Hai to Gensou no Grimgar – Capítulo 16 – Volume 1

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Hai to Gensou no Grimgar
Grimgar of Fantasy and Ash

CapĂ­tulo 16
[Quando se Busca o Topo]

 

Quando ele saiu do alojamento na manhĂŁ seguinte, Shihoru de repente se desculpou com ele.

— U-Um! Me… Me desculpe! Eu estava convencida de que vocĂȘs dois tinham esse tipo de relacionamento… Desculpe-me por ter tirado conclusĂ”es precipitadas! Yume me explicou o que havia acontecido, entĂŁo…

O pedido de desculpas era bom, mas ele achava que teria ficado mais feliz se ela nĂŁo tivesse falado sobre isso na frente de Ranta e Moguzo.

— Relacionamento? — As narinas de Ranta se dilataram quando ele se aproximou do rosto de Haruhiro. — QuĂȘ? Que histĂłria Ă© essa de relacionamento? De que tipo e entre que pessoas? Hmmmm?

Haruhiro se inclinou um pouco para trĂĄs. — …NĂŁo Ă© nada.

— NĂŁo Ă© nada, Ă©? Diga-me. Fale! Desembuche! — Ranta gritou.

— Ouça, a prĂłpria Shihoru disse que ela tirou conclusĂ”es precipitadas, nĂŁo foi? — Haruhiro se defendeu.

— Sim, e eu estou perguntando o que aconteceu que a fez tirar conclusĂ”es precipitadas.

— Agora, ouça — interveio Yume.

É melhor que ela não esteja prestes a dizer algo que não deveria novamente! Ele gostaria que seus temores fossem em vão, mas as coisas continuaram como sempre.

— Então, ontem, Yume, ela estava abraçando o Haru-kun, sabe, e a Shihoru viu isso. Foi só isso.

Os olhos de Moguzo se arregalaram. — O que…?!

— Oh, oh, oh, oh! — Os globos oculares de Ranta quase voaram para fora de seu crĂąnio. — Que, sĂ©rio, como isso aconteceu? EstĂĄ falando sĂ©rio?! Quando foi que vocĂȘ e o Haruhiro chegaram Ă  segunda fase?!

— Como assim segunda fase…? NĂŁo, seja qual for a segunda fase, Yume e eu nĂŁo chegamos lĂĄ. NĂŁo Ă© nada disso, nĂłs estĂĄvamos…

— Como nĂŁo?! VocĂȘ estava tentando fazer com ela, nĂŁo estava?! VocĂȘs dois estavam se pegando quando a Shihoru entrou e viu, vocĂȘs entraram em pĂąnico e pararam, certo?

— Haru-kun estava chorando, sabe — explicou Yume.

— …Yume, vocĂȘ nĂŁo precisa dizer isso a ele — disse Haruhiro.

— HĂŁ?! Chorando — Ranta olhou de Haruhiro para Yume, depois coçou os cabelos. — …Ah, Ă© sĂł isso. EntĂŁo, deixe-me adivinhar. O estĂșpido do Haruhiro foi rejeitado, e a Yume estava fazendo isso para consolĂĄ-lo por pena. EntĂŁo, foi assim que aconteceu. Agora estou entendendo.

— EstĂĄ totalmente equivocado, mas nĂŁo quero perder mais tempo explicando isso para vocĂȘ…

— Bem, de qualquer forma —, Yume continuou, com sua atitude descontraĂ­da de sempre. Haruhiro a invejava por isso. — A Yume, decidiu que vai tentar ser amiga da Mary-chan. EntĂŁo, a Shihoru tambĂ©m vai. Ela disse que tentaria cooperar.

Shihoru olhou para o chĂŁo, segurando seu cajado com força. — …NĂŁo tenho nenhuma confiança de que posso fazer isso. Mas tentarei fazer o que puder, eu acho.

— Sermos amigos? — Ranta franziu a testa o mĂĄximo que pĂŽde. — Com a Mary? Isso nĂŁo Ă© possĂ­vel. Digo, vamos lĂĄ, vocĂȘ sabe que ela nĂŁo tem intenção de ser amigĂĄvel, certo?

Moguzo baixou a cabeça. — …Mas Ă© um pouco difĂ­cil do jeito que as coisas estĂŁo. Gostaria que ela pudesse pelo menos nos curar, sabe…?

Mary não estava apenas com falta de cooperação; havia problemas com seu desempenho como sacerdotisa também. Como Moguzo havia dito, ela não os curava normalmente. Mais especificamente, ela deixava ferimentos leves sem tratamento.

Mesmo que eles pedissem que ela os curasse, não adiantava. Eles seriam ignorados ou simplesmente rejeitados. Obviamente, se um ferimento afetasse a capacidade de locomoção ou colocasse a vida em risco, ela o curaria para eles, mas eles tinham problemas com sua disposição de deixar um companheiro com dor.

Manato não era assim. Sempre que alguém sofria um arranhão, ele o curava imediatamente. Isso fazia com que eles sentissem que, mesmo que se machucassem um pouco, tudo ficaria bem.

Eles nĂŁo conseguiam se sentir seguros dessa forma com a Mary. Eles temiam que, quando realmente precisassem, Mary pudesse se recusar a curĂĄ-los. Que ela poderia abandonĂĄ-los. SĂł de pensar isso jĂĄ os fazia suar frio.

— EntĂŁo, de qualquer forma —, Haruhiro olhou em volta para cada um de seus companheiros, exceto para Ranta. Ele deixou Ranta de fora. — Precisamos de uma relação de confiança com a Mary. Se nĂŁo começarmos a construir isso, nĂŁo poderemos seguir em frente. Mary pode ter seu prĂłprio raciocĂ­nio por trĂĄs de como ela faz as coisas. Como nĂŁo entendemos o que Ă©, pode ser por isso que as coisas nĂŁo estĂŁo indo bem.

Ranta zombou. — É sĂł porque ela tem uma personalidade horrĂ­vel. Ela Ă© doente, cara, doente. O que ela tem Ă© a sĂ­ndrome da malĂ­cia crĂŽnica. NĂŁo hĂĄ como tratar isso.

— Mas precisamos de um sacerdote, nĂŁo Ă©?

— Aqui estĂĄ uma ideia, Haruhiro. VocĂȘ serĂĄ o sacerdote. Boa! Adeus, Mary! Problema resolvido! Nossa! Cara, como sou inteligente. Que foda. Que Ăłtima ideia!

Honestamente, Haruhiro considerou essa opção, mas apenas como Ășltimo recurso. Ele achava que o trabalho de um ladrĂŁo era adequado para ele, que se escondia e explorava por conta prĂłpria para fazer reconhecimento e sempre procurava atacar o inimigo por trĂĄs. Ele queria continuar a crescer como ladrĂŁo. AlĂ©m disso, depois de conversar com Yume ontem, ele havia percebido algo.

— Ranta.

— Sim?

— Fomos eu, vocĂȘ e Moguzo que decidimos adicionar a Mary ao grupo, nĂŁo Ă©?

— E essa decisĂŁo foi um grande erro, e Ă© por isso que estou dizendo que deverĂ­amos simplesmente expulsĂĄ-la.

— NĂłs a adicionamos ao grupo, entĂŁo a Mary Ă© uma de nĂłs agora.

Ranta parecia estar procurando uma resposta para isso, mas fechou a boca e olhou para o chĂŁo sem jeito.

— Ouça, eu entendo. — Haruhiro segurou seu pulso direito com a mĂŁo esquerda. — NĂŁo Ă© fĂĄcil tratar alguĂ©m de repente como um membro igual do grupo. E a Mary tambĂ©m nĂŁo ajuda a si mesma com sua maneira de agir. Mesmo assim, se ficarmos em cima dela o tempo todo, cinco contra um, ela nĂŁo vai conseguir se encaixar, mesmo que queira. A Mary nĂŁo Ă© apenas uma mĂĄquina que anda por aĂ­ e distribui magia de cura.

— …É isso mesmo, —, disse Yume, levando um dedo ao queixo. — A Mary Ă© fria com a Yume e com todo mundo, mas talvez a Yume e todo mundo tambĂ©m estejam sendo frios com a Mary.

— Sim… — Moguzo assentiu lentamente com a cabeça. — Pode ser isso.

— Talvez —, disse Shihoru, murmurando sem confiança, — ela possa realmente ser uma boa pessoa… Talvez ela possa ser uma tsundere, ou algo assim?

— Claro que nĂŁo! — Ranta olhou para o outro lado. — Sem chance. isso Ă© quase impossĂ­vel de acontecer. Ela Ă© uma mulher desagradĂĄvel e podre atĂ© os ossos. NĂŁo importa o que vocĂȘ diga, minha opiniĂŁo nĂŁo mudarĂĄ. DeverĂ­amos cortar relaçÔes com ela. O Haruhiro estĂșpido pode ser nosso sacerdote.

— Se eu fosse nosso sacerdote, nĂŁo importa o que acontecesse, eu nĂŁo o curaria, Ranta. VocĂȘ Ă© um cavaleiro das trevas. O deus das trevas Skullhell e o deus da luz Lumiarias sĂŁo inimigos, nĂŁo Ă©? Eu nĂŁo sou tĂŁo estĂșpido a ponto de curar meus inimigos.

— Tch. VocĂȘ estĂĄ desqualificado como sacerdote! Desqualificado! Moguzo pode… NĂŁo, estarĂ­amos em apuros sem um guerreiro. Tudo bem, Yume! Faça vocĂȘ!

— Yume quer um cão lobo, então ela não vai desistir de ser uma caçadora.

— Ugh… Sua garota egocĂȘntrica! EntĂŁo Shihoru! E quanto a vocĂȘ?!

— …Eu nĂŁo acho que seria uma boa curandeira. Tenho certeza de que se alguĂ©m se machucasse, eu começaria a entrar em pĂąnico antes de poder curĂĄ-lo.

— VocĂȘs sĂŁo inĂșteis! Todos vocĂȘs! Completamente inĂșteis! Muito inĂșteis! Este Ă© um grupo de pessoas que sĂŁo naturais em serem inĂșteis! Se Ă© assim que vai ser… — Ranta limpou a garganta. — …Se Ă© assim que vai ser, sĂł hĂĄ uma opção. AtĂ© mesmo aquela mulher Ă© melhor do que nada. Vamos apenas rezar para que ela seja realmente uma tsundere… Mas, se ela for, obviamente, vai ser comigo, sabe? Isso Ă© meio que… nĂŁo Ă© tĂŁo ruim, eu acho?

— O-Obviamente, ela nĂŁo seria tsundere pelo Ranta, eu acho…

— Ah, cala a boca, Moguzo! Moguzo?! O Moguzo acabou de me contrariar?! SĂ©rio?! NĂŁo posso acreditar nisso!

De qualquer forma, o que eles deveriam fazer havia sido estabelecido. Eles tratariam Mary como um deles, e ela se tornaria sua companheira.

Eles poderiam discutir mais depois. Se eles nĂŁo superassem esse obstĂĄculo primeiro, Haruhiro e seu grupo nĂŁo conseguiriam seguir em frente.

Ainda assim, nĂŁo parecia que eles teriam um caminho fĂĄcil pela frente.

Mary estava esperando por eles no portĂŁo norte, como de costume.

Achando que tudo começava com uma saudação adequada, Haruhiro tentou um enĂ©rgico “Bom dia!”.

Tudo o que Haruhiro havia feito era cumprimentå-la. Isso foi tudo o que ele fez, então por que ela tinha que dar esse olhar gélido para ele?

Neste momento, Haruhiro sentiu que ela estava zombando dele. Ele tinha certeza de que ela estava pensando: “Vá morrer queimado” ou “Desapareça, idiota”.

Depois de atormentar Haruhiro com seu olhar absolutamente nulo, ela retornou com um cortĂȘs “Bom dia” e acrescentou:

— Apresse-se e vĂĄ embora. Eu vou atrĂĄs de vocĂȘ.

As coisas continuaram nesse ritmo.

Mesmo assim, na estrada para a Cidade Velha de Damuro, Yume e Shihoru fizeram um grande esforço, tentando falar com a Mary vårias vezes. Sobre onde ela morava, o que comia no café da manhã e no jantar, quanto tempo fazia desde que se tornara um soldado voluntårio.

De qualquer forma, eram perguntas inofensivas, mas Mary nunca dava uma resposta direta. Respostas como “Quem sabe?” e “Comida” estavam no lado não tão ruim, mas uma vez ela disse: “O que isso importa?” Yume e Shihoru não conseguiram continuar conversando.

Ela Ă© uma adversĂĄria difĂ­cil. NĂŁo, ela nĂŁo Ă© uma adversĂĄria. Ela Ă© nossa aliada. Ela Ă© uma de nĂłs.

Mesmo que nĂŁo conseguissem manter uma conversa, pelo menos queriam melhorar o trabalho em equipe. Pela manhĂŁ, eles tiveram sorte e encontraram um grupo de trĂȘs goblins, entĂŁo se prepararam para uma batalha difĂ­cil. Se eles conseguissem se unir para superar uma luta um tanto difĂ­cil, talvez conseguissem ver algum caminho a seguir.

— Moguzo, Ranta, cada um de vocĂȘs fica com um! Yume e eu ficaremos com o outro! Shihoru e Mary, apoiem o Ranta e o Moguzo!

Ele tentou sutilmente pedir apoio a Mary, mas mesmo quando Shadow Beat e o Magic Missile de Shihoru atingiram o inimigo, Mary ficou parada. Quando Ranta sofreu um corte leve no braço esquerdo, ela o ignorou mesmo quando ele gritou de dor exagerado, e quando Moguzo se assustou depois que um corte superficial abriu sua tĂȘmpora, ela gritou:

— NĂŁo recue depois de algo tĂŁo trivial! VocĂȘ Ă© um guerreiro, nĂŁo Ă©? — e foi isso.

— Droga, nĂŁo seja tĂŁo arrogante e prepotente! VocĂȘ nĂŁo estĂĄ fazendo nada! — Ranta chutou Ă  força o goblin para longe de si mesmo e, em seguida, entrou no espaço que se abriu, fechando a distĂąncia e brandindo sua espada longa. — Anger…!

O goblin guinchou quando a espada atravessou seu pescoço. Ele se debateu por um tempo e, por fim, ficou em silĂȘncio. As habilidades de espada usadas pelos cavaleiros das trevas, as Artes Negras da Batalha, evitavam o combate corpo a corpo, preferindo atacar fora do alcance do inimigo com tĂĄticas de ataque e fuga.

O que ele fez ali nĂŁo parecia ser exatamente isso, mas tudo bem quando acaba bem. Agora sĂł temos dois inimigos.

Com um rugido, Moguzo deixou de travar as lĂąminas com o inimigo para fazĂȘ-lo cambalear para trĂĄs com Wind e, em seguida, rapidamente bateu sua lĂąmina nele. — ungh…!

O crĂąnio do goblin se partiu, deixando apenas um.

— Marc em parc…! — Shihoru desenhou sigilos elementais com seu cajado, entoando um feitiço, e uma gota de luz do tamanho de um punho atingiu o peito do goblin.

— Gyah…! — ele gritou.

A gota de luz de um feitiço Magic Missile tinha a mesma força de um soco dado por um adulto. O goblin foi desequilibrado por apenas um momento, mas isso criou uma abertura. Yume se aproximou do goblin, tentando cortå-lo com seu facão.

— Brush Clearer…!

O goblin foi pego de surpresa, mas agilmente conseguiu pular para trĂĄs e para o lado para evitĂĄ-la. Suas costas agora estavam voltadas para Haruhiro.

Agora, pensou Haruhiro, e seu corpo entrou em ação por conta própria.

Sem perder tempo, ele executou um Backstab. A adaga perfurou as costas do goblin, como se estivesse se fixando em um lugar ao qual sempre pertenceu.

Definitivamente, Ă© assim que me sinto quando consigo fazer isso!

O goblin tremia violentamente à medida que a força se esvaía de seu corpo. Quando Haruhiro empurrou a adaga mais profundamente para dentro do goblin e rapidamente a puxou de volta, o goblin caiu de cara no chão, imóvel.

— Gahahahah! — Ranta gargalhou alto enquanto cortava uma garra do cadáver. — Nosso trabalho em equipe foi uma porcaria, mas com o meu ataque liderando o caminho, vencemos em grande estilo! Isso mostra como eu sou incrível! Isso se tornou tão previsível que chega a ser chato! Mas, vamos lá, minha mão está doendo! Mary! Cure-a!

Mary ignorou completamente o Ranta, caminhando rapidamente até Moguzo.

— Sente-se.

— …Ok. — Ordenado a se sentar como se fosse um cachorro, Moguzo abaixou os quadris atĂ© o chĂŁo.

Mary tocou sua testa, a parte de trĂĄs da cabeça e, finalmente, a tĂȘmpora. Quando Moguzo fez uma careta, ela disse algo em voz baixa, mas Haruhiro nĂŁo conseguiu entender o que era. Mary fez o sinal do hexagrama e entoou uma oração. — Ó Luz, que a proteção divina de Lumiaris esteja sobre vocĂȘ… Cure.

— …Se esperarmos atĂ© que a batalha termine, ela estarĂĄ relativamente disposta a nos curar, hein — murmurou Haruhiro para si mesmo enquanto recolhia as bolsas dos goblins. Dentro delas havia duas moedas de prata e duas pedras bonitas, alĂ©m de um punhado de presas, engrenagens e outras coisas pequenas. Dependendo do preço das pedras, eles estavam em torno de quatro pratas.

— Ei, Mary! VocĂȘ jĂĄ curou o Moguzo! Cure-me agora!

— O seu Ă© apenas um arranhĂŁo.

— NĂŁo, nĂŁo Ă©! Veja, estĂĄ sangrando! Mesmo que esteja parando agora.

— Tente colocar um pouco de cuspe. AlĂ©m disso, nĂŁo se dirija a mim sem um honorĂ­fico. TĂĄ começando a fazer minha raiva ferver.

— Eek!

Foi mais ou menos assim que aconteceu, pois ela nĂŁo estava disposta a curar o Ranta com muita frequĂȘncia. No entanto, Ranta tinha a tendĂȘncia de dar muita importĂąncia a qualquer coisa, por isso fazia um grande estardalhaço mesmo com ferimentos leves.

Manato podia parecer generoso, mas na verdade ficava bastante ansioso. Ele não conseguia se sentir à vontade a menos que todos estivessem em perfeitas condiçÔes, por isso tratou todos os ferimentos imediatamente. Talvez isso tenha sido desnecessårio. Quando Haruhiro refletiu sobre isso, percebeu que Manato talvez tivesse ido longe demais. Quando se tratava de Ranta, ele achava que Manato tinha sido muito brando com ele.

Depois de limpar os cadĂĄveres dos goblins, Haruhiro foi direto e perguntou.

— Mary, vocĂȘ tem algum tipo de mĂ©todo que estabeleceu para trabalhar como curandeira, ou algo assim?

— Hã? — ela respondeu.

Esse foi um “hĂŁ?” bem assustador. Realmente gostaria que parasse de fazer isso. De alguma forma, Haruhiro conseguiu evitar que ele e se animou para continuar. — …Bem, eu estava pensando que talvez existam tipos diferentes de sacerdotes… ou algo assim. Porque, bem, eu nĂŁo sei sobre tudo isso. NĂŁo tenho muita experiĂȘncia.

Mary estava prestes a dizer algo, mas então, talvez decidindo que seria muito esforço, ela suspirou. Em seguida, cruzou os braços e desviou o olhar para o lado.

— Quem sabe.

Lá estava. Seu “quem sabe”. Haruhiro ficou chateado.

— P-Poderia me explicar? Eu sou um ladrĂŁo, entĂŁo nĂŁo sei muito sobre os sacerdotes, mas se eu ficar pensando: “Eu nĂŁo entendo, eu nĂŁo eentendo”, eu nunca vou entender, e eu nĂŁo acho que isso seja bom, entĂŁo…

— Essa Ă© apenas sua opiniĂŁo. Acho que estĂĄ estĂĄ bom como estĂĄ.

— NĂŁo estĂĄ bom assim…! — Haruhiro respirou fundo apressadamente.

Não estå bom. Eu quase surtei ali. Foi por pouco. Preciso me acalmar. Mas ela me deixa tão irritado. O que estå acontecendo com ela? Por que ela tem que ser tão cabeça dura?

— … Respeitarei sua privacidade e nĂŁo tentarei cruzar a linha. Mas nossas funçÔes em combate, o fluxo, hĂĄ essas coisas a serem consideradas. Quero falar mais sobre essas coisas como um grupo.

— Se não gosta do meu trabalho, por que não diz logo? Eu vou embora agora mesmo.

— NĂŁo Ă© isso. Eu sĂł quero…

— Então não temos nenhum problema aqui.

— …Certo.

Alguém, por favor, me diga. Existe alguma maneira de me comunicar adequadamente com a Mary? Talvez não haja. Com certeza parece que não hå.

Depois disso, Yume e Shihoru continuaram a tentar falar com a Mary, mas foram esmagadas todas as vezes. Haruhiro tentou iniciar uma discussĂŁo com ela vĂĄrias vezes, mas ela nem sequer respondia.

Ao anoitecer, eles haviam derrubado sete goblins. Seus ganhos eram de duas pratas e cinco cobres por pessoa, o que era bom, se quisessem pensar dessa forma. No entanto, Haruhiro não pÎde deixar de se comparar com Renji, que havia jogado uma moeda de ouro na direção deles como se não fosse nada, e rangeu os dentes ao sentir uma pontada de frustração.

Mary foi embora assim que recebeu sua parte, entĂŁo os cinco comeram e depois foram para a Taberna Sherry.

— Tem muita gente aqui, nĂŁo Ă©? A Yume nĂŁo quer beber ĂĄlcool, entĂŁo vai tomar suco.

— …Eu tambĂ©m, nĂŁo quero ĂĄlcool. EstĂĄ muito animado aqui…

Essa era a primeira vez que Yume e Shihoru estavam em uma taberna, entĂŁo eles estavam muito ocupados olhando e ficando nervosos com as coisas.

Ranta agiu como uma pessoa comum, dizendo:

— Ei, meninas. Acalmem-se. Tudo bem? É apenas uma taberna, nada fora do comum. Vamos lĂĄ, sĂ©rio —, mas as duas provavelmente nĂŁo estavam ouvindo nada do que ele dizia.

Logo a garçonete chegou, cada um pediu uma bebida e pagou. Haruhiro optou por uma limonada em vez de cerveja hoje. Era uma bebida feita com limão e mel adicionados à ågua naturalmente gaseificada das montanhas Tenryu, e ele gostava muito dela.

— O problema Ă© com a Mary, na verdade — começou Haruhiro.

Yume respondeu:

— Sim —, com um aceno de cabeça. — A Yume e a Shihoru tentaram conversar muito com ela, mas ela não nos deu bora.

Shihoru a corrigiu rapidamente:

— Yume, vocĂȘ quis dizer “Bola”.

Mas Yume apenas piscou em confusĂŁo.

— É mesmo? Yume, ela tinha certeza de que era bora. EntĂŁo Ă© isso. Era bola, hein.

— Esta Ă© a nossa Ășnica opção —, disse Ranta, passando um dedo em seu pescoço. — Isso. Temos que nos apressar e fazer isso com aquela mulher. Isso, entendeu? Isso.

Parecia que Ranta realmente gostava de fazer aquele gesto de decapitação. Talvez ele achasse que era legal. Se fosse isso, ele estava ainda mais enganado do que a Yume.

— Ah… — Moguzo disse, olhando na direção da porta.

Falando no diabo, como dizem, pensou Haruhiro.

Era ela. Mary tinha vindo para a taberna.

Foi breve, mas Mary olhou na direção deles. Eles tinham quase certeza de que ela os havia visto. Mas ela fingiu não ter visto. Mary entrou, sentou-se em um lugar aberto no balcão e ficou lå.

— O que… — Ranta bateu na mesa. — Que droga! Qual Ă© a dela?! Estamos no mesmo grupo, pelo amor de Deus! Normalmente, se daria pelo menos um aceno em nossa direção!

— O problema da Mary-chan Ă© que —, Yume arqueou as sobrancelhas e fez beicinho com raiva, — o normal nĂŁo Ă© algo que se aplique a ela, sabe. AliĂĄs, o que ela fez agora mesmo tocou um pouco o coração da Yume.

Shihoru continuou esfregando os lĂĄbios. — …Mas nĂłs tambĂ©m nĂŁo acenamos para ela nem nada. Acho que os dois lados sĂŁo culpados… talvez.

— Ahh —, Haruhiro coçou o pescoço. — Sim, mais ou menos. Tipo, esperĂĄvamos que ela nos ignorasse e nos preparamos para isso. EntĂŁo, eis que? Isso aconteceu. Talvez nĂŁo seja bom para nĂłs fazermos isso tambĂ©m.

— Não me venha com essa besteira. Por que precisamos nos esforçar para nos preocupar com os sentimentos dela?

— Ranta, olha como vocĂȘ estĂĄ agindo. É por isso que todas as meninas odeiam vocĂȘ — disse Yume.

— Cala a boca! Não quero ouvir uma tábua agindo como se pudesse falar por todas!

— Não me chame assim!

— TÁBUA! TÁBUA! TÁBUA! TÁBUA! TÁBUA! TÁBUA!

— Grrh — gemeu Yume.

— Ranta, parece que nĂŁo importa a ocasiĂŁo, vocĂȘ nunca deixa de ser terrĂ­vel — disse Haruhiro.

— NĂŁo Ă© da sua conta, Haruhiro! Como se eu me importasse com a expressĂŁo no rosto de uma garota! As Ășnicas partes que eu olho sĂŁo os seios, a bunda, as pernas e os braços!

Shihoru olhou para Ranta como se ela estivesse olhando para um lixo. — …VocĂȘ me dĂĄ nojo.

— I-Isso foi cruel! — AtĂ© mesmo Ranta deve ter percebido que isso era ruim. — Eu nĂŁo olho apenas para os seios, bunda, pernas e braços. NĂŁo me importo com sua expressĂŁo, mas seu rosto tambĂ©m Ă© importante! Porque, mesmo que vocĂȘ tenha um corpo gostoso, se o seu rosto for nojento. Estranho, sinto que estou sendo olhado com mais intensidade agora. Por quĂȘ?

— AlguĂ©m começou… — Moguzo apontou para Mary. — … a conversar com a Mary.

— Oh. — Haruhiro piscou os olhos. — … Verdade.

Não era nada para se surpreender, mas era inesperado. Além disso, o homem que estava conversando com Mary com um sorriso era alguém que Haruhiro conhecia.

Dito isso, eles só haviam se falado uma vez. Aquele rosto gentil. A armadura e a capa. Aquela espada. Seu traje geralmente esbranquiçado.

— Huh, esse Ă© o Shinohara da Orion.

— Orion? — Ranta inclinou a cabeça para o lado. — Nossa, estĂĄ falando sĂ©rio. Eles sĂŁo um clĂŁ bastante famoso. E, espere, Shinohara… Se bem me lembro, ele Ă© o lider da Orion. NĂŁo que isso importe. Quem se importa com o que aquela mulher faz. Oh! As bebidas estĂŁo aqui. Vamos fazer um brinde. Um brinde. SaĂșde!

— SaĂșde — respondeu Moguzo. Ele foi o Ășnico que falou isso.

Haruhiro bateu sua caneca de madeira junto com as de Moguzo, Yume e Shihoru e tomou um gole de limonada. Era doce, azeda e deliciosa.

— Ei, ei, Haru-kun. — Yume puxou sua manga. — O que Ă© um clĂŁ?

— Ah, clĂŁs sĂŁo… — Haruhiro nĂŁo sabia muito sobre os clĂŁs, mas eram grupos ou equipes que soldados voluntĂĄrios reuniam em busca de algum objetivo.

A maioria dos grupos tinha cinco ou seis pessoas, e ele tinha ouvido dizer que isso se devia ao fato de que o importantíssimo Protection de um sacerdote, que era um feitiço de fortalecimento, tinha como alvo måximo seis pessoas.

Entretanto, havia inimigos poderosos que seis pessoas sozinhas nĂŁo conseguiriam derrotar, bem como territĂłrios inimigos perigosos nos quais nĂŁo poderiam entrar com apenas seis pessoas. Havia cenĂĄrios que exigiam que vĂĄrias partes se coordenassem entre si, e a estrutura do clĂŁ aparentemente foi criada para facilitar isso.

— HĂĄ vĂĄrios clĂŁs famosos tambĂ©m. Como o Berserkers e o Iron Knuckle. Ou o clĂŁ Wild Angels, sĂł de mulheres, por exemplo. Ah, claro. Orion tambĂ©m Ă© famoso.

— Veja —, Ranta fez um gesto para Shinohara com o polegar. — HĂĄ sete brasĂ”es em forma de X em sua capa, certo? Esse Ă© o sĂ­mbolo da Órion. Provavelmente hĂĄ alguns deles por aĂ­.

É verdade que havia clientes com a mesma capa que a de Shinohara espalhados por aĂ­. Shinohara havia dito que eles vinham Ă  Taberna Sherry com bastante frequĂȘncia. Haruhiro sempre teve a intenção de dizer oi se os encontrasse por aqui. Talvez agora fosse a hora…

NĂŁo, deixa. NĂŁo quero interrompĂȘ-lo enquanto ele estiver conversando com a Mary. Isso pode esperar.

Mas, ainda assim, qual era a ligação de Shinohara com Mary? Shinohara parecia estar bem solto, com a Mary apenas fazendo comentårios curtos ocasionais e acenando com a cabeça, mas ela não parecia estar incomodada com isso. Na verdade, ela parecia estar se desculpando.

Por fim, Shinohara se afastou e deixou Mary. Ela o observou por um tempo enquanto ele saĂ­a, depois olhou para baixo e tomou um gole de sua bebida.

Ranta deu uma risada maliciosa. — Aqueles dois estão fazendo.

— NĂŁo me parece isso… — disse Haruhiro, incerto.

— Haaaaruhiroooo. Amigo, vocĂȘ estĂĄ seriamente cego. NĂŁo importa como olhe para isso, essa era totalmente a vibração que eles tinham. Eles estĂŁo totalmente fazendo isso. 100%, eu garanto.

— Vou dar uma palavrinha com o Shinohara.

— Ei, seu desgraçado! NĂŁo me ignore! VocĂȘ estĂĄ me deixando triste!

Enquanto pensava que Ranta poderia ficar triste o quanto quisesse, Haruhiro começou a se levantar de seu assento e, de repente, a taberna ficou barulhenta. O motivo ficou imediatamente evidente.

— Soma.

— Ora, se nĂŁo Ă© o Soma.

— É o Soma!

— Soma!

— Soma…!

Todos os soldados voluntĂĄrios estavam chamando por um Ășnico nome.

Quem era o Soma? Deve ser aquele cara. Um grupo de seis pessoas tinha acabado de entrar na Taberna Sherry. Ele Ă© o que estĂĄ na frente.

Parecia ser um jovem ainda, mas era diferente dos demais. Muito diferente. Para começar, seu equipamento era Ășnico.

O que Ă© aquela armadura preta que cobre todo o seu corpo, mas que se ajusta bem a ele, parece incrivelmente leve e nĂŁo tem nenhum ponto irregular?

Ela provavelmente foi feita de inĂșmeras placas de metal encaixadas umas nas outras, mas havia uma luz laranja que vazava de dentro dela aqui e ali. Ela piscava e apagava, como se estivesse respirando.

Ele usava uma saia longa e assimétrica, que parecia fazer parte da armadura e cobria a parte inferior do corpo. Mas isso só faz com que pareça mais legal.

A espada longa que ele usava nas costas tinha uma lùmina curva. Se houver alguém que não esteja completamente encantado com esse trabalho sinistro, porém belo, claramente não sabe de nada.

A pequena espada pendurada em seu quadril também era incrível. Sinceramente, só essa jå seria suficiente para mim. Eu a quero.

O homem que carregava todas aquelas armas e armadura que estavam claramente em outro nível e também tinha um rosto extraordinårio.

Ele tem características bem definidas. Não são especialmente måsculas, ou bonitas de uma forma mais neutra, não é assim, mas se ele olhasse para alguém com aqueles olhos amendoados que são tão cheios de compostura, intensidade e tristeza, acho que ninguém conseguiria ficar calmo.

Os homens e mulheres que estavam seguindo o Soma claramente nĂŁo eram pessoas comuns.

Um deles era um homem moreno usando dreads, que tinha olhos sanpaku e usava uma armadura de prata tĂŁo radiante que chegava a cegar.

Ele Ă© enorme, pensou Haruhiro. Deve ser mais alto que Moguzo.

Parecia bem constituído, mas, por causa de sua cabeça pequena, parecia magro.

O homem que caminhava logo atrås dele, por outro lado, era bem pequeno. Ele tinha um rosto infantil, mas olhos grossos com muito muco. Sinto que serei amaldiçoado se encontrar seu olhar. Serå que o homem com braços longos, muito longos, que estava ao lado do homem pequeno era humano? Ele usava uma måscara aterrorizante, então era difícil ter certeza, mas Haruhiro sentiu que ele era algum outro tipo de criatura. A armadura que ele usava, que parecia ter sido enrolada em metal e couro em todo o corpo, era anormal, e a espada gigante com lùmina de serra presa em suas costas parecia perigosa.

Ainda assim, quando Haruhiro olhava para as duas mulheres que vinham atrås deles, era um bom refresco para seus olhos, e seu cérebro parecia que poderia simplesmente derreter. O grupo de Soma incluía quatro homens e duas mulheres, e ambas eram lindas.

Uma delas era uma garota mais velha e sexy, com uma beleza descolada. Ela usava algo parecido com um vestido com um design arrojado, que era possível dar uma olhada em seus seios e pernas. Ela estava enfeitada com colares, anéis, pulseiras, um cajado da melhor qualidade, uma espada curta e muito mais, mas nada disso parecia excessivo. Isso se devia ao fato de que ela mesma era linda o suficiente para que nenhuma dessas coisas a ofuscasse.

A outra se parecia, de certa forma, um pouco com a Mary. NĂŁo que seus rostos fossem semelhantes, mas ela tinha a mesma beleza inumana. Ela era uma garota jovem e bonita ou uma mulher bonita?

Ela parecia ter a mesma idade de Haruhiro e, ao mesmo tempo, parecia mais velha. Ela usava um peitoral com desenhos delicados esculpidos, mas, fora isso, estava pouco equipada. Mas tinha uma espada.

Ela era uma guerreira? Mulheres guerreiras eram incomuns. Mas, deixando isso de lado

Que cabelo prateado deslumbrante.

NĂŁo era nada parecido com o cabelo do Renji. Seu cabelo parecia ter sido feito derretendo prata verdadeira e transformando-a em fios. Seus olhos pareciam ter sido incrustados com safiras, e sua pele era anormalmente branca.

Era como neve. Isso nĂŁo era apenas uma expressĂŁo: realmente parecia neve. Obviamente, tinha que haver sangue fluindo por ela, entĂŁo havia um leve tom vermelho, mas sua pele era radiante.

Mary nĂŁo Ă© nada perto dela. Essa mulher nĂŁo Ă© humana. Digo, ela tem orelhas pontudas.

— …NĂŁo Ă© uma elfa, ali? — sussurrou Ranta.

— Uma elfa… — Enquanto Haruhiro olhava tĂŁo fixamente que se esqueceu de piscar os olhos, ele repetiu as palavras.

Uma elfa. O que Ă© isso? Eu nĂŁo sei, ao mesmo tempo que sei. Uma elfa. Certo. Ela provavelmente Ă© uma elfa.

Com um “Yo! Yo!”, alguĂ©m correu atĂ© ele. AlguĂ©m tĂŁo barulhento sĂł podia ser Kikkawa.

— Ei, se nĂŁo Ă© o Harucchi, o Rantan, o Moguchin, o Yumepi e a Shihorun! Tudo bem? Eu estou Ăłtimo! Ei, vocĂȘs viram, estĂŁo vendo? O Soma Ă© incrĂ­vel, nĂŁo Ă©?! Cara, eu nĂŁo achei que teria a chance de vĂȘ-lo. Isso que Ă© sorte! Somos todos sortudos, sortudos, sortudos!

Ele parecia ainda mais insuportĂĄvel do que da Ășltima vez. Seria por causa do Soma?

— …Kikkawa, quem Ă© o Soma?

— Queeeee. Harucchi, vocĂȘ nĂŁo conhece o Soma?! SĂ©rio?! estĂĄ brincando comigo. Isso Ă© tipo, impossĂ­vel. O Soma Ă©, tipo, o soldado voluntĂĄrio top um. O soldado voluntĂĄrio dos soldados voluntĂĄrios. Bem, em termos de habilidade, hĂĄ algumas pessoas que argumentam o contrĂĄrio, mas em termos de feitos, ele Ă© o melhor, sem dĂșvida. Mas tambĂ©m Ă© a primeira vez que o vejo. Ele Ă© diferente! TĂŁo diferente! Muito legal! Se eu fosse uma mulher, gostaria que ele me levasse agora! Soma, eu te amo!. Brincaderinha. NĂŁo me sinto tĂŁo apaixonado por ele. Mesmo assim, ele Ă© incrĂ­vel. Eu aspiro a isso, sabe. Se eu tiver que ser como alguĂ©m, quero que seja ele.

— Com certeza! — Os olhos de Ranta estavam brilhando. — Se for um homem! Se for um soldado voluntĂĄrio! É isso que vocĂȘ tem de buscar! Droga! Onde posso conseguir uma armadura dessas? Eu quero usĂĄ-la!

— …E-Eu — Moguzo olhou para baixo e murmurou:

— Eu gostaria de um capacete. Uma armadura nova tambĂ©m, se possĂ­vel. Assim, eu poderia fazer um pouco mais…

Shihoru fez cara de dor, mordendo o lĂĄbio inferior. — …Eu quero aprender mais magias. Magia que possa ajudar a todos. O que eu tenho agora nĂŁo Ă© suficiente…

— Para a Yume, a Yume tambĂ©m quer uma armadura. Talvez a Yume deva fazer algo a respeito disso, nĂŁo Ă© mesmo? Yume nĂŁo Ă© uma arqueira muito boa, entĂŁo ela tem que ir para a linha de frente muitas vezes, sabe.

— Eu…

O que devo dizer? Haruhiro ainda nĂŁo conseguia tirar os olhos do grupo do Soma. Mas, para ser sincero, ele nĂŁo queria se tornar como o Soma, igual Ranta e Kikkawa. Ele nem mesmo estava convencido de que poderia diminuir a distĂąncia entre o grupo deles e o de Renji.

É inĂștil aspirar a ser como alguĂ©m. Quando nĂŁo hĂĄ nenhuma maneira de alcançå-lo, Ă© simplesmente estĂșpido.

Ainda assim, isso nĂŁo significava que ele achava que as coisas estavam bem como estavam. Ele nĂŁo achava. Haruhiro queria seguir em frente.

Mesmo que nĂŁo pudesse ser como Renji, subindo as escadas correndo, pulando um ou dois degraus a cada passo, ele tinha certeza de que poderia subir as escadas devagar e com cuidado, um degrau de cada vez. Certamente, era isso que Manato estava tentando fazer. Eles poderiam se mover em seu prĂłprio ritmo, tornando o dia de hoje melhor do que o de ontem, e o de amanhĂŁ melhor do que o de hoje. Obviamente, apenas desejar que isso acontecesse nĂŁo era suficiente. Ele tinha que fazer alguma coisa.

O que eu deveria estar fazendo e como?

Ele deve economizar dinheiro e aprender habilidades? Comprar bons equipamentos?

Essas coisas eram importantes, mas havia mais do que isso.

Manato disse que estava contando comigo. SerĂĄ que isso significava o que eu estava pensando? Que ele queria que eu fizesse o que ele estava fazendo? Basicamente, que eu me tornasse o lĂ­der do grupo?

Posso fazer isso? AlguĂ©m provavelmente tem que fazer, eu sei. Mas serĂĄ que tenho de ser eu? Eu nĂŁo quero fazer isso. NĂŁo quero carregar esse fardo. É muito incĂŽmodo. E quanto ao Manato? Ele escolheu fazer isso porque queria fazer e estava feliz fazendo isso? Talvez nĂŁo necessariamente. Talvez tenha sido difĂ­cil e ele quisesse desistir, mas cerrou os dentes e nos ajudou. Como posso ter certeza de que nĂŁo foi esse o caso?

— Ah, mas, mas, mas, mas! — Kikkawa colocou o braço em volta do ombro de Ranta e começou a rir em algum momento.

Ser capaz de fazer isso com Ranta Ă© impressionante.

— Eu nĂŁo esperava conhecer o Soma! Ouvi dizer que seu principal local de trabalho Ă© onde antigamente era Ishmael e que ele raramente voltava para Altana! Sou tĂŁo sortudo que Ă© atĂ© assustador! Tenho atĂ© medo de mim mesmo.

— Ei, Kikkawa! Vamos fazer amizade com Soma e sua gangue! Do jeito que estamos agora, podemos fazer isso!

— VocĂȘ quer ir?! VocĂȘ vai?! Ranta, nĂłs vamos?!

Kikkawa e Ranta se levantaram ao mesmo tempo.

Eles não podiam ter a intenção séria de falar com o Soma, podiam? Haruhiro se levantou de sua cadeira e deu uma olhada na taberna.

Soma e seu grupo estavam sentados em uma mesa próxima ao balcão, e uma multidão estava começando a se reunir ali. Mary estava sozinha, bebendo alguma coisa, com ou sem ålcool. Ele não conseguia ver Shinohara em lugar algum. Serå que ele tinha ido para outro lugar?

Sentando-se novamente em seu lugar, Haruhiro bebeu sua limonada. Quando levantou o rosto, seus olhos encontraram os de Yume.

Yume inclinou a cabeça para o lado, como se dissesse:

— Há algo de errado?

Haruhiro balançou a cabeça como se dissesse “Nada” e tomou outro gole de sua limonada.

Bem, nĂŁo, nĂŁo Ă© nada.

Um lĂ­der, hein. Isso Ă© algo que eu posso ser?


Tradução: ParupiroH
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