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Hai to Gensou no Grimgar – AP 2: Capítulo 29 – Volume 14++

 

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Hai to Gensou no GrimgarGrimgar of Fantasy and Ash

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[Capítulo 06: Nós, Que Não Podemos Ficar Sozinhos]


Yume nunca esqueceu a primeira vez que perdeu um companheiro.

Fazia muito tempo, então a dor já não a corroía todos os dias—mas, sempre que lembrava de Manato, uma vontade primal e insuportável de uivar lhe subia pela garganta, como um lobo chamando a lua.

Ela gostava de lobos. Uma pena que não fosse um. Queria uivar, mas não podia. Nunca entendera por que os lobos pareciam tão tristes quando faziam isso, mas lembrava do que ouviu do seu mestre na guilda dos caçadores—lobos viviam em alcateias, guiadas por um par de alfas, e quando perdiam um dos seus, uivavam sem parar, tentando chamar de volta o que o mundo lhes tomara.

Era bonito e cruel.

Yume também queria chamar de volta os seus. Queria ver seus companheiros de novo, mesmo sabendo que, por mais que gritasse para o céu, os mortos não voltariam.

Doía—e doeu ainda mais na segunda vez.

Perder Moguzo foi como rasgar de novo uma ferida que nunca fechou. Tinham convivido por mais tempo, rido juntos, dividido o pão e o silêncio. Quando se perde duas pessoas queridas, não é a mesma dor repetida—é uma dor nova, que se soma à antiga, até parecer que o peito vai rachar.

Depois disso, Yume ainda cruzou com Renji algumas vezes no convés, mas se limitaram a trocar um “oi”.

Pelo jeito, nem com a própria party ele falava direito—Ron, o mago de óculos Adachi, e Chibi, a pequena sacerdotisa.

Renji, Ron, o espinhoso e intratável Adachi, a silenciosa Chibi-chan e a falecida Sassa—todos haviam chegado a Grimgar no mesmo dia que Yume e seus amigos.

Companheiros de destino, talvez.

O que teria acontecido com eles?

Yume queria saber, claro, mas sabia que, mesmo que lhe contassem tudo, nada mudaria.

Se quisessem desabafar, ela ouviria de bom grado, mas forçar isso seria errado.

Assim, Yume se dedicou de corpo e alma ao treino com Momohina.

A antiga Yume teria ficado vagando, distraída, arranjando desculpas para não pensar em Haruhiro, nem em Renji, nem em ninguém.

Agora, era parecido—mas não igual.

Havia coisas que, por mais que refletisse, ela simplesmente não podia resolver. Então, restava colocar essas dores de lado e dar tudo de si no que ainda podia fazer.

Na véspera de o Bachrose-go atracar em Nugwidu, Yume enfrentou Momohina num duelo de treino sem tempo limite.

Não havia condições de vitória.

Já haviam lutado tantas vezes que sabiam instintivamente o que era um acerto, o que era um erro, o que era uma derrota.

Mas isso não importava. Em uma luta séria, Yume dificilmente venceria Momohina—o verdadeiro teste era outro: conquistar o reconhecimento dela.

Seu exame de formatura.

As duas se posicionaram no convés, e Yume sentiu o vento frio bater no rosto.

Tocaram as costas das mãos—leve, respeitoso.

Tudo bem… hora de atacar, pensou Yume.

Antes mesmo que pudesse agir, Momohina agarrou-lhe o pulso. Num instante, o mundo virou de cabeça para baixo—Yume fora arremessada.

Ele já começava em desvantagem, e ficar para trás só piorava. Entrou em pânico, mas conseguiu se acalmar—pelo menos o suficiente para tentar recuar.

Mas Momohina avançou como uma sombra.

A distância se fechou num piscar. Um toque, um giro—e Yume foi lançada outra vez.

Algo estava diferente.

Momohina lutava sem expressão, fria, implacável.

Cada movimento era limpo, sem hesitação—como se Yume estivesse diante de outra pessoa.

Yume não estava calma, ela estava irritada. Na verdade, indignada.

Não era para ser assim.

Ela queria dar tudo de si, mostrar o quanto cresceu.

Momohina, afinal, fora quem moldara o modo como Yume lutava, a professora e guia que lhe dera forma.

No fundo, Yume já a via como uma segunda mãe.

Mas a mulher diante dela parecia alguém completamente diferente.

Distante. Inatingível.

E Yume, caída no chão, não conseguia entender o porquê.

Momohina estava em silêncio. Seus movimentos, rápidos e escorregadios como água entre os dedos.

Yume, por outro lado, se deixava levar pela emoção—e sabia muito bem o quanto isso era ruim. Quanto mais o coração disparava, mais o corpo enrijecia. E quando ela ficava tensa, seus golpes se tornavam diretos demais, previsíveis, fáceis de ler.

O resultado foi uma derrota miserável.

Não apenas perdeu—foi aniquilada.

O corpo todo doía. Ombros, braços, pulsos, dedos… tudo latejava. Havia hematomas por toda parte, e vários ossos quebrados.

Chibi-chan cuidou dela depois, envolvendo-a em uma luz suave que fechou as feridas e restaurou os ossos. Mas o que a magia não curava era o peso que ficou—a sensação sufocante de impotência.

Fazia muito tempo que Yume não se sentia tão derrotada, nem mesmo quando começara o treinamento na ilha.

Ainda assim, havia algo que entendeu, no meio daquela surra.

— …Então é isso. Não é só sobre força e técnica, mas sobre quem você tá enfrentando também, né?

— Exatamente! Essa é minha Yumeryun! Intuição afiada como sempre! Perfeito. Muito bem!

Momohina lhe deu um tapinha carinhoso na cabeça.

E, de repente, lá estava ela de novo—a Momohina de sempre.

Yume vinha treinando sob os olhos dela há muito tempo. Era justo dizer que Momohina sabia tudo sobre ela—seus hábitos, seus padrões, até o jeito como respirava antes de atacar.

Mesmo dando tudo de si, Yume não teria como vencê-la de frente. Se realmente quisesse provar seu crescimento, teria de surpreendê-la com algo fora de tudo que aprendeu.

Enquanto Yume, fiel como uma discípula tola, apenas repetia o que fora ensinada, Momohina mudara completamente o jogo—usou arremessos e chaves que nunca mostrou antes.

Yume ficou confusa, hesitou, se desequilibrou. E perdeu sem entender onde, exatamente, errara.

Ela havia se esforçado mais do que ninguém.

Treinou até o corpo endurecer, aprimorou sua agilidade, afiou cada movimento. Mas ainda assim, não bastava.

Dependendo do oponente—e da forma de lutar—uma batalha podia assumir mil rostos.

Mesmo um lutador fraco, se jogasse suas cartas direito, podia vencer um mais forte.

O contrário também era verdade: o mais forte, se confiasse demais, podia ser derrubado pelo inesperado.

No campo de batalha, nada era certo. Nada era garantido.

Essa foi a última lição que Momohina escolheu ensinar a Yume.

Naquela noite, Yume dormiu profundamente na rede.

Quando acordou e subiu ao convés, viu o contorno da terra ao longe.

As lágrimas vieram sozinhas. Pequenas, breves.

Mas sinceras.

O Bachrose-go lançaria âncora no porto de Nugwidu ao meio-dia.

Yume, enfim, estava de volta.

Os Zwiba provavelmente a receberiam de braços abertos.

Uma grande quantidade deles estava reunida perto do cais quando ela se aproximou. Mas eles não aplaudiram, nem acenaram. Não apenas estavam em silêncio—havia algo de estranho neles.

Eram humanóides, mas sua pele tinha um tom acinzentado, semelhante a pedra, e não possuíam um único fio de cabelo na cabeça. Seus olhos eram completamente negros, sem brancos, e seus rostos, braços e pernas—praticamente todo o corpo—estavam cobertos por linhas azuladas e amareladas. Suas roupas variavam entre tons de marrom, roxo e outras cores escuras. Todos, sem exceção, carregavam uma vara longa e fina. Não eram de madeira, mas de metal reluzente, com pontas de variados formatos.

Quando Kisaragi estendeu a mão para fora do navio e levantou o polegar, todos os Zwiba bateram as pontas das varas no chão duas vezes, em perfeita sincronia.

Por dentro, Yume estava um pouco assustada de descer do navio.

Mas, ao ver Kisaragi e Momohina caminharem pela prancha como se fosse a coisa mais natural do mundo—acenando com o polegar e dando tapinhas amistosos nos Zwiba—concluiu que devia estar tudo bem.

Ao se aproximar, Yume percebeu que os Zwiba tinham um cheiro agradável e doce, como pão recém-assado.

Não era apenas a cor—a textura da pele deles lembrava pedra polida.

Os olhos negros possuíam finos veios dourados no fundo, e o modo como se moviam, balançando suavemente ao olhar para ela, tinha algo de misterioso—e tão bonito que Yume suspirou de admiração.

As pernas eram nuas, e eles não usavam calçados. As mãos e os pés tinham sete dedos cada.

Para Yume, todos os Zwiba pareciam idênticos.

Mas havia um deles mais baixo, com padrões brancos na cabeça, segurando uma vara transparente e incolor.

Enquanto Kisaragi falava com esse Zwiba, usando muita mímica, Yume ouviu sua língua pela primeira vez.

— Uhh. Tohh. Nhh. Tohhto. Muhh. Ohh. Nhh. Tohhto. Nhh. Tohh. Uhh. Tohh.

Naturalmente, Yume não fazia ideia do que diziam.

Já tinha ouvido muitas línguas diferentes, mas a dos Zwiba certamente estava entre as mais estranhas.

Quem diria que existiam pessoas que falavam daquele jeito?

O mundo era mesmo um lugar enorme.

Naquele dia, os Zwiba convidaram Kisaragi, Momohina, Yume e a party de Renji para uma grande construção, onde os receberam.

A recepção consistia apenas de várias comidas e bebidas dispostas sobre um vasto chão de pedra—nada de música, dança ou discursos.

As refeições eram feitas principalmente com peixe, verduras, raízes e nozes.

Havia fartura, e todos os pratos destacavam o sabor natural dos ingredientes.

Na verdade, o tempero era mínimo, e nada era salgado.

As bebidas pareciam sucos de frutas diluídos em água, com gosto quase imperceptível.

— Eles não têm bebida alcoólica…? — resmungou Ron.

Mas, ao que parecia, os Zwiba não tinham o costume de beber.

Também não cantavam, nem dançavam, e evitavam conversar diante dos outros.

Gostavam de deitar no chão, imóveis—mas, se ficassem assim por muito tempo, acabavam dormindo, então evitavam permanecer deitados por mais do que o necessário.

Foi o que Kisaragi explicou.

Todos dormiram juntos na mesma sala naquela noite.

Os Zwiba não usavam cobertores ou esteiras, então Yume também dormiu direto no chão de pedra.

Quando acordou, estava coberta por um cobertor.

Alguém o havia colocado sobre ela.

Ao olhar ao redor do aposento escuro, viu dois Zwiba andando por ali com cobertores nos braços—e, claro, ainda segurando suas varas.

Depois disso, Yume adormeceu profundamente.

Para ajudar Yume e a party de Renji a retornarem a Altana, os Zwiba prepararam dragões-cavalos para eles.

Essas criaturas eram pequenos dragões que andavam sobre as patas traseiras.

Normalmente, os dragões-cavalos criados em cativeiro tinham as asas cortadas—mas os dos Zwiba mantinham as suas intactas, o que lhes permitia planar por curtas distâncias e até correr sobre a água.

Yume ouvira dizer que, se as asas não fossem cortadas, eles não obedeceriam aos humanos, nem permitiriam carga sobre o dorso.

Mesmo assim, os dragões-cavalos dos Zwiba eram dóceis e amigáveis.

Yume e a party de Renji foram despedidos por Kisaragi, Momohina, a tripulação do Bachrose-go liderada pela capitã Anjolina, e mais de uma centena de Zwiba quando partiram de Nugwidu, logo ao amanhecer.

Separar-se de Momohina a deixou triste—temia até ficar chorosa.

Mas Momohina e Kisaragi estavam tão tranquilos, tão despreocupados, que Yume conseguiu se despedir com um sorriso.

— Até mais, Yumeryun!

— Sim, até mais.

— Manda lembranças pro seus companheiros.

— Momo-san e Gicchon, mandem lembranças pros companheiros de vocês também. Tipo o Ginzy, o Giancarlulun… Ah, e o Jimmy-chan, também.

Adachi, o mago de óculos, afirmou com confiança que conhecia o caminho de volta para Altana e que não havia chance de se perderem, então Yume deixou o comando com ele. Bastava seguir as Montanhas Tenryu rumo ao oeste—de um jeito ou de outro, chegariam lá.

Quando os dragões-cavalos de Zwiba encontravam terreno irregular, batiam as asas e pairavam sobre os obstáculos enquanto avançavam. Faziam isso com frequência, e aquela sensação única de flutuar deixou Yume um pouco enjoada no início, mas ela se acostumou rápido. Renji, é claro, não teve problema algum; Ron e Chibi-chan também pareciam tranquilos. Já Adachi ficou pálido por um bom tempo, resmungando sem parar: “Tô enjoado, tão enjoado…”. Mesmo assim, manteve o ritmo e não ficou para trás.

Os dragões-cavalos eram rápidos, mas quando sentiam fome, não havia força no mundo capaz de fazê-los dar um passo. Onívoros, comiam folhas, caules, raízes, insetos, pequenos animais, carniça—praticamente qualquer coisa—então bastava soltá-los para caçar e vasculhar por conta própria. Não havia necessidade de preparar ração. Eles comiam o que encontrassem e voltavam quando estivessem satisfeitos.

Certa vez, Ron se irritou e tentou puxar o seu dragão-cavalo de volta antes de ele terminar a refeição. O bicho se ofendeu e se recusou a deixá-lo montar de novo. O problema se resolveu quando ele trocou de montaria com Yume, mas serviu de lição: aquelas criaturas eram teimosas, e precisavam ser tratadas com cuidado.

O grupo seguia até que os dragões-cavalos parassem por vontade própria. Quando se recusavam a prosseguir, descansavam, comiam ou dormiam. Adachi era o único que resmungava sobre “estragar o cronograma”. O resto da equipe já estava acostumado a viajar.

Convivendo com eles, Yume começou a enxergar com clareza a estrutura da party—e as personalidades de cada um. Isso a fascinava por um tempo.

Ron podia ser irritante, mas raramente abria a boca fora das pausas, e sempre se voluntariava para o trabalho pesado. Adachi, com seu ar de intelectual, servia de conselheiro para Renji, enquanto Chibi-chan, silenciosa, sustentava a party com pequenas ações quase imperceptíveis.

Renji era assustador—impunha-se de tal forma que ninguém ousava questioná-lo. Antes, Yume acreditava que a party inteira vivia sob o domínio dele. Talvez tenha sido assim no passado, mas não parecia mais o caso.

Era verdade que Renji tinha uma presença esmagadora. Não era sociável, nem um pouco. Mesmo com os companheiros, falava de modo direto e seco. Nunca fazia piadas, nunca ria, nunca conversava à toa. Cercado por aliados, mas sempre sozinho. E, ainda assim, Ron e os outros o aceitavam. Sabiam que ele odiava ser alvo de preocupação, então respeitavam seu espaço. Falavam com ele quando necessário, e ele os ouvia—nada mais, nada menos.

O que aconteceu com Sassa devia ter deixado marcas. Renji estava sofrendo. Quem o visse sem conhecer a história talvez não percebesse, mas ele estava despedaçado por dentro. O mesmo valia para Ron, Adachi e Chibi-chan. Nenhum deles expressava dor ou nostalgia. Apenas seguiam rumo a Altana.

Como sempre haviam feito.

Com Sassa.

Perderam uma companheira preciosa. Não choraram nem gritaram—apenas aceitaram o inevitável em silêncio.

No terceiro dia desde que partiram de Nugwidu, chegaram às Planícies dos Ventos Rápidos. Segundo Adachi, se nada mudasse, alcançariam Altana em quatro ou cinco dias. Uma viagem curta.

Antes do pôr do sol, os dragões-cavalos pararam em um campo aberto, e decidiram montar acampamento ali.

Na equipe de Renji, Adachi era o cozinheiro. O mais exigente quanto ao sabor—e o primeiro a reclamar de qualquer refeição feita por outro. Foi assim que acabou encarregado da comida.

Naquela noite, serviu um mingau de carne seca, legumes e cogumelos. O aroma era irresistível, e o sabor, impecável. Adachi carregava uma infinidade de temperos e condimentos, e conseguia transformar qualquer ingrediente em banquete. Era impressionante.

Ron começou a roncar assim que se deitou. Dormia em qualquer lugar, a qualquer hora, desde que o deixassem em paz.

Chibi-chan, por sua vez, ora estava enrolada numa bolinha minúscula, ora sumia, reaparecendo do nada logo depois.

O jeito de Chibi-chan agir era um mistério, mas seus companheiros não pareciam achá-la misteriosa. Yume tentava conversar com ela sempre que podia, mas nove em cada dez vezes as respostas eram apenas um “Aham.” ou um “Não.” e a conversa morria ali mesmo.

Yume não entendia bem Chibi-chan, mas sentia em tudo o que ela fazia uma seriedade silenciosa, uma honestidade firme. Era o tipo de pessoa que daria tudo pelos companheiros. Quando Sassa ainda estava viva, a party de Renji era formada por três homens e duas mulheres. Talvez houvesse algo especial entre as duas, quem sabe? Só de pensar nisso, Yume sentia vontade de conversar de verdade com Chibi-chan sobre o assunto… mas provavelmente seria se meter onde não devia.

Renji, por sua vez, sempre arrumava suas coisas, usava uma delas como travesseiro e dormia na mesma posição. Só utilizava seus próprios utensílios e produtos de higiene. Fazia a barba com cuidado e penteava o cabelo curto com a mesma atenção. Todos os dias, os mesmos gestos, na mesma ordem, do mesmo jeito. Yume nunca havia reparado, mas ele era incrivelmente metódico.

Ela, em contraste, era puro improviso. Bebia o máximo de água quando dava, comia o que aparecia, e dormia quando escurecia—embora conseguisse inverter o ritmo sem problema. Se tentasse dormir, geralmente conseguia; se não, ficava acordada até o sono vir. Sentia que, depois da vida na ilha, havia se tornado ainda mais aleatória.

E naquela noite, o sono simplesmente não vinha.

Renji também estava deitado, mas Yume duvidava que tivesse fechado os olhos. O campo estava completamente às escuras, e eles haviam apagado a fogueira. Mesmo assim, ela conseguia sentir a presença dele.

— Ei, Renji.

— Hm.

A resposta veio na hora. Ele realmente estava acordado.

— Por que você foi pro Continente Vermelho?

Ela se arrependeu da pergunta no mesmo instante. Não queria tocar em nada relacionado a Sassa—por isso tentou mudar de assunto. Mas Renji tinha acabado de voltar de lá. Era quase certo que Sassa havia morrido naquele continente. Talvez ela acabasse reabrindo feridas.

— Porque aqui estava sufocante.

Talvez nem precisasse se preocupar. Renji respondeu de imediato.

— Tinha um cara em Altana, Garlan Vedoy, que disse que queria se encontrar com a gente. Margrave, ou algo assim, do Reino de Arabakia. Mora numa mansão absurdamente alta chamada Torre Tenboro. Quando eu disse que não ia, Britney, lá do Escritório dos Soldados Voluntários, fez o maior escândalo. O sujeito ficou insistindo tanto que eu disse: se ele quer me ver, que desça da porcaria da torre e venha até aqui.

— Uoo… então, hã… Petri-san…?

— Vedoy.

— O Berorin-san desceu?

— …Não. Pelo que Britney disse, o cara ficou bem irritado. Não sei quem ele pensa que é, mas claramente se acha demais. Odeio gente assim, me dão enjoo só de lembrar.

— Bom, você não é… grimgariano, né? Yume também não. Deve ter sido chato, te puxarem pra esses assuntos de Grimgar.

— É por aí. Não era só o Vedoy. Os outros soldados voluntários também estavam meio que no meu caminho.

— Então foi por isso que foi pro Continente Vermelho?

— Fiz eles irem junto com a minha teimosia.

Parecia que Renji ainda ia dizer algo depois disso—mas engoliu as palavras.

Ela sabia que não devia dizer nada—mas Yume simplesmente não conseguiu se conter.

— …Não parece que os outros sintam o mesmo que você. Eles não fazem as coisas só porque você manda. Yume consegue ver que todo mundo fica com você porque quer ser seu companheiro.

— Essa é a sua visão das coisas.

— É, você tá certo. Yume só pode ter certeza do que Yume mesma sente.

— Não tem como saber o que os outros sentem.

— Bom, então é meio estranho você sair decidindo o que os outros devem sentir, né?

— …Sim.

— É difícil perguntar “o que vocês sentem?”, né? Mesmo quando dá pra perguntar a qualquer hora, só de estar junto…

Renji riu baixinho, um som breve e contido, antes de responder: — Sim… Desculpa por isso. Sei que você se separou dos seus companheiros e tá sozinha.

— Yume não tá tão sozinha assim.

— …Hã?

— Você tá aqui, e todo mundo também. Antes disso, tinha a Momo-san. Depois, o Gicchon veio e salvou a gente. Yume não tá sozinha.

— …É mesmo?

Depois disso, Renji ficou em silêncio. Yume podia sentir que ele ainda não tinha dormido. Mas o sono começou a pesar nos olhos dela.

Quando a consciência começou a se desfazer, e o mundo se tornou um borrão distante, Yume teve a impressão de ouvir a voz de Renji, baixa, como se viesse de muito longe: — Os únicos que estão realmente sozinhos… são os que morreram, não é…?


Tradução: ParupiroHPara estas e outras obras, visite o Cantinho do ParupiroH – Clicando Aqui


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