Hai to Gensou no Grimgar – Capítulo 04 – Volume 7

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Hai to Gensou no GrimgarGrimgar of Fantasy and Ash

Light Novel Online – CapĂ­tulo 04:
[U Naa]


Tanto a magia de luz quanto a magia das trevas eram utilizåveis. No entanto, seus efeitos e duração haviam sido reduzidos para cerca de um terço do que eram normalmente, e não apenas o consumo de poder mågico tinha mais que dobrado, como também parecia ser incrivelmente exaustivo tanto para a mente quanto para o corpo utilizå-las.

Por causa disso, Protection era tão ineficiente que era praticamente inutilizåvel. Mesmo com feitiços de cura, sete conjuraçÔes de Cure, quatro de Heal ou até mesmo uma de Sacrament jå esgotavam completamente o poder mågico de Mary.

Decidiram que Ranta deveria usar o Demon Call para invocar o Zodiac-kun o mais frequentemente possĂ­vel. Ranta era um cavaleiro das trevas horrĂ­vel, que nĂŁo conseguia usar sua magia das trevas de maneira eficiente de qualquer forma. AlĂ©m disso, o Zodiac-kun jĂĄ era Ăștil sĂł por estar por perto.

Haruhiro e a party nomearam a vila onde ficava o poço de Vila do Poço, e o rio de åguas mornas de Rio Morno. As direçÔes cardeais não eram claras, mas seguindo a teoria de que o Rio Morno corria de norte a sul, eles decidiram que a montante seria o norte e a jusante seria o sul.

(NT : Jusante e montante são direçÔes por onde correm as åguas de uma corrente fluvial. A jusante significa em direção à foz, ou seja, o fluxo normal da ågua. Enquanto isso, a montante significa em direção à nascente, ou seja, contra-corrente. Assim, a foz de um rio é o ponto mais a jusante dele, enquanto a nascente é o seu ponto mais a montante.)

Durante o dia, o fogo subia, e o céu oriental, onde ficava o cume em chamas, ficava um pouco mais claro. Não parecia que poderiam atravessar o Rio Morno, então, por enquanto, teriam que explorar a oeste dele.

Havia uma floresta que se estendia a oeste da Vila do Poço. E ao sul? Parecia haver inimigos agressivos na margem do rio, então decidiram escalar o penhasco e tentar seguir ao sul a partir dali.

— Estamos… a que distĂąncia da Vila do Poço? — Kuzaku se virou para olhar.

— Uns um quilîmetro? — Yume soltou um som estranho, mnngh, enquanto pensava. — Talvez por aí?

— Tsc. — Ranta estalou a lĂ­ngua e bateu os pĂ©s algumas vezes. — Droga, Ă© difĂ­cil andar assim. Isso aqui Ă© tĂŁo escorregadio! Qual Ă© o problema com esse troço?! Parece que tĂĄ me provocando!

— Ehehe… Ranta… Sua prĂłpria existĂȘncia jĂĄ Ă© uma forma de provocação… Ehe… Eehehehe… — Zodiac-kun provocou.

— Ei, Zodiac-kun, o que foi que vocĂȘ quis dizer com isso, hein?!

— M-Mas, isso aqui Ă© meio cansativo… — Shihoru estava usando seu cajado para se apoiar enquanto caminhava.

— VocĂȘ tĂĄ bem? — Mary perguntou. — Shihoru, se precisar, pode se apoiar em mim.

— Obrigada, Mary… Mas aĂ­, se eu tropeçar, vou te derrubar tambĂ©m…

— Se acontecer, aconteceu. — Mary parecia estar sorrindo, só um pouco.

Haruhiro também sorriu levemente.

NĂŁo, um lĂ­der inĂștil que acabou de estragar tudo nĂŁo tem o direito de sorrir. Mas, ainda assim, parece que Mary, Shihoru e Yume estĂŁo se dando muito bem agora. NĂŁo poderia estar mais feliz por elas.

No começo, Mary era meio difĂ­cil, mas ouvi dizer que antes ela era uma pessoa alegre, com uma personalidade agradĂĄvel. Abençoada com uma boa aparĂȘncia, leva o trabalho como sacerdotisa a sĂ©rio, tem uma boa personalidade… Que tipo de supermulher perfeita ela Ă©! Como companheira e como amiga, eu nĂŁo poderia pedir mais. Ela Ă© praticamente ideal. Como lĂ­der, estou feliz. Embora, com uma namorada assim, tenho certeza que Kuzaku deve estar ainda mais feliz…

— A ĂĄrea ao sul da Vila do Poço Ă© um pĂąntano, hein. — Haruhiro conteve um suspiro que quase escapou, apertando os olhos. — Parece que isso continua por um bom tempo…

— É difĂ­cil de andar, com certeza, mas nem tudo Ă© ruim, sabia? — Yume disse. — O chĂŁo aqui faz uns barulhinhos. Faz squick, squick. EntĂŁo, se alguma coisa estiver vindo, vocĂȘ vai saber na hora, nĂ©? — disse Yume.

— Droga, Yume — reclamou Ranta. — Mesmo com esses peitinhos aĂ­, vocĂȘ vai e fala uma coisa bem Ăștil!

— Para de falar que eles são pequenos o tempo todo! — gritou Yume.

Tem uma verdade no que Yume disse, pensou Haruhiro. É fácil ficar alerta aqui. Por enquanto, quero expandir nossa área, então vamos tentar ir um pouco mais longe.

Com isso decidido, eles caminharam mais uns trezentos metros, mas, nesse ponto, o chĂŁo nĂŁo estava apenas lamacento, havia poças e parecia que seus pĂ©s iam ficar presos. A ĂĄgua tinha, no mĂĄximo, uns cinco centĂ­metros de profundidade, mas havia partes mais moles e outras mais duras no fundo, o que tornava tudo pior. Na verdade…

— Ei, não tem alguma coisa enterrada aqui? — Haruhiro perguntou.

— Tesouro! — Ranta imediatamente se agachou e enfiou as mĂŁos na lama. — …Oh? Tem algo aqui. Isso Ă©…

— Devemos iluminar isso? — Yume perguntou, e Haruhiro assentiu.

Yume pegou uma lanterna e acendeu.

— Aqui. — Ranta trouxe o que tinha puxado para perto da lanterna de Yume. Era um objeto branco, em forma de bastão.

Haruhiro percebeu imediatamente. Era bem Ăłbvio o que era.

— Um osso…?

— Tem um monte deles — disse Ranta. — Será que o lugar todo está cheio de corpos?

Zodiac-kun deu uma risadinha.

— Uhe… Ranta… VocĂȘ tambĂ©m vai virar osso aqui… Uhehe… Uhehehehe…

— Não fala essas coisas sinistras! Droga, Zodiac-kun!

— Vamos ver. — Haruhiro tomou sua decisĂŁo e assentiu. — Bem, eu nĂŁo estou tĂŁo empolgado, mas pode nĂŁo ser sĂł ossos… podemos encontrar os pertences deles tambĂ©m. Pode haver moedas pretas. Precisamos delas desesperadamente agora.

Não houve objeçÔes. Ao contrårio da ågua do Rio Morno, a ågua nas poças ali era gelada. Quando se agachavam nela, podia ficar bem frio. Não era um trabalho fåcil, mas comparado à fome e à desidratação, não era nada.

Eventualmente…

— Ah…! — Shihoru engoliu seco ao levantar algo. — Moedas!

— Oh, ho! — Ranta deu um tapa nas costas de Shihoru. — Muito bem, Shihoru!

— …NĂŁo aproveite a situação para me tocar.

— Qual Ă©?! TĂĄ me atacando agora?! SĂ©rio mesmo?! NĂŁo Ă© hora pra isso, nĂŁo tĂĄ feliz?!

— Kehehe… Ranta… Sua existĂȘncia estraga tudo… Kehehehehe…

— Se a minha prĂłpria existĂȘncia Ă© o problema, nĂŁo tem como consertar isso, sabia?! SĂł avisando! — gritou Ranta.

As descobertas continuaram depois disso. Não encontraram apenas moedas pretas. Acharam duas espadas curtas, sem ferrugem, uma espada longa, um objeto metålico em forma de måscara, além de quatro moedas pretas.

— Hmm… — Ranta examinou a espada longa antes de entregĂĄ-la a Kuzaku. — Segura essa, Kuzacky. Parece boa, e provavelmente podemos usĂĄ-la depois de afiĂĄ-la, mas Ă© muito simples pra mim. Um pouco longa demais, tambĂ©m. AlĂ©m disso, o efeito de dormĂȘncia da minha Lightning Sword Dolphin ainda nĂŁo acabou.

— …Obrigado.

— As duas espadas curtas vão para o Haruhiro — continuou Ranta.

— Kehe… Ranta tĂĄ se achando importante… Morre, seu fanfarrĂŁo… Kehehe…

— Ei, Zodiac-kun?! SerĂĄ que vocĂȘ pode parar de me zoar o tempo todo, como se fosse normal?!

— Hmm — disse Haruhiro, examinando as espadas curtas. — NĂŁo, acho que uma jĂĄ Ă© o suficiente para mim. Que tal vocĂȘ ficar com a outra, Yume? A maior Ă© mais ou menos do tamanho do seu facĂŁo.

— Miau. Agora que mencionou, Ă© mesmo, nĂ©? Bom, entĂŁo Yume vai pegar.

— E a máscara? — Mary tentou colocá-la. — Oh. Ficou perfeita.

Era feita para parecer alguma criatura. NĂŁo humana. NĂŁo parecia com nenhuma criatura que Haruhiro conhecesse, mas se tivesse que nomear uma… talvez um macaco? Parecia meio boba, com um formato engraçado.

— C-Combinou com vocĂȘ… de verdade — Shihoru disse, tentando manter a voz firme.

— Buahahah! — Ranta explodiu em risadas e apontou para Mary. — Combinou sim! É perfeita! Uma obra-prima! Essa vai pra Mary! Decidido!

— E-Eu não quero! — Mary tirou a máscara, tentando passar para outra pessoa, mas todos recusaram cruelmente. — Eu realmente não quero, tá?! Eu só tava experimentando!

Por algum motivo, Haruhiro olhou para Kuzaku. NĂŁo, o motivo era Ăłbvio. Algo como: Kuzaku, vocĂȘ nĂŁo vai ajudar ela? Como eu poderia nĂŁo pensar nisso? Quando algo assim acontece, Ă© sĂ©rio. Afinal, os dois eram, bem… vocĂȘ entende?

Kuzaku foi o primeiro a desviar o olhar, abaixando a cabeça. Parecia desconfortåvel.

Por quĂȘ? Ahh. Entendi. Eles ainda nĂŁo contaram aos outros companheiros sobre o relacionamento deles. Porque estĂŁo escondendo? É por isso que, mesmo em momentos assim, fica difĂ­cil para ele tomar uma atitude clara para defendĂȘ-la.

Tudo bem. NĂŁo hĂĄ necessidade de esconder. Por que nĂŁo simplesmente abrir o jogo de uma vez? Isso estĂĄ começando a ficar incĂŽmodo. Se vocĂȘs fizessem isso, eu tambĂ©m ficaria mais tranquilo.

Mas, pensando bem, agora nĂŁo Ă© exatamente o melhor momento para anunciar isso. Se de repente dissessem “Ei, pessoal, adivinhem”, ninguĂ©m saberia como reagir.

Mesmo enquanto Haruhiro pensava nisso, Yume ofereceu-se para pegar a mĂĄscara de Mary.

— Nesse caso, talvez Yume pegue? Seria mais fĂĄcil ter uma mĂĄscara quando voltarmos pra Vila do Poço. Essa aqui nĂŁo Ă© fofa, mas talvez, quando Yume se acostumar com ela, comece a achar bonitinha.

— Hum… sobre essas moedas pretas… — Shihoru pegou uma das quatro moedas pretas que estavam na palma de sua mĂŁo e mostrou para a party. — HĂĄ uma leve diferença nos tamanhos delas. Esta aqui Ă© grande, mas as outras trĂȘs sĂŁo bem menores. E as coisas escritas nelas? Parece que as letras sĂŁo um pouco diferentes…

— Whoo. — Yume levantou a lanterna mais perto. — VocĂȘ tĂĄ certa. Essa Ă© bem maior, nĂ©.

Haruhiro comparou a que Shihoru estava segurando com as trĂȘs que estavam em sua palma.

— VocĂȘ acha que o valor delas Ă© diferente? Como Ă© com prata e cobre? Mas o material Ă© o mesmo aqui. Como eram as primeiras duas que encontramos? Hmm, nĂŁo lembro…

— VocĂȘ deveria ao menos lembrar disso. — Ranta bufou. — Bem, como se eu lembrasse tambĂ©m!

— Kehehe… Porque sua cabeça Ă© vazia… Kehe… Kehehe… Em breve serĂĄ abraçado por Skullhell… — Zodiac-kun de repente baixou a voz. — NĂŁo vai demorar muito…

— Ei, Haruhiro. — Ranta fez um gesto com o queixo.

— …É. — Haruhiro flexionou o joelho, abaixando o centro de gravidade. — Eu sei.

Seriam todos os demĂŽnios dos cavaleiros das trevas assim? Haruhiro, sendo um ladrĂŁo, nĂŁo sabia muito bem, mas Zodiac-kun era realmente imprevisĂ­vel. EntĂŁo, eles nĂŁo podiam contar muito com ele. SĂł era Ăștil porque, quando o perigo estava se aproximando, ele dava um aviso sutil—às vezes.

Haruhiro não precisava dar ordens; seus companheiros jå estavam em alerta. Ele hesitou por um momento. Deveria mandar Yume apagar a lanterna? Não, se ela apagasse agora, eles mal conseguiriam ver qualquer coisa até os olhos se ajustarem à escuridão. Isso seria ruim.

Ele ouviu atentamente. O barulho. Um som de respingos. Vindo do oeste. Estava ficando mais alto. Algo estava caminhando pela ĂĄgua.

Estava se aproximando.

Haruhiro olhou para Kuzaku e apontou para o oeste. Kuzaku assentiu, entĂŁo abaixou a viseira do elmo, virando-se para o oeste.

Aconteceu logo em seguida.

A coisa começou a correr. Yume virou a lanterna na direção dela.

Eles viram. Uma fera negra. Enorme. Olhos amarelos brilhantes—quatro deles.

Era um cachorro? Um lobo? Não, não era nada disso. Era grande o suficiente para ser um tigre ou um leão. Talvez até maior.

Ela avançou na direção deles. Kuzaku tentou bloquear a investida com o escudo, mas foi inĂștil. Ele foi arremessado.

— Gwah…!

— Isso nĂŁo Ă© ruim?! — Ranta desferiu um golpe com sua Lightning Sword Dolphin. A fera nĂŁo se esquivou. Incrivelmente, ela rebateu com a testa.

Por um instante, parecia que tinha sido atordoada, mas mais ou menos ignorou o efeito.

Ranta saltou para trĂĄs.

— Droga, Ă© dura! QuĂŁo cabeçuda Ă© essa coisa?!

— Ohm, rel, ect, del, brem, darsh. — Shihoru se envolveu em uma Armor Shadow (Armadura das Sombras). Ela anularia todos os ataques, ou, se falhasse nisso, ao menos amorteceria um pouco. Era o tipo de decisão fria que eles já esperavam de Shihoru.

— Kuzaku?! — gritou Mary, mas logo veio um “TĂŽ bem!” seguido do som de alguĂ©m se levantando em uma poça d’água. Parecia que Kuzaku estava okay.

A fera movia a cabeça lentamente, observando cada um dos membros da party. Seus ombros estavam entre um e dois metros do chĂŁo. Seu tronco devia ter uns trĂȘs metros de comprimento. Era ridiculamente enorme e mais que um pouco intimidadora, mas nĂŁo era dez vezes maior que eles, ou algo assim. Dito isso, se ela mordesse um deles, parecia que poderia arrancar um braço, uma perna, ou atĂ© mesmo um pescoço sem esforço. Kuzaku teve sorte de estar bem depois de ser atropelado por aquela coisa.

Yume estava abaixada, respirando pesadamente. Ela segurava o facĂŁo na mĂŁo esquerda, mas nĂŁo tinha o arco pronto. Seu arco e flechas nĂŁo fariam nada de Ăștil contra um inimigo como aquele. JĂĄ estavam em combate corpo a corpo, de qualquer forma. Honestamente, estavam muito prĂłximos da criatura. Se tentassem fugir, a fera os atacaria imediatamente, sem dĂșvida. E seria o fim. Ela os mataria em um instante.

A fera ainda não havia soltado nenhum tipo de grito. Toda vez que Haruhiro ouvia o som da cauda dela batendo levemente na ågua, seu coração pulava. Se ela soltasse um rugido ou uivo, provavelmente morreria de susto.

Assustador…

AlĂ©m disso, o que Ă© isso aqui, afinal? Era o territĂłrio da fera, e ela estava tentando expulsĂĄ-los por terem invadido? Mas, nesse caso, nĂŁo teria tentado intimidĂĄ-los primeiro? EntĂŁo, seriam presas dela? A fera estava tentando caçå-los? Para satisfazer sua fome? Era isso…?

Ele queria fugir.

Mas o terreno aqui Ă© ruim, estĂĄ escuro, a fera parece rĂĄpida, e seria muito difĂ­cil fugir sem sofrer baixas. Temos que lutar… nĂŁo Ă©?

Se ela estivesse tentando comĂȘ-los, talvez sĂł precisassem machucĂĄ-la um pouco. Se fizessem a fera pensar: Esses caras sĂŁo fortes, ela recuaria.

É a sensação que eu tenho. Quero acreditar que Ă© verdade.

— Vamos nessa! — Haruhiro se preparou, declarando isso com a maior força que conseguiu. — Não fiquem juntos! Cerquem ela, mas tentem não ficar bem na frente dela!

Quando Haruhiro e a party começaram a se mover, a fera fez o mesmo. Tinha um corpo grande, mas era incrivelmente ågil.

A fera avançou contra Ranta.

— Whoa!

Parecia que Ranta nĂŁo havia baixado a guarda. Ele tentou se esquivar dela, iludindo a fera com seus passos bizarros? Provavelmente era a habilidade de combate do cavaleiro das trevas, Missing.

Em um terreno mais firme, ele poderia ter conseguido. Infelizmente, não deu certo. Embora Ranta tenha saído do caminho da fera, tropeçou e caiu em uma poça de ågua.

— Gwah?!

— Continue tentando, Ranta… Kehe… Fwehehe…

— Ranta-kun! — Kuzaku tentou atacar a fera com Punishment. O Punishment do paladino era semelhante ao Rage Blow de um guerreiro, mas ele reforçava sua defesa com o escudo enquanto desferia o golpe com a espada. Essa diferença salvou Kuzaku. A fera se esquivou incrivelmente rápido, e então desferiu um golpe com a pata dianteira.

Um soco de uma fera. Era um gancho. Kuzaku bloqueou com o escudo de alguma forma, mas nĂŁo conseguiu absorver o impacto e foi derrubado.

— Jess, yeen, sark, kart, fram, dart! — Shihoru lançou Thunderstorm contra a fera. Vários raios finos atingiram a fera. Ela soltou um gemido, seu corpo inteiro estava tremendo, mas não caiu. Balançou a cabeça, virando-se em direção a Shihoru.

— Chu! — Yume soltou um grito estranho enquanto avançava diretamente contra a criatura.

Mary também tentava atacar a besta com seu cajado curto.

A fera rugiu, girando sobre si mesma e conseguindo derrubar tanto Yume quanto Mary. As duas caĂ­ram na ĂĄgua.

— Droga, não me subestime! Ó Escuridão, Ó Senhor dos Vícios! — Ranta estava de joelhos com a ponta da espada voltada para a besta. — Blood Venom (Veneno de sangue)!

Nunca saía algo de bom quando Ranta usava magia das trevas. Mesmo quando algo com uma aura bizarra e aterrorizante disparava do corpo de Ranta e realmente envolvia a criatura como deveria, Haruhiro ainda sentia um péssimo pressentimento sobre o que quer que estivesse acontecendo. Para começar, a eficåcia da magia das trevas estava reduzida. Por que alguém iria usar isso de propósito?

No entanto, por um momento, a fera cambaleou. Recuperou-se rapidamente, mas algo estava claramente errado com ela.

Blood Venom. Era um feitiço que usava o miasma de Skullhell para enfraquecer o corpo do alvo, ou pelo menos era isso que Haruhiro lembrava. Certamente, a fera parecia estar se sentindo mal de repente, ou algo assim.

Graças a isso, ele teve uma abertura. Podia deixar para elogiar Ranta depois. Ou melhor, se conseguisse escapar sem precisar elogiå-lo, seria ainda melhor. Conhecendo Ranta, ele certamente ficaria convencido e se gabaria por isso.

Se ele dissesse que não estava com medo, seria mentira. Mas Haruhiro tinha confiança de que conseguiria. Por mais feroz que fosse, o inimigo deles era uma besta de quatro patas.

Ele saltou para cima da fera por trås, agarrando-se nas costas dela. Então, enfiou sua adaga no pescoço dela. Ele a enfiou com toda sua força. Cravou com tudo o que tinha.

Naturalmente, a fera começou a se debater. Torcia-se, sacudindo violentamente as patas dianteiras e traseiras, tentando jogå-lo para longe. Mas, por causa da sua estrutura corporal, nem as patas dianteiras nem as traseiras conseguiam alcançar suas costas. Ou foi o que Haruhiro pensou, até que uma das garras traseiras da fera afundou profundamente na coxa direita dele, rasgando-a.

— Wahhh?!

DoĂ­a tanto que Haruhiro facilmente se deixou ser lançado para longe. Pior ainda, ele largou a adaga, que ainda estava cravada no pescoço da fera. Para completar, ele caiu de cara em uma poça d’água, o que o deixou sem conseguir enxergar nada. Ele tambĂ©m nĂŁo conseguia respirar direito.

Que inferno, serĂĄ que vou morrer…?

— Jess, yeen, sark, fram, dart!

Se Shihoru não tivesse lançado seu feitiço Lightning, Haruhiro poderia ter sido a primeira vítima da fera.

— Nngahh! — Aquele certamente tinha machucado a fera. Pelo som do grito dela, e pelo fato de seu corpo enorme ter tombado de lado, levantando uma grande quantidade de água barrenta. Haruhiro não viu isso, mas pîde ouvir claramente.

A adaga. Por causa da adaga, né?

A adaga de Haruhiro ainda estava cravada no pescoço da criatura. Foi nisso que Shihoru mirou com seu Lightning.

— Ehe… Agora… Ehehehe… — Zodiac-kun os incentivou.

— Não precisa nos dizer! — gritou Ranta.

— É! — gritou Kuzaku.

Sentindo que aquele era o momento para atacar, Ranta e Kuzaku investiram contra a fera. Enquanto Haruhiro limpava o rosto e se levantava, ele pensou, A gente consegue.

Mas a fera estava fugindo. Disparou rapidamente.

Isso foi bem rĂĄpido.

Bem, o mundo era cruel para todos. Se tivesse ficado mais tempo, seria tarde demais. Ela precisava tomar decisÔes instantùneas ou não sobreviveria. A fera desapareceu completamente em pouco tempo.

— AlguĂ©m estĂĄ ferido? — Haruhiro perguntou, levantando a mĂŁo. — AlĂ©m de mim.

— Eu, só minhas costas que estão doendo um pouco, e só isso — disse Kuzaku.

— Yume tá ótima.

— Eu tambĂ©m estou bem — disse Shihoru. — Graças a todos vocĂȘs…

— Eu sou totalmente invencível, afinal! — Ranta se gabou.

— NĂŁo se preocupe… Kehe… Vai ser amanhĂŁ… VocĂȘ vai morrer… Kehehe…

— Ei, Zodiac-kun! Isso me irrita, então dá pra parar de falar como se fosse uma profecia?!

— Haru, deixa eu ver. — Mary correu atĂ© ele e se agachou ao seu lado, colocando a perna esquerda de Haruhiro sobre o joelho dela. — Isso estĂĄ bem feio. NĂŁo seja tĂŁo imprudente.

— …Hum, eu nĂŁo queria ser imprudente. Nem pensei que ia me machucar. SĂł fui otimista demais, posso dizer. Desculpa por isso.

— VocĂȘ estava tentando compensar pelo que aconteceu antes? — Mary perguntou em um sussurro.

Isso era… honestamente, talvez fizesse parte. Quando foram emboscados no leito do rio, Haruhiro foi o Ășnico a se machucar e precisou que Mary o curasse. Aquilo tinha sido um erro. Desta vez, ele queria fazer algo impressionante e mostrar seu lado bom.

Ele poderia dizer com certeza que não estava tentando fazer isso? Provavelmente ele tinha esse tipo de motivação em algum canto da mente.

Ainda assim, ele era o lĂ­der. Era um ladrĂŁo simples, no fim das contas. NĂŁo era do tipo que levava o time com sua habilidade, nem do tipo que exibia muita liderança, mas… de vez em quando, sabe? Se ele nĂŁo os fizesse pensar: Ei, ele Ă© melhor nisso do que a gente imaginava de vez em quando, seria difĂ­cil continuar.

Se Ranta começasse a menosprezå-lo, causaria todo tipo de problema, afinal. E, além disso, o irritaria.

NĂŁo se limitava a Ranta, no entanto; valia para todos eles. Ele preferia ser respeitado do que menosprezado.

Haruhiro desviou o olhar, respondendo com um — Talvez um pouco — em voz baixa.

— Eu respeito vocĂȘ, Haru, e sou grata a vocĂȘ — Mary disse em uma voz ainda mais baixa que a dele. — Todos nĂłs somos. Saiba disso.

— Eu sei disso… acho.

— Bom, então está tudo bem. Deixe-me curá-lo.

— Certo… — Haruhiro fechou os olhos.

NĂŁo quero ver a Mary tĂŁo de perto assim, ele pensou. NĂŁo quero que ela seja tĂŁo gentil comigo. Eu gosto disso, claro. Mas Ă© doloroso, dĂĄ pra dizer. NĂŁo, eu sou realmente grato por isso, de verdade.

Haruhiro tinha se ferido, Mary o curou, e ele perdeu sua adaga favorita. A espada curta que encontraram enquanto remexiam na lama no fundo da poça d’água não seria utilizável do jeito que estava. Não era como se ele não pudesse afiá-la sozinho, mas ele não tinha uma pedra de amolar. Se possível, ele queria que um ferreiro de verdade fizesse o trabalho.

Decidiu chamar aquela área com as poças d’água, onde muitos restos mortais estavam adormecidos, de Pñntano dos Cadáveres.

Parecia que ainda podiam encontrar mais moedas e itens no PĂąntano dos CadĂĄveres, mas havia animais perigosos como aquela fera de quatro olhos vivendo por ali. Eles teriam que ser muito cuidadosos enquanto realizavam o trabalho. Se baixassem a guarda, seriam devorados. Tinham que pensar dessa forma.

De qualquer forma, como tinham conseguido uma grande moeda preta e trĂȘs pequenas, decidiram voltar para a Vila do Poço. AlĂ©m de o PĂąntano dos CadĂĄveres jĂĄ ser frio, todos estavam encharcados, entĂŁo sentiam frio atĂ© os ossos. Queriam se aquecer ao redor de uma fogueira ou algo assim. TambĂ©m queriam comer e beber ĂĄgua.

Haruhiro e a party esconderam seus rostos e cruzaram a ponte. Uma vez dentro da Vila do Poço, sentiram um grande alívio. Mesmo com esse alívio, a atmosfera sombria da vila e a estranheza de seus moradores, cujo idioma eles não entendiam, ameaçava oprimi-los.

Havia muitos obstĂĄculos. Eles conseguiriam garantir as necessidades bĂĄsicas daqui pra frente? Poderiam viver ali? Conseguiriam ter um padrĂŁo de vida razoĂĄvel? NĂŁo era como se quisessem viver naquele mundo. Queriam voltar para casa. Para Grimgar. Havia um caminho de volta? Se nĂŁo houvesse…

E se nunca pudermos voltar para casa? E entĂŁo? O que deverĂ­amos fazer?

— Ei… — Ranta apontou para o ferreiro. — Olha. Tem… alguĂ©m ali, nĂ©?

O ferreiro, com seu torso enorme e olhos que pareciam sangue, estava martelando com força.

Havia alguém na frente dele.

— AlguĂ©m, sim, mas… — Kuzaku balançou a cabeça. — Bem, sim, Ă© alguĂ©m.

Seria um cliente, talvez? Podia ser um dos moradores da Vila do Poço, mas Haruhiro não o reconhecia. Se tivesse visto essa pessoa uma vez, lembraria.

Era alto. Facilmente duas vezes a altura de Haruhiro. Parecia, bem, parecia um espantalho. Se assemelhava a um espantalho. Se não tivesse se movido com passos vacilantes, ocasionalmente se agachando, inspecionando as mercadorias do ferreiro—em outras palavras, se tivesse ficado completamente imóvel—ele poderia ter pensado: Oh, o que um espantalho está fazendo ali?

Naturalmente, espantalhos não se movem, então não era um espantalho de verdade. Além disso, tinha aqueles braços longos e finos. Havia mãos no fim dos braços, com o que parecia ser dez ou mais dedos como fios de arame. Usava algo como uma capa de chuva sobre a cabeça. Havia algo que parecia uma måscara no rosto também.

— CĂȘ acha que Ă© um cliente? — Yume perguntou baixinho.

— Um cliente… — Shihoru repetiu, estremecendo. — EstĂĄ arrastando algo atrĂĄs de si?

— Um cadĂĄver…? — Mary cobriu a boca com as mĂŁos.

Haruhiro soltou um suspiro profundo. Vamos nos acalmar. Certo. Acalme-se. Mantenha a cabeça fria. Estå tudo bem.

A Vila do Poço era uma zona segura, ou pelo menos era suposto ser, certo? Ele pensava que sim. Mesmo que encontrassem uma criatura de aparĂȘncia perigosa ali, se apenas agissem como, Ah, olĂĄ, ou simplesmente a ignorassem, nada aconteceria… provavelmente? Ou Haruhiro estava apenas presumindo que isso era verdade? Ele estava totalmente errado? Que motivos ele tinha para pensar assim? Parecia que nĂŁo havia nenhum…

O cadåver. Como Mary havia dito, provavelmente era um cadåver. Espantalho-san (um nome temporårio) estava arrastando o que só podia ser o cadåver de uma criatura humanoide atrås de si. Além disso, olhando mais de perto, não era também o cadåver de uma besta jogado sobre o ombro direito?

Espantalho-san pegou abruptamente uma espada enorme e se virou para o ferreiro, dizendo: — U naa?

Não, ele realmente disse “u naa”? Era uma voz rouca, difícil de ouvir claramente, então Haruhiro não tinha certeza, mas foi o que pareceu.

O ferreiro parou de martelar, levantou trĂȘs dedos da mĂŁo esquerda e depois mais cinco.

— Son zaa.

Sim. O ferreiro nĂŁo tinha cinco dedos em cada mĂŁo; ele tinha oito.

— Ouun daa — Espantalho-san balançou a cabeça.

— Bowna dee — o ferreiro respondeu.

— Giha — Espantalho-san colocou a espada enorme de volta onde a tinha pegado.

— Zeh naa.

O ferreiro parecia insatisfeito, acenando com a mão esquerda, e então voltou a martelar. Espantalho-san tinha tentado comprar aquela espada, mas não tinham chegado a um acordo sobre o preço ou algo assim. Espantalho-san saiu do ferreiro e agora estava indo em direção à mercearia.

— U naa? — Yume disse, inclinando a cabeça de lado, pensativa. Ela estava usando a máscara semelhante à de um macaco. — Será que isso quer dizer “Quanto custa” ou algo assim?

— Ei, nĂŁo diz o que eu ia dizer, ainda mais quando vocĂȘ tem esses peitos tĂŁo pequenos! — Ranta gritou.

— NĂŁo chama eles de pequenos, Ranta estĂșpido!

— Se isso significa isso mesmo… — Shihoru assentiu levemente — …pode facilitar as compras…

— U naa. — Mary repetiu algumas vezes para si mesma. — Vale a pena tentar, eu acho.

— Isso parece uma boa ideia — disse Kuzaku.

Haruhiro concordou em silĂȘncio. Era uma boa ideia. O “U naa” da Mary era meio fofo. Sim. Mas, quero dizer, e daĂ­? Ou melhor, quero parar de ficar estranhamente consciente de tudo que a Mary faz. NĂŁo posso deixar isso continuar. NĂŁo Ă© bom ficar pensando assim.

Parece que Espantalho-san havia comprado um prato de ensopado de insetos. Ele levou a boca à tigela, engolindo tudo de uma vez. Mastigou os insetos com gosto, até terminar tudo.

— Será que isso começou quando perdemos aquela pessoa? — Haruhiro disse em voz alta. — Foi aí que eu comecei a ter medo de tentar várias coisas?


Tradução: ParupiroHPara estas e outras obras, visite o Cantinho do ParupiroH – Clicando Aqui


Tradução feita por fãs.
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Anime X Novel 7 Anos

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