Dare ga Yuusha wo Koroshita ka – CapĂtulo 5.5 – Volume 2
Dare ga Yuusha wo Koroshita ka
Who Killed the Hero?
Quem Matou o HerĂłi?
MangĂĄ Online – CapĂtulo 5.5
[InterlĂșdio: Efsei]
ApĂłs a Batalha de Malica, eu nĂŁo tinha mais desejo de continuar como aventureiro.
A ideia de me juntar a outros me era insuportĂĄvel. Qualquer pessoa que nĂŁo participou daquela batalha parecia uma farsa para mim.
Ainda assim, eu precisava ganhar dinheiro para sobreviver. EntĂŁo, procurei trabalhos que pudesse fazer sozinho, ganhando um salĂĄrio diĂĄrio ao concluir essas tarefas.
Graças Ă vitĂłria do lado humano em Malica, as coisas ficaram pacĂficas por um tempo.
Mas, após cinco anos, o exército do Rei DemÎnio começou a se mover novamente.
Apesar de todos aqueles sacrifĂcios, a paz durou apenas cinco anos.
Mas isso não tinha nada a ver comigo. Eu pensava que jå tinha lutado o bastante naquela época.
Foi por volta desse tempo que ouvi rumores sobre Leonard.
Um aventureiro que se gabava de ter sobrevivido a Malica e que sĂł aceitava trabalhos bem pagos.
Além disso, ele fazia qualquer coisa pelo preço certo. Eu não podia acreditar que existia alguém que sobreviveu àquela batalha e agora lucrava como aventureiro.
Eu o vi uma vez de relance em uma taberna onde os aventureiros se reuniam. Ele tinha mais ou menos a minha idade, com um sorriso superficial estampado no rosto.
Que cara desagradĂĄvel.
Essa foi minha primeira impressĂŁo de Leonard.
Ele nĂŁo parecia alguĂ©m que passou pela mesma experiĂȘncia que eu.
Como ele ousa viver tão descaradamente? Como pode sorrir? Serå que se esqueceu do que aconteceu naquela época?
E entĂŁo percebi: ahh, eu nĂŁo consigo me perdoar.
Por ter sobrevivido Ă Batalha de Malica.
A situação piorava a cada dia. O exército do Rei DemÎnio começou a invadir novamente, e o lado humano continuava perdendo.
Mas isso nĂŁo significava que eu faria algo a respeito. Para mim, o mundo tinha acabado na Batalha de Malica. Eu jĂĄ estava praticamente morto.
Fechei os olhos para o destino do mundo, apenas manejando minha lança. Ganhando silenciosamente meu salårio diårio. Era só isso.
Até que alguém se aproximou de mim.
Era Leonard.
Ele me chamou por trĂĄs enquanto eu estava prestes a entrar em casa.
â Ei, ouvi falar de vocĂȘ. VocĂȘ Ă© um sobrevivente de Malica, certo? Que tal formar uma equipe comigo?
Eu sabia que ele nĂŁo costumava se fixar com aventureiros especĂficos. Ele era famoso por trocar de parceiros dependendo do trabalho e ficar com a maior parte da recompensa para si.
â Tente com outra pessoa. NĂŁo gosto de vocĂȘ.
Claro, eu nĂŁo tinha motivo algum para ser simpĂĄtico com Leonard.
â Que pena, porque eu gosto de vocĂȘ. Vamos lĂĄ, nĂŁo quer formar uma equipe comigo?
Achei que ele xingaria e iria embora se eu o rejeitasse de forma rude, mas a resposta de Leonard foi inesperada. Sua expressão habitual e superficial continuava, mas seus olhos estavam sérios.
â Ouvi falar de vocĂȘ. VocĂȘ troca de parceiros dependendo do trabalho, certo? HĂĄ muitos outros usuĂĄrios de lança por aĂ. Por que tem que ser eu?
â Ephsei, nĂŁo estou te convidando para uma parceria barata de uma noite. Quero que seja meu camarada. Se for assim, sem traiçÔes. Juro por Deus.
Leonard se aproximou como se estivesse tentando seduzir uma mulher.
Dei um passo para trĂĄs, tentando lembrar se ele tinha esse tipo de preferĂȘncia.
â NĂŁo Ă© um mau negĂłcio, sabe? Minhas outras duas companheiras sĂŁo mulheres. E sĂŁo lindas de parar o trĂąnsito. Uma chance dessas sĂł aparece uma vez na vida. E entĂŁo?
Ele soava como um cafetĂŁo vulgar de um distrito da luz vermelha. NĂŁo parecia que ele estava me convidando para ser seu camarada.
Seu convite insistente me encurralou contra a porta. Nunca tinha passado por uma situação tão embaraçosa.
Foi então que um cajado veio balançando em direção à cabeça de Leonard, acertando-o por trås.
â Ai!
Enquanto Leonard segurava a cabeça de dor, vi duas mulheres paradas atrås dele.
â Fui uma tola por deixar isso para vocĂȘ.
A que falou com um tom exasperado era a mulher de Ăłculos que havia acertado Leonard com seu cajado. Provavelmente uma maga, ela era uma bela mulher de longos cabelos escuros com um toque de roxo.
â Usar a gente como isca para recrutamento nĂŁo Ă© nada admirĂĄvel.
A outra era uma mulher de cabelos ruivos cortados na altura dos ombros. Vestida com trajes de sacerdotisa, parecia simples à primeira vista, mas ao observar melhor, suas feiçÔes eram refinadas, passando uma impressão modesta.
Essas duas deviam ser as companheiras de Leonard de quem ele falava. Se fosse assim, o que ele disse nĂŁo era totalmente mentira.
â Gostaria de conversar um pouco?
Disse a mulher de Ăłculos.
â Todos nĂłs somos sobreviventes da Batalha de Malica. NĂŁo seria tĂŁo ruim relembrar os velhos tempos, seria?
NĂŁo havia como eu recusar tal convite de uma bela mulher.
Deixei os trĂȘs entrarem em minha casa. Leonard era desnecessĂĄrio, mas nĂŁo tive escolha.
â EntĂŁo, sobre que tipo de velhas histĂłrias vamos conversar?
Perguntei Ă mulher de Ăłculos, que se apresentou como Sophia, ignorando Leonard. A mulher de cabelos ruivos era aparentemente chamada Nina. Agora que penso nisso, lembro-me de ter visto jovens mulheres dessa idadeâuma maga e uma sacerdotisaâentre o exĂ©rcito voluntĂĄrio durante a Batalha de Malica.
Ofereci cadeiras para Sophia e Nina, com a intenção de deixar Leonard de pé, mas ele jå havia se sentado.
â Apenas nossas histĂłrias de vida. Ă como um pequeno ritual. Todo mundo que passou por aquela batalha carrega algo consigo. Compartilhando com os outros, aliviamos nossos coraçÔes. Podemos decidir se seremos camaradas ou nĂŁo depois disso.
Sophia parecia ter uma personalidade direta, embora falasse com um certo ar de superioridade.
â Quer que eu fale sobre o meu passado para pessoas que acabei de conhecer?
Senti uma certa relutĂąncia, mesmo que fossem mulheres lindas.
â Entendo. Que tal começarmos entĂŁo?
Dizendo isso, Sophia começou a falar sobre sua criação. Ela era surpreendentemente boa em contar histórias, como se estivesse acostumada com isso. Nina foi a próxima a falar, com um tom solene, condizente com uma sacerdotisa.
Apesar de suas origens diferentes, parecia que, apĂłs sobreviverem Ă Batalha de Malica, elas tinham levado vidas parecidas.
Elas também haviam se afastado da realidade devido à culpa de terem sobrevivido; assim como eu.
Depois que as duas terminaram de falar, olhei para Leonard, mas ele deu de ombros e fez sinal para que eu fosse primeiro. Isso me irritou um pouco, mas nĂŁo ficaria bem se eu nĂŁo falasse apĂłs as duas mulheres compartilharem suas histĂłrias. Relutante, comecei a contar minha prĂłpria histĂłria de vida.
â Meu velho era um mercenĂĄrio. Ele era habilidoso com a lança, e desde criança eu brincava de manejar lanças. EntĂŁo, minhas escolhas se resumiam a me tornar mercenĂĄrio ou aventureiro, e escolhi ser aventureiro. Meu pai dizia: âSer aventureiro Ă© melhor do que ser mercenĂĄrioâ. Detesto admitir, mas eu era bem habilidoso para a minha idade. Tinha mais experiĂȘncia que os outros. EntĂŁo, entrei para um grupo que me tratava bem e levava uma vida relativamente bem-sucedida. Assim como vocĂȘs duas.
Voltei meu olhar para Sophia e Nina, e ambas assentiram levemente.
â Assim como vocĂȘs, tive uma experiĂȘncia difĂcil na Batalha de Malica. Todos os meus companheiros familiares morreram lĂĄ. NĂŁo tem jeito. Quem nĂŁo tem habilidade morre. Ă assim que Ă© para os aventureiros. Mas eu nĂŁo conseguia suportar perder sempre. EntĂŁo decidi mirar no comandante do exĂ©rcito do Rei DemĂŽnio.
Sophia e Nina arregalaram os olhos, uma boa reação. Valeu a pena contar essa história.
â Encontrei-o rapidamente. Entre os demĂŽnios agrupados, havia um demĂŽnio preto excepcionalmente grande. Sua aura era diferente; ele exalava perigo. Fui me esgueirando, tentando evitar lutas o mĂĄximo possĂvel, e, de alguma forma, consegui chegar atrĂĄs dele para cravar minha lança no pescoço daquele demĂŽnio preto. O fato de eu ter conseguido chegar atĂ© suas costas nĂŁo foi porque eu era habilidoso, mas sim porque um guerreiro estava lutando contra os demĂŽnios de forma chamativa: Luke, o guerreiro humano mais forte de quem vocĂȘs falaram em sua histĂłria. Ele avançou direto contra o demĂŽnio preto. Parecia imprudente. ImpossĂvel. Mas, graças a isso, a atenção do inimigo estava em Luke, e eu consegui chegar por trĂĄs do demĂŽnio.
Antes que percebesse, Leonard havia perdido a expressĂŁo despreocupada e ouvia atentamente minha histĂłria, com o rosto tenso.
â Pulei. Muito mais alto que o demĂŽnio preto. Achei que o tinha. Minha lança estava apontada para o pescoço dele. Mas a lança foi desviada facilmente pelo braço do demĂŽnio. Como se afastasse um inseto, com um toque leve. Enquanto eu rolava no chĂŁo, ele disse para mim: âVocĂȘ acertou ao me mirar. SĂł te faltou poderâ. Era uma diferença de classe. Como esperado de um comandante do exĂ©rcito do Rei DemĂŽnio.
Ainda hoje, pensar nisso me dĂĄ arrepios. EnfrentĂĄ-lo de frente nĂŁo parecia algo que humanos pudessem derrotar.
â E entĂŁo?
Sophia me incentivou a continuar. Ela parecia ansiosa para ouvir o restante.
â Eu soltei a melhor bravata que pude. âPelo menos diga seu nomeâ, eu disse. Ele me respondeu gentilmente: âĂ Belzeraâ. Ele pode atĂ© ser um cara legal. â Eu disse isso em tom de brincadeira, mas ninguĂ©m riu.
â Esse demĂŽnio simpĂĄtico, com uma aura negra agarrada Ă sua grande espada, a desceu contra mim. Honestamente, achei que estava morto. Nem conseguia manter os olhos abertos. Mas, na minha frente, que jĂĄ havia desistido, estava um guerreiro. Era Luke. Ele havia passado por aqueles inimigos atĂ© Belzera. Eu nĂŁo conseguia acreditar.
Aquela imagem de suas costas é algo que jamais esquecerei. Para mim, não pode haver outro herói além dele. Não importa o que digam.
â Luke bloqueou a grande espada do demĂŽnio com a sua prĂłpria e me disse: âDeixe o resto comigo. VocĂȘ sĂł precisa fugir daquiâ. Realmente, havia menos monstros atrĂĄs. Mas eu tambĂ©m tenho meu orgulho. Achei que poderia ajudar Luke. Pelo menos, no começo.

Balancei a cabeça.
â Mas era impossĂvel. A batalha entre Luke e Belzera era tĂŁo feroz que eu nĂŁo tinha poder para intervir. E nĂŁo era sĂł eu. Nem os outros demĂŽnios conseguiam se aproximar. No começo, a luta estava equilibrada, mas, aos poucos, Luke começou a ser pressionado. Claro. Luke havia lutado batalhas intensas repetidamente atĂ© finalmente alcançar Belzera. Ele quase nĂŁo tinha forças sobrando. Mas Luke gritou sem nem olhar para mim. âO que estĂĄ fazendo?! VĂĄ logo! NĂŁo morra Ă toa!â EntĂŁo eu corri. Eu nĂŁo tinha utilidade alguma. Pelo menos queria evitar ser um empecilho. Belzera disse: âEstĂĄ se tornando um escudo para permitir que um humano desse nĂvel escape? Quem estĂĄ morrendo Ă toa Ă© vocĂȘâ. Eu estava frustrado alĂ©m das palavras.
Parei para recuperar o fÎlego, mas ninguém disse nada.
â Depois disso, ouvi o grito de Luke: âNĂŁo subestime os humanos, demĂŽnio!â Quando olhei para trĂĄs, as sombras de Belzera e Luke se sobrepunham. Eles cortavam um ao ombro do outro. Mas a espada de Luke apenas arranhou o ombro de Belzera, enquanto a espada de Belzera alcançou o peito de Luke. Eu corri. E nunca olhei para trĂĄs.
Soltei um suspiro profundo. Era uma lembrança patética e amarga.
â Esse Ă© o fim da histĂłria. Eu sobrevivi, mas foi mais como se eu tivesse sido autorizado a escapar. NĂŁo foi porque eu tivesse alguma força.
Um silĂȘncio pesado caiu sobre o lugar. Mas, como Sophia havia dito, senti como se algo que estava preso dentro de mim tivesse ido embora. NĂŁo me senti tĂŁo mal.
Depois de um tempo, voltei-me para Leonard.
â Fale vocĂȘ tambĂ©m, Leonard. Honestamente, eu nĂŁo lembro de vocĂȘ no exĂ©rcito de voluntĂĄrios, mas vocĂȘ lutou no mesmo campo de batalha, certo?
â Eu nĂŁo lutei.
Leonard respondeu com uma expressão séria.
â O quĂȘ? Eu ouvi dizer que vocĂȘ voltou vivo de Malica?
Achei que ele era diferente, o homem que voltou de Malica, e até era conhecido entre os aventureiros.
â NĂŁo Ă© mentira. Eu voltei de Malica. Antes da batalha começar. Fugi sem lutar, porque fiquei com medo.
De repente, senti uma raiva crescente. Esse cara estava mentindo. Como se ele conhecesse aquele campo de batalha, como se fosse um aventureiro experiente.
Sophia e Nina também pareciam surpresas, sem saber disso.
â NĂŁo me venha com essa! Quem se uniria a um desgraçado como vocĂȘ?! Sem vergonha!
Levantei-me da cadeira e tentei empurrar Leonard, mas minha mĂŁo foi segurada.
â Eu sei. Sou um desgraçado e sem vergonha. EntĂŁo, Ephsei. E vocĂȘ? O que estĂĄ fazendo agora? Por que estĂĄ aqui?
â O quĂȘ…!?
Tentei soltar meu braço da mão de Leonard, que me segurava, mas fui imobilizado com uma força firme.
â VocĂȘ disse que foi autorizado a escapar, certo? Ă sĂł isso? Para que Luke morreu ao permitir sua fuga? Para atrasar o exĂ©rcito do Rei DemĂŽnio por uns cinco anos, e sĂł?
â âŠO que vocĂȘ sabe? VocĂȘ, que fugiu de lĂĄ.
â Quem sabe? Talvez eu entenda, talvez nĂŁo. Mas isso nĂŁo importa. Eu fugi. Isso me irrita constantemente, como uma pedra no sapato. AtĂ© eu fazer algo a respeito, nĂŁo consigo seguir em frente. VocĂȘ entende isso, nĂŁo Ă©, Ephsei?
As palavras de Leonard penetraram fundo no meu coração.
â âŠO que estĂĄ planejando fazer, Leonard?
â Eu vou matar Belzera. Me ajude, Ephsei. Quero fazer de conta que nunca fugi naquele dia.
Tradução: ParupiroHPara estas e outras obras, visite o Cantinho do ParupiroH â Clicando Aqui
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