pelo braço e a ajudou a se levantar. Yumelin enlaçou o braço dela e começou a pular animada, enquanto Shiholin parecia prestes a tropeçar a qualquer momento.

Foi assim que deixamos a Cidade Velha de Damuro.

A história de Gobuto serviu como um gatilho, enchendo-nos de esperança—mas, quanto mais nos afastávamos da Cidade Velha, mais essa esperança ia se esvaziando.

Afinal, estávamos à beira da fome.

Eu até comecei a sentir saudade do tempo em que fui um trabalhador forçado, cavando buracos na Cidade Subterrânea.

Para um órfão, a única forma de conseguir comida, ainda que péssima e sempre insuficiente, era cavar buracos.

As únicas ferramentas disponíveis eram espadas velhas e prestes a quebrar. Com elas, os órfãos iam lascando a rocha incrivelmente dura, pedacinho por pedacinho. Carregávamos as pedras escavadas até um local designado. Do amanhecer até a noite, sem parar, até que, finalmente, recebíamos uma única refeição: dois bolinhos pequenos e uma tigela de sopa.

Não era suficiente, obviamente, mas era melhor do que nada.

Quer dizer, para ser honesto, era só um pouquinho melhor do que nada. Se possível, eu não queria voltar a cavar buracos. Mas não era como se o gado das boas famílias goblins fosse escapar convenientemente para que pudéssemos caçá-los todos os dias.

O lugar onde jogavam restos de comida geralmente era dominado por órfãos mais durões, então só conseguíamos pegar as sobras em raras ocasiões. Quando o rei distribuía ajuda de vez em quando, brigas estouravam na mesma hora.

Cavar buracos era nossa única salvação. Se não fosse por esse trabalho, era provável que nenhum dos órfãos tivesse sobrevivido.

Aqueles bolinhos que pareciam cheios de lama. A sopa com gosto de mijo, que quase não tinha nada sólido dentro, era ruim, mesmo com o estômago vazio. A comida era horrível. Isso era verdade. Mas agora, eu tinha que pensar que até mesmo aqueles bolinhos e aquela sopa podiam parecer deliciosos.

Quando decidimos deixar a Cidade Nova, estávamos empolgados, achando que nunca mais precisaríamos comer bolinhos de lama e sopa de mijo. Mas o que aconteceu? Não só os bolinhos de lama e a sopa de mijo eram melhores do que nada, como, sem eles, estávamos em apuros. Queríamos eles de volta. Agora que eu tinha percebido isso, não conseguia pensar em outra coisa além de bolinhos de lama e sopa de mijo.

Se eu olhasse para baixo, sentia que ia desabar, então continuei andando com a cabeça erguida.

O sol brilhava forte, e, do jeito que as coisas estavam, eu sentia que ia secar completamente.

Thud! Um som alto ecoou.

Olhei para o lado e vi Gobuta caído de cara no chão, com a bunda empinada para cima.

— V-Você tá bem, Gobuta? — perguntei.

— Nngh… — Um som estranho veio dele. Não, pera, era só o Gobuta mesmo.

— Cara… você tá… comendo alguma coisa?

— Washagushagushagoshawashagoshagushagusho.

— Ahhh! — Yumelin correu até ele e apontou. — Gobutaaa! Ele tá comendo grama!

— Grama… — Gobuto caiu de joelhos, como se desabasse. — Grama, é? Essa era uma opção.

— Hã? Ei… Gobuto? Quero dizer, grama é só… grama, sabe…?

— Oooobrigadooo! — Hobuzo se jogou no chão, como se estivesse se curvando diante de um lorde, e começou a enfiar grama na boca violentamente. — Uoghuohguohguogoh! Hobuhobuhobuboh!

— Não?! Hobuzo?! — Meus olhos se encheram de lágrimas. — É grama, tá bom?! Grama! Não dá pra comer grama, né?! Quero dizer, é grama! Mas, espera… naquela sopa de mijo que a gente tomava, tinha umas coisas que pareciam grama… Era super amarga e tinha um gosto horrível, mas…

— Gubwahhhhh?! — Gobuta vomitou uma quantidade absurda de grama. — É amaaaaaaaaaaaaaaarga?!

— Uohhhaegh?! — Hobuzo cobriu a boca com as duas mãos, estremecendo com o amargor. — Queeeeeee nooooooooooooojoooooooooooooooooooo?!

Esse momento ficou conhecido, mais tarde, como o Incidente da Grama.

Enquanto observava Gobuta se contorcer de agonia, eu esfregava as costas de Hobuzo.

— Eu sabia… Grama é só grama…

— S-Sim… E-Eu sei, mas… E-Eu… não consegui me segurar… Eu estava com fome, tanta fome… Eu perdi o controle…

— N-Não chora, Moguzo. Não, quero dizer, Hobuzo. Huh…?

Eu acabei de chamar Hobuzo de Moguzo? Eu imaginei isso? Só podia ser. Hobuzo era Hobuzo.

Shiholin engoliu em seco.

— O que foi? — Gobuto perguntou. Sua voz parecia prestes a morrer, o que não combinava nada com ele.

— I-Isto… — Shiholin puxou algo do meio da grama.

— Nyoh? — Yumelin pegou o que Shiholin encontrou, erguendo-o enquanto inclinava a cabeça.

Meus olhos se arregalaram.

— I-Isso é…

— Opa. — Gobuta apontou para mim, ainda com a cara suja de grama. — Gobuhiro, cara, você sempre tem esses olhos sonolentos, então, quando arregala desse jeito, fica assustador. Tipo, muito assustador. Assustador demais.

— Gobuta, cala a boca, sério — eu disse. — O mais importante aqui é…

— Cogumelos… — Gobuto engoliu em seco.

Sim.

O que Shiholin tinha encontrado no meio da grama, e o que Yumelin agora segurava no alto, era algo amarelado e viscoso, com um chapéu e um caule.

Era um cogumelo.

Não importa como eu olhasse para ele, era, sem sombra de dúvida, um cogumelo. Mas, ah, que glorioso exemplo de cogumelidade.

C-O-G-U-M-E-L-O.

— E-E-E-E-E-E-E-E-Esperem! — Abri os braços, impedindo todos. — É um cogumelo, sim, mas eles são perigosos! Eu ouvi dizer que são perigosos, entenderam?! Vocês sabem disso, né?! Mesmo que pareçam apetitosos, podem ser venenosos! Isso é senso comum, certo?! Eu ouvi falar de gente na Cidade Nova que morreu depois de comer cogumelos, tá bom?!

— Você tá certo — Gobuta assentiu. — Eu já ouvi falar disso. Mas eu só ouvi falar…

— Yumelin. — Gobuto? Por que… ele estava com um sorriso tão bonito agora? Não, ele sempre teve um sorriso bonito, mas esse era o melhor de todos, não era?

— Me dá o cogumelo.

— N-Não seja precipitado, Gobuto! — Sacudi minha cabeça com força. — Você não pode! E se acontecer alguma coisa com você, e então?! Se alguém tem que testar se é venenoso, não podemos fazer o Gobuta fazer isso?! Isso mesmo! Isso seria—

— Ei, Parupiro! Não, Gobupiro! Como assim eu que tenho que testar se é venenoso?! Tá dizendo que, se eu comer e morrer, você tá de boa com isso?! Cara, é assim que você se sente sobre mim?! Eu vou chorar aqui, droga!

— Um pouquinho de veneno não vai te matar, né?! — rebati. — Quer dizer, dizem que quanto mais odiável você é, mais longe vai na vida, certo?!

— Oh?! Então você admite que eu vou longe, hein?! A verdade é que eu realmente vou longe! O mundo é meu, droga!

— Ha ha. — Gobuto soou estranhamente revigorado, até para os padrões dele. — Tá tudo bem, Gobuhiro. Eu tô confiante nisso. Não tem nada de errado com esse cogumelo. Por algum motivo, eu sei. Eu consigo ver isso.

— Gobuto-kun… — Shiholin cruzou os braços, encarando Gobuto com intensidade. — Você consegue ver? O que exatamente você vê?

— De qualquer forma, eu só consigo ver! Eu vejo! Eu vejo coisas! Se eu digo que vejo, então vejo! Eu vejo tanto que é assustador! Tão assustador! O que eu faço?! Eu vejo!

— Gobuto! — Agarrei os ombros de Gobuto apressadamente e o sacudi. — Ei, Gobuto, você tá agindo estranho! Se controla, Gobuto! Se você enlouquecer também, o que eu vou fazer?!

— Certo, Yumelin! — Gobuta gritou.

— Onyoh?!

— Esse cogumelo, me dá ele! Eu vou comer inteiro! Vou devorar sem deixar nada!

— Não, Yumelin! Eu! Me dá o cogumelo! Eu vou comer! Eu tenho que comer! Isso é destino! — Gobuto gritou.

— Não, Gobuto, eu já disse que você não pode! — implorei. — Por favor, Gobuto…!

— …Eu. — Por um momento, não soube de quem era aquela voz.

Era difícil acreditar que ele podia falar com um tom tão aterrorizante, fazendo todos nós estremecermos de medo.

— Eu vou comer! Me deem o cogumelo! Eu vou comer tudo! Eu, eu, eu, eu, eu, eu, eu, eu, eeeeeeu…!

— Nyueek?!

Hobuzo arrancou o cogumelo das mãos de uma Yumelin completamente intimidada.

Gobuto, Gobuta, Shiholin e eu olhamos para ele, cada um em um estado diferente de choque.

Hobuzo pegou o cogumelo—

— e comeu.

Ele nem mastigou.

Engoliu inteiro.

— …Mastiga, pelo menos — Gobuta disse.

— Cogumelos! — Hobuzo berrou. — Descendo suave! Eles são uma bebida!

Não.

Não é assim que funciona… certo?

Não consegui dizer nada. Não tive coragem de fazer uma piada.

— Não é suficieeeeeeeeeeeeente!

Hobuzo caiu de quatro, procurando mais cogumelos. Se procurássemos, será que havia muitos? No instante em que Hobuzo os encontrou, ele os enfiou na boca.

— Cogumelo! Cogumelo! Cogumelo?! Cogumelo! Coguuuumelo! Cogumelo, cogumelo, cogumeeelo!

— E-Ele tá bem?! — Gobuta começou a rir. — O cogumelo! Ele comeu! Hobuzo tá comendo os cogumelos! Ele tá bem! Hobuzo não morreu! Isso significa que podemos comer, né?! Eles são comestíveis! Eu também! Vou comer!

— Viu?! — Gobuto exibiu um sorriso perfeito. — Eu disse! Tá tudo bem! Eu sabia! Eu podia ver! Os cogumelos! Os cogumelos são a nossa salvação! Agora, pessoal, vamos comer cogumelos!

— Y-Yumelin também! Yumelin também! Yumelin não consegue mais se segurar!

— E-Eu também! — Shiholin gritou. — Se Gobuto-kun está comendo, eu também vou! Não importa o que aconteça depois… Eu não me importo! Não vou me arrepender!

— M-Manato… Yume… Até mesmo Shihoru… Hã?

Por um instante, fiquei calmo.

Eu tinha dito algo estranho? Agora há pouco? Era coisa da minha cabeça, né?

— Digo, isso importa…? — murmurei.

Sim. Não importava. Antes de qualquer coisa, isso vinha primeiro.

Caminhei com as pernas bambas.

Olhei para baixo.

Entre as folhas de grama, havia cogumelos. Cogumelos. Cogumelos.

Me abaixei. Estendi a mão para um cogumelo. Era viscoso ao toque. Isso era um cogumelo. Ah, era tão… tão maravilhoso. Quase dava pena arrancá-lo da terra, mas eu ia fazer isso. Eu ia arrancá-lo e comê-lo.

— Ohh… Cogumelo! — exclamei.

Tinha um gosto bom? Ou ruim? Eu não sabia dizer. Tanto faz, era um cogumelo. Eu só podia dizer que tinha gosto de cogumelo. Isso, isso era um cogumelo. A experiência suprema dos cogumelos. Era um cogumelo. Na minha próxima vida, que eu renasça como um cogumelo.

Era assim que funcionava? Para renascer como um cogumelo, eu precisava comer cogumelos? Tipo, cada vez mais cogumelos? Comer tantos cogumelos que eu mesmo virasse um cogumelo? Espera, depois de comer um, depois dois, comecei a pensar: Ei, isso é bom. Cogumelos são os melhores, não são? Os cogumelos enchiam minha boca, não, meu corpo inteiro. Eram suaves e delicados, sem serem enjoativos, e cogumelos começaram a dançar na minha cabeça.

Cogumelos, cogumelos, cogumelos, cogumelos. Cogucogucogucogucogucogucogucogucogucogucogucogu.

Era meio que, uau, haviam faíscas nos meus olhos?

Uma pontada no estômago?

Minha garganta queimava?

O que era tudo isso?

Eu não estava suando de maneira estranhamente oleosa?

— Ai! Ai, ai, ai, ai, ai, ai, ai, ai! Ai, ai, ai, ai, ai, ai, ai, ai, ai, ai, ai, ai, aiii!

Me rolei pelo chão.

Era meu estômago. Provavelmente era dor de estômago, mas não era só isso; eu doía por inteiro. Doía demais.

Enquanto era atormentado por uma dor como nunca antes senti, olhei ao redor e vi que eu não era o único sofrendo. Era todo mundo. Todos nós estávamos no mesmo estado.

— N-Nós vamos morrer? — gritei. — Uaghaghhh, ai, ai, ai, ai, ai, ai, ai, ai!

O céu continuava azul.

Isso era o que mais tarde ficaria conhecido como o Incidente dos Cogumelos.


Tradução: ParupiroHPara estas e outras obras, visite o Cantinho do ParupiroH – Clicando Aqui


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