Hai to Gensou no Grimgar – Capítulo 6 – Volume 11

 

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Hai to Gensou no GrimgarGrimgar of Fantasy and Ash

Light Novel Online – CapĂ­tulo 06:
[Manter as AparĂȘncias]


Comecei a tossir do nada. Será que estou doente? Tipo, com algo realmente grave? Não? É, provavelmente não. É só uma tosse. Não tem nenhum significado por trás disso. É uma tosse sem sentido. Uma tosse sem propósito. —Espera aí, por que estou pensando nesse tipo de coisa chata? Sou mesmo um idiota.

Ranta estava incomodado por algum motivo e olhou para a esquerda, depois para a direita. Ele esfregou os olhos. Mas fazer isso nĂŁo o ajudaria a enxergar melhor.

— TĂĄ bem escuro…

Pelo tom do céu que espreitava entre as årvores, o sol ainda não deveria ter se posto. Apesar disso, a floresta densa do Vale dos Mil estava envolta em névoa.

Não estou com medo. Bem, não. Por mais noites que eu passe sozinho, é impossível apagar o medo e a incerteza. Não adianta bancar o durão. Não é como se alguém estivesse assistindo. Eu poderia fingir ser forte, mas isso não significaria nada.

— Kehe… — Zodiac-kun, o demĂŽnio, soltou uma risadinha atrĂĄs dele.

No passado, ele teria dado uma bronca no demÎnio, mas agora isso nem o incomodava tanto. Os demÎnios agiam como se fossem outra pessoa, com uma personalidade própria, mas não era isso que eles eram. Diziam que as revelaçÔes de Skullhell se refletiam nas açÔes de um demÎnio. No entanto, o demÎnio era fundamentalmente um espelho do seu cavaleiro das trevas, uma extensão dele. Mesmo que o demÎnio parecesse muito diferente do cavaleiro das trevas, era apenas um reflexo de um lado oculto do cavaleiro ou uma parte dele que ele desconhecia.

— Hehehe… Vai lĂĄ, pisa na bola… Vacila agora… Se arrebenta de vez… — provocou.

— Nah, mas eu nĂŁo acho que isso vai acontecer comigo, sabe? — respondeu Ranta. — NĂŁo tem como, nĂ©?

— …

— Vai me ignorar agora, Ă©?

— …

— Some logo. Cai fora—Não, foi mentira. Tî mentindo, beleza? Não desaparece, tá bom?

— O que… devo fazer…? Kehe…

— Comando: Não desapareça.

— Tch…

— O quĂȘ? Por que esse estalo de lĂ­ngua tĂŁo sinistro…?

Zodiac parecia insatisfeito, mas o demĂŽnio nĂŁo desapareceu.

Quando um lorde da guilda dos cavaleiros das trevas de Altana demonstrou como controlar um demĂŽnio, Ranta se lembrava vagamente de que ele usara a palavra “Comando” para fazĂȘ-lo obedecer. Parecia funcionar quando ele tentava, entĂŁo começou a usar de vez em quando.

Um demĂŽnio era subserviente ao seu cavaleiro das trevas. Se o demĂŽnio desobedecesse, isso seria apenas uma prova de que o cavaleiro das trevas nĂŁo conseguia se controlar. Por extensĂŁo, significaria que ele nĂŁo se entendia.

Afinal, porque o demĂŽnio era ele mesmo, era impensĂĄvel que nĂŁo pudesse entendĂȘ-lo.

Naturalmente, Ranta tinha total domĂ­nio sobre si mesmo. Era impossĂ­vel nĂŁo conseguir se controlar. Ele sentia que jĂĄ havia se convencido disso hĂĄ muito tempo, sem qualquer dĂșvida. Isso devia ser prova de que ele nĂŁo se entendia nem um pouco. Nunca tinha pensado profundamente sobre isso. Provavelmente, nunca quis.

Eu sou eu. O eu que estĂĄ aqui agora Ă© 100% eu. Isso nĂŁo basta?

Mas o que quero dizer com 100%? O que quero dizer com eu? Quem diabos eu acho que sou? Quem? NĂŁo tem como responder a isso. Quero dizer, eu realmente nĂŁo me entendo. Nunca consegui me enxergar.

O que eu estava olhando antes? Se eu nem conseguia ver a mim mesmo, e quanto aos outros? Tipo, eu estava julgando Haruhiro e o resto de forma precisa? Ou sĂł tinha uma visĂŁo distorcida deles, decidida pelo que era conveniente pra mim?

Isso tambĂ©m seria parte de mim… Ă© o que eu acho que isso significa. Esse Ă© o tipo de pessoa que eu sou. EgocĂȘntrico, egoĂ­sta e sem arrependimentos. Por que sou assim?

No final das contas, pode ser que eu nĂŁo espere nada das outras pessoas. VocĂȘs, aposto que nenhum de vocĂȘs gostava de mim, nĂ©? Eu sempre soube disso. vocĂȘs nunca gostariam de mim, gostariam?

Yume, Shihoru e Mary me odiavam. Nunca pensei, nem por um momento, que estavam fingindo me odiar e, na verdade, gostavam de mim. Nunca pensei nisso.

Kuzaku também não gostava de mim. Bem, ele me odiava bastante. Eu tolerava isso um pouco, porque ele era mais jovem e menos experiente, mas se não fosse por isso, eu teria rebatido com mais força.

Fiquei pouco tempo com o Manato, mas ainda tenho a sensação de que ele sabia lidar comigo muito bem. Ele era um homem inteligente. Provavelmente pensava que deixar suas opiniĂ”es pessoais—gostar ou nĂŁo de mim—afetarem seu julgamento seria um erro, e estava acostumado a controlar suas emoçÔes. Esse era o tipo de pessoa que ele era. Isso tornava as coisas mais fĂĄceis para mim.

O Moguzo era um mistĂ©rio. NĂŁo, nĂŁo havia nada misterioso nele. É que ele era uma pessoa Ășnica, e isso o tornava intrigante para mim.

Ele era um cara legal. Um cara realmente bom. Colocava os outros antes de si mesmo, nunca interferia onde não era chamado, e sempre dava o seu melhor. Ele ia além dos seus limites pelos companheiros e acabou morrendo por isso. Naquela luta contra Zoran Zesh na Fortaleza de Observação Deadhead. Se o Moguzo não estivesse lå, Renji, Kajiko e as Wild Angels teriam problemas. No mínimo, alguns deles provavelmente teriam morrido. Talvez todos os soldados voluntårios tivessem sido exterminados.

O Moguzo devia saber disso, então fez o que precisava. Se ele não tivesse resistido naquela situação, todos teriam morrido. Ele sacrificou sua vida por todos nós. Esse era o tipo de pessoa que ele era. Não acho que o Moguzo me odiava. Eu realmente acredito nisso. Fiz muitas coisas que poderiam ter feito com que ele me odiasse, mas aquele cara não odiaria os companheiros com quem lutava lado a lado.

E entĂŁo tinha o Haruhiro.

Ele me odiava, obviamente. NĂŁo seria exagero dizer que ele me detestava por eu ser o cavaleiro das trevas problemĂĄtico. Mas ele fazia um esforço enorme para lidar comigo. Era mais do que impressionante; era exasperante. Ele era idiota? Quero dizer, sĂ©rio, aquele cara… Deve ser um masoquista completo.

NĂŁo acho que eu fazia questĂŁo de causar problemas para o Haruhiro. NĂŁo era minha intenção, mas tambĂ©m nunca tentei facilitar as coisas para ele. Eu sempre pensava: “VocĂȘ se adapta a mim. Faça as coisas ficarem mais fĂĄceis para mim, organize tudo e crie um ambiente apropriado. Faça com que eu me sinta bem usando meus poderes incrĂ­veis. VocĂȘ Ă© o lĂ­der, nĂŁo Ă©? Se vocĂȘ Ă© o lĂ­der, isso deveria ser Ăłbvio. Essa habilidade de se ajustar? Basicamente, isso Ă© tudo.”

Bem, Parupiro, sabe de uma coisa? Tenho certeza de que Ă© difĂ­cil para vocĂȘ tambĂ©m, mas Ă© assim que as coisas sĂŁo, certo? NĂŁo Ă© como se fosse fĂĄcil para mim. Sua sorte acabou quando vocĂȘ assumiu o papel de lĂ­der. Desista. Ou trabalhe duro. NĂŁo Ă© meu problema. Eu nĂŁo sou vocĂȘ. NinguĂ©m mais pode ser eu, e ninguĂ©m mais pode ser vocĂȘ. Estamos todos sozinhos, afinal, nĂŁo Ă©?

Cara, que tipo de pessoa eu sou? Alguém que não espera nada dos outros, mas deixa tudo nas mãos deles e ainda espera que me mimem.

— NĂŁo que refletir sobre isso agora vĂĄ adiantar alguma coisa… — murmurou.

— Ehe… Hehehe… Macaco inferior que nĂŁo consegue refletir sobre os prĂłprios erros… Hehehe…

Ranta se virou e lançou um olhar irritado para Zodiac-kun. O demÎnio estava com aquele negócio de novo, droga. Usava algo como um lenço roxo na cabeça. Seus olhos pareciam buracos, e havia algo como uma boca aberta logo abaixo. Na mão direita, segurava uma faca, e na esquerda, um porrete. Mesmo flutuando, tinha duas pernas estranhamente realistas.

— EntĂŁo, vocĂȘ nĂŁo tinha deixado de ser Zodiac-kun para virar Zodie…? — reclamou Ranta.

— Kehe… Quando vocĂȘ nĂŁo faz oferendas… nĂŁo fique se achando… Fique quieto e morra para sempre…

— Comando: Não me mande morrer.

— …Desapareça.

— SinĂŽnimos tambĂ©m nĂŁo valem, entendeu?

— …Seja eliminado.

— Usar passiva Ă© a mesma coisa, droga.

— Onde foi parar o vocĂȘ que amava a liberdade… Ranta…?

— Com liberdade vem responsabilidade.

— Heh… Heheheh… Responsabilidade, huh… Essa Ă© a palavra que menos combina com vocĂȘ…

— Mesmo agora, quando acabei assim por assumir responsabilidade pelos meus próprios atos?

— VocĂȘ se arrepende, Ranta…? Que ousadia a sua… Ehehe…

— Não. Não me arrependo.

— Tentando bancar o durĂŁo… Kehehe…

— SĂ©rio, nĂŁo estou tentando bancar o durĂŁo — retrucou Ranta. — Provavelmente hĂĄ muitas coisas que eu nunca teria percebido se isso nĂŁo tivesse acontecido. NĂŁo vou dizer que foi o melhor, mas estou satisfeito com isso. NĂŁo importa o que aconteça comigo daqui pra frente, a Ășnica coisa que nĂŁo vou fazer Ă© me arrepender.

— He…

— Fui muito legal agora?

— …Bleeeeeeeeeeeeeeeeeh.

— VocĂȘ tĂĄ vomitando?!

Esse era mesmo o seu demĂŽnio. Nunca esquecia o senso de humor. Um bom humor era essencial para qualquer homem. Com humor vinha a compostura. Mulheres eram mais atraĂ­das por homens tranquilos do que por homens estressados. NĂŁo que houvesse mulheres por perto, claro.

Ele deveria descansar? Ou continuar?

Ranta fazia essa pergunta a si mesmo a cada algumas dezenas de minutos. Dezenas? Talvez fosse mais frequente. Talvez fosse a cada poucos minutos. Ele nĂŁo tinha como controlar o tempo, entĂŁo nĂŁo sabia ao certo.

Quando a noite se aproximou, a floresta ficou barulhenta. Não que fosse silenciosa durante o dia, mas o barulho noturno era diferente. Ele não podia enxergar no escuro, então sua audição parecia estar mais aguçada. Tornava-se sensível a qualquer ruído, dependendo quase inteiramente dos sons ao seu redor.

— Talvez a gente nĂŁo devesse falar — disse Ranta em voz baixa. — Ei, Zodiac-kun. Comando: Fica quieto, a menos que vocĂȘ perceba algo realmente ruim se aproximando.

Depois que fez Zodiac-kun calar a boca, os sons incessantes da floresta se intensificaram ainda mais nos seus ouvidos.

Sons. Sons. Ele nĂŁo podia se deixar levar pela avalanche de barulhos que o cercava.

Escute e organize os sons, dizia a si mesmo. É extremamente difĂ­cil, mas preciso tentar. O que estou ouvindo perto de mim? Meus prĂłprios passos. O som dos insetos. SĂł isso, nĂ©? E aquele som agudo de “fii, fii, fii, fii”, do que Ă©? NĂŁo faço ideia. E aquele “cah, cah, cah, cacacacacah”? Como vou saber? Eu nĂŁo sou um professor de florestas noturnas.

Isso Ă© irritante. Claro, sou um cavaleiro das trevas, nĂŁo um professor de florestas noturnas. Mas, afinal, o que Ă© um professor de florestas noturnas? NĂŁo importa. Se for necessĂĄrio, eu me tornarei um professor de florestas noturnas, ou seja lĂĄ o que for. Preciso fazer isso. Ou talvez nĂŁo? Sei lĂĄ.

Serå que é imprudente continuar com tanta escuridão ao redor? Estou no meu limite, não estou? Isso é claramente perigoso. Talvez devesse descansar? Se eu dormir, quando acordar jå serå manhã. Bem, se algo acontecer enquanto eu durmo, eu lido com isso depois. O velho deve estar dormindo agora também, certo? Ele ainda estå me perseguindo? O objetivo dele era me levar de volta, mas eu não tenho intenção de ir. Nesse caso, ele não poderia simplesmente desistir e voltar? Se ele jå desistiu, não hå necessidade de pressa. Posso ir devagar e priorizar minha segurança.

NĂŁo dĂĄ.

Estou com medo.

Isso Ă© assustador pra caramba!

Assustador demais, tĂĄ bom?! Meu coração estĂĄ disparado! Nunca senti tanto medo antes! Por quĂȘ?!

— …Oh.

Até agora, ele estava fugindo. Tentava não ser pego, é claro, e ficava com medo sempre que percebia um perseguidor, mas estava lidando com Takasagi e o grupo dele. Eles não o matariam assim, sem mais nem menos, sem antes tentar conversar. Pelo menos era o que Ranta acreditava, e, na verdade, ele estava certo.

Assim, enquanto Takasagi e seus homens o perseguiam, Ranta, de certa forma, nĂŁo estava sozinho. Pelo menos, nĂŁo sentia o peso da solidĂŁo de forma tĂŁo real.

No vasto Vale dos Mil, que provavelmente estava cheio de perigos, ele sequer sabia para onde estava indo.

Além disso, para onde ele estava indo? O que ele estava tentando fazer?

Ele pensava vagamente: Acho que vou voltar para Altana. Mas nĂŁo tinha uma ideia clara do que faria ao chegar lĂĄ.

Se eu encontrar Renji, talvez ele me deixe entrar na party dele, pensou vagamente. Eu recusei antes. Talvez isso não aconteça.

Ele conseguiria voltar para Altana?

Diante daquela situação, sem nenhum motivo para acreditar, Ranta não era idiota o suficiente para pensar com confiança: Sim, acho que consigo.

Aquilo era solidĂŁo.

Ele estava verdadeiramente sozinho, sem um Ășnico amigo no mundo.

Ele queria descansar. Para recuperar o fÎlego e minimizar os riscos, era o mais sensato a se fazer. Não precisava dormir. Bastava deitar ou até sentar. Ele sabia disso.

Mas ele nĂŁo conseguia descansar.

Se parasse, provavelmente enlouqueceria. No mĂ­nimo, choraria. Na verdade, Ranta jĂĄ estava com lĂĄgrimas nos olhos. Ele se envergonhava, mas nĂŁo tinha controle. Estava chorando. NĂŁo, ele nĂŁo tinha nem o luxo de se sentir envergonhado.

Ele sĂł podia manter seu demĂŽnio materializado por trinta minutos seguidos. Antes que percebesse, Zodiac-kun jĂĄ tinha desaparecido, e Ranta quis gritar.

Se vai embora, me avisa! Me avisa antes de sumir!

Entre soluços, ele se apressou em refazer o Demon Call. Zodiac-kun reapareceu e, como Ranta tinha ordenado, continuava em silĂȘncio. Ele nĂŁo podia reclamar, pois foi ele mesmo quem deu o comando. Se cancelasse a ordem, seria admitir derrota.

Não, esse não era o problema. Se continuasse com aquele bate-papo no estilo de comédia com o Zodiac-kun, bem, isso o distrairia, mas era como se ele mesmo fizesse o papel de bobo e sério ao mesmo tempo, e isso parecia vazio.

NĂŁo, nĂŁo, nĂŁo, esse nĂŁo era o problema. Era algo mais… Espera, por que ele tinha ordenado que o Zodiac-kun nĂŁo falasse, afinal? Ele nem se lembrava mais, mas um homem nunca volta atrĂĄs em sua palavra, e seu orgulho nĂŁo o deixaria admitir que estava se sentindo solitĂĄrio e pedir para o Zodiac-kun soltar uma ou duas histĂłrias engraçadas.

É isso mesmo. Se o Zodiac-kun me pedisse, eu estaria disposto a ceder, mas nĂŁo posso me rebaixar. AlĂ©m disso, meu demĂŽnio Ă© como uma parte de mim, entĂŁo Ă© estranho pensar quem estĂĄ pedindo o quĂȘ… Em outras palavras, o Zodiac-kun nĂŁo pode adivinhar meus sentimentos e me fazer rir com uma piada? Por que nĂŁo? Hein? E aĂ­? Estou perguntando aqui. NĂŁo, acho que nĂŁo estou perguntando, nĂ©. NĂŁo estou perguntando. Mesmo sem eu pedir, vocĂȘ deveria entender. Entenda, por favor. Por que vocĂȘ nĂŁo entende? Estou triste. Isso Ă© difĂ­cil. SĂ©rio, muito difĂ­cil…

O ambiente estava ficando um pouco mais claro, e ele conseguia distinguir melhor os contornos das ĂĄrvores e do terreno. Em apenas uma noite, sentia que tinha envelhecido vinte, talvez trinta anos. Era o quanto ele estava exausto.

— Acho que isso significa… que estou seguro…? — murmurou.

NĂŁo. Era cedo demais para pensar isso. A noite nem havia terminado.

Mais um esforço.

Estava quase lĂĄ.

Quase onde? O que vai acontecer?

Mesmo que o dia amanhecesse, nĂŁo havia garantia de que estaria seguro. Quando ele finalmente poderia descansar?

A qualquer momento. Se estivesse preparado para aceitar as consequĂȘncias, poderia descansar em qualquer lugar e da forma que quisesse.

É sĂł uma questĂŁo de estar preparado para aceitar isso. Mas isso significa desistir. NĂŁo, significa mudar de rumo. Cheguei tĂŁo longe. Estou no meu limite. Continuar andando Ă© uma dor insuportĂĄvel. Nunca pensei que um Ășnico passo pudesse ser tĂŁo desgastante. Devo descansar. Se nĂŁo o fizer, vou desabar. NĂŁo tenho outra escolha.

Tome a decisĂŁo e deixe-se descansar. Tenho certeza de que tudo ficarĂĄ bem. As coisas que me preocupam nĂŁo vĂŁo acontecer. Vou tirar um cochilo rĂĄpido, e quando me sentir melhor, poderei me mover novamente.

Ele parou.

— Certo…

Até sua voz estava fraca.

Viu? Agora não hå escolha além de descansar.

Ele tentou se sentar no chĂŁo.

— Heh… Ranran…

— …HĂŁ?

Ao ouvir seu nome ser chamado, ele se virou. “Quem está me chamando de Ranran?” Ele quis dizer, mas agora não era hora para isso.

Zodiac-kun estava tentando se virar.

Ranta reagiu rapidamente usando Exhaust. Logo depois, ou mais precisamente ao mesmo tempo, Zodiac-kun foi jogado no chĂŁo por algo.

O que quer que fosse, havia saĂ­do de algum lugar prĂłximo, pulando dos arbustos atrĂĄs de Ranta e Zodiac-kun para atacar o demĂŽnio. Antes que Zodiac-kun pudesse revidar, aquilo cravou as presas na ĂĄrea prĂłxima dos olhos parecidos com buracos do demĂŽnio.

Quando um demÎnio recebia uma quantidade letal de dano, ele se desfazia tão facilmente quanto um castelo de areia. Isso aconteceu, e o agressor talvez tenha ficado surpreso com isso. Mas rapidamente assumiu uma postura baixa e avançou na direção de Ranta.

O que Ă© isso?

Uma fera? É preta. NĂŁo, tem manchas. É um lobo? NĂŁo, Ă© um gato? Um leopardo ou algo assim?

Oh, droga. É rápido.

Ele não tinha espada. A tinha perdido na luta contra Takasagi. Isso era mais grave do que qualquer situação.

Ranta sacou sua faca reserva enquanto recuava com Exhaust, mas o que ele podia fazer com uma arma dessas?

Ele usou o Exhaust novamente.

NĂŁo adianta. NĂŁo consigo me afastar. E alĂ©m disso, estĂĄ se aproximando rĂĄpido. É algo muito superior a um humano ou orc. É rĂĄpido demais. NĂŁo adianta. NĂŁo consigo fugir.

Ranta estava completamente perdido. Talvez fosse por isso.

— Ngah…?!

Era uma ĂĄrvore. Ele bateu as costas em uma ĂĄrvore. Que erro.

Estava vindo. O que provavelmente era um leopardo rugiu e saltou sobre ele.

Ranta foi imobilizado. A pressão era incrível. Ele estava preso ao chão, incapaz de mover os braços.

Ranta usava um elmo. Sua viseira mĂłvel foi arrancada. Parecia que o leopardo a tinha rasgado com uma mordida.

— Ohhhhhhhhhhhhh…?!

O que aconteceu em seguida foi insano. Ele tentou morder seu rosto. Instintivamente, Ranta torceu o pescoço. O leopardo acabou mordendo sua cabeça, não seu rosto.

— Ohhh, ohhhhh, ohhhhhhh…?

Ele estava mastigando. Seu elmo. Sim. Seu elmo. De alguma forma, o elmo estava resistindo Ă s presas do leopardo.

NĂŁo…?

— Ai?!

DĂłi quando vocĂȘ faz isso, okay?

— Ohhhhhhhh, ohhhhhhhhhh, nĂŁĂŁĂŁĂŁĂŁĂŁĂŁo…?

O elmo. Sob a imensa pressão das presas. Provavelmente, as presas tinham perfurado o elmo. Elas estavam entrando na cabeça de Ranta. Talvez não muito fundo ainda, mas doía, então com certeza estavam cravadas nele. Além disso, parecia que o elmo estava prestes a amassar, ou jå tinha começado, e seu pescoço parecia que ia se partir.

Eu tĂŽ morto. TĂŽ muito morto aqui. Ele vai me comer.

— N-n-nĂŁo sou gostoso, entĂŁo e-e-espera, nĂŁo me come, nĂŁo me come, nĂŁo me come! NĂŁo me comaaaa, uahhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh…? — Ele estava começando a entrar em pĂąnico.

Calma, disse a si mesmo. Agora Ă© hora de se acalmar.

— Ah! Ahhhh! Ó EscuridĂŁo, Ó Senhor do VĂ­cio, Dread Terror…!

Uma névoa arroxeada surgiu e foi sugada pelo nariz e pela boca do leopardo.

O efeito foi instantĂąneo. O leopardo saltou para longe de Ranta.

Ranta imediatamente rolou para o lado e se pĂŽs de quatro. Ele saltou com o Leap Out.

Enquanto fugia, olhou para trĂĄs para ver o leopardo. O animal soltava um grito agudo, tĂ­pico de felinos, enquanto saltava de um lado para o outro. Parecia que havia algo aterrorizante Ă  sua frente, e ele tentava afastar aquilo com as patas dianteiras. Era essa a impressĂŁo que passava.

Aterrorizando o alvo com a ameaça do deus das trevas, Skullhell, e roubando sua capacidade de tomar decisÔes corretas. O Dread Terror estava funcionando. Seria perfeito se ele pudesse fugir agora, mas provavelmente as coisas não seriam tão fåceis.

O leopardo rugiu e se virou para ele. Estava vindo. Em pouco tempo, avançou em sua direção a toda velocidade.

SerĂĄ que isso estava caminhando para sua morte, talvez?

Para usar magia das trevas, ele precisava parar. Se parasse, o leopardo o alcançaria num instante e o derrubaria. Enfrentå-lo era impossível. Aquele leopardo era maior que Ranta. Ele não tinha chance com aquela faca.

O leopardo provavelmente nĂŁo tinha muita resistĂȘncia, entĂŁo, se Ranta conseguisse continuar correndo, poderia cansĂĄ-lo. Mas ele era rĂĄpido. RĂĄpido demais. Logo o alcançaria. Havia apenas uma coisa a fazer.

Para o leopardo, Ranta era uma presa. Ele devia estar tentando comĂȘ-lo. Estava com fome. Queria comer. Nesse caso, sĂł precisava alimentĂĄ-lo. Sim. Ele podia dar um braço.

Certo, decidi. É pra eu sobreviver. Esse Ă© um preço baixo. Sem problemas. Eu vou viver. Eu vou sobreviver. Vou me manter firme, manter a cabeça fria, focar em como sobreviver e fazer minha escolha. Eu vou fazer isso. Eu consigo. Acredite.

Ranta parou de repente. O leopardo estava quase sobre ele. Estava bem na sua cara, por assim dizer.

Missing.

Fez parecer que ia para a direita, mas foi para a esquerda.

O leopardo o seguiu sem hesitar. Sério? Isso era puro instinto natural.

Mais uma vez, Missing. Dessa vez, ele fingiu ir para a direita e foi para a esquerda.

Aguenta firme, pernas!

O leopardo vacilou para a direita um pouco, mas continuou seguindo de perto.

— Hah…!

NĂŁo foi Leap Out ou Exhaust. Ranta torceu o corpo e saltou praticamente em linha reta para cima. NĂŁo alto, mas baixo e rĂĄpido.

Ele planejava fazer o leopardo que avançava passar direto por ele. Não, não era isso.

Ele se agarrou nas costas do leopardo.

Estava preparado para sacrificar um braço, se necessårio, mas não ia desistir dele desde o começo.

Ranta envolveu o braço ao redor do pescoço do leopardo, segurando o torso com ambas as pernas. Ele cravou a faca no lado do pescoço da criatura. Tentou perfurar fundo, mas o leopardo gritou e saltou. Ele se chocou de costas contra uma årvore próxima.

Quem sofreu o impacto direto foi Ranta, que estava agarrado Ă s suas costas. O impacto quase o fez perder a consciĂȘncia.

Eu nĂŁo vou soltar. Eu nĂŁo vou a lugar nenhum.

— Ngahhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh…!

Ele moveu a faca.

Morra. Morra. Morra, maldito.

O leopardo se debatia, arranhando o braço esquerdo de Ranta. As garras. A força delas era incrível.

Seu braço esquerdo foi rasgado.

Era o momento—não de ser teimoso.

Saia daqui, pensou. Ele rolou e se levantou. O leopardo pulou para pegĂĄ-lo.

Ranta fugiu usando Exhaust e Missing, de alguma forma conseguindo escapar, mas o leopardo não desacelerava. Era como se aquele ferimento no pescoço nem coçasse.

Ranta arrancou o elmo esmagado, jogou-o no leopardo e recuou com Exhaust. Isso estava começando a pesar nas pernas. Até onde ele conseguiria ir? Teria que descobrir. Porque determinação sozinha não seria suficiente.

Era hora de procurar uma forma de virar o jogo, mas ele nĂŁo tinha nenhuma. Mais uma vez. Ele teria que fazer a mesma coisa de novo. Se fosse sĂł mais uma vez, talvez conseguisse dar um jeito. Quando nĂŁo pudesse mais se mover direito, teria que fazer sacrifĂ­cios.

Não era teimosia. Tampouco uma determinação patética. Era uma crise clara, uma situação de vida ou morte, e ele estava no limite, mas, estranhamente, estava calmo.

Se nĂŁo estivesse, teria ficado em choque quando um objeto longo e fino caiu do alto.

Naturalmente, ele se surpreendeu, mas estava estranhamente tranquilo, entĂŁo conseguiu reagir imediatamente. Aquele objeto longo estava cravado no chĂŁo bem na frente de seus dedos. Era uma katana.

No instante em que largou a faca, Ranta puxou a katana do chão. Com o cabo próximo ao ouvido esquerdo, segurou-a com ambas as mãos. Pé direito à frente, pé esquerdo atrås.

O leopardo estava prĂłximo. Perto demais.

Ele moveu o pé esquerdo para frente, girando o pulso enquanto descia a lùmina diagonalmente para baixo e para a direita.

Ele sentiu o impacto de algo.

O leopardo passou pelo lado direito dele, tĂŁo perto que quase o tocou, e caiu.

— Essa katana… — murmurou Ranta.

À sua frente, à esquerda, havia algo que não poderia ser chamado de colina, mas uma elevação abrupta no terreno.

Alguém tinha jogado aquela katana de lå. Só podia ser isso. Não havia como algo tão conveniente simplesmente cair do céu, então ele podia dizer que as chances de ser outra coisa eram nulas.

Ele sabia que seria inĂștil, mas escalou a elevação.

NĂŁo foi inĂștil. NĂŁo havia ninguĂ©m lĂĄ, mas havia uma bainha de katana descartada.

Ranta se agachou e pegou a bainha. Assim que a segurou, seus joelhos cederam.

Ele soltou um soluço silencioso.

NĂŁo chore.

NĂŁo posso derramar lĂĄgrimas.

Segure com tudo que tenho, e respire.

— Aquele velho… — Ele tentou rir, mas nĂŁo conseguiu. — Que idiota…


Tradução: ParupiroHPara estas e outras obras, visite o Cantinho do ParupiroH – Clicando Aqui


Tradução feita por fãs.
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