Hai to Gensou no Grimgar – AP 1: Capítulo 28 – Volume 14+

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Hai to Gensou no GrimgarGrimgar of Fantasy and Ash

Light Novel Online – ApĂȘndice 01:
[CapĂ­tulo 28: Eu Mesmo]


Leaya trouxe a Ranta sua katana confiscada e sua mĂĄscara. A bagagem de Wezel e suas outras coisas eram pesadas demais para ela carregar do depĂłsito, ela disse.

Ranta colocou a mĂĄscara e pendurou a katana diagonalmente nas costas. EntĂŁo, com Leaya liderando o caminho, ele saiu.

Como ele meio que suspeitava, a prisĂŁo havia sido esculpida em uma ĂĄrvore gigantesca e construĂ­da dentro dela.

— Isso Ă© Arnotu, hein? — murmurou Ranta. — Que cidade…

Para descrevĂȘ-la de forma simples, era uma cidade nas copas das ĂĄrvores. Havia ĂĄrvores gigantes com um diĂąmetro de mais de dez metros crescendo aqui e ali, e plataformas foram construĂ­das com troncos em seus galhos, com tĂĄbuas para criar pisos, e casas e outras coisas construĂ­das em cima. Parecia que havia edifĂ­cios maiores que usavam os troncos das ĂĄrvores como pilares de suporte, tambĂ©m.

Havia o que pareciam ser elevadores instalados aqui e ali. NĂŁo, eles nĂŁo apenas pareciam elevadores; eram elevadores. Eles subiam e desciam entre Arnotu e a superfĂ­cie.

Havia pontes de uma ĂĄrvore gigante para a prĂłxima, permitindo a passagem de uma para outra.

A maioria das pontes nĂŁo era reta. Havia alguma razĂŁo de engenharia para isso? Ou era por preocupação com a aparĂȘncia? Elas formavam arcos incrivelmente belos.

Havia cestas cheias de cogumelos luminosos penduradas nas construçÔes e pontes, e elas balançavam ao vento. Parecia que cada cesta tinha um sino preso. Quando a cesta balançava, havia um toque claro. O som dos sinos se sobrepunha e ecoava. Era como mĂșsica.

Havia muitas flores coloridas usadas em uma variedade de decoraçÔes, também. Elas eram perfumadas se ele aproximasse o nariz, mas o cheiro mais intenso nesta cidade agora era o cheiro de algo queimando.

Havia uma fumaça leve por toda a cidade nas copas das ĂĄrvores. Havia um incĂȘndio em algum lugar? Ele nĂŁo conseguia ver as chamas.

A fumaça provavelmente estava vindo de fora de Arnotu.

— Eles estĂŁo atacando com fogo, huh? — murmurou Ranta. — Eles planejam queimar toda a Floresta das Sombras atĂ© o chĂŁo?

Elfos armados corriam apressadamente pelas pontes. Dez ou mais elfos estavam descendo em um elevador até o chão. Arnotu estava se preparando para a batalha. Não, havia sinais de que a batalha jå havia começado.

Leaya e Ranta eventualmente chegaram a um canto deserto. A ponte ali era velha, e a ĂĄrvore gigante para a qual cruzaram tinha rachaduras. As tĂĄbuas que formavam o piso estavam inclinadas, ou em alguns lugares apodrecidas, e rangiam nĂŁo importava onde ele pisasse. Parecia que poderia desabar a qualquer momento.

Era uma årea perigosa que deveria estar interditada, mas a mãe de Leaya, a xamã Alorya, estava esperando por eles. Wezel também estava.

— Hmph — bufou Ranta quando os alcançou. — Foi legal da sua parte me usar como isca, Wezel.

— NĂŁo vou dar desculpas — o elfo cinzento deu de ombros. — Desde o inĂ­cio… eu pretendia te usar. Se nĂŁo tivesse feito isso, duvido que poderia ter entrado em Arnotu.

— Bem, tanto faz — disse Ranta. — Estou fora da prisão agora.

Sem perceber, deu um tapinha na cabeça de Leaya de novo.

Sua mĂŁo foi afastada imediatamente.

— Não me toque.

— Ops. Uh, desculpe-me. VocĂȘ Ă© simplesmente fofa demais.

— Eu nĂŁo sou fofa — retrucou Leaya. — Sou do contra e antissociĂĄvel. Todo mundo me odeia, e eu sei disso. Tudo porque meu pai nĂŁo Ă© um elfo da floresta.

Wezel baixou os olhos. NĂŁo era do seu feitio, mas parecia abatido.

Alorya, que estava perto de Wezel, abaixava a cabeça, talvez incapaz de olhar para a filha.

— Quando vocĂȘs dois se separaram, ela estava grĂĄvida de Leaya? — supĂŽs Ranta.

— …Sim — disse Wezel com uma voz que parecia um gemido. — Eu… nĂŁo sabia. Que Alorya… estava com uma criança.

— Se vocĂȘ soubesse, as coisas teriam sido diferentes?

— NĂŁo sei. NĂŁo sou um homem feito para ser pai. Sou um assassino… atĂ© o Ăąmago. Desde que me lembro, tenho usado drogas.

— Esse seu trabalho, onde vocĂȘ sacrifica pessoas que jĂĄ estĂŁo morrendo, Ă© uma coisa de famĂ­lia? — perguntou Ranta.

— VocĂȘ… poderia chamar assim. É uma escola de xamanismo que foi passada na minha famĂ­lia. Meu irmĂŁo mais novo, Weldrund, recusou-se a herdĂĄ-la e fugiu. Eu deixei o Vale Quebrado depois disso, entĂŁo nĂŁo posso falar mal do meu irmĂŁo por isso.

— Wel… — Ranta inclinou a cabeça para o lado. — Sinto que… jĂĄ ouvi esse nome em algum lugar… Weldrund? Ah, sim, esse era o nome do xamĂŁ que estava na Forgan, nĂŁo era?

— Forgan. — Os olhos de Wezel se arregalaram. — Meu irmĂŁo… Na Forgan?

— VocĂȘ conhece Forgan? — perguntou Ranta.

— A Tropa da Águia Negra, Forgan… liderada pelo grande Jumbo. JĂĄ ouvi falar deles, sim. Eles estĂŁo no centro da força aliada que atualmente ataca a Floresta das Sombras.

— QuĂȘ… — Por um instante, a mente de Ranta ficou em branco. — NĂŁo.

Essa palavra escapou de seus lĂĄbios, e entĂŁo ele caiu na gargalhada.

— …NĂŁo, nĂŁo, nĂŁo. De jeito nenhum. NĂŁo pode estar certo. Quer dizer, Ă© a Forgan. VocĂȘ pode nĂŁo saber disso, mas o velho Takasagi estĂĄ na Forgan. HĂĄ humanos no grupo. Nascimento, raça, eles nĂŁo se importam com isso. SĂŁo um grupo de espĂ­rito livre que se reuniu em torno de Jumbo. Esse Ă© o tipo de grupo que eles sĂŁo.

— VocĂȘ fala quase… como se os conhecesse diretamente.

— Eu nĂŁo os conheço. — Ranta deliberadamente reforçou seu tom. — Eu nĂŁo os conheço… mas por que Forgan faria isso? NĂŁo faz sentido.

— Eu tambĂ©m nĂŁo sei os detalhes — disse Wezel. — Mas os rumores dizem… que o rei orc Dif Gorgun fez refĂ©ns e forçou a Forgan a servi-lo.

— Jumbo supostamente Ă© um ĂłrfĂŁo — disse Ranta lentamente. — Mas acho que a Forgan tem muitos orcs.

— É assim que esse rei opera. Eu tambĂ©m… fui uma ferramenta do rei.

— Sim, e daĂ­? — Leaya encarou Wezel. Seus ombros finos estavam tensos, e suas pequenas mĂŁos estavam fortemente cerradas. — O rei orc te manipulou, te fez matar pessoas. VocĂȘ Ă© um homem mau. Um vilĂŁo horrĂ­vel. Minha mĂŁe Ă© uma completa idiota que cometeu o erro de se apaixonar por vocĂȘ enquanto viajava. Teria sido melhor para ela se nunca tivesse te conhecido, mas o azar foi o momento. Pior ainda, vocĂȘ Ă© sem coração, irresponsĂĄvel e egoĂ­sta, entĂŁo a abandonou. Graças a isso, minha mĂŁe teve que se arrastar de volta para Arnotu porque estava grĂĄvida. Para me dar Ă  luz. Ela devia saber que estava grĂĄvida, mas nĂŁo te contou. Porque Ă© raro encontrar alguĂ©m tĂŁo incrivelmente horrĂ­vel quanto vocĂȘ. Porque minha mĂŁe Ă© uma tola sem esperança. Ela nasceu como a filha mais velha da Casa de Landurowal dos Seis Feitiços, mas era covarde e fugiu, incapaz de suportar a pressĂŁo. Apesar disso, ela voltou para Arnotu e me deu Ă  luz sozinha, enquanto todos a olhavam com desdĂ©m. Com uma mĂŁe assim, e com o sangue de um elfo cinzento, eu sou sempre, sempre, sempre intimidada. NĂŁo tenho amigos. Nenhum adulto me protege. NinguĂ©m ajuda. Eu tenho a pior, a mais terrĂ­vel vida de todas. Foi assim atĂ© agora, e serĂĄ assim daqui pra frente! Nada de bom acontece! Eu…!

— Apenas vĂĄ. — Ranta quase deu um tapinha na cabeça de Leaya novamente, mas se conteve e agarrou seu ombro em vez disso. — Leaya. VocĂȘ tem uma mĂŁe. Talvez ele seja um vagabundo, mas vocĂȘ tambĂ©m tem um pai. VocĂȘs trĂȘs deveriam ir juntos. Por enquanto, Ă©, vocĂȘs deveriam fugir para algum lugar seguro, e entĂŁo podem viver lĂĄ, ou podem partir em uma jornada quando as coisas se acalmarem. VocĂȘ terĂĄ muitos amigos no futuro. Quero dizer, sĂ©rio, vocĂȘ Ă© adorĂĄvel. VocĂȘ tambĂ©m encontrarĂĄ um amor, eventualmente. Essa cidade tĂĄ cheia de nada alĂ©m de idiotas que te intimidam, nĂŁo Ă©? Bem, entĂŁo nĂŁo tem uma Ășnica boa razĂŁo para vocĂȘ se agarrar a esse lugar. VocĂȘ tĂĄ viva, e Ă© livre. Agora, pare de se lamentar. VĂĄ, vĂĄ!

Ranta empurrou Leaya em direção ao elevador.

— Wezel! E, uh, era Alorya? VocĂȘ tambĂ©m!

Os quatro entraram no elevador juntos. Era um modelo antigo, nĂŁo como os que estavam em uso agora, e a corrente para subi-lo e descĂȘ-lo estava vermelha de ferrugem.

SerĂĄ que essa coisa vai funcionar direito? Ranta estava preocupado, mas quando puxou a corrente, ela se moveu. Ele trabalhou com Wezel para baixar o elevador.

A fumaça no chão era mais leve do que em Arnotu. Quando olhou para cima, não conseguia ver o céu, mas podia distinguir a luz brilhando através dos galhos. Era dia.

O elevador tinha vårias cestas de cogumelos luminosos, e havia torres em todas as direçÔes, também. Não era claro, mas também não era tão escuro. Ele não conseguia ouvir suas vozes ou os sons da batalha, mas podia ver figuras élficas ao longe. Quase todos os elevadores estavam se movendo, e elfos desciam um após o outro.

— Wezel, alguma ideia de para onde vocĂȘs vĂŁo? — perguntou Ranta.

— …Alguma.

— Tá bem, então.

— E vocĂȘ, o que vai fazer?

— Eu vou… — Ranta começou a dizer, entĂŁo levantou levemente a mĂŁo esquerda.

Ele segurou o cabo de sua katana com a direita.

Leaya tentou dizer algo, mas quando Ranta levou o dedo indicador da mĂŁo esquerda Ă  boca de sua mĂĄscara, Leaya fechou a boca. Alorya segurou sua filha perto.

Onde está? ele se perguntou. Essa presença—provavelmente são olhos.

Estamos sendo observados.

De onde?

A ĂĄrea diretamente abaixo de Arnotu devia estar sendo mantida pelos elfos ou algo assim, porque nĂŁo havia o menor pedaço de folhagem, entĂŁo seria difĂ­cil esconder algo do tamanho de um cachorro. Nesse caso…

Quantas dessas ĂĄrvores gigantes havia sustentando a cidade nas copas de Arnotu? Mais de dez ou vinte. Fazendo uma estimativa grosseira, talvez cem.

A ĂĄrvore gigante mais prĂłxima daquela de onde Ranta e os outros haviam descido, no velho elevador, estava facilmente a mais de vinte metros de distĂąncia. Aquela ĂĄrvore gigante nĂŁo tinha elevador.

Ranta de repente saltou com Leap Out. Ele se aproximou da ĂĄrvore gigante que era seu alvo em um piscar de olhos, e eles surgiram.

Eles saĂ­ram da sombra da ĂĄrvore gigante.

O cara estava vestido de preto. Ele usava algo que parecia uma balaclava, então Ranta não conseguia ver seu rosto. A julgar por sua constituição, no entanto, não era um orc.

Humano ou morto-vivo, então? Seus braços eram estranhamente longos, então tinha que ser um morto-vivo. Havia espadas curtas em ambas as suas mãos.

— Habilidade Pessoal… — Ranta sacou sua katana.

Ele parou de repente bem na frente do nariz do morto-vivo—ou pelo menos fez parecer que parou. Isso deveria criar uma ilusĂŁo de que ele estava se movendo para a esquerda. Os olhos do morto-vivo, de fato, o seguiram naquela direção. No entanto, nĂŁo havia ninguĂ©m lĂĄ.

O morto-vivo adivinhou que Ranta havia ido para o outro lado e olhou para a direita, mas ele também não estava lå, nem na frente dele. Ranta não estava em lugar nenhum.

Ele havia desaparecido? O morto-vivo ficou confuso. NĂŁo havia como ele ter desaparecido.

Isso mesmo. Ele nĂŁo tinha.

— Corte Miragem! — Ranta estava bem na frente do morto-vivo. No entanto, se o morto-vivo nĂŁo olhasse para baixo, nĂŁo poderia vĂȘ-lo.

De uma posição tão baixa que seu joelho esquerdo tocava o chão, Ranta balançou sua katana para cima diagonalmente com toda a sua força.

Foi perfeito. Ele estava na distĂąncia de matar, e seu timing era excelente, mas o morto-vivo cruzou suas espadas curtas e bloqueou a katana de Ranta com um clangor.

Esse morto-vivo nĂŁo era um oponente qualquer.

Ótimo. Tanto faz para mim. Agora vocĂȘ me deixou empolgado. Ranta imediatamente puxou sua katana para trĂĄs.

— Habilidade Pessoal, Rantah…!

Ele na verdade queria dizer FĂșria AleatĂłria, mas tropeçou na lĂ­ngua. Bem, o nome nĂŁo importava.

Ele golpeou, e golpeou, e golpeou. De cima, da direita, de cima à direita, de cima à esquerda, de cima novamente, direita, direita, esquerda, direita, cima, direita, esquerda, esquerda, ele balançou sua katana.

O morto-vivo conseguia se defender de um combo tĂŁo longo assim? Com aquelas espadas curtas? Ele nĂŁo parecia grande coisa. NĂŁo causava muita impressĂŁo. Se muito, parecia um bucha de canhĂŁo, mas esse morto-vivo era seriamente forte.

Claro, Ranta estava no ataque. Se não estivesse, estaria em apuros. Ele tinha que continuar atacando, ou sentia que a situação se inverteria em um instante. Nesse caso, ele só tinha que atacar, atacar, atacar.

— Habilidade Pessoal, Chuva Horizontal!

Ranta mudou para estocadas. Ele estocava loucamente, como se estivesse tentando criar uma linha de lanças sozinho. Não era exagero chamar isso de um ataque furioso.

Mas o morto-vivo desviava tudo facilmente com suas espadas curtas, fazendo as estocadas saírem do curso. Ele estava neutralizando os ataques de Ranta com o mínimo de esforço.

Ele era algum tipo de mestre? Sempre havia caras assim por aĂ­.

Ainda assim, Ranta não estava atacando sem propósito. Ele tinha um plano. Ele faria seu oponente se acostumar com estocadas, então mudaria. Isso era uma preparação. Ele estocava, e estocava, e estocava, e—

— QuĂȘ…?!

De repente, o morto-vivo saltou para trĂĄs, direto para a ĂĄrvore gigante.

O quĂȘ? Por quĂȘ? O que aconteceu? Ainda sem entender, Ranta tentou se aproximar do morto-vivo. Ele sentia que estava sendo atraĂ­do, mas seu corpo se movia sozinho. NĂŁo deveria.

O morto-vivo chutou o chão, enviando uma mistura de musgo e terra voando em sua direção.

— Hã?! — Ranta quase fechou os olhos sem querer, mas resistiu. A terra só o distraiu por um breve instante.

Nesse tempo, o morto-vivo se escondeu.

— O que Ă© ele, um ninja?! — Ranta instintivamente olhou para cima.

Bingo. O morto-vivo havia cravado sua espada na ĂĄrvore gigante e estava se agarrando a ela.

— …Heh. Hah! Eu sou um niiiinja! — O morto-vivo fincava suas duas espadas na ĂĄrvore gigante, uma apĂłs a outra, subindo cada vez mais.

— Whoa, whoa… SĂ©rio? — disse Ranta. — Nem eu vou conseguir correr atrĂĄs disso. Espera, intrusos…

Aquele morto-vivo nĂŁo era necessariamente o primeiro a chegar. O inimigo jĂĄ havia entrado em Arnotu. Ele tinha que presumir isso.

— Wezel! — gritou Ranta.

Se fosse esse o caso, era melhor saĂ­rem da Floresta das Sombras o mais rĂĄpido possĂ­vel. Wezel e os outros estavam parados na frente do elevador antigo.

Ranta ia gritar “Vão!” para eles, mas o uivo alto atrapalhou.

NĂŁo eram de cĂŁes. Ele imediatamente soube que eram uivos de lobos.

Wezel abraçou Alorya e Leaya. Se estivesse sozinho, ele teria fugido muito antes de Ranta dizer para ele. Ele jå havia cruzado muitas pontes perigosas antes, e ainda estava vivo porque sabia como se safar de uma crise. Mas agora ele tinha duas pessoas precisando de proteção com ele. Uma delas era apenas uma criança, e sua filha, ainda por cima.

— Que situação constrangedora pra vocĂȘ, elfo cinzento — provocou Ranta. — VocĂȘ Ă© tĂŁo patĂ©tico que chega a ser incrĂ­vel. Eu nĂŁo me importo com caras como vocĂȘ.

Ranta voou até o lado de Wezel e sua família.

— Ó Escuridão, Ó Senhor do Vício! Demon Call!

Quando ele chamou o demĂŽnio Zodie, os olhos de Leaya se arregalaram como se ela tivesse acabado de encontrar o prĂłprio ceifador. — O que Ă© isso?!

— Ehe… Apenas um cara gostoso… passando por aqui… Ehehehehe… — disse Zodie.

— Para com essas bobagens idiotas — bufou Ranta. — Vamos lutar, Zodie.

Os lobos ainda estavam a uma certa distĂąncia, entĂŁo pareciam uma horda de ratos pretos, mas eram inquestionavelmente lobos negros.

Sim, havia lobos negros avançando da floresta.

— Não há lobos negros em Arnotu — sussurrou Alorya para si mesma, atordoada.

Era difícil imaginar que lobos negros teriam vagado até a Floresta das Sombras, que não era seu território, por vontade própria. Era praticamente impossível. Alguém havia trazido os lobos negros até aqui de propósito.

Ranta conhecia apenas um homem capaz de realizar tal façanha.

— Onsa, hein? — murmurou ele. Era o goblin mestre das feras da Forgan.

NĂŁo eram apenas lobos negros. Ranta podia ver figuras humanoides do outro lado.

— Todos estão aqui? — Ranta ajustou sua pegada na katana. Sua mão tremia levemente.

— Ehe… — Zodie riu. — EstĂĄ com medo, Ranta? Seu franguinho insignificante… Ehehehehe…

— Cai fora. VocĂȘ acha que alguĂ©m tĂŁo incrĂ­vel quanto eu estĂĄ com medo?

Ele podia ver o piscar de tochas ou alguma outra chama Ă  distĂąncia. Havia um nĂșmero considerĂĄvel delas.

Os lobos negros não estavam atacando—apenas latiam e tentavam intimidar enquanto os cercavam.

Seguindo atrås dos lobos negros, era um orc? A julgar por sua constituição, poderia ser um humano.

Ranta apontou para trás, diagonalmente à esquerda. — Por ali! Ainda não há inimigos. Quando eu der o sinal, vão.

— Ranta… — começou Wezel.

— Proteja sua família, Wezel.

É isso aí, Ranta sorriu. Acertei em cheio.

Enquanto ele se regozijava secretamente, de repente Leaya o agarrou, e Ranta quase deixou escapar um gemido de surpresa.

HĂŁ? O quĂȘ? O que foi isso? NĂŁo, nĂŁo, sem pĂąnico. Como homem adulto, preciso mostrar minha compostura aqui.

— O que foi? — perguntou ele.

— Eu sou…

Leaya pressionou o rosto contra o peito de Ranta, abraçando-o fortemente pela cintura, e apertou com força.

Na verdade, doeu bastante, mas Ranta era homem, entĂŁo engoliu a dor e fingiu que estava tudo bem.

Eventualmente, Leaya olhou para cima. Seus olhos estavam Ășmidos. Suas bochechas, vermelhas.

— …realmente fofa? — terminou ela.

— Sim. — Ranta deu a ela um sorriso legal.

Ele odiava admitir, mas ela fez seu coração bater mais råpido. Seu rosto pode ter ficado um pouco bobo como resultado. Ainda bem que ele estava com a måscara. Ela era apenas uma criança, afinal. Ele era adulto, e homem.

— VocĂȘ Ă© muito, muito, muito fofa — disse Ranta a ela.

— Escolho acreditar em vocĂȘ.

— AtĂ© mais, Leaya.

— Acho que nunca nos encontraremos novamente — disse ela.

— Acho que vocĂȘ tĂĄ certa, nĂ©?

— Provavelmente.

Leaya empurrou Ranta enquanto se separavam.

Os lobos negros estavam uivando alto.

— VocĂȘs sĂŁo muito barulhentos. Calem a boca! — Era o som de uma voz humana — um homem gritando, ecoando.

Ranta conhecia aquela voz.

O homem avançando entre os lobos negros tinha apenas um olho e um braço.

Era o velho Takasagi.

Ele envelheceu, pensou Ranta. Mas estĂĄ parecendo melhor do que eu esperava.

Ranta colocou a mão no cabo de sua katana. — Agora.

Quando ele deu o sinal em voz baixa, Wezel saiu correndo, levando Alorya e Leaya com ele.

Takasagi foi atrĂĄs deles, mas isso nĂŁo ia acontecer.

— Zodie, mate todos eles! — gritou Ranta.

Esses nĂŁo eram inimigos que ele poderia enfrentar se nĂŁo estivesse preparado para fazer isso.

Ranta pulou com Leap Out. O olho direito de Takasagi se arregalou. Talvez ele tenha percebido. Quando viu essa katana, ele deveria ter.

VocĂȘ me deu ela, afinal, pensou Ranta.

— Seu bastardo…! — ele gritou.

Takasagi sacou sua katana. Maldito velho. Ele estava sorrindo. Agora que se encontraram, era hora de acertar as contas, era isso?

Ranta sacou e balançou. Quando suas duas katanas colidiram, houve um clangor agudo, e faíscas voaram.

Takasagi pressionou com sua katana. As guardas se travaram.

Takasagi era velho e experiente. Era óbvio que deveria recuar imediatamente, mas não conseguiu evitar a vontade de testar sua força.

Sob a mĂĄscara, Ranta sorriu.

Estou sendo fiel ao meu próprio coração?

Claro.Até o dia em que Skullhell me levar, nunca o trairei.


Tradução: ParupiroHPara estas e outras obras, visite o Cantinho do ParupiroH – Clicando Aqui


Tradução feita por fãs.
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