Hai to Gensou no Grimgar – Capítulo 11 – Volume 1

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Hai to Gensou no Grimgar
Grimgar of Fantasy and Ash

CapĂ­tulo 11
[NĂŁo VĂĄ]


— Tem um indo em sua direção, Ranta! — Haruhiro gritou, e Ranta respondeu imediatamente.

— Eu já sei disso!

Um dos trĂȘs goblins que Moguzo e Manato haviam atraĂ­do para a linha de frente estava indo em direção a Yume e Shihoru na retaguarda. Haruhiro e Ranta eram a guarda intermediĂĄria, entĂŁo eles deveriam tentar pegar os goblins por trĂĄs ou pelo lado, mas eles precisavam defender a linha de trĂĄs tambĂ©m. EntĂŁo Ranta, que estava mais perto das duas, foi enfrentar o goblin.

Fazia treze dias que eles tinham começado a lutar contra os goblins na Cidade Velha de Damuro, então eles conseguiam fazer esse tipo de jogo em equipe sem dizer uma palavra um ao outro. No entanto, de vez em quando, Ranta ficava obcecado com seu próprio estilo de luta ou com suas habilidades, prejudicando completamente o trabalho em equipe. Felizmente, dessa vez ele estava bem.

— Há! Anger!

Ou nĂŁo.

Ranta saltou para fora do alcance de seu oponente, com a espada longa estendida, sua habilidade adquirida mais recentemente. Ela falhou de forma espetacular.

— O quĂȘ?! VocĂȘ nĂŁo Ă© apenas um goblin qualquer, nĂŁo Ă©…?!

— É claramente apenas um goblin qualquer, cara! — disse Haruhiro, olhando para Manato com uma piscadela.

Podia-se contar com Moguzo e Manato para lidar com seus dois goblins. Haruhiro correu e ficou atrĂĄs do goblin que estava pressionando Ranta com uma espada enferrujada.l

— Droga…! — Ranta desviou sua lĂąmina enferrujada, olhando de relance para Haruhiro.

NĂŁo olhe para mim, pensou Haruhiro enquanto mirava.

Ranta nĂŁo era o Ășnico que havia aprendido uma nova habilidade. Cada um deles havia aprendido uma nova habilidade em suas guildas. No entanto, como tinham acabado de aprendĂȘ-las, sĂł sabiam como executĂĄ-las. Haruhiro nĂŁo estava confiante de que poderia usar sua habilidade de forma eficaz na batalha, mas se nĂŁo fizesse um esforço ativo para usĂĄ-la, nunca passaria desse ponto.

Paguei um bom dinheiro para aprender essa habilidade e juro que vou dominĂĄ-la, ele jurou. — …Mas Ă© mais fĂĄcil falar do que fazer.

O goblin era cauteloso, virando-se com frequĂȘncia para se proteger, pulando com agilidade e balançando sua espada enferrujada para manter o controle. Haruhiro simplesmente nĂŁo conseguia alinhar um bom ataque.

Se Ranta conseguisse mantĂȘ-lo ocupado, ele estaria bem, mas achou que seria um erro contar com isso. Ranta nĂŁo era do tipo que deixava o foco do inimigo recair inteiramente sobre ele. Haruhiro tambĂ©m nĂŁo era. Os dois estavam com muito medo de entrar em uma troca sĂ©ria de golpes, entĂŁo tentaram fazer um cĂ­rculo para ficar atrĂĄs dele, ou pelo menos ao lado dele. Por causa disso, eles andavam em cĂ­rculos ao redor do goblin e, Ă© claro, o goblin girava em cĂ­rculos tentando nĂŁo deixĂĄ-los chegar atrĂĄs dele, entĂŁo ninguĂ©m tinha ideia do que estava acontecendo.

— Poxa! O que vocĂȘs dois tĂŁo fazendo! — Yume puxou seu facĂŁo e atacou o goblin com um golpe.

Parecia que ela o havia pegado de surpresa. Ele ficou paralisado por um segundo.

Yume balançou seu facão como se estivesse desenhando uma forma de X.

— Diagonal cross!

O goblin gritou, caindo para trĂĄs devido ao ataque repentino, mas sofreu apenas um corte superficial no ombro. Ele estava de costas para Haruhiro.

Agora, pensou Haruhiro, mas seu corpo jå havia se movido por conta própria. Em um fÎlego, ele fechou o espaço e enfiou a adaga nas costas do goblin com um giro. Essa era sua habilidade, Backstab.

Talvez pelo fato do goblin estar usando apenas uma armadura de couro macio, a adaga de Haruhiro afundou uns bons 10 cm. O goblin tentou se virar, entĂŁo Haruhiro arrancou a adaga dele, recuando. O goblin tossiu sangue e, o que quer que fosse tentar fazer em seguida, caiu. Ele ainda estava se contorcendo, mas Haruhiro podia dizer que estava Ă s portas da morte. Se nĂŁo estivesse, ele teria se debatido com mais violĂȘncia.

— HĂŁ…? — Haruhiro olhou de um lado para o outro, de sua adaga para o goblin caĂ­do. — SerĂĄ que o acertei em um bom lugar? Talvez? Ou em um ponto vital…?

— Caramba?! Tenho que acabar com isso! — Ranta saltou sobre o goblin, cravando sua espada longa em seu pescoço. — Boa! Consegui meu vício!

Yume arqueou as sobrancelhas. — A Yume sempre pensa isso depois de cada batalha, mas os cavaleiros das trevas são mesmo selvagens, hein.

— Não diga “selvagens”! Use o termo mais elegante, “atroz”! Nós, cavaleiros das trevas, servimos ao Deus das Trevas, Lorde Skullhell. Somos atrozes e desumanos, cavaleiros frios e impiedosos, sem sangue nem lágrimas!

— Ohm, rel, ect… — Shihoru desenhou sigilos elementais com seu cajado, começando a entoar um feitiço. — Vel, darsh…!

Os magos usavam o poder de criaturas mågicas chamadas elementais. Shihoru havia invocado um elemental das sombras, que parecia uma massa de algas negras. Ele fazia um ruído característico de vuuuuon enquanto voava. Esse era o feitiço Shadow Beat.

Em vez de Arve Magic, a magia do fogo, Kanon Magic, a magia do gelo, ou Falz Magic, a magia da eletricidade, Shihoru escolheu aprender Darsh Magic, a magia da sombra. De certa forma, Haruhiro sentiu que a prĂłpria personalidade de Shihoru havia se manifestado nessa decisĂŁo.

O elemental das sombras atingiu o goblin que Manato estava enfrentando na parte de trås da cabeça. Mas não foi apenas a cabeça do goblin que foi afetada: o corpo inteiro do goblin convulsionou por um momento e ele soltou um grito estranho. Em vez de calor, frio, eletricidade ou força bruta, Shadow Beat era um feitiço que usava a oscilação intensa para causar dano.

Manato imediatamente seguiu com um golpe de seu cajado curto e, em seguida, chutou o goblin para o chĂŁo. Ranta atacou o goblin caĂ­do.

— Toma esse Hatred…!

Atingi-los quando estavam no chĂŁo era uma especialidade do Ranta. NĂŁo havia necessidade de usar uma habilidade em um goblin jĂĄ enfraquecido que jĂĄ havia caĂ­do, mas esse tipo de raciocĂ­nio nĂŁo tinha lugar na mente dele. Ranta tentou cortar o goblin com sua espada longa – e falhou. A espada longa atingiu a lateral da cabeça do goblin e ricocheteou em seu crĂąnio com um baque Ășmido. Isso fez com que Ranta perdesse o controle.

— Droga! VocĂȘ Ă© apenas um goblin estĂșpido! Toma essa! E essa! E mais essa…!

Enquanto Ranta atormentava o goblin quase morto, Haruhiro foi cuidar do outro que Moguzo estava enfrentando.

NĂŁo, parecia que Haruhiro nĂŁo precisaria fazer nada. O goblin brandiu sua espada enferrujada com um grito, mas Moguzo a bloqueou com sua espada bastarda. Suas lĂąminas se travaram. Moguzo tinha a vantagem agora. Ele era forte e tinha aprendido uma habilidade que lhe permitia passar do bloqueio de lĂąminas para o ataque.

— ungh…! — Moguzo envolveu sua espada bastarda ao redor da lĂąmina enferrujada, cortando o rosto do goblin com a ponta. Essa era sua habilidade, Wind. Moguzo nĂŁo era rĂĄpido, mas era bastante habilidoso. O goblin vacilou e deu um passo para trĂĄs.

Haruhiro gritou:

— Pega ele Moguzo! —, e Moguzo foi. Ele se aproximou, cortando na diagonal com toda a sua força.

— Obrigado…!

Rage Blow era a mais bĂĄsica das habilidades ensinadas a um guerreiro no treinamento para iniciantes. Parecia algo que qualquer um poderia copiar depois de vĂȘ-la, mas provavelmente era difĂ­cil encontrar o momento certo para realmente acertar um golpe com ela. Sempre que Moguzo usava o Rage Blow, ele gritava “Obrigado!”, entĂŁo o grupo o chamava de Thanks Slash. Era um nome bonito que escondia um golpe bastante poderoso.

A espada do Moguzo atravessou o ombro do goblin e chegou até a metade do seu peito. Com um grunhido, ele balançou a espada, e o goblin voou.

— Ihuull! — Ranta correu atĂ© o goblin, empalando-o com sua espada longa.

Haruhiro teve que concordar com Yume: Ranta era realmente selvagem. Ele agiu como um bĂĄrbaro total, cortando a orelha do goblin com a espada e gritando.

— Gyahaha! SĂŁo trĂȘs vĂ­cios seguidos! Isso totaliza onze vĂ­cios! Meu demĂŽnio tĂĄ upado! Sempre que ele tiver vontade, sussurrarĂĄ no ouvido do inimigo para distraĂ­-lo! Isso Ă© incrĂ­vel!

— Sempre que ele tiver vontade…? — Haruhiro disse com um suspiro. — Seu demĂŽnio com certeza Ă© inĂștil, hein.

— Ei! Eu não vou deixar essa passar, Haruhiro! Não fique desdenhando do Zodiac-kun, ou eu vou te amaldiçoar maldito!

Zodiac-kun era o nome que Ranta tinha dado ao seu demĂŽnio. Bem, nĂŁo, Zodiaco era seu nome correto. Zodiac-kun era mais um apelido. De qualquer forma, isso nĂŁo importa.

— Mas, vocĂȘ sĂł pode chamĂĄ-lo Ă  noite, de qualquer forma.

— Idiota, quando chega a onze vícios, sua classificação sobe, então poderei chamá-lo ao anoitecer e logo antes do sol nascer!

— Geralmente, voltamos para Altana ao anoitecer, e vocĂȘ ainda estĂĄ dormindo quando o sol nasce.

— Hmm. Bem, sim, mas… — Yume tinha as bochechas inchadas de raiva, com os olhos brilhando. Era uma expressĂŁo muito complexa. — Ao contrĂĄrio de seu dono, o Zodiac-kun Ă© atĂ© que fofo, sabe?

— Eu nĂŁo sou o dono dele! NĂŁo se pode “possuir” um demĂŽnio como se fosse um animal de estimação. Na verdade, Zodiac-kun estĂĄ me possuindo. Afinal, ele Ă© um demĂŽnio!

— …O que significa — Shihoru olhou para o chĂŁo, rindo sinistramente, — que antes que ele pudesse amaldiçoar Haruhiro, Ranta jĂĄ havia sido amaldiçoado…

— Bem, sim, acho que sim. E-Eu?! SĂ©rio? Zodiac-kun, vocĂȘ estĂĄ me amaldiçoando? De jeito nenhum, nĂŁo Ă©? Zodiac-kun? Qual Ă© a sua opiniĂŁo sobre isso? Espere, nĂŁo, Ă© dia, nĂŁo posso perguntar a ele ainda…

— Bom trabalho, pessoal — Manato olhou para cada um deles com um sorriso. — Vou curar seus ferimentos, entĂŁo… Na verdade, parece que ninguĂ©m estĂĄ ferido. Mesmo assim, se estiverem sentindo alguma dor, Ă© sĂł me dizer. Mas se todos acharem que estĂŁo bem, vamos checar as bolsas dos goblins.

— Eu, eu, eu! Eu vou fazer isso! Eu! Deixem que eu faço isso! — gritou Ranta.

Nas trĂȘs bolsas dos goblins, eles encontraram sete moedas de prata, duas pedras que pareciam valer alguma coisa, trĂȘs presas ou ossos que eles nĂŁo sabiam se poderiam vender ou nĂŁo, bem como algumas porcarias variadas que eles acharam que nĂŁo valiam nada. Dependendo do preço das pedras, eles teriam mais de dez pratas se tivessem sorte, mas pelo menos oito se nĂŁo tivessem.

Eles haviam saído de Altana às 7:00 da manhã para chegar à Cidade Velha de Damuro às 8:00. A julgar pelo ùngulo do sol, jå passava do meio-dia. Haruhiro e os outros deram aos goblins um enterro simples, ou melhor, apenas os limparam, e depois fizeram uma pausa à tarde em um local não muito distante. Cada um deles havia trazido pão, carne seca ou outros alimentos em suas mochilas. Era hora de desfrutar de um bom almoço.

— Oh, tenho que rezar. — Yume cortou uma fatia fina da carne seca com sua faca, deixando-a no chĂŁo enquanto juntava as mĂŁos e fechava os olhos em oração. — Deus branco Elhit-chan, obrigada por tudo. A Yume vai dividir um pouco da comida dela com vocĂȘ, entĂŁo fique de olho nela, ok?

— EntĂŁo, sobre o que vocĂȘ estĂĄ fazendo aĂ­ — disse Haruhiro, arrancando um pedaço de pĂŁo. Ele veio da padaria Padaria do Tattan, nos arredores da cidade oeste. Estava duro como pedra, mas era barato e tinha um gosto decente. — Esse Ă© um ritual que estĂĄ descrito nas regras da guilda dos caçadores, nĂŁo Ă©? VocĂȘ tem que oferecer um pouco de sua comida ao seu deus, certo?

— Sim, isso mesmo. — os olhos de Yume estavam arregalados de entusiasmo e ela se virou para encarĂĄ-lo. — O Deus Branco Elhit-chan Ă© um lobo muito grande, sabe? E tem um Deus Negro muito grande chamado Rigel que tambĂ©m Ă© um lobo. Elhit e Rigel se dĂŁo super mal um com o outro. Como Elhit-chan cuida de nĂłs caçadores, podemos caçar diariamente sem nenhum acidente.

— EntĂŁo, basicamente, Ă© um ato de adoração. Os caçadores adoram o Deus Branco Elhit. Mas vocĂȘ estĂĄ chamando seu deus de Elhit-chan e se oferecendo para compartilhar um pouco da sua comida. Isso tĂĄ certo?

— NĂŁo, estĂĄ tudo bem — Yume deu uma risadinha. — Elhit-chan Ă© bondoso, entĂŁo Yume nĂŁo acha que Elhit-chan ficaria bravo com ela por causa de algo assim, sabe. Na verdade, Elhit-chan nunca ficou bravo com Yume.

— …Seus sentimentos — disse Shihoru, enquanto segurava cuidadosamente algo que parecia uma rosquinha. — Acho que seus sentimentos sĂŁo o que chega atĂ© seu deus. Mas, isso Ă© apenas o que eu acho…

Manato tomou um gole de um odre de couro e depois disse:

— Sim —, com um aceno de cabeça. — As palavras que vocĂȘ diz sĂŁo importantes, mas o sentimento que vocĂȘ coloca ao dizĂȘ-las Ă© ainda mais importante. As oraçÔes que nĂłs, sacerdotes, usamos em nossa magia de luz nĂŁo funcionarĂŁo se dissermos as palavras erradas, mas nĂŁo acho que seja o mesmo para suas oraçÔes.

— Yume coloca muito, muito, muito sentimento nisso. — Yume abriu bem os braços para mostrĂĄ-los. — A Yume vai dormir Ă  noite, e bem, quando ela dorme, Elhit-chan aparece em seus sonhos com frequĂȘncia. Yume perguntou: “Posso andar nas suas costas, Elhit-chan?” e, quando ela perguntou, Elhit-chan disse: Claro. Yume foi dar uma volta em Elhit-chan e nĂłs corremos como se fĂŽssemos um vuuuum. Elhit-chan Ă© muito rĂĄpido. AĂ­ Yume disse: “Isso Ă© incrĂ­vel”.

— …Essa histĂłria — Ranta mastigou ruidosamente sua carne seca enquanto fazia uma cara amarga. — Ă© bom ela ter um bom ponto no final. Eu segurei minha lĂ­ngua e escutei por um longo tempo, entĂŁo se nĂŁo tiver um bom ponto, eu vou te bater. sĂ©rio.

— Um bom ponto? — Yume inclinou a cabeça para o lado e piscou para ele várias vezes. — Não. Não há nenhum.

*Tropeça* Ranta gritou e fez uma careta incrĂ­vel. — VocĂȘ Ă© idiota?! NĂŁo conte histĂłrias longas e sem sentido! O que farĂĄ se eu me afogar atĂ© a morte, incapaz de escapar da espiral de expectativas frustradas?

— oba… — Shihoru murmurou baixinho. — Adoraria que vocĂȘ se afogasse atĂ© a morte…

— Aah! — Ranta apontou para Shihoru. — Ah! Ahhhh! Eu ouvi isso! Eu ouvi vocĂȘ, Shihoru! Agora mesmo, vocĂȘ acabou de dizer para eu morrer, nĂŁo foi, hein?!

— …Eu sĂł disse que adoraria que vocĂȘ se afogasse.

— VocĂȘ tĂĄ atĂ© pedindo para os outros morrer agora! VocĂȘ Ă© horrĂ­vel! Essa Ă© a coisa mais baixa que vocĂȘ pode fazer como pessoa! VocĂȘ Ă© a garota mais podre e horrĂ­vel de toda a histĂłria, Ă© isso que vocĂȘ Ă©!

— NĂŁo se importe com ele, Shihoru. — Yume segurou Shihoru com força, dando-lhe um tapinha na cabeça. — O cara que estĂĄ dizendo isso Ă© o mais lixo dos lixos, afinal de contas. VocĂȘ nĂŁo fez nada de errado, Shihoru. A culpa Ă© do Sr. TerrĂ­vel. Ele Ă© tĂŁo lixo que talvez nem seja humano.

— Eu sou humano, ok?!

— Mesmo que vocĂȘ tenha esse cabelo bagunçado — disse Haruhiro.

— Sim! Mesmo com meu cabelo bagunçado… — Ranta começou a concordar. EntĂŁo ele se virou para encarar Haruhiro, puxando seu cabelo enquanto o fazia. — O cabelo nĂŁo tem nada a ver com isso! Caramba, eu atĂ© consideraria tornĂĄ-lo um requisito para ser humano! Quem nĂŁo tem cabelo cacheado nĂŁo Ă© humano! O que acha disso?!

— …Se Ă© assim que vai ser — disse Moguzo, engolindo um pĂŁo duro do tamanho de um punho, — talvez eu nĂŁo queira ser humano.

— Yume, tambĂ©m.

— …Eu tambĂ©m.

— O mesmo.

— Espere um pouco. — Um olhar estranhamente sĂ©rio caiu sobre o rosto de Manato. — Vamos pensar nisso com calma, ok? Vamos pensar se o cabelo cacheado Ă© realmente o problema aqui. Acho que nĂŁo. Os cabelos cacheados nĂŁo nos fizeram mal. O cabelo cacheado nĂŁo Ă© o culpado. Na verdade, eu diria que o cabelo cacheado pode ser a vĂ­tima em tudo isso.

— Hm? — Ranta puxou seu cabelo. — …A vĂ­tima? Esse cara? EntĂŁo, o vilĂŁo Ă©… Euuue?! EstĂĄ dizendo que Ă© minha culpa que o cabelo cacheado tenha se tornado maligno?!

— Eu estava brincando, Ranta.

— Manato! VocĂȘ estĂĄ sempre sorrindo, entĂŁo Ă© difĂ­cil saber quando estĂĄ brincando e quando estĂĄ falando sĂ©rio! É um safadinho de coração negro usando um sorriso como mĂĄscara!

— Ele nĂŁo Ă©! — Shihoru se levantou e gritou. Seu rosto estava vermelho vivo e parecia que o vapor poderia começar a sair de suas orelhas a qualquer momento. — Ele nĂŁo Ă©! N-NĂŁo o Manato-kun! Retira o que disse! A-Agora mesmo! Faça isso!

— … C-Claro — Ranta ficou surpreso. — Mas serĂĄ que preciso mesmo? NĂŁo Ă© como se eu realmente pensasse isso, sabe? Se tenho que sofrer abusos, nĂŁo Ă© justo eu responder um pouco tambĂ©m?

— Retira!

— Tudo bem, o Manato nĂŁo Ă© um canalha.

Eu pensei que poderia ser o caso, mas isso praticamente confirma. Shihoru tem uma queda por Manato. SerĂĄ que ele nĂŁo percebe isso? NĂŁo acho que ele seja assim, entĂŁo nĂŁo Ă© isso. Ele estĂĄ fingindo nĂŁo perceber, entĂŁo? Se estiver, talvez Manato nĂŁo sinta o mesmo por ela. Pobre Shihoru. Embora eu nĂŁo tenha certeza se devo sentir pena dela.

— Nós nos tornamos um bom grupo. disse Manato em voz baixa para si mesmo.

— Hm?

— Agora podemos enfrentar atĂ© trĂȘs goblins de cada vez. NinguĂ©m se machucou, entĂŁo acho que Ă© seguro assumir que podemos lidar com mais. A Yume Ă© muito melhor com um facĂŁo do que com um arco. Ela tem muito espĂ­rito. Se estudarmos um pouco mais nossa estratĂ©gia, talvez possamos atĂ© lidar com quatro.

— Ah, quanto a isso… — Haruhiro imaginou isso. Moguzo e Manato dariam conta de um, Haruhiro, Ranta e Yume dariam conta dos outros dois. Se Shihoru pegasse um com Shadow Beat para que eles pudessem acabar com ele rapidamente, Haruhiro achava que eles poderiam fazer isso. — Sim, quatro parece possĂ­vel.

— Eu sabia que poderíamos contar com Moguzo. Afinal de contas, ele tem um corpo enorme. Só de estar lá, ele sobrepuja o inimigo. E tem uma ótima precisão com a sua espada, ele consegue fazer muito bem o que se espera de um guerreiro.

— Concordo. TambĂ©m estava pensando nisso. Moguzo Ă© muito talentoso com as mĂŁos.

Moguzo engoliu um pĂŁozinho. — …V-VocĂȘs acham? NĂŁo sei o porquĂȘ, mas gosto de fazer trabalhos detalhados.

— Isso nĂŁo combina com vocĂȘ! — Disse Ranta, descarregando sua frustração nele. Moguzo apenas deu de ombros.

— Ei, isso Ă© uma coisa boa — disse Haruhiro, olhando levemente para Ranta. — Moguzo nĂŁo Ă© desleixado, ao contrĂĄrio de uma certa pessoa.

— Oh? O quĂȘ, estĂĄ dizendo isso para mim? Eu, o cara que eles chamam de MĂĄquina de PrecisĂŁo Turbinada?

Yume olhou friamente para o Ranta enquanto afagava a cabeça de Shihoru. — NinguĂ©m nunca te chamou assim, Ranta.

— Ranta tambĂ©m Ă© incrĂ­vel. — A julgar pela expressĂŁo discreta no rosto de Manato, ele nĂŁo estava brincando. — Especialmente pelo fato de ele estar sempre pronto para atacar. Ele nĂŁo tem medo de falhar, entĂŁo acho que ele melhorou no uso de suas habilidades mais rĂĄpido do que qualquer um de nĂłs. O resto de nĂłs, inclusive eu, somos mais cautelosos, pode-se dizer. Sem Ranta por perto, talvez nĂŁo estarĂ­amos dispostos a dar o prĂłximo passo.

— Sim, acho que sim? — disse Ranta, olhando com preocupação. SerĂĄ que isso o deixou incerto? — Bem, vocĂȘ sabe como eles me chamam. A MĂĄquina do Avanço do Redemoinho, nĂŁo Ă©?

Haruhiro brincou:

— O que aconteceu com a Máquina de Precisão Turbinada?

— Quanto a Shihoru… — Manato fez uma pausa para respirar.

Afinal, ele notou os sentimentos de Shihoru por ele, supĂŽs Haruhiro.

— …Shihoru estĂĄ sempre atenta ao que a cerca. A magia Darsh tem muitos feitiços que podem confundir ou prender o alvo, nĂŁo Ă©? Isso permite que ela nos ajude quando necessĂĄrio. VocĂȘ queria aprender Magia Darsh para poder nos ajudar mais, nĂŁo Ă© mesmo, Shihoru?

Shihoru ficou olhando fixamente por um segundo, mas depois assentiu sem dizer uma palavra.

Achei que ela tinha deixado de lado as opçÔes fĂĄceis de entender, como fogo, gelo ou eletricidade, e escolhido uma opção mais especĂ­fica, porque Shihoru Ă© assim mesmo. Eu estava errado? NĂŁo era apenas uma questĂŁo de gosto dela. A Shihoru levou isso em consideração de forma genuĂ­na. Eu sou tĂŁo estĂșpido. NĂŁo sei nada sobre ela.

Manato olhou para Yume. — Acho que a Yume pode muito bem ser a mais corajosa de todos nĂłs. Ela nĂŁo tem medo de nada. Como curandeiro, eu gostaria que ela fosse mais cuidadosa, mas tambĂ©m estou feliz que Yume possa estar lĂĄ para ajudar se algo acontecer.

— A Yume Ă©? — disse Yume, apontando para si mesma, com o rosto derretendo de alegria. — Tem certeza? A Yume Ă© realmente tĂŁo corajosa assim? A Yume acha que nunca ouviu isso antes. Mas, talvez ela nĂŁo ache que tenha muitas coisas que sejam assustadoras. E Yume espera que tenham um pouco de paciĂȘncia com ela por ser uma caçadora que nĂŁo sabe usar um arco.

— Todo mundo tem coisas que nĂŁo consegue fazer — disse Manato, como se estivesse tentando se convencer disso tambĂ©m. — Quando se estĂĄ sozinho, essas falhas podem ser fatais, mas nĂłs somos um grupo. Podemos compensar as falhas uns dos outros.

— Ah, sim. — Yume acenou com a cabeça repetidamente. — É isso mesmo. A Yume pode causar problemas para todos vocĂȘs daqui para frente, mas ela farĂĄ o que estiver ao seu alcance.

Depois disso, eles continuaram conversando durante o almoço até chegar a hora de começar o trabalho da tarde. Quando estavam indo embora, Haruhiro lembrou de algo.

Manato elogiou todos os outros, mas serĂĄ que ele falou alguma coisa sobre mim? Talvez ele tenha se esquecido. Ou serĂĄ que nĂŁo havia nada de louvĂĄvel em Haruhiro? SerĂĄ que o Manato tem uma opiniĂŁo negativa sobre mim? Mas acho que conversamos muito. Talvez eu seja Ăștil apenas como alguĂ©m com quem conversar?

Isso o preocupava, mas era um pouco tarde para perguntar: “Ei, Manato, e quanto a mim…?” Isso teria sido muito embaraçoso.

Ah, bem.

Ele provavelmente havia se esquecido, ou a conversa havia prosseguido antes que ele pudesse falar de Haruhiro, só isso. Isso ainda deixava Haruhiro um pouco ansioso, mas foi assim que ele decidiu encarar a situação.

Concentre-se, cara. VocĂȘ precisa se concentrar.

— …Encontrei alguns.

Haruhiro levantou a mĂŁo, sinalizando para que o grupo parasse. Todos eles se esconderiam nas sombras atĂ© que as coisas fossem exploradas. É claro que Haruhiro iria fazer isso sozinho. Havia raras ocasiĂ”es em que Ranta queria ir junto, mas, sinceramente, Haruhiro achava que era mais fĂĄcil para ele ir sozinho. Dessa forma, ele sĂł precisava se preocupar consigo mesmo.

Assim que eu juntar dinheiro suficiente, conseguir ser furtivo Ă© uma das tĂ©cnicas de ladrĂŁo que eu definitivamente quero aprender. É claro que estou fazendo o possĂ­vel para nĂŁo fazer barulho enquanto ando, mas deve haver algum truque para isso. Quero saber o que Ă© isso. Quero que a Barbara-sensei me ensine.

Os goblins estavam em um prĂ©dio de pedra de dois andares, que estava quebrado. O segundo andar havia desmoronado em grande parte, e parte da parede do primeiro andar tambĂ©m havia desmoronado em alguns lugares. No segundo andar, que mais parecia uma varanda aberta, havia um goblin vestido com uma armadura de metal de aparĂȘncia sĂłlida com uma espada pendurada nas costas, enquanto no primeiro andar havia outro goblin sentado no chĂŁo. Ele era grande.

A maioria dos goblins tinha entre 1,20m e 1,30m de altura. Se atingissem 1,40m, eram bem grandes para sua espĂ©cie. Eles eram uma raça de criaturas do tamanho de crianças humanas. Mas esse goblin nĂŁo era nada disso. À distĂąncia, era difĂ­cil dizer sua altura exata, mas ele era facilmente um, talvez dois, tamanhos maiores do que o goblin do andar de cima.

Nunca vi um goblin como esse antes. Quanto ao equipamento, isso é uma cota de malha que ele estå usando? Ele tem até um capacete simples. Não då para saber quais armas ele tem daqui.

Procurei na årea ao redor do prédio e parece que não hå mais nenhum. Hå dois goblins. O goblin de armadura e o goblin grande.

Haruhiro voltou para os outros.

— É perigoso. SĂŁo apenas dois, mas um deles Ă© enorme.

— Um hobgoblin. — Os olhos de Manato se arregalaram um pouco. — Eles sĂŁo uma sub-raça de goblins, com uma constituição maior do que a dos goblins comuns. Eles sĂŁo brutos estĂșpidos que os goblins usam como escravos, entĂŁo talvez seja isso que esse seja.

— Ah, Ă© mesmo? — Ranta lambeu os lĂĄbios. — Se ele tem um escravo, pode ser um goblin de alto escalĂŁo, nĂŁo acha? Se for, deve ter um bom saque, com certeza.

Haruhiro acariciou seu queixo. — Um tinha uma armadura de metal. O hobgoblin tambĂ©m estava usando cota de malha. E um capacete. Talvez fosse grande o suficiente para um de nĂłs usar.

— Ooh… — Moguzo soltou em aprovação. Como guerreiro, Moguzo enfrentava o inimigo em batalhas direta, os itens de defesa eram importantes para ele. Mas tambĂ©m eram caros. Os novos estavam bem fora de sua faixa de preço e, se optassem por produtos usados, teriam de procurar muito para encontrar um que servisse ou ir a um ferreiro de armaduras para ajustar. Era por isso que todos eles, inclusive Moguzo, ainda estavam usando o material que suas guildas lhes haviam dado.

— Dois deles, hein. — Manato baixou os olhos. Ele parecia indeciso.

— Hmm — Yume olhou para cima na diagonal em pensamento. — Mas a Yume acha que podemos lidar com dois deles.

— Se eu… — Shihoru segurou seu cajado com força. — …fosse mirar em um e conseguisse atingi-lo com um feitiço, seria mais fĂĄcil lidar com as coisas depois disso… Acho.

— A Yume vai tentar atirar algumas flechas nele tambĂ©m. Mesmo que ela erre, os goblinchi ficarĂŁo assustados, entĂŁo poderĂĄ acertar com mais facilidade.

Manato olhou para o rosto de seus companheiros. Todos estavam ansiosos para lutar. Talvez seu elogio anterior tenha levantado a moral deles, pois estavam mais animados do que o normal. Haruhiro nĂŁo estava, e ele se sentiu um pouco excluĂ­do por causa disso, mas nĂŁo queria ser um estraga prazeres. Haruhiro disse:

— Acho que podemos fazer isso —, e Manato assentiu.

— Certo, vamos fazer isso.

O plano foi elaborado em pouco tempo. Haruhiro, Yume e Shihoru iriam primeiro, iniciando o ataque de longa distĂąncia. Quando o inimigo os notasse, Moguzo e Manato iriam para a linha de frente. Moguzo ficaria com o hobgoblin e Manato com o goblin de armadura. Haruhiro, Ranta e Yume atacariam por trĂĄs ou pelos flancos, enquanto Shihoru os apoiaria com magia Ă  distĂąncia.

Eles formaram um círculo, todos colocando as mãos no centro. Manato gritou “Faito!” e todos levantaram as mãos ao mesmo tempo e gritaram “Ippatsu!”.



(NT: “Faito ippatsu” Ă© uma frase japonesa que se traduz literalmente para “um tiro alto”. É frequentemente usada como um grito motivacional ou incentivo para fazer algo com grande esforço ou energia. TambĂ©m pode ser usado para expressar entusiasmo ou surpresa.



Em algum momento, eles começaram a fazer isso para levantar o ùnimo, mas o motivo pelo qual faziam isso permanecia um mistério para Haruhiro.

— …O que serĂĄ que faito ippatsu significa? — ele comentou.

— …Vai saber… — Shihoru inclinou a cabeça para o lado, intrigada. — Mas fazer isso me dĂĄ uma vaga sensação de nostalgia.

— A Yume tambĂ©m tem essa sensação. Mas ela nĂŁo sabe o que Ă© isso. Estranho, nĂŁo Ă©?

Haruhiro se aproximou do prédio de dois andares com Yume e Shihoru. Manato, Moguzo e Ranta também estavam seguindo, cerca de seis ou sete metros atrås. Qualquer que fosse o alcance de um arco, a magia tinha um alcance de cerca de dez metros.

Podemos nos aproximar o suficiente a ponto de ficar a dez metros de distùncia? Isso pode ser um pouco difícil. Mais para impossível. Usando essa parede. Ela fica a cerca de quinze metros do prédio, mas se passarmos por ela, os goblins vão nos notar.

Haruhiro aproximou seu rosto do ouvido de Shihoru. Ele estava prestes a sussurrar algo para ela, mas ela tinha um cheiro doce e característico, o que dificultava a respiração.

— …Shihoru, vocĂȘ estĂĄ usando alguma coisa?

— …HĂŁ? O que vocĂȘ quer dizer com isso?

— NĂŁo, deixa. Desculpe. VocĂȘ acha que pode atingi-los daqui? É um pouco longe.

— …Vou tentar. Mas nĂŁo tenho certeza.

Shihoru levou a mão ao peito, respirando fundo. Yume preparou seu arco e lançou uma flecha. Os goblins não estavam olhando na direção deles. Os dois saíram de trås da parede, e Shihoru começou a desenhar sigilos elementais com seu cajado.

— Ohm, rel, ect, vel, darsh…!

Com um vuuuon, um elemental de sombra que parecia uma bolha de algas negras foi lançado da ponta do cajado de Shihoru. Ao mesmo tempo, Yume soltou uma flecha. A flecha passou por cima da cabeça do goblin de armadura, enquanto o elemental das sombras atingiu o hobgoblin no braço esquerdo, fazendo com que ele gaguejasse e se contorcesse. Parecia que o goblin de armadura havia notado a flecha. Ele se virou na direção deles e Haruhiro gritou:

— Fomos vistos!

— Vamos avançar! — Manato deu a ordem imediatamente.

O hobgoblin pegou uma clava com espinhos que havia sido deixada a seus pés, levantando-se de forma inståvel. Parecia que a magia Shadow Beat havia funcionado.

O goblin de armadura tinha algo em suas mĂŁos. O que era isso? Uma arma? Havia algo que parecia um arco montado na extremidade de uma coronha robusta. O goblin de armadura se virou para apontĂĄ-la para eles.

Haruhiro colocou uma mĂŁo nos ombros de Yume e Shihoru. Se protejam, ele tentou dizer. A flecha voou antes que ele pudesse.

Haruhiro empurrou Shihoru e Yume para baixo, fazendo-as aterrissar de costas. Haruhiro deu um passo para trĂĄs com um gemido. EntĂŁo veio a dor. No lado esquerdo de seu peito. Ela estava lĂĄ. Uma flecha. Ela doeu. Doeu, doeu, doeu.

Haruhiro se agachou. Mudar de posição doía. Ficar parado doía. Doía tanto que ele não conseguia respirar.

Shihoru soltou um gritinho, enquanto Yume colocou a mĂŁo nas costas de Haruhiro.

— Haru-kun…?!

Ele ofegou, incapaz de dizer que estava doendo.

Não me toque. Apenas não toque. Estå doendo. Isso é ruim. Eu vou morrer? Não é? Eu, morrer? Não, isso não vai acontecer. Acho que não. Eu não quero morrer. Mas estå doendo. Dói muito. Socorro. Alguém! Isso não é bom.

— Haruhiro!

É Manato. O Manato está aqui por mim.

De repente, Manato arrancou a flecha. Parecia que algo importante havia sido arrancado com ela, e Haruhiro tossiu sangue.

Se vocĂȘ fizer assim, eu vou morrer, Manato.

Manato não se preocupou com isso, fez o sinal do hexagrama e fez uma oração.

— Ó Luz, que a proteção divina de Lumiaris esteja sobre vocĂȘ… Cure.

A luz saiu das mĂŁos de Manato, fechando o ferimento de Haruhiro.

Acho que provavelmente estou curado. Mas a dor nĂŁo vai embora.

Haruhiro inspirou, e inspirou, e inspirou. DoĂ­a muito para expirar. Com o tempo, a dor diminuiu. Ele conseguia respirar corretamente. Haruhiro tentou tocar o lado direito de seu peito. Estava encharcado de sangue, mas nĂŁo doĂ­a.

— M-Manato…! — Ranta gritou. — RĂĄpido! NĂŁo podemos continuar assim…!

Manato perguntou:

— VocĂȘ estĂĄ bem? — e, assim que Haruhiro assentiu, ele saiu correndo.

Ah, claro. Durante o tempo em que Haruhiro estava sendo curado após ser atingido, a batalha continuou. Ele olhou para o prédio. Havia uma batalha intensa acontecendo, com Moguzo contra o hobgoblin, e Ranta e Yume contra o goblin de armadura. Serå que Manato estava planejando ir ajudar Ranta e Yume?

Um raio de luz do feitiço Magic missile de Shihoru atingiu o hobgoblin, mas nem sequer o abalou. Haruhiro se levantou apressadamente. Com a ajuda de Manato contra o goblin de armadura, eles conseguiriam de alguma forma. Ele precisava fazer alguma coisa com o hobgoblin.

— Moguzo, aguente firme…! —Haruhiro chamou Moguzo enquanto ele se posicionava atrĂĄs do hobgoblin. Sua atenção deve ter se concentrado apenas no Moguzo Ă  sua frente, porque o hobgoblin nem sequer olhou para Haruhiro. Seria fĂĄcil dar um Backstab assim. Ou, pelo menos, deveria ter sido, mas ele simplesmente nĂŁo conseguia se aproximar o suficiente.

A altura do hobgoblin estava mais ou menos entre Haruhiro e Moguzo. Também parecia ser mais grosso que o Moguzo. Sua clava com espinhos parecia ser feita de madeira, mas era bem grossa. Se levasse um bom golpe daquela coisa, nem mesmo Moguzo, com sua cota de malha, sairia ileso.

Cota de malha. Certo. O problema é a cota de malha do hobgoblin. Não é só na parte superior do corpo, ele estå usando até calças feitas de correntes. E ainda tem o capacete. Pode-se dizer que é uma defesa perfeita. Serå que posso fazer alguma coisa com minha adaga?

— Obrigado…! — Moguzo soltou seu ataque especial, o Thanks Slash.

Haruhiro estava pronto para aplaudir por um segundo, mas entĂŁo se viu boquiaberto. A espada bastarda de Moguzo havia acertado o ombro esquerdo do hobgoblin e, ainda assim, o hobgoblin apenas cambaleou um pouco, sem perder o ritmo antes de contra-atacar. Moguzo quase desviou tarde demais da clava que se aproximava. NĂŁo, o estava empurrando para trĂĄs. A postura de Moguzo se desfez.

Isso Ă© ruim. Moguzo vai ser morto.

— Ora, seu filho de uma…! — Haruhiro deu um chute no corpo do hobgoblin, e tentando esfaqueĂĄ-lo com sua adaga. Ouviu-se um barulho desagradĂĄvel, mas… NĂŁo adiantou, a lĂąmina nĂŁo atravessou. Ela ricocheteou. Mesmo assim, o hobgoblin se virou para encarar Haruhiro.

O clava estĂĄ chegando.

Haruhiro pulou para fora do caminho.

Isso é assustador. Nem passou de raspão em mim. Eu tinha espaço de sobra. Mas isso foi perigoso. Parecia que meus órgãos estavam enrolados dentro de mim, como se eu estivesse mais morto do que vivo. Haruhiro se afastou. Ele não tinha outra escolha.

— Droga, nĂŁo consigo fazer isso…!

— Ohm, rel, ect, vel, darsh…! — Shihoru entoou um feitiço. Um elemental das sombras se chocou contra o flanco do hobgoblin, fazendo ele tremer violentamente.

Moguzo atacou com sua espada bastarda sobre o hobgob em convulsão. — Hungh!

Um golpe na cabeça. Faíscas voaram, o capacete foi amassado e o hobgob cambaleou.

Haruhiro gritou:

— Agora Ă© a nossa chance! — e correu para ajudar. Ele chegaria com uma voadora. O hobgoblin era assustador, mas nĂŁo se ele pudesse simplesmente derrubĂĄ-lo.

Antes que ele pudesse pular, Manato o chamou.

— Haruhiro, venha aqui! O Ranta…!

— O quĂȘ?! — Ele olhou e viu o Ranta no chĂŁo, sangrando pelo pescoço. — O pescoço dele…?!

Manato estava tentando verificar os ferimentos de Ranta, o que significava que Yume precisava enfrentar o goblin de armadura sozinha.

Merda, isso é péssimo.

Haruhiro atacou o goblin de armadura que estava gritando e balançando uma espada afiada contra ela enquanto perseguia Yume.

— Ei, goblin, aqui!

Isso chamou sua atenção, mas agora ele tinha que trocar golpes com ele. Não que ele conseguisse. O goblin de armadura agilmente balançou uma espada que tinha quase o mesmo comprimento da espada longa de Ranta.

Haruhiro corria de um lado para o outro. Ele estava se esforçando ao måximo para se esquivar, em geral, fugir. O goblin de armadura era mais perspicaz do que qualquer outro goblin que eles haviam enfrentado antes. Com a habilidade com a espada que ele estava demonstrando, ele começou a suspeitar que ele havia passado por algum tipo de treinamento especializado. Se ele tentasse desviar os golpes do goblin de armadura com algo tão frågil quanto uma adaga, quem sabe o que aconteceria com ele. Ele se preocupava em saber se Moguzo estava bem sozinho, mas não podia se dar ao luxo de olhar para o lado para verificar.

— Brush Clearer… — Yume golpeou o goblin de armadura por trĂĄs, com uma poderosa varredura lateral com seu facĂŁo. No entanto, parecia que o ataque havia sido previsto. O goblin de armadura se virou e desviou facilmente do facĂŁo, arrancando-o das mĂŁos de Yume, e entĂŁo continuou com outro ataque.

— NĂŁo estĂĄ dando…! — Haruhiro se lançou contra o goblin de armadura. Ele nĂŁo queria pensar nisso, mas talvez o goblin tivesse previsto isso tambĂ©m, pois ele se virou, balançando a espada contra ele.

Droga! Haruhiro se esforçou para pegar o golpe com sua adaga. Não é bom. Não consigo parå-lo completamente.

Houve um grito de metal contra metal quando a espada do goblin de armadura correu pela lùmina e, quando ele não conseguiu parå-la, mesmo com o protetor de mão, ela mordeu o braço direito de Haruhiro.

— Ugh… — Haruhiro largou a adaga. O goblin de armadura avançou com força.

— Anger…! — Era Ranta.

Ranta saltou pela lateral, golpeando. O goblin de armadura se agachou e saiu do caminho, sem perder o fĂŽlego antes de mudar para o contra-ataque.

Ranta caiu para trĂĄs. Imediatamente, ele recuou na diagonal. — Merda! Isso Ă© besteira! NĂŁo passa de um maldito goblin…!

Ranta nĂŁo estava com uma boa aparĂȘncia. Estava pĂĄlido e suando muito. Parecia que o ferimento havia sido curado, mas isso nĂŁo trouxe de volta todo o sangue que ele havia perdido. Mesmo assim, ele tinha chegado bem na hora certa. Haruhiro havia sobrevivido.

Mas estå doendo. Meu braço direito. Esse corte foi muito profundo. Vou pegar a adaga com o esquerdo. Não consigo mexer meu braço direito. Estå doendo demais.

— Haruhiro! — Manato entrou correndo, preparando-se para usar sua magia de luz imediatamente. — Ó Luz, que a proteção divina de Lumiaris esteja sobre vocĂȘ… Cure.

Cerrando os dentes e suportando a dor, Haruhiro verificou o que estava ao seu redor enquanto Manato o curava. Moguzo estava se defendendo dos ataques ferozes do hobgoblin de alguma forma, mas estava tendo muita dificuldade. Ele estava começando a parecer um pouco inståvel.

Eles provavelmente não poderiam contar com mais apoio de Shihoru. Ela estava agachada, provavelmente depois de usar demais sua magia. Ranta, de uma forma ou de outra, estava conseguindo se esquivar dos ataques do goblin de armadura. Parecia que Yume estava machucada em algum lugar, possivelmente em seu braço.

Manato tocou o braço direito de Haruhiro e depois gritou para Yume. — Yume, venha atĂ© aqui! Eu vou curĂĄ-la!

— A Yume está bem! Ela pode continuar lutando!

— Apenas venha atĂ© aqui! Haruhiro, troque de lugar com a Yume!

— …É pra jĂĄ!

Haruhiro fez o que Manato havia dito, mas tinha algumas dĂșvidas. SerĂĄ que isso vai dar certo? Manato estava ficando sem fĂŽlego. SerĂĄ que ele nĂŁo usou magia muitas vezes em um curto espaço de tempo?

Mas Haruhiro era um ladrão, ele não entendia muito de magia. E, além disso, entre ele e Manato, em quem ele confiava mais? Manato, é claro. Haruhiro não tinha tanta autoconfiança assim.

Vai ficar tudo bem assim. Deve ficar bem. Tem que ficar.

Haruhiro trocou de lugar com Yume.

Eu quero atacar o goblin de armadura. Mas nĂŁo consigo me convencer a fazer isso. Se eu atacar, tenho medo de que ele me pegue com um contra-ataque. O mesmo acontece com o Ranta? O goblin de armadura Ă© difĂ­cil. NĂŁo deixa aberturas para atacar. AlĂ©m disso, ele colocou um capacete em algum momento. Uma armadura de placa e um capacete. Isso Ă© inĂștil. Mesmo que eu tenha sorte com minha adaga, ela vai ricochetear. É questionĂĄvel se a espada longa de Ranta se sairia melhor. Talvez a espada bastarda de Moguzo? Mas ele estĂĄ com as mĂŁos ocupadas lutando contra o hobgoblin, e provavelmente estĂĄ perdendo essa luta agora mesmo.

JĂĄ perdemos, pensou ele de repente. Sim. Perdemos. NĂŁo podemos vencer. NĂŁo hĂĄ nada que possamos fazer para vencer isso. Sinceramente, eu jĂĄ devia saber. Devo ter percebido isso hĂĄ algum tempo. É assim que Ă© a derrota. Estamos perdendo? Se perdermos, o que acontecerĂĄ conosco? Seremos eliminados? Morreremos? Todos nĂłs?

Haruhiro olhou para Manato. Manato ainda estava curando Yume. Não, parecia que ele jå havia terminado. Eles estavam vindo em sua direção agora.

— Haruhiro, vá ajudar Moguzo! — disse Manato, e Haruhiro assentiu reflexivamente.

EstĂĄ tudo bem? Bem, eu preciso ajudar o Moguzo. Isso Ă© certo.

Haruhiro tentou ficar atrĂĄs do hobgoblin. Foi entĂŁo que aconteceu.

— Grraaaahhh! — O hobgoblin soltou um rugido animalesco, cravando sua clava em Moguzo. Moguzo girou sua espada bastarda para o lado, bloqueando o golpe com um grunido de esforço, mas o hobgoblin não parou. — GRR! GRR! GRR! — Ele golpeou a espada bastarda com sua clava. De novo, e cada vez com mais força. A clava era de madeira, então por que não quebrava?

Moguzo permaneceu firme. Ele segurou sua espada bastarda pelo punho e pela lĂąmina, bloqueando a clava com ela. De alguma forma, ele estava conseguindo se segurar, mas o hobgoblin tinha uma vantagem esmagadora.

— GRR! GRR! GRR! Grraahh…!!! — ele gritou.

— Ungh…! — Moguzo foi finalmente forçado a se ajoelhar. Ele estava sangrando pela cabeça. SerĂĄ que um dos espinhos da clava o havia atingido? O hobgoblin chutou Moguzo para baixo, tentando ficar em cima dele.

Não posso deixar isso acontecer. Vai ser ruim. Sério, muito ruim.

EntĂŁo, quando se deu conta, Haruhiro estava agarrando o hobgoblin nas costas. Teria sido bom se ele pudesse prender seus braços atrĂĄs das costas, mas isso era impossĂ­vel. O hobgoblin se debateu violentamente, tentando jogĂĄ-lo para fora, enquanto Haruhiro se segurava para salvar sua vida. — Nossa! Ohh! Aaaaaaaaah…?! —

— VocĂȘ estĂĄ indo bem, Haruhiro! Continue ganhando tempo assim…! — Manato estava tentando tratar Moguzo, aparentemente.

E vocĂȘ quer que eu continue com isso enquanto vocĂȘ faz isso? EstĂĄ brincando comigo, certo? De jeito nenhum, isso nĂŁo Ă© possĂ­vel.

O hobgoblin gritou e deu uma cotovelada em Haruhiro enquanto ele estava agarrado em suas costas.

Isso me atingiu na barriga. NĂŁo estĂĄ apenas doendo; estou me sentindo fraco. NĂŁo Ă© bom. Se eu desmaiar, Ă© o fim. Se ele me jogar pra fora, serĂĄ muito ruim. Eu vou morrer. Mortinho da Silva.

— Ah…!

O que aconteceu? Como? Ele nĂŁo tinha ideia.

O hobgoblin jogou Haruhiro de suas costas, bateu-o no chĂŁo e depois o chutou. Haruhiro nĂŁo conseguia respirar.

Haruhiro disse:

— …A-Ajuda. — Me ajude. Quem ele esperava que o salvasse? Ele nĂŁo sabia. Mas a ajuda veio.

— Smash…! — O cajado curto de Manato atingiu o hobgoblin na cabeça, mas o hobgoblin estava usando um capacete. Mesmo assim, parecia ter surtido algum efeito. Provavelmente, ele lhe causou uma leve concussĂŁo. Manato continuou a golpear o hobgoblin, gritando a cada golpe.

— Haruhiro, levante-se! Corram! Todos, fujam…!

É isso aĂ­, pensou Haruhiro, levantando-se. É isso que fazemos. NĂłs corremos. Correr Ă© tudo o que podemos fazer.

Ele começou a decolar, mas parou rapidamente. — M-Manato, e quanto a vocĂȘ…?!

— Eu tambĂ©m estou indo! Obviamente! Agora, se apresse e vĂĄ! — Mesmo enquanto atacava o hobgoblin, Manato estava tentando fugir. Moguzo, que havia se recuperado depois que Manato curou o ferimento na cabeça, gritou:

— Obrigado! —, desferindo um Rage blow no hobgoblin. Embora não tenha acertado, fez com que ele recuasse.

Ranta e Yume rapidamente se viraram e fugiram. Shihoru também estava tentando fugir. Com um grito de guerra, o goblin de armadura cortou Moguzo nas costas, mas, graças à sua cota de malha, parecia que ele estava bem. Haruhiro correu tentando alcançar Ranta, olhando para trås por cima do ombro enquanto avançava.

— Manato, tá bom! Todo mundo fugiu!

— Eu sei! — Manato saltou para trás e desferiu um golpe duplo contra o hobgoblin quando este avançou contra ele. O hobgoblin parou no meio do caminho. Manato executou uma brilhante mudança de direção, deslizando pela espada do goblin de armadura. Em pouco tempo, ele estava quase alcançando Haruhiro.

No entanto, era muito cedo para respirar tranquilamente. Haruhiro foi se virar. No momento em que o fez, viu o goblin de armadura arremessar algo. A coisa girou no ar, provavelmente atingindo Manato pelas costas. Manato soltou um grunhido, quase tropeçando, então Haruhiro teve certeza disso.

— Manato…?!

— Estou bem! — Manato se firmou imediatamente.

Ele ainda tem um andar estĂĄvel, entĂŁo nĂŁo parece que o ferimento seja profundo. O hobgoblin e o goblin de armadura estĂŁo vindo atrĂĄs de nĂłs. Temos que correr. Por enquanto, sĂł temos que correr.

Ainda bem que eles tinham feito um mapa. Graças ao trabalho que haviam feito nele, eles tinham a maior parte do layout da Cidade Velha de Damuro em suas cabeças. Isso permitiu que eles não se perdessem e evitassem åreas perigosas com muitos goblins. Haruhiro e o grupo correram. Mesmo quando o fÎlego lhes faltava, os pulmÔes gritavam e eles sentiam que iam morrer, continuaram correndo, mesmo depois de terem perdido de vista o hobgoblin e o goblin de armadura por algum tempo.

Manato foi o primeiro a parar de correr.

NĂŁo, nĂŁo foi isso.

De repente, Manato caiu no chĂŁo.

— …! — Haruhiro tentou chamar o nome de Manato, mas ele havia perdido a voz.

Suas costas. Nas costas de Manato, estava lá – algo – uma lñmina, uma lñmina curva, algo como uma faca de arremesso.

Ninguém disse nada. Todos ficaram olhando para Manato. Não podiam dizer nada. O que poderiam ter dito?

— Urgh… — Manato tentou se levantar. NĂŁo conseguiu. SĂł conseguiu se virar de lado. — …A-Ai… Acho que… Estamos bem… agora…

— Manato…! — Haruhiro se agachou ao lado de Manato. Mas serĂĄ que podia tocĂĄ-lo? Ou nĂŁo? Ele nĂŁo sabia.

— Manato, seu ferimento, m-magia! É isso mesmo, use magia pra se curar…

— …Ugh — Manato levou a mĂŁo direita Ă  testa. Ela caiu molemente no chĂŁo. — …E-eu nĂŁo consigo… E-eu nĂŁo posso… usar magia…!

— N-NĂŁo fale! — Ranta gritou. — NĂŁo fale! Apenas fique quieto, confortĂĄvel… Espere, como vai fazer isso?!

Shihoru se aproximou de forma instĂĄvel, afundando no chĂŁo ao lado de Manato, em frente a Haruhiro. Ela estendeu a mĂŁo. Seu dedo tocou a faca de arremesso. No momento em que isso aconteceu, ela puxou a mĂŁo para trĂĄs. O rosto de Shihoru ficou horrivelmente pĂĄlido.

O rosto de Manato estava ainda pior.

Moguzo ficou rígido, parado como se fosse uma espécie de ornamento enorme.

Yume bagunçou o cabelo. — …O que vamos fazer?

— O que…? — Haruhiro arranhou seu peito.

O que vamos fazer? O que podemos fazer? Pense. Tem que haver alguma coisa. NĂŁo pode ser nada. Diga-me. Por favor, Manato. Manato.

Manato estava ofegante, com a respiração inståvel.

— VocĂȘ vai ficar bem, certo, Manato? VocĂȘ vai ficar bem, nĂŁo Ă©? Apenas, apenas aguente firme. Aguente firme, Manato, tĂĄ bom?

Manato olhou para Haruhiro, movendo apenas os olhos.

— Haru… hiro.

— O quĂȘ? O que estĂĄ acontecendo? Manato, o que foi?

— …Eu estou… Medo…

— HĂŁ? O quĂȘ? P-PerdĂŁo? Por quĂȘ? Pelo quĂȘ?

— …Droga… Ă©… Ahh… Por que….? Haru… hiro… Estou contando… com vocĂȘ…

— Contando comigo? Comigo? Para quĂȘ? O que vocĂȘ quer de mim? Espere, nĂŁo, Manato, nĂŁo.

— …Eu… nĂŁo consigo… nĂŁo consigo… ver… Todos… estĂŁo… ai…?

— Estamos aqui! Todos estão aqui! Manato! Nós estamos aqui! Não vá embora!

— Ah… Ă©… PĂ©ssimo…

— NĂŁo vĂĄ! Manato! VocĂȘ nĂŁo pode nos deixar! NĂŁo vĂĄ embora! Por favor, Manato…!

Manato respirou fundo e expirou com força. Nesse momento, seus olhos ficaram vidrados.

Shihoru levou a mão ao peito de Manato. — O coração dele não está batendo!

— Faça RCP! — Ranta gritou.

Foi um incrível lampejo de inspiração, pensou Haruhiro. Parecia que eles tinham resolvido tudo, dizendo uns aos outros o que fazer enquanto tentavam ressuscitå-lo. Durante minutos, depois dezenas de minutos, eles bombearam o peito de Manato depois de retirar a faca e lhe fizeram respiração boca a boca. Eles devem ter continuado por mais de uma hora.

— … NĂŁo estĂĄ na hora de pararmos? disse Moguzo, soluçando. — Eu me sinto mal pelo Manato-kun…

Haruhiro quase atacou Moguzo, mas se conteve. — … T-tudo bem, o que vamos fazer, entĂŁo? EstĂĄ me dizendo que devemos simplesmente deixĂĄ-lo? Vamos simplesmente abandonar o Manato?

— Magia — disse Shihoru, levantando o rosto. Seus olhos estavam inchados e vermelhos. — Talvez possamos fazer algo com a magia. Quero dizer, há magia que cura feridas, afinal de contas.

— Sim — Yume assentiu repetidamente. — Sim, deve haver algo que possamos fazer. Tem que ter. Na guilda dos sacerdotes, hum, o que era…? Templo!

— O Templo de Lumiaris, nĂŁo Ă©? — Ranta enxugou as lĂĄgrimas com as costas da mĂŁo. — É um territĂłrio inimigo para um servo do Lorde Skullhell como eu, mas agora nĂŁo Ă© hora de se preocupar com isso.

Moguzo pegou Manato. — Eu o carregarei.

Haruhiro acenou com a cabeça. — Certo, vamos lá.

Sempre que Ranta ou Haruhiro se ofereciam para carregar Manato ou para ajudar, Moguzo dizia: “Estou bem”, e recusava. AtĂ© chegarem de volta a Altana e ao Templo de Lumiaris, no distrito norte, Moguzo realmente carregou Manato sozinho.

Quando entraram no templo, foram parados por homens que usavam vestes sacerdotais com o mesmo desenho de linhas azuis sobre tecido branco que as de Manato. Um deles parecia conhecer Manato e disse a outro homem que fosse procurar o Mestre Honen.

Esse Mestre Honen, quem quer que fosse, veio imediatamente. Ele era um homem de porte fĂ­sico semelhante Ă  de uma rocha e parecia ser um guerreiro melhor do que um sacerdote. Quando ele abriu a boca para exclamar:

— Oh, que terrĂ­vel —, sua voz tambĂ©m estava anormalmente alta.

Pensando bem, Manato havia dito que seu mestre tinha uma voz muito alta e que seus ouvidos sempre doĂ­am por causa disso, nĂŁo Ă© mesmo?

Quando Haruhiro se lembrou disso, incapaz de suportar mais, ele se prostrou diante do Mestre Honen. — Por favor, salve o Manato! Eu farei qualquer coisa, por favor! Estou lhe implorando…!

— Seu tolo! — rugiu o Mestre Honen. — Nem mesmo o brilhante Deus da Luz, Lumiaris, pode salvar os mortos! Manato, como vocĂȘ pĂŽde ser tĂŁo tolo? Eu o reconheci como um jovem de rara promessa, por isso cuidei de sua educação com tanto amor e cuidado! Como pĂŽde desperdiçar sua jovem vida dessa maneira?!

— Ora, seu…! — Ranta tentou agarrar o Mestre Honen, mas Yume disse:

— Pare com isso!

Ranta desistiu facilmente. Provavelmente porque ele viu a enxurrada de lĂĄgrimas saindo dos olhos do Mestre Honen.

Shihoru caiu no chão, sentado no piso frio do templo. Moguzo permaneceu imóvel, com Manato ainda em seus braços.

— Agora que isso aconteceu — a voz do Mestre Honen nĂŁo vacilou, mas suas lĂĄgrimas nunca pararam, — vocĂȘs devem pelo menos dar a ele um enterro adequado. A maldição do No-Life King transforma em seus servos aqueles que nĂŁo sĂŁo enterrados na fronteira. VocĂȘs tem no mĂĄximo cinco dias. Alguns atĂ© mesmo se transformam em zumbis no terceiro dia.

Por algum motivo, Haruhiro sentiu vontade de rir. NĂŁo era hora de rir, e ele sabia disso, mas mesmo assim. — … Quer dizer que devemos cremar o Manato?

— De fato. Há um crematório fora de Altana. Depois de purificar os restos mortais com fogo para que eles não ressuscitem, enterre as cinzas dele na colina.

— Posso perguntar uma coisa?

— O quĂȘ?

— Presumo que isso tambĂ©m custe dinheiro.

— Se vocĂȘ nĂŁo puder pagar, eu pagarei.

— NĂŁo — Haruhiro suspirou. Foi um suspiro profundo, muito profundo. Ele estava com raiva. Mas ficar bravo parecia ridĂ­culo. — NĂŁo, obrigado. NĂŁo Ă© como se nĂŁo tivĂ©ssemos dinheiro. Se nĂŁo tivermos o suficiente, daremos um jeito. Manato era meu – nosso camarada.


Tradução: ParupiroH
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