Hai to Gensou no Grimgar â CapĂtulo 08 â Volume 5
Hai to Gensou no GrimgarGrimgar of Fantasy and Ash
Light Novel Online – CapĂtulo 08:
[Vamos Descer a Colina]
Estou bem em ser medĂocre. SĂł me deixem ser mais decisivo, pensou Haruhiro. Quero me tornar um lĂder que possa tomar decisĂ”es instantĂąneas e nĂŁo deixar meus companheiros se sentirem inseguros. Provavelmente, nĂŁo serei do tipo que faz os outros pensarem: âQuero segui-loâ, mas quero ser, pelo menos, o tipo de lĂder que faz com que pensem: âBem, acho que vou segui-loâ.
Isso parece bem difĂcil, no entanto.
Mais um passo e eles estariam no Reino do CrepĂșsculo, e mesmo assim os olhos de Haruhiro ainda pareciam sonolentos. NĂŁo… ele nĂŁo conseguia vĂȘ-los, mas sabia que provavelmente estavam. Eles tinham que estar.
A sensação de tensĂŁo, a indecisĂŁo, o arrependimento, a vontade de dizer: Ă, melhor nĂŁo fazermos isso, e o pensamento de: NĂŁo, temos que fazer isso, estavam todos se misturando. Em momentos como este, os olhos de Haruhiro pareciam ainda mais sonolentos que o normal. Ele sabia disso.
Claro, nĂŁo era que ele estivesse com sono. Ele tinha certeza de que, neste momento, mesmo se Shihoru o acertasse com seu feitiço Sleepy Shadow, ele nĂŁo sentiria nem um pouco de sonolĂȘncia.
Apesar disso, seus olhos pareciam sonolentos.
Ele nĂŁo poderia parecer menos preparado.
â Foi mal, Haruhiro, Ă© minha culpa. â disse Kikkawa, aparentando estar genuinamente arrependido.
â Bem, Ă©, isso foi culpa sua mesmo. â Ranta deu uma risada nasal. â Deixa eu te dizer, Kikkawa. Esse favor vai te custar caro, cara. Ă melhor vocĂȘ entender isso.
â Ah, pare com isso! â Yume cutucou Ranta no ombro. â VocĂȘ nĂŁo deveria dizer coisas assim. O Kikkawa tĂĄ passando por um momento difĂcil agora.
â Yumecchi… â Kikkawa se emocionou. Parecia que ele realmente estava se sentindo fraco neste momento.
â A magia… estĂĄ funcionando â Shihoru disse, assentindo para Haruhiro. â Consigo sentir os elementais. EstĂĄ tudo bem.
â Vou defender a Shihoru com tudo o que eu tenho. â Mary bateu o cajado no chĂŁo.
â Quanto a mim… â Kuzaku abaixou a viseira do seu elmo fechado. â …vou proteger todos.
â Vamos com calma. â Haruhiro coçou a parte de trĂĄs da cabeça. â …Hmm. NĂŁo, isso nĂŁo estĂĄ certo. Estou tentando dizer para nĂŁo ficarem tĂŁo tensos, talvez. Acho que Ă© a mesma coisa. Bem, sĂł para garantir que entendam o que quero dizer, nĂŁo sejam imprudentes. Desculpe, Kikkawa, mas se as coisas derem errado, pretendo recuar. AlĂ©m disso, temos algumas vantagens sobre os Tokkis.
â NĂłs temos a mim! O grande Ranta-sama! â Ranta estufou o peito com orgulho.
â Primeiro, temos informaçÔes. â Haruhiro, naturalmente, o ignorou. â Os cultistas. Os gigantes brancos. Sabemos que hĂĄ inimigos aqui. Podemos ficar em alerta. Kikkawa tambĂ©m se lembra do caminho para as ruĂnas. TambĂ©m estamos cientes de que magia de luz e, embora esta seja sĂł um extra, magia das trevas nĂŁo funcionam.
â E temos a mim! â Ranta girou e fez uma pose estranha.
â AlĂ©m disso, temos nossa quantidade. â Haruhiro, obviamente, o ignorou de novo. â NĂŁo temos ninguĂ©m como a Anna-san, que precisa de proteçãoâNĂŁo, brincadeira, mas temos o Kikkawa, entĂŁo temos um a mais. Kikkawa, vocĂȘ Ă© um tanque, certo?
â Ă â Kikkawa assentiu. â Tokimune-san Ă© um paladino com escudo e tudo mais, mas ele nĂŁo parece ser muito um tanque, nĂ©? Ă por isso que eu sou o nosso tanque principal.
â Bem, junto com o Kuzaku, teremos dois tanques â disse Haruhiro. â Por enquanto, Kuzaku serĂĄ o principal, e Kikkawa serĂĄ o tanque secundĂĄrio.
â Certo â disse Kuzaku.
â Tudo bem â disse Kikkawa.
â Agora, quanto Ă terceira vantagem…
â Sou eu, nĂ©?! â Ranta interrompeu.
â Ă, isso mesmo, Ă© vocĂȘ, Ranta â disse Haruhiro. â Podemos te sacrificar a qualquer momento que precisarmos. Essa Ă© uma grande vantagem.
â Wahahahahaha… NĂŁo Ă©? Quer dizer, eu souâ â Ranta parou. â Espera, me sacrificar?! Eu devia era te sacrificar! Morra!
â AlĂ©m disso, hĂĄ mais uma vantagem â Shihoru disse, apontando para Haruhiro. â Um lĂder cauteloso.
â HĂŁ? â Haruhiro piscou. Agora, acho que meus olhos nĂŁo estĂŁo sonolentos.
â HĂĄ hĂĄ! Ahahaha! â Kikkawa, que estava deprimido todo esse tempo, parecia um pouco mais animado ao soltar uma risada curta. â VocĂȘ pode dizer isso de novo. Quando pegamos o ritmo e vamos sĂł boom, boom, boom, somos invencĂveis, mas quando tropeçamos, bem… podemos ser bem fracos, sabe. Harucchi, sua party parece bem estĂĄvel. Talvez sua falta de entusiasmo seja algo positivo nisso.
â O que hĂĄ de positivo nisso?! â Ranta berrou, parecendo prestes a vomitar de desgosto. â Ă claramente um negativo! Ele Ă© um peso morto! Ă como estar num funeral todos os dias! Tente se colocar no meu lugar!
â Facilita pra mim â Kuzaku virou a cabeça lentamente.
â Pra mim tambĂ©m. â Mary levantou uma mĂŁo.
â E pra mim â Shihoru sorriu.
â Yume tambĂ©m. Ă fĂĄcil e leve, e isso Ă© muito bom, nĂŁo Ă©?
â A Ășnica coisa leve Ă© dentro da sua cabeça, Yume! â gritou Ranta. â SĂł vocĂȘ, com seus peitos pequenos, pensa assim!
â NĂŁo chame eles de pequenos!
â Se vocĂȘ nĂŁo gosta, tenta esfregar eles atĂ© ficarem grandes! â gritou Ranta.
â Quando a Yume esfrega os peitos, ela começa a se sentir estranha, entĂŁo nĂŁo! â ela retrucou.
â …O quĂȘ, vocĂȘ jĂĄ tentou esfregar? â Ranta perguntou, surpreso.
â Eles sĂŁo da Yume, se a Yume quiser esfregar, ou fazer qualquer outra coisa com eles, isso Ă© problema da Yume â ela respondeu.
â B-Bem, sim, mas nĂŁo foi isso que eu quis dizer…
â Pervertido. â Mary lançou um olhar gĂ©lido para Ranta.
â Tarado. â Shihoru olhou para Ranta com desprezo.
Parece que todo mundo estå começando a se animar.
Embora, na verdade, Haruhiro jå tivesse pensado que sua presença era uma das vantagens que eles tinham.
NĂŁo como lĂder, mas como um ladrĂŁo ativo e como um batedor. O prĂłprio Haruhiro pensava que sua personalidade se encaixava bem em ser um ladrĂŁo. Ele talvez nĂŁo fosse tĂŁo bom em combate, mas em exploração ou espionagem, ele achava que poderia ser bastante Ăștil.
Deixando de lado a autoavaliação de Haruhiro, ele ficava feliz em receber elogios de seus companheiros. Isso o ajudava a se motivar.
â Harucchi. â Kikkawa deu um leve tapa com a parte de trĂĄs da mĂŁo enluvada no ombro de Haruhiro. â Vou deixar a decisĂŁo de quando recuar com vocĂȘ, e vou obedecer. Por enquanto, pode me considerar como um dos seus. Pode nĂŁo parecer, mas eu sou bem Ăștil, sabe?
â Conto com vocĂȘ. â Haruhiro deu um soco leve no braço de Kikkawa. â Certo. Eu vou na frente. Todos, sigam atrĂĄs de mim a uma distĂąncia de cerca de dez metros. A ordem de marcha serĂĄ Kikkawa, Kuzaku, Ranta, Shihoru, Mary e Yume. Yume, cuida da retaguarda pra mim.
â Certo-miau! â ela respondeu.
Depois de ouvir a estranha resposta de Yume, Haruhiro começou a andar.
Ele colocou os pĂ©s no Reino do CrepĂșsculo.
O céu, que à primeira vista parecia o céu do entardecer, mas na verdade tinha cores aleatórias, pairava alto acima deles, e o vento estava bastante forte.
Esse vento é um problema, ele pensou. Segundo Kikkawa, hoje também não havia inimigos ao redor dessa primeira colina. Mesmo assim, a falta de cautela pode ser nossa morte. Aquelas rochas brancas em forma de pilar espalhadas pela encosta coberta de grama são grandes o suficiente para que uma pessoa possa facilmente se esconder atrås delas. Em vez de se aproximar desses pilares indo em linha reta em uma direção, provavelmente seria melhor mover-se para a esquerda e direita para eliminar qualquer ponto cego. Não é fåcil, mas pensar sobre o que eu preciso fazer e como fazer enquanto ando é bem divertido.
Haruhiro desceu a colina em seu ritmo normal de caminhada. Quando ele se virou, Kikkawa acenou com a cabeça e apontou para frente.
Parece que estou indo na direção certa, Haruhiro notou.
Eles haviam deixado suas barracas, suprimentos e equipamentos pesados bem na entrada do Reino do CrepĂșsculo. Haruhiro e os outros estavam viajando de forma leve.
Eventualmente, quando o terreno se nivelou, Haruhiro sentiu um certo pressentimento. Ele se virou, olhando para o topo da colina que havia descido.
SerĂĄ que Ă© sĂł uma ansiedade desnecessĂĄria?
Hå inimigos na colina. Essa ideia passou pela sua mente, mas não havia ninguém lå. Dessa vez foi só imaginação, mas é muito melhor me cansar com uma ansiedade sem fundamento do que ser descuidado e deixar o inimigo nos pegar desprevenidos. Vou tomar todas as precauçÔes e ser paranóico até não poder mais.
Eventualmente, eles chegaram a um ponto onde quase nĂŁo havia mais das rochas em forma de pilar.
No entanto, ele ainda nĂŁo tinha visto nada que se parecesse com uma ĂĄrvore. SerĂĄ que nĂŁo havia ĂĄrvores nesse mundo?
Haruhiro ocasionalmente se virava para verificar com Kikkawa se estava indo na direção certa.
â Isso Ă© bizarro… â ele murmurou, depois suspirou.
Era tĂŁo claro quanto o entardecer, mas nĂŁo havia nada como um sol.
NĂŁo havia pĂĄssaros ou insetos voando por aĂ. NĂŁo havia som de vento. Quando se virou pela dĂ©cima ou vigĂ©sima vez, Haruhiro percebeu que algo estava estranho. Mas, quanto ao que era, ele nĂŁo tinha certeza.
Ainda assim, aquilo o incomodava. Ele sinalizou com as mĂŁos para que todos parassem.
Olhou ao redor.
Onde estĂĄ? O que Ă©…?
Haruhiro engoliu em seco. Ă aquilo?
Os pilares naquela colina inicial, ele pensou. NĂŁo todos. Apenas alguns.
Haruhiro semicerrava os olhos. NĂŁo havia dĂșvida.
EstĂŁo se movendo.
Os pilares de rocha, talvez um em dez, estĂŁo se movendo devagarâna verdade, Ă© sĂł um pouquinho de cada vezâse movendo por aĂ.
Agora, se alguém lhe perguntasse, E da�, ele não saberia o que dizer. Se perguntassem o que eram, e o que aquilo significava, Haruhiro não teria resposta. No entanto, o fato é que, para pelo menos uma parte delas, embora ele não pudesse ter certeza de que estavam vivas, ele podia ter certeza de que estavam se movendo. Elas eram capazes de se mover.
â Isso Ă© muito bizarro â Haruhiro murmurou.
Devo falar para os meus camaradas? ele se perguntou. Talvez nĂŁo ainda. Se todos os pilares se movessem, isso significaria que nĂŁo poderĂamos navegar por eles, o que seria um problema. NĂŁo parece ser o caso, entĂŁo nĂŁo Ă© um problemaâeu acho.
Ranta ergueu as mĂŁos para o lado, encolhendo os ombros como quem diz, O que houve?
Nada. Haruhiro balançou a cabeça em resposta. A primeira coisa, ou melhor, a Ășnica coisa, em que precisamos focar Ă© seguir para as ruĂnas. NĂŁo devemos pensar em nada alĂ©m de resgatar os Tokkis enquanto evitamos o perigo o mĂĄximo possĂvel.
Haruhiro avançou. Era tranquilo, mas havia muitos altos e baixos. Nos lugares onde era mais alto ou mais baixo, ele via frequentemente os pilares de pedra.
Parece que os pilares nĂŁo gostam de terreno nivelado, Haruhiro pensou. EntĂŁo percebeu que estava vendo os pilares como algo prĂłximo de criaturas vivas. Seja como for, provavelmente Ă© melhor nĂŁo chegar muito perto dos pilares.
Mas, assim que tomou essa decisĂŁo, lĂĄ estava um cachorro.
Foi repentino, mas parecia tĂŁo natural. Estava deitado na grama, abanando o rabo, e nĂŁo estava tĂŁo perto, entĂŁo, Hum… foi tudo o que ele pensou. Ele nĂŁo ficou particularmente chocado. A princĂpio, foi isso.
Ei, espera, ele rapidamente reconsiderou. Esse Ă© o Reino do CrepĂșsculo. Outro mundo. Ă estranho haver um cachorroâou pelo menos, nĂŁo posso afirmar isso com certeza, mas devo desconfiar.
Bem, olhando mais de perto, não era um cachorro normal de qualquer forma. Era algo entre um cão grande e médio. Parecia um cachorro com pelos longos e brancos, mas não estava claro se era realmente um cachorro. Na verdade, provavelmente não era o que normalmente se chamaria de cachorro.
Aquele pseudo-cachorro, ele sĂł tinha um olho. Se Haruhiro fosse lhe dar um nome, chamaria de âcachorro caolhoâ.
Essa era uma situação em que ele não tinha escolha senão parar. Os outros também tinham parado de andar. Bem, e agora?
O cachorro caolho olhou na direção deles, com a postura baixa e o rabo abanando, como um cachorro amigåvel que encontrou pessoas em um campo desabitado e queria brincar. Era assim que ele agia. Mas ele só tinha um olho.
Se ele nĂŁo fosse atacar, poderiam deixĂĄ-lo em paz? Mas aquela simpatia fazia Haruhiro pensar que algo estava errado. Poderia ser o cachorro dos cultistas? SerĂĄ que ele avisaria os cultistas sobre Haruhiro e os outros? Ou estaria ele exagerando? Estaria sendo desnecessariamente ansioso?
Ele decidiu esperar para ver o que o cachorro faria. Enquanto gesticulava para que seus companheiros se aproximassem, Haruhiro observava o cachorro caolho. O cachorro caolho nĂŁo se movia.
â Nunca vi um desses antes â sussurrou Kikkawa. â Ah, mas, agora que penso nisso, se bem me lembro, os cultistas sĂł tinham um buraco para o olho, e os gigantes brancos com cabeça de leĂŁo, eles tambĂ©m sĂł tinham um olho.
â EntĂŁo, esse cĂŁo Ă© deles? â Ranta foi puxar Betrayer.
â Ou isso â Shihoru começou hesitante â ou Ă© possĂvel que todas as criaturas deste mundo… tenham apenas um olho…
â Ă meio assustador â comentou Mary, desconfiada. â O jeito como ele abana o rabo.
â Ă como um cachorro de estimação, nĂŁo Ă©? â Kuzaku aparentemente estava pensando da mesma forma que Haruhiro.
â Essa Ă© uma tarefa pra Yume â Yume declarou, orgulhosamente batendo no peito. â Yume Ă© uma caçadora, afinal. Yume vai tentar se aproximar, entĂŁo, todo mundo fique de olho nele.
Haruhiro decidiu deixar Yume lidar com aquilo. Claro, ele estava pronto para intervir a qualquer momento.
â Ahem. â Yume pigarreou alto, entĂŁo se aproximou lentamente do cachorro caolho. Foi um ritmo lento e tranquilo, mas era meio… normal. Yume nĂŁo tentou fazer contato visual com o cachorro caolho, nem estendeu a mĂŁo tentando mostrar uma atitude amigĂĄvel. Era tĂŁo normal que Haruhiro se perguntou: SerĂĄ que isso vai dar certo?
O cachorro caolho estava encarando Yume com seu Ășnico, mas grande, olho.
O que o cachorro caolho estava pensando enquanto mostrava a lĂngua, ofegante?
Havia cerca de quatro metros entre eles.
â Calma, calma â Yume disse, falando com o cachorro caolho pela primeira vez. â TĂĄ tudo bem. Yume nĂŁo vai fazer nada de ruim com vocĂȘ.
O cachorro caolho nĂŁo respondeu. Apenas continuou encarando Yume.
TrĂȘs metros mais. Dois metros.
Foi quando o cachorro caolho se levantou da posição abaixada e se sentou.
Yume começou a parar, mas então continuou avançando. Abaixando os quadris, ela se aproximou lentamente do cachorro caolho e estendeu a mão.
â DĂĄ a patinha.
â O, o, o, o, o!
Aquela voz. Pelo fato de que ele abriu a boca, provavelmente foi o cachorro caolho que a emitiu. Era uma voz de tom bastante grave, e assustadora.
Yume soltou um â Ai…! â e parou de andar.
â O, o, o, o, o!
â Que assustador! â Ranta meio que puxou Betrayer.
No mesmo instante, o cachorro caolho se virou e começou a correr.
â Ah! â Haruhiro começou a persegui-lo. â NĂŁo, nĂŁo podemos deixar ele escapar!
â Ohm, rel, ect, nemun, darsh!
Ao mesmo tempo que Haruhiro foi atrås do cachorro caolho, talvez até antes, Shihoru começou a recitar um feitiço. O elemental sombrio voou adiante, fixando-se no chão bem no caminho do cachorro caolho que fugia. O cachorro caolho pisou no elemental sombrio com a pata dianteira direita.
â O, o, o, o…!
Por mais que se esforçasse, o cachorro caolho não conseguia libertar a pata do elemental das sombras.
â E-Espera! â Yume tentou ficar no caminho de Haruhiro. â Ainda nĂŁo! Ele sĂł tĂĄ correndo. Isso nĂŁo faz dele um inimigo!
â Desculpe, Yume! â Haruhiro passou por ela. â NĂŁo podemos correr riscos aqui! NĂŁo, na verdade…
â O, o, o, o, o, ooooooooooo!
O cachorro caolho estava lutando violentamenteâ
Mas isso nĂŁo Ă© tudo, pensou Haruhiro. Tem algo… saindo dele, eu acho?
Estavam crescendo de seu corpo aqui e ali. ProeminĂȘncias brancas, parecidas com ossos, com pontas afiadas.
â Credooooo! â Quando Yume se virou e os viu, soltou um grito. â Que assustador, que assustador! Isso nĂŁo Ă© um cachorrinho!
â Isso mesmo â Ranta abaixou a viseira do seu elmo de caveira. Usando Leap Out, ele saltou na direção do cachorro. â Toma essa! Hatred!
â O, o, o, ooooo!
O cachorro caolho sĂł nĂŁo conseguiu fugir graças ao Shadow Bond de Shihoru. Ainda assim, contorceu o corpo. Ranta provavelmente pretendia abrir a cabeça do cachorro caolho com a Betrayer, mas errou o alvo. A espada acertou uma das protuberĂąncias Ăłsseas que saĂam do ombro do cachorro caolho e foi desviada.
â Whoa?! Isso Ă© duro! â Ranta saltou para trĂĄs.
â Deixa comigo! â Kuzaku avançou com seu escudo na frente.
O escudo de Kuzaku colidiu com as protuberĂąncias Ăłsseas do cachorro caolho. O cachorro caolho perdeu a disputa de força, mas houve um rangido intenso. O escudo em formato de pipa de Kuzaku era feito de madeira e reforçado com couro e metal. Era uma peça de equipamento robusta. NĂŁo quebrou, mas a superfĂcie foi raspada.
â Hah! â Kuzaku nĂŁo ligou. Ele simplesmente continuou empurrando e estocou a espada longa ao lado do escudo. Enquanto se protegia com o escudo, ele usava Thrust. Era uma tĂĄtica bĂĄsica para paladinos.
O cachorro caolho gritou O, o, o! e tentou evitar a espada longa. Aquelas coisas parecidas com ossos estavam no caminho, mas a espada longa se esquivou entre elas e acertou o corpo da criatura. Seu sangue era vermelho.
Haruhiro decidiu não avançar, preferindo observar a situação. Uma briga corpo a corpo direta não era o lugar de um ladrão de qualquer maneira.
â Toma! â Kikkawa cravou sua espada bastarda no cachorro caolho. O cachorro estava focado em Kuzaku, entĂŁo recebeu todo o impacto do golpe.
â He he he! â Ranta pulava de um lado para o outro usando o Leap Out, contornando o cachorro e balançando a Betrayer em um movimento de oito. â Minha super tĂ©cnica suprema mortal! Slice!
â Oooo, oo, oooooo, oooooo…!
O cachorro caolho ficou coberto de sangue em um instante. NĂŁo importava o quĂŁo feroz fosse, se seus movimentos fossem selados com magia e ele fosse cercado por um paladino, um guerreiro e um cavaleiro das trevas, seria difĂcil para ele se defender.
O cachorro caolho caiu rapidamente, mas até que ele parasse de se contorcer, Ranta continuou teimosamente a esfaqueå-lo. Era cruel, mas eles não podiam se dar ao luxo de tomar meia-medida.
â Uma vitĂłria perfeita! Certo?! â Ranta ergueu a viseira, exibindo um sorriso sinistro na direção de Yume. â Esse foi um cachorro infernal! Gahahaha!
â Isso nĂŁo era um cachorrinho! â Yume estava com as bochechas inchadas de raiva.
â Ainda assim… â Shihoru lançou um olhar a Haruhiro. â E se… Houvesse um monte desses bichos…?
â Sem dĂșvida, estarĂamos encrencados â disse Haruhiro, olhando para os restos do cachorro caolho. â Ele parecia rĂĄpido. Se um grande bando desses cachorros de um olho sĂł nos perseguisse, seria bem complicado.
Oh, isso nĂŁo Ă© bom, ele percebeu. Todo mundo ficou em silĂȘncio.
â B-Bem. â Haruhiro forçou um sorriso. â Isso Ă© algo positivo. Descobrimos que existem criaturas como essa por aqui. Quero dizer, agora que sabemos, podemos tomar contramedidas.
Mas serĂĄ mesmo que havia? Ele nĂŁo conseguia pensar em nenhuma no momento.
Droga, ele pensou. Isso Ă© assustador. O Reino do CrepĂșsculo Ă© insano.
Haruhiro tirou um cantil e tomou um gole de ågua, e cada um de seus companheiros se reidratou também, como se seguissem seu exemplo.
Calma. NĂŁo, eu estou calmo. NĂŁo estou em pĂąnico.
Quando olhou para Kikkawa, o homem estava com a cabeça baixa. Ele provavelmente se sentia mal por tĂȘ-los envolvido nisso.
Isso Ă© verdade, nĂ©? Haruhiro pensou. Se alguĂ©m dissesse que ele nos meteu nessa, isso poderia ser verdade. Mas tĂnhamos a opção de nĂŁo nos envolver. Apenas nĂŁo escolhemos essa opção. Isso nĂŁo Ă© culpa do Kikkawa.
SerĂĄ que tomei a decisĂŁo errada?
Mal passa um dia em que eu não me pergunte isso. Na verdade, tomei decisÔes erradas mais de algumas vezes. Estou sempre cometendo erros.
Continuo cometendo erros, nunca aprendendo, mas, de alguma forma, estamos aqui hoje, e sei que não tenho escolha a não ser seguir em frente. Mesmo que as escolhas que faço sejam erradas, tenho que seguir em frente sem dizer nada sobre isso. Se não o fizer, todos ficarão perdidos, sem saber o que fazer.
â Certo â disse Haruhiro. â Vamos.
Haruhiro começou a andar, então rapidamente olhou ao redor. Isso é ruim. sério. Isso é loucura.
â O, o, o, o…
â O, o, o, o, o, o…
â O, o, o…
â O, o, o, o, o, o, o, o…
Com aquele rosnado assustador, cachorros de um olho sĂł com aquelas protuberĂąncias Ăłsseas se aproximavam deles.
De lĂĄ, e de lĂĄ tambĂ©m, ele pensou, alarmado. Contando rapidamente, sĂŁo quatro. NĂŁoâ
â O, o…
â O, o, o…
â O, o, o, o…
â O, o, o, o, o…
â O, o, o, o, o, o…
Por trĂĄs, mais cinco. Isso faz um total de nove.
âPor enquanto.
Haruhiro nĂŁo podia ter certeza de que nĂŁo viriam mais.
â Ei, Paropiruro… â Ranta estava com um tom de voz inusitadamente desanimado.
â O que foi, Rantanius? â Essa resposta sem graça era uma clara indicação de que Haruhiro estava longe de estar calmo.
â EntĂŁo, sobre aquelas contramedidas? VocĂȘ tem algumas, certo…?
â S-Sim… â Se Haruhiro simplesmente confessasse NĂŁo tenho nada, parecia que isso seria mais fĂĄcil. Mas sĂł seria mais fĂĄcil para Haruhiro; o resto deles sofreria. Isso nĂŁo era bom. Ele era o lĂder, afinal de contas.
â R-Retirada â disse ele. Ele imediatamente questionou se isso seria o certo, mas Haruhiro afastou sua hesitação. â Formem um cĂrculo. Recuem. Oh, acho que em um cĂrculo, nĂŁo hĂĄ costas, nĂ©? Erm, vou dar ordens para a direção, entĂŁo vĂŁo para onde eu disser. RĂĄpido. Entrem em formação de cĂrculo. RĂĄpido, Ranta, Kuzaku, Kikkawa! Yume, nĂŁo fique para trĂĄs! Shihoru e Mary, fiquem no centro!
Haruhiro, Ranta, Kuzaku, Kikkawa e Yume se posicionaram em uma formação ao redor de Shihoru e Mary.
Agora havia nove cachorros caolhos cercando Haruhiro e os outros. No entanto, isso nĂŁo significava que os cachorros tivessem formado um anel ao redor deles com igual distĂąncia entre cada um deles.
Haruhiro escolheu romper por uma dessas brechas. Haruhiro e os outros avançaram nessa direção. Eles não correram. Com armas em mãos, escudos prontos, avançaram a um ritmo mais lento do que o de uma caminhada, enquanto intimidavam os cachorros caolhos.
â Ei! Heeey! â Ranta continuava gritando e balançando a Betrayer. â N-NĂŁo se aproximem, seus vira-latas! Eu vou matar vocĂȘs, malditos!
â hahaha. Cara… â Kikkawa parecia desanimado. â Eu nĂŁo sei o que pensar disso. Estou exausto…
â Vamos dar um jeito â disse Kuzaku, difĂcil dizer se estava confiante ou nĂŁo. â …Provavelmente.
â Nnyoahhhhhhhh â Yume tinha encaixado uma flecha em seu arco composto e parecia estar lutando para decidir se deveria soltĂĄ-la ou nĂŁo. â Yume vai acabar odiando cachorrinhos. Mesmo que esses nĂŁo sejam cachorrinhos…
â Q-Quanto tempo vamos continuar assim…? â perguntou Shihoru.
Ela estava perguntando isso para Haruhiro, talvez? NĂŁo havia como ele responder.
â Se tivermos que lutar, lutaremos â disse Mary.
Isso mesmo, pensou Haruhiro. Vamos lutar? Vamos apenas lutar? Vamos lutar? Tudo bem, né? Talvez consigamos lidar com isso. Se dermos tudo de nós, nos esforçarmos ao måximo, talvez ganhemos.
â Talvez, nĂ© â Haruhiro rangeu os dentes. NĂŁo Ă© bom. âTalvezâ nĂŁo Ă© suficiente. Mesmo se vencermos, e se um de nĂłs ficar gravemente ferido? NĂŁo podemos curar. Na verdade, mesmo que continuemos nos movendo assim, hĂĄ alguma esperança de que a situação melhore? O que os cachorros caolhos farĂŁo? Quando vĂŁo atacar? Ou desistirĂŁo?
O que devemos fazer?
Haruhiro estava sempre cometendo erros, mas desta vez ele nĂŁo podia se dar ao luxo de errar.
O que vamos fazer?
Tradução: ParupiroHPara estas e outras obras, visite o Cantinho do ParupiroH â Clicando Aqui
Tradução feita por fãs.
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