Hai to Gensou no Grimgar â CapĂtulo 1 â Volume 1
Hai to Gensou no Grimgar
Grimgar of Fantasy and Ash
CapĂtulo 1
[Sem Saber de Nada]
Em algumas partes da cidade, as ruas eram rodeadas por prĂ©dios de pedra, enquanto em outras nĂŁo havia nada alĂ©m de prĂ©dios de madeira. As ruas faziam curvas e voltas, dificultando a visĂŁo Ă frente. Ao lado da rua larga, havia um aqueduto, com ĂĄgua que fluĂa por ele, em sua maior parte pura. Ăs vezes, havia um odor desagradĂĄvel, provavelmente de excrementos, mas, Ă medida que avançavam, isso deixou de incomodĂĄ-los.
Hiyomu liderou o grupo de doze homens e mulheres atĂ© a cidade alĂ©m da colina. Pelo que ela havia dito, essa cidade se chamava Altana. Havia pessoas morando aqui, como era de se esperar de algo chamado cidade e, embora fosse de manhĂŁ cedo, eles passaram por um grande nĂșmero de pessoas que pareciam ser residentes. Todos os moradores olhavam para os doze como se eles fossem uma visĂŁo incomum. Mas os doze se viram olhando de volta. Afinal, as pessoas estavam todas vestidas de forma estranha.
Espera… estranhas como? Em comparação com os doze, suas roupas eram simples e surradas, nada chamativas.
â EntĂŁo, esse lugar… â , começou o animado â Ă©, tipo… um paĂs estrangeiro ou algo assim…?
â Uh… â o de cabelo bagunçado virou a cabeça, tentando encontrar uma resposta. â …Um paĂs estrangeiro? Um paĂs? Pensando bem, de que nacionalidade eu sou, afinal? O quĂȘ? Estranho, nĂŁo consigo me lembrar… Na verdade, tambĂ©m nĂŁo consigo me lembrar do meu endereço e tal. UĂ©?
â O quĂȘ, ainda nĂŁo tinha notado? â disse o GĂąngster em voz baixa. â Meu nome Ă© tudo o que eu ainda sei.
A frase âainda seiâ chamou atenção. Provavelmente significava algo diferente de simplesmente nĂŁo saber nada. Talvez GĂąngster tivesse sido atingido pela sensação de tentar rastrear suas memĂłrias de volta apenas para senti-las desaparecerem tambĂ©m.
â Meu nome… â o de cabelo bagunçado bateu no peito. â Meu nome Ă©… Ranta. Fora isso… Ă. NĂŁo faço ideia. Caramba. Ă sĂ©rio que eu tenho desaparecimento de memĂłria… â Acho que vocĂȘ quer dizer… â o garoto interrompeu sem querer e se arrependeu imediatamente. Mesmo assim, ele nĂŁo podia parar agora. â…perda de memĂłria, talvez?
â Escute, amigo… â o de cabelo bagunçado disse com um suspiro. â Se vocĂȘ vai ser o cara esperto, nĂŁo pode fazer isso melhor? Isso requer um certo espĂrito, sabe. Quando faz isso pela metade, Ă© constrangedor pra mim, que tĂĄ fazendo o papel de bobo pra vocĂȘ.
Isso acaba com o clima. Mas, tanto faz. Vou ignorar isso dessa vez. EntĂŁo, quem Ă© vocĂȘ?
â VocĂȘ vai… ignorar isso…
De que forma Ranta estava se fazendo de bobo? Que tentativa horrĂvel de humor. Ele nĂŁo estava totalmente convencido, mas…
Um nome.
Qual era seu prĂłprio nome?
â …Eu sou Haruhiro. Eu acho?
O de cabelo bagunçado, tambĂ©m conhecido como Ranta, fez um gesto exagerado de tropeço, como se fosse uma queda de um gato. â VocĂȘ acha? Espere aĂ, amigo, nĂŁo sabe nem o seu prĂłprio nome? Okay, nem estamos falando sobre como o nome Ă© tudo o que lembramos, nĂ©…
Esse cara é muito chato, pensou Haruhiro, olhando de relance para o Gùngster, que estava andando atrås de Hiyomu. Ele se perguntou qual seria o nome do Gùngster. Ele até queria perguntar, mas estava com muito medo do homem. Embora não tivesse a intenção de substituir a pergunta ao Gùngster, ele se virou para o homem esguio com cabelos sedosos e perguntou:
â E vocĂȘ?
â Oh â, que respondeu com um sorriso. Ele era um homem bastante eloquente. â Eu sou Manato. VocĂȘ se importa se eu chamĂĄ-lo de Haruhiro? Sem honorĂficos, nem nada?
â Hm, claro, tudo bem. EntĂŁo posso chamĂĄ-lo apenas de Manato tambĂ©m?
â Por mim tudo bem, Ă© claro.
Quando Manato sorriu, o garoto não pÎde deixar de sorrir também. Ele parece ser um cara legal. Provavelmente posso confiar nele, pensou.
Ranta era irritante. GĂąngster o assustava, e o de corte militar tinha uma cara assustadora. A vistosa parecia vir de uma realidade muito diferente da dele, e era difĂcil se aproximar de um cara inteligente como o de Ăłculos. Tranças, tĂmida e pequena. O que dizer dessas trĂȘs garotas?
TĂmida, com quem ele jĂĄ havia conversado um pouco, e estava por perto. Ele achou que poderia pelo menos tentar saber o nome dela. Mas, quando se tratava de perguntar, ele estava muito nervoso.
Haruhiro limpou a garganta. â Uuh, entĂŁo.
â S-Sim…?
â N-NĂŁo Ă© nada importante, mas, uh…
â Eu sou o Kikkawa, tĂĄ bom! â O animado exclamou de repente, fazendo uma pose estranha. â Ei, ei! Esqueça os rapazes, vamos ouvir as moças! VocĂȘ quer fazer algumas apresentaçÔes ou nĂŁo?
A de tranças balançou a cabeça. â NĂŁo.
â De jeito nenhum! â O animado, tambĂ©m conhecida como Kikkawa, parecia pateticamente abatido.
Haruhiro nĂŁo pĂŽde deixar de se sentir um pouco alegre. Ainda assim, a tentativa de Kikkawa lhe deu o impulso de que precisava.
â Hum â, Haruhiro tentou perguntar da forma mais direta possĂvel. â Qual Ă© o seu nome? Seria mais fĂĄcil nos dirigirmos a vocĂȘ se soubĂ©ssemos. Pelo menos, em comparação com o fato de nĂŁo sabermos.
â Ah… â A tĂmida olhou para baixo, puxando a franja. SerĂĄ que ela estava tentando esconder o rosto? Seus olhos, nariz e lĂĄbios eram modestos, mas ela era muito bonita. NĂŁo havia nada que ela precisasse esconder. â …Eu sou… Shihoru. Esse Ă© o meu nome, digo. Mais ou menos. Desculpe…
â NĂŁo, vocĂȘ nĂŁo precisa se desculpar.
â Desculpe, Ă© um hĂĄbito. Me desculpe, vou tentar nĂŁo fazer isso… â Shihoru estava tremendo como um cervo recĂ©m-nascido.
SerĂĄ que essa garota vai ficar bem? Ele estava preocupado sĂł de olhar para ela. Isso estimulou nele um instinto protetor.
â VocĂȘ Ă© um cara grande â, disse Manato, que estava conversando com o gigante gentil. â Qual Ă© a sua altura?
â HĂŁ? â disse o homem grande, piscando os olhos distraidamente.
â Minha altura? Tenho 1,60m…
â 1,60m?! â interveio Ranta. â Isso Ă© menor do que eu de 1,70m sabia?!
â Eu confundi. Era 1,86m… 1,90m? Por aĂ. Acho que sim. Ah. Meu nome Ă© Moguzo. Provavelmente.
â Me dĂȘ 10 centĂmetros, agora mesmo, Moguzo! â Ranta exigiu, dando um soco na lateral de Moguzo. Como se isso fosse possĂvel. â Se eu conseguir mais 10 centĂmetros, terei 1,76m! VocĂȘ terĂĄ 1,76m! Que reviravolta! Isso seria maravilhoso! NĂŁo Ă© mesmo?!
â Se eu pudesse dar a vocĂȘ… â respondeu Moguzo.
â Espere um pouco… â Haruhiro sĂł podia se amaldiçoar quando começou a corrigir o Ranta novamente. â Nesse caso, sua altura nĂŁo Ă© superior a 1,70m: vocĂȘ tem apenas 1,66m.
â Ah, cala a boca. De qualquer forma, vocĂȘ parece ter a mesma altura que eu!
â Eu tenho uns 1,70m.
â VocĂȘ Ă© um lixo, sabia?! Ă um demĂŽnio que discrimina as pessoas por causa de mĂseros quarto centĂmetros!
â Esse cara Ă© um saco â, murmurou Haruhiro.
â HĂŁ?! Eu nĂŁo ouvi direito. Disse alguma coisa?! Disse, nĂŁo disse?! VocĂȘ disse alguma coisa!
â NĂŁo, nada. Eu nĂŁo disse nada, Ă© sĂ©rio.
â Seu mentiroso! Seu maldito mentiroso, pervertido, bastardo depravado! NĂŁo subestime minha audição diabolicamente boa! Foi isso que vocĂȘ disse: âVocĂȘ e seu cabelo bagunçado podem ir para o inferno, seu desgraçado!â
â NĂŁo, eu realmente nĂŁo disse isso.
â VocĂȘ me chamou de âcabelo bagunçadoâ! Essa Ă© a Ășnica coisa que vocĂȘ nĂŁo pode me chamar! Essa palavra Ă© imperdoĂĄvel, droga!
â Olha, eu nĂŁo disse isso. Ouça direito quando as pessoas estiverem falando…
â Eu tava ouvindo! Eu estava ouvindo tĂŁo bem que tenho calos nas orelhas! De qualquer forma, nĂŁo perdoo ninguĂ©m que me chame de âCabelo bagunçadoâ! Mato qualquer um! NĂŁo se esqueça disso!
â Cabelo bagunçado â, o GĂąngster se virou e disse â vocĂȘ Ă© irritante. Cala boca.
â …Sim, senhor â disse o de cabelo bagunçado tambĂ©m conhecido como Ranta, em voz baixa. â …Desculpe. Vou me calar agora.
Haruhiro deu de ombros. â NĂŁo era imperdoĂĄvel?
â Seu idiota. â Ranta disse calmamente. â Sou um cara que escolhe a hora e o lugar certos. Eles me chamam de Mestre das Escolhas. Vou ser o Rei das DecisĂ”es!
â Sim, vĂĄ em frente e faça isso…
â Vou me tornar o rei do discernimento! O Grande Rei das DecisĂ”es! Ă isso que eu serei!
â Cabelo bagunçado â, o GĂąngster parou e se virou novamente. â Cala essa maldita boca.
Ranta rapidamente fez uma reverĂȘncia saltitante. â E-eu imploro seu perdĂŁo.
â Em vez de ser o Rei das DecisĂ”es â, disse Haruhiro, olhando para Ranta, â por que nĂŁo se tornar o Rei da prostração?
Ă isso aĂ! â Ranta levantou a cabeça e estalou os dedos. â Espere, nĂŁo, nĂŁo Ă© isso! Ser o Rei da prostração seria muito ruim! NĂŁo importa o quĂŁo bom eu seja nisso.
â Cabelo bagunçado â O GĂąngster parecia pronto para matĂĄ-lo. â Ă a terceira vez.
â Eeeeek! â Ranta fez outra reverĂȘncia, esfregando a testa no chĂŁo. â E-E-E-Eu sinto muitĂssimo!
â NĂŁo vai acontecer de novo! Perdoe-me, por favor…
Esse cara jĂĄ Ă© o Rei das prostração, pensou Haruhiro, mas decidiu nĂŁo dizer isso. Se ele dissesse alguma coisa, eles provavelmente começariam a discutir novamente, e isso seria muito chato. Depois disso, eles continuaram em silĂȘncio atĂ© que Hiyomu parou em frente a um prĂ©dio de pedra de dois andares.
O prĂ©dio ostentava uma bandeira com uma lua crescente vermelha em um campo branco. Havia tambĂ©m uma placa na frente. Na placa, estava escrito: âEsquadr de Soldad VoluntĂĄri do ExĂ©rcit da Fronteir Altanaâ, o que parecia estranho. Ao inspecionar melhor, muitas das letras haviam perdido a cor ou descascado.
â Ta-dah! â, disse Hiyomu, apontando para a placa. â Finalmente chegamos, chegamos, chegamos. Aqui Ă©! O escritĂłrio lua vermelha do famoso EsquadrĂŁo de Soldados VoluntĂĄrios do ExĂ©rcito da Fronteira Altana!
Haruhiro sussurrou âLua vermelhaâ e olhou novamente para a placa. Agora ela fazia sentido. Se vocĂȘ a lesse com os pedaços que faltavam, ela dizia â EsquadrĂŁo de Soldados VoluntĂĄrios do ExĂ©rcito da Fronteira Altana.
â Entrem, entrem! â Hiyomu fez um gesto para que entrassem em uma grande sala que parecia um bar, com mesas e cadeiras espalhadas e, ao fundo, um balcĂŁo. AtrĂĄs do balcĂŁo havia um homem com os braços cruzados. Haruhiro, os outros e Hiyomu eram as Ășnicas pessoas que estavam lĂĄ.
â Bem, fiz minha parte! â Hiyomu disse com uma reverĂȘncia ao homem atrĂĄs do balcĂŁo. â Eu sei que falo isso toda vez, mas dĂȘ a eles o resumo, okay, Bri-chan?
O homem que ela chamou de Bri-chan deu um leve aceno em resposta com os braços ainda cruzados. Por alguma razão, ele balançou os quadris, além de acenar com a mão.
â Estou indo embora agora! Tchauzinho! â Hiyomu disse ao sair. Quando ela fechou a porta atrĂĄs de si, uma estranha tensĂŁo se espalhou pela sala. Provavelmente porque Bri-chan estava examinando de perto Haruhiro e os outros. Deve ter sido isso. Afinal de contas, Bri-chan parecia bastante suspeito. Suspeito demais.
Bri-chan se curvou, apoiando os dois cotovelos no balcĂŁo, e descansou o queixo em cima das mĂŁos entrelaçadas. Era um queixo fendido. Mas, bem, esse detalhe nĂŁo importava tanto, porque foi a cor do cabelo que disparou os sinais de alerta. Era verde. AlĂ©m disso, ele devia estar usando batom ou algo do gĂȘnero, pois seus lĂĄbios eram pretos. Ele tinha olhos azuis claros cercados por cĂlios longos e grossos e, embora a cor deles fosse bonita, isso sĂł o tornava mais assustador. Parecia que ele tinha usado blush nas bochechas tambĂ©m. Ele tinha uma maquiagem grossa no geral, embora, nĂŁo importa como vocĂȘ olhasse para ele, Bri-chan era um homem.
â Hm… â Ele acenou para si mesmo vĂĄrias vezes e depois se levantou. âMuito bom. Venham cĂĄ, meus gatinhos. Sejam bem-vindos. Eu sou o Britney. Sou o chefe e anfitriĂŁo aqui no escritĂłrio lua vermelha do EsquadrĂŁo de Soldados VoluntĂĄrios do ExĂ©rcito da Fronteira de Altana. VocĂȘs podem me chamar de chefe, mas Bri-chan tambĂ©m serve. Mas, se forem me chamar assim, certifique-se de dizer isso com muito amor, ok?
O GĂąngster foi direto ao balcĂŁo, inclinando a cabeça para um lado. â Responda Ă s minhas perguntas. Sei que esta cidade se chama Altana. Mas o que Ă© esse tal de ExĂ©rcito da Fronteira e EsquadrĂŁo de Soldados VoluntĂĄrios? Por que estou aqui? Consegue responder?
â VocĂȘ tem coragem â disse Bri-chan com uma risada. â Tenho uma queda por garotos como vocĂȘ. Qual Ă© o seu nome?
â Ă Renji. E eu odeio estranhos de merda como vocĂȘ.
(NT: No original, o Renji fala âHentaiâ, que pode significar âPervertidoâ ou âEstranhoâ, e dependendo do contexto, atĂ© âTransformaçãoâ.)
â Ah, hum…
Por um momento, Haruhiro nĂŁo tinha certeza do que Bri-chan havia feito. Seus movimentos tinham sido nĂŁo apenas rĂĄpidos, mas suaves e naturais demais.
â Renji, me deixe te dar uma dica. âBri-chan pressionou uma faca contra a garganta de Renji, seus olhos se estreitando de forma ameaçadora. â NinguĂ©m que me chamou de estranho viveu por muito tempo. VocĂȘ parece ser um garoto inteligente; acho que entendeu o que eu quis dizer. Ou vocĂȘ quer tentar de novo?
â Bem â disse Renji.
Haruhiro engoliu em seco.
Renji agarrou a lĂąmina da faca com a mĂŁo nua. Embora ele tivesse fixado a lĂąmina no lugar com a palma da mĂŁo e os dedos, havia sangue pingando da base do polegar.
â Eu nunca quis uma vida longa e nĂŁo me importo em ceder a ameaças â disse ele. â Se vocĂȘ acha que pode me matar, entĂŁo tente, chefe estranho.
â Na hora certa â, Bri-chan respondeu, lambendo os lĂĄbios e acariciando a bochecha de Renji. â Eu vou te pegar com força. Quantas vezes eu quiser. E quando eu terminar, vocĂȘ nunca mais vai conseguir me esquecer.
â…Ei â Ranta sussurrou para Haruhiro. â Quando ele diz que vai pegĂĄ-lo, tenho certeza de que ele quer dizer isso de uma maneira diferente.
â De que maneira? â A garota de tranças perguntou a Ranta com um olhar vazio.
â HĂŁ? Uh, bem, como colocar algo em um lugar de onde as coisas devem sair… Basicamente, uh, como posso dizer isso? Ei, Haruhiro?
â NĂŁo vem me pedir para tirĂĄ-lo dessa situação. VocĂȘ cavou esse buraco, saia dele sozinho.
â VocĂȘ Ă© frio demais, cara… VocĂȘ tem uma deficiĂȘncia maldita de bondade… VocĂȘ tĂĄ no zero absoluto da bondade humana…
â Bem, de qualquer forma! â Kikkawa, se colocou entre Renji e Bri-chan. â Ă nosso primeiro encontro! Ă provĂĄvel que haja mal-entendidos! Vamos resolver isso pacificamente! Vamos tentar nos dar bem e ser alegres? Tudo bem? Tudo bem? Em consideração Ă minha boa aparĂȘncia!
â Sua boa aparĂȘncia? â Renji olhou para Kikkawa e bufou com desdĂ©m enquanto soltava a faca.
Bri-chan puxou sua faca de volta, limpando o sangue com um pano.
â Parece que temos alguns imprudentes aqui. Oito homens, quatro mulheres. NĂŁo hĂĄ mulheres suficientes, mas eu prefiro assim, e os homens tĂȘm mais chances de serem Ășteis na batalha, entĂŁo nĂŁo hĂĄ problema.
Manato ergueu uma sobrancelha. â Em batalha?
â Correto. â disse Bri-chan com um sorriso. Era bem assustador, francamente. â Ătil na batalha.
â Este Ă© um escritĂłrio de Soldados VoluntĂĄrios â disse Manato, olhando para baixo.
â EntĂŁo, isso significa que estamos nos tornando soldados voluntĂĄrios ou algo assim?
â Oh, meu Deus! â Bri-chan bateu palmas. â VocĂȘ tambĂ©m Ă© promissor. Ă exatamente isso. Todos vocĂȘs serĂŁo soldados voluntĂĄrios. Mas vocĂȘs tĂȘm alguma liberdade para decidir, sabem?
â Mestre das decisĂ”es â, disse Haruhiro, dando um tapa nas costas de Ranta. â Ă a sua vez.
â Ahn?! E… Eu?
â Todos vocĂȘs podem escolher â disse Bri-chan, levantando o dedo indicador e balançando-o. â VocĂȘs podem aceitar minha oferta ou rejeitĂĄ-la. A oferta Ă© para se juntar ao nosso EsquadrĂŁo de Soldados VoluntĂĄrios como parte do ExĂ©rcito da Fronteira Altana. Bem, vocĂȘs começarĂŁo como soldados em treinamento com o objetivo de se tornarem soldados voluntĂĄrios de pleno direito.
â Soldados voluntĂĄrios… â disse a Vistosa, com uma expressĂŁo de medo no rosto. â O que eles fazem?
â Eles lutam â disse Bri-chan com um aceno de mĂŁo, parecendo querer acrescentar um âmenina estĂșpidaâ em seguida. â Aqui nas terras fronteiriças hĂĄ raças hostis a nĂłs, humanos, alĂ©m de muitos e muitos monstros. O dever do ExĂ©rcito da Fronteira Ă© exterminĂĄ-los e proteger a fronteira. Mas, para ser sincero, nĂŁo Ă© uma tarefa fĂĄcil. Na verdade, o ExĂ©rcito da Fronteira tem muito trabalho apenas para manter sua base de linha de frente em Altana. EntĂŁo, Ă© aĂ que entra o nosso esquadrĂŁo de Soldados VoluntĂĄrios.
â EntĂŁo, basicamente… â O de Ăłculos ajustou a posição de seus Ăłculos com o dedo mĂ©dio da mĂŁo direita. â …enquanto as forças regulares protegem a cidade, o Corpo de Soldados VoluntĂĄrios caça as raças e monstros hostis. Ă isso?
â Para simplificar, sim â, disse Bri-chan, abrindo as mĂŁos como uma flor. Ele pode ter achado bonito, mas era bem assustador.
â Mas, dito isso, nĂŁo Ă© como se o ExĂ©rcito da Fronteira fosse puramente defensivo, sabe? HĂĄ ocasiĂ”es em que eles lançam forças expedicionĂĄrias para atacar as fortalezas de raças hostis. Ă que as operaçÔes militares em larga escala tĂȘm suas limitaçÔes. Afinal, com a logĂstica de suprimentos e tudo o mais, muitas coisas precisam ser pensadas com antecedĂȘncia. Soldados voluntĂĄrios nĂŁo sĂŁo assim.
Kikkawa estava acompanhando com acenos de cabeça exagerados. â Tipo, como eles sĂŁo diferentes?
â NĂłs, soldados voluntĂĄrios… â Bri-chan começou, juntando as mĂŁos e mexendo as pontas dos dedos. â…aparecemos repentina e inesperadamente, infiltrando-se no territĂłrio inimigo a torto e a direito, pesquisando, causando confusĂŁo e encontrando maneiras de enfraquecer as forças oponentes. Embora cooperemos com a força principal, muito raramente nos envolvemos em operaçÔes organizadas. A maioria dos soldados voluntĂĄrios age sozinhos ou em pequenos grupos de 3 a 6 pessoas, eu acho. De qualquer forma, usamos nossas prĂłprias habilidades individuais e discernimento para reunir informaçÔes e atacar o inimigo. Ă assim que o EsquadrĂŁo de Soldados VoluntĂĄrios, funciona.
â E? â Renji perguntou, flexionando os dedos de sua mĂŁo direita. NĂŁo havia sangue pingando dela. O sangramento jĂĄ havia parado. â O que acontece se eu recusar sua oferta?
â Nada, na verdade, sabe? â Bri-chan inclinou a cabeça e balançou um pouco a cintura. SerĂĄ que ele estava brincando? Talvez ele estivesse brincando e os ameaçando ao mesmo tempo. Era bastante assustador, afinal de contas. âEu jĂĄ lhe disse, vocĂȘ tem espaço para decidir. VocĂȘ pode escolher. Se nĂŁo quiser ser um soldado voluntĂĄrio, pode ir embora agora mesmo e nunca mais voltar.
â Heh… â disse Ranta, coçando o cabelo bagunçado. â Talvez eu passe, entĂŁo. Eu realmente nĂŁo entendo, mas, sabe como Ă©, eu sou fundamentalmente um pacifista e tudo mais.
â Tudo bem. EntĂŁo, tchau. Se cuide.
â Sim! Cuide-se vocĂȘ tambĂ©m, Bri-chan! â Ranta se virou, caminhou em direção Ă saĂda e depois parou. â …Espere, mas quando eu sair daqui, o que devo fazer?
â NĂŁo posso me responsabilizar por vocĂȘ depois disso â, Bri-chan riu. â Se nĂŁo estĂĄ se juntando ao esquadrĂŁo, vocĂȘ Ă© livre para fazer o que quiser. Aqueles de vocĂȘs que se tornarem soldados voluntĂĄrios em treinamento receberĂŁo dez moedas de prata. Isso serĂĄ suficiente para vocĂȘs viverem por enquanto, eu acho.
â Moedas de prata… â Os olhos de Manato se arregalaram e ele começou a procurar em seus bolsos. â Ah, sim… dinheiro.
Haruhiro também tocou os bolsos. Eles estavam vazios. Ele não tinha nada com ele. O que, é claro, significava que ele não tinha um tostão.
â Um emprego de meio perĂodo, talvez… â O rosto de Ranta se contraiu e ele baixou a cabeça. â Eu poderia procurar um… Isso Ă© tudo o que posso fazer, por enquanto…
â Espero que algo convenientemente caia em seu colo â disse Bri-chan com um encolher de ombros exagerado. âMas qualquer outro emprego que vocĂȘ encontrar terĂĄ seus prĂłprios problemas, sabe? Mesmo que vocĂȘ encontre alguĂ©m disposto a contratĂĄlo, ele nĂŁo lhe pagarĂĄ quase nada e, em geral, vocĂȘ começarĂĄ fazendo tarefas braçais extenuantes ou cuidando das necessidades pessoais do proprietĂĄrio ou do mestre.
â Ack! â disse Kikkawa, dando um tapa na testa. â Ă um mundo difĂcil, cara. NĂŁo sei o que dizer. SerĂĄ que temos que, tipo, seguir o fluxo aqui?
âAcredito que eu tenha lhe dito? Com ou sem fluxo, quem decide se vocĂȘ entra ou nĂŁo Ă©… â Bri-chan apontou para cada um. â SĂŁo vocĂȘs mesmo.
Renji respirou fundo. â Seja especĂfico. O que preciso fazer?
â Oh, Renji. NĂŁo me decepcione. NĂŁo estava ouvindo? Use suas prĂłprias habilidades individuais e julgamento para reunir informaçÔes e atacar o inimigo. Esse Ă© o jeito do soldado voluntĂĄrio.
â EntĂŁo, como soldados em treinamento, tambĂ©m precisamos pesquisar e pensar por nĂłs mesmos?
â Ă isso mesmo â Bri-chan assentiu e começou a alinhar algo no balcĂŁo. Objetos avermelhados, parecidos com moedas, e pequenas bolsas de couro. Doze conjuntos no total.
Bri-chan segurou um dos objetos semelhantes a moedas, que tinha uma lua crescente, entre os dedos. â Esse distintivo identifica o portador como em treinamento. Ă conhecido como distintivo de soldados em treinamento. Como tal, ele serĂĄ a prova de sua condição. Se vocĂȘ pegar um, nĂŁo o perca. Bem, tambĂ©m nĂŁo Ă© que carregĂĄ-lo seja muito Ăștil para vocĂȘ. No entanto, quando vocĂȘ comprar o distintivo do EsquadrĂŁo de Soldados VoluntĂĄrios comigo com 20 pratas e se tornar um membro pleno do EsquadrĂŁo, ele terĂĄ algumas vantagens.
Espera um pouco â disse o de corte militar em um tom agitado. â VocĂȘ quer que paguemos pelo status?
â Sim. Isso Ă© um problema?
â Eu nĂŁo gosto disso.
â NĂŁo importa, mas sem dinheiro, vocĂȘ nĂŁo pode comer, nĂŁo pode se vestir, nĂŁo pode fazer nada. Que escolha vocĂȘ tem? Pode ir morrer em uma vala, se preferir.
Renji riu um pouco com essa.
â Mesmo no inferno, o dinheiro Ă© importante, nĂŁo Ă©?
â Inferno? â Bri-chan inclinou a cabeça para o lado, em tom de curiosidade. â Bem, Ă© mais ou menos isso. De qualquer forma, sei que Ă© estranho dizer isso depois de dizer para resolverem as coisas sozinhos, mas acho que o primeiro objetivo deve ser comprar um distintivo do EsquadrĂŁo e se tornar um soldado voluntĂĄrio.
â Justo. â Renji pegou um distintivo de soldado em treinamento e uma bolsa de couro. â Eu nĂŁo sei sobre esse negĂłcio de soldado voluntĂĄrio ou sei lĂĄ, mas vou fazer isso. Conversaremos depois disso.
Depois de Renji, o de corte militar pegou um distintivo e uma bolsa de couro. Um pouco depois dele estavam vistosa, Manato e o de Ăłculos.
Kikkawa disse:
â Tudo bem, entĂŁo, eu tambĂ©m vou participar! â e foi pegar duas bolsas, mas levou um tapa de Bri-chan.
NĂŁo havia muita escolha. Mas… por que fazer isso? Para conseguir dinheiro… ou, em outras palavras, para continuar vivo, talvez? Se era por isso, entĂŁo ele supunha que tinha que fazer isso. Era inevitĂĄvel, mas ele ainda tinha um mau pressentimento.
Shihoru, a de tranças e a pequena pareciam hesitantes. Ranta e o grandalhão, Moguzo, também ainda não haviam decidido.
Bri-chan voltou seus olhos azuis pĂĄlidos para eles. â E quanto a vocĂȘ?
â Sei nĂŁo hein… â Ranta caminhou em direção ao balcĂŁo, murmurando para si mesmo. â Sinto que estou prestes a me ferrar aqui. Tenho um pressentimento vagamente ruim sobre tudo isso…
â Hmm. â A de tranças seguiu atrĂĄs de Ranta. â Onde hĂĄ razĂŁo, hĂĄ um caminho, dizem…
â NĂŁo â, Haruhiro balançou a cabeça. â Acho que ninguĂ©m diz razĂŁo…
â Ah? â A de tranças se virou para trĂĄs, com a mĂŁo estendida para o distintivo e a bolsa. â NĂŁo dizem? â A Yume sempre disse:
â razĂŁo.
â EntĂŁo vocĂȘ aprendeu errado. Ă apenas âonde hĂĄ vontade, hĂĄ um caminhoâ.
â Mas soa mais bonito com ârazĂŁoâ e âcaminhoâ. A Yume tambĂ©m acha que fofura Ă© importante.
â …Definitivamente, soou mais bonito dessa forma.
A de tranças, cujo nome aparentemente era Yume, deu uma risada genuĂna de alegria:
â NĂ©? â Enquanto eles estavam brincando, a pequena pegou um distintivo e uma bolsa.
Moguzo, Shihoru e Haruhiro eram os Ășnicos que restavam. NĂŁo querendo ser o Ășltimo, Haruhiro pegou um distintivo e uma bolsa. Enquanto ele abria a bolsa para confirmar se havia dez pequenas moedas de prata dentro, Moguzo veio sem pressa e pegou o distintivo e a bolsa. Shihoru foi a Ășltima a fazer isso.
â ParabĂ©ns â disse Bri-chan, sorrindo e batendo palmas. â Agora, todos vocĂȘs sĂŁo soldados voluntĂĄrios em treinamento. Trabalhem duro e aprendam a se manter por conta prĂłpria rapidamente. Quando forem soldados voluntĂĄrios de verdade, eu nĂŁo me oporei a dar alguns conselhos a vocĂȘs.
â EntĂŁo, de repente â
â Ei!
*Batida!
â Urgh!
Eles viram que o de corte militar estava agora de costas no chĂŁo. Aconteceu em um instante, entĂŁo eles nĂŁo podiam ter certeza, mas talvez Renji tivesse dado um soco nele. Dar um soco? Por que ele teria feito isso?
â Levante-se â disse Renji com uma expressĂŁo vazia.
â Seu desgraçado! â O de corte militar gritou e tentou se levantar, mas Renji imediatamente o chutou, fazendo-o se esparramar pelo chĂŁo.
â O que hĂĄ de errado? Levante-se.
â Qual Ă© o seu problema, seu miserĂĄvel?
â Desde a primeira vez que o vi, fiquei imaginando qual de nĂłs dois era mais forte.
â Vou lhe mostrar a resposta. Levante-se.
â Drogaaa…!
Renji ia atacar assim que o de corte militar tentasse se levantar. Como isso era óbvio até para um espectador como Haruhiro, o quase careca só precisava evitar. Bem, ele até tentou se esquivar, mas Renji se adiantou para onde ele estava indo e lhe deu um soco, um chute, depois o agarrou pela orelha e o puxou. Quando o de corte militar soltou um grito de dor, ele lhe deu uma joelhada forte no plexo solar. Não apenas uma vez. Mais uma e outra vez. Depois disso, Renji pegou a cabeça do homem com as duas mãos. Ele balançou a própria cabeça para trås e lhe deu uma cabeçada. Houve um baque alto, e o de corte militar caiu e se ajoelhou.
â VocĂȘ tem uma cabeça dura â disse Renji, esfregando a testa com um dedo. Ela havia ficado vermelha e estava sangrando um pouco. â Qual seu nome.
Ă do corte militar manteve as mĂŁos longe do chĂŁo, colocando-as no joelho para se apoiar. Talvez ele estivesse suportando a dor por uma teimosa falta de vontade de engatinhar. â …Ă Ron. Poha, vocĂȘ Ă© forte.
â VocĂȘ tambĂ©m Ă© muito forte. Venha comigo, Ron.
â Sim. Vou com vocĂȘ por enquanto.
â Ătimo. Agora, quem mais… â Renji olhou ao redor, parando em Manato.
Manato reagiu ao olhar de Renji com um estreitamento dos olhos.
Renji seguiu em frente, desviando o olhar de Manato para o de Ăculos. â VocĂȘ parece que pode ser Ăștil. Venha comigo.
O de Ăłculos cruzou os braços e piscou algumas vezes de surpresa. Depois, ajustando a posição dos Ăłculos com o dedo mĂ©dio da mĂŁo direita, ele fez um aceno brusco com a cabeça. â Claro, eu sou Adachi. Ă um prazer, Renji.
Renji respondeu levantando um dos lados da boca em um sorriso presunçoso, depois voltou os olhos para Haruhiro.
O quĂȘ? Talvez ele me queira tambĂ©m? Pensou Haruhiro, surpreso e um tanto encantado. Afinal de contas, Renji parecia musculoso e havia demonstrado ser forte o suficiente para derrubar Ron com facilidade. Ele era um cara acostumado com violĂȘncia. Ele tambĂ©m parecia consciente. Ele era assustador e parecia difĂcil de conviver, mas se Haruhiro conseguisse superar isso, Renji era definitivamente confiĂĄvel. Se Renji estivesse disposto a levĂĄ-lo junto, isso provavelmente facilitaria sua vida daqui para frente.
Ele nĂŁo podia negar que se sentia assim. Mas esses sentimentos logo murcharam e morreram, porque Renji olhou para outro lugar. Ele havia sido ignorado.
â VocĂȘ aĂ, Chibi.
â Sim…? â A garota que era a menor entre os doze tambĂ©m tinha uma voz pequena.
Renji disse âVenhaâ e fez um gesto para que ela o seguisse.
Chibi-chan talvez estivesse olhando para o espaço. Ela cambaleou em sua direção e olhou para Renji.
Renji deu um tapinha na cabeça de Chibi-chan. â Parece que vocĂȘ vai ser Ăștil. Venha comigo.
Chibi-chan disse âSim…â e acenou com a cabeça. Seu rosto ficou vermelho. Havia algo nela que se assemelhava a um ovo cozido. Mais do que sua aparĂȘncia, eram seus pequenos gestos e sua essĂȘncia geral que lhe davam um ar de mascote adorĂĄvel. Mas… Ăștil? Haruhiro nĂŁo sabia disso. E, espere, serĂĄ que Renji decidiu que Chibi-chan seria mais Ăștil do que ele? Ele nĂŁo sabia se deveria se sentir humilhado ou apenas triste.
â Vamos nessa â Renji fez um gesto para a porta do escritĂłrio com o queixo. Quando Ron, Adachi, Chibi-chan e Renji começaram a se afastar, a Vistosa gritou:
â Espere! Me leve tambĂ©m!
Renji soltou um breve suspiro. â Eu nĂŁo preciso de nenhuma bagagem inĂștil.
â Eu faço qualquer coisa! â A vistosa falou, agarrando-se a Renji. â Eu sou Sassa. Por favor.
â Qualquer coisa? â Renji disse, empurrando Sassa para longe. â NĂŁo se esqueça dessas palavras.
â Sim. NĂŁo esquecerei.
â E nĂŁo me toque. â Disse Renji.
â Entendi…
â Ătimo. Venha entĂŁo.
â Obrigada, Renji! â Sassa abriu a porta, e Renji e seus seguidores saĂram. Sassa foi o Ășltima a sair. Quando a porta se fechou, as sete pessoas restantes pareciam derrotadas, como se tivessem perdido na loteria.
â Ack! â disse Kikkawa, fazendo uma careta e coçando a cabeça. â Queria ter entrado na equipe do Renji tambĂ©m… Entre Renji e Ron, eles provavelmente sĂŁo imbatĂveis em uma luta. O Adachi parecia inteligente, a Chibi-chan Ă© linda como um pet e a Sassa era muito gostosa. Cara, estou com muita inveja. Mas, bem, Ă© assim mesmo. Estou indo reunir informaçÔes. AtĂ© mais.
Antes que ele pudesse dizer qualquer coisa, Kikkawa jĂĄ havia deixado o escritĂłrio.
Haruhiro trocou olhares com Shihoru. Shihoru baixou a cabeça com vergonha.
â Bem, eu tambĂ©m vou â disse Manato, dirigindo-se para a saĂda. âNĂŁo vou aprender nada ficando aqui, entĂŁo vou sair para dar uma olhada. Vejo todos vocĂȘs mais tarde.
â Sim, atĂ© logo. â Quando Haruhiro estava se despedindo de Manato, ocorreu-lhe que talvez ele devesse ir junto. Manato era acessĂvel, ao contrĂĄrio de Renji. Ele parecia bemhumorado e provavelmente era confiĂĄvel. Mas, embora ele nĂŁo pudesse se importar menos com Ranta, o que Shihoru e Yume fariam? Moguzo tambĂ©m estava aqui. Pois bem.
Se todos eles fossem juntos, isso resolveria o problema. SĂł que, quando Haruhiro percebeu isso, Manato jĂĄ nĂŁo estava mais no escritĂłrio. Mas ele tinha certeza de que ainda nĂŁo era tarde demais.
â Escute, ficarmos aqui nĂŁo vai ajudar em nada, entĂŁo vamos todos atrĂĄs do Manato e… â Haruhiro sĂł chegou atĂ© ali quando a porta se abriu. Talvez seja o Manato voltando!
Mas não era. Era outro homem que havia entrado no escritório. Ele usava uma roupa feita de couro, um boné com uma pena e tinha um arco e flechas pendurados nas costas. Parecia ser alguns anos mais velho que Haruhiro e os outros. O homem tinha olhos de raposa e uma boca torta.
â OlĂĄ, chefe.
â Oh, nossa â Bri-chan olhou para o homem. â Se nĂŁo Ă© o Kuzuoka. O que estĂĄ acontecendo? VocĂȘ precisa de mim para alguma coisa?
â NĂŁo, nĂŁo foi por isso que eu vim â, disse Kuzuoka, dando uma olhada para Haruhiro e os outros. â Ouvi dizer que tĂnhamos alguns novatos, entĂŁo vim dar uma olhada.
â As notĂcias chegam atĂ© vocĂȘ rapidamente. Mas tivemos doze desta vez, e apenas cinco deles ainda estĂŁo aqui.
â Ah, entĂŁo esses sĂŁo as sobras.
O rosto de Ranta se enrijeceu. â Idai, isso Ă© uma coisa ruim?
â O que mais poderia ser alĂ©m de ruim? â Disse Kuzuoka com um olhar fixo para Ranta, depois deu uma olhada em Haruhiro e nos outros para avaliĂĄ-los. â Hmm… Bem, de qualquer forma, Ă© na linha de frente que estamos com falta. Ei, grandalhĂŁo, vocĂȘ serve.
Moguzo apontou para si mesmo:
â Eu?
â Ă isso mesmo. Estou me referindo a vocĂȘ. Quando digo âgrandĂŁoâ, vocĂȘ Ă© o Ășnico aqui a quem me refiro. Vou deixĂĄ-lo entrar em nosso grupo. Vou lhe mostrar o caminho. Posso atĂ© lhe emprestar um pouco de dinheiro. Ă um Ăłtimo negĂłcio, nĂŁo acha? Agora, se vocĂȘ me entendeu, venha comigo.
â Uh, ok…
â Moguzo, vocĂȘ vai mesmo ?! â Ranta agarrou Moguzo pelo braço esquerdo. â NĂŁo faça isso! Esse cara Ă© claramente desonesto!
â Ah, estĂĄ tudo bem…
â Venha logo! â Kuzuoka puxou seu braço direito. â Como soldado em treinamento, vocĂȘ deveria ser grato sĂł por ser deixado entrar em um grupo! AlĂ©m disso, eu nĂŁo sou desonesto!
â Uh, uh, ok…
â Moguzo, nĂŁo deixe ele te enganar! Um cara que Ă© desonesto nunca vai te dizer que ele Ă© desonesto!
â Ah, ah, uh… Ai, ai, isso… dĂłi… â Oh! â Ranta soltou seu braço.
â Desculpe, desculpe, ah… â Moguzo se desculpou docilmente.
â Ok, vamos embora agora! â disse Kuzuoka, arrastando Moguzo selvagemente para longe.
Os ombros de Shihoru caĂram. â Eles foram embora…
â Agora hĂĄ… âYume contou um, dois, trĂȘs nos dedos enquanto apontava para Haruhiro, Ranta, Shihoru e, finalmente, para si mesma. â …quatro de nĂłs, nĂŁo Ă©?
â Queridos â, disse Bri-chan, abafando um bocejo. â Quanto tempo vocĂȘs pretendem ficar aĂ parados? Estou ocupado com meu prĂłprio trabalho. Se vocĂȘs ficarem apenas vagando por aĂ, eu os expulsarei, entendem?
Ranta olhou para Haruhiro e os outros como se fosse um cachorro abatido. â Devemos sair daqui?
Haruhiro imaginou que a expressĂŁo em seu prĂłprio rosto devia ser pelo menos tĂŁo patĂ©tica quanto a de Ranta. â …Sim.

Tradução: ParupiroH
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