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Hai to Gensou no Grimgar – AP 2: Capítulo 28 – Volume 14++

 

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[Capítulo 05: Desilusão]


O Bachrose-go voltou ao porto de Roronea sem nenhum problema. Nessa altura, Momohina já tinha parado de fugir e se esconder de Kisaragi, e agora andava grudada nele a ponto de ele resmungar: — Você tá grudando demais, se afasta um pouco.

Mesmo assim, Kisaragi nunca a afastava de verdade. Resultado: Momohina não largava dele, nem mesmo à noite, quando dormia toda enroscada ao redor dele.

Momo-san gosta mesmo do Gicchon, né?

Yume também gostava de Kisaragi. Se tivesse conhecido ele antes de Haruhiro e os outros, provavelmente teria seguido com ele. Mas quanto mais carinho sentia por Kisaragi, mais claro ficava o quanto Haruhiro e os demais eram importantes para ela.

Yume tentou se acalmar e pensar direito. Depois de tudo, não havia garantia nenhuma de que conseguiria se reunir com Haruhiro e o resto. Talvez conseguisse, talvez não. Mas Yume já não tinha medo.

Pensar na possibilidade de nunca mais ver os companheiros era como se algo rasgasse seu coração, torcesse seu pescoço e dilacerasse seu corpo. Doía demais. Mas não pretendia desviar os olhos disso e passar os dias só suspirando, “Queria tanto ver todo mundo de novo…”. Yume só segurava firme na esperança de que poderia. Preparava-se para o pior, mas nunca desistia. Tinha uma meta. Ia caminhar até ela. Não podia se dar ao luxo de sentir medo.

Os figurões da Companhia Pirata K&K, com exceção do chefe da divisão dos mortos-vivos, Jimmy, estavam todos fora. Tinham andado levando navios para lá e para cá, em parte na busca por Momohina.

Os oficiais da K&K eram: o diretor-gerente Giancarlo; a MCS (um título que aparentemente significava Companheira Feminina de Cura) Ichika, EPD (Elfa com Seios Decepcionantes. Isso era um cargo oficial?). Mirilieu, e EMN (Coruja Noturna Mulher Anão. Difícil ver isso como um cargo apropriado). Heinemarie. O incorrigível sahuagin Ginzy também seguia por aí, capitão da Neo Mantis-go. Ele, claro, ainda não sabia que Momohina estava bem. Ia ficar bem feliz quando descobrisse.

Assim que se abasteceram, cercados pelos aplausos dos piratas e moradores de Roronea, o Bachrose-go partiu às pressas do porto. Kisaragi não disse nada do tipo: “Você deve estar com pressa, né?”

Mas só podia ser isso.

Ela estava terrivelmente atrasada. Correr agora não mudaria nada, mas ainda assim queria chegar em Grimgar o mais rápido possível. Se pudesse, teria se transformado num pássaro e voado direto para Altana.

O Bachrose-go não seguia para a Cidade Livre de Vele, nem, obviamente, para Igor, mas para outro porto.

Esse porto tinha um nome complicado, Nugwidu, e ficava bem ao sul de Vele. Ali vivia, desde tempos antigos, um povo peculiar chamado Zwiba, que formara um pequeno país. Os Zwiba tinham sua própria língua, costumes e cultura, e não mantinham contato algum com as outras raças. Se viam alguém que não fosse Zwiba, cercavam, capturavam e—por mais absurdo que fosse—comiam.

Yume já sabia que havia muito tempo que eles eram bizarros e perigosíssimos, e queria evitar contato a todo custo.

Mas por que Kisaragi conhecia os Zwiba? Segundo ele, porque tinha sido capturado por eles—e quase devorado.

— Digo… você sabe da minha mão, né? Pois é, eles olharam e disseram: “Isso tá esquisito. Será que é mesmo bom comer esse cara?”. Enquanto discutiam, aconteceu um monte de coisa e… acabamos ficando amigos.

Que tipo de “coisa” tinha que acontecer para alguém virar amigo dos que tentaram devorá-lo? Yume não conseguia imaginar. Mas fosse como fosse, o Bachrose-go rumava para o porto de Nugwidu.

Os Zwiba eram extremamente xenofóbicos, por isso não possuíam a tecnologia necessária para construir grandes navios ou portos. Segundo Kisaragi, qualquer embarcação zwiba que não fosse um barco de pesca e deixasse Nugwidu jamais retornava. Talvez fosse porque os Zwiba tinham vindo de além-mar e tentavam voltar à sua terra natal.

De acordo com Kisaragi, em vez de seguir para Vele, seria mais rápido regressar a Altana passando por Nugwidu. De lá, poderiam avançar para o oeste em direção às Planícies dos Ventos Rápidos e, contornando até alcançar as Montanhas Tenryu ao sul, não haveria risco de se perder.

Para Yume, aquilo era uma garantia dada por Kisaragi, e não havia motivo para duvidar dele. Ela não se sentia preocupada nem um pouco. Na verdade, estava ansiosa para conhecer esse povo chamado Zwiba.

Momohina permaneceu no Bachrose-go. Ela iria trabalhar com Yume até chegarem a Nugwidu, dando os retoques finais em seu treinamento.

Elas corriam e saltavam pelo convés do navio que balançava, praticando sem parar. Depois de um primeiro dia de viagem bastante proveitoso, na manhã do segundo dia Yume acordou em uma rede na cabine.

Talvez porque tivesse passado tanto tempo vivendo quase nua na ilha, agora lhe parecia um incômodo vestir roupas. Não importava o que usasse, acabava tirando tudo durante o sono. E, mais uma vez, acordara completamente nua. Não era uma boa ideia continuar assim, então vestiu uma blusinha curta o suficiente apenas para cobrir o peito e um par de calções minúsculos. Em seguida, jogou um pouco de água no rosto e enxaguou a boca.

Quando subiu ao convés, o sol já havia surgido no horizonte. No mar, nada o bloqueava, de modo que já estava bem claro. Yume gostava mais da visão do mar pouco antes do nascer do sol, quando os primeiros traços de luz apenas começavam a despontar. O mar ao pôr do sol também era bonito, mas às vezes a fazia se sentir sozinha.

Deveria ter acordado mais cedo. Enquanto andava pelo convés, um pouco decepcionada, notou um homem próximo à proa, nu da cintura para cima, realizando o que pareciam ser exercícios.

Quem era ele? Estava virado de costas, por isso não conseguia ver-lhe o rosto. Ela conhecia todos os tripulantes do Bachrose-go. Não, esse homem não fazia parte da tripulação.

Ele tinha um físico impressionante. A musculatura de suas costas lembrava o rosto de uma criatura monstruosa. Mas, embora fosse alto, não era desproporcional. Não havia nada em excesso. Era um corpo forjado ao limite, esculpido como uma lâmina afiada.

Sem perceber, Yume se viu encarando-o.

O homem realizava movimentos simples, girando lentamente os braços, alongando as articulações, curvando-se para frente e ficando de pé sobre uma só perna. Não fazia nada de extraordinário, mas, mesmo assim, Yume não conseguia desviar os olhos dele.

Aquele homem era forte.

Incrivelmente, absurdamente forte.

O coração de Yume disparou, e uma estranha eletricidade percorreu-lhe o corpo inteiro. Será que precisava urinar? Não, era diferente. Era uma sensação como se algo a apertasse por dentro.

Então o homem se virou.

E foi nesse instante que Yume percebeu: seus cabelos curtos eram prateados.

— Ah, é você.

— Fwuh.

Yume ia chamar seu nome, mas por algum motivo não conseguia pronunciá-lo. Ela o reconhecia. Ele chegara a Grimgar no mesmo dia em que ela. Não eram amigos, mas eram companheiros, ao menos num sentido amplo da palavra.

Fazia tempo que não se viam. E aquilo não valia só para ele; Yume estivera sozinha com Momohina por tanto tempo que não vira ninguém por um bom período.

— …Você tava embarcado? Vindo nesse navio…? Hã? Por quê? — ela perguntou, forçando a voz.

— Fiquei um tempo no Continente Vermelho. Tenho assuntos com a K&K. Estava no Arquipélago Esmeralda, esperando um barco para Grimgar. — Renji respondeu, calmo.

— Ahhh… Entendi. Então você pegou carona nesse navio, né? Certo… A Yume não fazia ideia. Pelo menos até agora.

— Eu sabia. Não pude deixar de ouvir que o Kisaragi encontrou as duas mulheres que sumiram quando o navio delas se meteu em apuros.

— Ah. Se você tava em Roronea, devia ter ouvido, né? …Se sabia, por que não falou nada? — Yume indagou, com a voz trêmula.

— Eu vi você ontem, mas você e a Momohina estavam pulando e treinando.

— Ahh, treinando. A gente tava treinando, né? …Certo. …Hum, er… — Ela travou, sem saber por que ficava tão nervosa sempre que tentava dizer o nome dele.

Havia algo estranho com Yume. O que havia com ela? Pensou a respeito e não encontrou resposta. De qualquer forma, era inconveniente não conseguir falar o nome de alguém que estava ali, na sua frente. Teve de se forçar.

— Renji! — gritou, e o som da voz fez o rapaz piscar.

— …O quê?

— Hmmm, é que a Yume queria saber se você sabe de algo sobre onde o Haru-kun e os outros estão. A Yume tava fora treinando, e aí aconteceu aquela coisa com o navio, e a tempestade… Ela não os vê há muiiiito tempo.

— Eu passei cerca de um ano no Continente Vermelho, e antes disso não voltava a Altana há quase um ano.

— Ah, é? Então não tinha como você saber, né?

— Ouvi dizer que o Haruhiro montou um dragão no Arquipélago Esmeralda. Acho que vocês se separaram depois disso, certo?

— É… Foi há tanto… tanto tempo, né…? — Yume murmurou, como se o tempo tivesse se esticado.

— Bem, ele é o Montador de Dragões. — Quando Renji sorriu de repente, a tensão no peito de Yume pareceu derreter.

Ela sempre achara que ele não sorria, que era uma pessoa difícil. Talvez o tempo tivesse mudado Renji.

— Ele não vai se ferrar tão fácil. Até você conseguiu sobreviver, afinal.

— …Hum. É. Quando você fala, soa vincente.

— Você quis dizer convincente? — Renji corrigiu.

— Isso. Exato. Convincente.

De repente, Yume percebeu que Renji havia mudado. Ela também sentiu que não era mais a mesma desde que chegou à ilha. Nada permanecia exatamente igual; as pessoas mudavam. Haruhiro e os outros provavelmente eram diferentes do que eram antes.

— Pensei que eu fosse um bom avaliador de pessoas.

Os olhos de Renji focaram algo ao longe, fora do navio.

— Eu estava errado. Achei vocês um bando de lixo. Não era questão de eu poder ou não usar vocês; eu achava que vocês iam morrer num instante. Aquele cara Manato, né? Cara, ele deu azar demais. Morreu rápido. Moguzo… se tivesse sobrevivido, teria ficado mais forte. Qualquer um que se metesse com vocês morreria. Todos. Um por um. Era instintivo. Nunca duvidei. Nem um pouco.

As palavras que saíam da boca de Renji caíam como grandes gotas de chuva, translúcidas e vazias. Pareciam recipientes de vidro que se estilhaçavam ao atingir o chão. Mas não eram recipientes—eram apenas voz, apenas palavras; ao final, não restava nada.

— Vocês todos iam morrer. Não era que eu subestimasse; eu só achava que era o jeito das coisas. Como água num fogo: apaga. Nunca fui indeciso. É ridículo. Se você tem tempo para parar e pensar, devia estar andando. Vai ficar mais adiante por isso. Que sentido tem hesitar? É burrice.

— Renji.

— Oi?

— Aconteceu… alguma coisa?

— Nada. — Renji abaixou os olhos e pressionou a mão contra a cabeça, como se arranhasse os cabelos prateados. Um sorriso lhe escapou, meio amargo, como se não restasse outra reação além rir da própria história.

— Nada aconteceu. Eu sou eu. Nem mais, nem menos. Só isso. Espero que você consiga reencontrar sua equipe.

Yume assentiu, e, mesmo sem ter certeza se deveria confiar tão alegremente, sentiu que era o suficiente por ora.

— …Sim. Obrigada.

Renji ergueu a mão em despedida, e foi só isso. Yume não o viu mais naquele dia, mas a sombra dele permaneceu em sua mente até a noite.

No dia seguinte, Yume vagava pelo Bachrose-go em busca de Renji. O navio era grande, mas não era como um castelo cheio de corredores ou um labirinto. Nas escadas internas, não encontrou Renji, mas topou com outro homem de cabelo raspado que ela reconhecia.

— Ooohhh! Hum, como era mesmo seu nome…? — ela perguntou, coçando a cabeça.

— É Ron. — respondeu ele, e logo em seguida baixou o olhar, suspirando.

— Fico impressionado que você consiga andar por aí com essa… roupa indecente, cercada por um monte de caras que mal podem esperar por uma mulher.

— Hã? Decente? Roupa?

— Não. Eu disse indecente. Quero dizer, sabe? É… erótica, eu acho…?

— Erótica, hein? Hmm. Sexy?

— …É, isso. Exatamente isso.

— Ooooh. Yume nunca foi chamada de sexy antes.

— Bem, acho que é questão de gosto. Eu só acho garotas como você sexy.

— Então Ronron é o tipo de cara que acha a Yume sexy, né?

— Isso mesmo, mas não fala assim! É constrangedor. Tá, eu sei que fui eu quem disse primeiro… Merda! Agora parece que tô me confessando!

— Ronron tá convertendo pra Yume?

— Não é convertendo! O que eu converteria, afinal?! É confessando! E não, eu não tô! Nem ferrando! E quem disse que você podia me chamar de Ronron? Isso é, tipo, sabe… coisa de gente próxima… c-como um cara e uma garota q-que tão s-saindo juntos? É um jeito de, uh, comunicar os sentimentos…

— Escuta, Yume já foi corrigida disso antes, mas não é conumication. É… cobracuist…?

— Hã? Cobra…?

Crabwist? Era isso?

— O que quer que você esteja tentando dizer, tá errado.

— Yume também tava achando isso.

— …Conversar com você é exaustivo. Que tipo de reino mágico existe ao seu redor? É como se eu tivesse em outra dimensão. Mas tem uma parte de mim que até gosta disso…

— Ohhh, é? Yume tá se divertindo falando com você também, então ela meio que gosta disso, sim.

— Uou, uou, uou. Isso foi uma confissão ao contrário? Sério?! Quero dizer, tô livre agora. Não, quer dizer, eu basicamente sempre tô. Não que eu não seja popular, óbvio. Só vivo me movendo, nunca consegui fazer nada durar…

— Oh!

— O-O quê?! Já quer sair comigo?!

— Mmm, é que a Yume tava fazendo uma coisa. Ela acabou de lembrar. Ontem de manhã, ela tava conversando com o Renji.

— Ah, claro! No fim, é sempre sobre o Renji, né?! Sempre! Pra mulheres, pra homens, pra todo mundo! Renji, Renji, Renji, Renji, Renji! Merd…aaaaa! — Ron bateu a cabeça contra a parede com força. Tão forte que Yume ficou boquiaberta. Quando pensou em pará-lo, ele já tinha parado sozinho.

— …Sabe de uma coisa? Eu entendo. Quero dizer, eu também sou meio apaixonado pelo Renji, no meu jeito, tá? É tipo um crush masculino. Então eu entendo o que você sente, sim. Entendo tão bem que chega a doer…

Ron apoiou a testa na parede, com os punhos cerrados, rangendo os dentes. O som era tão alto que Yume se apressou. Segurou o ombro dele com uma mão e o queixo com a outra.

— Hooop! — puxou-o de volta, forçando-o a encará-la. A testa dele estava vermelha, mas não havia sangue.

— Certo. Parece que você tá bem.

— …P-Pare! — Ron afastou as mãos dela e desviou o rosto. — Eu… vou acabar me apaixonando por você…

— Hm? Cair? onde?

— No coração.

— Nngh. Isso é mesmo possível? Cair assim? Tipo, whoosh, ploft.

NT: Em inglês, ele diz “I’ll fall for you”, que significa “vou me apaixonar por você”, mas “fall” tem o significado literal de “cair”, e a piada é ela interpretar dessa forma.

— … Já tô me apaixonando. Entendeu? O que vai acontecer se eu não conseguir te esquecer…?

— Yume ficaria mais feliz se você lembrasse dela, não se esquecesse.

— É disso que eu tô falando… desse jeito que você é…

Yume não entendeu direito o que ele queria dizer. Inclinou a cabeça, e Ron pigarreou, tentando recompor-se.

— Escuta… Sobre o Renji.

— Sim. Onde você acha que ele tá?

— Será que você poderia deixá-lo em paz por enquanto? — o tom dele mudou completamente.

Yume fixou os olhos nele. Por um instante, pensou que ele fosse chorar. Não estava. Mas havia algo estranho naquela expressão. Os olhos estavam vazios, mas o rosto se contraía como se tentasse sorrir. Rugas pesavam na testa, e ele parecia zangado também.

— Tenho certeza de que você não ouviu. Ele não te contaria. Esse é o tipo de cara que o Renji é.

— Contar…? O quê?

— Você lembra da Sassa?

— Aquela garota, né? Da sua party.

— Você não lembrava nem do meu nome, mas lembra da Sassa…? Bah, tanto faz. A questão é que a Sassa, ela…

— Ela…? O quê…?

Antes que Ron pudesse dizer as palavras, Yume já pressentia o que havia acontecido.

Era exatamente o que ela esperava.


Tradução: ParupiroHPara estas e outras obras, visite o Cantinho do ParupiroH – Clicando Aqui


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