Hai to Gensou no Grimgar â CapĂtulo 4 â Volume 14
Hai to Gensou no GrimgarGrimgar of Fantasy and Ash
Light Novel Online – CapĂtulo 04:
[O Jeito que as Coisas Brilhavam Quando Nos Conhecemos (Toki_Meki)]
â …Destino â disse Tonbe.
â Sim, Ă© isso, acho que foi o destino, meu encontro com Io-sama. Ă a Ășnica coisa que pode ser chamada assim, mas eu nĂŁo diria que Io-sama e eu somos ligados pelo destino, porque se eu dissesse isso, Io-sama me repreenderia. âEspera AĂ, Tonbe, vocĂȘ tĂĄ me dando arrepios. Pode parar? SĂ©rio, Ă© nojento. Olha, estou toda arrepiada.â E quando ela me mostrasse o antebraçoânĂŁo, nĂŁo o antebraço, ela nĂŁo me mostraria o antebraço, nĂ©? Bem, o braço com arrepiosâeu ficaria olhando fixamente, claro que sim, nĂ©? Eu olharia como louco, nĂ©? Quer dizer, Ă© o braço de Io-sama, afinal! Mesmo que isso sĂł fizesse Io-sama ficar ainda mais arrepiada. Eu sei que faria, mas ainda assim eu olharia. Sim, eu olharia. Tipo, poderia fazer isso tantas vezes, sĂł pra ver os arrepios de Io-sama. Estou pensando em umas dez, talvez? Tipo, tĂŽ falando de me empolgar aqui. Gwuhuhuhuhuhyuh! Ah, isso Ă© segredo, aliĂĄs. SĂ©rio, se nĂŁo guardar segredo, as coisas vĂŁo sair do controle. TĂŽ contando com vocĂȘ. Mas, bem, de qualquer forma, fico feliz por ter conhecido Io-sama, sabe. So isso jĂĄ valeu a pena ter nascido. No começo, na Taberna Sherry, nĂ©? VocĂȘ parece um soldado voluntĂĄrio, entĂŁo deve conhecer a Taberna Sherry. EntĂŁo, eu tava lĂĄ, certo? E ouvi que uma sacerdotisa estava recrutando membros para uma party. Agora, eu tava em outra party na Ă©poca, mas eles eram todos uma porcaria total. Os reis da porcaria. Os reis porcos. Gwuhuhuhuhuhyuh! Eles me chamavam de gordo, feio, nojento, esquisito, fedido, todo tipo de coisa. Agora, talvez algumas coisas nĂŁo fossem totalmente mentira, mas ainda assim, como podiam dizer isso na minha cara? Quer dizer, claro, eles agiam como se fosse tudo uma brincadeira amigĂĄvel, mas mesmo assim, era horrĂvel. EntĂŁo, quando eu surtei, eles ficaram tipo, âPor que vocĂȘ tĂĄ ficando todo vermelho, cara? A gente sĂł estava se divertindo com vocĂȘ. VocĂȘ Ă© muito engraçado.â Nessas horas, eu pensava que talvez tivesse sido um pouco imaturo, e recuava, mas quando isso acontecia de novo, e de novo, e de novo, e de novo um milhĂŁo, um bilhĂŁo de vezes, repetidamente, no final, comecei a pensar, VocĂȘs estĂŁo me fazendo de idiota. NĂŁo estĂŁo se divertindo comigo. EstĂŁo zombando e rindo de mim. TĂŽ magoado aqui. Eu podia estar com um sorriso idiota, mas estava na Travessa do Coração Partido quando entrei naquela taberna. O que Ă© a Travessa do Coração Partido? Tanto faz! Posso ter 1,71 metros de altura e pesar 81 quilos, mas nĂŁo passo de cem, tĂĄ? NĂŁo chame ninguĂ©m com menos de cem quilos de gordo. Ă uma afronta ao conceito de gordura. VocĂȘ concorda, nĂ©? NĂ©?
â Ah… Uhhh… â disse Kuzaku. â Acho que sim…
NĂŁo sei se devo concordar ou nĂŁo, pensou ele. Quer dizer, nem sei com o que ele quer que eu concorde.
JĂĄ nĂŁo sei mais. Esse cara, ele tĂĄ murmurando sozinho do meu lado esse tempo todo. E nĂŁo parece que vai parar tambĂ©m. Ele tĂĄ falando sem parar enquanto a gente caminha. SĂł consigo ouvir atĂ© certo ponto. Eu tento ouvir, mas nĂŁo escuto as palavras. Esse gordo, ele Ă© irritante pra caramba…
â Pra começar, tinha o Sakumata, aquele cara que era o que vocĂȘ chamaria de lĂder da party que dizia estar âse divertindoâ comigo â continuou Tonbe. â SerĂĄ que ele ainda tĂĄ por aĂ? SerĂĄ que tĂĄ vivo? Bem, ele tava por aĂ naquela Ă©poca. Aquele cara tava saindo com a maga da party, mas eles terminaram, aĂ ele saiu com a ladra da party. Quer dizer, Ă primeira vista, talvez ele fosse bonito? Tipo, ele achava que era bem gato tambĂ©m. O fato Ă© que ele dizia abertamente coisas como: âNunca me faltaram mulheres.â Mano, seu rosto nĂŁo tem nada de especial. VocĂȘ tem um rosto que parece uma banana amassada. Rosto longo, nariz achatado, lĂĄbios finos, olhos caĂdos. Ele podia atĂ© ser um dos menos feios daquela party, mas isso Ă© o padrĂŁo mais baixo dos padrĂ”es baixos. A propĂłsito, suas namoradas, a maga e a ladra, odeio ter que dizer isso, mas elas eram, na melhor das hipĂłteses, medianas. Talvez piores. Meu rosto pode nĂŁo ser o mais simĂ©trico, e se vocĂȘ fosse um cara bonito, talvez tivesse o direito de me chamar de feio, mas nĂŁo quero ouvir isso de vocĂȘ. VocĂȘ nĂŁo tem moral pra falar isso.
â Uhh… tĂĄ, claro… â disse Kuzaku.
â EntĂŁo, basicamente, eu tava pensando, quero sair da party do Sakumata. Talvez eu devesse desistir. O que fazer? Foi quando, caramba, uma deusa desceu atĂ© mim. Isso mesmo! Ela era literalmente uma deusa. Quando fui ver a sacerdotisa que tava recrutando membros pra party, acredita. Tinha uma deusa lĂĄ. Uma deusa que desceu do cĂ©u pra terra. Como um raio. Fiquei bobo de tĂŁo chocado. Gwuhuhuhuhuhyuh!
â Ah, hĂŁ… â Kuzaku respondeu.
NĂŁo me importo, mas vocĂȘ pode fazer algo sobre essa risada? pensou Kuzaku vagamente. Quer dizer, jĂĄ deu. TĂŽ começando a ficar realmente farto disso.
â Uh… desculpa, Tonbe-san â Kuzaku tentou interromper o mais educadamente possĂvel, mas Tonbe, o paladino gordo, nĂŁo ligou nem um pouco.
â NĂŁo sei o que era. Ela tinha um cabelo liso e sedoso, e uma figura pequena, mas, tipo, bem, bem pequena, mas nĂŁo de um jeito delicado, sabe? Tinha um corpo feminino, digamos assim? O uniforme de sacerdotisa Ă© branco, afinal, e aquele branco, combinava muuuito com ela. Tipo, a pele dela, parecia tĂŁo macia, e brilhava, os olhos dela, quero dizer, porque eram tĂŁo grandes, e mais importante, essa deusa jĂĄ tava cercada por soldados voluntĂĄrios, mas no momento em que nossos olhos se encontraram, ela sorriu pra mim. Um sorrisinho. Meu coração pareceu que ia parar, sabe? NĂŁo, nĂŁo Ă© mentira. NĂŁo tĂŽ exagerando. Meu coração literalmente parou por um momento, tĂĄ?
Por que esse cara nĂŁo morreu logo ali? Kuzaku resmungou em silĂȘncio. Se tivesse morrido, eu nĂŁo teria que ouvir essa histĂłria idiota e sem sentido, nĂ©?
NĂŁo, retiro isso. NĂŁo Ă© bom pensar assim. Desculpa, desculpa. Por mais horrĂvel que ele seja, eu nĂŁo deveria desejar a morte dele. Ele me salvou, afinal. Esse gordo. Acho que nĂŁo deveria chamar ele assim tambĂ©m. Bem, ele Ă© gordo, mesmo. NĂŁo acho que ser gordo seja tĂŁo ruim, mas tem diferentes tipos de gordo. O tipo dele meio que me irrita. NĂŁo? SerĂĄ que tĂŽ irritado sĂł porque Ă© o Tonbe? Hmm. Pode ser. Mas tĂŽ cansado, e com sono. Ainda assim, Ă© impressionante que eu ainda esteja andando. Ă como se eu estivesse andando, mas na verdade estou caindo pra frente. Minha perna se mexe sozinha, eu caio de novo e entĂŁo a outra perna se mexe. A mesma coisa, de novo e de novo. E tambĂ©m, Ă© estranhamente doce…
â NĂŁo precisa nem dizer, mas eu decidi na hora â continuou Tonbe. â Voltei direto pro Sakumata, aquele idiota com cara de banana amassada, e disse pra ele, âAdeus, nunca mais nos veremos, esquece que eu existi, sim, isso quer dizer pra sempre.â AĂ, na mesma hora, corri pra minha deusa, tomei coragem e me ofereci pra ser um dos camaradas dela. NĂŁo lembro exatamente o que eu disse. Foi tipo, âquero mudar minha vidaâ, ou algo assim, acho. Ah, e acho que disse algo como, âfarei qualquer coisa, entĂŁo por favor me aceita tambĂ©m.â Quer dizer, claro que eu faria qualquer coisa, nĂ©? Era Io-sama, uma deusa, afinal. Eu tinha que fazer. Guhfuhfuhfuhfuhyuhohohyuhyuhohoh!
TĂŽ no meu limite, gemeu Kuzaku em silĂȘncio. Claramente nĂŁo aguento mais, e nĂŁo me importo mais. Vou simplesmente desabar.
No momento em que caiu, veio um chute imediato.
â Ai!
Kuzaku rolou no chĂŁo com as duas mĂŁos segurando a testa.
Surpreendentemente, quem chutou Kuzaku na testa com a ponta do pĂ© nĂŁo foi Tonbe. â Nada de dormir, seu idiota.
Outra pessoa que os acompanhava, uma que nĂŁo era gorda como Tonbe, estava olhando para Kuzaku.
â N-NĂŁo me chuta â murmurou Kuzaku. â Ai…
â Ă, vou te chutar mesmo! â disse o cara.
Ele estava todo vestido de preto, um visual que gritava que era um cavaleiro das trevas. Seu queixo era absurdamente longo. TĂŁo longo, na verdade, que se destacava debaixo da mĂĄscara. Suas sobrancelhas eram quase triĂąngulos, ele tinha olhos sanpaku com o branco aparecendo, e uma testa incrivelmente estreita.
Havia limites para o quĂŁo fina uma testa podia ser. Kuzaku nunca tinha visto uma linha de cabelo tĂŁo baixa antes.
â Se vocĂȘ dormir, vai causar problemas â disse o outro cara. â Claro que eu vou ter que te chutar. Se vai dormir, entĂŁo morre. Se nĂŁo consegue morrer sozinho, eu te mato eu mesmo.
â Gomi â disse uma voz.
Era uma voz clara como um sino de vidro. Aquela voz linda estava… chamando alguĂ©m de âgomiâ, uma palavra que significava âlixoâ?
Quando Kuzaku olhou, uma beldade de cabelos longos em uma tĂșnica branca estava olhando em sua direção.
Embora ele a chamasse de beldade, havia uma måscara cobrindo a metade inferior de seu rosto. Mesmo assim, ela era ridiculamente linda. Ele achava que Tonbe a tinha chamado de pequena, mas ela era de altura média, nem alta nem baixa. Suas proporçÔes não deixavam nada a desejar.
Era como, bem, uma garota bonita clĂĄssica. A garota bonita. Era como se, quando alguĂ©m dizia as palavras âgarota bonitaâ, era ela que queriam dizer. Havia uma translucidez nela, uma pureza? TĂŁo bonita que a palavra âbonitaâ em si parecia sem graça. Tipo, âali estĂĄ uma garota bonita.â
Garotas bonitas não eram ficção. Elas realmente existiam.
A roupa da garota bonita nĂŁo era toda branca. Havia detalhes em azul. Embora tivesse sido ajustada para ser mais fofa, era reconhecĂvel como um uniforme de sacerdotisa. Combinava com ela de um jeito absurdo. Era como se fosse uma roupa Ășnica, feita sob medida para uma garota bonita.
Aquela garota bonita, com uma voz que combinava com uma garota bonita, tinha dito apenas uma palavra: âgomiâ, que significava âlixoâ ou âporcariaâ.
Isso o atingiu com uma força destrutiva.
â Deixa assim, Gomi.
Ela disse de novo!
O cavaleiro das trevas que foi chamado de lixo se curvou em 90 grausânĂŁo, 120 graus ânĂŁo, nĂŁo, quase 180 graus.
â S-Sim, senhora! Se a senhora manda fazer, eu faço com prazer!
â Sua voz tĂĄ muito alta â disse a garota bonita. â Cala a boca, Gomi.
Tendo sido insultado pela garota bonita, Gomi fez uma vanguardista tĂŁo profunda que colocou seu rosto tĂŁo baixo que quase tocou os joelhos, e com uma voz tĂŁo baixa quanto o zumbido de um mosquito, ele se desculpou. â D-Desculpa…
Todo o corpo dele estava tremendo. Talvez ele estivesse chorando. Na verdade, as lĂĄgrimas estavam transbortando, entĂŁo nĂŁo havia âtalvezâ; esse homem adulto estava claramente chorando.
Cara, vocĂȘ tem mais de trinta anos, pensou Kuzaku. NĂŁo chora…
A propósito, Tonbe agora estava olhando para Gomi e sorrindo. Bem, não era ele uma peça nojenta?
â Bem… â Kuzaku se sentou, girou a cabeça para a esquerda e para a direita, e rodou os braços em cĂrculos. Por um momento, sentiu como se o sono tivesse sumido, mas ainda nĂŁo se sentia bem.
â Ă verdade que eu tava quase caindo no sono â disse Kuzaku. â Isso teria sido ruim?
â Bem, sim â disse a garota bonita. â Em Parano, quando vocĂȘ dorme, vocĂȘ sonha. Esses sonhos se distorcem para dar Ă luz monstros dos sonhos.
â Hmm…
NĂŁo entendi muito bem, pensou Kuzaku. Entendi? Mas, sĂ©rio. Ah…. Estou cansado…
Ele tentou bocejar, mas sua boca foi coberta. Com uma mĂŁo.
De quem era a mĂŁo?
â O vento tĂĄ soprando, sabe â disse a garota bonita. â O vento doce de Parano. NĂŁo respira ele sem cuidado.
A garota bonita estava olhando para Kuzaku. Ela estava perto pra caramba. Quando isso aconteceu? Ele tinha começado a sentir sono de novo, talvez até estivesse cochilando. Mas espera aÅ parecia que a garota estava tampando sua boca. Não, não era só impressão; ela estava mesmo tampando.
â I-Io-sama! â gritou Tonbe.
â Io-sama! â gemeu Gomi.
GordĂŁo e LixoânĂŁo, Tonbe e Gomiâestavam em pĂąnico. Na verdade, estavam furiosos. Por que estavam tĂŁo bravos?
â Erm… vento…? â perguntou Kuzaku.
â Ah! â O corpo da garota bonita estremeceu, e ela soltou um gemido encantador que o surpreendeu um pouco.
HĂŁ? O que, o que, o que? O que eu fiz?
â O que foi isso? â ele exclamou.
â Fez cĂłcegas! â A garota bonita retirou a mĂŁo que estava usando para cobrir a boca de Kuzaku, segurando-a sob o braço esquerdo enquanto se virava para longe dele. â …Nossa.
Ela lançou um olhar de lado para Kuzaku. Ele viu o que ela estava fazendo.
Era tĂŁo deliberado que ele quis dizer, âDe jeito nenhum.â
Mesmo pensando, Quem faz isso?, o coração de Kuzaku começou a disparar. Se ele tivesse que dizer se ela era fofa ou não, ela realmente era fofa. Garotas bonitas eram algo a se temer.
â Como! VocĂȘ! Ousa…! â gritou Tonbe.
â I-I-I-Isso! Isso Ă©! Isso Ă© imperdoĂĄvel…!
Tonbe e Gomi tinham surtado completamente. Seus rostos estavam vermelhos como beterrabas, e pareciam prontos para pular em Kuzaku a qualquer momento.
Tonbe estava com seu martelo de guerra pronto, e Gomi jĂĄ ia pegar a espada longa pendurada nas costas. SerĂĄ que estavam prontos para matar…?
A mĂŁo da garota bonita tinha tocado Kuzaku. Isso devia ser o que os deixou tĂŁo furiosos. NĂŁo que ele nĂŁo entendesse o porquĂȘ. Provavelmente eles gostavam dela. Estavam apaixonados. Chamavam-na de Io-sama, afinal. Talvez a amassem demais, a ponto de ser quase uma adoração.
No entanto, a Io-sama deles nĂŁo os via nem um pouco como objetos de interesse romĂąntico. Ela os usava como capachos.
Ă muito distorcido, pensou Kuzaku. Isso Ă© realmente nojento.
â Uh… ei… er…
Dito isso, eles o salvaram, e eram seus veteranos como soldados voluntårios, e ele podia ter outros laços com eles também.
Kuzaku não queria causar problemas, então, embora não achasse que tinha feito algo errado, optou por abaixar a cabeça em pedido de desculpas.
â Se eu fiz algo que ofendeu vocĂȘs, me desculpem.
â V-V-V-VocĂȘ acha que p-p-p-pedir desculpas vai te tirar dessa?! â gritou Tonbe.
â VocĂȘ tĂĄ gaguejando demais, Tonbe-san… â disse Kuzaku.
â NĂŁo zoe de mim! Seu pirralho atrevido! Eu faço isso hĂĄ mais tempo que vocĂȘ!
â Desculpa, nĂŁo resisti…
â Io-sama! â gritou Gomi enquanto finalmente sacava sua espada. Ele tambĂ©m estava chorando, por algum motivo. â TĂŽ implorando, me dĂĄ permissĂŁo pra cortar esse pĂ© de feijĂŁo podre que acha que Ă© gostosĂŁo!
â Eu pareço que acho que sou gostosĂŁo? â perguntou Kuzaku, cĂ©tico. â NĂŁo tĂĄ exagerando um pouco? Quer dizer, nem acho que sou gostosĂŁo.
â De onde vem essa atitude convencida e segura de si?! â berrou Gomi. â VocĂȘ diz que nĂŁo Ă© gostosĂŁo, mas provavelmente tĂĄ pensando que Ă© bem gostosĂŁo! Seu tipo realmente me dĂĄ nojo!
â NĂŁo, sĂ©rio, nĂŁo acho que sou.
â Eu sou seu veterano! VocĂȘ nĂŁo me trata nem com o respeito devido?! Vai morrer!
â Gomi! â gritou Io.
Se ela nĂŁo tivesse gritado, Gomi absolutamente teria atacado Kuzaku. AĂ Kuzaku teria sido cortado com um Ășnico golpe. ProvavelmenteânĂŁo, quase certamenteâele teria sido cortado.
Cada pelo do corpo dele se arrepiou.
Caramba, que assustador, pensou ele.
O olhar fervente que Gomi lançou para ele. Ele estava prestes a avançar, com uma precisão nos movimentos como uma mola totalmente comprimida. Além disso, Gomi era um cavaleiro das trevas. Para um cavaleiro das trevas, alta mobilidade, movimentos que faziam o oponente alucinar e esgrima eram suas especialidades. Kuzaku provavelmente teria recebido o primeiro ataque de Gomi sem chance de resistir.
O cara nĂŁo era qualquer um. Estava claro que Gomi era um cavaleiro das trevas altamente habilidoso, de alto nĂvel. AlĂ©m disso, ele podia estar sendo afetado pela magia que parecia que qualquer um em Parano podia usar. De qualquer forma, suas habilidades estavam um nĂvel, talvez dois ou trĂȘs nĂveis, acima das de Kuzaku.
Apesar disso, nas mĂŁos de Io, ele nĂŁo passava de lixo. NĂŁo era um cara simpĂĄtico, mas Kuzaku tinha que sentir um pouco de pena dele.
â Chega, Gomi â disse Io friamente. â Ele jĂĄ Ă© meu capacho. VocĂȘ realmente acha que tem algum direito de puni-lo?
â NĂŁo tenho â murmurou Gomi. â NĂŁo poderia ter. E-Eu sinto muito, Io-sama…
â VocĂȘ realmente entende? VocĂȘ, Gomi? VocĂȘ Ă© um lixo que nĂŁo merece viver, e ainda acha que pode ouvir o que eu digo e entender?
â NĂŁo posso! NĂŁo posso, mas me deixa tentar! Sou um lixo imundo, mas me deixa ser o lixo que a senhora tĂĄ disposta a chamar de lixo, Io-sama!
Nossa. Ele estava aos prantos. Gomi choramingava, chorava e implorava perdĂŁo a Io. Como ele podia se rebaixar assim? Kuzaku nĂŁo entendia nada. Era um mistĂ©rio por que Tonbe estava olhando para Io e Gomi e gemendo com os dentes cerrados tambĂ©m. Que tipo de relação eles tinham? Kuzaku nĂŁo queria adivinhar, e desejava que o deixassem fora disso, mas deixando isso de lado…
â Eu tambĂ©m sou seu capacho… Ă isso? â perguntou Kuzaku.
â Bem, sim? â disse Io, com um tom implĂcito de âE daĂ?â
NĂŁo, nĂŁo, nĂŁo, pensou Kuzaku. â Huh? Desde… quando?
â Desde que vocĂȘ nasceu, certo?
Quando ela respondeu como se fosse óbvio, ele até começou a sentir que talvez ela estivesse certa.
NĂŁo.
De jeito nenhum.
â Eu nem lembro de ter nascido â disse Kuzaku. â Quer dizer, nem tenho memĂłrias de antes de vir pra Grimgar. A gente acabou de se conhecer tambĂ©m.
â VocĂȘ estĂĄ nos Day Breakers, nĂ©? â perguntou Io.
â Bem… tecnicamente? Nunca pareceu assim, no entanto. Soma-san, Akira-san, e atĂ© o Rock-san, todos parecem estar muito acima de nĂłs, fora do nosso alcance.
â Eu sou, com certeza, muito acima do seu alcance tambĂ©m, mas por sorte sou membro dos Day Breakers, e nos encontramos aqui neste mundo alternativo, este outro mundo, chamado Parano. VocĂȘ quer chamar isso de coincidĂȘncia?
â NĂŁo… Ahh… nĂŁo sei â disse Kuzaku. â Acho que Ă© sorte.
â VocĂȘ Ă© bobo. Isso era inevitĂĄvel, sabe? VocĂȘ me conheceu porque estava destinado a isso.
â VocĂȘ… acha mesmo?
â Sim, isso mesmo. Para ser meu capacho.
â Seu capacho…
â Vou permitir que vocĂȘ me sirva. Nem preciso dizer, mas vocĂȘ nĂŁo poderia ter mais sorte. Treme de alegria.
â Isso mesmo! â Tonbe pisou forte no chĂŁo, cuspindo saliva enquanto gritava.
Nojento… pensou Kuzaku.
â NĂŁo tĂŽ feliz de ver o nĂșmero de capachos aumentar, mas se Io-sama diz, que seja! â gritou Tonbe. â Fique feliz! Ă uma honra, entĂŁo sirva Io-sama com alegria! Louvada seja Io-sama!
â NĂŁo quero te aceitar! Mas nĂŁo tenho escolha! Ă a vontade de Io-sama! â Gomi estava chorando de novo. Como ele conseguia chorar tĂŁo fĂĄcil? SerĂĄ que suas glĂąndulas lacrimais tinham ficado frouxas com a idade?
â Vamos â Io afastou o cabelo longo para trĂĄs e começou a andar, mas parou. Ela fixou o olhar em Kuzaku.
Quando ela o encarou assim, ele foi tomado por uma sensação como se ela tivesse agarrado seu coração. Ele nĂŁo conseguia mexer um mĂșsculo. Ele meio que desejava que, ao tirar a mĂĄscara, o rosto dela nĂŁo fosse nada especial. Se nĂŁo fosse, e ela realmente fosse uma beleza impecĂĄvel, ele poderia estar em apuros.
â Bossari â disse Io em um murmĂșrio.
Kuzaku inclinou a cabeça para o lado. â …?
â Ă o seu nome.
â NĂŁo, eu sou Kuzaku…
â A partir de agora, vocĂȘ Ă© Bossari â declarou Io. â Eu decidi. Entendido?
Ele nĂŁo podia aceitar aquela palavra como seu nome; significava âdesleixadoâ. Ele estava prestes a reclamar quando Io abaixou a mĂĄscara atĂ© o queixo.
Ela era impecĂĄvel.
Havia uma garota bonita impecĂĄvel bem na frente dele. Seus lĂĄbios, em particular, eram tĂŁo cheios e brilhantes que a tornavam preocupantemente especial.
â Entendeu? â exigiu Io.
NĂŁo entendiâPera, do que a gente tava falando mesmo? Acho que nĂŁo importa mais. Ela Ă© bonita demais. Kuzaku quase assentiu sem querer.
Huh? Tå bem assim? Não tå, né? Não tå certo, né?
Mas, peraĂ, o que nĂŁo tĂĄ certo mesmo…?
â Prazer em conhecĂȘ-lo, Bossari! â exclamou Tonbe. â Essa Ă© a nossa Io-sama! O senso de nomeação dela Ă© maravilhoso, Bossari!
â Ei, Bossari! Que bom pra vocĂȘ, Bossari! TĂŽ ansioso pra trabalhar com vocĂȘ, Bossari!
Tonbe e Gomi cercaram Kuzaku pelos dois lados, colocando os braços em volta de seus ombros.
â NĂŁo! â gritou Kuzaku. â Bossari nĂŁo tĂĄ bem! NĂŁo tem como estar bem, nĂ©?!
â VocĂȘ Ă© idiota?! Io-sama diz que vocĂȘ Ă© Bossari, entĂŁo tĂĄ decidido!
â Isso mesmo! VocĂȘ parece um Bossari pra mim! Bossari Ă© o Ășnico nome pra vocĂȘ!
â TĂĄ, certo, Gomi, empresta uma mĂĄscara reserva para o Bossari â ordenou Io.
â Certo, Io-sama! Vem cĂĄ, coloca isso, Bossari!
â A propĂłsito, Bossari, eu sou um insone natural, entĂŁo nĂŁo preciso de mĂĄscara! Sim, sou insone! Sacou, Bossari?! Guhuhuhuhuhohyuh!
â NĂŁo me importo se vocĂȘ Ă© insone! â gritou Kuzaku. â Vamos lĂĄ! Ouvir vocĂȘs me chamando de âBossari, Bossariâ tĂĄ me irritando ainda mais!
â Ă mesmo? Que atrevimento, ficar irritado com a gente, Bossari!
â VocĂȘ Ă© sĂł um Bossari, entĂŁo nĂŁo se acha com a gente, Bossari!
â Droga! TĂĄ bem, a gente vai, mas pra onde?! VocĂȘs nĂŁo me contaram nada…
â Pra Floresta Escarlate â Io colocou a mĂŁo no quadril, afastando o cabelo novamente.
Ela gostava daquele gesto? Ela estava arrasando. Com sua beleza sobrenatural, ela estava arrasando tanto que era assustador.
â Vou te apresentar ao rei â informou Io. â Se vocĂȘ quer sobreviver aqui em Parano, eu aconselharia ser educado e nĂŁo fazer nada que o ofenda.

Tradução: ParupiroHPara estas e outras obras, visite o Cantinho do ParupiroH â Clicando Aqui
Tradução feita por fãs.
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