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Hai to Gensou no Grimgar – Capítulo 31 – Volume 14++

 

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Hai to Gensou no GrimgarGrimgar of Fantasy and Ash

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[História Bônus]


Cena #20: O Que Existe no Fim do “No Ponto Certo”

Certo… vamos ver do que você é capaz.

Era a Semana Dourada, então a família tinha pegado o Shinkansen para uma pequena viagem. Ainda faltava um tempo até o trem de volta, e decidiram comer algo enquanto esperavam. Assim acabaram vindo parar ali.

O nome do restaurante era meio estranho, mas parecia ter relação com Dazai Osamu—um autor de quem Monzo gostava. Dazai era natural de Aomori, e o restaurante ficava na área comercial conectada à estação de Shin-Aomori. Monzo já tinha comido o suficiente no bufê do hotel para atrair olhares desconfiados, e no almoço também tinha forçado o limite do estômago. Por isso, agora estava a fim de algo leve—bem diferente dele. Acabou escolhendo um lamen de shijimi.

Hmm… talvez eu devesse ter ido de lamen de niboshi. Mas não, se for niboshi, tem que ser no Naki, em Golden-gai.
Ainda assim, o cardápio daqui é bom, hein? As refeições completas parecem ótimas também… Sei que meu estômago tá cansado, mas será covardia ter ficado só no lamen de shijimi? Sempre quero me desafiar quando o assunto é comida…

Enquanto pensava, o lamen chegou. O restaurante estava cheio—praticamente lotado—mas mesmo assim foi rápido.

Ah, gosto disso. Ramen tem que chegar rápido. E ser comido rápido também.
Claro, a habilidade do chef conta, então não é só velocidade. Se ele fizer tudo devagar, mas com maestria, tá valendo…

Monzo tomou o primeiro gole do caldo.

— Isso é…

Falou sem nem perceber.

…Isso. É tão…

Monzo cobriu os olhos com a mão esquerda.

Até agora… eu não sabia. Não sabia de nada. Todo esse tempo… não sabia uma única coisa.

É SHIJIMI.

Ou melhor—ISSO É SHIJIMI.

Não… ISSO É O SHIJIMIIII!

O sabor do shijimi… tão profundo… tão nutritivo… tão delicioso…

Monzo ainda estava no colegial. Naturalmente, não bebia álcool, mas imaginou: aquilo devia ser incrivelmente bom depois de uma boa bebida.

Eu consigo sentir…

Os nutrientes do shijimi desciam por seu esôfago, alcançavam o estômago, eram absorvidos pelas paredes e se espalhavam por todas as células do corpo.

Ele sentia isso. Parecia até que tinha inalado algum tipo de droga milagrosa. A sensação era de que ficava mais saudável a cada segundo. Mas, mais que isso—era delicioso.

Surrealmente delicioso.

Ufa… isso aqui… me derrotou. Totalmente. Me rendo…

Olhou ao redor. Um aviso simpático dizia que, se o sabor estivesse forte demais, podia diluir o caldo. Mas não precisava.

Ok, era um pouco salgado, sim.

Mas estava no ponto certo.

Não existia nada mais “certo” no mundo inteiro. Era o equilíbrio absoluto. O nirvana do paladar.

As massas também estavam perfeitas. No ponto. Quanto mais ele tomava o caldo, quanto mais sugava os fios, mais mergulhava naquele oceano de perfeição.

Esse nível de “no ponto certo” merece quatro estrelas.

O Guia Michelin só ia até três, mas Monzo às vezes concedia uma quarta. Era merecida.
Quem diria que “estar no ponto certo” podia ser algo tão sublime? Monzo não sabia. Agora sabia.

Era no ponto certo.

E ele queria mais. Queria com desespero.

Se esse lugar fosse perto de casa…

Seria cliente fixo.

Iria pelo menos uma vez por semana, buscar aquele sabor “no ponto certo”.
Aquela perfeição redefiniria seu paladar—e, com os sentidos purificados, poderia aproveitar todo o resto do mundo dos sabores ainda mais.

Cena #21: O Pecado do Paraíso

É isso. Essa sensação. Manhã em Golden-gai… que coisa maravilhosa.

Os prédios estreitos se enfileiravam dos dois lados de uma rua fina demais para ser chamada de rua—um beco, talvez.

Incrivelmente, nesse pequeno canto da cidade havia quase trezentos estabelecimentos. A maioria bares e lugares que serviam álcool. Por isso, nessa hora do dia, a área ficava naturalmente deserta. Era o único motivo que permitia a um estudante do ensino médio como Monzo andar por ali sem se sentir intimidado.

Monzo não conhecia o Golden-gai à noite. Só tinha visto em fotos, revistas, programas de TV… mas o cheiro do lugar, sua essência, parecia ainda pairar no ar. Só de estar ali, ele se sentia um pouco mais adulto.

Oh! Lá está.

Monzo encontrou o que procurava, abriu a porta e subiu as escadas íngremes. Quando respondeu ao cumprimento do atendente e tentou se sentar, o funcionário o lembrou de comprar o bilhete da refeição na máquina.

— Ah! Desculpa!

Certo, certo… sempre esqueço disso.

A máquina oferecia duas opções: tsukemen niboshi incrível ou ramen niboshi incrível. Ele hesitou, mas no fim escolheu o ramen—como sempre.

O tsukemen era tentador, claro, mas Monzo tinha uma regra: um prato por visita. Era uma questão de respeito. O mínimo que podia fazer era dedicar corpo e alma a saborear um único ramen.

Quando entregou o bilhete, o funcionário perguntou se tinha alguma preferência. Uma pergunta traiçoeira.

— Normal, por favor.

Monzo era do tipo que aceitava tudo que fosse delicioso. Acreditava que o sabor padrão de um restaurante, aquele servido a quem não pede nada específico, era a verdadeira essência do lugar.

Então, esperou em silêncio, observando discretamente o preparo. Apesar de ser sábado, estava vazio. A bênção de um restaurante que funcionava vinte e quatro horas. Maravilhoso.

Ohhh…! Lá vem! Lá vem! Lá vem!

O tempo ali era estranho. Podia ter passado uma eternidade ou apenas um instante. O momento em que o ramen foi servido parecia sagrado. Monzo juntou as mãos diante da tigela fumegante.

— Agradeço pela refeição.

Não podia gritar, por mais que quisesse. Seria desrespeitoso. Ele pegou a colher de porcelana, levou o caldo aos lábios e…

… Niboshi!

Era niboshi!

Uma perfeita revolução niboshi!

Depois, os macarrão.

…Sim! Essa textura elástica! É incrível! O sabor do niboshi envolve cada fio… eles se tornam um só. Eu… eu nem sei o que dizer…

As lágrimas vieram. O suor também. Ele enxugou os olhos com um lenço, sem se importar.

Esse ramen tem mais de um tipo de macarrão?

Entre os macarrão, havia ittanmen—lâminas largas de massa, com uma textura singular.

Certo… o primeiro ittan… devagar…

Ele o puxou com os hashis, levou à boca.

— Ohhh…!

Um gemido escapou.

Perfeito! Isso… isso é delicioso! Não, mais que delicioso—é destino!

O chashu também era divino. Não aquele tipo que absorve o caldo ao redor, mas uma carne gordurosa, suculenta, pura e pecaminosa.

Agora, o chashu…

Ele mordeu.

Paraíso.

Com um pedaço inteiro dessa carne, sentia que poderia sobreviver ao fim do mundo. Não só isso—governar sobre ele.

Tudo é bom demais. Um pecado. Um pecado profundo…

Enquanto devorava o ramen, o ittanmen, o chashu, e tomava o caldo até a última gota, um medo suave começou a nascer dentro dele.

Será que algum dia sentiria uma felicidade maior que essa?

Era tão absurdamente delicioso que sua mente atravessou o êxtase e chegou ao trágico—o medo de ter encontrado o auge da vida cedo demais.

Cena #22: Na Estação do Norte

Monzo só tinha ido àquele restaurante de ramen uma vez. Foi durante uma viagem. Seus pais também amavam ramen—visitar aquele lugar era um dos objetivos da viagem.

Nunca mais.

O restaurante, chamado Station, havia fechado.

Ele mal se lembrava de como era o lugar por fora ou o interior, mas uma coisa era certa: ele pedira miso ramen.

Esse ramen é incrível…

No instante em que o viu, o jovem Monzo ficou chocado. O caldo parecia uma gelatina—uma fina camada de gordura solidificada cobria a superfície.

Quente…!

Ele tomou um gole—e foi como engolir o sol. Estrelas explodiram diante dos seus olhos. Lembrava-se de reclamar para os pais: — Não dá pra comer isso!

Seu pai respondeu: — Espera esfriar.

Mas o caldo não esfriava nunca. A gordura impedia o calor de escapar. O lugar ficava no extremo norte do país, onde o ar era frio e seco. Talvez por isso tivessem criado um ramen que jamais ficava morno.

Demorou uma eternidade até conseguir começar a comer. Seus pais sugeriram colocar um pouco em outro prato, mas Monzo recusou firmemente. Mesmo pequeno, acreditava que ramen se comia direto da tigela—era uma questão de respeito.

Quando finalmente pôde comer, devorou o miso ramen em segundos.

Nunca comi nada assim…!

O sabor era intenso. Tinha as cinco essências—doce, salgado, azedo, picante e umami. E se existisse um sexto gosto, a riqueza, o Station a tinha em abundância.

O que havia ali? Como era feito? O jovem Monzo não tinha como entender—só sabia que o sabor vinha em ondas, fundo, profundo, infinito.

Miso! Miso! Isso é miso! Aquela sopa de miso… aquilo não é miso! Isto! Isto é o verdadeiro miso!

Ele amava a sopa de miso da mãe, sempre cheia de legumes e tofu, mas depois daquele ramen, nada mais se comparava.

Como pôde ser tão fraca?

Sopa de miso? Não. Isso era uma blasfêmia. Se não fosse ramen, nem merecia o nome miso.

Ali estava a verdade. O miso primordial.

No princípio era o miso, e o miso criou o mundo.

Deus estava morto—e em seu lugar reinava o miso, onisciente e onipotente.

Foi para isso que inventaram a palavra “delicioso”.

Ele se lembrava com clareza de ter pensado isso.

Monzo sempre gostara de ramen, mas foi ali que nasceu sua verdadeira paixão. Percebeu quantas casas de ramen existiam no mundo—e toda vez que via uma, pensava: Que sabor será que eles servem? Que tipo?

Ou talvez nem fosse um tipo que pudesse ser classificado.

Desde aquele dia, ele pensava em ramen o tempo todo.

O miso ramen do Station foi o seu despertar.

Monzo implorou inúmeras vezes para os pais levarem-no de volta.

Mas não era o tipo de lugar que se alcançava num fim de semana. Era uma cidade distante, separada por mar e avião. Sua família não era pobre, mas tampouco rica. E havia o trabalho dos pais—só podiam fazer uma viagem curta por verão.

Antes que conseguissem voltar lá, o Station fechou as portas.

Nunca mais provaria aquele miso ramen.

Mas sabia que ainda existiam outros restaurantes que seguiam a mesma tradição.

Da próxima vez, ele visitaria um deles.

E talvez, só talvez, reencontrasse o sabor do miso original.


Tradução: ParupiroHPara estas e outras obras, visite o Cantinho do ParupiroH – Clicando Aqui


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