Hai to Gensou no Grimgar – Capítulo 5 – Volume 12

 

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Hai to Gensou no GrimgarGrimgar of Fantasy and Ash

Light Novel Online – CapĂ­tulo 05:
[Juventude, Força e Coragem]


Fomos em direção ao leste, Haruhiro narrou silenciosamente. Depois, ao longo do caminho, para o sudeste.

Não foram só momentos bons. Na verdade, raramente eram momentos bons, mas também não eram só momentos ruins. Por exemplo, durante uma tempestade furiosa, geralmente encontråvamos uma caverna onde podíamos nos abrigar. Então o tempo clareava, e era como se tudo aquilo tivesse sido uma mentira.

A comida que a Setora faz pode ser realmente deliciosa. Kiichi Ă© temperamental, mas Ă s vezes se aconchega em nĂłs, ronrona quando Ă© acariciado e fica adorĂĄvel. Surpreendentemente, havia uma boa quantidade de felicidade espalhada aqui e ali. SĂł que eu tinha muita dificuldade em perceber que ela estava lĂĄ.

Essa jornada me ensinou coisas. Talvez nĂŁo tenha sido uma viagem ruim.

Haruhiro continuava com seu monólogo interno, chegando ao ponto de pensar: É assim que nossa jornada terminou.

— EntĂŁo, este Ă© o mar — Setora disse baixinho.

Kiichi ficou bem próximo aos pés dela, com o rabo erguido balançando suavemente de um lado para o outro.

— É mesmo o mar… — Yume estreitou os olhos e abriu um sorriso.

Shihoru se agachou e soltou um suspiro.

— Ufa…

— Haruhiro. — Kuzaku estava virado para ele, com uma expressĂŁo sĂ©ria.

— O que foi?

— VocĂȘ se importa se eu gritar?

— Huh? VocĂȘ quer gritar? Bem, acho que nĂŁo tem problema…

— Certo, então eu vou gritar.

Kuzaku colocou as mĂŁos em frente Ă  boca como se fossem um megafone, inclinou-se para trĂĄs, respirou fundo e entĂŁo…

— É o maaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaar…!

— Parece um idiota — murmurou Mary.

Haruhiro concordava plenamente, mas entendia o sentimento de Kuzaku.

Haruhiro e a party estavam olhando para o mar do pico da Ășltima montanha. Devem estar a cerca de trezentos metros acima do nĂ­vel do mar. Assim que descessem a montanha, estariam na praia. Dali em diante, o mar azul infinito se estendia atĂ© onde os olhos podiam alcançar.

Haruhiro estava farto de montanhas. JĂĄ tinha subido e descido o suficiente para uma vida inteira. Finalmente, depois de tanto tempo, aquela era a Ășltima.

No dia anterior, com aquele pico final à vista, haviam decidido acampar sem subir até o topo. Estavam tão animados que se levantaram enquanto ainda estava escuro para ver o nascer do sol do cume.

No fim, demoraram mais para alcançar o topo do que esperavam, então não conseguiram ver o momento em que o sol surgiu no horizonte. Mas, apesar de terem perdido a primeira luz, ainda foi uma visão magnífica. Se Haruhiro fosse inclinado à poesia, provavelmente teria composto alguns versos.

— …É, nĂŁo tenho nada — comentou ele.

— Nada do quĂȘ? — perguntou Mary.

— Ah, nĂŁo, nada…

Mesmo com as sombras do céu ainda nublado caindo sobre ela, Mary brilhava sob a luz do amanhecer. Se ele fosse um poeta, poderia cantar seus louvores com palavras bonitas.

Ele murmurou: — Tão deslumbrante que deixa a mente em branco.

— Verdade. — Mary olhou para o mar, soltando um leve suspiro.

Haruhiro não estava se referindo ao mar, no entanto. Nem ao sol, que parecia espalhar bilhÔes de joias sobre sua superfície. Ele estava falando de Mary.

— A propósito, Haru. — Setora o encarava com um olhar penetrante.

— …Sim?

— Quando olho para vocĂȘ, ocasionalmente, na verdade, com bastante frequĂȘncia, fico tĂŁo frustrada que sinto vontade de matar algo.

— Isso nĂŁo Ă© nada gentil…

— NĂŁo Ă©. EntĂŁo tome cuidado para que eu nĂŁo mate vocĂȘ.

— Hm… Eu adoraria tomar cuidado e tudo mais, mas o que exatamente vocĂȘ quer que eu…

Por algum motivo, Kuzaku se agachou ao lado de Shihoru e latiu como um cachorro.

— Au, au!

Shihoru deu tapinhas nas costas de Kuzaku, e depois na cabeça dele tambĂ©m. SerĂĄ que a “cachorrificação” dele estava progredindo cada vez mais rĂĄpido?

Isso, aparentemente, Ă© tudo culpa minha de alguma forma. Haruhiro podia adivinhar pelo menos isso. Mas, ei, o que eu posso fazer? Eu adoraria fazer algo sobre essa minha personalidade indecisa, sabe? Se eu pudesse mudar, eu mudaria, e tento dar passos Ă  frente quando consigo, mas provavelmente nĂŁo Ă© o suficiente. Mais, nĂ©? Preciso fazer mais, nĂ©? Por outro lado, se eu der um passo decisivo, tem o problema de eu nĂŁo saber o que vai acontecer. Tipo, que influĂȘncia isso terĂĄ em todos ao meu redor. Afinal, ainda sou o lĂ­der, sabe? NĂŁo posso simplesmente ignorar isso. É algo a considerar, entĂŁo nĂŁo Ă© fĂĄcil. É difĂ­cil. A vida Ă© difĂ­cil demais…

— A propĂłsito, sabia? — Yume apontou na direção do mar. — Ali, tem uma coisa que parece um navio. TĂĄ inclinado, nĂ©? Ou serĂĄ que Yume tĂĄ sĂł imaginando?

Não, definitivamente não era imaginação dela. A que distùncia da praia aquilo estava? Não muito perto, mas também não tão longe. Aquele veleiro não estava navegando, então talvez fosse justo dizer que estava parado, mas havia algo estranho nele. Como Yume havia dito, estava claramente inclinado.

— Será que encalhou? — Haruhiro murmurou em voz alta.

Seja como for, nĂŁo dava para decidir nada dali. Haruhiro e a party desceram a montanha em direção ao mar. Pensar que aquela era a Ășltima montanha fazia Haruhiro ter vontade de cantarolar uma mĂșsica, como se estivessem em um piquenique, mas, se baixassem a guarda, algo os derrubaria. Era isso que significava viajar.

Eles desceram a montanha em algo que parecia duas horas, depois caminharam por cerca de trinta minutos até chegarem a um campo de grama com vista para uma praia rochosa.

O navio em questĂŁo estava bem Ă  frente. Suas velas eram brancas, e o casco nĂŁo parecia envelhecido. NĂŁo parecia ter sido abandonado para apodrecer ali hĂĄ muito tempo, entĂŁo talvez tivesse encalhado recentemente. Era uma anĂĄlise amadora, mas essa foi a impressĂŁo que Haruhiro teve.

Incrivelmente, na praia de pedras, havia pessoas. Não, ele não tinha certeza de que eram humanas, mas havia vårias criaturas humanoides. Mais de dez, sentadas, de pé e andando por ali.

— Talvez sejam a tripulação daquele navio — ele murmurou.

Haruhiro e a party estavam deitados no chĂŁo, alinhados horizontalmente. As pessoas de lĂĄ provavelmente nĂŁo podiam vĂȘ-los.

— Miau… — Yume apertou os olhos. Sendo uma caçadora, ela tinha a melhor visĂŁo entre eles. — Tem seis homens… acho? Homens humanos, digo. Oh, tem uns nĂŁo-humanos tambĂ©m? Um pode ser um orc. Provavelmente, pelo menos. Tem kobolds tambĂ©m. Ah, e um gobbie? Aquele ali, com as bandagens enroladas no rosto? DifĂ­cil dizer. Tem uma garota tambĂ©m… Hummm. SerĂĄ que Ă© uma garota?

Se fossem apenas humanos, tudo bem, mas havia orcs, kobolds e goblins também. Além disso, havia uma mulher humana misturada no grupo. Que tipo de grupo era aquele?

— Ouvi dizer que humanos e orcs coexistem em Vele… — Setora comentou, soando estranhamente incerta.

Havia muitos elementos incertos. Talvez fosse melhor nĂŁo se envolver. Era uma visĂŁo curiosa, mas a curiosidade jĂĄ tinha causado problemas antes, e um certo idiota que uma vez esteve na party havia trazido muitos problemas por causa dela.

Sim, pensou Haruhiro. Melhor nĂŁo investigar isso. Vamos embora quietos e fingir que nĂŁo vimos nada.

— Rastejem para trĂĄs, depois sigam rumo ao sul…

Talvez “rastejem para trĂĄs” ao invĂ©s de “rastejem para frente” tenha sido uma maneira estranha de se expressar. Haruhiro estava prestes a se corrigir quando Yume fez um barulho estranho.

— Huhwah!

— Q-Que foi, Yume?

— Ela tá acenando.

— Hein? Quem tá?

— A garota… Mas aquela garota tem bigode. Garotas tĂȘm bigode? Yume nunca teve bigode.

— Bem, talvez dependa da pesso—Espera, o que? Ela tá acenando?

Olhando melhor, havia de fato uma pessoa que parecia uma garota acenando na direção deles. Mas seria um daqueles casos em que ele pensaria: Quem, eu? E então seria outra pessoa? Tipo, serå que havia outro dos camaradas daquela garota atrås de Haruhiro e da party, talvez?

Isso tambĂ©m seria perigoso. É. Definitivamente perigoso. Haruhiro se virou para verificar. Nada. NinguĂ©m ali.

— Heeeey! — a garota finalmente começou a gritar.

Ela estava olhando para eles, nĂŁo estava?

Ele daria mais de oitenta por cento de chance de que sim. Talvez noventa? Podia ser noventa e nove. Talvez até cem por cento.

— Heeeey! VocĂȘs aĂ­! Apareçam! Se forem inimigos, vamos matar vocĂȘs!

— V-Vamos lutar? — Kuzaku começou a sacar sua grande katana.

— Espere — Haruhiro o deteve. Se fosse acabar em luta, deveriam fugir em vez disso. Estavam a mais de cinquenta metros do grupo.

Ele estava prestes a dar a ordem de retirada quando o homem misterioso, com bandagens, entregou à garota um objeto cilíndrico de algum tipo. O que era aquilo? A garota apontou o objeto na direção deles.

— Ka-boom!

Quando a garota disse isso, houve um kaboom, ou talvez um bang, seguido de um whoosh, e Haruhiro se apoiou nos braços para levantar. Houve um impacto agora mesmo? Algo tinha voado naquela direção e atingido o chão com uma força incrível. Uma fumaça subia da ponta do objeto que a garota segurava.

— NĂŁo pode ser! Aquilo Ă© uma arma de fogo? — Shihoru verbalizou o que Haruhiro pensava.

— Heeeey! Apareçam! O próximo vai acertar! E vai doer muitooo! Eu sou uma atiradora apimentada! Isso mesmo! Mas não de verdade! — A garota balbuciava e fazia pouco sentido.

— Foi magia…? — AtĂ© mesmo Setora estava chocada. Kiichi estava abaixado no chĂŁo, jĂĄ iniciando um recuo rastejante.

— NĂŁo — disse Haruhiro. — NĂŁo Ă© magia. É uma arma.

Haruhiro mordeu o lĂĄbio e o lambeu. Uma arma de fogo. Por que uma arma de fogo? AliĂĄs, armas de fogo sequer existiam? Ele nunca tinha visto uma—certo? Nesse caso, por que Haruhiro, e atĂ© mesmo Shihoru, sabiam que elas existiam e como eram chamadas? Seria parte das memĂłrias e do conhecimento que tinham antes de virem para Grimgar?

De qualquer forma, era uma arma que disparava projéteis com pólvora. Uma arma de fogo. Também chamada de pistola ou rifle. Como a garota disse, se uma bala os atingisse, não sairiam ilesos. Mary estava ali, então poderia curar qualquer ferimento, desde que não fosse fatal, mas era totalmente possível que uma bala causasse morte instantùnea se acertasse o local errado.

— Não atire! — Haruhiro gritou, levantando uma mão. Ele se ajoelhou em um dos joelhos. Seus companheiros ainda estavam abalados, pelo que parecia. Ele sentia muito por estar agindo por conta própria, mas não tinha escolha. Era uma situação de crise.

— Se vocĂȘs aparecerem, eu nĂŁo vou atiraaar! — A garota ainda mantinha a arma em posição. — Mas todoooos tĂȘm que aparecer! Sim, sim! Eu nĂŁo sou mega, afinal! Ops, desculpa! Quero dizer, nĂŁo sou ceeeeega!

— Que garantia temos de que vocĂȘ nĂŁo vai atirar?! — Haruhiro gritou.

— Uh, eu prometo que nãooo! Juro dedinho!

— Não dá pra jurar dedinho! Não a essa distñncia!

— Acho que nĂŁooo! Mas vocĂȘs vĂŁo ter que confiar em mim, achooo!

— VocĂȘ fala pra confiarmos, mas nem sabemos quem vocĂȘ Ă©!

— Eu tambĂ©m nĂŁo conheço vocĂȘs! Isso nos deixa quiteees! Sim, sim!

O jeito de falar dela, por si sĂł, jĂĄ era estranho, mas ela nĂŁo parecia ser uma idiota. Seria seguro dizer que eles eram soldados voluntĂĄrios? Afinal, estavam em territĂłrio inimigo, entĂŁo era uma decisĂŁo difĂ­cil.

— Haruhiro-kun! — Shihoru chamou seu nome.

Quando ele olhou para ela, Shihoru assentiu.

Sim, pensou Haruhiro. Ela estava certa. Não havia como ter certeza, mas aquelas pessoas provavelmente não pertenciam a uma organização contråria à humanidade. Se fossem, teriam atacado a party sem hesitar no momento em que os viram.

— Todo mundo, levantem-se. — Seguindo a ordem de Haruhiro, seus companheiros se levantaram, um após o outro.

A garota jogou a arma para o homem misterioso com bandagens e apontou o dedo na direção deles.

— Muiiito bem! Agora, um de vocĂȘs vem atĂ© aqui e me enfrentaaa! NĂŁo me importa quem, pode vir! Isso mesmo!

Parecia que ela era ainda mais estranha do que haviam imaginado.

Haruhiro desceu até a praia de pedras, indo em direção ao grupo.

Os membros do grupo, de fato, pareciam marinheiros. Bem, não que Haruhiro fosse um especialista em marinheiros, mas eles pareciam vestidos para trabalho a bordo de um navio. E não eram apenas os humanos, mas também os orcs e goblins, que tinham a pele bronzeada. Eram exatamente o que se poderia esperar de homens do mar.

A garota usava um chapéu enrolado dos dois lados, roupas masculinas e exibia um bigode. Não, seria um bigode falso? Provavelmente, sim. Mesmo para Haruhiro, sendo homem, se ele deixasse o bigode crescer, provavelmente não ficaria tão espesso assim.

Ela estava brincando?

NĂŁo parecia ser o caso.

A garota estufou o peito, cruzou os braços e olhou para Haruhiro e a party. Seu olhar era afiado. Até mesmo intimidante. Apesar de ser pequena, ela exalava uma intensidade que fazia com que não percebessem seu tamanho.

— Eu sou a MMM do K&K! Momohina! Digam seus nomes!

— …K&K? — Mary franziu as sobrancelhas.

Os olhos de Momohina se arregalaram.

— Digam seus nomes! — ela repetiu.

— Ei! — começaram a gritar os homens. — Ela mandou vocĂȘs se apresentarem, seus idiotas!

— Vamos matar os homens e pegar as mulheres, se não se apresentarem!

— Na verdade, eu quero pegar elas de qualquer jeito!

— Agora vocĂȘ sĂł estĂĄ mostrando o que quer, seu cretino!

Aquilo era horrĂ­vel. As garotas da party estavam claramente intimidadas. Kuzaku perdeu a paciĂȘncia e tentou avançar.

— Liceeencio! — Momohina gritou, e os homens se calaram imediatamente.

Haruhiro ficou confuso. Liceeencio…?

Momohina limpou a garganta.

— …Ops. A resposta certa era “SilĂȘncio”! Essas coisas acontecem. Elas fazem parte da cena. Sim, sim!

O rosto dela ficou vermelho. Ela parecia envergonhada.

— Mm-hm… — Yume assentiu em concordĂąncia.

Oh, vocĂȘ vai simpatizar com ela? É claro que sim, nĂ©?

Yume e Momohina. Essas duas tinham algumas estranhas semelhanças. Mas Yume não usaria um bigode falso. Também não dispararia uma arma, nem desafiaria alguém sem motivo.

— Er… Quando vocĂȘ diz que quer nos enfrentar, o que quer dizer exatamente? — Haruhiro perguntou, sĂł para confirmar.

Momohina, ainda com as bochechas coradas, sorriu e levantou o polegar.

— Vamos lutar mano-a-mano, Ă© claro! Isso mesmo! Avante com tudo!

— Avante com tudo! — os homens repetiram em uníssono com vozes roucas.

Mano-a-mano. Isso significava um contra um. Às mãos nuas, então?

— Fechado! — Kuzaku girou o braço no ar e avançou, mas o bigode de Momohina torceu e quase caiu.

— Duwhuh?!

Momohina imediatamente pressionou o bigode falso de volta ao rosto, mas Kuzaku perdeu a empolgação. Conhecendo Kuzaku, ele provavelmente lembrou que sua oponente era uma mulher e começou a questionar se lutar contra ela seria apropriado.

Haruhiro também não se sentia confortåvel em lutar com uma mulher, mas não queria deixar isso para as garotas da party.

— Certo, eu faço isso — ele disse.

— Heh heh — Momohina riu. — Venha! Isso vai ser moleza. Sim, sim!

Momohina tirou o casaco e o lançou de lado. Os homens soltaram um grito de comemoração, e Haruhiro rapidamente desviou o olhar. Momohina estava usando um casaco que ia até os joelhos, mas, naturalmente, ele esperava que ela estivesse vestindo algo por baixo. Não estava. Era pele nua. Ela não estava completamente sem roupa, mas usava apenas uma faixa amarrada ao redor do peito como se fosse roupa íntima. Era difícil encarå-la diretamente.

— Qual o problema? Heeeey! Venha atĂ© miiiim!

— VocĂȘ pode colocar o casaco de volta? — ele perguntou.

— Nem pensar!

— Por quĂȘ…?

— É muito pesado pra me moooover! VocĂȘ entendeeee?! Esse sentimento?!

— NĂŁo, nĂŁo entendo, mas pode tentar entender como eu me sinto tambĂ©m?

— NĂŁo me importo com isso, entĂŁo vamos logo! Hoorah! Se vocĂȘ nĂŁo vem atĂ© mim, talvez eu deva atacar, hein? Aqui vooou euuu!

Momohina avançou. Num instante, Haruhiro entrou no modo de combate como se um interruptor tivesse sido acionado, saltando para trås em diagonal com toda a força.

Nossa. Ela Ă© rĂĄpida. Como assim?

— Hee. Deixe-me adivinhar, vocĂȘ nĂŁo Ă© amador, nééé?

Aquela postura. O pé e a mão esquerda à frente, quadris baixos, e a mão levemente aberta. Não havia força desperdiçada em lugar nenhum do corpo dela. A partir de um estado que parecia relaxado, ela acelerava rapidamente. A amadora aqui não era ela.

— Me entretenha! Sim, sim!

Diferente de um soco ou tapa, os braços, os pulsos e até os dedos dela se flexionavam ao atacar. Embora isso não pudesse ser o caso, parecia que poderiam cortå-lo se o atingissem. Haruhiro confiava em seus reflexos para desviar dos ataques de Momohina. Se tentasse planejar como reagir a cada movimento, não conseguiria acompanhar.

— Ora, ora, ora, ora, ora, ora, ora, ora, ora! — ela gritava.

Que ataque feroz. Råpido e contínuo. Não dava trégua.

Haruhiro rapidamente perdeu a capacidade de desviar e, ao tentar bloquear com o braço, não foi apenas empurrado para trås, mas também levado para o lado, o que o fez perder o equilíbrio. Em pouco tempo, ele foi encurralado. Não havia mais nenhuma saída. Relutante, Haruhiro partiu para o contra-ataque.

Dar socos e chutar não eram suas especialidades. Haruhiro decidiu receber o combo de Momohina, resistir e tentar agarrar o braço dela. As técnicas de combate de um ladrão incluíam uma habilidade chamada Arrest.

Agora.

No momento em que pensou nisso, foi jogado ao chão. Seu braço foi agarrado, e ele foi arremessado.

— Por poucoooo!

Momohina estava se preparando para acertar o rosto de Haruhiro. Mas nĂŁo com o punho. O que ela planejava fazer com aquela mĂŁo aberta? Ele nĂŁo sabia, mas tinha certeza de que aquele ataque funcionaria.

Ele não fez isso intencionalmente. O limitador em seu cérebro deve ter se desligado sozinho.

Assault.

Haruhiro saltou para longe de Momohina, mas imediatamente avançou de volta. Ele não pensava em como usar as mãos ou os pés, não planejava fintas ou estratégias. Nada disso. Ele não olhava para os movimentos de sua oponente nem tentava senti-los. Ele cortava todas as respostas, focando apenas em atacar.

Seu coração batia forte, seus vasos sanguíneos se dilatavam vårias vezes além do normal, e o sangue corria pelo corpo a uma velocidade incrível. Não importava que sua oponente fosse uma mulher, ou mesmo humana. Para Haruhiro, naquele estado, era apenas carne colidindo com carne, esmagando carne. Eles podiam ser reduzidos a polpa sangrenta, e ele não se importaria. Na verdade, ele queria isso. Quando usava Assault, Haruhiro era ele mesmo e, ao mesmo tempo, não era.

Ainda assim, nĂŁo foi o suficiente.

Momohina desviava da mão direita, da mão esquerda, do pé direito e do pé esquerdo dele, bloqueando e redirecionando seus ataques. Ela estava brincando com ele, como se fosse uma criança.

Isso nĂŁo vai dar certo.

Momohina era uma mulher estranha, mas nĂŁo uma idiota. Ela devia saber, desde o inĂ­cio, que nunca perderia numa luta corpo a corpo. Ela tinha atraĂ­do Haruhiro para uma batalha que estava certa de vencer. O resultado jĂĄ estava decidido.

— É isso! O melhor! Que vocĂȘ! Consegue?! — ela gritou.

Tendo desviado do ataque no qual Haruhiro colocara toda a sua força, ela passou ao contra-ataque com confiança. Assault descartava completamente a defesa, focando apenas no ataque. Se ela o acertasse agora, ele não teria como revidar.

— Delm! — Momohina golpeou a lateral esquerda de Haruhiro com a palma da mĂŁo. O impacto foi direto no flanco, mas ecoou atĂ© o topo de sua cabeça.

Mesmo cambaleando, Haruhiro tentou ferozmente agarrá-la. Momohina gritou: “Hel!” E “En!” acertando seus ombros esquerdo e direito, e depois o plexo solar com um “Balk!” Os golpes eram como estacas sendo cravadas nele.

A essa altura, Haruhiro jĂĄ estava perdendo a consciĂȘncia. O que o mantinha de pĂ© era teimosia, pura força de vontade ou talvez apenas coincidĂȘncia.

— Zel! — Momohina avançou e chutou o joelho esquerdo de Haruhiro.

Ele caiu para trĂĄs. NĂŁo conseguia mais manter o equilĂ­brio.

— Arve!

Se Momohina tivesse acertado um golpe limpo no queixo dele com a palma que desceu, quem sabe o que teria acontecido com Haruhiro. Ele poderia muito bem ter morrido.

Momohina deliberadamente escolheu nĂŁo acertĂĄ-lo.

E não foi só isso. Momohina usou o braço direito, que ela havia feito errar, para segurå-lo enquanto ele caía, girando-o no ar. Ao mesmo tempo, boom, houve uma explosão em algum outro lugar.

Gritos e aplausos se elevaram, e Momohina sentou Haruhiro no chĂŁo.

Em algum momento durante a luta, seu bigode falso havia caĂ­do.

O rosto de Momohina era, sem dĂșvida, o de uma garota jovem. Sua idade real era desconhecida, mas ela parecia ainda mais jovem que Haruhiro e sua party. Espera aĂ­, o que tinha sido aquela explosĂŁo agora hĂĄ pouco? Podia ter sido Blast?

Delm, hel, en, balk, zel, arve… Agora que pensava nisso, ela havia entoado um feitiço, nĂŁo tinha? Huh? Ela era uma maga?

— Eu sou Momohina! A MMM da Companhia de Piratas K&K! Sou uma mestra de kung-fu, uma maga e uma mulher! Woo! — ela gritou.

Os homens ergueram as mĂŁos e aplaudiram com vozes roucas.

— Ooooooooooooh!

M = Mestra de Kung-fu. M = Maga. M = Mulher.

Oh, então era isso. Bom, não era como se houvesse outro MMM, então era basicamente uma descrição direta dela.

— Que tal isso?! — Momohina olhou para Haruhiro de cima, com arrogĂąncia. Ela parecia tĂŁo… convencida. — VitĂłria perfeita! Oh, yeah! VocĂȘ admite a derrota?

— Eu admito a derrota.

— Beeem! Agora, a partir de agora, vocĂȘs sĂŁo meus subordinados! Subordinados, subordinados, subordinados! TĂĄ entendido?!

— HĂŁ? N-NĂłs somos…?

— Isso mesmo que são! Lutando mano-a-mano, nós formamos um vínculo de sangue!

— VocĂȘ fala como se lutar criasse amizades. NĂŁo, acho que isso nĂŁo Ă© bem isso…

— TĂĄ tudo bem, tĂĄ tudo bem! NĂŁo se preocupe com os detalhes! Juventude! Força! Coragem! É JFC! Essa Ă© a lei dos piratas, okay?! Sim, sim!

— Piratas…

Agora que pensava nisso, ela estava falando algo sobre a Companhia de Piratas K&K. Os homens eram marinheiros, e Momohina aparentemente era a capitĂŁ deles. O navio deles estava encalhado logo ali.

Certo, entĂŁo. Era um grupo de piratas. Aquele era o navio pirata deles, e Momohina era a capitĂŁ. Isso explicava o bigode? NĂŁo, ela nĂŁo precisava mesmo de um, precisava?

— …Espera aĂ­, nĂłs somos subordinados? De uma pirata? SĂ©rio?


Tradução: ParupiroHPara estas e outras obras, visite o Cantinho do ParupiroH – Clicando Aqui


Tradução feita por fãs.
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