Hai to Gensou no Grimgar â CapĂtulo 4 â Volume 10
Hai to Gensou no GrimgarGrimgar of Fantasy and Ash
Light Novel Online – CapĂtulo 04:
[SaudaçÔes]
NĂŁo demorou muito para que os aparentes moradores daquelas casas saĂssem.
Pelo formato das construçÔes, Haruhiro jĂĄ esperava por isso, entĂŁo nĂŁo foi uma surpresa. Os moradores eram bĂpedes, como humanos. Suas constituiçÔes fĂsicas variavam. Nenhum era excepcionalmente grande ou pequeno demais. De longe, nĂŁo pareciam muito diferentes de humanos.
Os moradores seguiram pelas estradas, espalhando-se pelos campos, andando, agachando-se e mexendo as mĂŁos, aparentemente cuidando de tarefas agrĂcolas.
Havia tambĂ©m animais quadrĂșpedes, aparentemente gado, andando em fila. Seriam vacas? Ou ganaroes? Talvez, pelo tamanho, fossem ovelhas. No entanto, pareciam ser um tipo diferente de qualquer um desses.
Uma manhĂŁ pacĂfica na fazenda. Essas palavras surgiram na mente de Haruhiro.
A aldeia parecia pacĂfica. Na verdade, quem provavelmente tinha uma presença suspeita e inquietante era Haruhiro, que a observava Ă s escondidas. Indo mais alĂ©m, ele parecia o vilĂŁo da histĂłria.
Na verdade, independentemente da raça daqueles moradores, se fossem apenas fazendeiros e aquela fosse uma simples aldeia agrĂcola, Haruhiro e sua party eram os maus da histĂłria. Nada mais do que vilĂ”es. Estavam planejando conseguir suprimentos daquela aldeia, e Haruhiro a estava investigando para esse fim.
O problema era que estavam famintos. Ele queria comida. Ăgua potĂĄvel, daquelas que pudesse engolir com vontade. AtĂ© se contentaria com leite. Quanto mais, melhor.
Se pudessem pedir por isso, ele se inclinaria respeitosamente, ou faria o que fosse necessĂĄrio. Mas e se os moradores recusassem? Do ponto de vista deles, Haruhiro e sua party eram estranhosâe, alĂ©m disso, humanos. NĂŁo sentiriam nenhuma obrigação de ajudĂĄ-los. Bem, e entĂŁo? Deveriam desistir? Ou deveriam roubar o que precisavam?
Se possĂvel, Haruhiro queria evitar recorrer Ă força. Se pudessem resolver tudo pacificamente e conseguir alimentos e bebidas dessa forma, nada o deixaria mais feliz. Mas nem sabia se conseguiriam se comunicar.
Haruhiro pediu que seus companheiros ficassem de prontidĂŁo enquanto ele descia a montanha sozinho. Primeiro, queria descobrir o que pudesse sobre os moradores. No entanto, naturalmente, por mais que usasse sua habilidade furtiva, quanto mais se aproximava, maior era o risco de ser descoberto.
Até onde poderia ir? Era seguro continuar? Não era? Tentando entender isso, ele avançava aos poucos.
NĂŁo odiava esse tipo de trabalho. Era estranho admitir isso, e nĂŁo era algo que precisasse ser dito, mas ele se achava bom nisso. Mesmo deixando de lado a questĂŁo de talento, achava que isso realmente combinava com ele, e tinha um certo orgulho secreto disso.
â Sei lĂĄ… â murmurou. â SerĂĄ que exagerei? Talvez um pouco…
Haruhiro estava em um campo onde crescia uma planta parecida com grama. Por ora, dava para dizer que nĂŁo era um arrozal. Era um campo seco, entĂŁo talvez fosse trigo. Ele nĂŁo tinha certeza. Honestamente, nĂŁo entendia muito dessas coisas. NĂŁo era especialista em plantas. Era apenas um ladrĂŁo comum. Mas era um pouco parecido com o trigo, certo?
Aquela planta parecida com trigo chegava um pouco acima da cintura de Haruhiro, e suas espigas tinham vĂĄrios grĂŁos pequenos. Esses grĂŁos pareciam comestĂveis. Se eles estavam cultivando aquelas plantas, tinham que ser comestĂveis. Ele arrancou um grĂŁo e o colocou na boca.
â …Ă.
Era duro. NĂŁo conseguia dizer se tinha sabor ou nĂŁo. Pelo visto, nĂŁo era adequado para comer cru. Talvez, se fritassem, fervessem ou moessem e misturassem com ĂĄgua para fazer bolinhos, cozinhando ou assando, pudesse ficar bom. Provavelmente.
Haruhiro se movia como um lagarto, meio rastejando enquanto avançava com cautela, mas, na verdade, começou a pensar: SerĂĄ que estou me adiantando? Meu corpo estĂĄ totalmente escondido, entĂŁo talvez esteja bem. Ou talvez seja melhor voltar, afinal…
Erguendo levemente a cabeça, olhou ao redor. Mesmo o trabalhador mais próximo estava a mais de cinquenta metros de distùncia. Não era uma distùncia que o obrigasse a se preocupar em ser notado. Ainda estava seguro. Por enquanto estava bem, mas, se chegasse mais perto, precisaria ser ainda mais cauteloso.
Os moradores estavam agachados fazendo algo. Estavam arrancando ervas daninhas? Com aquela postura baixa e usando capuzes, nĂŁo dava para ver seus rostos. Ainda assim, pareciam muito com humanos.
Ou, pelo menos, foi essa a impressĂŁo que Haruhiro teve. Mas seriam mesmo humanos? Era o jeito como se moviam, talvez. De alguma forma, transmitiam uma aura muito humana.
Faltava pouco. Se conseguisse apenas um vislumbre de seus rostos…
Nessas situaçÔes, o melhor era nĂŁo se mexer mais do que o necessĂĄrio. Se ficasse onde estava, nĂŁo seria descoberto. EntĂŁo ele esperou pacientemente. Eventualmente, uma oportunidade surgiria… ou, bem, ele nĂŁo tinha garantia disso. Mas, se nĂŁo funcionasse, poderia pensar no prĂłximo passo depois.
Ele nĂŁo achava que tinha cometido um erro. Se fosse pressionado, talvez entrar nos campos deles tivesse sido uma mĂĄ ideia. Mas, sem fazer isso, nĂŁo teria como observar os moradores, entĂŁo nĂŁo tinha outra escolha.
Houve um farfalhar na grama atrås dele, e seu coração deu um salto tão forte que doeu.
Não, espere. Ele estava imaginando coisas? Era estranho. Quando olhou ao redor antes, ele também tinha olhado para trås. Havia algo ali agora? Não deveria. Ele tinha verificado. Mas, agora hå pouco, definitivamente ouviu algo.
Precisava se acalmar. A pior coisa que poderia fazer era entrar em pùnico. Precisava manter a cabeça no lugar.
Os sons. Ele podia ouvi-los. Ainda podia ouvi-los. Isso significava que havia algo se movendo atrĂĄs de Haruhiro.
O que faria agora?
O que fazer?
Para identificar o que era, teria que levantar a cabeça. Isso seria ruim?
Atrås dele. Quase direto atrås. O que o barulho estava fazendo? Estava se aproximando? Indo embora? Não podia dizer com certeza, mas sentia que estava se aproximando. Como se alguém estivesse afastando as plantas parecidas com trigo e caminhando por elas. Vindo em sua direção.
Se fosse isso, seria descoberto se ficasse ali.
NĂŁo podia ir para frente. Os moradores estavam lĂĄ.
Esquerda ou direita, entĂŁo. Tentar nĂŁo mexer nas plantas… Ă©, isso nĂŁo Ă© possĂvel…
De repente, houve um som, como um assobio. NĂŁo, nĂŁo âcomoâ. Era um assobio. O tipo de assobio que alguĂ©m faria para chamar um cachorro que estivesse um pouco distante. Era esse tipo de som.
Haruhiro se levantou e girou o corpo. LĂĄ estava ele. Um capuz cobria seus olhos, e ele usava um longo manto verde, mas Haruhiro conseguia distinguir sua silhueta. NĂŁo era um orc. EntĂŁo, um morto-vivo? Um elfo? Ou talvez um humano?
Haruhiro correu na diagonal para a direita.
Quem era aquele cara? Ele estava observando Haruhiro a uma distĂąncia de cerca de vinte metros.
Ou, pelo menos, acho que estĂĄ me observando…
Seu capuz cobria o rosto, entĂŁo nĂŁo havia como saber para onde estava olhando, mas provavelmente era isso. Ele provavelmente estava olhando para Haruhiro, mas apenas ficou parado. O que os trabalhadores estavam fazendo? Haruhiro nĂŁo tinha tempo para verificar.
Tenho que correr. Correr o mais rĂĄpido que puder. Mas Ă© estranho. Por que ele nĂŁo estĂĄ me perseguindo? SerĂĄ que estĂĄ me deixando ir?
Ele sĂł teve um momento para pensar nisso. EntĂŁo o homem se moveu.
Ele estava vindo. Claro, atrĂĄs de Haruhiro.
Oh, ele estĂĄ vindo atrĂĄs de mim, afinal? Claro que estaria. Ă, eu sabia. NĂŁo Ă© como se eu esperasse seriamente que ele me deixasse ir.
Por ora, ele sairia do campo e iria para as montanhas. Estava quase na borda do campo. O homem estava correndo em direção a Haruhiro, mas não era tão råpido. Por outro lado, também não era exatamente lento.
Eles estavam a cerca de dez metros de distùncia. Embora a distùncia não estivesse diminuindo, também não aumentava. Seus passos eram råpidos, e ele parecia ter energia de sobra. Por que não se aproximava? Era estranho. Haruhiro não conseguia deixar de pensar nisso.
Haruhiro olhou para trĂĄs sem parar de correr. Os moradores haviam interrompido seu trabalho no campo e fugiam em todas as direçÔes. Talvez eles fossem apenas os simples fazendeiros que aparentavam ser. Aquele cara era o Ășnico perseguindo Haruhiro. Era arriscado tirar conclusĂ”es precipitadas, mas, por enquanto, parecia ser o caso.
â Nesse caso…!
Ele sairia do campo, pularia a cerca, e nĂŁo seria longe atĂ© a floresta. A floresta nĂŁo era plana, no entanto. Havia uma encosta. E ela era bem Ăngreme.
Suba. Corra até o topo. Droga.
Ele respirava pesadamente. Isso estava terrivelmente difĂcil. Era porque estava com fome?
Não, ele estava, na verdade, exausto. Mas não podia se dar ao luxo de admitir isso. Haruhiro verificou a posição de seu perseguidor. Era a mesma de antes, nem mais perto, nem mais longe.
Isso era ruim. Se fosse apenas uma pessoa, Haruhiro queria resolver isso sozinho. Se fosse possĂvel, claro.
SerĂĄ que ele conseguiria?
Se tentasse resolver as coisas ali e perdesse por nĂŁo ser forte o suficiente, no pior cenĂĄrio, apenas Haruhiro morreria. Eles nĂŁo descobririam a localização de seus companheiros. Nesse casoâ
Eu nĂŁo consigo evitar pensar coisas assim. Isso realmente Ă© um mau hĂĄbito. A Shihoru vai me dar uma bronca de novo.
Haruhiro ziguezagueava entre as ĂĄrvores enquanto subia a encosta. O homem ainda o perseguia.
Foi preciso coragem, mas Haruhiro fingiu deliberadamente estar com dificuldades para progredir. Mesmo assim, a distĂąncia nĂŁo mudou. Bem, isso era esperado.
Isso significava que o homem nĂŁo tinha intenção de alcançå-lo. Pelo menos por enquanto. Ele estava deliberadamente deixando Haruhiro correr. Por quĂȘ?
Não custava nada tentar ver as coisas do ponto de vista do outro. Provavelmente, ele era um dos moradores daquela aldeia, e sua função era algo como patrulha. Um dia, durante sua ronda regular, ele se deparou com uma pessoa claramente suspeita. Alguém bisbilhotando nos campos. Um invasor. O homem assobiou para intimidå-lo, e o intruso entrou em pùnico e saiu correndo.
O intruso parecia estar sozinho. Mas estaria mesmo? E se ele fosse, na verdade, parte de um grupo, e esse intruso fosse apenas um batedor avançado? Não estaria ele correndo de volta para seus amigos?
Talvez esse homem estivesse perseguindo Haruhiro na esperança de que ele o levasse até onde seus companheiros estavam. Nesse caso, talvez fosse melhor não voltar para o local onde eles estavam esperando, afinal.
Aquele homem claramente tinha confiança em suas habilidades. Do contrĂĄrio, nĂŁo seria tĂŁo ousado ao perseguir Haruhiro. Se Haruhiro estivesse no lugar dele e tivesse tido a mesma ideia, o teria seguido silenciosamente. EntĂŁo, uma vez confirmado o nĂșmero e a localização do inimigo, ele planejaria como reagir.
Haruhiro provavelmente nĂŁo conseguiria derrotar aquele homem sozinho. NĂŁo, ele nĂŁo tinha certeza disso, sabe? AtĂ© tentar, ele nĂŁo podia dizer nada com certeza. Mas talvez vencesse, e talvez perdesse. âTalvezâ nĂŁo era bom o suficiente. Mesmo assim, se tivesse a ajuda de todos, poderiam dar um jeito. Ele tinha muitas dĂșvidas sobre suas prĂłprias habilidades, mas quando se tratava de seus companheiros, ele acreditava neles e podia contar com eles.
Qual era o sinal?
NĂŁo havia sinal nenhum.
O terreno Ă frente era um tanto incomum. Havia enormes rochedos projetando-se da encosta, com incontĂĄveis cipĂłs pendendo deles, o que dava ao lugar uma aparĂȘncia meio sinistra. Talvez aquela ĂĄrea devesse ser chamada de Rochas Sinistras.
Quando Haruhiro olhou para o topo das Rochas Sinistras, viu Shihoru surgindo com a cabeça para fora. Sobre seu ombro estava o elemental em forma de pessoaâou melhor, em forma de estrela-do-mar: Dark.
â Vai, Dark!
Shuvyuun! Foi o som que Dark fez ao disparar.
Enquanto se movia para a direita, Haruhiro olhou para trĂĄs, para o homem. Ele havia parado. Estava atĂŽnito com a emboscada? Se fosse isso, seria surpreendente. Seria ele um guarda relaxado de uma cidade pacĂfica, alguĂ©m que perseguira Haruhiro sem pensar muito?

Isso nĂŁo podia estar certo.
O homem desenhou algo no ar com o dedo indicador direito e disse: â Marc em Parc.
Isso Ă©…
Haruhiro nĂŁo via isso hĂĄ muito tempo, mas se lembrava. Aquele feitiço. Aqueles sĂmbolos elementais.
Uma esfera de luz apareceu diante do rosto do homem.
Sem dĂșvida alguma, era o Magic Missile. O primeiro feitiço que magos aprendiam. O mais bĂĄsico dos bĂĄsicos.
Mas aquilo…
Era grande.
Do tamanho de sua cabeçaânĂŁo, provavelmente maior.
Com uma exclamação silenciosa, Shihoru balançou seu cajado.
Parecia que Dark tentava desviar da esfera de luz e atacar o homem. Ele nĂŁo voava em linha reta. Shihoru podia controlar Dark atĂ© certo ponto, e estava tentando fazĂȘ-lo. Mas Dark foi capturado.
A esfera de luz movia-se lentamente e prendeu Dark.
No momento em que Dark fez contato, formou-se um redemoinho.
Haruhiro, que estava a cerca de dez metros de distùncia, ficou bem, obviamente, mas o manto do homem esvoaçou violentamente, e seu capuz foi arrancado para trås.
â VocĂȘ… â Haruhiro ficou sem palavras, arregalando os olhos.
A luz brilhou intensamente por um instante, depois se contraiu como se fosse neutralizada por Dark, e por fim desapareceu.
A escuridĂŁo e a esfera de luz desapareceram ao mesmo tempo.
Com apenas um Magic Missile, ele havia apagado Dark, o elemental de Shihoru.
Era um mago? Se fosse, talvez nĂŁo fosse surpreendenteâtalvez. Afinal…
â Uwahhhhhhhhhhhhhhhhhhhh!
Do alto e pela lateral das Rochas Sinistras, Kuzaku descia correndo em direção a eles, empunhando seu escudo e sua grande katana. O grito estupidamente alto era intencional. Ele estava tentando chamar atenção.
O homem virou-se para olhar Kuzaku. E foi exatamente nesse momento.
Yume saltou dos arbustos. Ela estava perto. NĂŁo mais do que cinco metros dele. Pensar que ela estava escondida ali o tempo todo. Haruhiro sequer havia notado. Isso feriu seu orgulho como ladrĂŁo.
Boa, pensou ele.
Yume avançou silenciosamente contra o homem.
O homem não estava olhando em sua direção. Seus olhos estavam fixos em Kuzaku.
Haruhiro achou estranho. Quando o manto do homem havia sido aberto antes, ele tinha visto. O homem carregava uma espada ou algo assim presa Ă cintura. Mesmo assim, ele nĂŁo a sacava. Talvez, por ser um mago, aquela arma fosse apenas decorativa.
Aparentemente, nĂŁo.
Yume desferiu um golpe. Pouco antes disso, o homem puxou sua espada.
â Chuwah! â Yume desferiu um golpe diagonal, mas ele bloqueou com a espada.
Com facilidade, sem sequer olhar.
Sem perder tempo, ele chutou Yume no estĂŽmago, empurrando-a para longe.
â Gwah…?
â Sowahhhhhhhhhhhhhhhh! â Kuzaku avançou contra o homem.
Com o impulso que tinha, protegido por seu elmo, armadura e escudo, Kuzaku era imparĂĄvel. Claramente, sua intenção era colidir com o homem, lançå-lo longe ou derrubĂĄ-lo, e depois perfurĂĄ-lo com sua grande katana. Era uma estratĂ©gia rudimentar, sem sofisticação, mas quando Kuzaku, com sua estatura avantajada, usava sua força dessa forma, ele era realmente poderoso. Mesmo que o homem tentasse desviar, Kuzaku usaria seus longos braços para balançar sua grande katana ou escudo. Sua intensidade era incrĂvel, e, embora parecesse possĂvel escapar, geralmente nĂŁo era.
â Nnngahhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh! â O escudo de Kuzaku acertou o homem. Eles definitivamente colidiram.
O homem foi arremessado? Algo estava estranho. Ele foi lançado para trås, ou melhor, para trås na diagonal e para cima. Além disso, parecia que ele deu um giro no ar.
â O quĂȘ…?! â Kuzaku tropeçou, cambaleando alguns passos para frente, incapaz de parar, e olhou para cima.
O homem jĂĄ havia aterrissado atrĂĄs dele. Kuzaku acabou passando por baixo dele.
O sujeito acertou um chute nas costas de Kuzaku. Kuzaku soltou um âUouâ e perdeu o equilĂbrio.
Se Enba não tivesse saltado das Rochas Sinistras e avançado contra o homem, Kuzaku poderia ter sofrido outro ataque.
Os braços de Enba, parecidos com clavas, balançaram violentamente em direção ao homem. Mas erraram.
O homem recuou. Para a direita, para a esquerda, ele dava passos pequenos e rĂĄpidos, usando as ĂĄrvores como cobertura para escapar dos golpes de Enba.
Qual era a desse sujeito? A party estava lutando a sério e tinha uma vantagem numérica, mas ele parecia estar brincando com eles. Seria a diferença de força tão grande assim?
NĂŁo, Haruhiro e os outros ainda nĂŁo tinham aproveitado plenamente a vantagem numĂ©rica. Shihoru e Mary estavam ainda nas Rochas Sinistras. Setora tambĂ©m. Haruhiro, Yume, Kuzaku e Enba estavam lĂĄ embaixo. Ele nĂŁo queria que Shihoru e as outras entrassem em combate corpo a corpo, entĂŁo, assumindo que isso nĂŁo fosse possĂvel, eram quatro contra um. Apesar disso, no momento, eles sĂł tinham conseguido confrontos um contra um com o homem. Isso era, bom, porque ele era habilidoso, mas se eles o cercassem, isso tinha que funcionar. Mesmo que quatro contra um ou trĂȘs contra um fosse difĂcil, se ao menos conseguissem dois contra um…
â …Sou eu â Haruhiro murmurou.
Era exatamente para isso que os ladrÔes existiam, não? Yume e Kuzaku jå estavam perseguindo o sujeito. Mas isso não era bom. Ele lidava com os ataques de Enba enquanto se movia para lugares onde Yume e Kuzaku não podiam alcançå-lo.
O homem tinha cabelos loiros, nem longos nem curtos, como se os cortasse apenas quando começavam a atrapalhar. Talvez só se barbeasse ocasionalmente também. Pele clara. Olhos azuis. Era muito mais velho que Haruhiro e os outros. Era alto, mas não tanto quanto Kuzaku.
NĂŁo importava como olhassem, ele era humano.
Se ele podia usar magia, isso significava que ele era um ex-soldado voluntĂĄrio?
Havia humanos na Forgan, o grupo liderado por Jumbo, o orc, então talvez não fosse algo tão surpreendente. Ou melhor, agora não era hora de se surpreender ou desconfiar. Não importava quem fosse aquele homem, qual era sua situação ou como tinha acabado ali, nada disso importava.
Haruhiro olhou para as Rochas Sinistras. Seus olhos encontraram os de Shihoru, Mary e Setora. Shihoru assentiu, entĂŁo invocou o Dark.
Shihoru, ao menos, sabia o que Haruhiro queria fazer. Mary cuidaria de Shihoru se algo acontecesse. Setora também saberia lidar bem consigo mesma.
Haruhiro respirou fundo.
Relaxando todas as articulaçÔes do corpo, ele deixou sua mente afundar em um lugar profundo. Ele se apagou.
Stealth.
Seus pensamentos e sentimentos se tornaram distantes e diluĂdos.
Mesmo assim, Haruhiro ainda estava aqui. Aqui?
Onde era âaquiâ?
NĂŁo importava.
Onde quer que fosse.
Se ele se tornasse um fantasma, poderia ser assim que se sentiria. Deixando de lado a questĂŁo de existirem ou nĂŁo fantasmas.
Ele nĂŁo tentava evitar fazer barulho enquanto andava; era mais como se, ao andar, ele simplesmente nĂŁo fizesse barulho por algum motivo. Ele estava no mundo, mas parecia existir um pouco Ă parte dele.
Ele estava respirando?
Sim.
Bem devagar.
Seu coração batia.
De forma incrivelmente lenta.
Kuzaku estava completamente incapaz de acompanhar o homem. O sujeito parecia se mover com facilidade e era bem rĂĄpido. Enba conseguia acompanhar porque era um golem e nunca se cansava, mas atĂ© Yume estava com dificuldades, e sĂł conseguia perseguir o homem. Do jeito que as coisas estavam, conseguir flanqueĂĄ-lo e pegĂĄ-lo em um ataque de pinça com Enba seria extremamente difĂcil.
Havia um nyaa cinzento em uma ĂĄrvore Ă frente, Ă esquerda do homem. Kiichi parecia nĂŁo ter detectado Haruhiro.
Haruhiro se escondeu entre as årvores enquanto avançava. Era como se seus nervos se estendessem para fora de seu corpo, cobrindo a årea ao seu redor.
O chĂŁo.
A grama.
A casca das ĂĄrvores.
O vento.
Ele conseguia sentir tudo.
Essa pode ser a primeira vez que ele se envolve tĂŁo profundamente assim.
Quando tentava um Backstab, Ă s vezes ele via uma linha de luz vaga. SerĂĄ que isso Ă© equivalente ao Stealth?
Estou realmente imerso nisso.
Eu meio que consigo perceber as coisas. NĂŁo Ă© como aquela linha. Ă mais como: eu deveria fazer isso. Ou melhor, eu preciso fazer isso, talvez?
Ă como se eu tivesse escolha, mas na verdade nĂŁo tivesse. Em qualquer momento, sĂł existe uma Ășnica opção. NĂŁo sou eu quem decide, nem estou sendo forçado. Em uma palavra, Ă© destino? Eu nĂŁo decido. JĂĄ estĂĄ decidido.
Fazia muito tempo que jå estava decidido que Haruhiro iria se posicionar atrås daquele cara. Enquanto ele pulava para trås para evitar os golpes de Enba, sua atenção estava focada à sua frente, à esquerda, em Shihoru.
Shihoru estava descendo das Rochas Sinistras com Mary e Setora. Ela tentava soltar Dark.
â Vai! â ela gritou.
Dark disparou.
O homem nĂŁo recuou; deu meia-volta e saiu correndo. Ele era rĂĄpido. Enquanto aumentava a distĂąncia entre ele e Enba, trocou a espada para a mĂŁo esquerda, provavelmente planejando desenhar sigilos elementais com a direita.
Yume e Kuzaku não conseguiam alcançå-lo. Enba, tampouco.
Haruhiro nĂŁo precisava se mover, porque jĂĄ estava em movimento.
O homem conjurou uma magia: â Marc em Parc.
Uma esfera de luz. Outro Magic Missile.
O homem atraiu Dark o mĂĄximo que pĂŽde e o atingiu com outra esfera de luz.
Houve outro redemoinho. Haruhiro se moveu ao mesmo tempo.
Ele cravou o estilete nas costas do homem. Jå havia confirmado que ele não usava armadura pesada, graças ao manto que se abriu.
A lĂąmina do estilete era resistente, mas fina, capaz de deslizar entre as costelas. Contudo, se Haruhiro acertasse mais perto dos quadris, em um Ăąngulo levemente ascendente, onde nĂŁo atingiria as costelas, ele acertaria os ĂłrgĂŁos internos, o que era mais simples. Ele poderia mirar nos rins de cada lado. Ou no fĂgado.
Qualquer órgão que Haruhiro atingisse causaria hemorragia interna massiva, eventualmente resultando em uma ferida fatal. Mas os rins doeriam muito. Por mais resistente que fosse, a dor seria insuportåvel, e o homem gritaria. Se não fosse curado com magia de luz, ele não sobreviveria. E teria que ser råpido. Isso valia para humanos, orcs e, provavelmente, até elfos ou anÔes.
â Nngh…
O homem, no entanto, nĂŁo gritou. Apenas gemeu, estremeceu e virou-se para olhar para trĂĄs. Haruhiro refletia-se em seus olhos azuis. Ele levantou a sobrancelha esquerda e soltou um leve suspiro pelos lĂĄbios. Estava surpreso, mas impressionado. Era isso que sua expressĂŁo dizia.
â Nada mal â disse o homem. EntĂŁo, sem querer admitir a derrota, sorriu. â Mas sinto muito.
â …HĂŁ?
Haruhiro havia cometido um erro. Um erro doloroso. Ele tinha sido ingĂȘnuo. Por que achou que isso derrubaria o cara? QuĂŁo tolo ele poderia ser?
Era falta de experiĂȘncia. Ele tinha ficado cheio de si, achando que havia adquirido alguma experiĂȘncia. Por que achou que esse homem era um humano comum? Mesmo que parecesse, ele poderia nĂŁo ser. NĂŁo seria nada estranho se existisse um monstro que se parecesse com um humano.
Muitos pensamentos e sentimentos passaram pela cabeça de Haruhiro, confundindo-o. Jå era tarde demais. O homem envolveu o braço em volta do pescoço de Haruhiro, puxando-o para perto e girando os quadris.
Isso parece uma tĂ©cnica de judĂŽ, pensou Haruhiro. JudĂŽ…?
Ele foi arremessado e girou no ar. Quando percebeu, o homem estava montado sobre ele, olhando para baixo.
â NĂŁo sou muito fĂŁ de socar as pessoas. Ă bĂĄrbaro, sabe?
O que ele dizia e o que fazia não combinavam. O homem pressionava a palma da mão com força contra o queixo de Haruhiro.
Oh, masâ
Isso não é exatamente um soco, huh? Era um golpe estranho que fazia seu cérebro e sua visão tremerem, drenando toda a força de seu corpo.
EntĂŁo, enquanto desenhava sigilos elementais com a mĂŁo direita: â Marc em Parc â o homem entoou.
…Ei. O que vocĂȘ estĂĄ fazendo? Pare com isso.
Magic Missile.
A esfera de luz desceu.
NĂŁo vou sair dessa sem me machucar. De jeito nenhum.
Talvez porque sua mente estivesse enevoada, parecia que aquilo estava acontecendo com outra pessoa, mas a esfera de luz se aproximava dos olhos de Haruhiro.
Era tĂŁo brilhante.
Haruhiro ouviu o som de ossos se partindo. Provavelmente era seu nariz. Ou talvez sua bochecha. Bem, era alguma parte de seu rosto.
NĂŁo estava escuro, mas ele nĂŁo conseguia ver nada.
Blugh… Um sopro escapou de sua boca. Seu nariz parecia entupido. Sua garganta estava apertada e sua boca nĂŁo se mexia. Estava atordoadoâtalvez?
Ele realmente nĂŁo sabia.
Seus companheiros estavam chamando pelo nome de Haruhiro.
â NĂŁo se mexam â disse o homem.
Haruhiro nĂŁo conseguiria se mover, mesmo se quisesse.
Desculpem, pessoal. Sinto muito mesmo.
â Se se moverem, esse garoto morre â o homem continuou. â Eu tambĂ©m nĂŁo quero matĂĄ-lo, entĂŁo todos vocĂȘs, fiquem onde estĂŁo. Entendido? Certo. Muito bem. Agora, larguem suas armas. Ah, vocĂȘ aĂâvocĂȘ Ă© da aldeia oculta, nĂŁo Ă©? Tentar se esconder nĂŁo vai adiantar. E vejo que vocĂȘ tem um nyaa te seguindo. O nyaa cinza. Ă melhor nĂŁo fazer com que ele tente nada engraçado. Se Ă© sĂł esse, ele deve significar muito para vocĂȘ. Certo. Assim estĂĄ bom…
â E agora, o que fazer? Somos seis, incluindo o golem, um nyaa, e entĂŁo esse garoto. Vou carregĂĄ-lo, mas o resto de vocĂȘs vai andar com suas prĂłprias pernas. Eu poderia matĂĄ-los aqui, mas, como eu disse, nĂŁo quero. NĂŁo sou fĂŁ de tirar vidas desnecessariamente. Entendem isso? Ă o budismo. Talvez nĂŁo. Bem, se for necessĂĄrio, nĂŁo vou hesitar, mas Ă© raro humanos aparecerem por aqui. Quero entender melhor quem vocĂȘs sĂŁo antes de decidir qualquer coisa.
Posso matar vocĂȘs a qualquer momento, afinal, Haruhiro ouviu o homem dizer ao longe.
Era o fim?
Ele queria resistir. Queria estar ali.
Precisava fazer alguma coisa.
Apesar disso…
…sua consciĂȘncia estava se esvaindo.
â Bem-vindos Ă Jessie Land (Terra de Jessie) â disse o homem.
Tradução: ParupiroHPara estas e outras obras, visite o Cantinho do ParupiroH â Clicando Aqui
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