Hai to Gensou no Grimgar – AP 1: Capítulo 24 – Volume 14+
Hai to Gensou no GrimgarGrimgar of Fantasy and Ash
Light Novel Online – Apêndice 01:
[Capítulo 24: Bom]
A lua vermelha olhava para eles como se estivesse rindo.
Wezel seguiu em direção ao oeste e prosseguiu ainda mais para o oeste.
Ranta o seguia atrás, mantendo um olho atento nos arredores enquanto caminhava.
Era o amanhecer na floresta. Ele mal conseguia ver seus pés. Não que isso o assustasse. Fazer coisas perigosas era, bem, perigoso. Até Ranta, apenas ocasionalmente, tropeçava, ou pisava em algo estranho e pensava, Eca. Assustador era assustador, sabe? Mas ainda assim.
Wezel caminhava sem hesitação, como se pudesse ver claramente. Isso era estranho, não importava como você olhasse.
— Ei — disse Ranta.
— …O quê?
— Eu tava pensando. Vocês, elfos cinzentos, têm boa visão noturna?
— Tch, tch, tch, tch… — Wezel deu uma boa risada, então parou e fez um sinal para Ranta.
Parecia que ele poderia esfaquear Ranta se ele se aproximasse descuidadamente, mas se o elfo fosse fazer isso, que assim fosse.
Eu o cortaria antes que ele pudesse me esfaquear. Sério, matá-lo seria fácil.
Quando Ranta se aproximou, Wezel abriu ambos os braços para cima, estreitando os olhos e respirando profundamente.
Suas pupilas vermelhas brilhavam de maneira assustadora, como se seus olhos estivessem reluzindo. Era só uma impressão? Não, não importava quantas vezes Ranta verificasse, eles realmente estavam brilhando.
— Ruwintimroti… Ruwingwinbodoichiewiris… — Era uma voz baixa, diferente de quando ele falava, baixa demais.
Ele estava entoando um feitiço?
— Yeruwifi… — continuou Wezel. — Imatebuimugaruwado… Tiwiyesuburidirevad… Igolusingweldinoswun…
De repente, Ranta ouviu outro sussurro, separado do cântico de Wezel.
O que era isso?
Havia muitos sussurros, indo e voltando, não em nenhuma língua específica—mas algo estava estranho.
Ranta tentou tapar os ouvidos.
Eu sabia, refletiu ele. Ele ainda podia ouvi-los. Por que ainda podia ouvi-los?
— Isso é… o que os xamãs fazem? — perguntou Ranta hesitante.
Wezel apontou ambas as mãos para ele.
— Whoa! — Ranta jogou a cabeça para trás involuntariamente.
Ele não sabia o que era. Poderia não ter forma, nem massa, mas algo—era tudo o que ele podia chamar—algo veio em sua direção.
Não apenas veio em sua direção, mas entrou nele.
Fluiu, correndo pelo seu corpo.
— Hah?! — gritou Ranta.
De repente, seus olhos clarearam.
— Está claro…!
Ele sentiu como se o brilho do sol estivesse brilhando diretamente em seus olhos.
Ranta piscou. Nada mudou. Ainda estava claro.
— Isso é… incrível — disse ele, maravilhado.
— É Mooncraft — disse Wezel. — O tipo mais básico.
— Se você tinha esse tipo de magia conveniente, poderia ter usado em mim antes — reclamou Ranta.
— Não é magia.
— É quase a mesma coisa.
— É diferente. Completamente diferente. São semelhantes, mas não são.
Wezel começou a caminhar. Seus olhos deviam estar brilhando por causa de sua técnica de xamã. Se fosse assim, os olhos de Ranta também estavam brilhando agora?
Caminhando pela floresta que parecia tão clara quanto o meio-dia, Ranta percebeu que nem sempre estava claro. Parecia que quando a lua estava atrás das nuvens, ficava escuro.
— Mooncraft, hein — murmurou Ranta. — Entendi agora.
Apesar disso, Wezel tinha pernas fortes. Quando descansavam, ele não se deitava, apenas sentava, e uma vez que começavam a caminhar novamente, ele não descansava por um bom tempo.
Ranta tinha confiança em sua própria resistência, mas estava impressionado com a robustez de Wezel. Ainda assim, não importava o quê, ele não diria, “Ei, tô exausto. Isso é difícil. Vamos descansar.”
— Espera — disse Ranta de repente. — Não estávamos indo para o sul…?
Ele estava cansado de sofrer em silêncio, então apenas murmurou isso para si mesmo, mas Wezel realmente se engajou com ele pela primeira vez.
— Você veio de… onde? — perguntou o elfo cinzento.
— Vale dos Mil.
— Sul de lá… Os Planaltos de Nargia… você os atravessou?
— Não. A segurança lá era extremamente rígida, então eu não ia passar por lá.
— …Aposto que sim.
— Fui pra lá e pra cá, vagando por mais de um ano, passando pelas montanhas e tal. Vi o Deserto Nehi, também. Não pus os pés lá, claro.
— Sábio.
— No final… Vejamos, hoje seria o 1.113º dia, então foram três anos e alguns trocados, huh.
— Sul daqui é… — Wezel olhou para o sul por um instante. — …Lago Gandah. Na margem desse lago está o que já foi a cidade de Arabakia… Rodekia.
— Conheço o nome, mas só isso — disse Ranta. — Não é mais Rodekia, certo?
— Grozdendahl. É uma base importante para as forças da aliança.
— A aliança… Espera, você não quer dizer… a Aliança dos Reis?
— Tch, tch, tch… — Os ombros de Wezel tremeram com uma risada, mas ele não deu nenhuma resposta.
— A Aliança dos Reis acabou, não é? — disse Ranta lentamente. — Então por quê…?
Há muito tempo, o No-Life King havia apoiado reis orcs, goblins, kobolds e elfos cinzentos, incentivando-os a cooperar, e juntos eles formaram a Aliança dos Reis.
A Aliança dos Reis destruiu reinos humanos como Ishmar, Nananka e Arabakia, um após o outro, e então, a pedido insistente do rei orc e outros, o No-Life King tornou-se o imperador, estabelecendo o Império Imortal.
No entanto, quando o No-Life King, que supostamente era imortal, morreu, a situação mudou completamente.
Sem um imperador para sucedê-lo, o Império Imortal se fragmentou. Com a aliança dividida, a raça dos mortos-vivos criada pelo No-Life King agora detinha o poder nas antigas terras de Ishmar, e os orcs estavam nas antigas terras de Nananka. Enquanto isso, os goblins, comparativamente mais fracos, estabeleceram raízes em Damuro, enquanto os kobolds montaram uma base nas Minas Cyrene.
Essa era, pelo menos, a compreensão dos humanos sobre a situação.
Mas já fazia muito tempo desde a partida de Ranta de Altana. A situação poderia ter mudado até agora.
Havia algo nisso que o incomodava, ou melhor, algo que ele lembrava.
Soma havia dito que havia sinais indicando a ressurreição do No Life King, e ele havia estabelecido os Day Breakers para se infiltrar no Undead DC, no antigo domínio do Reino de Ishmar.
NT: No original, o nome é escrito com os kanji 不死の天領, que significam “Território dos Imortais”. Porém, o autor colocou em cima desses kanji um tipo de anotação chamada furigana (nesse caso アンデッドDC), que obriga a leitura do nome como “Undead DC”. Isso é um recurso comum em light novels para dar um “nome estilizado” em inglês, mesmo que o significado literal seja outro. Por isso, optei por manter “Undead DC” na tradução, já que é assim que o autor quer que o leitor leia.
Ranta era, tecnicamente, um membro dos Day Breakers, mas não era particularmente próximo de Soma ou de qualquer outro. Ele não havia recebido informações detalhadas, e não estava claro se havia realmente algum sinal avisando sobre seu retorno ou não. Ainda assim, ele não achava que Soma estava blefando. Soma não parecia o tipo de cara que faria algo tão desonesto.
Então, o homem provavelmente descobriu algo.
E, de fato, a Aliança dos Reis estava em movimento.
— Ei, Wezel — disse Ranta. — O que há em Undead DC?
— Ishidua Rohro. É a casa do Rei Ishi, o rei dos mortos-vivos.
— Ishidua? Parece familiar.
— Se sim… não é surpreendente.
— Ele é famoso ou algo assim? — perguntou Ranta.
— O Rei Ishi… era o príncipe de Arabakia.
— Uh…?
— Ele recebeu o sangue do No-Life King… transformando-o em um morto-vivo. Ele era… um vassalo leal. Os associados mais próximos do No-Life King… eram os Cinco Príncipes. Ele era um deles.
— Espera… — disse Ranta lentamente. — Só um momento. Humanos recebem sangue? E se tornam mortos-vivos?
— Dar seu próprio sangue e criar mortos-vivos… é algo que apenas o No-Life King e os Cinco Príncipes… diziam ser capazes de fazer.
— Então, se o termo é Cinco Príncipes, isso significa que há mais quatro desses caras?
— O Grande Príncipe de Igor, Deres Pain — disse Wezel. — O progenitor do double arm, Gyabigo, o Caçador de Dragões.
— Double arm… Espera!
O morto-vivo em Forgan, o Arnold de quatro braços. Ele também era um double arm.
Se Gyabigo era o progenitor, isso significava que ele foi o primeiro double arm? Esse apelido de Caçador de Dragões provavelmente não era só para exibição, também. Ele provavelmente matou um dragão.
— E os outros dois? — perguntou Ranta lentamente.
— O portador da magia original, Architekra. E Ainrand Leslie. O paradeiro de Leslie é desconhecido.
— Ainrand… Leslie… Ei, esse é o Ainrand Leslie do Acampamento Leslie?
— Do nosso lado, ele também é chamado de Leslie Sequestrador… Leslie, o Sequestrador. Em florestas e ermos, sua casa aparece de repente. Você nunca deve se aproximar. Aqueles que são convidados… nunca retornam.
— Já ouvi histórias assim também — assentiu Ranta. — Então Ainrand Leslie é um grande nome entre os mortos-vivos? Sério…? — Ranta suspirou. — Realmente não sabemos de nada, não é?
— Vocês, humanos, são… insetos aqui em Grimgar. Insetos venenosos. Vermes. Vocês foram exterminados, levados para a fronteira… e ainda assim voltaram.
Originalmente, essa terra que os humanos chamavam de fronteira havia sido o continente principal de Grimgar.
As forças remanescentes de Arabakia e seu povo foram expulsas pelas forças da Aliança dos Reis, fugindo para o sul das Montanhas Tenryu.
Essa área era uma terra não desenvolvida, bloqueada pelas Montanhas Tenryu e pelos dragões. Essa era a verdadeira fronteira.
Mas os humanos não queriam admitir que haviam sido expulsos do centro da civilização. Então, começaram a chamar as terras selvagens que haviam sido a fronteira no sul de “continente principal”.
Basicamente, a razão pela qual os humanos chamavam esta terra de “fronteira” era por orgulho ferido.
Wezel continuou caminhando em silêncio.
Quando o céu clareou, os efeitos da Mooncraft haviam desaparecido.
Os dois pararam em uma aldeia montanhosa. Havia cerca de vinte choupanas agrupadas entre as montanhas. Era uma aldeia insignificante.
Um orc bloqueou o caminho deles. Ele tinha uma espada curva pendurada na cintura. Seu cabelo bagunçado não era tingido. Era alto e bem constituído, mas sua perna esquerda era uma prótese feita com uma mistura de metal e madeira. Além disso, ele era cego dos dois olhos, como se tivessem sido arrancados.
— Ahyeah! Wezelred! — O orc chamou Wezel sem sacar sua espada.
Ele era claramente cego, mas, de alguma forma, parecia enxergá-los.
Wezel se aproximou do orc. — Mugoh Sugedd. Lontai nosee.
Eles se cumprimentaram batendo os punhos. O nome do orc era Mugoh, e os dois aparentemente se conheciam.
Havia uma rocha plana no meio da aldeia, e um poço foi cavado ao lado dela. Mugoh, Wezel e Ranta sentaram-se juntos na rocha.
Para conhecidos, Mugoh e Wezel não conversavam muito. Pareciam estar apenas relaxando. Talvez fossem mais que conhecidos casuais, e se sentissem à vontade quando estavam juntos.
Os moradores da aldeia gradualmente se reuniram ao redor, e eles encaravam Ranta à distância. Muitos deles eram orcs, mas também havia alguns mortos-vivos. Havia também alguns gumows, não muitos. Todos estavam vestidos com roupas esfarrapadas.
O surpreendente era que os orcs, os mortos-vivos e os gumows eram todos iguais na sua pobreza. Pelo que ele podia ver, esses gumows não estavam sendo tratados como escravos.
— Que tipo de aldeia é essa? — perguntou Ranta.
Após um curto período, Wezel falou. — Aqueles que rejeitam absolutamente a luta… também existem. Mas isso é visto como… covardia.
— Então, essa é uma aldeia de eremitas, ou algo assim?
— Tch, tch, tch… — Os ombros de Wezel tremeram com uma risada. — Mugoh e seus companheiros… vivem aqui. Isso é tudo.
— Bem, todos temos nossas próprias maneiras de viver — Ranta deu de ombros.
— E nossas próprias maneiras de morrer… É.
Um pequeno orc, que devia ser uma criança, aproximou-se hesitante. Ele estava perguntando algo a Wezel em orcish.
Wezel se levantou. Parecia que eles iam a algum lugar, e a criança orc estava liderando o caminho.
Não havia nada para Ranta fazer, ficando parado ali sozinho. Então, ele decidiu acompanhar.
Os dois foram para uma choupana. Era uma casa feita com pilares fincados no chão, cercada por paredes de barro e um telhado simples de palha. Ainda assim, fora construída com cuidado, e o chão estava coberto com esteiras de palha.
Em um local de dormir onde palha havia sido empilhada sobre as esteiras, havia um único orc deitado de lado. Diferente do orc que os levou até ali, este não era uma criança. Era um adulto.
Ele tossia constantemente e parecia estar passando por um momento extremamente difícil. Devia estar enfraquecido por uma doença. Estava emaciado.
Wezel se ajoelhou ao lado daquele orc.
O orc soltou uma tosse intensa e expeliu algo preto escuro. Não era apenas sangue, mas um catarro ensanguentado.
A criança estava constantemente esfregando as costas do orc mais velho, mas ele não parava de tossir.
O orc finalmente empurrou a criança para longe, como se dissesse, “Chega. Para.” Até esse gesto era fraco.
Wezel deu uma ordem à criança em orcish.
A criança orc pareceu aceitar e se afastou do orc adulto, sentando-se no canto da pequena choupana.
Certificando-se disso, Wezel se inclinou perto do ouvido do orc adulto para perguntar algo.
O orc tossiu, expelindo catarro ensanguentado, e então assentiu com a cabeça.
— Entendi — percebeu Ranta. — Wezel, você é mesmo um xamã andarilho, afinal. A magia de luz de Lumiaris não é muito boa contra doenças, pelo que ouvi.
— Isso está além de mim — disse Wezel. — Ninguém pode tratar uma doença mortal… nem mesmo os seres que chamamos de deuses.
— Hã? Então…
Wezel tirou um pequeno envelope de papel da bolsa de couro pendurada em sua cintura. Dentro, havia um pó branco. Ele colocou o pó na garrafa de água de couro que pendia de seu ombro, então a chacoalhou.
Wezel virou o rosto para Ranta. — Me ajude.
— …Claro.
Ranta fez o orc sentar-se. Wezel passou a garrafa de água para o orc, mas ele estava tossindo muito. Parecia que, em seu estado enfraquecido, ele não tinha nem força para levantar a garrafa.
— Faça ele beber — disse Wezel, então Ranta fez como foi pedido.
O orc tomou um gole da garrafa, mas imediatamente tossiu e expeliu o líquido.
— Não — disse Wezel. — Faça ele beber. Até a última gota.
— Tá bem. Se você diz pra fazer ele beber, eu vou fazer ele beber…
Agora Ranta estava se sentindo teimoso. Ele ajudou o orc a tomar o conteúdo da garrafa pouco a pouco. Quando terminou, a tosse havia praticamente parado.
Ele deitou o orc novamente. Talvez ele estivesse mais tranquilo agora, pois sua respiração estava mais relaxada. Seus olhos estavam apenas ligeiramente abertos, como se estivesse meio adormecido.
A criança orc se aproximou e sentou ao lado do orc. O orc olhou para ele.
Wezel de repente se levantou e saiu, simplesmente assim.
— Ei! — Ranta correu atrás dele.
Wezel caminhava como se estivesse passeando.
Mesmo quando Ranta o alcançou e caminhou ao seu lado, Wezel nem sequer olhou para ele.
— Wezel, você… O que você me fez dar pra aquele orc? — perguntou Ranta.
Ele não esperava uma resposta. Achava que Wezel o ignoraria.
— Uma droga poderosa.
Wezel respondeu com tanta facilidade que Ranta ficou realmente surpreso.
— Então… veneno — disse ele.
— Qualquer coisa… pode ser remédio ou veneno, dependendo de como é usada.
— E como você usou?
— Ele vai… dormir em breve. Não vai acordar. É o sono eterno.
— Você o matou? — perguntou Ranta.
— Tch, tch, tch… — Os ombros de Wezel tremeram com uma risada, e ele parou. — Sim. Ele vai dormir… e logo depois, morrer.
— Foi… o que a criança pediu pra você fazer?
— Não.
— O quê?
— A criança só disse, “Meu pai está doente. Ele está sofrendo. Faça algo, por favor.”
— Você tá me dizendo que fingiu dar um remédio pra ele e, em vez disso, fez ele beber veneno?
— Ele não ia sobreviver — disse Wezel simplesmente.
O elfo cinzento provavelmente estava dizendo a verdade.
O orc provavelmente tinha câncer de pulmão, ou algo assim, e era terminal. Cada respiração lhe trazia uma dor grande demais para expressar em palavras. Para aquele orc, cada segundo era uma tortura.
Claro, ele não queria deixar seu filho para trás. Ainda assim, isso era o que inevitavelmente aconteceria.
Logo, aquele orc estaria morto. Ele devia saber que sua vida estava chegando ao fim.
A criança provavelmente também sabia disso.
— Eu o salvei — disse Wezel. — Isso é tudo.
— Cara, quantas pessoas você já… matou assim?
Ranta não esperava uma resposta.
Wezel não deu nenhuma, apenas um leve sorriso.
Tradução: ParupiroHPara estas e outras obras, visite o Cantinho do ParupiroH – Clicando Aqui
Tradução feita por fãs.
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