Hai to Gensou no Grimgar – Capítulo 8 – Volume 12

 

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Hai to Gensou no GrimgarGrimgar of Fantasy and Ash

Light Novel Online – CapĂ­tulo 08:
[O Ambiente Ă© Essencial]


Houve uma época em que até mesmo pechinchar preços nas lojas de Altana parecia um fardo para Haruhiro. Agora, ele iniciava negociaçÔes por conta própria como se fosse algo totalmente natural, tentando alcançar o melhor compromisso possível com o outro lado.

Ele nĂŁo era de se gabar, mas sentia que tinha ficado muito mais ousado.

A condição inicial de Haruhiro era que eles tivessem permissão para deixar de ser piratas, ou seja, serem dispensados da Companhia de Piratas K&K, e então firmarem um novo contrato limitado para investigar os ataques dos dragÔes em Roronea.

Afinal, Haruhiro e sua party haviam descoberto a entrada para aquele mundo subterrĂąneo desconhecido, o Reino do CrepĂșsculo, no Buraco das Maravilhas. AlĂ©m disso, eles haviam vagado do Reino do CrepĂșsculo atĂ© Darunggar, escalado a Montanha do DragĂŁo de Fogo a partir da cidade orc de Waluandin e, apĂłs muitas dificuldades, retornado a Grimgar.

Depois de escaparem do perigoso Vale dos Mil de alguma forma e passarem por vårios eventos, eles haviam cruzado o mar para chegar aqui, no Arquipélago Esmeralda.

NĂŁo havia muitas pessoas com tanta experiĂȘncia quanto eles. Olhando para o histĂłrico de suas aventuras, eles pareciam menos soldados voluntĂĄrios e mais um grupo de aventureiros profissionais.

Portanto, se eles fossem investigar os dragÔes como aventureiros, não estavam relutantes em aceitar o trabalho. No entanto, se a companhia queria profissionais para fazer um trabalho profissional, eles mereciam ser tratados como tais.

O diretor-gerente Giancarlo parecia disposto a aceitar, mas Ginzy recusou teimosamente. Os piratas tinham suas próprias regras, incluindo uma que determinava que o capitão era eleito pela tripulação, e se algum membro dessa tripulação tivesse um pedido, o capitão o aprovava ou rejeitava. Se um tripulante não gostasse disso, o procedimento adequado era desafiar o capitão para um duelo.

— A Momohina-san fez de vocĂȘs seus subordinados, entĂŁo, se querem sair, devem dizer isso a ela! — gritou Ginzy. — NĂŁo que ela vĂĄ deixar! Certo, Momohina-san?! NĂŁo estou certo?!

— Hmm. Isso mesmo. Harupiroron e seus amigos são meus subordinados, afinal de contas.

— Viram?! Viram, viram, viram?! AĂ­ estĂĄ! SĂł resta um mĂ©todo para vocĂȘs! Duelo contra a Momohina-san! Ganhem, e estarĂŁo livres para deixar de ser piratas!

NĂŁo, Haruhiro nĂŁo conseguiria vencer. Se ele pudesse vencer, nĂŁo teria se tornado um pirata em primeiro lugar.

No fim, ele continuou negociando, e o acordo final foi que Haruhiro e a party investigariam como membros da Companhia de Piratas K&K, ou seja, ainda como piratas, mas, se descobrissem a causa dos ataques, seriam recompensados.

Havia duas recompensas. A primeira era deixar de ser piratas. A segunda era serem levados de navio até a cidade livre de Vele.

Se chegassem a Vele como pessoas livres, Altana de repente ficaria muito mais prĂłxima.

A primeira coisa que Haruhiro e sua party fizeram foi examinar os locais atacados pelos dragÔes.

— EntĂŁo, este Ă© o pĂ­er destruĂ­do pelos dragĂ”es — Haruhiro murmurou.

Os dragÔes tinham aparecido pela primeira vez dez dias atrås. No dia seguinte, e no seguinte também, eles só voaram pelos céus acima de Roronea.

EntĂŁo, sete dias atrĂĄs, antes do meio-dia, o primeiro ataque aconteceu neste PĂ­er nÂș 2.

Eles haviam saído da mansão logo após o fim das negociaçÔes, então ainda era noite. Os dragÔes começariam a voar assim que amanhecesse, então a party precisava agir na escuridão. Estavam bastante desgastados pela viagem, ou melhor, pelo enjoo do mar que a acompanhou, mas, bem, isso não iria matå-los.

O PĂ­er nÂș 2 aparentemente tinha o formato da letra F. Haruhiro se agachou e iluminou a ĂĄrea aos seus pĂ©s com sua lamparina. O mar estava abaixo. Aquele seria o fundo da linha horizontal do F. SerĂĄ que os dragĂ”es pousaram ali?

As tåbuas da ponte estavam destruídas, claro, e as vigas também. Parecia que vårios dos pilares de sustentação estavam quebrados.

— O que acha? — Mary se agachou ao lado dele, afastando o cabelo para trás da orelha.

— Mmm… — Haruhiro murmurou uma resposta vaga, algo como “EstĂĄ ruim” ou algo parecido.

Considerando que os danos causados pelos dragĂ”es estavam espalhados por uma ĂĄrea ampla, a party decidiu se dividir. Haruhiro e Mary ficaram no PĂ­er nÂș 2.

Ele nĂŁo precisou de um guia para encontrar o porto, e como apenas um pĂ­er tinha sido destruĂ­do, conseguiu descobrir onde era rapidamente.

Haruhiro teria ficado bem sozinho, mas, contando Setora e Kiichi como uma unidade, eram seis pessoas, entĂŁo se dividiram em trĂȘs pares. Ele estaria bem com qualquer um como parceiro, mas, por alguma razĂŁo, Shihoru e Yume, assim como Kuzaku e Setora, formaram pares rapidamente, deixando-o com Mary.

Isso, em si, nĂŁo era um problema. Mas…

— Este deve ser o lugar onde os navios foram destruĂ­dos tambĂ©m. — Mary parecia ser ela mesma, como de costume. Pelo menos na aparĂȘncia.

Haruhiro precisava manter a compostura também, embora não fosse exatamente por isso.

— Parece que sim. Os dois navios atracados neste píer foram destruídos. Mas, pelo que ouvimos, os píeres e os cais não foram mais atacados desde então, certo?

— EntĂŁo Ă© como se eles estivessem atrĂĄs dos navios, talvez?

— Desde que destruĂ­ram este PĂ­er nÂș 2, os navios pararam de entrar no porto durante o dia. Os dragĂ”es nĂŁo estĂŁo atacando os pĂ­eres e os cais porque nĂŁo veem mais navios. Hmm, mas, se fosse esse o caso, eles atacariam os navios abrigados fora do porto, nĂŁo Ă©?

— Pode ser. Se for isso, serĂĄ que foi coincidĂȘncia este pĂ­er e os navios serem as primeiras coisas destruĂ­das?

— Pode ser… ou talvez nĂŁo. Ainda nĂŁo podemos dizer nada. Mas Ă© interessante que eles sĂł tenham atacado o porto uma vez.

Haruhiro apoiou a lamparina nas tĂĄbuas da ponte e respirou fundo.

Ele queria saber mais sobre os dragÔes. Tinha perguntado a Jimmy, claro, mas, pelo visto, nem mesmo os piratas do Arquipélago Esmeralda sabiam muito sobre eles. Na verdade, a atitude båsica dos piratas era que era melhor não saber nada sobre os dragÔes, e que eles não precisavam disso.

Até agora, os piratas se davam bem o suficiente sem interagir ou interferir uns com os outros. Por que esse relacionamento se rompeu agora?

— A causa nĂŁo pode ser os dragĂ”es — disse Haruhiro. — Tenho certeza de que os humanos fizeram algo primeiro.

— Concordo.

— Os dragĂ”es nĂŁo estĂŁo atacando Roronea para comer os piratas, ou algo assim. Pelo que ouvi, eles ainda estĂŁo pescando no local habitual.

— SerĂĄ que alguĂ©m fez algo para deixar os dragĂ”es irritados?

— Mas, se fosse isso, sinto que os dragĂ”es poderiam ter destruĂ­do muito mais este lugar…

— Desculpe — Mary disse.

— Huh?

— Queria saber mais para ajudar. — Mary abaixou a cabeça como se tentasse esfregar o rosto nos joelhos.

Seria fĂĄcil dizer “NĂŁo se preocupe com isso”. Mas como ela nĂŁo se preocuparia? Isso provavelmente tinha a ver com o problema pessoal de Mary. Como dizer… Se fosse algo externo a ela, seria fĂĄcil ignorar, mas, para um problema interno, ela nĂŁo podia simplesmente fechar os olhos.

Eu ficaria feliz em ouvir, Haruhiro pensou. Por que vocĂȘ nĂŁo me conta? Quero dizer, sĂł colocar isso pra fora talvez te faça se sentir um pouco melhor. NĂŁo importa o que vocĂȘ diga, eu vou ficar bem. NĂŁo precisa se preocupar com isso.

VĂĄrias palavras vieram Ă  mente. Todas soavam baratas, insinceras ou fora de lugar, entĂŁo era difĂ­cil dizĂȘ-las.

E se, em vez de falar com ela, ele simplesmente a abraçasse com força?

Não, isso era apenas o que ele queria fazer, não era? Isso não seria se aproveitar da fraqueza dela? Mesmo assim, Mary provavelmente estava se sentindo vulneråvel agora. Ele queria encorajå-la. Animå-la não podia ser algo ruim. Não, não, mas como isso o levaria a abraçå-la ou algo assim?

Quanto disso era ele pensando em Mary, e quanto era apenas o desejo dele mesmo?

Honestamente, ele queria poder simplesmente cortar tudo isso fora. Pensar apenas em Mary. Se ele pudesse deixar de se preocupar consigo mesmo e pensar no bem dela, e apenas no bem dela, quanto melhor seria?

Foi quando Haruhiro percebeu novamente. Ele amava Mary.

Era por amor que ele queria que esse amor desaparecesse. Ele queria apagar completamente seus prĂłprios sentimentos, para que pudesse tomar uma decisĂŁo adequada sobre o que era melhor para Mary. Pensamentos sobre querer tocĂĄ-la, sobre querer fazer isso ou aquilo, ou sobre como seria bom se as coisas acontecessem de uma certa forma, surgiam um apĂłs o outro, e ele nĂŁo conseguia bani-los. Ele desejava que essa parte dele simplesmente morresse.

— Deve haver alguĂ©m que saiba sobre os dragĂ”es em algum lugar. — Mary ergueu o rosto, olhou para Haruhiro e sorriu. — Este pode ser o paraĂ­so dos piratas, mas hĂĄ mais do que apenas piratas nesta ilha. Os moradores originais ainda estĂŁo aqui… eu acho.

— Faz sentido. — Haruhiro escondeu sua confusão, pegando a lamparina enquanto se levantava.

Este era o Arquipélago Esmeralda. Havia vårias ilhas. Era bem provåvel que existissem nativos em algum lugar.

Mesmo sem saber disso, ele podia mais ou menos adivinhar. Isso estava certo. Mesmo que ela nĂŁo soubesse…

Se aquele idiota insensĂ­vel estivesse por perto, ele provavelmente diria: “Que diferença faz? Se ela sabe de coisas que nĂŁo poderia saber, e usa magia que nĂŁo deveria poder usar, isso Ă© sĂł conveniente.”

Era certo levar isso de forma tão despreocupada assim? Se o fizessem, talvez Mary não precisasse se preocupar. Mas Haruhiro não diria isso: “Que diferença faz?” Isso seria um pouco demais.

Haruhiro e Mary se reuniram com o Time Yume e o Time Kuzaku antes do amanhecer. Eles concluĂ­ram que, se saĂ­ssem da cidade por enquanto, as chances de evitar serem vĂ­timas de um ataque de dragĂŁo seriam altas.

Eles organizaram as informaçÔes que tinham até agora na praia fora de Roronea com o Chefe de Seção Jimmy, da Companhia Pirata K&K.

Era um novo dia, entĂŁo agora fazia oito dias desde o primeiro ataque dos dragĂ”es. Apenas um dragĂŁo veio naquele dia, destruindo o PĂ­er nÂș 2, danificando gravemente dois navios e causando cerca de trinta baixas.

Sete dias atrĂĄs, outro dragĂŁo veio, atacando o distrito de entretenimento, derrubando trĂȘs bares e ferindo apenas vinte pessoas, sem mortes. Provavelmente porque poucas pessoas saem para beber no meio do dia.

Seis dias atrås, dois dragÔes desceram ao distrito comercial, onde ficavam o mercado e as lojas, e os danos foram muito, muito maiores. Mais de dez mortos e mais de cem feridos.

A partir de cinco dias atrĂĄs, dois dragĂ”es começaram a destruir casas no distrito residencial por trĂȘs dias consecutivos. Mais de vinte casas foram total ou parcialmente destruĂ­das. O nĂșmero de mortos e feridos passou de cinquenta.

Anteontem, um terceiro dragĂŁo apareceu pela primeira vez. Naquele dia, dois bares no distrito de entretenimento e dez casas no distrito residencial foram danificados. Aparentemente, nĂŁo houve muitas baixas.

Finalmente, ontem, havia novamente trĂȘs dragĂ”es. Oito residĂȘncias foram derrubadas, e o mercado ficou quase completamente destruĂ­do. No entanto, todos, exceto os idosos, haviam evacuado, entĂŁo houve poucas vĂ­timas desse ataque.

Os dragÔes começariam a voar assim que o sol estivesse completamente no céu. Eles não sobrevoavam Roronea o tempo todo; também iam para suas åreas de pesca. Se seguissem o mesmo padrão, atacariam a cidade apenas uma ou duas vezes por dia, voltando para casa antes do pÎr do sol.

Parece que os piratas realmente não sabiam muito sobre os dragÔes.

O ArquipĂ©lago Esmeralda era composto pela ilha principal, Ilha Esmeralda, trĂȘs ilhas ao leste dela—Ilha Kunu, Ilha Rema e Ilha Hosu—e vĂĄrias ilhas menores. Os dragĂ”es viviam em um local ao norte da ilha principal chamado Ninho dos DragĂ”es, e Roronea ficava em uma baĂ­a no extremo sul.

Os campos de pesca dos dragĂ”es eram uma ĂĄrea do mar a dois ou trĂȘs quilĂŽmetros a sudeste de Roronea. De Roronea, era possĂ­vel avistar os dragĂ”es voando para lĂĄ praticamente todos os dias. Todos sabiam que havia mĂșltiplos dragĂ”es, mas ninguĂ©m sabia ao certo quantos.

Os dragÔes que viviam nessa ilha tinham escamas como esmeraldas. Aparentemente, foi daí que veio o nome Ilha Esmeralda. Eles tinham asas e voavam. Pegavam e comiam peixes em seus campos de pesca.

Quanto ao tamanho, alguns tinham cerca de trinta metros de envergadura. Contudo, havia variação entre eles. Os dragÔes maiores eram mais velhos, e os menores, presumivelmente, mais jovens. Talvez fossem pais e seus filhotes.

Isso era praticamente tudo o que os piratas sabiam sobre os dragÔes.

Logo, o sol nasceu. Os trĂȘs dragĂ”es voaram para Roronea e começaram a circular sobre a cidade.

— Não dá pra matar eles? — perguntou Setora.

— Ah, eu jĂĄ pensei nisso tambĂ©m. — Kuzaku estava sentado na praia com as pernas longas esticadas. Kiichi estava enrolado, usando aquelas pernas como travesseiro, entĂŁo o nyaa provavelmente estava dormindo. Quando foi que eles começaram a se dar tĂŁo bem? — SĂŁo trĂȘs que atacam a cidade, certo? Tenho a sensação de que, se conseguĂ­ssemos derrotar sĂł o maior, talvez eles parassem de vir, talvez.

— VocĂȘ sabe que seria o mais exposto ao perigo, nĂ©, Kuzaku-kun? — disse Shihoru.

— Bom, Ă©… — respondeu Kuzaku, fazendo uma careta e erguendo uma das sobrancelhas. — Tipo, se eu conseguir mantĂȘ-lo parado, serĂĄ que o resto de vocĂȘs nĂŁo poderia cuidar do restante?

— Isso Ă© arriscado demais… — murmurou Mary.

— NĂŁo, se decidirmos fazer isso de verdade, eu vou pensar direito, tĂĄ? Sei lĂĄ. É uma questĂŁo de escolhas, sabe? Estava pensando se derrotar os dragĂ”es seria uma opção.

Haruhiro franziu a testa.

— Eu preferiria nĂŁo correr riscos desnecessĂĄrios…

Yume fez um gesto como se disparasse uma flecha de seu arco.

— VocĂȘs acham que flechas funcionariam?

— As escamas deles sĂŁo duras demais para serem perfuradas por flechas — respondeu Jimmy. — SĂł pra vocĂȘ saber, os piratas idiotas e corajosos que tentaram disparar contra eles com bestas todos morreram. NĂŁo sei quanto Ă  magia. Se quiserem tentar, fiquem Ă  vontade. NĂŁo vou impedir vocĂȘs.

— Armas de fogo? — perguntou Haruhiro, mas Jimmy balançou a cabeça levemente.

— Kisaragi e os outros que foram para o Continente Vermelho tĂȘm algumas, mas sĂł sobrou uma aqui. AlĂ©m disso, nĂŁo temos pĂłlvora. Pelo que sei, o disparo que usamos para intimidar vocĂȘs foi o Ășltimo com o que restava.

Mesmo que tivessem a pólvora, uma arma sozinha não seria suficiente. Na verdade, mesmo vårias armas não mudariam muita coisa. Se os dragÔes estivessem voando, provavelmente não conseguiriam atingi-los.

— EntĂŁo, vocĂȘ conhece alguĂ©m que entenda dos dragĂ”es? — perguntou Haruhiro. — Pirata ou nĂŁo.

Jimmy pensou por um momento antes de responder.

— Tenho uma ideia. Existem pessoas que viviam nesta ilha antes de os piratas construírem Roronea. Elas são de uma raça chamada runarukas.

Os nativos da Ilha Esmeralda, os runarukas, viviam nas åreas florestais da ilha principal e nas ilhas Rema, Hosu e em vårias das ilhas menores. Os runarukas, assim como os dragÔes, eram uma raça misteriosa, e quase nada era conhecido sobre eles. No entanto, não se opunham aos piratas e mantinham relaçÔes comerciais com eles. Raramente, um jovem runaruka aparecia em Roronea, e às vezes até se tornavam piratas.

— Nossa companhia tem um pirata runaruka, na verdade — disse Jimmy. — Mas ele mal consegue usar a lĂ­ngua comum que estamos falando agora. Ele nĂŁo fala a lĂ­ngua orc ou o Manguish dos mortos-vivos, tambĂ©m. Os runarukas sĂŁo naturalmente reservados, entĂŁo nĂŁo sei se poderiam ajudar em algo. Talvez nĂŁo sirvam de muita coisa.

De qualquer forma, eles teriam que encontrar esse membro da tripulação e conversar primeiro. Quando Haruhiro pediu para que fizessem isso, Jimmy concordou, e pouco depois do meio-dia, ele trouxe o runaruka para a praia.

Eles estavam prestes a começar as apresentaçÔes quando os dragÔes começaram a descer sobre Roronea.

— Ahh. Etwa, unakai, nye, shatah… — O runaruka falou algo que parecia ser palavras, cobrindo o peito com as duas mĂŁos e balançando a cabeça.

Não dava para dizer se era homem ou mulher. Para ser franco, parecia uma raposa. Pelo menos, seu rosto era como o de uma raposa. Vestia roupas de marinheiro. Seu corpo era semelhante ao de um humano ou orc bípede, mas os braços eram relativamente curtos em relação ao torso. Todo o corpo era coberto de pelos. Havia um buraco na parte de trås da calça, de onde saía uma cauda.

Um dragão desceu sobre Roronea, levantando poeira e fumaça. Os outros dois ainda estavam no céu.

— Nyarah, nyarah… — Estaria o runaruka lamentando ou com medo?

— É… matar eles tĂĄ fora de questĂŁo… — disse Kuzaku.

O runaruka arregalou os olhos e exclamou: — Hah! Matar? Nah. Matar. Nah! Dorahga, etwana, vitwa, gwadwa.

— NĂŁo, eu nĂŁo faço ideia do que vocĂȘ tĂĄ dizendo…

— Matar, dorahga, nah!

— VocĂȘ acha que ele tĂĄ dizendo que matar os dragĂ”es seria ruim? — perguntou Yume.

— HĂŁ? Yume-san, vocĂȘ entende o que ele tĂĄ dizendo? — respondeu Kuzaku.

— Hmm. NĂŁo Ă© que eu entenda, Ă© mais uma sensação? Talvez?

— Matar, dorahga, nah! — O runaruka virou-se para Yume e repetiu, balançando a cabeça afirmativamente. — Matar, nah! Dragon. Dorahga. Matar, bom, não.

De acordo com a tradução por sensação de Yume, o nome do runaruka era Tsiha, e ele estava em algum lugar entre homem e mulher. Os runarukas escolhiam se seriam homens ou mulheres quando crescessem. Tsiha ainda não tinha escolhido, mas também não era mais uma criança, então isso o colocava em algum lugar entre homem e mulher.

Os runarukas viviam na Ilha Esmeralda desde tempos muito antigos. EntĂŁo, um dorahga macho e uma dorahga fĂȘmea—ou seja, um casal de dragĂ”es—chegaram Ă  ilha. A vida dos runarukas havia melhorado desde entĂŁo, entĂŁo eles viam os dorahgas como mensageiros de Deus.

Houve vårias ocasiÔes no passado em que os runarukas fizeram algo errado e irritaram os dorahgas. Tsiha não entrou em detalhes, mas, se dissessem algo assustador, um gewguw apareceria e eles ficariam doentes. Os gewguws eram escuros como a escuridão e se infiltravam sob a cobertura da noite, então não podiam ser vistos. No entanto, quando um gewguw estava próximo, um vento frio soprava, de modo que era possível perceber imediatamente o que eles diziam. Ao que parecia, o comportamento reservado dos runarukas estava relacionado a esses gewguws.

Haruhiro acabou concordando quando Tsiha disse que alguém havia feito algo errado e isso enfureceu os dorahgas. Se os runarukas tivessem feito algo, os dorahgas teriam atacado as florestas onde os runarukas viviam. Portanto, se Roronea estava sendo atacada, certamente significava que os piratas haviam feito algo que não deveriam.

— Ruim! Dorahga! Bravo! Grrr! Por quĂȘ? Grrr! — gritou Yume. — O que deixou os dorahgas grrr? Bravos?

Yume tentou vĂĄrias vezes, incorporando mĂ­micas Ă s suas perguntas, mas Tsiha permaneceu em silĂȘncio e nĂŁo disse nada. Devia estar com medo dos gewguws.

Os trĂȘs dragĂ”es causaram caos em Roronea, depois voaram para longe e começaram a circular novamente.

A grande maioria da população agora esperava que os dragĂ”es viessem, entĂŁo evitava as ruas durante o dia. Havia alguns que ficavam na cidade como uma prova de coragem, e alguns bĂȘbados que continuavam bebendo apesar de tudo, mas provavelmente ninguĂ©m havia morrido. Embora os danos Ă s construçÔes e estradas fossem extensos, os dragĂ”es nĂŁo haviam se esforçado de verdade. Bem, nĂŁo havia como saber como eles realmente se sentiam, mas era claro que estavam se contendo. Se nĂŁo fosse o caso, Roronea estaria em sĂ©rios apuros, e a cidade teria sofrido muito mais. Todos os piratas, incluindo a Companhia Pirata K&K, jĂĄ teriam fugido da ilha hĂĄ muito tempo.

No entanto, isso nĂŁo aconteceu.

Por quĂȘ?


Tradução: ParupiroHPara estas e outras obras, visite o Cantinho do ParupiroH – Clicando Aqui


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