Hai to Gensou no Grimgar â CapĂtulo 15 â Volume 12
Hai to Gensou no GrimgarGrimgar of Fantasy and Ash
Light Novel Online – CapĂtulo 15:
[Negociador]
NĂŁo havia barracas, nem lojas, nem nada. Tudo estava destruĂdo.
Humanos, orcs e diversas outras raças jaziam caĂdos, cobertos de sangue. Muitos estavam esmagados, outros haviam perdido partes do corpo. Braços, pernas e atĂ© cabeças rolavam pelo chĂŁo. NinguĂ©m jamais imaginaria que os dragĂ”es atacariam o mercado de emergĂȘncia.
âEi, isso Ă© estranho, eles estĂŁo vindo para cĂĄ!â
Quando alguém gritou isso, jå era tarde demais.
Era uma cena terrĂvel.
Os trĂȘs dragĂ”es jĂĄ tinham partido, agora voavam em cĂrculos sobre Roronea.
â Precisamos ajudar os sobreviventes â disse Mary.
Parecia ser o mais sensato a fazer, então se dividiram para procurå-los. No entanto, antes que pudessem fazer muito, os dragÔes desceram novamente, e tudo virou um inferno.
NĂŁo era seguro ficar na cidade. A Ășnica opção era fugir para a floresta densa. Mas a floresta era segura? NĂŁo havia garantia de que os dragĂ”es nĂŁo entrariam ali, entĂŁo talvez fossem forçados a enfrentĂĄ-los. Começaram a se preparar para isso, mas os dragĂ”es nunca chegaram a entrar na floresta.
Muitas pessoas do mercado de emergĂȘncia fugiram para Roronea, e os dragĂ”es focaram nelas. Fumaça subia de vĂĄrios pontos da cidade, e atĂ© da floresta era possĂvel ouvir gritos.
No fim das contas, até os dragÔes irem embora, depois do meio-dia, tudo o que Haruhiro e os outros puderam fazer foi se esconder na floresta, segurando a respiração.
Quando finalmente saĂram para procurar sobreviventes no mercado de emergĂȘncia, nĂŁo encontraram ninguĂ©m vivo. E, enquanto ainda estavam procurando, os dragĂ”es voltaram, forçando-os a fugir novamente para a floresta.
Parecia que os dragÔes estavam voltando de suas åreas de pesca, jå de estÎmagos cheios. Mesmo assim, ainda causaram destruição em Roronea antes de retornarem aos seus ninhos ao anoitecer.
SĂł quando a noite caiu foi possĂvel entender a dimensĂŁo do estrago.
Devastador era a Ășnica palavra para descrever. SĂł entre os mortos confirmados, havia mais de oitenta pessoas. Outras trezentas estavam feridas.
Houve relatos de muitas pessoas que, em pĂąnico, correram pelas ruas e se jogaram no mar, nos pĂeres e cais. Isso resultou em uma destruição especialmente grande na ĂĄrea portuĂĄria. Os pĂeres nÂș 1, nÂș 3 e nÂș 4 foram completamente destruĂdos, enquanto os cais nÂș 1 e nÂș 2 sofreram danos severos. O Ășnico que ainda estava razoavelmente intacto era o pĂer nÂș 5.
Os armazĂ©ns prĂłximos ao porto tambĂ©m foram destruĂdos pelos dragĂ”es, e uma grande quantidade de grĂŁos, carne salgada, peixe, vegetais em conserva, frutas e bebidas foi perdida.
Foi um golpe devastador para Roronea. E não havia garantia de que os dragÔes não voltariam no dia seguinte.
Com o pĂŽr do sol, os piratas começaram a brigar por dinheiro, comida e ĂĄgua. Alguns, em desespero, atacavam qualquer um que viam pela frente. Os navios que estavam ancorados longe da costa, temendo os dragĂ”es, correram para o pĂer nÂș 5, causando um caos total.
Para tentar controlar os piratas, Giancarlo, Momohina e Jimmy corriam de um lado para o outro. Mas nem quando as nuvens, que haviam se acumulado desde a tarde, começaram a despejar chuva sobre a cidade, Roronea deu sinais de que voltaria ao normal.
JĂĄ nĂŁo havia razĂŁo para permanecer ali. Ficar em Roronea era perigoso demais.
Sob a chuva, Haruhiro e sua party decidiram se retirar e voltar Ă parede rochosa de antes.
O pirata runaruka Tsiha os acompanhou.
Ao chegarem, Honey Den pareceu surpreso ao vĂȘ-los.
â Mmpf, mmpf, mmpf, mmpf!
Na verdade, talvez nĂŁo fosse surpresa.
Com as mĂŁos amarradas nas costas, a boca amordaçada, os joelhos e tornozelos presos por cordas e uma outra corda amarrada em sua cintura, prendendo-o a uma saliĂȘncia na rocha, ele devia, no mĂnimo, estar um pouco aliviado.
Ele provavelmente estava com fome, e agora estava chovendo, o que tornava sua situação ainda pior. Mas, considerando o quanto continuava resmungando âMmpf, mmpf, mmpf, mmpf!â sem parar, atĂ© que nĂŁo estava tĂŁo mal assim.
Por que tinham voltado Ă parede rochosa?
Uma das razĂ”es era que haviam deixado Honey Den ali quando retornaram a Roronea. A situação de emergĂȘncia nĂŁo lhes deu escolha, mas, mesmo assim, Haruhiro sentia que aquilo tinha sido um pouco cruel. Se simplesmente o deixassem daquele jeito, teria dificuldades para dormir Ă noite.
Desamarraram apenas a corda em sua cintura e os laços em suas pernas, levando Honey Den para um lugar fora da chuva. Havia uma caverna conveniente não muito longe dali, então decidiram descansar ali.
Ninguém tinha muito a dizer. Kuzaku pediu permissão para se deitar e logo caiu no sono.
Os resmungos abafados de Honey Den estavam começando a irritar, então Haruhiro retirou a mordaça e apenas escutou seus lamentos suplicando por comida. Quando lhe deram um pouco de ração portåtil, ele finalmente se calou.
Lå fora, começava a clarear. A chuva ainda não tinha parado. Segundo Tsiha, em dias de chuva, os dragÔes tendiam a não sair do ninho. Se fosse verdade, podiam ao menos respirar um pouco.
Haruhiro se levantou com certo esforço.
â A noite acabou, entĂŁo acho que estĂĄ na hora de sair para procurar.
â Ainda assim, nĂŁo sabemos em que buraco estĂĄ, certo? â Setora comentou. â Pior ainda, pode nem estar aqui.
Ela podia estar certa. Mas também podia estar errada.
Haruhiro olhou da entrada da caverna para as rochas lĂĄ fora. A chuva devia ter lavado boa parte dos vestĂgios, entĂŁo seria difĂcil encontrar os restos de Ben. Mas quando Haruhiro perguntou ao falecido Ben, naquele momento antes de sua morte, onde estava o tesouro, a resposta que recebeu foi: âNĂŁo estĂĄ aqui, seu idiota.â
Fazia sentido. Haruhiro acreditava no morto.
Pensando bem, tudo aquilo era um mistério. Ele havia sido descuidado, não estava raciocinando direito. Ben tinha todos os motivos para chamå-lo de idiota.
Benjamin Fry nunca tinha sido um homem honesto. Pelo contrĂĄrio, enganava os outros facilmente, contando mentiras improvisadas sem hesitar. Esse era o tipo de pessoa que ele era. Se dissesse que algo era branco, o certo era partir do princĂpio de que era preto.
â Se nĂŁo estĂĄ aqui, nĂŁo estĂĄ aqui, e seguimos a partir disso â disse Haruhiro. â Por enquanto, fiquem aqui. Eu posso fazer isso sozinho.
Haruhiro saiu da caverna.
De longe, nĂŁo era possĂvel ver nada, mas ainda havia vestĂgios de sangue e carne de Ben grudados nas rochas. Isso significava que o lugar certo era logo acima.
Haruhiro subiu cuidadosamente pela parede rochosa, escorregadia por causa da chuva. Quando chegou ao buraco, o interior estava quase completamente escuro. Bem, daria um jeito.
Moveu de lado pedaços de madeira e galhos que os påssaros marinhos tinham trazido para fazer ninhos, além de outros objetos que não conseguiu identificar. Continuou procurando.
Era impressĂŁo sua, ou sentia o cheiro do morto de tempos em tempos?
Aquele homem tinha dormido ali. Sua cabeça ficava por aqui.
E suas costas. NĂŁo, sua cintura ficava por aqui. Quando Ben dos Olhos Vermelhos se deitava para dormir, sua bunda ficava exatamente… aqui.
Era macio. Ou melhor, havia um rebaixo ali. Ben cavara um buraco e depois o cobriu com galhos e outras coisas.
Quando Haruhiro retirou tudo aquilo, encontrou.
Ali estava.
Um saco feito de cĂąnhamo grosso, ou um material semelhante.
Puxou o saco. Abriu.
Engoliu seco… e logo em seguida vomitou um pouco.
â Ă isso â murmurou.
Fechou o saco e o colocou sobre o ombro.
Ao sair do buraco, viu Kuzaku, Mary, Setora e Kiichi lĂĄ embaixo. Yume, Shihoru e Tsiha provavelmente estavam cuidando de Honey Den.
â Encontrei â anunciou Haruhiro.
â Huh… â murmurou Mary.
â Nyaa? â Kiichi inclinou a cabeça.
â O que vocĂȘ disse? â perguntou Setora.
Kuzaku ficou boquiaberto.
â SĂ©rio?
Todos ficaram surpresos. Haruhiro também, de vårias maneiras.
Que idiota ele tinha sido. Deveria ter assumido desde o inĂcio que, se Ben dos Olhos Vermelhos disse que nĂŁo estava ali, entĂŁo o oposto era verdade. E se um homem tĂŁo suspeito quanto ele fosse esconder algo, onde seria? O buraco onde dormia era obviamente o lugar mais suspeito.
Haruhiro desceu a parede rochosa e voltou para a caverna junto com Kuzaku e os outros.
No instante em que viu o saco que Haruhiro carregava, Honey Den exclamou: â Ah!
Haruhiro abriu o saco novamente.
A grande quantidade de grama seca dentro dele servia como isolamento? De certa forma, Ben tinha tomado cuidado com aquilo.
Haruhiro afastou a grama.
Era brilhante. Um verde profundo. Se o vissem sob a luz do sol, sem dĂșvida pareceria um verde radiante.
O ovo. Tinha, de fato, o formato de um ovo. Em seu ponto mais largo, devia ter um diĂąmetro de cerca de vinte centĂmetros. NĂŁo era pequeno, mas, considerando que era de um dragĂŁo, parecia que poderia ser maior.
Haruhiro tentou dar um peteleco nele com o dedo. Era duro. Como uma rocha. NĂŁo parecia que iria arranhar facilmente.
Ele tentou levantĂĄ-lo.
â Pesado…
Era praticamente uma pedra. Tinha o peso de uma.
Mary pousou a mĂŁo sobre o ovo e fechou os olhos.
â EstĂĄ muito frio. Pode ser um ovo de verdade, mas eu nĂŁo esperaria que chocasse.
â EstĂĄ petrificado ou algo assim? â Shihoru perguntou, olhando mais para a expressĂŁo de Mary do que para o ovo.
â Pode ser. â Mary abriu os olhos apressada e puxou a mĂŁo de volta. â NĂŁo tenho certeza. Foi sĂł a sensação que tive.
Kuzaku cruzou os braços e assentiu.
â Isso significa que nĂŁo dĂĄ para comer, nĂ©?
â VocĂȘ quer comer isso? â Haruhiro perguntou, perplexo.
Mas Kuzaku virou-se para ele com a maior seriedade e respondeu: â HĂŁ? VocĂȘ nĂŁo teria curiosidade de experimentar?
â NĂŁo, nem um pouco.
â Oooohhh. Bem, esse Ă© o seu jeito, afinal. VocĂȘ Ă© bem conservador com o que estĂĄ disposto a comer.
â NĂŁo acho que esse seja o problema aqui…
â Ouçam bem, esse negĂłcio vale 5.000 moedas de ouro. â Honey Den falou como se tivesse acabado de morder algo amargo.
â Fuuu… â Yume esticou o pescoço. â Cinco mil? Mmmm?
â Ouro?
Haruhiro quase deixou o ovo cair de surpresa, e Kuzaku deu um pulo para trĂĄs.
â C-Cinco mil! Cinco mil moedas de ouro?! Isso Ă© um monte de dinheirama! Nem sei direito o que Ă© uma âdinheiramaâ, mas Ă© um monte!
â Foi o que Ben me disse, pelo menos â Honey Den comentou. â NĂŁo sei se Ă© verdade. Mas mesmo cem moedas de ouro jĂĄ seriam o bastante para a gente viver sossegado. Esse era o plano…
Honey Den deixou os ombros caĂrem e começou a murmurar pragas. Era impressionante que, mesmo naquela situação, ele ainda conseguisse lamentar sua mĂĄ sorte.
â VocĂȘ tem noção de que um monte de gente morreu por causa de vocĂȘs dois, nĂ©? â Haruhiro rosnou.
â NĂŁo foi ideia minha. AlĂ©m do mais, mesmo sem a minha ajuda, Ben teria feito tudo sozinho. A culpa Ă© dele. Se nĂŁo fosse ele, nada disso teria acontecido. TĂŽ errado?
â âTĂŽ errado?â â Setora lançou um olhar frio para Honey Den.
Kiichi também estava encarando o homem, ameaçador.
â Haru, jĂĄ deu desse cara â disse Setora, impiedosa. â NĂŁo seria melhor acabar logo com ele? Ele sĂł vai atrapalhar. AlĂ©m disso, Ă© uma pessoa horrĂvel.
â N-NĂŁo fala isso! â Honey Den se encolheu. â E-Eu posso ser Ăștil, tĂĄ bom?!
â Duvido muito.
â NĂŁo, Ă© sĂ©rio! Foi por isso que Ben me chamou pra isso!
â VocĂȘ nĂŁo acabou de dizer que ele poderia ter feito tudo sozinho?
â I-Isso foi sĂł, uh, uma forma de dizer, tĂĄ legal?
SerĂĄ que jĂĄ tinham resolvido tudo com ele, ou nĂŁo? Era uma decisĂŁo difĂcil. Mesmo que tivessem, Haruhiro nĂŁo via necessidade de matĂĄ-lo, mas tambĂ©m nĂŁo queria continuar olhando para a cara dele. O que fazer?
â Tsiha, esse negĂłcio… jĂĄ viu algo assim antes? â Haruhiro perguntou, sĂł para ter certeza.
Tsiha ficou em silĂȘncio por um tempo, observando o ovo, e entĂŁo balançou a cabeça.
â NĂŁo â respondeu por fim. â Mas, provavelmente, ovo de dragĂŁo. Para dragĂŁo, devolver bom. NĂŁo devolver, dragĂŁo ficar com raiva.
â Como a gente faz pra devolver? â Yume arqueou as sobrancelhas e abraçou os joelhos. â Os dragĂ”es tĂŁo furiosos, sabe? Tipo, imagina se a Yume levasse o ovo pra eles, nĂ©? A Yume ia ser devorada todinha, nĂŁo ia?
â E se a gente sĂł deixasse em algum lugar? â Kuzaku sugeriu, entĂŁo deu dois ou trĂȘs tapas na prĂłpria cabeça. â NĂŁo dĂĄ, nĂ©? Espera, nĂŁo dĂĄ mesmo? Sei lĂĄ, mas tenho a sensação de que, de qualquer forma, eles nĂŁo vĂŁo parar de atacar a cidade. Eles tĂŁo fora de si.
â E tambĂ©m nĂŁo podemos mais sair de navio… â Shihoru olhou para fora da caverna, soltando um suspiro profundo.
â Devolver, hein… â Haruhiro murmurou para si mesmo.
â Devolver… â Kuzaku repetiu, olhando para o teto da caverna.
â Devolver…? â Yume inclinou a cabeça noventa graus para o lado. â Se a Yume tivesse que devolver uma coisa pra alguĂ©m, ela iria atĂ© essa pessoa, nĂ©?
â Ir atĂ© eles… â Mary abaixou o queixo e fitou o chĂŁo. â Ao ninho dos dragĂ”es?
â E-Eu nĂŁo quero! â Honey Den gritou e tentou sair correndo da caverna.
Setora imediatamente varreu as pernas dele, derrubando-o. O chĂŁo rochoso estava longe de ser plano, e Honey Den soltou um grito enquanto sua cara ficava toda arranhada.
â N-NĂŁo, eu nĂŁo quero ir lĂĄ â gemeu o pirata. â Se for pra voltar Ă quele lugar, prefiro morrer. NĂŁo, espera, talvez eu esteja exagerando. NĂŁo posso morrer antes de dormir com um monte de mulheres gostosas e comer doce atĂ© minhas bochechas afundarem…
â O que hĂĄ de errado com esse cara? â Setora nĂŁo estava apenas desgostosa; ela chegou a estremecer um pouco.
Sério, o que tinha de errado com ele?
Se o deixassem solto, Honey Den provavelmente rastejaria para fora da caverna, então Haruhiro plantou um pé nas costas dele, sem ter uma alternativa melhor.
â Gyauagh?! Seu monstro desumanoooo!
â Ah, cala a boca… E nĂŁo quero ouvir isso de vocĂȘ.
â EntĂŁo me solta. Me deixa livre. Se fizer isso, vou lembrar de vocĂȘ como um santo.
â Se comporte. Quer ser jogado pros dragĂ”es?
â D-Desculpa! N-NĂŁo vai acontecer de novo, me perdoa, por favor, tenha piedade…
Mesmo só pisando nele, Haruhiro sentia que seu coração se sujava um pouco mais a cada segundo. Mas, se tirasse o pé, esse cara com certeza tentaria fugir.
â VocĂȘ diz que nunca quer voltar lĂĄ, mas nem chegou a entrar, certo? â Haruhiro questionou. â O Ben entrou sozinho no ninho dos dragĂ”es e conseguiu sair inteiro.
â Aquele desgraçado era meio esquisito. Da cabeça, sabe. Eu sou sĂŁo…
â Mas vocĂȘ sabe o caminho, nĂ©?
â SĂł atĂ© a entrada. Depois disso, nĂŁo tem mapa nem nada. Entrar lĂĄ nĂŁo Ă© coisa que uma pessoa sĂŁ faça.
â Mas, Haru… â Setora olhou para Honey Den como se estivesse olhando para um monte de esterco.
VocĂȘ nĂŁo precisa encarar ele assim, Haruhiro pensou. Poucas pessoas sĂŁo tĂŁo inĂșteis quanto esse cara.
â A gente tem mesmo obrigação de ir tĂŁo longe? â Setora perguntou. â Agora que encontramos o ovo, podemos dizer que descobrimos o motivo dos ataques dos dragĂ”es a Roronea. Nosso trabalho acaba aqui.
â VocĂȘ estĂĄ certa, Setora â Haruhiro respondeu. â Ă exatamente como vocĂȘ disse, mas…
A chuva ainda caĂa. SerĂĄ que tinha diminuĂdo um pouco? SerĂĄ que os dragĂ”es iriam voar hoje? O que tinha acontecido com os navios que correram para o PĂer nÂș 5? A maioria provavelmente nĂŁo conseguiu partir. NĂŁo era sĂł a chuva, o vento tambĂ©m estava forte. O mar estava agitado.
Roronea era uma cidade pirata. Os suprimentos que consumiam vinham principalmente por mar. Se os navios não pudessem mais navegar, a população morreria de fome rapidamente. Serå que poderiam pescar para comer? Poderiam tentar caçar na floresta também, mas os runarukas não aceitariam isso.
Haruhiro precisava ter em mente que esse problema não afetava apenas os ilhéus. A party estava nessa ilha. Isso os afetava também.
Eles deveriam se encontrar com Giancarlo ou Jimmy. Haruhiro também queria ouvir a opinião dos runarukas. Ele decidiu pedir a Tsiha para chamar seu irmão mais velho, Mwadan, o próximo na linha de sucessão para chefe da tribo.
Kuzaku se ofereceu para ir com Tsiha, enquanto Haruhiro correu até Roronea para encontrar Giancarlo.
A cidade estava em ruĂnas. Era melhor presumir que qualquer pessoa nas ruas era um saqueador. Quando se esgueirou atĂ© o porto, ainda havia vĂĄrios navios atracados no PĂer nÂș 5, e uma multidĂŁo se reunia ali. Eles discutiam acaloradamente sobre alguma coisa.
Ao se aproximar, Haruhiro viu que Giancarlo estava gritando com os piratas, e eles gritavam de volta. A qualquer momento, a discussĂŁo poderia virar pancadaria.
Quando Momohina se meteu entre eles, os piratas imediatamente se curvaram. Parecia que a situação tinha sido resolvida pacificamente.
Jimmy também estava ali.
Haruhiro tentou falar com ele.
â Chefe de Seção.
â Oh. VocĂȘ, hein. Bom ver que ainda estĂĄ vivo.
â VocĂȘ parece exausto â comentou Haruhiro. â EstĂĄ bem?
â Sou um morto-vivo, faz parte do pacote. Tinha algo para me dizer?
Haruhiro sussurrou um relato sobre como haviam encontrado o ovo. EntĂŁo, ficou decidido que nĂŁo apenas Jimmy, mas tambĂ©m Momohina os acompanharia para confirmar se o objeto era genuĂno e, a partir daĂ, discutiriam os prĂłximos passos.
NĂŁo muito depois de saĂrem de Roronea, os dragĂ”es alçaram voo, mesmo sob a chuva.
Se os dragĂ”es destruĂssem tambĂ©m o PĂer nÂș 5, ficariam seriamente sem opçÔes para sair da ilha. NĂŁo, Haruhiro nĂŁo era otimista o suficiente para pensar que isso nĂŁo poderia acontecer. Pelo contrĂĄrio, esperava que fosse.
Giancarlo e seu pessoal jå tinham meio que desistido. Talvez fosse pelo cansaço, mas mesmo ao verem os dragÔes, não pareceram particularmente surpresos ou preocupados com o futuro.
Quando chegaram, Tsiha e Kuzaku jĂĄ haviam voltado com Mwadan. Mwadan estava furioso com Honey Den e disse que ele deveria ser oferecido como sacrifĂcio em algum tipo de ritual, mas conseguiram convencĂȘ-lo a adiar isso por enquanto.
O primeiro ponto a ser decidido era o que fazer com o ovo de dragĂŁo. Mwadan acreditava que deveria ser devolvido ao seu verdadeiro dono.
â Se isso Ă© ovo de dragĂŁo ou nĂŁo, eu nĂŁo sei â disse Mwadan. â Mas Ă© importante para dragĂ”es. Sem dĂșvida. Runarukas punem ladrĂ”es. Quem rouba, faz devolver. Coisas roubadas, devolvidas ao lugar de onde vieram. Depois, punição. Humanos fazem o mesmo. DragĂ”es fazem o mesmo. Devolver coisas roubadas. Sem outra escolha.
â Concordo mais ou menos â disse Giancarlo, levantando a mĂŁo. â Bem, nĂŁo vamos saber se isso resolve o problema atĂ© tentarmos. Parece ser a Ășnica forma de mostrar nosso arrependimento sincero para os dragĂ”es.
â Mewwww. Vamos fazeeeer issoooo! â Momohina se virou para Haruhiro e estendeu as duas mĂŁos para ele. â OkĂȘĂȘĂȘ!
Haruhiro, instintivamente, respondeu: â OkĂȘ.
E colocou a mĂŁo esquerda sobre as palmas de Momohina. SerĂĄ que estava fazendo certo?
â NĂŁĂŁĂŁo. Assim nĂŁo! Me dĂĄ o ovo de dragĂŁozinhĂŽĂŽĂŽ!
â Ah…
Ele nĂŁo sabia se ela deveria estar chamando o ovo assim, mas entregou o ovo a Momohina, bolsa e tudo.
Mas serĂĄ que isso estava certo?
Haruhiro olhou para Shihoru. Sempre que se via em apuros, procurava Shihoru em busca de salvação. Jå tinha virado håbito. Shihoru olhou nos olhos dele e assentiu.
â Nngh! Ovo de dragĂŁozinhĂŽĂŽĂŽ! â insistiu Momohina.
Haruhiro puxou a bolsa de volta no Ășltimo instante, antes de colocĂĄ-la nas mĂŁos dela.
â NĂŁo.
â Nyo…?
â NĂŁo posso entregar. Ainda nĂŁo recebemos nossa recompensa.
â Sobre isso… â Giancarlo começou a dizer, mas Haruhiro o interrompeu com um: â Eu sei.
â NĂŁo dĂĄ para enviar um navio para nos levar atĂ© Vele nesta situação, certo? Mais do que isso, se nĂŁo fizermos algo sobre os dragĂ”es, nĂŁo sabemos o que vai acontecer amanhĂŁ.
Giancarlo franziu a testa e deu de ombros.
Haruhiro continuou pressionando.
â Vamos ajudar a devolver o ovo ao ninho dos dragĂ”es. Mas precisamos de uma recompensa melhor. A Companhia Pirata K&K estĂĄ faturando alto, certo? VocĂȘs tĂȘm dinheiro. Ah, e de acordo com o que Honey Den nos disse, um ovo de dragĂŁo vale 5.000 moedas de ouro.
Tradução: ParupiroHPara estas e outras obras, visite o Cantinho do ParupiroH â Clicando Aqui
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