Hai to Gensou no Grimgar – AP 2: Capítulo 30 – Volume 14++
Hai to Gensou no GrimgarGrimgar of Fantasy and Ash
Light Novel Online – AP 2:
[Capítulo 07: Lembre-se de Mim]

À distância, havia uma cidade murada.
Não despertou em Yume um sentimento de nostalgia—era mais algo como: “Parece pequena e fofa, não é? ”
Altana não era uma cidade que surgira naturalmente, com pessoas se reunindo, construindo casas, arando campos, criando gado e vendo a população crescer. Um pequeno grupo havia sido empurrado para o sul das Montanhas Tenryu pela Aliança dos Reis, e construíra uma fortaleza robusta para se defender de ataques inimigos. Assim nasceu Altana.
Hoje, havia campos e pastos ao redor, e até vilas próximas, compondo a imagem de uma cidade com arredores. Mas, originalmente, fora apenas uma fortaleza isolada. O centro de Grimgar ficava mais ao norte, e tudo o que existia por ali era uma cidade chamada Damuro. Por isso, depois de tomarem Damuro e as Minas Cyrene, a Aliança dos Reis perdeu o interesse por aquelas terras fronteiriças—os orcs e mortos-vivos voltaram ao norte, deixando-as para os kobolds e goblins. Os goblins tomaram Damuro, e os kobolds, Cyrene, transformando-as em suas bases.
O Reino de Arabakia já havia pago há muito tempo aos goblins de Damuro para que ignorassem a construção de Altana. Era por isso, ao que diziam, que o exército ainda não havia atacado Damuro.
Nada disso fazia muito sentido para Yume, ela percebeu.
Quando se tornou uma soldada voluntária, matou muitos goblins em Damuro. No começo, aquilo parecia errado, mas com o tempo, acostumou-se. Hoje, se um goblin a atacasse, ela o derrubaria sem hesitar.
Mas, diferente de antes, agora conseguia pensar: Será mesmo que isso está certo?
Um dia, ela acordou em Grimgar, e acabou se tornando uma soldada voluntária.
Ela não odiava particularmente os goblins. Mesmo sendo humanoides, não eram humanos, e ela não compreendia sua língua. Ainda assim, eles não eram assustadores como os orcs. Viviam perto de Altana, em Damuro, o que os tornava alvos convenientes.
Não, no início eram inimigos perigosos. Foi um grupo de goblins e um hobgoblin que tirou Manato deles. Mas eles vingaram sua morte.
Yume matou muitos goblins. Talvez tivessem amigos, talvez família. Forgan, a facção liderada por um orc chamado Jumbo, tinha entre eles um goblin domador de feras chamado Onsa. Yume gostava de animais também. Provavelmente se daria bem com Onsa.
Mas não podiam ser amigos.
Porque os goblins eram inimigos.
Eram mesmo? Yume não era um dos humanos do Reino de Arabakia, derrotados pela Aliança dos Reis. Não havia razão alguma para ser inimiga de orcs, mortos-vivos, goblins ou kobolds.
Altana não era a terra natal de Yume.
Mesmo assim, à medida que se aproximava, pensou: O lar de Yume.
Pelo que via, Altana ainda era Altana.
A colina ao lado continuava coberta de túmulos, e a torre selada que se erguia acima deles permanecia exatamente como ela lembrava.
O sol já estava se pondo—talvez fosse melhor deixar para amanhã—mas Yume pensou que deveria visitar Manato e Moguzo. Já fazia tanto tempo. Não tinha conseguido antes.
Mesmo que fosse, eles não estariam lá. Mesmo que tivesse coisas a lhes dizer, eles não poderiam ouvi-la.
Ainda assim, lembrar-se deles e visitá-los de tempos em tempos tinha um significado para Yume.
Como a equipe Renji havia homenageado Sassa? Renji provavelmente não gostaria de falar sobre isso. Talvez ela perguntasse a Ron ou Adachi mais tarde.
À distância, Altana parecia a mesma de sempre, mas, ao tentarem entrar pelo portão norte, encontraram uma grande quantidade de soldados do Exército da Fronteira, e logo começou um alvoroço.
— Ei, você é o Renji, não é?
— É o Renji!
— Renji voltou!
— É o Lobo de Prata!
— Renji! O Lobo de Prata voltou para Altana!
Os soldados ao redor do portão e das muralhas ergueram espadas e lanças no ar, levantaram os braços num banzai e soltaram gritos de comemoração. O barulho era ensurdecedor. Yume ficou boquiaberta.
— …Você é super popular, hein, Renji? O que é um “chilper pulf”?
— Silver Wolf. — respondeu Adachi, lançando-lhe um olhar de desprezo por cima dos óculos. Yume não tinha certeza se ele devia mostrar tanto desdém assim tão descaradamente.
— O cabelo do Renji é prateado, certo? Por isso começaram a chamá-lo desse jeito.
— Uooo, que legal. Mas o “Montador de Dragões” do Haru-kun também é incrível, viu?
— …É, “Montador de Dragões” não é ruim, vou admitir isso — disse Ron, arqueando uma sobrancelha desconfiada. — Ainda assim, de todo jeito, isso tá meio estranho. A segurança tá apertada demais.
Chibi-chan olhava em volta com os olhos ligeiramente baixos. À primeira vista, talvez não parecesse, mas a garota era muito mais cautelosa do que a maioria.
O que será que Renji pensava enquanto avançava com seu cavalo-dragão, sem sequer olhar para os guardas? Ron e os outros o seguiam logo atrás. Yume hesitou um pouco, mas decidiu continuar com eles mais um pouco. Havia um lugar ao qual precisava ir assim que retornasse a Altana, e a equipe Renji havia dito que também passaria lá primeiro.
Altana era pequena. Mesmo entrando pelo portão norte, bastava pouco tempo para chegar ao distrito sul.
O local para o qual se dirigiam tremulava uma bandeira com uma lua crescente vermelha sobre um fundo branco, e havia uma placa na frente. No momento em que Yume a viu, gritou surpresa: — Uaaah?! Colocaram uma placa nova?
— …Hã? — Ron não pareceu entender, mas os olhos de Chibi-chan se arregalaram, e ela prendeu o fôlego, enquanto Adachi murmurava: — Ela tem razão.
Renji, por outro lado, parecia indiferente. Aquilo não o afetava nem um pouco.
A antiga placa dizia: “Esqua de Soldad Voluntari do Exercit da Fronteir de Alta” Agora, finalmente, estava escrita corretamente: “Esquadrão de Soldados Voluntários da Fronteira de Altana” Aquilo era o que deveria ter estado lá desde o início, mas algumas letras haviam desaparecido com o tempo.
Depois de amarrarem os cavalos-dragões nos estábulos e entrarem, havia vários homens e mulheres que pareciam soldados voluntários reunidos no salão principal. Assim que viram Renji, o burburinho recomeçou, mas todos pareciam intimidados demais para falar com ele.
— Renji…?
O homem atrás do balcão, de braços cruzados, tinha um brilho nas pupilas azul-claras. O cabelo verde permanecia o mesmo, assim como o batom preto e a maquiagem. Suas roupas extravagantes e o jeito espalhafatoso de se mover também eram idênticos à primeira vez que o haviam conhecido—mas, ainda assim, havia algo diferente nele.
— Britney.
Renji não o ignorou. Na verdade, tinha ido até ali justamente para informar a Britney que havia retornado.
Ele pousou uma das mãos levemente sobre o balcão.
— Faz tempo. Envelheceu desde a última vez que o vi?
— Ah, não diga isso! — Britney cobriu o rosto com as mãos. — Sou sensível quanto a isso, sabia? Tenho uma posição a manter. Diferente de você, que vive solto por aí, eu tenho mil coisas pra me preocupar… especialmente ultimamente.
— Oooh! — Yume bateu palmas, empolgada sem nem perceber.
Os olhos de Britney se arregalaram.
— Q-q-q-que foi isso, do nada?!
— Ah, é que… Bri-chan, você é bem mais velho que Yume e os outros, né? É claro…
— Não venha com esse “é claro” e ainda ficar toda satisfeita, sua pestinha malcriada! Francamente… Huh? Espera aí, o que está acontecendo aqui?
Britney olhou de Renji para Adachi, depois para Ron, Chibi-chan e, por fim, Yume, contando nos dedos.
— O número tá certo, mas a formação mudou. Yume, você era da party do Haruhiro, não era? Ouvi rumores de que a party dele estava MIA.
— Em aié? — Yume inclinou a cabeça, piscando várias vezes.
O chão tremia.
Não—quem tremia era Yume.
Chibi-chan se aproximou e a segurou pelos ombros. Yume quase havia desabado.
— Sassa está morta — disse Renji, com simplicidade. Depois apontou para Yume com o queixo. — Quanto a ela, encontramos por acaso no Arquipélago Esmeralda. Ela estava agindo separadamente de Haruhiro e dos outros, ao que parece.
Britney deu de ombros.
— Que situação complicada. Gostaria que não me fizesse isso, ainda mais numa emergência dessas…
— Emergência? — perguntou Adachi.
— Deadhead caiu.
— O quê? — Renji franziu o cenho. — E quanto ao Posto do Campo Solitário e Beira Rio?
— Esses continuam de pé. O Esquadrão de Soldados Voluntários está concentrando forças em Beira Rio. O Posto do Campo Solitário não tem estrutura para resistir a um cerco, então deve estar praticamente abandonado agora.
— E por que você continua em Altana? — perguntou Renji.
— Porque ainda tem soldados voluntários, como vocês, meus queridos, que não conseguimos localizar. Kajiko e Shinohara estão em Beira Rio, então eles vão se virar de algum jeito.
— Kajiko, das Wild Angels, e Shinohara, de Orion, hein…? — murmurou Adachi, com uma expressão dura. Yume conhecia ambos—veteranos, líderes de grandes clãs de soldados voluntários.
— Além disso, o Exército da Fronteira só me contratou como chefe deste escritório. — Britney fez surgir uma faca do nada, girando-a entre os dedos com um sorriso irônico. — O Esquadrão de Soldados Voluntários nem mesmo tem um líder. Tenho certeza de que vocês já perceberam, mas, para Arabakia, soldados voluntários são totalmente descartáveis.
— Então o Exército da Fronteira, com toda essa ralé, é quem faz o grosso das batalhas, é isso…? — resmungou Ron, clicando a língua com desgosto.
O escritório mergulhou num silêncio desagradável. Os outros soldados voluntários abaixaram os olhos, abatidos.
Yume sabia que devia ouvir o que Britney dizia. Era uma conversa importante, provavelmente, mas as palavras não conseguiam entrar em sua cabeça.
— Yume vai indo. —
— Espere, querida — Britney tentou chamá-la. Mas Yume saiu do escritório sem hesitar.
Depois disso, vagou por vários lugares, embora não lembrasse exatamente quais. O sol já estava baixo no céu quando se deu conta de que estava parada diante da hospedaria dos soldados voluntários. Pensando bem, o cavalo-dragão ainda estava amarrado no estábulo do escritório. Devia voltar para buscá-lo? Não sentia vontade.
— “MIA”, huh…? — murmurou.
O que aquilo queria dizer? Deveria ter perguntado mais sobre isso a Britney.
Ainda não é tarde. Yume vai voltar pro escritório.
Mas suas pernas pareciam galhos finos, recusando-se a se mover. Ou talvez seus pés tivessem criado raízes no chão. Ela sabia.
Na verdade, já sabia desde o momento em que deixara o escritório.
Yume não queria saber o que havia acontecido com Haruhiro e os outros. Tinha medo de descobrir.
Ainda assim, precisava saber. Sabia disso também.
Mais cedo ou mais tarde, descobriria de qualquer forma. Não poderia permanecer na ignorância. Mas, mesmo que a verdade estivesse diante dela, Yume não tinha coragem de encará-la. Por isso tentava adiar o inevitável.
— Isso não é nada bom, Yume… — murmurou para si mesma.
Dentro da velha hospedaria, as lembranças dos dias e meses passados com seus companheiros começaram a rodopiar em sua mente.
Manato disse uma vez que, entre todos eles, Yume talvez fosse a mais corajosa.
Ele a superestimou demais. Yume não era corajosa. Só costumava agir sem pensar muito. No fundo, era descuidada. Não possuía a força necessária para avançar mesmo diante do medo. Era mimada. Fraca e frágil.
E ainda agora, aquela fraqueza permanecia viva dentro dela.
Yume queria ser direta, dizer as coisas sem rodeios. O fato de se enrolar tanto ao falar talvez fosse justamente uma forma de criar um pequeno colchão entre ela e o mundo.
Queria ser confiável, mas não conseguia resolver as coisas com rapidez. No fim, será que acreditava que estava bem assim? Claro que não.
Antes que a noite caísse por completo, Yume afastou-se da hospedaria. Precisava se tornar forte—e esse era o seu objetivo. Mas desejar isso não seria suficiente. As pessoas podiam mudar, sim, mas não de um dia para o outro.
— Até conseguir ficar forte, Yume só vai continuar fazendo o melhor que pode, como a velha e fraca Yume de sempre.
A guilda dos caçadores ficava no distrito norte, perto do portão. Um cercado de madeira a envolvia, e havia cães-lobo presos em currais no pátio. Os caçadores não gostavam da agitação da cidade, por isso era comum que apenas uma pessoa cuidasse da guilda.
Yume entrou sem ser parada por ninguém e cumprimentou os cães-lobo dentro dos currais. Quase todos eram desconhecidos—exceto um.
— Ei, Poochie, quanto tempo, huh? Todo mundo foi levado?
Poochie lambeu os dedos de Yume através das grades, soltando um ganido adorável. Ele sempre foi tão carinhoso assim?
— Ah, talvez seja isso. Poochie, você ficou mais velho? É por isso que tá bonzinho agora?
— Ei.
Veio uma voz de cima.
Sabe… parece que isso já aconteceu antes.
Quando olhou para o alto, um homem barbudo enfiava a cabeça para fora.
— …Hã? Você é—
— Fuuuuu! — Yume saltou. — É o Mestre! Que bom que você tá aqui na guilda dos caçadores! Porque, não seria nada estranho se não estivesse!
— N-não. Espera aí, você… onde é que… não, quando foi que… não, o que é que você tem feito esse tempo todo…?
— A gente tem fontes e fontes pra botar em dia!
— Você quis dizer “monte”, não…?
— Oooh, isso mesmo. Montes de papo pra botar em dia!
— Não, monte. Bem, mesmo que você queira falar de fontes ou de montes, tanto faz pra mim. Mas pera aí, você…
De repente, havia um tremor na voz dele. O que houve? Pegou um resfriado? O mestre de Yume, o experiente caçador Itsukushima, fungava e esfregava o rosto.
— Você tá mesmo…
— Hwuh?
Yume esfregou os olhos com as duas mãos. Sentiu umidade. Eram lágrimas. Ela percebeu que estava chorando.
Oh.
Itsukushima também chorava.
Ahhh. Bem, Yume é fraca. Não pode evitar. Mas espera… o Mestre também é fraco? Não, impossível.
— Desculpa, Mestre. Yume fez você se preocupar, né?
— N-n-não fala besteira! Quem se preocuparia… Bem, tá, eu me preocupei, sim. Q-quer dizer, eu ouvi por aí que sua party tinha desaparecido. Mas não é como se eu andasse perguntando sobre você pra todo mundo, entendeu? Eu não sou desse tipo. Só ouvi por acaso.
— Yume queria ver o Mestre. Porque fazia tanto tempo.
— …É-é… Ah! M-mas não foi isso que eu quis dizer agora! Não é como se eu quisesse te ver, e por isso fiquei aqui na guilda o tempo todo esperando você aparecer do nada! Só quis dizer que faz tempo que não te vejo…
— O Mestre é o lar de Yume, afinal.
— E-eu sou o seu… lar?
— Você mesmo disse, no fim do treinamento básico: “Pode voltar quando quiser.”
— …Eu disse isso? É… acho que disse, sim. Eu lembro. Por algum motivo, sempre lembro das nossas conversas. Sou como um pai… ou algo assim, pra você.
— Sim. Por isso Yume voltou pra casa.
— Entendo. — Itsukushima assentiu algumas vezes e suspirou. — Entendo. Bem-vinda de volta, Yume.
— Yume tá em casa, Mestre.
— …O que aconteceu? Se não quiser dizer… se não conseguir falar sobre isso, não precisa.
— Aconteceu de tudo um pouco. Queria contar, mas… por onde começo? Yume não sabe.
— Tá tudo bem. Não precisa se apressar. — Itsukushima sorriu. — Yume, você voltou pra casa, afinal.
Ela sentiu vontade de chorar, de tomar banho, de encher a barriga e de dormir. Yume era mesmo fraca. Mas agora, depois de rever Itsukushima, talvez conseguisse ficar um pouquinho mais forte. Só de ver o rosto dele, de ouvir sua voz, já podia fincar melhor os pés no chão. A Yume fraca precisava construir sua força aos poucos, assim mesmo.
— Por enquanto, Yume sabe que…
Itsukushima passava a mão no rosto sem parar enquanto olhava para o outro lado.
— Se ainda não jantou, vamos comer.
— Yume tá morrendo de fome.
— Certo, eu vou preparar al—
Foi Itsukushima ou Yume quem percebeu primeiro? Provavelmente os dois, ao mesmo tempo.
Itsukushima deixou escapar um “Hã…?” surpreso. Yume olhou para o norte. A guilda dos caçadores ficava perto do portão norte, então as muralhas da fortaleza de Altana se erguiam logo ali. Havia soldados do Exército da Fronteira postados lá em cima, prontos para enfrentar o inimigo.
Antes mesmo que ouvisse os gritos dos soldados, Yume viu dezenas de luzes voadoras rasgando a escuridão da noite. Logo depois, o som rouco das vozes ecoou, e os rastros luminosos caíram deste lado da muralha.
Uma delas cravou-se no telhado da guilda dos caçadores. Estava em chamas.
Os cães-lobo presos nos currais começaram a uivar—depois, entraram em desespero.
Clang, clang, clang! Soou o sino, cortando o ar.
— Ataque inimigo! Ataque inimigo! —gritavam os soldados sobre a muralha.
— Espere aqui! — disse Itsukushima, desaparecendo da janela logo em seguida. Ele devia estar descendo.
Yume tentou acalmar os cães-lobo, que batiam contra as grades enlouquecidos. Precisou até ralhar com eles.
— Aaaah…! — Ela viu um soldado despencar das muralhas.
Apesar disso, Yume não entrou em pânico. Entendeu o essencial—Altana estava sob ataque. A situação era séria, claro, mas o pavor não ajudaria em nada.
— Yume!
Itsukushima saiu da guilda. Trazia um arco e uma aljava nas costas—e outro conjunto nas mãos.
— Você não tem arco, certo? Use este.
— Sim, senhor!
Yume pegou o arco e a aljava das mãos de Itsukushima. Além disso, só carregava uma grande faca—mas isso provavelmente não seria um problema.
Ainda havia mais flechas incendiárias cruzando o céu e caindo do outro lado da muralha. Uma ou duas atingiram o pátio; uma delas ricocheteou na cerca dos cães-lobo. Yume correu e pisoteou a flecha até apagar o fogo.
— Mestre, do jeito que tá indo… você não acha que os cães-lobo vão acabar em perigo?
— Há oito deles aqui agora. Mas soltá-los pelas ruas seria…
— Deixa eles irem! Mrrr… Yume vai soltar todos!
Não havia tranca, então Yume abriu os currais um a um. Os cães-lobo saltaram para fora, uivando. Enquanto ela fazia isso, Itsukushima se juntou a ela e ajudou.
Os cães-lobo, que antes não obedeciam a Yume, se acalmaram no instante em que Itsukushima soprou o apito e os afagou na cabeça. Yume ficou impressionada.
Sim… esse era o mestre de Yume, sem dúvida.
Yume deixou Itsukushima no pátio com os cães-lobo e correu até a rua para ver o que estava acontecendo. Soldados do Exército da Fronteira passavam em direção ao portão norte—provavelmente indo reforçar a defesa. Aqui e ali, Yume também avistava soldados voluntários.
— Mestre! — gritou ela, entrando na rua.
— Certo! — respondeu Itsukushima, conduzindo os cães-lobo atrás dela.
A ideia de ajudar os soldados nem passou pela cabeça de Yume. O portão norte estava condenado. Ela tentou seguir rumo ao sul, mas um estrondo terrível a fez virar por instinto. O portão norte estava meio aberto, e havia soldados caídos por toda parte.
— Já romperam?! — berrou Itsukushima.
O Exército da Fronteira não teria aberto o portão, claro. Isso só podia significar que o inimigo havia encontrado um modo de forçá-lo por fora. E isso queria dizer que eles já estavam entrando.
À luz das fogueiras e das lamparinas que ainda resistiam sobre as muralhas, Yume viu um homem enorme de pele verde empunhando uma espada colossal. Não era humano. Era um orc.
O orc cravou a lâmina nas costas de um soldado caído. O próximo a atravessar o portão não era um orc, mas um morto-vivo—a lança dele trespassou outro soldado sem piedade. Os homens do Exército da Fronteira do Reino de Arabakia estavam prestes a fugir. Nenhum deles tinha ânimo para lutar.
— Yume, o portão sul!
— É pra lá!
Itsukushima disparou à frente, liderando os oito cães-lobo, e Yume foi logo atrás. A grande construção chamada Torre Tenboro—onde vivia o margrave—erguia-se mais ou menos no centro de Altana, e o distrito sul ficava do outro lado da praça em torno dela. Itsukushima avançava em linha reta, tomando o caminho mais curto.
Yume olhou por sobre o ombro, preocupada com o portão norte. Algo preto se movia naquela direção. Quatro patas. Eram animais. Um bando inteiro. E mais de um, não—vários deles estavam correndo direto para Yume. Lobos. Lobos tão negros quanto a própria noite.
Lobos negros.
Não era possível fugir. Iriam alcançá-la. O primeiro saltaria sobre ela, e os outros cercariam. Em instantes, Yume seria despedaçada. O que fazer? Não havia tempo para pensar.
Ela parou. Inspirou. Expirou. Depois inspirou de novo—e, naturalmente, assumiu uma postura de combate.
O lobo da frente já estava perigosamente perto. Tentaria morder-lhe a garganta—ou talvez os pulsos, os tornozelos. Yume avançou na diagonal e cravou a faca no pescoço da fera. O lobo negro soltou um ganido de surpresa e voou longe. Logo outro pulou, e Yume, com a mão esquerda, empurrou a cabeça da besta para o chão. Como o animal já estava no ar, não exigiu muita força. O impacto o fez gemer de dor.
— Yume…?! — gritou Itsukushima. Sua voz vinha de longe.
Se fosse completamente honesta, Yume queria olhar para ver como estavam o mestre e os cães-lobo. Mas ela priorizou enfrentar as feras. Enquanto derrubava o terceiro e o quarto lobo, os orcs e mortos-vivos já se aproximavam, e Yume encaixou uma flecha no arco.
Ela chutou um lobo e soltou a flecha—que atravessou a bochecha esquerda de um orc. Mirara na testa, mas errou por pouco. Então, impulsionando-se com outro chute nas costas de um lobo, disparou uma segunda flecha que perfurou o olho direito de um morto-vivo.
O morto-vivo arrancou a flecha e veio na direção dela, brandindo uma lança. O golpe era direto demais. Yume desviou facilmente, avançou, e desferiu um chute destruidor no joelho da criatura. Encaixou outra flecha, girou o corpo e atirou. O projétil cravou-se na garganta de um orc que estava a menos de meio metro. Mesmo assim, o orc rugiu e ergueu o machado. Yume o atingiu com um chute no plexo solar, abriu espaço e soltou outra flecha—esta, direto no olho de outro orc.
Ela rolou de lado, levantou-se sobre um joelho e, com o arco inclinado, disparou mais uma. A flecha atingiu o peito de um morto-vivo de duas espadas.
Yume tá arrasando mesmo. Tá mandando muito bem, hein?
Yume enxergava tudo. Era como se tivesse ganhado um terceiro olho. Talvez até um quarto. E por isso, enxergou com clareza o que acontecia.
Itsukushima provavelmente tentou ajudá-la. Mas quando os inimigos se aproximaram, ele não conseguiu chegar perto. Ele e os cães-lobo estavam longe. Haviam se separado—ou estavam sendo separados naquele instante.
Ela queria correr atrás dele, mas os orcs e mortos-vivos vinham direto em sua direção. Virar as costas para procurá-lo seria suicídio. Era hora de engolir o instinto e priorizar a sobrevivência. A antiga Yume jamais conseguiria, mas a atual… podia.
Se não sobrevivesse, não haveria reencontro.
Yume não se arriscou à toa. Apenas enfrentava os que vinham, um após o outro. Os orcs e mortos-vivos eram fortes, mas estavam excitados demais, perdendo o controle. Yume, em contraste, estava calma. Só isso já era vantagem suficiente—contanto que a diferença de força não fosse absurda.
— …Mas ainda assim!
Desviou do golpe de um morto-vivo, apoiou o pé numa parede e soltou uma flecha. O som seco de impacto ecoou quando ela atravessou a cabeça descoberta do inimigo. Ainda no ar, Yume largou o arco e a aljava, rolando assim que tocou o chão. A lâmina curva de um orc riscou as pedras da rua, espalhando fagulhas. As flechas haviam acabado.
Yume se levantou e desembainhou a faca.
Suspirou.
O suor escorria mais do que imaginava. Ela vinha tentando se afastar do portão norte enquanto lutava, mas, no fim, não tinha se movido tanto assim. Bem, era comum—mesmo achando que estava calma, o corpo fazia o que queria.
Yume não dava a mínima para a Aliança dos Reis nem para o Reino de Arabakia. Também não tinha nada contra orcs e mortos-vivos. Mas, naquela situação, não havia escolha. Ainda havia soldados tentando defender as muralhas, mas o entorno do portão estava tomado de inimigos.
Ela estava sozinha.
Mesmo num olhar rápido, era possível contar uns dez inimigos entre orcs e mortos-vivos, formando um círculo frouxo ao redor dela.
No início, provavelmente a subestimaram—uma humana franzina com um arco pequeno. Bem, nada facilitava mais as coisas do que ser subestimada.
Agora, sabiam quem ela era. Sabiam que ela era perigosa.
E por isso, se fechavam aos poucos, um passo de cada vez.
Planejavam atacar todos de uma vez.
Não seria fácil sair dali.
Yume assentiu, firme.
— …Certo.
Não seria fácil, mas também não era impossível. Ela acreditaria nisso. Chances pequenas ainda eram chances.
Yume trocou a faca de mão, empunhando-a com uma pegada reversa. ela sorriu.
Essa postura… é igualzinha à do Haru-kun, né?
Ergueu a mão direita, palma virada para cima, e fez um gesto provocante. Mesmo que não entendessem sua língua, qualquer um entenderia aquele chamado.
Um orc avançou pelo lado direito—e, quase ao mesmo tempo, um morto-vivo pela esquerda. Mesmo em dez contra um, nunca era dez de verdade. Sem sincronia, se todos atacassem juntos, se atrapalhariam. Três ou quatro, no máximo, poderiam atingi-la de uma vez.
Yume não foi nem ao da direita nem ao da esquerda—partiu direto para o orc à frente. Ele empunhava um machado pesado, mas hesitou. Não importava quantos fossem: ela miraria o ponto fraco e desmontaria o grupo a partir dali. Ela ia sobreviver.
— Saia da frente!
A voz a fez encolher por dentro.
Era humana. Falava o idioma dos homens. Mas… Yume soube de instinto: não era uma aliada.
Os orcs e mortos-vivos se voltaram todos para o portão norte. Ela também olhou.
Um homem se aproximava.
Segurava uma katana com a mão esquerda, apoiando o dorso da lâmina nas costas. Não havia braço direito. Faltava-lhe também o olho esquerdo. Um homem maduro, cansado—mas vivo.
Os monstros recuaram, abrindo espaço. Se corresse agora, talvez escapasse. Talvez. Mas Yume sabia que não.
O homem avançou.
— Aposto que ainda vai ser uma voluntária famosa um dia… — ele riu — …brincadeira.
Virou a katana na direção dela, o olhar frio.
— Gosto de uma boa luta de vez em quando, sabe? Pois é. E antes que diga qualquer coisa, nem venha com esse papo de “mas é uma mulher”. Me diverte um pouco, mocinha.
Yume sentiu o peso da presença dele.
Momohina tinha razão. Isso era o fruto do treinamento—aquele instinto aguçado. O homem parecia relaxado, mas não havia uma única brecha. Mesmo parado, a dois metros de distância, a lâmina dele já estava em sua garganta. Ele podia cortá-la quando quisesse.
O corpo dela se encolheu.
Takasagi.
Humano—mas servo de Jumbo. Um membro da Forgan.
Então… Forgan era inimiga? Não importava. O que importava era que ela não tinha chance. Só uma faca contra aquilo. O que podia fazer? Nenhum plano vinha à mente.
— Oh? — Takasagi inclinou a cabeça. — Já nos vimos antes, não foi? Ou será que é a idade? A memória anda meio falha… mas tenho certeza de que reconheço esse rosto.
— Reconhece, sim. — Yume sorriu.
O olho dele se arregalou, como se dissesse “sabia.”
Antes que ele pudesse reagir, Yume inclinou o corpo para frente—movimento mínimo, mas cheio de intenção.
Nem chegou a pegá-lo desprevenido.
Mas era o suficiente para tentar alguma coisa.
Takasagi avançou, a katana zunindo numa estocada direta.
Yume se abaixou, deslizando por baixo da lâmina, e mergulhou no espaço entre eles.
Takasagi não recuou. Não puxou a espada de volta. Ainda havia o punho—e ele o girou, mirando esmagar a cabeça dela com a base da empunhadura.
Yume não esperava isso.
Instintivamente, se lançou para a direita e rolou, o golpe zunindo no ar acima dela.
— Boa. — Takasagi riu. — Nada mal.
Ele tentou chutá-la. Yume viu a chance.
Uma faca contra um pé desprotegido—bastava um corte, e ela teria a vantagem.
Mas Takasagi não chutou para afastar.
Ele avançou.
Bam!
O passo pesado ressoou, e logo veio o golpe.
Um corte brutal, tão rápido que o ar gemeu.
Yume gritou e saltou para o lado.
Não foi atingida. Ainda não.
Takasagi girou a lâmina sobre o ombro e a apoiou novamente nas costas. Inclinou a cabeça.
— Boa reação. Passou no teste. Da próxima, eu acerto pra valer.
Yume queria responder, mas nada saía.
Não sabia nem em que postura estava. O ar parecia faltar.
O corpo todo gelava—como se o medo tivesse se tornado neve dentro dela.
Ela não podia ficar assim.
Não tinha chance de vencer. Nem uma em um milhão. Mas o impossível ainda era… possível.
Precisava se decidir.
Se perdesse um braço ou uma perna, paciência.
Mesmo que fosse morrer, que morresse levando-o junto.
A decisão veio num relâmpago.
Não veria seus companheiros outra vez. Tudo bem. Pensar nisso só a atrasaria.
Ainda havia esperança.
Mesmo que mínima—um em um bilhão, um em um trilhão.
Enquanto o desfecho não viesse, Yume ainda podia lutar.
— Tá na hora, velho Takasagi.
— Sabia. — Ele sorriu com o canto da boca. — É a garotinha de antes, huh?
— Não é “garotinha”. O nome de Yume é Yume, ouviu?
— É mesmo. — Ele ergueu a espada, firme. — Então vem, Yume.
Takasagi trouxe a katana ao peito e virou a lâmina para ela.
Yume prendeu a respiração. A única cena que conseguia imaginar era a de ser cortada em dois.
Roubar a arma de um dos orcs ou mortos-vivos? Talvez ele deixasse? Não… Se Yume tentasse algo assim, Takasagi se decepcionaria. Ficaria irritado, cansado dela—e a mataria sem hesitar.
De frente um para o outro, ela compreendia coisas sem precisar de palavras. Apesar da expressão calma, Takasagi estava irritado. Por quê? Por essa guerra, talvez. Ele não lutava por vontade própria. Lutava porque era obrigado.
Quando Yume largou a faca, Takasagi sorriu de leve.
Ela precisava fazer aquilo. Num piscar de olhos, estaria morta—ou viva por um fio. Não havia mais medo. Tinha de escapar do primeiro golpe, ou recebê-lo sem morrer.
Se conseguisse se aproximar, ainda existia uma chance.
Se não era impossível… então era possível.
Yume avançou sem hesitar. Takasagi moveu a katana.
— Observe… minha técnica secreta.
A lâmina flutuou—ou talvez tremulasse—como se dançasse.
O que é isso? Um mistério.
— Queda Enevoada.
Ela podia ver a lâmina… e ao mesmo tempo não podia. Não entendia. Era rápida? Lenta? Nem isso dava para dizer.
Yume continuou indo em frente. Não podia parar—se parasse, seria perfurada ou cortada. Pular seria suicídio, recuar impossível.
Tinha algo no movimento dele. A katana de Takasagi a hipnotizava. Encantava. Convidava.
Desse jeito, Yume seria abatida sem poder fazer nada.
Logo, morreria—apavorada, mas maravilhada por uma espada tão bela existir.
— Habilidade Pessoal!
A voz repentina soou como uma bronca caída do céu: “Vai morrer assim, sua idiota?!”
Não era só uma voz.
Era uma estrela cadente rasgando os céus.
— Grande Cachoeira Impura!
A estrela colidiu com a técnica secreta de Takasagi.
Não… a estrela tinha uma katana.
E essa katana atingiu a de Takasagi.
— Ngh…!
Takasagi foi lançado para trás, quase soltando a espada, mas recuperou a pegada e desferiu um golpe horizontal.
— Maldição…!
— Tá perdendo o ritmo, velhote!
A “estrela cadente”—claro que não era uma estrela. Era uma pessoa. Um homem, provavelmente.
Usava um manto rasgado e uma máscara esquisita.
A voz—rouca, mas inconfundível.
Yume o reconhecia.
Ou pelo menos achava que sim.
Se era ele mesmo… o que diabos estava acontecendo?
Takasagi era da Forgan.
A Forgan estava atacando Altana.
Então… se o mascarado fosse quem Yume pensava… fazia sentido ele estar ali.
Tinha se juntado à Forgan.
Deixando Yume e os outros pra trás.
Mesmo assim, Yume não acreditava que ele os tivesse traído.
Ele não era exatamente confiável—mas ela ainda acreditava nele. Queria acreditar.
Era louco, às vezes.
Mas era um companheiro. Um amigo precioso.
Tinham passado por muita coisa juntos.
E ainda assim… ele foi embora.
Talvez não tivesse escolha.
Talvez tenha visto algo na Forgan que ela não viu.
Ele sempre parecia inquieto, descontente, sempre reclamando.
Não sabia ler o clima—ou apenas fingia que não sabia.
Quando tudo estava em paz, ele vinha e soltava: “Vocês acham mesmo que tá tudo bem assim? Eu não.”
E virava o mundo de cabeça para baixo.
Dizia “Não tô aqui pra fazer amigos. Não sejam idiotas.”
Mas no fundo… Yume sabia que ele se importava.
Do jeito dele, torto, estranho, mas real.
Será que ela tinha se enganado?
Será que ele os odiava agora?
Será que Yume e os outros não significavam mais nada para ele?
Ela quase podia ouvir a resposta dele, seca, arrogante, familiar: “Não é questão de amor ou ódio. Isso não me move. Busco algo maior. Não me compare a gente medíocre. E não—não te odeio.”
Mas o que ele estava fazendo ali?
Seria mesmo ele…?
— Ora, ora, ora, ora! — o mascarado rugiu, trocando golpes com Takasagi.
Os movimentos pareciam exagerados, teatrais—mas não eram.
Cada golpe era limpo, calculado, preciso.
O homem movia a katana como um pincel divino, pintando uma obra em pleno ar.
— Droga…! — Takasagi rosnou, sendo empurrado.
Podia ser fingimento, mas estava na defensiva.
Yume percebeu.
Takasagi era um espadachim genial—mas tinha um ponto fraco.
Um ataque vindo de baixo, pelo lado esquerdo… Ele reagia um pouco mais devagar.
O mascarado sabia disso.
Não abusava do ponto fraco. Alternava golpes, confundia o ritmo, fazia Takasagi se abrir—E só então, quando o momento certo surgia, atacava onde doía.
Ele não era apenas habilidoso.
Era alguém que conhecia Takasagi intimamente.
— Oraaaaah!
O mascarado desferiu um golpe baixo à esquerda.
Takasagi chiou, desviando por um triz—E o mascarado acelerou, como se um interruptor tivesse sido ligado.
— Habilidade Pessoal! Deus Relâmpago Voador…!
Os nomes das habilidades dele eram um absurdo completo—mas Yume percebeu que era uma estocada.
O mascarado segurava a katana com as duas mãos.
Um golpe direto, firme, certeiro.
O ar uivou.
Não uma, mas várias vezes—estocada sobre estocada.
Aos olhos de Yume, parecia um único ataque, tão rápido que o mundo não conseguia acompanhá-lo.
— Ohhh?! OHHHH…?!!
Como Takasagi sobreviveu àquilo, Yume não fazia ideia.
Ele se esquivou desviando o fio da lâmina, recuando e torcendo o corpo para fora da linha dos golpes, mas acabou caindo sentado no chão, de costas.
Agora era o fim.
O mascarado poderia finalizá-lo.
Mas se ele fosse mesmo quem Yume pensava…
Não o faria.
E ela estava certa.
O mascarado recuou a katana, apoiando o dorso da lâmina no ombro.
— Levanta, velhote.
Takasagi se ergueu, obediente, e soltou uma gargalhada de peito aberto.
— Você aparece em todo lugar onde eu vou, não é? E tá cheio de papo agora, hein, Ranta.
— Ei, cale a boca! Não diga esse nome! Tô escondendo o rosto por um motivo…!
— Ah, qual é. Tá na cara.
— N-não tá, não!
O mascarado lançou um olhar na direção de Yume.
Ela quis gritar o nome dele. Várias vezes, só pra ter certeza.
Mas não conseguiu.
Não naquele momento.
Se estivessem sozinhos, talvez o tivesse abraçado. Mas estavam cercados por inimigos. Ainda assim… Yume não estava mais sozinha.
Ele estava ali. Seu companheiro.
Seu amigo.
Com Ranta ao lado, ela sentia que poderiam sobreviver a qualquer inferno. Porque Ranta era teimoso demais para cair.
E disso, Yume podia ter certeza absoluta.

Tradução: ParupiroHPara estas e outras obras, visite o Cantinho do ParupiroH – Clicando Aqui
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