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Hai to Gensou no Grimgar – Capítulo 10 – Volume 14

 

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Hai to Gensou no GrimgarGrimgar of Fantasy and Ash

Light Novel Online – Capítulo 10:
[O Desejo Chamado Amor (Formas de Amor)]


Era uma vez, existia eu?

Sim.

Existia.

Eu estava lá.

Tenho certeza que ninguém me notou, ou se importou que eu existisse, mas…

Eu estava lá.

Mais ou menos como… o ar?

Esse era eu.

Quer dizer, ninguém realmente se importava comigo, né?

Num palco com muitos meninos e muitas meninas, dançando e cantando, la la la, eu estava gritando.

Olhem para mim!

Estou bem aquiiiiii!

Olhem para mim!

Essas pessoas não são as protagonistas, eu sou!

Por que é assim? Por que ninguém olha para mim? Estou faltando algo?

Oh!

Oh!

Eu sei! Eu sei, eu sei!

Para cima, para cima, para cima vai uma mão.

Tá, você aí.

Quem é voooocê?

Aaaah.

Eu?

Sou a única que esteve aqui o tempo todo, não sou?

Bem, tanto faz.

Vai, responde a pergunta.

É porque você não é fofa.

Sim. É isso. Não sou tão horrorosamente feia a ponto de ser difícil viver, mas não sou fofa.

Bem, sou meio normal, acho?

Não, não, nada normal. Quer dizer, eu sei o que é um rosto bonito, e li sobre isso em livros, então tenho certeza que estou certa, mas é o auge da média. Se você somasse os rostos de um milhão de pessoas e dividisse por um milhão, as pessoas são feitas de um jeito que achariam o resultado bonito. É por isso que não ser feia, mas também não ser fofa, não é normal.

Se eu tivesse que dizer que sou algo, sou nada.

As pessoas não desviam o olhar de mim, não me encaram. Eu basicamente não tenho valor.

Aposto que é provavelmente por isso que meus pais me deram um nome um pouco diferente. Não é um nome comum. Pelo menos, nunca conheci uma pessoa com o mesmo nome que eu. Ainda assim, não combina comigo.

Quando digo meu nome, todo mundo me olha como quem diz, “Ah, é?”

Aposto que estão pensando, Você parece tão comum, tão abaixo da média, e tem esse nome?

E é isso. Não importa que nome eu tenha—não, não importa quem eu sou—ninguém se importa. Ninguém se interessa por mim.

Não há muitas pessoas que projetam uma sombra tão fraca quanto a minha. Quando você se destaca tão pouco quanto eu, “Nossa, você estava aí?” nem é algo incomum de ouvir as pessoas dizerem.

Não tenho nenhuma anedota particularmente divertida sobre minha total falta de presença. Eu simplesmente não chamo atenção, e ninguém se interessa por mim. Se eu chamar alguém, eles vão fazer o mínimo, mas a conversa nunca engrena, e nada sai disso. Sei muito bem que vai ser assim, então não falo com as pessoas a menos que tenha algo a tratar com elas.

Quando conto assim, parece que minha falta de presença anormal me deixa sozinha o tempo todo, e que, de alguma forma, sou uma indivíduo incomum. Isso não é verdade. É só que quero ser um pouco diferente, então estou apimentando a história.

O fato é que tive algumas amizades passageiras aqui e ali. Também já me pediram direções na rua. Posso não ter presença, mas não é como se eu fosse uma sombra pálida de um ser humano, ou algo assim.

No entanto, meus amigos raramente entravam em contato comigo. Se eu não interagisse constantemente com eles, qualquer amigo meu desaparecia num piscar de olhos. Pode ser que eu não fosse odiada, mas também não era especialmente querida. Eles claramente não me davam muita importância.

Eu, honestamente, também não via essas pessoas como amigos insubstituíveis. Será que o fato de não se importarem comigo me fazia não me importar com eles, ou será que meu descaso com eles fazia com que não se importassem comigo? Não posso dizer, mas provavelmente era as duas coisas.

Ei, ei, estou sozinha.

Nossa? Está sozinha? Tadinha, coitadinha.

Mas está tudo bem. Vamos brincar?

Com o que você quer brincar hoje?

(Bonecas…?)

Isso mesmo. Foram as bonecas que me deram conforto.

Eu comprava e coletava bonecas que vendiam nas lojas aos poucos, e quando me cansava disso, e não era suficiente, eu fazia roupas para vesti-las, ou fazia mudanças aqui e ali. Até fiz as minhas próprias com argila.

Você podia ter pernas mais longas, né? Deixa eu esticar essas.

Agora que suas pernas tão mais longas, tão desequilibradas com seus braços. Vamos alongar os braços também.

Você podia ter um pescoço mais longo, também.

Sua cabeça tá meio grande.

(Oh, as bonecas…)

Deixa eu colocar essa cabecinha aqui em você.

Seus tornozelos são tão gordos e feios. Vamos lixá-los.

Veja bem, não é como se eu passasse todo o meu tempo arrumando bonecas. Eu pensava em todo tipo de coisa, levando elas em conta, mas o que eu mais focava na época era melhorar minha aparência.

No final, você pode enfeitar como quiser, mas uma garota que não é fofa não recebe o que merece. Não é só comigo; todas as mulheres são assim. Quando veem outra mulher, decidem num instante se ela é fofa ou feia.

Poucas vão dizer isso em voz alta, mas ser feia é um pecado.

E não é qualquer pecado. Um pecado mortal.

Normalmente, se você mencionar os sete pecados capitais, tem orgulho, ira, inveja, preguiça, ganância, gula e luxúria, mas por algum motivo não tem “feiura”. Sempre achei isso intrigante.

Quero ser fofa. Dito isso, não há nada que eu possa fazer com meu rosto. Não posso moldá-lo livremente como o de uma boneca de argila. Talvez eu devesse fazer uma cirurgia plástica, mas é caro, e mesmo que eu considere isso uma opção no futuro, agora não é possível.

Eu também praticava maquiagem sozinha, em segredo. Talvez haja algo em comum entre maquiagem e fazer bonecas, porque eu realmente melhorei. Se uma garota sem graça como eu, que não tem muita presença, aparecesse de repente maquiada, não ia surpreender todo mundo?

Não… pior que isso. Eu me destacaria de um jeito ruim, achariam que sou esquisita, e com certeza me evitariam.

Eu era gordinha desde pequena. Decidi que, se acabasse ficando gorda além de feia, não haveria esperança para mim. Eu seria tão feia que seria difícil viver, então fiz o meu melhor para me controlar nesse ponto.

No entanto, eu era geneticamente predisposta a engordar facilmente. Além disso, nasci carregando a tripla maldição de ossos grandes, pele grossa e carne dura. Não, eu também tinha a pele escura e seca, então era uma maldição quíntupla.

Se eu engordasse mesmo que um pouco, acabaria virando um barril horrível de pessoa, e não conseguiria perder o peso facilmente. Apesar disso, minha única alegria na vida fora de fazer bonecas e brincar com elas era comer. Coisas doces, salgadas, eu amava mais do que podia evitar. Quando estava cansada de tudo, eu tinha uma tendência a me entupir, alternando entre doce e salgado, até vomitar.

Mas eu tinha que perder peso.

Não importa o quão adorável seja uma roupa, ela parece horrível numa gorda. Se você simplesmente emagrecer, até roupas baratas compradas em qualquer lugar vão ficar boas.

Eu resolvi ficar magra. Queria ser o mais branca possível também, então fiz o meu melhor para ficar fora do sol. Mesmo que eu não mudasse meu rosto, ou usasse maquiagem, eu deveria conseguir ser bonita. Eu queria ser bonita. Se fosse bonita, tinha certeza de que minha situação mudaria.

Foi difícil.

Mais do que eu imaginava, eu sofri, e sofri, e sofri, e sofri, e sofri.

Quando chegava a hora de limitar minha comida, por algum motivo, eu acabava pensando, Quero comer, ou, Não posso comer, ou, Posso comer isso, ou, Só uma mordida, ou, Não, não posso, afinal, ou, Vou morrer se não comer, ou, Não é natural para um ser vivo não comer, ou, Se eu comer só um pouco, posso vomitar depois, ou, Tanto faz, só quero comer. Eu não pensava em nada além de comer.

Então, um dia, enquanto comia como sempre, tive um pensamento repentino.

Dizem que o corpo humano é cerca de sessenta por cento água. Se isso fosse verdade, então reduzir a quantidade de água diminuiria meu peso. Se meu corpo fosse mais leve, eu seria mais magra. Se eu não conseguia ficar sem comida, só precisava ficar sem beber.

Tentei isso imediatamente, e os resultados foram dramáticos. Ao não me hidratar, meu peso corporal caiu rapidamente. Minha garganta ficava tão seca que me deixava louca, mas eu comia coisas para me distrair disso. Às vezes isso me fazia ganhar peso de novo, mas ele caía novamente depois de um tempo.

Eu fiquei magra. Isso deve ter me deixado muito mais bonita. Meus amigos diziam, “Você perdeu peso?”

No entanto, nada mais mudou.

Estranho.

Talvez não seja possível ficar bonita sem mudar meu rosto? Se há algo que eu possa fazer, quero fazer. Eu também tenho ideais, sabe. Não tenho desejos como, “Quero ser popular com os garotos”, ou “Quero um namorado”. Não, só quero ser bonita, só isso. Quero que aquela criança ache que sou bonita. Quero ser vista como especial.

Não pretendo bajular homens, então não preciso ser feminina, ou sexy. Também não preciso de seios. Quero ser esguia, e ficar bem em qualquer coisa. Atrair olhares, e não deixá-los escapar. Esse é o tipo de pessoa que quero ser.

Isso é errado?

Isso não é suficiente?

Sim, tenho certeza que não é suficiente.

Tenho que ficar mais magra.

Fazer meus braços e pernas, mais finos, e mais finos, e mais finos, e mais finos, e mais finos, e mais finos, e mais finos, e mais finos, e mais finos, e mais finos.

Eles são tão grossos e nojentos. Queria poder arrancá-los e trocá-los.

Vocês, bonecas, todas conseguem fazer isso, mas eu não.

Nossa, isso me deixa tão brava.

Minha garganta está arrrrrrrrrrrrrrrrrrrdendo.

Eu fazia bonecas de meninas jovens e as quebrava. Não tinha nenhum modelo específico para elas, mas homens estavam fora de questão, e mulheres também não serviam. Tinham que ser meninas jovens.

A verdade é que meninas jovens também não estavam alinhadas com meu ideal, mas eu só conseguia pensar em meninas jovens naquela época. Isso porque eu ainda não tinha conhecido aquela pessoa.

Fui pega de surpresa. Quando conheci aquela pessoa.

(Alice…)

Sim.

Alice, esse era o nome da garota.

Na primeira vez que nos encontramos, Alice exalava uma aura que não era nem masculina, nem feminina, nem mesmo humana. claramente não era uma pessoa normal.

E a constituição frágil, devido a uma condição congênita e várias outras doenças, também fazia Alice parecer especial.

Não são só as pessoas; acho que cada criatura viva tem sua própria cor. No entanto, Alice não tinha cor.

Alice era infinitamente transparente, uma existência fantasmagórica que poderia desaparecer a qualquer momento. Se existisse uma flor feita apenas de vidro fino em algum lugar deste mundo, sem dúvida pareceria exatamente com Alice. Tenho certeza de que há apenas uma flor desse tipo no mundo.

Fiquei completamente abalada. Eu sabia claramente. Queria ser como Alice. Queria ter nascido como Alice. Embora, claro, isso nunca pudesse acontecer. Porque, como você sabe muito bem, eu não sou Alice.

Com uma ousadia que nem eu mesma podia acreditar, me aproximei de Alice. Falei sem vergonha, e faria qualquer coisa para chamar a atenção de Alice.

Acho que tinha duas emoções dentro de mim.

A primeira era um desejo de estar com Alice. Eu faria Alice gostar de mim, talvez como amiga, e sairia com Alice. Se fizesse isso, poderia olhar para Alice o quanto quisesse, ouvir a voz de Alice, e sentir o cheiro de Alice.

A outra era um desejo de conhecer aquela pessoa, e descobrir a verdadeira natureza de Alice. Suspeitava que Alice era só aparência, e nada mais.

Para ser franca, eu amava Alice. Sim, estava apaixonada por Alice. Mas também odiava Alice na mesma medida.

A coisa que sempre quis, a coisa que, se eu tivesse, não precisaria de mais nada, Alice nasceu com isso. Como eu poderia não odiar Alice?

Quer dizer, se eu descobrisse que Alice era só aparência, que não havia nada de especial dentro, apenas um vazio, se descobrisse que Alice era a boneca suprema, isso teria sido algum consolo.

Ei, o que você acha?

O que Alice tá pensando?

Não sei. Não sei mesmo. Não tem como entender essa pessoa.

Alice nunca fala sobre sentimentos pessoais.

Também nunca sei se Alice tá mentindo ou não.

Alice é cautelosa.

Desconfiada de mim.

Mas mesmo assim, Alice não tenta me afastar, nem me evitar.

Será que Alice me odeia?

Fico pensando nisso.

Talvez Alice só seja cautelosa.

Será que é ódio, talvez?

Mesmo eu amando tanto Alice…

Não sei.

Não sei.

Não seeeeei.

Havia dias em que Alice estava apática, e outros cheios de melancolia. Sempre que via Alice deprimida, eu me sentia animada e cheia de energia. Por outro lado, sempre que Alice estava estranhamente alegre, eu era tomada por inquietação, e me sentia para baixo.

Às vezes, Alice era decepcionantemente normal. Trazendo de propósito tópicos populares e vendo que reação eu daria, dizendo coisas chatas que qualquer um poderia pensar, e me deixando desapontada.

Para mim, sempre que via Alice tentar falar sobre coisas que todos conheciam, mesmo que Alice não fosse especialmente conhecedora do assunto e só tivesse um conhecimento superficial, tentando falar como se fosse um tema familiar, isso era a coisa menos “Alice” que eu podia imaginar.

No entanto, Alice definitivamente tinha um lado assim.

Eu frequentemente me sentia mal depois de comer algo, então, nessas ocasiões, vomitava imediatamente o que quer que fosse. Naturalmente, eu garantia que ninguém me visse fazendo isso.

Ninguém prestava atenção em mim, então me sentia segura pensando que ninguém perceberia, mas sempre que terminava e voltava, recebia um olhar de quem sabia, como se Alice entendesse minhas circunstâncias e estivesse apenas dizendo, “Bem-vinda de volta.”

Toda vez, eu sentia que Alice via através de mim, e isso me dava arrepios.

Eu segui Alice inúmeras vezes. Era o mais cuidadosa possível, tentando seguir com atenção, mas em algum momento, sempre perdia Alice de vista.

Acho que Alice provavelmente notou e me despistou. Apesar disso, Alice nunca disse uma palavra sobre isso.

Eu gradualmente me tornei completamente obcecada pela ideia de que Alice poderia entender totalmente como eu reagiria e me sentiria em relação a qualquer coisa que Alice fizesse.

Não era só comigo; Alice estava brincando com todos ao redor, e às vezes parecia óbvio, enquanto em outras eu tinha que concluir que estava pensando demais.

Ocasionalmente, eu tinha a ilusão de que, embora Alice estivesse na minha frente, a verdadeira Alice não estava lá. Eu podia ver Alice claramente, sem semicerrar os olhos, mas não conseguia estender a mão e tocar essa pessoa.

O que eu pensava ser Alice era apenas um reflexo de Alice no espelho, e se eu me virasse, Alice estaria lá, mas se eu tocasse essa Alice, sempre era apenas um espelho também.

De vez em quando, algo que Alice dizia ou fazia tocava meu coração ou me machucava com sua agudeza. Eu estava sendo ferida por Alice diariamente. No entanto, eu tomava o maior cuidado e me certificava de nunca machucar Alice.

Se matar Alice me permitisse me tornar Alice, tenho certeza de que eu teria feito isso. Isso, claro, era impossível.

Se eu matasse Alice, Alice desapareceria. Eu não poderia mais ver Alice.

Eu não era a única amiga de Alice. Malditos sejam os outros. Eu queria Alice só para mim, mas se fosse muito insistente, Alice acabaria me odiando, então eu tinha que me controlar.

As amigas de Alice eram todas pessoas que me faziam querer dizer, “Por que você é amiga de alguém assim?”

Eu tinha dez ou vinte reclamações sobre cada uma delas, e era excepcionalmente doloroso para mim me dar bem com elas.

Mesmo assim, eu tinha que fazer isso.

Quando estávamos numa excursão escolar para o mar, e surgiu a conversa de reunir voluntários para explorar cavernas, eu não estava nem um pouco interessada. No entanto, ouvi que uma das amigas de Alice participaria, então entrei em pânico.

Conhecendo elas, com certeza convidariam Alice. Alice provavelmente não estava animada para explorar, mas poderia responder, “Ah, claro, por que não?”

Decidi agir primeiro. Antes que elas pudessem convidar Alice, eu mesma faria isso.

Traindo minhas expectativas, quando disse que íamos numa aventura, Alice se interessou o suficiente para ir pegar uma pá em algum lugar. Nunca se sabia o que Alice faria.

Eu me arrependo.

A garota que eu achava que poderia convidar Alice nunca participou da aventura. Eu não ligava nada para caverna. Era só que eu nunca quis sentir que alguém tinha tirado Alice de mim.

Se aquela garota tivesse convidado Alice, e Alice tivesse ido, eu não queria estar dizendo, “Vou também, então.” Você não poderia me obrigar a dizer isso.

Porque convidei Alice para uma aventura por esse motivo mesquinho, meu destino mudou drasticamente.

Ahhh, ahhh, não quero lembrar!

Enquanto avançávamos pela caverna, fomos cercadas por gás em algum momento, e eventualmente acabamos sem conseguir enxergar. Eu nem conseguia encontrar Alice, que deveria estar bem ao meu lado.

— …Nui? — Tenho uma vaga lembrança de Alice chamando meu nome.

Pode ser que eu tenha imaginado isso, no entanto.

(Ito Nui…)

Eu queria tanto ouvir isso, pode ter sido apenas uma ilusão que meu cérebro criou para mim.

Provavelmente deve ter sido.

— Nui…!

Eu definitivamente ouvi o grito de alguém. Vários, na verdade. Havia vozes que eu reconhecia, também. Havia um som que eu não conseguia identificar.

O que diabos estava acontecendo?

Fiquei com medo.

Não há uma pessoa que não ficaria com medo naquela situação.

Alice! Alice! Acho que chamei. Mais que qualquer coisa, o fato de Alice não estar ao meu lado me aterrorizava.

Em algum momento, meu mundo tinha parado de ser sobre mim, passando a girar em torno de Alice. Todos os pensamentos levavam a Alice, e qualquer coisa que não fosse relacionada a Alice caía de mim e desaparecia.

Foi Alice quem me fez perceber que eu sofria do que você chamaria de transtorno alimentar. Não que Alice me tenha dito isso diretamente. Mas Alice era boa em sugerir coisas sutilmente.

Um dia, Alice falou comigo sobre isso.

— Sei que você pode achar que sou meio estranha, Nui. Mas você também é bem estranha.

— Como assim? — perguntei.

Alice ficou em silêncio por um momento, depois respondeu, — É só um pressentimento que tenho.

Sempre que Alice ficava em silêncio, eu me lembro de pensar em todo tipo de coisa. Era assim que Alice me fazia pensar, transmitindo o ponto sem dizer claramente.

Deve ter sido autoproteção para Alice, também.

Eu consegui descobrir que Alice tinha sofrido bullying antes. Foi algo que ouvi de outras pessoas; o bullying tinha sido realmente intenso, não apenas brincadeira.

Quando descobri que Alice tinha passado por uma experiência tão horrível, senti tanta pena de Alice que chorei. Ao mesmo tempo, isso me deu uma vantagem sobre Alice, então fiquei realmente feliz.

Quando pensava no momento em que apresentaria minha arma secreta para Alice, ficava tão animada que não conseguia dormir. Usando bonecas para representar a mim, Alice e a multidão de espectadores, encenei uma pequena performance da cena.

Eu podia encurralar Alice a qualquer momento.

Eu podia fazer Alice se submeter a qualquer momento.

Mas eu não faria isso. Porque Alice era importante para mim, e eu amava Alice. Isso era a prova do meu amor.

Ainda assim, se Alice algum dia me maltratasse e tentasse me descartar, eu usaria meu movimento secreto. Seria então que finalmente machucaria muito Alice.

E assim, eu finalmente confessaria meus sentimentos a ela.

Eu diria que não importa como realmente fosse, eu adoraria aquela Alice.

Eu diria que gosto muito da Alice.

Que amava Alice.

Diria que nunca mais a machucaria, que esta era a última vez que abriria velhas feridas.

Eu queria que Alice confiasse em mim, se abrisse e me mostrasse tudo, e soubesse que era seguro fazê-lo.

Eu estava confiante de que esse dia chegaria.

Mas agora, Alice se foi.

Se foi. Foi o que aconteceu com Alice. Ela se foi.

Era mais do que pensamentos como, Não consigo enxergar, ou, Sei que entramos numa caverna, mas isso não pode ser só uma caverna, ou, Onde é isso?, ou, Nosso grupo de espeleologia parece estar sob ataque, ou, O que tá nos atacando? É uma fera? Ou um fantasma?

O que realmente me assustava era, Alice se foi.

Alice não podia ter ido embora. O mundo podia virar de cabeça para baixo, e se eu estivesse com Alice, não seria nada de mais.

Alice se foi. Isso é a única coisa que me preocupa.

— Nui…! — Alice estava chamando.

(Você sente isso tão fortemente…)

Eu procurei, e procurei, e procurei por Alice. Procurando, e procurando, e procu, procu, procu, procu, procuprocuprocuprocuprocuprocuprocuprocuprocu.

Eu estava tão sozinha e só.

Estar so-so-so-so-so-so-so-sozinha era simplesmente triste demais.

Boneca.

Boneca.

Quem é você?

Sou Alice.

Quem é essa?

A-lice.

Alince?

Alinoce?

Alialialialinocececececececececececealincealialialinocececececececece?

Não existe uma pessoa assim.

Em lugar nenhum.

Ninguém.

Bonecas, bonecas, somos só você e eu.

Vamos viver todos em feliz harmonia.

(Eles estão aqui.)

Você, acho que ficaria melhor com pernas longas. Deixa eu alongar essas para você.

Agora que suas pernas estão mais longas, estão desequilibradas com seus braços. Vamos alongar os braços também.

Você podia ter um pescoço mais longo, também.

Sua cabeça tá meio grande.

Deixa eu colocar essa cabecinha aqui em você.

Seus tornozelos são tão gordos e feios. Vamos lixá-los.

(Alice tá aqui…)

— Nui…!

(Alice tá aqui. Realmente aqui.)

— Nui!

(Perceba.)

(Volte.)

(Ito Nui.)

— Nui!

(Nui-san.)

(Vem comigo.)

— Nui!

Alice?

Ahhhh.

Então era aí que você estava…


Tradução: ParupiroHPara estas e outras obras, visite o Cantinho do ParupiroH – Clicando Aqui


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