Hai to Gensou no Grimgar – Capítulo 17 – Volume 1

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Hai to Gensou no Grimgar
Grimgar of Fantasy and Ash

CapĂ­tulo 17
[Precioso]


Quer ele conseguisse ou nĂŁo, enquanto estivesse respirando, o tempo continuaria a fluir. Quando ele dormisse, o sol nasceria. E quando amanhecesse, ele teria que ir para a Cidade Velha de Damuro.

Eles emboscaram dois goblins, ferindo um deles com um ataque antecipado. Ranta e Yume enfrentaram o goblin ferido, enquanto Moguzo e Haruhiro enfrentaram o ileso.

O goblin ileso usava um capacete amassado e uma cota de malha rudimentar, e estava armado com uma espada danificada. Era um oponente bem difícil, mas, dito isso, Moguzo era muito maior do que ele e também tinha vantagem em termos de força. Parecia que ele deveria ter sido capaz de abrir caminho através de sua defesa, mas Moguzo não fez isso.

Por que nĂŁo? Porque Moguzo estava com medo?

É verdade que Moguzo não era tão imprudente quanto Ranta. No entanto, ele tinha bons motivos para ser cauteloso.

Acontece que o goblin estava usando um capacete, entĂŁo Haruhiro notou algo enquanto observava os dois. Com um capacete, vocĂȘ nĂŁo morreria com um leve golpe na cabeça. No entanto, sem ele, atĂ© mesmo um golpe de raspĂŁo poderia causar ferimentos graves, portanto, nĂŁo se pode deixar de ser cauteloso.

Na noite anterior, Moguzo havia dito que queria um capacete e uma armadura revestida. NĂŁo uma espada bastarda nova e afiada: o que ele queria era um equipamento defensivo. Com um equipamento que o protegesse melhor, ele poderia se dedicar mais Ă  luta. Provavelmente era isso que ele queria dizer.

Haruhiro passava a maior parte do tempo pensando em como ficar atrĂĄs do inimigo. Ele nĂŁo usava armadura, entĂŁo todo ataque inimigo era assustador para ele. Era um pouco exagerado dizer que um golpe poderia ser o fim dele, entĂŁo ele os evitava com tudo o que tinha.

No entanto, Moguzo tinha de enfrentar o inimigo em uma troca direta de golpes. Se Moguzo estivesse fugindo como Haruhiro, tudo se transformaria em uma bagunça total.

Como seus papéis eram diferentes, Haruhiro não havia entendido isso. Ele não tinha entendido nada. Não, ele não havia tentado entender nada.

— Moguzo…! — Haruhiro gritou para Moguzo, golpeando o goblin enquanto o fazia.

O goblin se virou em sua direção. Haruhiro se afastou.

O goblin hesitou por um momento.

Apenas um momento.

O goblin virou de volta para encarar Moguzo, mas Moguzo jĂĄ estava enfiando sua espada bastarda nele.

— Hunghh…!

A espada bastarda se enterrou profundamente no flanco do goblin. Mas as criaturas vivas nĂŁo morrem tĂŁo facilmente.

O goblin gritou:

— Gyagyahh! — e tentou balançar a espada.

NĂŁo vou deixar vocĂȘ fazer isso! Haruhiro atacou o goblin por trĂĄs. A mĂŁo da espada do goblin. Aponte para a mĂŁo dele. O pulso.

— Slap…!

Ele não conseguiu arrancå-la, mas sua adaga atingiu o osso e o goblin perdeu o controle da espada. Moguzo grunhiu e deu um giro em sua espada bastarda. O goblin gritou, tentando agarrar Moguzo. Haruhiro agarrou o elmo do goblin com a mão esquerda, arrancando-o com toda a força, e depois enfiou a adaga embaixo do queixo.

— Aqui!

Mesmo depois de tudo isso, levou algum tempo para que o goblin parasse de se debater.

Havia vidas em jogo aqui. Os dois lados estavam levando a sério. Não havia nada mais sério e mortal do que isso. Não havia como isso ser fåcil. Manato não havia dito isso?

Assim como eles não queriam morrer, os goblins também não queriam morrer. Eles os mataram, pegaram suas coisas, comeram e continuaram vivendo.

No caso do outro goblin, o de Ranta e Yume, Shihoru o enfraqueceu com magia e Ranta deu o golpe final.

Assim que a batalha terminou, enquanto Haruhiro recolhia as bolsas dos goblins, Mary levou os cinco dedos da mão direita à testa, pressionando a testa com o dedo médio.

Isso foi muito rĂĄpido! Eu quase nĂŁo vi. No entanto, ele conseguiu observar corretamente.

Esse é o sinal do hexagrama. Manato sempre fazia isso depois que vencíamos o inimigo. Estou um pouco surpreso, ela não parece ser do tipo que faz isso. Mas, novamente, eu não a conheço de verdade. Não sei nada sobre a Mary. Nunca tentei conhecer.

Durante o intervalo da tarde, ele disse a Moguzo:

— Moguzo, compre um capacete. Vou inteirar um pouco. NĂŁo tem problema ser barato. Procure uma armadura usada para o seu tamanho tambĂ©m. Mesmo que nĂŁo encontre nenhuma, veja quanto custaria para consertĂĄ-la. Isso nos darĂĄ uma ideia do preço.

— …HĂŁ? É mesmo? Mas… Acho que vocĂȘ nĂŁo deveria ter que pagar por isso, Haruhiro.

— EstĂĄ tudo bem, de verdade. Por enquanto, isso aqui Ă© tudo de que preciso — disse Haruhiro, batendo em sua adaga. — Se vocĂȘ nĂŁo tiver todos os seus equipamentos necessĂĄrio, serĂĄ um problema para todos. Portanto, Ă© do meu prĂłprio interesse pagar, entende? A armadura de ferro Ă© cara, nĂŁo Ă©? Se estivĂ©ssemos ganhando muito dinheiro, eu deixaria vocĂȘ cuidar disso, mas como nĂŁo estamos, Ă© um pouco demais esperar que possa pagar por tudo sozinho.

— Ahh, A Yume concorda —, Yume deu um sorriso descontraĂ­do. — Moguzo, se vocĂȘ comprar equipamentos de defesa, a Yume farĂĄ uma doação para a causa. Vamos todos procurar um capacete bonito juntos, tĂĄ bom?

Shihoru levantou a mĂŁo hesitantemente. — … Nesse caso, eu tambĂ©m vou. NĂŁo posso gastar muito, mas posso contribuir um pouco.

— Aconteça o que acontecer, vocĂȘ nĂŁo vai ganhar um Ășnico cobre de mim, okay? SĂł avisando! — declarou Ranta.

— Tudo bem. NinguĂ©m esperava nada de vocĂȘ, Ranta — disse Haruhiro.

Em seguida, ele deu uma olhada para ver a reação da Mary.

Mary estava olhando para longe, como se dissesse que isso não era da conta dela. Ainda assim, seria apenas a imaginação de Haruhiro quando ele pensou que ela parecia um pouco triste e solitåria?

Ele pensou que, da próxima vez, se pudesse, deveria observar Mary durante o combate. Ela fica apenas segurando o bastão, nunca se movimenta, quase nunca nos cura, não tem motivação, basicamente fica parada ali, foi a impressão que ele teve de Mary. Mas serå que isso era mesmo verdade?

Os primeiros goblins que eles encontraram Ă  tarde eram um grupo de trĂȘs, entĂŁo as coisas estavam muito agitadas para que ele pudesse observar o que Mary fazia em combate.

Depois disso, eles não conseguiram encontrar nenhum grupo ou goblins individuais que parecessem bons alvos, mas, ao saírem da Cidade Velha de Damuro, tropeçaram em um par de dois goblins.

Eles estavam passando um pelo outro, o que resultou em uma briga repentina. Shihoru e Mary, a equipe da retaguarda, nem tiveram tempo de recuar.

Um dos goblins atacou Mary.

Ela ofegou.

— NĂŁo fique olhando para o espaço… — Ranta deu um chute no corpo do goblin, derrubando-o no chĂŁo. — Sua vadia!

— Quem Ă© que estava olhando para o espaço! — ela esbravejou.

É verdade que não parecia que Mary estava olhando para o espaço.

O outro goblin tentou pular em cima de Shihoru. Mary foi råpida, golpeando-o com um forte golpe de seu bastão de sacerdote. Essa era a habilidade de autodefesa do sacerdote, Smash. Manato também havia aprendido, então ele tinha certeza disso.

Havia dois inimigos, então eles estavam em uma boa posição desde o início. Enquanto Haruhiro olhava para as costas dos goblins, ele ocasionalmente olhava para Mary.

Foi o que pensei. O bastão não é apenas para exibição. Ela aprendeu as habilidades adequadas de autodefesa. Ela não quer lutar na linha de frente, mas mesmo assim protegeu Shihoru.

AlĂ©m disso, quando um goblin se agarrou a Moguzo, dando-lhe uma cabeçada no queixo, Mary observou atentamente tudo o que aconteceu. Logo depois disso, ela se virou. Como se estivesse pensando: “Ele estĂĄ bem. NĂŁo hĂĄ necessidade de curĂĄ-lo”.

A Mary estå apenas parada ali? Ela não tem motivação? Não é nada disso. Mary estava observando a situação pela retaguarda, fazendo julgamentos toda vez que um companheiro era ferido. Ela até usaria seu bastão se fosse necessårio.

Com o fim da batalha, Shihoru foi falar com Mary. — Hum, obrigada por mais cedo.

Mary desviou o olhar dela. — Tá falando do que?

Ela nĂŁo precisa dizer isso dessa forma. Se ela apenas dissesse: “De nada” ou sorrisse, entĂŁo todos, gostariam da Mary. Isso nĂŁo deve ser difĂ­cil. Tenho certeza de que fazer isso tambĂ©m facilitaria a vida dela. EntĂŁo, por que ela nĂŁo faz isso?

Depois que voltaram para Altana e venderam o saque, ele a chamou. Ele percebeu que ela estava prestes a sair sem avisá-los. — Ah, Mary, espere um pouco!

Mary coçou o cabelo, virando-se como se fosse um incîmodo. — Ainda tem algum assunto para falar comigo?

Como eu disse, afasta qualquer um. Estou começando a achar que vocĂȘ quer ser odiada. Ainda assim, somos membros do mesmo time, nĂŁo somos? Deve ser melhor ser apreciada do que ser odiada. Eu gostaria de ter coragem de dizer isso a ela, mas nĂŁo posso. Se eu tentar me envolver demais com ela, Mary provavelmente fugirĂĄ. Tenho a impressĂŁo de que ela diria: “Chega! Adeus!” e sairia do grupo.

— NĂŁo Ă© nada tĂŁo importante, mas gostaria de vir comer com a gente? Podemos ir Ă  taberna ou algo assim depois disso.

— Não, muito obrigada.

— Por que tão educada?

Mary olhou para baixo e para o lado, franzindo levemente a testa. Ela estava com raiva? De alguma forma, parecia envergonhada. — Não tem nenhum significado real por trás disso.

— Ah, entendi. Desculpe por cutucá-la por causa de uma coisinha dessas.

— Eu realmente… — Mary começou a cerrar os lĂĄbios, mas parou, olhando para baixo e balançando a cabeça da esquerda para a direita. EntĂŁo ela disse:

— AtĂ©…

Provavelmente, a prĂłxima palavra que ela estava prestes a pronunciar era amanhĂŁ. Para Mary, que sempre saĂ­a sem dizer uma Ășnica palavra, isso era incomum. Ou teria sido incomum, mas, no final das contas, isso nunca aconteceu. Parando apenas com essas duas palavras, Mary deu as costas para Haruhiro e os outros.

Mary anda rĂĄpido, mas a maneira como ela estava andando era estranha. Parecia que ela estava ficando nervosa.

Ranta zombou. — Cara, que mulher antipĂĄtica. SĂ©rio.

— SerĂĄ…? — Moguzo acariciou seu queixo. Era leve, mas ele tinha uma barba crescendo.

Sua barba com certeza cresce muito, Moguzo.

— Sinto que, hoje, ela estava um pouco diferente.

Yume assentiu com a cabeça. — Sim, sim, ela estava diferente hoje, nĂŁo Ă©? A Mary-chan de hoje foi sĂł um pouquinho fofa. Mas isso Ă© sĂł uma sensação bem vagaaa que a Yume teve, sabe?

Ranta olhou para Yume de lado. — Não chame tudo e qualquer coisa de fofo, fofo, fofo. Seu ‘fofo’ se aplica a uma gama tão ampla que eu nem sei mais o que significa.

— NĂŁo preciso e nem quero que alguĂ©m como vocĂȘ entenda, Ranta. Realmente nĂŁo quero que vocĂȘ me entenda.

— Isso não foi nada fofo.

Quando conseguiram acalmar Yume e Ranta, foram procurar um capacete para o Moguzo. Havia uma loja no mercado que vendia capacetes de ferro usados, e um tipo chamado barbut era barato.

Os barbuts eram forjados a partir de uma Ășnica chapa de ferro, por isso eram tĂŁo simples quanto baratos. Eles tinham o formato do dedĂŁo do pĂ© de uma pessoa e, quando vocĂȘ o usava, seus olhos, nariz e boca ficavam expostos pela abertura em forma de T.

À primeira vista, parece que ficaria frouxo, mas há couro enrolado por dentro, então acho que não, pensou Haruhiro.

Ranta teimou em pechinchar o preço, e eles conseguiram um barbut que servia perfeitamente para o Moguzo, mesmo que estivesse arranhado e amassado, por 18 pratas, o preço original era 42 pratas. Desse valor, Haruhiro pagou trĂȘs pratas, Yume e Shihoru trĂȘs pratas cada e Moguzo pagou oito pratas.

Enquanto estavam comendo em uma barraca, Ranta disse:

— Bem, eu efetivamente coloquei 24 pratas, entendeu? É melhor vocĂȘs agradecerem — e estufou o peito com orgulho, o que fez Yume e Shihoru franzirem as sobrancelhas.

Haruhiro também ficou chocado, mas, pensando bem, talvez Ranta estivesse certo. Provavelmente ninguém, a não ser o sem-vergonha do Ranta, poderia ter pechinchado tanto. 24 pode ter sido um exagero, mas eles provavelmente economizaram cerca de dez pratas graças ao Ranta..

— Sim. Obrigado, Ranta — disse Haruhiro com seriedade.

Ranta piscou de surpresa e disse:

— C-Certo —, depois olhou para baixo. — Desde que vocĂȘ perceba o meu, o quĂȘ, mĂ©rito? Meu valor? Minha verdadeira grandeza? Algo assim, de qualquer forma. JĂĄ que vocĂȘs tendem a me menosprezar. Levem isso a sĂ©rio, para referĂȘncia futura. SĂ©rio. Estou lhe implorando, na verdade mesmo nĂŁo, eu nĂŁo vou implorar…

Eles haviam planejado dar uma olhada nas armaduras depois de comer, mas jĂĄ era tarde, entĂŁo foram para a taberna. Mary nĂŁo parecia estar lĂĄ. Haruhiro a convidou para vir, entĂŁo isso pode ter feito com que ela decidisse nĂŁo aparecer aqui esta noite.

— Aquela mulher nĂŁo Ă© nada fofa. Ela Ă© ainda pior do que a Yume —, murmurou Ranta. Ele parecia estar amargurado pelo fato da Mary nĂŁo ter dito uma Ășnica palavra de agradecimento depois que ele a ajudou. — Digo, ela nĂŁo consegue nem mesmo cumprimentar adequadamente, agradecer ou pedir desculpas. Ela nĂŁo tem jeito. A aparĂȘncia Ă© tudo o que ela tem a seu favor. SĂł a aparĂȘncia. Mas atĂ© sua aparĂȘncia tambĂ©m nĂŁo Ă© lĂĄ essas coisas assim. Ela nĂŁo tem nada a ver com aquela elfa do grupo do Soma.

— M-Mas… — Moguzo gaguejou. Ele ainda estava usando seu Barbut. Parece que ele gostou muito dele.

NĂŁo vai ser fĂĄcil beber com essa coisa, pensou Haruhiro.

— Antes, quando ela me curou, ela pediu desculpas.

— uhhh? Não minta, Moguzo. Como se ela fosse fazer isso.

— É verdade. Foi quando machuquei minha cabeça. A mão da Mary-san tocou a ferida, e eu gemi de dor, então ela pediu desculpas.

— Sim, isso aconteceu. — Haruhiro tambĂ©m se lembrou disso. Ele nĂŁo tinha sido capaz de ouvi-la, mas Mary tinha definitivamente dito algo para o Moguzo naquela ocasiĂŁo. — Entendo. Foi um pedido de desculpas.

— Ela tambĂ©m me protegeu —, Shihoru assentiu. — É difĂ­cil se aproximar dela, mas nĂŁo acho que ela seja desagradĂĄvel ou insensĂ­vel. Ela nĂŁo deve ser esse tipo de pessoa.

— A Mary-chan tambĂ©m Ă© muito fofa, sabe — acrescentou Yume.

— EntĂŁo, eu estava observando a Mary mais de perto hoje —, disse Haruhiro — e…

Ele descreveu para os outros o que havia notado em combate. Mary estava trabalhando duro para cumprir seu papel Ă  sua maneira. SĂł que ela nĂŁo dizia a eles o que estava pensando, nĂŁo falava bem com eles e tinha problemas de atitude. Foi por isso que eles nĂŁo entenderam.

— Agora, Ă© possibilidade, mas, se entendermos o mĂ©todo da Mary, acho que poderĂ­amos trabalhar com ela sem problemas. Ainda assim, nĂŁo tenho certeza se serĂĄ o suficiente.

— O que há de ruim nisso? — Ranta bebeu um pouco de cerveja e depois bufou com escárnio. — Contanto que ela faça o trabalho direito, não há problema. Embora eu não esteja convencido de que a mulher realmente esteja.

— Se vocĂȘ se sente assim, Ranta, jĂĄ Ă© um problema.

— Desde quando o que eu sinto importa para vocĂȘs mesmo? EstĂŁo sempre me ignorando, nĂŁo Ă© nĂŁo?

— Não fique de mau humor.

— NĂŁo estou de mau humor de forma alguma. SĂł estou dizendo a verdade. Aquela vadia Ă© uma estranha no grupo, mas eu nĂŁo sou muito diferente nesse aspecto, sou?

Serå que o Ranta realmente se sente assim? Haruhiro nunca havia notado. Não era apenas Mary: Haruhiro também não estava tentando entender o Ranta. Serå que era isso que estava acontecendo?

Agora que penso nisso, Ranta também é humano. Se eles o tratassem mal, ele não ficaria bem com isso obviamente.

Mas, nesse caso, talvez ele devesse ter tentado fazer algo a respeito da maneira como falava e agia. Parecia que ele estava recebendo exatamente o que merecia. Ainda assim, mesmo que vocĂȘ dissesse a alguĂ©m para corrigir sua personalidade, isso nĂŁo era algo que pudesse ser corrigido tĂŁo facilmente.

NĂŁo Ă© como se Ranta nĂŁo tivesse alguns pontos positivos.

— Erro meu —, Haruhiro abaixou a cabeça. — Desculpe-me, Ranta. Prestarei mais atenção no futuro.

— Que bom! É melhor mesmo, idiota!

— …O “idiota” foi desnecessĂĄrio.

— O que há de errado em chamar um idiota de idiota, seu idiota?

— Cara… — Haruhiro coçou o pescoço. A essa altura, ele nĂŁo conseguia nem mesmo ficar bravo.

O que é o Ranta, uma criança? Sim, com certeza ele era. Talvez fosse melhor não dar atenção a cada pequena provocação e simplesmente deixå-lo. Manato lidava com ele dessa forma, se pensarmos bem.

Enquanto suspirava e olhava ao redor da taberna, uma capa de Orion chamou a atenção de Haruhiro. Era Shinohara. Ele estava subindo as escadas até o segundo andar.

— Vou dar um oi para Shinohara-San — disse Haruhiro.

— QuĂȘ? Deixe-me adivinhar, Haruhiro, vocĂȘ estĂĄ tentando entrar na Orion sem o resto de nĂłs, nĂŁo Ă©? — Ranta exigiu. — NĂŁo vou deixar vocĂȘ fazer isso! Eu tambĂ©m vou!

— …Bem, nĂŁo tenho nenhuma intenção de fazer isso, mas claro, vocĂȘ pode vir junto.

— EntĂŁo, eu tambĂ©m.

— Se todos vocĂȘs forem, talvez a Yume tambĂ©m vĂĄ.

— Huh… Bem, entĂŁo, eu tambĂ©m… Seria um pouco estranho ser a Ășnica a ser deixada para trĂĄs…

Haruhiro tinha suas dĂșvidas se eles deveriam fazer isso dessa forma, mas os cinco subiram as escadas juntos. Shinohara os notou antes que Haruhiro pudesse chamĂĄ-lo e levantou-se de seu assento.

— Ei, Haruhiro-kun. JĂĄ faz algum tempo. Esses sĂŁo seus companheiros que estĂŁo com vocĂȘ?

Nossa. Eu sĂł conheci esse cara uma vez e ele se lembra de mim. Isso Ă© incrĂ­vel. E, espere aĂ­, quase todo mundo sentado ao redor de Shinohara faz parte da Orion. Deve haver mais de vinte… nĂŁo, trinta deles. A maioria sĂŁo homens, mas talvez um terço ou mais sejam mulheres, e todos estĂŁo usando a capa da Orion.

— É… É bom ver vocĂȘ…

— Venha, por aqui. Hayashi, vocĂȘ poderia arrumar alguns assentos para eles?

— Claro, Shinohara-San. — O homem de cabelos curtos e olhos finos que ele havia chamado de Hayashi trouxe algumas mesas e cadeiras das proximidades.

— Junte-se a mim aqui —, disse Shinohara. Ele se sentou em uma das cadeiras ao redor da mesa que Hayashi trouxe, e Haruhiro e os outros fizeram o mesmo.

Os membros do Orion nĂŁo ficaram boquiabertos, apenas continuaram conversando calmamente entre si.

Eles sĂŁo muito bem-educados, muito agradĂĄveis, pensou Haruhiro.

Embora eles ainda não tivessem feito o pedido, as bebidas vieram para eles. Todos estavam quietos: Moguzo, Yume e Shihoru. Até mesmo Ranta estava sendo tão quieto e manso como um cordeiro.

Orion Ă© incrĂ­vel, pensou Haruhiro.

— Bem, como vai, Haruhiro-kun? Parece que vocĂȘ ainda nĂŁo comprou seu distintivo, mas estĂĄ começando a se acostumar com o estilo de vida?

— Como vocĂȘ sabe que eu ainda nĂŁo comprei meu distintivo?

— Sempre me interesso pelo que os novatos estĂŁo fazendo. VocĂȘ estĂĄ frequentando a Cidade Velha de Damuro, certo? Parece que algumas pessoas começaram a chamar vocĂȘs de Goblin Slayers pelas costas.

— Ahh… NĂŁo temos visado nada alĂ©m de goblins durante todo esse tempo, entĂŁo Ă© justo.

Shinohara fez uma pausa por um momento, depois ajustou sua postura. — O que aconteceu com seu companheiro foi lamentável.

— …Sim. — Haruhiro baixou os olhos para a mesa, apertando as mĂŁos. Ele atĂ© sabe disso, hein.

A princípio, Altana lhe parecia enorme, mas, na realidade, era um espaço fixo com tudo bem apertado. O mundo que os soldados voluntårios ocupavam era uma parte ainda menor disso. Se eles não se esforçassem muito para esconder, as notícias sobre praticamente qualquer coisa se espalhariam em pouco tempo. Eu provavelmente deveria ter isso em mente.

— … Ficamos muito desanimado com isso —, disse Haruhiro. — Ele era uma Ăłtima pessoa.

— Pode ser presunçoso da minha parte dizer isso, mas sei como Ă© perder um camarada —, disse Shinohara a ele. — Eu tambĂ©m passei por isso.

— Eu… Imagino. Isso Ă©…

— Por favor, nunca se esqueça dessa dor —, disse Shinohara, olhando para Haruhiro e os outros. Seus olhos estavam tranquilos, mas cheios de uma profunda tristeza. — Mesmo carregando essa dor, vocĂȘ ainda pode seguir em frente. Quero que gravem isso profundamente em seus coraçÔes. AlĂ©m disso, quero que valorizem os companheiros que tĂȘm agora. Valorizem o tempo que passam com eles. Porque, uma vez passado, ele nunca mais voltarĂĄ. Sem dĂșvida, vocĂȘs se arrependerĂŁo, mas, por favor, esforcem-se para deixar o menor nĂșmero possĂ­vel de arrependimentos.

Enquanto ouvia Shinohara falar, Haruhiro inconscientemente levou uma mĂŁo ao peito. Valorizo os companheiros que tenho agora.

Se ao menos ele tivesse feito mais para valorizar o Manato enquanto ele estava vivo. Se ao menos ele tivesse feito mais para entender o Manato. No entanto, isso nĂŁo era mais possĂ­vel. Essa era mais uma razĂŁo pela qual ele precisava valorizar o tempo que tinha com os companheiros que tinha agora. Para nĂŁo ficar com arrependimentos.

NĂŁo hĂĄ como prever quando eu mesmo poderei morrer.

O mesmo acontecia com Moguzo, Ranta, Yume, Shihoru e até com Mary. Ele não queria ficar pensando em como deveria ter feito isso ou aquilo de forma diferente se alguém morresse novamente. Não quero que nenhum de nós fique pensando nisso.

— Shinohara-san, tenho algo para pedir seu conselho.

— O que seria? Espero que eu possa ajudá-lo.

— É sobre a Mary. Ontem, vocĂȘ foi atĂ© lĂĄ e conversou com ela, certo? VocĂȘ sabe que a Mary tambĂ©m estĂĄ em nosso grupo agora, certo?

— Sim. O que há com ela?

— Queremos que vocĂȘ nos conte sobre a Mary. Qualquer coisa que vocĂȘ saiba. Talvez eu esteja falando com a pessoa errada, mas acho que ela nĂŁo nos contaria nem se tentĂĄssemos forçå-la.

Shinohara bateu na mesa apenas uma vez com o dedo indicador. — Em vez de mim, Hayashi Ă© a pessoa com quem deve conversar sobre isso. Ele estava em um grupo com ela em um determinado momento.

— HĂŁ…? — Haruhiro olhou para a mesa ao lado, onde Hayashi estava bebendo uma taça. Hayashi percebeu o olhar de Haruhiro e fez uma reverĂȘncia silenciosa.


Tradução: ParupiroH
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