Hai to Gensou no Grimgar – Capítulo 2 – Volume 11

 

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Hai to Gensou no GrimgarGrimgar of Fantasy and Ash

Light Novel Online – CapĂ­tulo 02:
[Agora]


Ele respirou profundamente e soltou o ar lentamente.

Parecia que, por um tempo, ele havia esquecido de respirar.

Um tempo?

Quanto tempo seria isso?

Ele não sabia. O som—

Havia ruĂ­dos ao longe. Muitos, e todos diferentes.

Ao longe?

Não, talvez não fosse isso. Os ruídos podiam estar ecoando dentro de sua cabeça. Lå no fundo. Se fosse o caso, eles não estavam distantes. Era o oposto. Eles estavam próximos. Muito próximos.

TĂŁo prĂłximos que, como resultado, ele nĂŁo conseguia ouvi-los?

Suas mĂŁos estavam no chĂŁo.

Onde ele estava mesmo?

NĂŁo estava ao ar livre. Era um lugar fechado. Mas o chĂŁo nĂŁo era coberto. Era de terra batida.

O rosto dela estava entre suas mãos. Por que estava assim? Mesmo enquanto se perguntava, ele não sabia. Mas, na posição em que estava, como se tivesse parado no meio de uma flexão, ele podia ver que os olhos dela estavam quase fechados e os låbios levemente entreabertos. Todo o corpo dela parecia mole.

Apesar disso, parecia que, se ele falasse com ela, ela responderia. EntĂŁo, por que ele nĂŁo fazia isso? Era algo tĂŁo simples. Bastava chamar o nome dela, e mesmo assim, por algum motivo, ele nĂŁo conseguia.

Por quĂȘ?

Estou… com medo?

Mas medo de quĂȘ?

Eu nĂŁo entendo. Eu nĂŁo sei.

De qualquer forma, eu nĂŁo vou entender, entĂŁo talvez as coisas estejam bem assim. Sim.

As coisas estĂŁo bem assim.

Vou deixĂĄ-la quieta. Isso Ă© o melhor a fazer. Sim. É isso.

Como tudo chegou a esse ponto? NĂŁo importa. Reaja. VocĂȘ Ă© o lĂ­der, nĂŁo Ă©? NĂŁo Ă© grande coisa, mas ainda assim o lĂ­der. NĂŁo Ă© hora de ficar distraĂ­do. NĂŁo pense em coisas desnecessĂĄrias. Agora, deve haver coisas que vocĂȘ precisa fazer. Faça-as. Se tiver tempo para pensar, use-o para agir.

Ele se levantou e olhou para a entrada. Shihoru estava sentada, encostada nas grades Ă  sua esquerda. Seus olhos estavam arregalados, os dentes cerrados, e a mandĂ­bula tremia enquanto ela o encarava.

Shihoru tentou dizer algo. Mas a voz dela nĂŁo saĂ­a.

Haruhiro inclinou a cabeça para o lado. O que poderia ser?

Shihoru tinha uma expressĂŁo incrĂ­vel no rosto. Como se tivesse acabado de testemunhar algo terrĂ­vel.

— Está tudo bem — ele disse a Shihoru, sorrindo. Então, Haruhiro exalou.

Estava tudo bem. Tudo estava bem.

Bem.

Bem.

Bem.

NĂŁo, espere. NĂŁo era hora de dizer que estava tudo bem. Havia coisas que ele precisava fazer.

Pensando bem, onde estava seu estilete?

Oh.

Bem ao lado dele.

Quando tentou pegar o estilete, o cadåver do guorella chamou sua atenção, e o sangue subiu à cabeça. Ele queria pisotear a cabeça do guorella morto até que não sobrasse nada além de uma massa sangrenta. Ele queria matå-lo. Matar até não sobrar nada.

JĂĄ estava morto. Aquele ali, pelo menos. Aquele guorella macho. Mas havia outros.

Sim. Ainda tenho mais para matar, nĂŁo tenho? Vou matĂĄ-los.

Eu vou matĂĄ-los.

Eu deveria matá-los. É isso. Vou acabar com todos.

Sim. Isso mesmo.

É exatamente isso que devo fazer, nĂŁo Ă©? Matar. Matar. Matar. Matar. Matar. Matar. Matar. Matar. Matar. Matar. Matar, matar, matar.

VocĂȘ nĂŁo pode.

Ele ouviu uma voz.

Era a voz dela.

Quando viu o corpo morto do guorella, ela tambĂ©m apareceu em sua visĂŁo. Ele tentou nĂŁo vĂȘ-la.

NĂŁo, nĂŁo era isso. Ele deveria ser capaz de vĂȘ-la, mas tentou convencer a si mesmo de que nĂŁo podia.

Mesmo ela estando bem ali.

Ele nĂŁo queria ver.

— …É isso, huh.

Perder o controle e mergulhar no desespero… esse nĂŁo era o seu estilo. Se tivesse uma força acima da mĂ©dia ou alguma habilidade especial, talvez valesse a pena arriscar tudo e apostar, mas, infelizmente, Haruhiro era uma pessoa comum e mediana. Mesmo que houvesse pouco que pudesse fazer, ele tinha que fazer o melhor que podia. Como sempre. Usando suas ferramentas ao mĂĄximo, ele encontraria um jeito de sobreviver. Se perdesse o controle, apenas se autodestruiria.

E talvez isso nĂŁo fosse tĂŁo ruim assim.

Se ele se autodestruĂ­sse…

NĂŁo importava o que acontecesse. Por que ele se importaria?

NĂŁo.

Ela nĂŁo tinha acabado de dizer a ele que nĂŁo podia fazer isso? Sim, havia dito. NĂŁo havia como isso estar certo. Mas por que ele tinha ouvido a voz dela?

NĂŁo era algo que deveria ter acontecido.

Ele nĂŁo podia ter ouvido…

Por quĂȘ…? Isso mesmo, a voz dela… SerĂĄ que eu imaginei? Foi uma ilusĂŁo… NĂŁo, eu definitivamente ouvi—mas nĂŁo tinha como… NĂŁo—isso nĂŁo Ă© bom. NĂŁo pense nisso. NĂŁo posso pensar nisso. Pegue. Pegue o estilete. E entĂŁo faça o que precisa ser feito. Faça o que tem que fazer.

Ele rangeu os dentes. Firmou as pernas. Estavam cheias de força. Ele conseguia.

A prisão. Essa era a prisão onde Setora estava sendo mantida. Os guorellas estavam do lado de fora. Eles tinham avançado contra a prisão, e Yume e Kuzaku mal conseguiam conter os guorellas que tentavam invadir.

— Shihoru, use magia! — ele gritou e tentou correr.

Mas seu joelho cedeu, e seus quadris afundaram. Ele estalou a lĂ­ngua.

O que era isso? Que diabos era isso?

Seu corpo nĂŁo obedecia. Por quĂȘ? Era Ăłbvio. Ele estava esgotado. Tinha matado guorella apĂłs guorella e, mesmo sem querer, havia se deixado levar demais. Perdera muito sangue e, em algum momento, esgotara sua resistĂȘncia. Esse era o resultado.

Isso… NĂŁo… Esqueça. Preciso esquecer.

Correndo de forma desajeitada e desequilibrada, ele avançou para a entrada. Setora, que estava na porta, olhou para ele.

— Haru! — Ela chamou seu nome, e seus olhares se cruzaram. Sem responder, ele saiu.

Kuzaku estava a cerca de dois metros da prisão, soltando gritos curtos enquanto balançava sua grande katana e se lançava contra os inimigos. Ele provavelmente estava tomado pela adrenalina e não estava pensando. Kuzaku estava se mantendo apenas pela força de vontade. Se parasse, com certeza desabaria.

Yume se movia rapidamente, com a postura baixa, mantendo qualquer guorella que se aproximasse sob controle. Obviamente, ela não tinha força de sobra, mas não parecia desesperada. Isso era típico de Yume.

Sem hesitação ou medo, ela mudava constantemente de posição, movendo-se para a esquerda e para a direita, ocasionalmente passando atrås de Kuzaku, apoiando-o de forma que se adequasse ao seu estilo. Mas aquilo exigia muito movimento. Yume não conseguiria aguentar daquele jeito por muito tempo.

— Yume! Eu cuido do lado esquerdo! — Haruhiro gritou.

— Miau!

— Eu ainda consigo continuar! — ele acrescentou.

Sinceramente, ele não sabia se conseguia ou não. Mesmo assim, tinha que acreditar que conseguia. Precisava acreditar nisso e fazer seus companheiros acreditarem também.

Haruhiro sacou sua faca com a mão esquerda. Avançou para o lado esquerdo de Kuzaku, usou o Swat no braço direito de um guorella que avançava em sua direção naquele momento e, em seguida, apunhalou seu rosto com o estilete. Imediatamente, tentou acertar os olhos com a faca, fazendo o guorella recuar.

PrĂłximo. O prĂłximo estava vindo. Ou melhor, jĂĄ estava ali.

Haruhiro girou para evitar um guorella que avançava contra ele.

— Ngah! — gritou Kuzaku, acertando-o com sua grande katana.

A pele escura e rígida, parecida com um exoesqueleto, se estilhaçou, espalhando fragmentos por todos os lados. Que poder destrutivo.

O guorella recuou, incapaz de aguentar o golpe, e outro guorella avançou. Era um macho jovem, mas se Haruhiro o enfrentasse de frente, estaria em desvantagem. Mesmo assim, não havia espaço para recuar.

Então, em vez de recuar ou se manter firme, ele avançou. Assumiu o risco de se aproximar e decidiu acertar um combo com o estilete e a faca no rosto do inimigo antes que ele pudesse atacå-lo.

Diferente de Kuzaku, Haruhiro não tinha força para quebrar a pele semelhante a uma carapaça, então, embora aquilo não causasse muito dano, seria suficiente para rachå-la.

Quando aquele guorella recuou, o prĂłximo avançou, depois o prĂłximo, e mais outro… os guorellas continuavam pressionando, mas nĂŁo atacavam todos de uma vez.

Mesmo com humanos, era mais difĂ­cil do que parecia cercar uma Ășnica pessoa e atacĂĄ-la em grupo. Um tinha que agarrar o inimigo por trĂĄs, outro socar seu rosto, outro o estĂŽmago, e se nĂŁo conseguissem dividir o trabalho assim, nĂŁo daria certo. Mesmo que fossem apenas duas pessoas contra uma, o aliado acabaria atrapalhando mais do que ajudando. Nesse caso, o ideal seria derrubar o inimigo, segurĂĄ-lo e impedir que se movesse. Naturalmente, o alvo deles—ou seja, Haruhiro—estava mais do que ciente disso, entĂŁo ele nĂŁo ficava parado.

Movimente-se.

Ele nĂŁo conseguia se mover com a agilidade de sempre.

NĂŁo importa. Movimente-se.

Ele continuou se movendo, enfrentando os inimigos que surgiam. Repetia isso incessantemente. Pelo tempo que conseguisse. Até que suas forças se esgotassem.

Faça. Continue fazendo. Logo, Shihoru nos darĂĄ suporte com sua magia. AtĂ© mesmo Setora tentarĂĄ algo. Preciso acreditar nos meus companheiros e fazer o que for possĂ­vel. Supere isso. É tudo o que posso fazer. Agora.


Tradução: ParupiroHPara estas e outras obras, visite o Cantinho do ParupiroH – Clicando Aqui


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