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Hai to Gensou no Grimgar – AP 2: Capítulo 27 – Volume 14++

 

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[Capítulo 04: Retrato de um Herói]


O Bachrose-go era um navio pertencente à Companhia Pirata K&K.

Mais que isso: era o navio do Arquiduque Deres Pain.

Naturalmente, Yume não tinha a menor ideia do que era um arquiduque, ou de quem seria esse tal Deres Pain. Nunca tinha visto um, nunca tinha ouvido falar de um, e—obviamente—nunca tinha comido um também. Diziam que era uma pessoa, então provavelmente não servia como alimento. Mas, mesmo sendo uma “pessoa” em algum sentido amplo, Deres Pain não era exatamente humano.

Havia uma cidade chamada Igor. Não ficava no Continente Vermelho, nem no Arquipélago de Coral, mas sim ao norte de Grimgar, na costa. Era uma cidade portuária de grande porte, da mesma categoria que a Cidade Livre de Vele, e que um dia prosperara como o portal marítimo do Reino de Ishmal.

Contudo, o Reino de Ishmal não existia mais. Ele havia caído. Ou melhor, fora destruído. As terras que antes compunham o domínio de Ishmal eram agora, em sua maioria, controladas pelos mortos-vivos.

A cidade portuária de Igor não estava tomada de mortos-vivos em cada esquina, mas grande parte de sua população era formada por raças ligadas à Aliança dos Reis—como os orcs e os próprios mortos-vivos—todos hostis à raça humana. O homem conhecido como Deres Pain era o senhor de Igor, e autoproclamava-se Arquiduque.

Arquiduque.

Um título que já soa pomposo só de ouvir. E ele não era apenas pomposo: era realmente importante. Quando se dizia que ele era o senhor de Igor, era fácil imaginar que fosse apenas um prefeito. Yume também pensou assim a princípio. Mas, na realidade, ele estava no mesmo nível que o rei de uma nação respeitavelmente grande.

Depois que o No-Life King morreu—apesar de, em teoria, não ter vida alguma para perder—havia quatro ou cinco mortos-vivos de grande influência, e Deres Pain era um deles.

Pois bem, Kisaragi—o famoso Kisaragicchon—havia roubado o navio desse arquiduque e o transformado em seu próprio. Não fazia o menor sentido, mas enfim… o nome era Bachrose-go, então não havia dúvida: era incrível.

O navio era impressionante o bastante para que, quando Kisaragi fundou a Companhia Pirata K&K, o transformasse em sua nave-capitânia. A capitânia era o navio no qual ficava a pessoa mais importante, de onde comandava os demais—o símbolo da K&K em si.

Ainda assim, embora Kisaragi fosse o fundador, ele não era o presidente, nem o diretor, nem coisa parecida. A presidente era Anjolina Kreitzal, pirata de longa data, que também acumulava o posto de capitã da Bachrose-go.

Kisaragi liderava o Bachrose-go, junto de centenas de outros navios pertencentes à K&K, em uma busca por Momohina—com Yume entrando de brinde nessa procura.

Mesmo assim, a companhia tinha suas atividades rotineiras: comércio, abertura de novas rotas, combates e saques. Não podiam simplesmente negligenciar tudo isso. Por causa disso, cada navio procurava por Momohina e Yume apenas em meio a essas tarefas, nas horas que sobravam.

Mas dizer era mais fácil do que fazer. Afinal, Momohina e Yume haviam desaparecido no mar. O mar era cheio de perigos, e perder um navio na busca seria desastroso. Além disso, elas tinham sido arremessadas do Mantis-go para dentro do oceano, no meio de uma tempestade.

Pensando de maneira normal, as chances de terem sobrevivido eram mínimas.

Na verdade… eram praticamente zero.

Não havia sentido em procurar. Então não procurariam. Não havia outra opção.

Se os companheiros de Momohina decidissem isso, seria impossível culpá-los. Para ser honesta, quando ficaram presas naquela ilha remota, Yume já tinha praticamente desistido. A possibilidade de que alguém estivesse procurando por elas parecia incrivelmente improvável.

Bom, claro que não. Quem iria procurar, né?

Mesmo assim, Kisaragicchon e seus camaradas continuaram a busca.

O motivo principal era que o Mantis-go tinha conseguido não afundar, e seu capitão, Ginzy, havia retornado ao Arquipélago Esmeralda com os outros sobreviventes. Não eram só Momohina e Yume que a K&K procurava—havia outros tripulantes que tinham caído no mar, e todos eles estavam sendo buscados.

— Sabendo como você é, eu sempre meio que achei que não tinha morrido. E não fui só eu; todo mundo que te conhece pensava o mesmo. — disse Kisaragi, com o bigode extravagante, quase impossível de acreditar que ficasse embaixo do nariz dele, tremendo levemente enquanto falava. Naturalmente, ele se referia a Momohina.

A propósito, assim que partiram de Indelica, o Bachrose-go navegou direto de volta para o Arquipélago Esmeralda. Só que, a partir daí, Momohina começou a agir de forma estranhamente arredia com Kisaragi. Quando ele chamava por ela, ela soltava um “Miau” ou um “Fwuh”, e saía correndo. Nas poucas vezes em que conversava com ele, desviava o olhar, sem nunca encará-lo de frente.

Da perspectiva de Yume, era impossível não pensar: Você abraçou ele com toda a força, chorou de soluçar… então por que agora tá se escondendo?

Mas talvez fosse justamente por isso que estivesse tão envergonhada, e agora se comportava daquele jeito. Yume conseguia entender esse tipo de sentimento, no fundo.

Enquanto Momohina se ocupava nesse jogo de esconde-esconde com Kisaragi, Yume acabava com muito tempo livre no navio, já que não conseguia convencê-la a treinar tanto quanto gostaria. Ela ajudava a tripulação de vez em quando, mas não colocava o coração naquilo. Na verdade, cada tarefa era tão simples que, quando percebia, já tinha terminado sem nem ter tempo de refletir. Às vezes, a rapidez dela chegava a incomodar os marinheiros, que a olhavam como se fosse um estorvo.

Nos momentos em que se cansava de circular pelo navio sozinha—como agora—Yume costumava se apoiar na amurada, olhando o mar sem pensar em nada em especial. Ou talvez estivesse pensando em algo, mas sem se forçar a afastar os pensamentos que surgiam.

Mesmo quando o tempo não estava ruim, as ondas batiam forte, balançando o navio. Isso não a assustava, nem a deixava enjoada. Ela já tinha se acostumado completamente.

Conversou um pouco com a capitã, Anjolina. Uma mulher séria, madura, temida pela tripulação—mas de um jeito positivo. Yume sentia que, não importava quantos anos vivesse, nunca conseguiria ser como ela. E não era difícil entender porque Anjolina, e não Kisaragi, era a presidente da K&K e capitã do Bachrose-go. Ainda assim, por mais que o título fosse dela, a sensação era de que quem realmente dava rumo à K&K era Kisaragi.

Ele era líder, mas não era líder. Difuso, meio desleixado até. Porém, todos ali pareciam aceitar esse estranho formato de liderança.

Afinal, não existia um único molde de líder. Assim como havia inúmeros tipos de pessoas, também existiam inúmeros tipos de liderança.

— …Isso também vale pro líder de Yume e da party… — murmurou Yume, abaixando a cabeça.

Na ilha, tinha pensado nos companheiros o tempo todo. Chorou, gritou, desabafou sem se segurar. Era para ter sido só meio ano. Em seis meses, ela voltaria a Altana. Foi o que prometeu, pedindo aos amigos que esperassem por ela lá. Mas quebrou sua palavra. Não tinha sido meio ano—já se passavam mais de dois anos. Logo, seriam três.

Com certeza, eles já deviam ter cansado de esperar. Não, talvez já tivessem desistido. Não era que Yume não confiasse nos companheiros… mas, depois de tanto tempo, era natural que pensassem que algo lhe havia acontecido.

Na verdade, Yume até desejava que não estivessem mais esperando. Que pudessem esquecê-la.

Isso a deixava triste. Muito triste. Mas, se a dor ficasse só com ela, estava bem. Yume aguentaria.

Quando pensava nos companheiros, a dor era tão grande que Yume mal conseguia respirar.

O que exatamente doía, de que jeito, e por quê… ela não queria pensar nisso. Nem podia. Só sabia que doía. Doía mais do que conseguia aguentar.

Foi então que percebeu alguém se aproximando. O som do vento e das ondas dificultava distinguir os passos, mas aquela pessoa vinha batendo alguma coisa contra a amurada do navio.

Yume ergueu o olhar.

Era Kisaragi. A coisa dura era a mão esquerda dele. Kisaragi tinha perdido a mão esquerda e a substituído por uma prótese. O tapa-olho que cobria o olho direito não era enfeite, tampouco. Esses detalhes lhe davam uma estranheza meio pirata. E o bigode, com sua presença espalhafatosa, fazia questão de marcar território. Só que, como a barba do restante do rosto era rala, e a pele dele era lisa, o bigode parecia totalmente deslocado. Quase falso.

— Ei.

Kisaragi levantou a prótese. Talvez fosse um modelo especial. Apesar da aparência rígida, movia-se de forma surpreendentemente fluida, quase como uma mão de verdade.

Quando Yume imitou o sorriso dele e acenou de volta, Kisaragi estreitou os olhos de repente, e o bigode torceu levemente.

— Ah…!

— Hm?

— Esse bigode… não seria…?

— Ah. Isso?

Kisaragi puxou o bigode com a mão direita.

Ele saiu na hora.

— É falso.

— …Sabia? Yume tava pensando… a Momo-san também usava um bigode falso, sabia?

— Ela usava?

— Uhum. Quando a gente se conheceu. Aposto que tava imitando você, Kisaragicchon.

— Você também vai me chamar assim? Bem… tanto faz.

— Você diz “tanto faz” o tempo todo, né? Kisaragicchon.

— Não, não digo. Só sei diferenciar o que me importa do que não me importa.

— Hrrm. Então, por que você usa um bigode falso, Gicchon?

— Agora encurtou o apelido? Tanto faz. Quando fui pro Continente Vermelho, achavam que eu era um garoto. Mas, com barba, eu parecia adulto. Me livrou de um monte de encrenca.

— Então é tipo… mulher com peito, né?

— Existem mulheres adultas que são lisas também, sabia?

— Ah, é? É mesmo, né? Yume não tem muito. Nem a Momo-san. Mas, olha… a capitã Anjolina-san é toda “balanço-balanço”.

— Você quer continuar falando de peitos?

— Hm, não exatamente. Mas peito grande é gostoso de apertar, né. Falando nisso… a Shihoru também tem.

Yume levou as duas mãos ao próprio peito. Ficou sem palavras.

Não precisava nem dizer: seu corpo estava muito longe de se comparar ao de Shihoru. Quase não havia volume ali. Não eram macios, nem cheios. O desejo cresceu dentro dela como uma dor aguda. Yume adorava os seios de Shihoru. Suas coxas e barriga também eram lindas, mas… os seios de Shihoru eram especiais. Ela queria tocá-los. Queria mergulhar o rosto neles, se afogar naquela maciez.

Será que um dia conseguiria?

— Shihoru…? Essa era uma das suas companheiras, não era?

Kisaragi perguntou, e Yume apenas assentiu. Mexer a cabeça para cima e para baixo era tudo o que conseguia. Se tentasse falar, as palavras sairiam tortas.

— Ouvi algumas coisas sobre vocês. Um de vocês acalmou os dragões do Arquipélago Esmeralda enquanto eu estava fora, certo? O herói de Roronea. O Montador de Dragões. Haruhiro, não era?

É…

O Haru-kun não parece muito com um líder, mas é um líder de verdade. Ele pensa na Yume, e em todo mundo. Muito mais do que pensa em si mesmo. Isso é maravilhoso. Ele é o melhor líder para a Yume, e para todos.

As bochechas de Yume se inflaram, provavelmente estavam coradas. Queria contar tudo isso em voz alta, direitinho, mas não conseguia dizer nada. O máximo que podia fazer era continuar assentindo.

— Não se preocupa.

Kisaragi pousou a mão—a de verdade, não a prótese—sobre a cabeça dela. Não era uma mão grande, mas parecia envolver Yume de forma acolhedora.

— Você é aprendiz da Momohina, certo? Então faz parte da família. Primeiro de tudo, vou te levar de volta a Grimgar. E se precisar de qualquer coisa, é só falar. Existem coisas que não posso fazer, mas não são muitas. Pode contar comigo.

É…

…Sim.

Mas… será que estava certo balançar a cabeça assim, tão facilmente? Se fizesse isso, estaria aceitando depender de Kisaragi, confiar nele. Mesmo assim, sem perceber, seu corpo queria assentir.

— …Gicchon.

— Hm?

— Yume, ela…

Estava prestes a chorar, e foi exatamente por isso que não conseguiu dizer mais nada.

Yume ainda sentia como se fosse desabar em lágrimas a qualquer instante. Seu coração estava cheio até transbordar, mas as lágrimas não vinham. E, de repente, começou a pensar: talvez não tivesse necessidade de chorar.

Era graças a Kisaragi.

— …Gicchon. Você é meio legal, né?

— É, eu ouço isso de vez em quando.

Kisaragi respondeu com simplicidade, recolhendo a mão que estava sobre a cabeça dela.

— Afinal, eu sou o grande herói, único e inigualável.


Tradução: ParupiroHPara estas e outras obras, visite o Cantinho do ParupiroH – Clicando Aqui


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