Hai to Gensou no Grimgar – AP 1: Capítulo 25 – Volume 14+

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Hai to Gensou no GrimgarGrimgar of Fantasy and Ash

Light Novel Online – ApĂȘndice 01:
[CapĂ­tulo 25: Chuva]


Chuva torrencial, era isso que estava acontecendo.

O solo endurecido do caminho pelas montanhas havia se transformado em um lamaçal por causa da chuva forte.

Quando olhou para os quatro orcs caídos naquele lamaçal, ele nunca teria pensado que poderia facilmente ter sido ele.

— Hahh… Hahh… Hahh…! Hahh…!

Com os ombros subindo a cada respiração, segurando sua katana ensanguentada, Ranta olhou em todas as direçÔes. Nada estava se movendo.

Ou pelo menos eu acho que nĂŁo. NĂŁo que eu pudesse dizer com essa chuva. NĂŁo, nĂŁo tem nada. Eu eliminei nossos perseguidores. Por enquanto, pelo menos.

— Wezel! VocĂȘ tĂĄ bem?! — ele gritou.

— …Sim.

A voz que ele ouviu através da chuva soava terrivelmente rouca.

Olhando para o lado, Ranta viu que Wezel estava com um joelho no chão, segurando o braço esquerdo com a mão direita.

Sim, eu sabia. Sangue. Ele tĂĄ sangrando muito. É bastante sangue. Dito isso, Ă© apenas um corte profundo no braço esquerdo. Ele nĂŁo vai morrer disso.

— Droga! — Ranta sentou-se na barriga de um orc morto. — Os quatro eram todos habilidosos. Por que estavam brincando com a gente assim? NĂŁo… Eles nĂŁo estavam brincando. Esses caras estavam levando isso bem a sĂ©rio. Ainda assim, foi fĂĄcil. Porque, ei, eu sou simplesmente incrĂ­vel. Mas se eu nĂŁo fosse eu, esses caras teriam sido um problema. SĂ©rio.

Wezel estava tratando seus ferimentos com seus poderes de xamĂŁ. Ele terminaria em breve.

— Eles realmente estĂŁo atrĂĄs de vocĂȘ, hein, Wezel? — perguntou Ranta.

— Fui solicitado, e sem causar sofrimento, eu os salvei — disse Wezel. — Muitas vezes. Agora… nem me lembro quem pediu.

— Mentiroso — bufou Ranta. — Tenho certeza que vocĂȘ sabe, sĂł tĂĄ fingindo ignorĂąncia. AlguĂ©m importante por aĂ­ ordenou que esses capangas te vigiassem. Havia pessoas no caminho deles… adversĂĄrios polĂ­ticos, talvez? VocĂȘ os eliminou. Estou errado?

— …Quem sabe.

— Aposto que estou certo. VocĂȘ Ă© odiado pelas famĂ­lias das pessoas que matou. Esse cara, o que tĂĄ puxando os fios, ele quer te calar tambĂ©m. Pra esse grupo de perseguidores, bem, eu diria que hĂĄ nove de dez chances de que seja isso.

— VocĂȘ… Ă© um homem falante.

— Eu admito isso — Ranta deu de ombros. — Ficar quieto quando há algo que quero dizer não combina comigo.

Ranta cravou sua katana no chão próximo e levantou sua måscara até a testa. Seu rosto exposto foi encharcado pela chuva. Ele o esfregou com força com ambas as mãos.

— Oh! — Ele se levantou do corpo do orc. — Desculpa, cara. VocĂȘ sĂł estava em um bom lugar. Sem ressentimentos, tĂĄ? VocĂȘ perdeu, eu ganhei. Isso significa que vocĂȘ nĂŁo pode reclamar.

Enquanto ele conversava com um cadĂĄver, Wezel foi para outro lugar. Quando Ranta olhou, o elfo estava caminhando ao longe.

— Eeeei! — gritou Ranta.

Se vocĂȘ vai, diga algo! ele pensou indignado. Na verdade, ele jĂĄ havia dito isso vĂĄrias vezes, mas sempre caĂ­a em ouvidos surdos.

Ranta retornou sua måscara à posição usual, então correu atrås de Wezel.

— Wezel. Wezelred!

— …O quĂȘ? — perguntou o elfo cinzento.

— JĂĄ tĂĄ na hora de vocĂȘ me contar — disse Ranta, alcançando-o. — Para onde vocĂȘ tĂĄ indo, e o que planeja fazer?

— Quando vocĂȘ souber, o que vai fazer?

— Não vou fazer nada. Só quero saber o que está no seu coração. É por isso que estou perguntando.

— Meu coração… — Wezel balançou a cabeça. Por um momento, seus pĂ©s vacilaram apenas um pouco, mas foi sĂł.

O tratamento do silĂȘncio, huh?

Wezel continuou caminhando. Ele estava descendo a montanha.

A chuva intensa não diminuía. A chuva realmente podia cair assim? Estava bem, caindo tanto? Se caísse demais, não esgotaria toda a umidade do céu? O que fariam se o céu ficasse todo seco?

— Esse Ă© o ponto em que começo a pensar em besteiras idiotas? — murmurou Ranta.

Ele estava no seu limite.

Ao lado do caminho, que havia se transformado em tal lamaçal que mal restava algum traço dele, havia a entrada de uma caverna.

— Wezel! — Ranta agarrou o elfo pelo braço, entĂŁo o puxou em direção Ă  caverna. — A chuva tĂĄ horrĂ­vel. TambĂ©m nĂŁo vai diminuir tĂŁo cedo. Vamos nos abrigar aqui. Wezel sentou-se em silĂȘncio. Vendo a forma como ele se sentou sem resistir, esse cara tambĂ©m devia estar exausto.

Claro que ele estava. Como poderia nĂŁo estar?

Ranta tirou seu manto e torceu a ĂĄgua dele. NĂŁo importava o quanto ele espremesse, continuava pingando. EntĂŁo, de repente…

— É a Floresta das Sombras — revelou Wezel.

— …HĂŁ? A Floresta das Sombras… espera, vocĂȘ quer dizer aquele lugar? Onde os elfos vivem…

— A cidade florestal, Arnotu. Nossa terra natal.

— É mesmo? — disse Ranta. — EntĂŁo, vocĂȘs, elfos cinzentos, saĂ­ram de Arnotu na Floresta das Sombras e migraram para o Vale Quebrado?

— Dos elfos, aproximadamente metade deles deixou a floresta — contou Wezel. — Eles se aliaram ao No-Life King.

— EntĂŁo, para os elfos da Floresta das Sombras, um elfo cinzento como vocĂȘ nĂŁo seria um traidor?

— Não foi exatamente uma traição. Aqueles com uma opinião diferente deixaram a vila.

— Mas vocĂȘs lutaram em lados opostos, certo? Dizer que isso Ă© apenas ĂĄgua sob a ponte… bem, geralmente nĂŁo Ă© tĂŁo fĂĄcil. — Ranta estendeu seu manto ainda encharcado e sentou-se sobre ele.

Ele estava se sentindo fraco. Havia levado uma surra da chuva, depois matou quatro orcs endurecidos pela batalha que os perseguiam. Até mesmo o grande Ranta ia se sentir cansado depois de tudo isso.

Era por isso. Nenhum outro motivo. Ele tentou se convencer disso.

— Quer dizer, mesmo que houvesse circunstĂąncias, vocĂȘs lutaram uma vez — continuou Ranta.

— Eu nasci no Vale Quebrado — disse Wezel. — Não fui eu que escolhi deixar a floresta.

— É mesmo? EntĂŁo vocĂȘ nĂŁo Ă© como eu.

Com um “heh”, Ranta removeu sua máscara. Ele sacudiu a cabeça como um cachorro. A forma como as gotas de água voavam por aí era uma boa maneira de ajudá-lo a entrar em um novo estado de espírito.

— E entĂŁo? — disse ele. — VocĂȘ tĂĄ indo para a Floresta das Sombras, e vai fazer o quĂȘ? Tem parentes distantes lĂĄ ou algo assim?

Wezel abaixou a cabeça. — Eu tenho um conhecido.

— Um elfo cinzento como vocĂȘ nĂŁo seria bem-vindo na Floresta das Sombras, certo? VocĂȘ conheceu esse conhecido em outro lugar?

— Bem, sim.

— VocĂȘ conheceu esse conhecido, depois se separaram — resumiu Ranta. — Eles voltaram para a Floresta das Sombras. VocĂȘ estĂĄ fazendo esse esforço todo pra encontrĂĄ-los, entĂŁo suponho que quer mais do que apenas ver o rosto deles, nĂ©?

— Eu devo contar a essa pessoa.

— Contar o quĂȘ?

— O perigo está chegando.

Ranta fez uma pausa. — Para a Floresta das Sombras?

Wezel havia dito que a antiga capital do Reino de Arabakia, Rodekia, agora conhecida como Grozdendahl, era uma fortaleza para as forças da aliança.

Serå que as forças aliadas pretendiam marchar sobre a Floresta das Sombras?

— Os mortos-vivos e os orcs, eles estão prestes a começar outra guerra — conjecturou Ranta. — É disso que se trata?

— Não entenda errado. Os que começaram o fogo foram os humanos.

— Se os caras do Reino de Arabakia, que fugiram para o outro lado das Montanhas Tenryu, nĂŁo tivessem voltado e construĂ­do Altana, teria acabado ali. — Ranta assentiu. — Justo. Se olharmos pela sua perspectiva, Ă© assim que Ă©.

— Humanos… oprimiram e exploraram os orcs e goblins — disse Wezel. — VocĂȘs receberam o que mereciam uma vez. Embora… as raças que construĂ­ram o ImpĂ©rio Imortal, tambĂ©m… nĂŁo conseguiram superar suas discĂłrdias. Mesmo dentro da mesma raça, havia inimizade, conflito. NĂłs, elfos cinzentos, tambĂ©m nĂŁo conseguimos nos tornar um monstro Ășnico. Porque hĂĄ mais de um de nĂłs…

— VocĂȘ tĂĄ estranhamente falante — comentou Ranta.

— VocĂȘ Ă© ignorante. Estou te ensinando.

— Obrigado, Wezelred. A verdade Ă© que hĂĄ muito que nĂŁo sabemos.

Não era só Ranta. A grande maioria dos soldados voluntårios se jogava na batalha sem informaçÔes suficientes. Eles eram levados a acreditar que não poderiam viver sem lutar. Então, logo, se acostumavam a lutar e não conseguiam pensar direito sobre mais nada.

— Esse seu conhecido, aposto que Ă© uma mulher — Ranta sorriu.

Wezel nĂŁo respondeu. Mas era totalmente uma mulher.

— VocĂȘ tem que contar a ela com pressa? — perguntou Ranta.

— Deve ser feito o mais rápido possível.

As coisas estavam começando a fazer sentido.

Wezel quase nunca descansava. Ranta havia se perguntado se ele estava bem sem descanso, entĂŁo nĂŁo precisava. Mas nĂŁo era isso.

Ranta colocou a máscara, envolvendo-se no manto ainda molhado. — Acho que vamos, então.


Tradução: ParupiroHPara estas e outras obras, visite o Cantinho do ParupiroH – Clicando Aqui


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