Dare ga Yuusha wo Koroshita ka – CapĂ­tulo 7 – Volume 2

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Dare ga Yuusha wo Koroshita ka
Who Killed the Hero?
Quem Matou o HerĂłi?

MangĂĄ Online – CapĂ­tulo 07
[Garnahazza 2]


— VocĂȘ Ă© Leonard?

A voz do demĂŽnio Belzera era baixa, mas reverberava ao redor.

— Sou eu. E vocĂȘ deve ser Belzera?

— De fato. Ouvi falar de vocĂȘ. Garanto a vida de vocĂȘs quatro. Em troca, matem o herĂłi Ares. NĂŁo importa como façam isso.

As palavras de Belzera eram concisas, contendo apenas o essencial, sem nenhum desperdĂ­cio.

— Se vocĂȘ estĂĄ garantindo nossas vidas diretamente, entĂŁo nĂŁo hĂĄ problema. A propĂłsito, esses trĂȘs atrĂĄs de vocĂȘ sĂŁo seus Ășnicos guardas? NĂŁo estĂĄ sendo um pouco descuidado?

— É o suficiente. Julguei que trazer mais poderia assustĂĄ-los a ponto de nĂŁo aparecerem. O melhor cenĂĄrio Ă© que vocĂȘs traiam a humanidade. O segundo melhor Ă© matĂĄ-los caso tentem nos enganar. Ambos os resultados nos beneficiam. EntĂŁo, qual serĂĄ?

GotĂ­culas de suor surgiram na testa de Leonard.

— O que foi? Achou que quebraríamos nosso acordo?

— Mentir Ă© um hĂĄbito humano, embora seja lamentĂĄvel. No entanto, vocĂȘs sĂŁo guerreiros fortes que derrotaram muitos demĂŽnios. MatĂĄ-los seria significativo para nĂłs. Portanto, se decidirem trair os humanos ou quebrar o acordo, isso nĂŁo farĂĄ diferença para nĂłs.

— VocĂȘs, demĂŽnios, nĂŁo tĂȘm uma brecha sequer, nĂŁo Ă©? Esperava poder surpreendĂȘ-los um pouco.

Leonard desembainhou sua espada. Ephsei preparou sua lança, enquanto Sophia e Nina começaram a entoar feitiços.

— EntĂŁo vocĂȘs escolheram lutar, humanos? NĂŁo tĂȘm chance de vencer.

Belzera também desembainhou sua espada, que emanava uma aura negra.

Os demÎnios que estavam parados atrås avançaram.

※ ※ ※

Ephsei estava enfrentando o demĂŽnio azul. Era uma batalha de lanças… embora, comparada Ă  lança enorme do demĂŽnio azul, a de Ephsei parecesse um jovem galho.

No entanto, o objetivo de Ephsei não era vencer, mas atrair a atenção do demÎnio azul.

Ele queria assumir o papel de derrotar Belzera, mas após perder em um confronto direto para Leonard, cedeu esse papel. Agora, pretendia ser uma peça de sacrifício para ajudar na derrota de Belzera.

Atrair a atenção do inimigo era algo que ele havia feito inĂșmeras vezes em batalhas anteriores.

Com apenas um oponente, na verdade era mais fĂĄcil do que o habitual.

Primeiro, ele lançou um ataque para desviar a atenção do demÎnio azul para si.

As lanças se chocaram, mas a de Ephsei se curvou bastante, enviando uma sensação de dormĂȘncia por seu braço.

Ao perceber isso, recuou enquanto atraía o demÎnio azul. Então, de uma postura baixa, fechou rapidamente a distùncia e desferiu um golpe ascendente råpido em direção à garganta do demÎnio azul.

O demĂŽnio azul evitou o golpe ao recuar, mas era exatamente o que Ephsei havia previsto. Ele seguiu com vĂĄrios golpes sucessivos.

No entanto, o demÎnio azul intencionalmente recebeu um desses golpes no ombro, depois balançou sua lança como uma clava, lançando Ephsei pelos ares.

Ephsei foi arremessado contra uma parede em ruĂ­nas, mas rapidamente recuperou sua postura e recuou.

A lança do demÎnio azul perfurou o local onde ele estava momentos antes.

Sangue escorria do ombro do demÎnio azul, mas ele continuava a brandir sua lança sem preocupação.

— VocĂȘ deveria cuidar melhor do seu corpo. — disse Ephsei, cuspindo saliva manchada de sangue.

— Isso mal conta como um ferimento. — respondeu o demînio azul, desferindo um golpe casual com sua lança.

Ephsei saltou para o lado para evitar o ataque, mas foi recebido por outro golpe, que ele mal conseguiu desviar com sua própria lança.

É difícil.

Em termos de técnica com a lança, Ephsei tinha a vantagem, mas a diferença fundamental de força era grande demais para ser superada apenas com habilidade. Contudo, se Ephsei tentasse fugir, o demÎnio azul poderia retornar para Belzera, e se adotasse uma postura defensiva, correria o risco de ser atingido por ataques de baforada ou magia. O demÎnio possuía uma ampla gama de opçÔes de ataque.

Portanto, até certo ponto, Ephsei não tinha escolha a não ser continuar iniciando ataques.

Bem, suponho que seja mais fĂĄcil do que daquela vez.

Apesar da desvantagem esmagadora, Ephsei conseguiu sorrir.

Em termos de situação, era muito pior quinze anos atrås. Afinal, ele nem conseguia tocar em Belzera naquela época.

Ele balançou sua lança. Embora fosse facilmente repelido pela força bruta do demÎnio azul, continuou atacando.

Ele perfurou com sua lança pelas menores aberturas possíveis, cuidadosamente evitando a lança do demÎnio azul. Mesmo que sua lança acertasse o demÎnio azul, não seria fatal, mas, se fosse atingido pela lança do demÎnio azul, provavelmente seria o fim.

Ephsei continuou nessa batalha desesperada, como se estivesse desgastando sua prĂłpria vida.

Enquanto ele conseguia afastar o demĂŽnio azul o suficiente de Belzera, o fim chegou abruptamente.

A lança do demÎnio azul rasgou a coxa de Ephsei.

Embora para uma lança tão massiva tenha sido apenas um arranhão, foi profundo o suficiente. Ephsei caiu de joelho.

Isso Ă© o fim?

Ephsei pensou que havia cumprido seu papel suficientemente bem. Ele havia ganhado tempo. Se nĂŁo conseguissem derrubar Belzera com isso, seria culpa de Leonard, ele pensou com um sorriso suado.

A ponta da lança do demÎnio azul aproximou-se como um redemoinho. Com a perna imobilizada, Ephsei também não conseguiu levantar o braço.

Por fim, lutei atĂ© o Ășltimo momento.

Curiosamente, Ephsei sentiu um senso de contentamento.

PorĂ©m—

A ponta da lança do demÎnio azul desapareceu de repente, encerrando o ataque em um erro.

— O quĂȘ!?

O demĂŽnio azul exclamou surpreso.

— Isso foi um manejo de lança bem desleixado — disse uma voz.

Sem que ninguém percebesse, um cavaleiro havia surgido perto de Ephsei.

Cabelos loiros curtos e um porte robusto. Ele parecia jovem, talvez nem tivesse completado vinte anos. Em ambas as mĂŁos, segurava uma grande espada imbuĂ­da de luz mĂĄgica.

Um som metålico foi ouvido, e a ponta da lança do demÎnio azul caiu longe.

Pela situação, parecia que o cavaleiro havia cortado a ponta da lança.

Mas nem Ephsei nem o demĂŽnio azul captaram aquele momento.

— Quem Ă© vocĂȘ? — O demĂŽnio azul recuou, criando distĂąncia.

— Leon. O Santo da Espada. Saque sua espada. VocĂȘ nĂŁo pode vencer assim.

O homem que se chamou de Leon incentivou o demĂŽnio azul a desembainhar a espada em sua cintura.

Isso era confiança ou respeito à cavalaria?

O demÎnio azul segurou o que restava de sua lança na mão esquerda e desembainhou a espada com a direita.

— Está pronto? Então, aqui vou eu.

No entanto, antes que Leon pudesse se mover, o demÎnio azul atacou com a lança sem ponta.

…Mas o pulso esquerdo do demĂŽnio azul, que segurava a lança, voou pelos ares.

Leon havia avançado como um deslize, fechando a distùncia em um instante e decepando o braço do demÎnio azul.

NĂŁo era que Leon tivesse uma velocidade sobre-humana; era simplesmente que nĂŁo havia absolutamente nenhum desperdĂ­cio em seus movimentos.

Os passos, o movimento dos braços, o deslocamento do centro de gravidade, a trajetória da espada; cada parte de seu corpo, até a ponta dos dedos, operava na perfeição. Era a técnica de espada definitiva, refinada ao extremo.

O demĂŽnio azul soltou um rugido para suprimir a dor e desceu sua espada com a mĂŁo direita.

Leon avaliou a trajetĂłria da espada, desviou pelo lado esquerdo do demĂŽnio azul e passou para suas costas enquanto cortava seu flanco. EntĂŁo, enquanto o demĂŽnio azul caĂ­a de joelhos involuntariamente devido Ă  dor, Leon o decapitou com um movimento fluido.

O demĂŽnio azul provavelmente nem percebeu o que havia acontecido antes de perecer.

— …Como alguĂ©m pode alcançar esse nĂ­vel de perfeição? Como se pode atingir tamanha habilidade? — Ephsei murmurou sem fĂŽlego.

— Não passa da acumulação dos fundamentos — respondeu Leon, como se não fosse nada especial. — Aprendi a importñncia disso com um amigo.

Fundamentos? Pensando bem, Leon nĂŁo fez nada extraordinĂĄrio. Mas cada movimento realizava o ideal. Ainda assim, nenhum humano deveria ser capaz de atingir tal ĂĄpice.

— Quem Ă© vocĂȘ? É mesmo humano?

— Sou um Santo da Espada. Antes de ser humano. — Leon sorriu de forma ousada.

※ ※ ※

Sophia lançou um feitiço contra o demÎnio vermelho.

Era um feitiço de vento com uma invocação curta, priorizando a velocidade em vez do poder.

O demÎnio vermelho rebateu a lùmina de vento que visava sua cabeça com uma das mãos.

Para o demÎnio vermelho, era um feitiço fraco o suficiente para ignorar, mas claramente mirava os olhos, forçando-o a desviar.

Sophia continuou lançando pequenos feitiços em råpida sucessão.

Embora cada um deles carecesse de poder, eles miravam pontos vitais com precisão, forçando o demÎnio vermelho a reagir.

O demÎnio vermelho balançava seu machado em direção a Sophia como se estivesse afastando insetos, mas não conseguia se aproximar. Sophia se movia bem para uma usuåria de magia.

E mesmo enquanto se movia, não perdia o fÎlego e continuava entoando feitiços.

Esse era o resultado do treinamento que Sophia havia realizado desde que se juntara ao grupo de Leonard.

Sophia lembrou-se das palavras de Leonard: — Na sua idade, seu poder mĂĄgico nĂŁo vai aumentar muito. Mas, jĂĄ que vocĂȘ nunca treinou o corpo, sua resistĂȘncia ainda pode melhorar. Se conseguir lançar feitiços enquanto corre, suas opçÔes em combate vĂŁo se ampliar.

Quando Leonard lhe disse isso, Sophia aceitou treinar seu corpo sem reclamar.

Ela ouviu dizer que Lei havia passado pelo mesmo treinamento.

Como rotina diåria, ela se impÎs um treino de corrida, praticando lançar feitiços enquanto ofegava.

No início, não foi fåcil, mas, depois de meio ano, ela conseguiu recitar feitiços enquanto corria. Foi graças a isso que Sophia conseguiu escapar dos hobgoblins em Arkand.

— Agora, trabalhe para melhorar sua precisĂŁo mĂĄgica. Poder mĂĄgico pode ser um talento nato, mas precisĂŁo vem do esforço. Mesmo magias fracas podem ser eficazes se atingirem o ponto certo. Isso deve ser uma tĂĄtica Ăștil contra demĂŽnios.

Esse era aparentemente outro treinamento mĂĄgico que Lei havia realizado.

Leonard estava constantemente pensando em formas de derrotar os demĂŽnios.

Ele realmente tinha a intenção de derrotar Belzera com apenas quatro pessoas.

Ele traçava estratĂ©gias para vĂĄrios cenĂĄrios: se Belzera tivesse um grande nĂșmero de guardas, se fossem poucos guardas de elite ou, com sorte, se ele estivesse sozinho.

Ter apenas trĂȘs guardas demonĂ­acos era, na verdade, um dos melhores cenĂĄrios previstos.

Porém, isso não significava que a batalha seria fåcil. Nem um pouco.

NĂŁo Ă© comum que um mago consiga enfrentar sequer um demĂŽnio sozinho, em princĂ­pio.

Eles estavam tentando compensar isso melhorando a força física e a precisão mågica.

…NĂŁo, isso nĂŁo Ă© suficiente. Provavelmente nĂŁo temos chance como estamos.

Na verdade, magias fracas mal causavam dano aos demĂŽnios.

A estratĂ©gia bĂĄsica de Leonard assumia que os outros trĂȘs chamariam a atenção dos guardas de Belzera enquanto ele o derrotava. Se conseguisse derrotĂĄ-lo, Leonard poderia vir ajudĂĄ-los depois.

Nas batalhas anteriores contra demĂŽnios, tratadas como treinamento para esse dia, Leonard sempre enfrentava o demĂŽnio enquanto os outros trĂȘs distraĂ­am os monstros.

Ou seja, se Leonard falhasse em derrotar Belzera, todos eles cairiam juntos.

Queria que os reforços chegassem logo…

Para ser honesta, Sophia não esperava muito dos reforços.

Ela achava que talvez nĂŁo conseguisse aguentar mesmo que Leonard tivesse sucesso.

…Mas tudo bem.

Apesar de ter sido salva por Lei, ela havia passado a vida sem propĂłsito.

Ela nĂŁo tinha arrependimentos sobre ter voltado a ser uma aventureira depois que Leonard a arrastou de volta para isso.

Sophia vinha usando magias de baixo consumo para lutar o mĂĄximo possĂ­vel, mas seu limite estava se aproximando.

Mesmo tendo construĂ­do resistĂȘncia fĂ­sica, ela ainda era apenas uma maga, afinal. NĂŁo era pĂĄreo para um demĂŽnio.

A distĂąncia que vinha mantendo com magia estava diminuindo gradativamente.

Parece que Leonard nĂŁo vai chegar a tempo, afinal.

Ela recuou, reunindo suas Ășltimas forças.

Sua intenção era atingir o demÎnio vermelho que a perseguia com o feitiço mais forte que podia usar.

Era uma técnica proibida que convertia força vital em poder mågico.

UsĂĄ-la significaria morte certa, mas poderia levar o demĂŽnio vermelho com ela.

Porém, devido ao alto poder, ela queria manter a maior distùncia possível de seus companheiros.

Enquanto corria com o que lhe restava de força, viu um homem parado em seu caminho.

Quem Ă© ele?

Um homem magro, com um rosto nervoso, vestindo um manto de mago roxo e segurando um grande cajado. Ele claramente parecia apenas um mago.

— VocĂȘ planejava atrair o demĂŽnio e lançar algum feitiço autodestrutivo? Bem, nĂŁo Ă© uma mĂĄ ideia. Para uma maga do seu nĂ­vel, provavelmente Ă© a Ășnica forma de vencer. De qualquer forma, duvido que consiga derrotar o demĂŽnio.

NĂŁo precisa dizer o que eu estava pensando!

Sophia quis gritar isso, mas engoliu as palavras ao ouvir o homem começar a entoar um feitiço.

— Chama vermelha, espĂ­rito do fogo, inferno ardente, responda ao meu chamado com a sabedoria das artes secretas antigas…

Embora muito abreviado, parecia ser um feitiço de fogo semelhante aos que Sophia usava.

Além disso, a velocidade da invocação era impressionante.

Serå que um feitiço pode funcionar assim?

Enquanto Sophia ainda estava surpresa, o homem completou a magia com tranquilidade.

Quando ela se virou, viu chamas carmesins perfurando o corpo do demĂŽnio vermelho com uma densidade incrivelmente alta.

DemĂŽnios geralmente possuem uma alta resistĂȘncia a magias, tornando difĂ­cil infligir danos significativos, mesmo com feitiços avançados de fogo. Contudo,

— Guaaa!

Se o alcance da magia de Sophia era de 100, o alcance da magia daquele homem era apenas cerca de 1. Mas, em troca, as chamas haviam se tornado como uma luz vermelha, penetrando o corpo do demĂŽnio vermelho. Ficava claro que o poder destrutivo estava em um nĂ­vel completamente diferente.

— Tolos sĂł sabem usar magia da forma como lhes foi ensinada. Mas, se vocĂȘ for capaz de compreender, controlar e tornar a magia sua, coisas assim se tornam possĂ­veis. Este Ă© o resultado das minhas pesquisas com meus amigos.

O homem parecia estar zombando tanto do demĂŽnio vermelho quanto de Sophia.

Ele ainda era um jovem, provavelmente na casa dos vinte anos, e sua atitude condescendente era irritante, mas sua habilidade era inegĂĄvel. Sophia, que um dia fora chamada de gĂȘnio, sabia que nĂŁo tinha chance contra ele.

— Quem Ă© vocĂȘ?

— Mesmo depois de ver este feitiço, vocĂȘ nĂŁo sabe quem eu sou? VocĂȘ Ă© uma maga sem discernimento, nĂŁo Ă©?

O homem balançou a cabeça, como se estivesse exasperado.

— Eu sou Solon. As pessoas me chamam de Grande Sábio.

O feitiço de Solon incinerou com precisão o coração do demÎnio vermelho, selando seu destino.

※ ※ ※

Tipicamente, o papel de um sacerdote é curar. Eles não costumam lutar na linha de frente. Porém, se perguntassem se é completamente impossível, a resposta seria não. Afinal, Deus é grandioso. Ele pode tornar qualquer milagre possível.

Claro, um preço é exigido.

Agora, Nina havia incorporado o poder de Deus em si mesma.

Isso aconteceu por meio de um milagre chamado [Descida Divina], um milagre secreto que permite convidar Deus a habitar o seu prĂłprio corpo e conceder-lhe poder.

Naturalmente, Deus nĂŁo desce de fato.

Estritamente falando, o milagre faz o usuĂĄrio acreditar que Deus estĂĄ presente, permitindo que ele perceba o divino em sua plenitude e, assim, obtenha seu poder.

Pode parecer um milagre muito eficaz, mas humanos nĂŁo sĂŁo deuses. Naturalmente, hĂĄ um limite para o poder que podem receber e, mais importante, isso coloca uma grande pressĂŁo no corpo. Se for apenas para aprimoramento fĂ­sico, Ă© mais eficiente deixar guerreiros lutarem. Por isso, mesmo sacerdotes de alto nĂ­vel raramente utilizam esse milagre.

Ainda assim, Nina estava usando-o.

Seu corpo parecia em chamas. Sentia como se seu sangue estivesse fervendo, seus órgãos internos derretendo. Ela havia tentado acostumar seu corpo a isso praticando em monstros vårias vezes, em preparação para este dia, mas enfrentar um demÎnio era completamente diferente.

Um leve aumento nas habilidades físicas não faria muita diferença. Ela precisava se esforçar ao måximo apenas para conseguir enfrentar o demÎnio verde.

A arma do demĂŽnio verde era um bastĂŁo.

Nina desviou habilmente do golpe, e o impacto poderoso que perdeu seu alvo despedaçou o solo. Nina imediatamente avançou e atingiu o braço do demÎnio verde com seu cajado.

Mesmo com seu corpo aprimorado, ela ainda era apenas uma sacerdotisa e nĂŁo podia causar muito dano.

Mas isso era suficiente. O papel de Nina, assim como o de Ephsei e Sophia, era chamar a atenção dos demÎnios. Bastava fazer com que seu oponente pensasse: Que irritante.

AlĂ©m disso, o simples fato de “ser atingido por uma mera sacerdotisa” era humilhante para os orgulhosos demĂŽnios. Leonard havia lhe ensinado isso.

— Esses demĂŽnios, apesar da aparĂȘncia, tĂȘm orgulho como cavaleiros. Se vocĂȘ ferir esse orgulho, eles vĂŁo te perseguir ansiosamente — ele disse.

Leonard era um homem terrĂ­vel.

Ele dizia que a vida humana valia menos que moedas de ouro e declarava que o dinheiro era o mais importante.

É raro encontrar alguĂ©m que diga isso tĂŁo abertamente. Nem mesmo mercadores falam assim. Mas, de fato, o dinheiro era importante.

Leonard, fiel Ă s suas palavras, comprou a vida de refugiados com dinheiro.

Em troca de dinheiro, ele providenciou abrigo e comida, salvando a vida de pessoas que fugiram de outros paĂ­ses. E agora, estava lutando para continuar protegendo essas vidas.

Para nós, isso também significava vingar o que aconteceu quinze anos atrås, mas essa batalha tinha um significado ainda maior.

É por isso que não podemos deixar Leonard falhar.

Nina atingiu o demÎnio verde novamente com seu cajado, e a expressão dele se contorceu de irritação.

Ela imediatamente saltou para trĂĄs, desviando do golpe horizontal do bastĂŁo que veio em seguida.

Meu corpo estĂĄ doendo…

Seu estado atual permitia que ela se movesse com mais agilidade do que um guerreiro comum, mas o custo fĂ­sico era enorme. Era algo incomparĂĄvel ao que sentira ao lutar contra goblins ou fugir de hobgoblins. NĂŁo duraria muito mais.

Ainda assim, Nina se sentia realizada. Estava feliz por poder lutar contra um demÎnio. Não era mais a pessoa que congelava de medo naquela época. Isso a deixava satisfeita.

O bastão foi balançado novamente. Sua reação foi um instante atrasada e, ao tentar bloquear com o cajado, foi lançada pelos ares.

Por um momento, seu corpo flutuou no ar antes de atingir o chão com força.

Ela quase não sentiu dor. O esforço causado pela [Descida Divina] era tão intenso que provavelmente estava entorpecendo seus sentidos. No entanto, seus movimentos lentos eram um sinal de que seu corpo jå não aguentava mais.

Ao tentar se levantar, seus joelhos cederam.

Este Ă© o fim, nĂŁo Ă©?

Nina aceitou a morte. Não havia medo. Ela jå estava como morta hå quinze anos. Sobreviver naquela época fora um milagre.

…NĂŁo, ela se sentia manchada por ter continuado a viver, incapaz de realizar o milagre divino para salvar Luke por causa de seu medo. Como forma de penitĂȘncia, havia prolongado sua vida ajudando os outros.

Agora, finalmente estava quitando essa dĂ­vida.

NĂŁo havia mais arrependimento por aquele momento.

Encarando o bastĂŁo que se aproximava, Nina fechou os olhos.

— Ora, ora, vocĂȘ estĂĄ realizando uma descida divina?

Em vez do impacto esperado, uma voz feminina alcançou seus ouvidos.

Uma voz como uma bela melodia. Pensando que talvez fosse um mensageiro divino vindo para recebĂȘ-la na morte, Nina abriu os olhos.

Ali, viu uma mulher de cabelos negros bloqueando o bastĂŁo do demĂŽnio verde com um cajado fino. Diferente dos cabelos arroxeados e escuros de Sophia, aquele evocava uma escuridĂŁo profunda.

A mulher emanava uma aura dourada divina por todo o corpo.

— …Quem Ă© vocĂȘ? — perguntou Nina, tremendo.

— Eu sou Maria. Apenas uma sacerdotisa simples. Oh, mas vocĂȘ deveria parar com essa descidadivina imediatamente. É sĂł uma imitação.

Mesmo sem que fosse necessĂĄrio dizer, Nina, que jĂĄ havia chegado ao limite, desativou a [Descida Divina]. Instantaneamente, foi atingida por uma exaustĂŁo severa acompanhada de nĂĄusea e uma dor intensa por todo o corpo.

— Ugh…

Ao ver Nina desabar no chĂŁo, incapaz de suportar, Maria sorriu.

— É isso que acontece quando vocĂȘ se esforça demais.

Maria, ainda bloqueando o ataque do demÎnio verde com o cajado na mão esquerda, estendeu a mão direita sobre Nina e começou a recitar uma oração.

— Huh?

Em um instante, a exaustĂŁo e a dor de Nina desapareceram. Um verdadeiro milagre.

No entanto, o que Nina sentiu não foi gratidão ou alegria, mas uma sensação de inquietação.

Isso nĂŁo Ă© possĂ­vel. Eu nunca ouvi falar de um milagre divino assim. É fundamentalmente diferente das tĂ©cnicas que usamos.

Era uma sensação que apenas uma sacerdotisa poderia compreender.

— Quem Ă© vocĂȘ, afinal?

— Apenas uma sacerdotisa, como eu disse. Embora às vezes me chamem pelo título imerecido de Santa.

O demÎnio verde, recuando, ergueu o bastão novamente e atacou com toda a força.

— Que incĂŽmodo…

Maria levantou o cajado em direção ao demÎnio verde.

Uma luz dourada envolveu o demĂŽnio verde.

Então, o corpo verde do demÎnio começou a mudar para branco, como se estivesse sendo purificado.

— Hii…

O demĂŽnio verde tentou gritar, mas nem isso conseguiu, tornando-se tĂŁo silencioso quanto uma estĂĄtua de pedra.

— …O que, o que vocĂȘ estĂĄ fazendo?

Nina estava aterrorizada. Aquele poder era inegavelmente divino. Mas era exatamente por isso que era assustador. Ela estava sentindo o poder de Deus, que antes percebia apenas como um calor distante, agora como uma chama ardente prĂłxima. Era impossĂ­vel nĂŁo sentir medo.

— O que quer dizer?

Maria se virou para Nina com um leve sorriso. Seus olhos eram dourados também. Jå não eram humanos.

— É o poder da purificação. Eu apenas transformei o demînio em sal.

Nina nunca ouvira falar de uma sacerdotisa usando tal milagre. Era um ato divino registrado nas escrituras sagradas.

— VocĂȘ… estĂĄ canalizando Deus no seu corpo?

— Sim, esta Ă© a verdadeira [Descida Divina] Estou empunhando o poder de Deus, entende?

Os olhos de Maria mudaram de dourado para negro. A aura dourada que a envolvia desapareceu.

O corpo do demÎnio verde, agora transformado em sal, começou a se desfazer.

— Santa… sama?

Ao olhar novamente para Maria, Nina viu uma mulher de beleza incomparĂĄvel, com longos cabelos negros e pele branca translĂșcida.

— …Por que vocĂȘ estĂĄ ilesa apĂłs canalizar Deus?

Nina usou uma linguagem educada para se dirigir a Maria, que aparentava ser pelo menos dez anos mais jovem que ela. Acreditava que Maria era uma verdadeira Santa. No entanto, ela era completamente diferente do que Nina havia imaginado. Não havia uma fé forte ou pureza, mas sim um vislumbre de escuridão que parecia emergir das profundezas do abismo.

— É por causa do amor.

Maria sorriu timidamente, suas bochechas brancas ficando levemente rosadas.

— Amor? Por Deus?

— Fufu, que engraçado.

Maria riu.

— Aquilo
 Deus não precisa de amor. É o meu amor pelo herói que me dá poder, entende?

Seus olhos se fixaram em um ponto indefinido.

— Se eu nĂŁo o tivesse conhecido, nĂŁo teria desejado poder. É por isso que isso Ă© amor. Um encontro predestinado, guiado por Deus


— Amor… vocĂȘ diz?

Nina tremia. Um amor capaz de trazer Deus para dentro de um corpo era pesado demais. Ela sentiu pena do herĂłi que era o objeto de um amor tĂŁo intenso.

— Sim, amor. Mas, por favor, mantenha em segredo o fato de que eu realizei uma descida divina. Normalmente, sou uma donzela pura que fica quieta nos bastidores, então seria problemático se as pessoas pensassem que posso fazer coisas tão impróprias. Só canalizei Deus hoje porque precisava salvá-la. Fui solicitada a “ajudar aquela sacerdotisa”, entende?

Os olhos de Maria brilharam dourados novamente enquanto ela falava com Nina.

— Sim
 Eu entendo


Nina não tinha intenção de contrariar Maria. Percebeu que seu corpo tremia de medo.

— …No entanto, Santa-sama. Com o seu poder, vocĂȘ nĂŁo poderia ajudar nosso companheiro Leonard? Ele estĂĄ lutando contra o demĂŽnio Belzera agora.

Suprimindo o medo, Nina implorou a Maria. Seu objetivo ainda era derrotar Belzera. Por mais aterrorizante que Maria fosse, ela nĂŁo podia deixar de pedir.

— Isso nĂŁo Ă© um problema.

Maria sorriu alegremente.

— O herói Ares foi ajudar Leonard.

— HerĂłi Ares
 vocĂȘ confia muito nele, nĂŁo Ă©?

— Claro. Mesmo que Ares morresse, eu o traria de volta à vida. Dessa forma, nosso vínculo se tornaria ainda mais forte. Não seria maravilhoso


A expressĂŁo de Maria mudou para uma de ĂȘxtase.

É algo distorcido? NĂŁo, talvez ela tenha se tornado uma sĂł com Deus…

Nina sentiu que havia vislumbrado a arrogĂąncia inerente de Deus em Maria.

※ ※ ※

Desviando da enorme espada de Belzera, que emanava uma aura negra, Leonard tentava repetidamente se aproximar.

Era como caminhar em uma perigosa corda bamba, onde um Ășnico passo em falso significaria morte instantĂąnea. Leonard continuava nesse perigoso jogo de vida e morte.

Mesmo quando achava que tinha conseguido encurtar a distùncia, era facilmente forçado a recuar. Suas açÔes, onde o risco superava em muito as recompensas, pareciam completamente insanas.

Ainda assim, Leonard persistia. Era uma força de vontade inacreditåvel.

Entre os movimentos repetitivos, ele encontrou pequenas brechas e conseguiu infligir ferimentos nas mãos e pés de Belzera.

Vez apĂłs vez.

Seja pelos ferimentos ou pela força de combate inabalåvel de Leonard, os movimentos de Belzera começaram a ficar erråticos. Aproveitando-se disso, Leonard finalmente conseguiu se aproximar, ficando a apenas um passo de distùncia.

Percebendo que aquele era o momento crucial, Leonard ergueu sua espada bem alto.

No entanto, Belzera, mirando o braço que segurava a espada, balançou sua lùmina, arrancando o braço direito de Leonard do cotovelo para baixo, junto com a espada.

— Este Ă© o fim.

Os cantos da boca de Belzera se ergueram em um sorriso cruel.

— Não subestime os humanos, demînio!

Com a mão esquerda que lhe restava, Leonard sacou a adaga presa à cintura e jogou todo o peso do corpo para frente, cravando a lùmina no pescoço de Belzera.

Contudo, o ponto de impacto foi muito prĂłximo Ă  gola, e, incapaz de penetrar completamente as escamas negras de Belzera, o ferimento foi raso.

O braço direito de Belzera arremessou Leonard para longe.

Leonard foi jogado ao chão, mas imediatamente ergueu a parte superior do corpo com o braço esquerdo, embora isso fosse o måximo que conseguia fazer.

Belzera puxou a adaga cravada, sem mostrar qualquer sinal de dano.

— Essa era uma adaga bem cara…

O rosto de Leonard, pålido pela perda de sangue do braço direito, contorceu-se de frustração. Ele lamentava, pensando que, se tivesse uma adaga poderosa com proteção mågica, talvez conseguisse derrotar Belzera.

Embora adagas assim fossem extremamente raras.

— Seu esforço foi admirĂĄvel. Se nĂŁo fosse por Ares, talvez vocĂȘ tivesse sido o herĂłi.

Belzera elogiou Leonard, que havia conseguido feri-lo.

— Isso Ă© bom de ouvir. Afinal, sĂł fui chamado de inĂștil pelos humanos atĂ© agora.

Leonard zombou de si mesmo.

— É por isso que os humanos são tolos.

A grande espada de Belzera desceu impiedosamente.

Luke. Como eu temia, nĂŁo fui bom o suficiente…

Leonard observava silenciosamente a morte que se aproximava.

NĂŁo havia arrependimento. Ele sentia que havia dado o seu melhor e, desta vez, nĂŁo havia fugido.

No entanto—

Com um som metålico agudo, alguém entrou na frente de Leonard e bloqueou o ataque com um escudo. Um jovem de cabelos castanho-claros, empunhando um escudo e uma espada.

Embora fosse desconhecido, Leonard sentiu uma estranha sensação de déjà vu ao olhar para suas costas.

Os pés do jovem afundaram no chão com o impacto do golpe poderoso de Belzera. Ainda assim, seu corpo não vacilou, prova de seu treinamento acumulado.

— …Quem Ă© vocĂȘ?

Belzera perguntou desconfiado.

— Ares. O Herói.

O jovem respondeu com uma voz direta e nobre.

EntĂŁo, esse cara Ă© o HerĂłi…

Por alguma razĂŁo, Leonard se viu aceitando Ares com facilidade. Sempre acreditou que Luke era o Ășnico HerĂłi para ele e que nunca poderia reconhecer outra pessoa como tal.

— Ares? VocĂȘ deveria estar em Arkand agora…

Belzera estava surpreso com a presença de Ares ali, pois vinha recebendo relatórios regulares sobre os movimentos do Herói.

— Bem, tenho companheiros inteligentes e astutos, bons em manipular esse tipo de informação. — Ares sorriu.

— …Muito bem.

Belzera recuou sua espada e desferiu outro golpe poderoso. Ares bloqueou novamente com seu escudo.

— Ouvi dizer que sua força depende muito de seus companheiros. Se for assim, esta Ă© uma oportunidade perfeita para eliminar o HerĂłi.

Belzera reavaliou calmamente a situação e preparou outro ataque, mas, de repente, seu rosto foi atingido por magia de fogo.

— O quĂȘ!?

Ares havia lançado a magia com sua mão esquerda, que segurava o escudo. Ele escondeu o movimento atrås do escudo e cantou o feitiço em voz baixa, para que o oponente não percebesse.

A magia causou pouco dano a Belzera, mas obstruiu sua visĂŁo. Reflexivamente, ele recuou e adotou uma postura defensiva para proteger seus pontos vitais.

Ares aproveitou aquele momento. Em vez de mirar na cabeça ou no coração de Belzera, ele cortou os mĂșsculos da mĂŁo direita que segurava a grande espada.

— Argh!?

Belzera largou involuntariamente sua grande espada.

Ares balançava sua espada mantendo uma distùncia perfeita.

Era uma espada irritante que desgastava o oponente de forma constante, sem correr riscos desnecessĂĄrios.

Nem chamativa, nem demonstrando talento, era simplesmente prĂĄtica e sem glamour.

— VocĂȘ Ă© realmente o HerĂłi? VocĂȘ se atreve a se chamar de HerĂłi do povo com essa espada medĂ­ocre?

Belzera elevou sua voz num tom de reprovação para Ares, que empunhava uma espada tão pouco impressionante.

Sem sua grande espada, Belzera fez garras afiadas crescerem em ambas as mãos para contra-atacar, mas Ares continuou balançando sua espada sem dizer uma palavra, como se jå tivesse previsto aquilo.

Ares encurralava Belzera de forma metĂłdica.

Desesperado, Belzera tentou recitar um feitiço, mas Ares lançou uma lùmina de vento em sua boca, interrompendo a invocação à força. Nada parecia funcionar.

— Eu deveria ser mais forte! Por quĂȘ!?

Belzera rugiu.

— Sinto pena de vocĂȘ.

A voz veio por trĂĄs. Simultaneamente, o peito de Belzera foi perfurado.

Leonard, cuja presença Belzera havia esquecido completamente, pegou a espada caída com a mão esquerda, deu a volta por trås e o apunhalou no coração.

— Guh!

Enquanto Belzera tossia sangue e parava de se mover, Ares nĂŁo hesitou e decapitou-o.

※ ※ ※

— Obrigado, Leonard. Graças a vocĂȘ, conseguimos derrotar Belzera.

Ares sorriu. O ferimento no braço de Leonard havia parado de sangrar graças ao feitiço de cura de Ares.

Leonard encarou Ares com atenção. Sentia que o reconhecia de algum lugar.

Seu estilo de luta, aqueles olhos… Lembravam um guerreiro que ele admirava hĂĄ muito tempo.

— VocĂȘ Ă© mesmo Ares? Ou Ă© Zack?

As palavras escaparam enquanto ele pressionava o ferimento em seu braço direito.

Os olhos de Ares se arregalaram surpresos, mas apenas por um momento, antes de sua expressĂŁo retornar Ă  calma.

— Zack Ă© meu primo. Costumam dizer que somos parecidos. VocĂȘ conhece Zack, Leonard?

— Primo? Ele Ă© seu primo? Bem, conheço Zack. Isso foi hĂĄ mais de quinze anos. Eu fazia parte do mesmo grupo que o pai de Zack, Luke, e a mĂŁe dele, Lei.

— Entendo…

Um leve toque de melancolia apareceu nos olhos de Ares.

Se Ares era primo de Zack, entĂŁo Luke e Lei eram seu tio e tia. Talvez ele tivesse algum pensamento sobre isso. Leonard sentiu que havia feito uma pergunta inadequada e mudou de assunto com outra.

— Hum… Como vocĂȘ soube que estĂĄvamos aqui?

Ralph, o suposto cliente deles, deveria manter sua presença em Garnahazza em segredo, e eles também não haviam contado a ninguém.

— O Profeta me contou.

— O Profeta?

A existĂȘncia dĂșbia que dizia identificar HerĂłis. Leonard nĂŁo gostava de Profetas. Eram seres que apenas davam ordens das sombras, sem fazerem nada por conta prĂłpria.

— Ele pediu que eu o ajudasse. Disse que isso resultaria em salvar vidas.

— Eu?

Leonard nĂŁo fazia ideia do motivo para o Profeta instruir Ares a ajudĂĄ-lo.

No entanto, derrotar Belzera levaria à salvação de muitas pessoas. Se eles o usaram para esse propósito, fazia algum sentido.

Enquanto pensava nisso, Leonard viu a figura de alguém encapuzado atrås de Ares.

Foi apenas por um breve momento. Leonard achou que talvez fosse um truque de sua visĂŁo.

— Ei, Ares. VocĂȘ estĂĄ possuĂ­do por algum fantasma ou algo assim?

— Não, acho que não.

— Entendi…

A conversa acabou ali, pois os companheiros deles se juntaram.

O braço direito de Leonard, que havia sido arrancado, foi restaurado pela magia de Maria.

Leonard, que jĂĄ havia perdido as esperanças quanto ao seu braço, ficou impressionado com o poder de Maria e a agradeceu, mas Nina, tambĂ©m uma sacerdotisa, começou a dizer: — HĂŁ? Como um braço perdido pode ser restaurado? Isso estĂĄ alĂ©m dos milagres que os humanos podem realizar…

Ela se calou quando Maria sorriu para ela. A partir daĂ­, dizem que Nina nunca mais se aproximou de Maria.

Além disso, Solon forneceu a Leonard e aos outros estratégias para o futuro.

Solon estava ciente da organização de Ralph e vinha elaborando um plano para destruí-la aproveitando a morte de Belzera.

— Como vocĂȘ sabe tanto sobre o que vai acontecer? Isso Ă© meio assustador.

Sophia ficou um pouco desconfortåvel com as sugestÔes de longo alcance de Solon.

Solon parecia levemente magoado com a reação dela.

Ephsei e Leon ficaram animados discutindo técnicas de lança e espada, e acabaram treinando juntos, para o desgosto de seus companheiros.

— VocĂȘs nĂŁo vĂŁo voltar para a cidade?

Leonard finalmente perguntou a Ares.

— Sou o HerĂłi, sabe. Preciso continuar para derrotar o Rei DemĂŽnio. Agora que Belzera, que comandava o exĂ©rcito do Rei DemĂŽnio, tĂĄ morto, talvez possamos avançar mais profundamente no territĂłrio dele.

Ares respondeu como se fosse Ăłbvio.

Embora Belzera fosse um demÎnio poderoso, ele foi designado como comandante por suas habilidades organizacionais, e não por sua força. Os demÎnios eram atribuídos a funçÔes com base em seus talentos individuais, em vez de poder bruto. Havia muitos demÎnios que eram muito mais fortes do que Belzera.

— Ser HerĂłi parece um trabalho difĂ­cil. VocĂȘ aceitou esse destino com plena consciĂȘncia, Ares?

Leonard deu de ombros e fez sua habitual provocação.

Leon e os outros franziram um pouco o cenho com essas palavras, mas Ares sorriu.

— ConsciĂȘncia, hein? NĂŁo sei. Para ser honesto, mesmo agora, nĂŁo tenho certeza se sou realmente o HerĂłi. Às vezes penso: “Talvez haja um verdadeiro e autĂȘntico HerĂłi em algum lugar do mundo.” Mas, sendo real ou falso, acho que estĂĄ tudo bem enquanto eu puder derrotar o Rei DemĂŽnio. Certamente Ă© difĂ­cil, mas acredito que esse seja o meu papel.

— Papel?

Leonard ficou um pouco intrigado com as palavras de Ares, mas logo deixou isso de lado.

— Entendi. Mas tenho certeza de que vocĂȘs vĂŁo conseguir derrotar o Rei DemĂŽnio. E, se nĂŁo conseguirem, pelo menos poderĂŁo desistir sem arrependimentos. EntĂŁo… vĂŁo com calma, tĂĄ bom?

Dizendo isso, Leonard deu um leve tapa no peito de Ares.

※ ※ ※

Com a derrota de Belzera, o exĂ©rcito do Rei dos DemĂŽnios entrou em desordem, permitindo que o lado humano se reorganizasse com sucesso. Isso teve um impacto significativo na guerra e mais tarde seria celebrado como o “Milagre de Garnahazza,” enaltecendo os feitos do HerĂłi e seus companheiros.

Os responsáveis por propagar o “Milagre de Garnahazza” foram Leonard e seu grupo, que ocultaram seu próprio envolvimento na batalha. Eles fizeram isso para elevar o nome do Herói e dar esperança às pessoas.

Além disso, seguindo a estratégia fornecida por Solon, a organização de Ralph, que havia se aliado aos demÎnios, foi destruída. Leonard e seus companheiros desempenharam um papel central nisso, mas dizem que nunca desejaram matar Ralph e os outros.


Tradução: ParupiroHPara estas e outras obras, visite o Cantinho do ParupiroH – Clicando Aqui


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