Hai to Gensou no Grimgar – Capítulo 03 – Volume 7

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Hai to Gensou no GrimgarGrimgar of Fantasy and Ash

Light Novel Online – CapĂ­tulo 03:
[O Banho Proibido]


Quando os seis juntaram todo o dinheiro que tinham, somaram 1 moeda de ouro, 87 de prata e 64 de cobre. Quanto aos outros pertences, sĂł tinham seus itens pessoais.

Eles foram de loja em loja mostrando o que tinham, começando pela loja de roupas e bolsas, depois a loja de måscaras e a mercearia, mas os donos não mostraram interesse e os ignoraram completamente.

O ferreiro estava ocupado trabalhando, e eles nĂŁo queriam incomodĂĄ-lo, ou melhor, tinham medo de serem mortos se o fizessem.

Quanto Ă  loja de variedades, eles presumiram que o dono estava lĂĄ dentro, entĂŁo bateram na porta. TrĂȘs vezes. Sem resposta. Desistiram.

Parecia que seria difícil adquirir mais das moedas pretas dentro da aldeia; Isso seria facilitar demais. Os estÎmagos, que haviam sido temporariamente enganados com a ågua, jå estavam roncando de novo, e a sensação de crise crescia. Mesmo que fossem só uma ou duas, precisavam encontrar mais moedas pretas lå fora.

Haruhiro apertou seu estÎmago vazio enquanto eles deixavam a aldeia. O objetivo era óbvio: encontrar moedas pretas. Enquanto caminhavam, discutiram o plano. Era perigoso, ou melhor, não sabiam se era perigoso ou não, então decidiram não ir muito longe. Fariam um mapa mental da årea, com a aldeia como ponto central, e expandiriam sua årea de exploração pouco a pouco.

Primeiro, cruzaram a ponte e seguiram em linha reta. Depois de uns cem metros, deram de cara com uma floresta densa, cheia de plantas altas e esbranquiçadas que provavelmente eram årvores. Não parecia fåcil atravesså-la. Não poderiam continuar por ali.

Voltaram e seguiram pelo redor do fosso, descendo o pequeno penhasco. O leito do rio era basicamente areia, e era estranhamente quente.

Haruhiro e os outros foram até a margem. O rio parecia fundo, com uma correnteza forte. Haruhiro, hesitante, enfiou a mão na ågua preta e pura. Arregalou os olhos de surpresa.

— …EstĂĄ morna.

— SĂ©rio? — Ranta tirou os sapatos e as meias, entrando no rio descalço. — Uau! Tem razĂŁo! NĂŁo estĂĄ quente, mas Ă© morna! PodĂ­amos usar isso como banho!

— Um banho… — Shihoru murmurou distraĂ­da. — Eu quero tomar… um banho…

— É isso aĂ­… — Mary suspirou, olhando para o cĂ©u. — Um banho…

Yume soltou uma risada boba. — Banho deve ser uma coisa boa, nĂ©.

— É… — Kuzaku assentiu. — Todo mundo tĂĄ com um cheiro horrĂ­vel. Incluindo eu, tenho certeza.

— Vamos entrar! — Ranta mostrou um polegar para cima. — Todo mundo junto! Quer dizer, qual o problema, sĂł dessa vez? NĂŁo tem nada como ficar pelado junto pra fortalecer a camaradagem, dizem por aĂ­! E tĂĄ bem escuro! NinguĂ©m vai ver muita coisa! Gehehehehehehehe!

— Isso nunca vai rolar, e vocĂȘ sabe disso — Haruhiro sentiu uma forte vontade de dar um soco em Ranta, mas preferiu nĂŁo desperdiçar energia. — Desculpa, mas vamos deixar isso pra depois. Precisamos encontrar umas moedas pretas e arranjar algo pra comer. O banho pode vir depois disso. Primeiro, verificamos se Ă© seguro, e depois os homens e as mulheres tomam banho separados, em turnos.

— Vai se ferrar, Haruhiro! Sou contra! Contra, contra, contra! Contraaaa! — Ranta fez o maior barulho, mas o resto da party concordou com Haruhiro.

— Hein? — Yume, que ainda estava brincando na ĂĄgua na beira do rio, relutante em sair, pegou algo. — Oh? O que Ă© isso? Tava enterrado na… areia? É redondo e…

Haruhiro pegou o objeto de Yume.

— …É uma moeda preta.

— Deve ter mais, nĂ©?! — Ranta se jogou no chĂŁo de quatro, começando a procurar moedas pretas com tanta energia que parecia que ia acabar nadando. — Comecem a procurar! Todos vocĂȘs! Deixa eu dizer logo, o que Ă© de vocĂȘs Ă© meu, e o que Ă© meu, claro, Ă© meu tambĂ©m!

Todo mundo estava bem—nĂŁo, muito—sĂ©rio na busca.

Eventualmente, a luz flamejante no topo do cume distante desapareceu completamente, e a ĂĄrea ficou mergulhada em uma escuridĂŁo total. NĂŁo estavam longe da aldeia, e tinham ouvido o barulho do martelo do ferreiro nĂŁo muito tempo antes, mas agora o som havia desaparecido completamente.

Era noite. Quanto tempo tinham passado procurando as moedas? Haruhiro nĂŁo sabia ao certo, mas, de qualquer forma, agora era noite.

— Era só isso! Não encontramos mais nenhuma! — Ranta socou a água.

— Acho que nĂŁo Ă© tĂŁo fĂĄcil assim… — Kuzaku sentou-se no leito do rio.

— D-De qualquer forma… — Shihoru torcia a bainha encharcada de seu robe. — A gente pode voltar, ver se dĂĄ pra comprar comida com aquela moeda…

— Isso Ă© verdade — Yume parecia Ă  beira de chorar. — Yume tĂĄ ficando faminta, e isso tĂĄ deixando ela muito triste…

— Talvez valha mais do que imaginamos — Mary tentou consolá-los, o que era um pouco incomum para ela.

— É, vocĂȘ tĂĄ certa… — Ranta abaixou a cabeça. Ele parecia sem muita energia, e nĂŁo dava pra culpĂĄ-lo por isso.

— Vamos fazer isso… acho… — Haruhiro disse, desanimado, mas logo se corrigiu mentalmente. NĂŁo, nĂŁo, isso nĂŁo Ă© suficiente. Um lĂ­der nĂŁo podia se deixar abater assim.— V-Vamos lĂĄ, pessoal! Hora de comer!

No entanto, até subir o penhasco de dois metros no caminho de volta foi uma tarefa difícil. Eles voltaram para a ponte com passos vacilantes e ficaram chocados com o que encontraram.

A Torre de Vigia C, do outro lado da ponte, servia como um portĂŁo. Se nĂŁo conseguissem passar por esse portĂŁo, nĂŁo teriam como entrar na aldeia. O portĂŁo, que estava aberto hĂĄ pouco tempo, agora estava fechado, por algum motivo.

— O q-quĂȘ…? Por quĂȘ? — Haruhiro pressionou o punho contra a testa. — Porque jĂĄ Ă© noite?

— Quem se importa?! — Ranta abaixou a viseira e começou a correr pela ponte.

— E-Ei! — Haruhiro nem precisou detĂȘ-lo.

O vigia da Torre de Vigia C armou uma flecha no arco. Quando apontou para Ranta, ele nĂŁo apenas parou de repente; fez uma incrĂ­vel dogeza, ajoelhando-se e curvando-se ao chĂŁo.

— Desculpa! Não atira, não atira! Eu tî implorando, por favor, não me mata!

Talvez tenha funcionado a seu favor. Embora o vigia não abaixasse o arco, também não disparou. Ranta recuou ainda com a cabeça baixa, até voltar para onde Haruhiro e os outros estavam.

— Seu idiota! desgraçado! Eu quase morri lá!

— NĂŁo fique com raiva de mim… — Haruhiro sentia-se tonto. Estava tĂŁo fraco de fome que mal conseguia falar. — Vamos ter que esperar o portĂŁo abrir… Acho. Ou, jĂĄ que Ă© meio bobo sĂł ficar esperando, a gente pode procurar mais moedas pretas? NĂŁo, isso nĂŁo vai rolar… NinguĂ©m de nĂłs tem energia pra isso…

Eles não tinham mais forças para se mexer. Ou energia. Haruhiro e os outros sentaram ou deitaram ali mesmo. Mesmo deitados, a sensação de fome os atacava implacavelmente. Contudo, não podiam fazer nada além de aguentar. E mesmo que começassem a cochilar, a fome intensa logo os acordava.

Dava vontade de descontar em alguĂ©m. Enquanto lutavam contra esse impulso, a consciĂȘncia deles começava a se apagar de novo. E aquele sono superficial era interrompido facilmente pela fome latejante.

As trĂȘs garotas estavam juntas, dormindo e acordando de tempos em tempos.

Yume acariciava a cabeça de Shihoru. — TĂŽ com tanta fome… Ei, Shihoru, sĂł um pouquinho, Yume pode te comer?

— Se vocĂȘ nĂŁo se importar de eu comer vocĂȘ tambĂ©m…

— Oooohhh — Yume gemeu. — Se isso significa que posso ter um pouco de Shihoru, talvez Yume nĂŁo se importe de ser comida…

— Quer tentar nos comer uma Ă  outra…? — Shihoru murmurou.

— Isso parece bom… Shihoru, vocĂȘ tĂĄ com uma cara gostosa…

— Hum, se vocĂȘs nĂŁo se importam, posso comer tambĂ©m…? — arriscou Mary.

— Claro… Coma a Yume… Se eu puder comer, topo qualquer coisa nesse ponto…

— Hah. — Ranta se enrolou no chĂŁo, parecendo uma larva morta. — Do que vocĂȘs, mulheres desgraçadas, estĂŁo falando? Droga… TĂŽ com inveja… SĂ©rio, sĂ©rio…

Kuzaku estava deitado de costas, com os braços e pernas esticados, cantando alguma coisa. — Ela conchas do mar na praia… Peter Piper colheu uma safra de pimentĂ”es… Quanta madeira uma marmota poderia derrubar se uma marmota derrubasse madeira…

(NT: É uma mĂșsica antiga intitulada ‘Piter Piper’.)

— Bom, acho que ainda nĂŁo chegamos no nosso limite… — Haruhiro sorriu fracamente. — NĂŁo chegamos no limite, ou o que Ă© um limite, limite… limiti… ribiti… heheh…

Nesse mundo de escuridĂŁo infinita, era difĂ­cil acreditar que o amanhecer viria novamente, mas eventualmente, ele veio.

Mesmo antes que a luz surgisse atrĂĄs do cume, ouviu-se um rugido ominoso, e o vigia da Torre de Vigia C abriu o portĂŁo por dentro. Logo em seguida, o cume distante se iluminou.

Haruhiro e os outros se levantaram com um salto, correndo para serem os primeiros a atravessar a ponte. O ferreiro ainda não tinha começado a trabalhar, mas a panela na mercearia jå estava soltando vapor. Haruhiro ofereceu a moeda preta ao grande caranguejo que estava mexendo a panela com uma concha. O caranguejo olhou da moeda para Haruhiro e os outros com seus olhos que se projetavam por trås da måscara.

— Nos dĂȘ algo pra comer! — Haruhiro implorou imediatamente. — Estamos morrendo de fome! Qualquer coisa serve, sĂ©rio, qualquer coisa, desde que seja comestĂ­vel!

O grande caranguejo pegou seis tigelas, feitas de madeira ou algo assim, e serviu o conteĂșdo da panela—um ensopado ou algo parecido—nelas.

Haruhiro e os outros agradeceram e pegaram suas tigelas. Seria bom ter colheres, mas eles nĂŁo precisavam realmente delas.

Haruhiro deu um gole no ensopado espesso, quente e escuro. Ele nĂŁo entendeu bem o sabor. Mas era tĂŁo bom que ele podia morrer. Ao olhar ao redor, viu que todos estavam devorando o ensopado com avidez.

Estamos tĂŁo felizes, pensou Haruhiro do fundo de seu coração. Estamos felizes. Estamos felizes demais. É de tirar o fĂŽlego, como se houvesse uma essĂȘncia de alegria transbordando por cada poro de nossos corpos. Estamos incrivelmente felizes.

Ele terminou de beber o caldo espesso em questĂŁo de segundos. No entanto, ainda nĂŁo tinha acabado. Ainda havia os ingredientes sĂłlidos. Haruhiro cutucou o que estava no fundo de sua tigela.

— Ahhh?! — ele gritou surpreso.

Afinal, aqueles ingredientes… claramente pareciam centopeias. Isso sĂŁo… insetos… nĂŁo sĂŁo?

— Gahahah! A comida de um homem Ă© seu castelo! — Ranta disse algo incompreensĂ­vel e jogou corajosamente os insetos na boca, mastigando. — —Guwaaeh?! Eugh?!

Aparentemente, eram amargos. Ranta cuspiu os insetos. Era de se esperar, realmente. Eles pareciam bem nojentos. Provavelmente era melhor nĂŁo comĂȘ-los. Mas… NĂŁo era o suficiente. Honestamente, aquilo estava longe de ser o suficiente para saciĂĄ-los.

Haruhiro olhou para o enorme caranguejo. Quando fez isso, o caranguejo ofereceu a ele algo como um espeto de carne frita. A fé começou a brotar no coração de Haruhiro. Seu deus era um caranguejo gigante que comandava uma mercearia.

Enquanto Haruhiro segurava as lĂĄgrimas, pegou o espeto de carne com imensa gratidĂŁo. Mordeu-o antes mesmo de pensar se a carne era segura. Estava fria, dura, e parecia mais defumada do que frita, mas nĂŁo era ruim. Era seca e difĂ­cil de engolir, mas liberava mais e mais sabor conforme ele mastigava. Parecia que aquilo o manteria saciado por um tempo.

O grande caranguejo deu a cada um dos outros um espeto de carne defumada também. Isso significava que uma moeda preta valia pelo menos seis tigelas de sopa de inseto e seis espetos de carne misteriosa defumada.

Com a fome saciada, agora eles queriam ågua. No entanto, provavelmente precisariam de outra moeda preta para usar o poço novamente. Teriam que se virar sem ela por enquanto e ferver a ågua do rio mais tarde. Enquanto Haruhiro pensava nisso, aquele idiota do Ranta foi direto até o poço, abaixou o balde, puxou um balde de ågua e bebeu com vontade. O guardião do poço não se moveu.

—Hein? Pode?

Quando Ranta terminou, Haruhiro tambĂ©m bebeu um pouco da ĂĄgua. O guardiĂŁo do poço realmente nĂŁo ia fazer nada. Talvez fosse porque eles tinham pago no dia anterior? Se uma moeda preta valia por seis tigelas de sopa de inseto e seis espetos de carne defumada, talvez uma moeda preta por ĂĄgua para seis pessoas tivesse sido um pagamento excessivo. Talvez fosse por isso que estavam sendo autorizados a beber novamente… ou algo assim.

Seja como for, uma vez que todos se reidrataram, começaram a se sentir um pouco mais como eles mesmos. Ainda assim, não completamente.

— Hum, Haruhiro-kun… — Shihoru levantou a mĂŁo. — Eu gostaria de tomar um banho agora…

Ele não conseguia se obrigar a dizer: Temos preocupaçÔes mais urgentes.

Bem, Haruhiro raciocinou, provavelmente poderĂ­amos pensar em como conseguir mais moedas pretas enquanto nos preparamos para o banho e durante o banho. Tenho certeza que podemos. Quando estivermos devidamente revigorados, algo pode vir Ă  mente, afinal. Sim. Um banho. Vamos tomar um banho.

Haruhiro e a party deixaram a vila e foram rapidamente até a margem do rio. Talvez não precisassem ter tanta pressa, mas não conseguiam evitar.

Primeiro, cavaram um buraco prĂłximo ao rio. Depois, conectaram o buraco ao rio com um canal. Assim que o buraco se encheu de ĂĄgua do rio, fecharam o canal. Decidiu-se que as garotas iriam primeiro, e depois os rapazes. Enquanto as garotas estavam no banho, os rapazes esperariam a uma certa distĂąncia.

O buraco que estavam usando como banheira tinha cerca de um metro e meio de largura e um metro de profundidade. A ågua do rio estava na temperatura do corpo, o que era bem melhor do que estar fria. Eles levantaram uma lanterna para iluminar o buraco; a ågua não estava turva e não tinha cheiro. O trabalho foi concluído conforme o planejado, sem interrupçÔes, e o banho morno ao ar livre estava pronto.

— Bem, vamos ficar por ali — disse Haruhiro às garotas.

Haruhiro, Ranta e Kuzaku deixaram Yume, Shihoru e Mary para trĂĄs e se afastaram cerca de vinte metros do banho ao ar livre, ficando ao lado do penhasco. Mesmo quando o sol nascia, ou melhor, as chamas surgiam, o mundo ainda estava escuro. NĂŁo havia como ver as garotas daquela distĂąncia, entĂŁo provavelmente era longe o suficiente.

Ainda assim, era estranho. Ranta estava estranhamente quieto.

Ele estava quieto havia um tempo.

— Bem, hora de começar a operação, nĂŁo Ă©? — disse Ranta.

— Sabia… — Haruhiro suspirou. Como ele ia impedir esse completo canalha?

Felizmente, Haruhiro nĂŁo precisou fazer nada. Isso porque Kuzaku subitamente segurou Ranta.

— NĂŁo vou deixar vocĂȘ fazer isso.

— Ai! Ai, ai! Espera, droga, Kuzacky! O que vocĂȘ tĂĄ fazendo?! NĂŁo pega nas juntas, cara, sĂ©rio, vai com calma nas juntas! Isso dĂłi, caramba! Me solta, seu gigante idiota!

— NĂŁo, vocĂȘ Ă© bem forte, Ranta-kun. Se eu nĂŁo fizer isso, vocĂȘ vai escapar.

— Vai quebrar meu braço! Meu ombro! Vai estourar meus ĂłrgĂŁos! O que vocĂȘ vai fazer se eu morrer, hein?! Seu imbecil!

— VocĂȘ nĂŁo vai morrer tĂŁo fĂĄcil, Ranta-kun. Assim tĂĄ bom.

— Não tá bom, não tá bom, não tá bom. Dói, dói, dói. Tî morrendo, tî morrendo, tî morrendo. Me solta, me solta, me solta.

— DĂĄ pra ver que vocĂȘ tĂĄ exagerando, sabe?

— …Droga, vocĂȘ Ă© metido demais, Kuzacky! NĂŁo pode mostrar o devido respeito pelos seus superiores?!

— Eu mostro. Na verdade, tenho um certo respeito por vocĂȘ, pra falar a verdade.

— EntĂŁo me solta! Peladas! Eu vou ver as garotas peladas! Peitos! Eu tenho uma doença que vai me matar se eu nĂŁo ver uns peitos nus! SĂ©rio, cara, nĂŁo tĂŽ mentindo aqui!

— …Bem, lĂĄ se vai parte do meu respeito — disse Kuzaku. — Isso foi um pouco demais.

Ranta nĂŁo Ă© uma pessoa que mereça respeito, entĂŁo acho que tĂĄ tudo certo, pensou Haruhiro. Ainda assim, Kuzaku foi bem rĂĄpido em agir. SerĂĄ que Ă© isso? O lance dele com a Mary? Deve ser. Ele nĂŁo quer que ela seja vista. Ela Ă© o quĂȘ dele? Namorada? Amante? DĂĄ na mesma. Ele nĂŁo quer deixar outros homens verem a pessoa com quem ele tem esse tipo de relacionamento nua. É assim que Ă©. Provavelmente. É natural sentir isso.

Até Haruhiro conseguia entender isso.

Eu ainda sou virgem, no entanto, mas e o Kuzaku? SerĂĄ que eles jĂĄ… jĂĄ estĂŁo fazendo isso…? Tipo, vocĂȘ sabe?

Haruhiro se sentou no chĂŁo e cobriu o rosto com as mĂŁos. No que ele estava pensando? Era estĂșpido. Que diferença fazia? Ele nĂŁo tinha tempo para isso.

Isso mesmo. Ele realmente nĂŁo tinha tempo para isso.

Moedas pretas. Como poderiam encontrå-las? Em cadåveres, ou na margem do rio. Métodos que dependiam de sorte assim não eram bons. Havia uma maneira mais certeira? Se tivessem que ganhar dinheiro, poderiam trabalhar? Fazendo algum tipo de serviço para os moradores daquela vila? Isso seria viåvel? Mesmo sem falar a língua deles? Não parecia ser o caso.

Dinheiro. Dinheiro, hein. As moedas pretas eram dinheiro. Seriam a moeda daquela vila? Se fossem, havia uma economia monetĂĄria ali—mas um sistema onde o dinheiro era trocado por mercadorias seria prĂĄtico para uma vila tĂŁo pequena? Havia, no mĂĄximo, umas cinquenta pessoas ali. Todas as lojas tinham uma seleção bastante ampla de produtos. NĂŁo era um pouco demais para uma vila de cinquenta pessoas? Eles tinham outros clientes? Outros como Haruhiro e sua party…?

— Hah! — Eles ouviram uma voz.

NĂŁo sĂł uma voz. Um grito.

— Ei! — Ranta empurrou Kuzaku de cima dele.

Kuzaku se levantou rapidamente. — Mary… san?!

Haruhiro começou a correr assim que estava de pĂ©. — Mary?! Yume?! Shihoru?!

— Miau-chah…! — Esse era o grito de batalha de Yume. Ela estava lutando? Contra o quĂȘ? Um inimigo?

Havia um som violento de ĂĄgua sendo agitada.

— Kya…! — Essa era a voz de Shihoru? Ela tentou fugir e caiu no rio, ou algo assim?

— Hah! — Essa era a Mary. A voz dela. Parecia que ela estava lutando.

— V-Vamos nos esforçar para não ver nada! — Haruhiro sacou sua adaga e o porrete. Mas, sim, ele meio que achava que esse não era o momento de se preocupar com o que poderiam ou não ver.

Ele correu o mais rĂĄpido que pĂŽde. Conseguiu distinguir algumas formas vagas. Parecia que Yume e Mary estavam se movendo com suas armas, como ele pensava. Elas estavam fora do banho. Onde estava Shihoru? No rio? Seria esse o inimigo?

A princĂ­pio, Haruhiro achou que fosse um lagarto ou algo assim. A postura da criatura era baixa, como se estivesse rastejando. Era rĂĄpida. Pulava para a esquerda e para a direita, desviando dos ataques de Yume e Mary. Tinha mais ou menos o tamanho de uma pessoa.

Antes que pudesse pensar em qualquer coisa, Haruhiro agiu. Ele agarrou seu inimigo por trĂĄs. Spider.

Não era um lagarto. Aquela coisa era toda peluda—Tanto faz. Ele tentou enfiar sua adaga na lateral do pescoço da criatura, mas o inimigo lutou ferozmente.

Boing. Ele pulou bem alto em diagonal.

— Whoa…! — Haruhiro gritou, instintivamente se agarrando ao inimigo.

Ah, cacete. O inimigo se curvou para trĂĄs no ar. Do jeito que estavam agora, a criatura ia cair de costas. Haruhiro estava segurando essas costas, o que significava que ele seria esmagado no chĂŁo, nĂŁo Ă©?

Quando tentou se soltar, o inimigo se enrolou ao redor dele. Houve um barulho desagradåvel. O impacto atingiu quase todo o seu corpo. Ele não conseguia respirar. Sua cabeça estava girando.

O inimigo saltou para longe de Haruhiro. Em seguida, atacou imediatamente. Haruhiro levantou ambos os braços para tentar proteger o pescoço e o rosto. Tinha que, ao menos, evitar morrer, de alguma forma.

— Gahhh! — Kuzaku saltou, tentando acertar o inimigo com sua espada longa.

O inimigo recuou rapidamente e, em seguida, disparou em direção oposta.

— AĂ­ estĂĄ vocĂȘ! — Ranta correu em direção Ă  criatura, cortando o inimigo.

Bom trabalho em equipe, pensou Haruhiro, mas era questionĂĄvel se ele podia realmente se dar ao luxo de relaxar e mentalmente elogiar seus companheiros.

Ele tentou se levantar. Sem chance. Até mesmo se virar de lado doía. Em todo lugar.

Sinto que vou vomitar. PatĂ©tico. Fui descuidado. Perdi a cabeça. Por que nĂŁo consegui manter a calma? Isso Ă© frustrante. Que vergonha. O que eu sou, um novato? Isso foi um erro de iniciante. NĂŁo hĂĄ desculpa para isso. DĂłi demais…

Kuzaku e Ranta estavam perseguindo o inimigo ao redor. Mary e Yume correram em direção a Haruhiro.

— Haru?! — Mary gritou.

— Haru-kun! — Yume exclamou.

NĂŁo, isso Ă© bom—na verdade nĂŁo Ă©. Quer dizer, vocĂȘs duas estĂŁo sem roupa, nĂŁo estĂŁo? Estava escuro demais para ver qualquer detalhe, mas ele ainda se sentia mal por isso. Haruhiro fechou os olhos, achando que era o mĂ­nimo que podia fazer.

— Onde… estĂĄ a Shihoru…? — ele sussurrou.

— Miau?! Isso mesmo! Shihoru! Onde vocĂȘ estĂĄ, Shihoru?! TĂĄ tudo bem?! — gritou Yume.

— T-t-t-tĂŽ b-b-bem… — Shihoru respondeu, o que foi o suficiente para Haruhiro sentir um grande alĂ­vio.

Mas ainda era cedo para relaxar, não era? Não era uma situação para isso.

— Haru! Vou usar minha magia agora! — Mary gritou.

— NĂŁo, vocĂȘ nĂŁo pode… quero dizer, magia de luz… emite luz… Antes de fazer isso… coloca umas roupas…

— É sĂ©rio que vocĂȘ vai falar isso agora?! — Mary ficou brava com ele.

Sinto muito. Sinto muito mesmo, de verdade.

— Mary-san, aqui, suas roupas! — Kuzaku voltou correndo, jogando as roupas de Mary para ela.

— Eu realmente não me importo! — Mary gritou, mas ainda assim vestiu o que pîde rapidamente. Então, começou a tratar Haruhiro.

— Drogaaaa! — Ranta gritou. — Ele escapou da gente, seu idiota!

— Ranta estĂșpido, nĂŁo vem pra cĂĄ! — Yume berrou.

— Ah, cala a boca! Como se eu fosse fazer questĂŁo de ver seus peitinhos minĂșsculos!

— A Shihoru tĂĄ aqui tambĂ©m, sabia?!

— Claro que eu quero ver os dela! Adoraria ficar encarando, com certeza! Gwehehehehe!

— Jess, yeen, sark, kart, fram…

— Ei, ei, ei, calma, calma, Shihoru! Sem magia! Essa Ă© a magia Thunderstorm, nĂŁo Ă©?! Se eu levar uma dessas, vou virar churrasco!

Haruhiro manteve os olhos bem fechados.

Se eu abrir, posso acabar vendo todo tipo de coisa, sabe? Quero dizer, a Mary tĂĄ perto. Ela tĂĄ tĂŁo perto que consigo sentir parte do corpo dela encostando em mim. Mas eu nĂŁo vou olhar, eu juro que nĂŁo vou, beleza? Me sinto tĂŁo envergonhado por tudo isso que tenho vontade de chorar.

Mesmo assim, serĂĄ que nem pra tomar um banho em paz? Cara, isso Ă© difĂ­cil…


Tradução: ParupiroHPara estas e outras obras, visite o Cantinho do ParupiroH – Clicando Aqui


Tradução feita por fãs.
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