Hai to Gensou no Grimgar – Capítulo 14 – Volume 16
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Hai to Gensou no Grimgar – Capítulo 14 – Volume 16

14. O Salvador daqueles que acreditam
Para resumir a história, Mogado Gwagajin expressou interesse na proposta de Hiyo—ou melhor, na proposta de Jin Mogis.
Deixaremos para refletir mais tarde sobre o que aconteceu depois disso. O ponto principal é que, após uma série de eventos que exigiram cautela extrema, Haruhiro e os outros conseguiram deixar Damuro.
A propósito, Haruhiro recuperou suas coisas, mas suas roupas eram uma bagunça de rasgos e sangue. Droga. Como não podia pegar um traje novo emprestado dos goblins e não podia andar por aí pelado, ele foi forçado a usá-las assim mesmo.
Quando voltaram para Altana antes do pôr do sol, o general convocou um banquete comemorativo.
Ou melhor, foi chamado assim, mas tudo o que fizeram foi se reunir no refeitório para um jantar que, embora fosse melhor do que o dos soldados comuns, não merecia ser chamado de banquete. Havia álcool também, mas Haruhiro não estava no clima para tocar nele.
Além de Hiyo tagarelando sem parar e o general mimando-a com tolerância, não houve conversa de verdade.
Haruhiro e seu grupo tinham cumprido o trabalho. Talvez devessem estar atentos a envenenamento, mas, quando esse pensamento ocorreu a Haruhiro, a refeição já estava na metade.
Como ele pôde ser tão descuidado?
Ao sentir o choque dele, Setora disse:
— Está tudo bem.
Diferente de Haruhiro, que deixara a exaustão embotar seu julgamento, Setora estava alerta. Ele viu Kiichi aos pés dela, comendo as mesmas coisas que a dona. Kiichi não era burro a ponto de se deixar envenenar.
Haruhiro e sua equipe ainda podiam ser úteis. Essa parecia ser a leitura que o general fazia da situação.
Parecia perfeitamente possível que ele conseguisse sua aliança com os goblins.
Eles devolveriam as armas de hi’irogane que haviam capturado; esse trabalho seria realizado nos próximos dias. Ao mesmo tempo, o general desmantelaria a Força Expedicionária, reorganizando-a como o Exército da Fronteira.
Era apenas uma mudança de rótulo, mas o plano era se retirar do Reino de Arabakia, preparar uma nova bandeira de guerra e declarar-se Comandante do Exército da Fronteira.
Então, o Comandante Jin Mogis e o mogado goblin Gwagajin trocariam um pacto de não agressão mútua. Mogis iria pessoalmente a Damuro, e Gwagajin sairia da Cidade Nova para se encontrarem em algum lugar adequado na Cidade Velha.
O pacto declararia o seguinte:
O Exército da Fronteira reconheceria Damuro e seus arredores como domínio dos goblins e não o violaria. Além disso, o Exército da Fronteira teria Altana e seus arredores como seu domínio. Os goblins não o violariam.
Isso era o que Haruhiro e seu grupo sabiam de antemão. O que não lhes foi informado foi a parte seguinte.
O Exército da Fronteira buscaria tomar a Cidade Livre de Vele. Assim que Vele fosse conquistada, o Exército devolveria Altana e seus arredores para os goblins.
Dali em diante, o Exército reconheceria tudo ao sul de Damuro como domínio dos goblins. O sul de Damuro incluía Altana, claro, mas as Montanhas Tenryu também ficavam por lá.
O território principal do Reino de Arabakia ficava além das Tenryu. Os goblins teriam meios de cruzar as montanhas e tomar o continente? Obviamente não. No entanto, Jin Mogis sugeria que eles teriam o direito de fazê-lo.
Quanto mais Gwagajin ouvia a explicação de Hiyo através de seu intérprete ugoth, mais feliz ele parecia. O mogado goblin parecia até tonto de alegria para Haruhiro.
Os goblins provavelmente sentiam um grande complexo de inferioridade em relação às outras raças. Provavelmente as temiam também.
Mas não é como se fôssemos maus ou algo assim. Era humano querer pensar dessa forma. Goblins não eram humanos, mas possuíam certo grau de inteligência, então dava para entender se sentissem o mesmo. Eles tinham sua própria cultura e civilização. Tinham seu mogado e sua própria sociedade.
Eles ficariam zangados se alguém os menosprezasse e, se outros os reconhecessem e mostrassem o devido respeito, ficariam satisfeitos também.
O No-Life King outrora tratou os goblins como parceiros iguais em sua aliança. Mas talvez os orcs e outras raças não sentissem o mesmo.
No recente avanço dos clãs orcs e mortos-vivos para o sul, os goblins e kobolds atacaram ao mesmo tempo. Embora os goblins tivessem recebido Altana e os kobolds a Fortaleza de Ferro Beira-Rio, os orcs e mortos-vivos haviam largado tudo e partido.
No fim das contas, para os orcs e mortos-vivos, os goblins e kobolds talvez não passassem de ferramentas convenientes.
Teria Gwagajin percebido que os orcs e mortos-vivos não eram seus amigos? Que eles os desprezavam e se aproveitavam deles? Que não eram aliados de verdade?
Parecia que Jin Mogis tivera sucesso em lisonjear Gwagajin e ganhar seu favor por enquanto. O próximo passo seria o encontro entre os dois.
Não havia base real para pensar isso, mas Haruhiro suspeitava que o homem que buscava ser o rei da fronteira e o mogado dos goblins poderiam, surpreendentemente, ter muito em comum.
— Haruhiro — sussurrou Kuzaku, que estava sentado ao seu lado, inclinando-se. — Uh, ei. Não deveríamos… sabe… falar da Shihoru-san logo?
— Sim.
Haruhiro sabia disso. Não precisava que Kuzaku o lembrasse. Ele já estava procurando o momento certo para abordar o assunto.
— Sim?
Os olhos enferrujados do general fixaram-se em Haruhiro. Pareciam inorgânicos, sem um pingo de humanidade. Aqueles olhos deixavam Haruhiro inquieto. Isso não era bom.
— …Eu queria falar sobre uma coisa. Tudo bem?
— Eu não me importo.
O general limpou o canto da boca com um guardanapo e cruzou as mãos sobre a mesa. Havia um anel no indicador da mão esquerda. Aquela pedra azul com o padrão de três folhas. Tinha que ser uma relíquia. Que poder ela escondia?
— Diga o que desejar.
Desde o momento em que o conheceram, Jin Mogis parecia sobre-humano, como se nada o assustasse. Haveria algo capaz de abalar esse homem?
Mesmo que visse seus próprios amigos e família morrerem diante de seus olhos, ele provavelmente nem levantaria uma sobrancelha. Se fosse ameaçado pessoalmente, bem, provavelmente entraria um pouco em pânico, mas não perderia a cabeça completamente.
Talvez fosse apenas encenação. Mas, mesmo que ele estivesse apenas interpretando o papel de “Jin Mogis, o Imperturbável”, isso já era impressionante por si só. Se ele nunca saísse do personagem, não era diferente da realidade.
Tem que ser apenas uma encenação, pensou Haruhiro.
Ele não diria que o homem era um tigre de papel, mas ele definitivamente estava sustentando uma fachada imponente. Provavelmente porque sentia que não podia se dar ao luxo de mostrar qualquer fraqueza. Não era como se ele fosse realmente tão composto quanto aparentava.
Pelo que Haruhiro imaginava, o general certamente era um guerreiro endurecido por batalhas, um comandante experiente; então, sem dúvida, ele sabia empunhar uma espada melhor que a maioria.
Mas Kuzaku também era muito bom em uma luta de espadas. Ele fora abençoado com o físico certo para isso e não se assustava facilmente.
Além disso, ele sabia fazer mais do que apenas balançar sua grande katana com força bruta. Ele podia não ser o que se chama de astuto, mas, considerando quantos inimigos ele enfrentava sozinho, ele tinha que ser bom em manter o olho em várias coisas ao mesmo tempo. E também, cada golpe da katana de Kuzaku ameaçava seus oponentes com danos letais.
Se Kuzaku e o general lutassem em um combate individual, quem venceria? Obviamente, não havia como saber sem ver, mas era difícil imaginar que Kuzaku cairia facilmente. Ele faria daquilo uma luta acirrada, no mínimo.
O resto do grupo estaria lá também. Kuzaku não teria que lutar sozinho. Poderia ser covardia, claro, mas se todos eles se voltassem contra o general, provavelmente acabaria em um instante.
Esse era um tópico perigoso, mas eles poderiam matar o general se decidissem fazê-lo. Mas o general também não era idiota, então ele devia saber disso.
Quando chegasse a hora, Haruhiro e os outros poderiam se recusar a acatar suas ordens. Era por isso que ele mantinha Shihoru como refém, como uma ameaça.
— É sobre a nossa companheira.
Assim que Haruhiro disse isso, o general bufou, sem mudar a expressão nem um pouco.
Se nos irritar, sabe o que vai acontecer, certo? Podemos acabar com você. Fizemos o que pediu. Nós fizemos. Agora faz o que deve. Ou então…
— Você se refere aos seus antigos camaradas do Esquadrão de Soldados Voluntários, talvez?
Ele quer se fazer de idiota, hein? Eu quero começar a gritar. Mas não. Tenho que me segurar. Agora não é a hora.
— Não. Não eles.
O general usou o dedo indicador esquerdo, que portava o anel, para bater na mão direita duas vezes; então, inclinou a cabeça para o lado.
— Quem, então?
Neal deu uma risadinha. Hiyo deu de ombros.
Malditos sejam. O sangue subiu à cabeça de Haruhiro.
Ele ouviu alguém estalar a língua. Olhando para o lado, viu que o rosto de Kuzaku estava voltado para baixo, contorcido de emoção. Mary parecia pálida. Hiyo estava encarando-os.
Setora se inclinou. Ele se perguntou o que ela estava prestes a fazer, mas ela apenas acariciou a cabeça de Kiichi. Ela estava até sorrindo, como se estivesse totalmente despreocupada.
Haruhiro olhou de volta para o general que estava, como sempre, imperturbável.
Será que esse homem estava realmente sustentando uma fachada? Ou ele era apenas inacreditavelmente tapado? Seria possível que o homem tivesse alcançado algum tipo de iluminação depois de todo o inferno pelo qual passou?
— Nós fizemos a nossa parte. Acho que você deveria fazer a sua também. Se não puder pagar o nosso preço, não podemos trabalhar.
— Deixe-me dar-lhes quaisquer postos e honras que desejarem.
Quando Haruhiro balançou a cabeça, a testa do general franziu levemente.
— Quanta falta de ambição. O que vocês querem em vez disso? Já sei. Temos tido dificuldade para abrir o cofre da Companhia de Depósitos Yorozu. Querem tentar a sorte? Dizem que está transbordando de riquezas incríveis. Eu lhes darei uma parte.
— Não precisamos desse lixo.
Ele fez o melhor que pôde para não levantar a voz. Seria por orgulho? Sua forma de se opor ao general? Ele já nem sabia mais.
— Só queremos que você devolva o que é nosso.
— Vocês precisam que uma dívida seja paga? Eu recompensarei seus esforços. Acredito que é o que venho dizendo o tempo todo.
— Ah, qual é…! — Kuzaku bateu as palmas das mãos na mesa. Foi bem alto, mas o general nem sequer olhou em sua direção. Seus olhos estavam fixos em Haruhiro.
— Eu não, que me lembre, tomei nada de vocês. Mas suponhamos que eu tenha tomado. O que eu ganharia devolvendo a vocês?
— O quê…?
— Há uma série de coisas que posso lhes dar. Vocês podem ser gananciosos demais para se satisfazerem com elas, mas acho bastante ofensivo quando tenho tentado encontrar alguma forma de mostrar minha sinceridade. Se buscam mais de mim, como responderão? O que podem me dar? Qual será o preço?
— O preço… — Haruhiro baixou a cabeça.
O quê? Ele não está entendendo. Queporra é essa?
Teria sido tudo em vão? Eles foram apenas feitos de bobos para trabalhar de graça? O general não tinha intenção de devolver Shihoru desde o início?
Ou não havia como ele devolvê-la?
Shihoru fora sequestrada e estava sendo mantida em algum lugar. Era realmente isso?
Ou poderia ser outra coisa?
Como se ela já estivesse… já estivesse o quê?
Haruhiro não queria pensar sobre isso. Ele estava tentando evitar o pensamento. Não era disso que o general estava se aproveitando?
Ele não queria considerar a pior possibilidade. Então, já que não podia ser isso, já que aquilo não poderia ter acontecido, Haruhiro tinha que ouvir o general. Tinha que obedecê-lo. Ele só podia se agarrar à pouca esperança que restava.
Mesmo que ela não existisse de verdade.
Sim, poderia não haver esperança desde o começo.
— Eu valorizo vocês — disse o general, e então, refletindo por um momento: — Eu os valorizo muito — corrigiu-se. — Serão jovens como vocês que abrirão o caminho para o futuro nesta fronteira. Nem precisa dizer que preciso da força de vocês. Vocês não me conhecem. Provavelmente há algum mal-entendido aqui. No entanto, se eu pudesse oferecer um conselho a vocês, jovens, seria que, mesmo que não consigam aceitar as coisas como são no presente, deveriam ter uma visão de longo prazo. O nevoeiro espesso que paira no ar agora pode ter se dissipado amanhã.
Haruhiro ergueu o rosto e olhou diretamente nos olhos do general mais uma vez.
— Por que você não é um pouco mais direto? Para que possamos entender.
— Eu pediria que depositassem sua confiança em mim. — O general sorriu.
Inacreditavelmente, parecia um sorriso cheio de benevolência, como o tipo de sorriso que um pai dirigiria aos seus filhos.
— Vocês não serão maltratados. Estou pensando em todos vocês quando digo isso. Iria contra os meus desejos ver flores cortadas ainda no botão.
Tradução: ParupiroHPara estas e outras obras, visite o Cantinho do ParupiroH – Clicando Aqui
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