Dare ga Yuusha wo Koroshita ka – CapĂtulo 4 – Volume 2
Dare ga Yuusha wo Koroshita ka
Who Killed the Hero?
Quem Matou o HerĂłi?
MangĂĄ Online – CapĂtulo 04
[Elderia]
â Nosso prĂłximo trabalho estĂĄ decidido â anunciei para meus companheiros reunidos ao redor de uma mesa em uma taberna. â HĂĄ um mercador ganancioso que estĂĄ tendo problemas para escapar de um paĂs ocupado pelo exĂ©rcito do Rei DemĂŽnio, a oeste daqui. Precisamos resgatar quatro pessoas. Se ganharmos 100 moedas de ouro por cabeça, serĂĄ um trabalho lucrativo de 400 moedas de ouro no total.
â Eles estĂŁo presos no territĂłrio do Rei DemĂŽnio? NĂŁo Ă© muito perigoso? â Nina perguntou, preocupada.
Nas terras sob o controle do Rei DemĂŽnio, os monstros aumentam em nĂșmero e se tornam mais ativos. Para os humanos, sobreviver ali Ă© bem complicado.
â Ă um paĂs recĂ©m-ocupado, entĂŁo nĂŁo deve estar tĂŁo ruim assim. No entanto, a fuga serĂĄ difĂcil. Se formos ajudĂĄ-los, provavelmente nos verĂŁo como mensageiros divinos.
â Mensageiros divinos precisam de moedas de ouro hoje em dia? â Sophia sorriu sarcasticamente.
â Claro. Se o desejo de salvação for o mesmo, atĂ© os deuses priorizariam aqueles com dinheiro â dei de ombros. Se a fĂ© sozinha fizesse os deuses salvarem as pessoas, o mundo seria pacĂfico.
â Mas com quatro pessoas, vamos precisar de uma carroça para tirĂĄ-los de lĂĄ. NĂłs vamos providenciar ou eles vĂŁo? â Sophia ajeitou os Ăłculos, conferindo os detalhes. Talvez por sua experiĂȘncia como apotecĂĄria, ela Ă© mais cuidadosa com questĂ”es de dinheiro do que eu.
â NĂłs vamos providenciar. Vamos cobrar como despesas necessĂĄrias.
â Entendo. Se o cliente vai pagar, vamos preparar uma carroça bonita. Daquelas dignas de um baile no castelo â Sophia fez uma cara maliciosa, como uma bruxa. Ela provavelmente pretende preparar uma carroça cara, jĂĄ que nĂŁo vai sair do nosso bolso.
â NĂŁo estamos indo para um baile. Precisamos de algo resistente, nĂŁo chamativo.
â VocĂȘ nĂŁo entende, Leonard. As carroças feitas para os nobres sĂŁo tanto elegantes quanto durĂĄveis. Aqueles caras priorizam a aparĂȘncia e a segurança.
Sophia, apesar de sua origem nobre, parece nĂŁo gostar muito de seus antigos colegas.
â Ă mesmo? No entanto, chamar atenção nĂŁo Ă© uma boa ideia. Podemos acabar convidando monstros para o baile. Precisamos de algo o mais discreto e resistente possĂvel.
â Tudo bem. Uma carroça discreta, com uma viagem agradĂĄvel, que transporte as pessoas como se fossem carga.
â Neste caso, a segurança Ă© mais importante que o conforto. Seria mais fĂĄcil tratar a famĂlia do mercador como carga do que escoltĂĄ-los.
Nosso trabalho Ă© evacuar a famĂlia do mercador em segurança. Atendimento ao cliente Ă© algo secundĂĄrio.
â Se decidimos ir, devemos nos apressar. A famĂlia do mercador deve estar ansiosa por um resgate â Nina falou com uma voz firme. Ela parecia genuinamente preocupada com o mercador.
â VocĂȘ tem razĂŁo. Esse trabalho nĂŁo Ă© sobre matar monstros. Trazer de volta cadĂĄveres nĂŁo nos renderĂĄ dinheiro. Quanto antes formos, melhor.
Nina franziu a testa com a minha piada de mau gosto, mas se levantou, incentivando os outros a agirem. Vendo isso, Ephsei esvaziou sua bebida e se levantou a contragosto.
â Partiremos amanhĂŁ, entĂŁo. Preparem-se para uma viagem confortĂĄvel.
Com minhas palavras, meus trĂȘs companheiros se dispersaram.
Naquela noite, quando voltei para o meu quarto na estalagem com os suprimentos que havia comprado, ele estava me esperando.
O Profeta. Aquele que escolhe e guia o herĂłi entre as pessoas quando o Rei DemĂŽnio aparece.
â VocĂȘ de novo? NĂŁo estou mais na idade de precisar de alguĂ©m para dormir comigo. Desculpe, mas tente com outra pessoa.
O Profeta nĂŁo reagiu Ă minha provocação e simplesmente proferiu uma frase: â NĂŁo vĂĄ para o oeste.
â Como esperado do grande Profeta. VocĂȘ tem ouvidos afiados. Posso sugerir uma mudança de carreira para informante?
Eu nĂŁo sabia onde ele obtinha suas informaçÔes, mas essa coisa parecia conhecer nosso destino com antecedĂȘncia. Era um sujeito assustador.
â VĂĄ para o leste. LĂĄ, vocĂȘ cumprirĂĄ seu dever como herĂłi.
Comparado ao oeste, que estå sendo invadido pelo exército do Rei DemÎnio, a situação no leste não é tão ruim. Acho que isso significa que é melhor ir para o leste, onde ainda hå esperança, em vez de ir para o oeste, onde a derrota parece iminente. Não é uma må escolha, de fato.
No entanto…
â Leste ou oeste, isso nĂŁo Ă© problema meu. Eu sĂł me movo por dinheiro. Na verdade, mesmo se me pagassem uma fortuna, nĂŁo tenho intenção de trabalhar para um paĂs ou para o mundo. Quem trabalha por essas coisas deve estar fora de si.
Coloquei o dedo na minha tĂȘmpora.
â O sacrifĂcio pode ser nobre, claro. Mas sĂł para aqueles que nĂŁo sĂŁo os que se sacrificam. O herĂłi Ă© o exemplo perfeito disso. Se vocĂȘ os bajular com âOh, grande herĂłi!â, eles irĂŁo lutar contra o Rei DemĂŽnio. Isso Ă© o suficiente para trazer lĂĄgrimas aos olhos. Eles acham que erguer uma estĂĄtua de bronze apĂłs a morte do herĂłi Ă© suficiente? Que piada. Se vocĂȘ quer salvar o mundo, lute por ele vocĂȘ mesmo.
Apontei o dedo que estava na minha tĂȘmpora para o Profeta.
â VocĂȘ Ă© igual, Profeta. Antes de fazer os outros desempenharem o papel de herĂłi, lute vocĂȘ mesmo. NĂŁo fique apenas dando ordens como se fosse tĂŁo importante. VocĂȘ sĂł pensa em usar os outros, entĂŁo deve ser da nobreza ou da realeza, certo? Isso me dĂĄ arrepios.
O Profeta pareceu vacilar ligeiramente com minhas palavras. Talvez eu tenha acertado na mosca.
Sua figura se tornou fina como um fantasma e se dissolveu na escuridĂŁo do quarto.
â Eu nĂŁo sou um herĂłi. NĂŁo existem herĂłis.
Murmurei em direção ao lugar onde o Profeta havia desaparecido.
â» â» â»
Ephsei e eu estĂĄvamos cavalgando nossos cavalos.
Sophia e Nina estavam se revezando segurando as rédeas da carruagem. Não conseguimos encontrar nenhum cocheiro peculiar disposto a nos acompanhar no território ocupado pelo Rei DemÎnio.
NĂŁo era longe atĂ© a vila onde a famĂlia do mercador que deverĂamos resgatar estava escondida, mas o mundo nĂŁo Ă© gentil o suficiente para nos deixar completar uma missĂŁo sem incidentes.
Vi algo bloqueando a estrada um pouco Ă frente. Sinalizei para meus companheiros e desacelerei os cavalos.
â Ă um gigante.
Ephsei se aproximou com seu cavalo.
Gigantes tambĂ©m sĂŁo monstros de respeito. Cabeça careca, costas arqueadas, ombros caĂdos e uma aparĂȘncia nada confiĂĄvel, mas incrivelmente grande em altura e largura. Do tamanho de uma casa decente. Eles nĂŁo sĂŁo tĂŁo fortes quanto o tamanho sugere devido aos seus movimentos lentos, mas Ă© problemĂĄtico quando sĂŁo usados para bloquear estradas assim.
â HĂĄ goblins aos pĂ©s dele tambĂ©m.
Apontei para onde cerca de trinta goblins pulavam ao redor de forma provocativa.
Provavelmente estĂŁo se sentindo corajosos por estarem com o gigante. Normalmente, eles sĂŁo muito mais covardes.
â Sophia, consegue torrar eles um pouco?
Chamei por Sophia, que acabara de descer da carruagem e estava se alongando depois de ficar com o corpo rĂgido.
â Quer dizer âpor favor, queime-osâ, certo? Que lĂder durĂŁo vocĂȘ Ă©.
Reclamando, a maga de Ăłculos preparou seu cajado e fechou os olhos suavemente.
â Ă, chamas rubras e flamejantes, espĂritos do fogo, atendam ao meu cĂąntico. Chamas ardentes, que possuem a sabedoria dos conhecimentos ancestrais, respondam ao meu chamado…
O que Sophia estava entoando, enquanto seu cabelo escuro com tons de roxo esvoaçava, era a lĂngua antiga necessĂĄria para manifestar a magia. Ă uma linguagem incrivelmente complexa, e claro, eu mal entendo o que ela estĂĄ dizendo. Mesmo que entendesse, a capacidade de usar magia depende de talento, entĂŁo nĂŁo tenho o menor desejo de aprender.
Luz começou a se concentrar na ponta do cajado de Sophia. Os goblins ainda não haviam percebido o que estava acontecendo. Que bando despreocupado. Não faziam ideia de que estavam prestes a serem bem torrados.
EntĂŁo, um tornado de chamas carmesim envolveu o gigante e os goblins.
Os goblins foram incinerados antes mesmo de terem chance de gritar. O gigante, sendo mais resistente, nĂŁo morreu com esse Ășnico ataque, mas sofreu queimaduras por todo o corpo.
â Bom, entĂŁo, vamos acabar com ele, Ephsei?
Ephsei acenou silenciosamente e impulsionou seu cavalo ao mesmo tempo que eu.
O gigante percebeu nossa aproximação e começou a balançar sua clava de madeira. Não era um movimento råpido, mas, se fÎssemos atingidos descuidadamente, seria o fim para nós.
Desci do cavalo e me aproximei, infligindo pequenos cortes com minha espada enquanto desviava da clava de madeira.
Ephsei estava observando de longe, mas, assim que confirmou que a atenção do gigante estava completamente em mim, ele saltou com toda a sua força.
Saltar alto Ă© uma das especialidades de Ephsei. No entanto, ele fica vulnerĂĄvel enquanto estĂĄ no ar, entĂŁo eu precisava agir como isca.
A altura do salto de Ephsei facilmente ultrapassou as costas do gigante.
Saltando por trås do gigante, Ephsei perfurou profundamente o pescoço dele com sua lança. Seja um gigante ou um demÎnio, se for humanoide, os pontos vitais são os mesmos. Acertar ali é fatal.
O gigante parou de se mover completamente. Deve ter morrido instantaneamente.
â EstĂŁo feridos?
Nina, preocupada com nossa segurança, correu imediatamente.
â NĂŁo. Foi fĂĄcil.
Fiz um gesto de positivo. Ao mesmo tempo, Ephsei puxou sua lança do gigante e aterrissou girando com o impulso. Sem ferimentos. à assim que sempre queremos que seja.
â» â» â»
Depois de derrotar o gigante, conseguimos chegar Ă vila de destino sem muitos problemas.
Os moradores haviam evacuado para algum lugar quando o exército do Rei DemÎnio invadiu, então agora estava praticamente abandonada.
Conseguimos nos encontrar com a famĂlia do mercador que estava escondida lĂĄ. Tudo estava indo bem.
No entanto, um problema surgiu.
O mercador nos pediu para ajudar uma criança da vila a escapar junto com eles.
â Uma criança nĂŁo deve ser um problema, certo?
Esse era o argumento dele.
â VocĂȘ nĂŁo estĂĄ tratando o valor da vida com muita leviandade?
Dei de ombros.
â Estamos arriscando nossas vidas para salvar vocĂȘs. Imagine isso: vocĂȘ estĂĄ prestes a cair em um abismo, e estamos tentando puxĂĄ-lo de volta. Se puxar com muita força, nĂłs podemos acabar caindo tambĂ©m. Ă uma situação perigosa. Mas estamos sendo pagos para isso, entĂŁo de algum jeito vamos conseguir. No entanto, agora vocĂȘ quer adicionar uma criança Ă mistura. NĂŁo acha que pode ser demais para nossos braços aguentarem?
â Mas Ă© uma criança! Ouvi dizer que vocĂȘs eram aventureiros habilidosos!
O mercador que nos contratou se aproximou. Ele parecia ser uma pessoa gentil, para um mercador.
Nina tambĂ©m tinha uma expressĂŁo esperançosa, querendo ajudar. Ephsei e Sophia sinalizaram com os olhos: âA decisĂŁo Ă© sua.â
â Cinquenta moedas de ouro a mais. Estou te dando metade de desconto.
Isso parecia um compromisso razoĂĄvel.
â VocĂȘs jĂĄ estĂŁo levando 400 moedas de ouro, e agora querem mais?!
Apesar da nossa concessĂŁo, o cliente parecia insatisfeito.
â Faça como quiser. Estamos saindo desta vila. NĂŁo sabemos quando os demĂŽnios chegarĂŁo. Se nĂŁo quiserem vir conosco, tudo bem. A missĂŁo falha, nĂŁo seremos pagos e nossa reputação vai piorar, mas vocĂȘs perderĂŁo suas vidas. Ă uma situação em que todos saem perdendo. Ou podemos nos ater ao pedido original e escoltar apenas vocĂȘ e sua famĂlia. Ou vocĂȘ pode pagar as moedas de ouro extras, e levaremos a criança tambĂ©m. Qual vai ser?
O tempo realmente estava acabando. Com o gigante jĂĄ abatido, o exĂ©rcito do Rei DemĂŽnio logo perceberia. Se os demĂŽnios chegassem em grande nĂșmero, seria o fim.
Infelizmente, os demÎnios não são tão tolos quanto os humanos. Se a realeza e a nobreza fossem tão diligentes quanto os demÎnios, a situação da guerra talvez fosse um pouco melhor.
â …Vou pagar as cinquenta moedas de ouro.
O mercador prometeu a recompensa adicional, embora a contragosto.
â Excelente. VocĂȘ entende o valor da vida. Fechado. Vamos proteger a criança como se ela valesse cinquenta moedas de ouro. Entrem na carroça imediatamente. Vai ficar apertado com mais uma pessoa, mas se vocĂȘs abrirem mĂŁo de algumas bagagens, deve dar certo. Afinal, o que Ă© isso comparado a uma vida humana?
Eu os apressei a partir de imediato.
Esprememos a famĂlia do mercador e a criança adicional na carroça e seguimos caminho.
Em vez de tomarmos a estrada pela qual viemos, seguimos mais para o oeste. Nosso destino era a cidade de Elderia, onde o mercador tinha base. Claro, a estrada pela qual viemos seria mais segura, mas nĂŁo foi para isso que fomos contratados.
Aventureiros sĂŁo andarilhos. NĂŁo Ă© incomum vagarmos de cidade em cidade, de paĂs em paĂs. Se quisermos voltar a Arkand, basta aceitarmos algum trabalho nessa direção.
Isso se conseguirmos chegar a Elderia em segurança.
â» â» â»
Menos de uma hora depois de partirmos, avistamos um grupo bloqueando a estrada.
Era o exército do Rei DemÎnio. Eles bloqueiam completamente as principais vias nos territórios ocupados para impedir a movimentação livre dos humanos. à algo natural em tempos de guerra. Eles são meticulosos.
Não é de se admirar que os humanos estejam em desvantagem contra o exército do Rei DemÎnio.
â O que faremos? Vamos desviar? â Ephsei se aproximou montado em seu cavalo.
â NĂŁo, o nĂșmero de inimigos Ă© pequeno. HĂĄ apenas um demĂŽnio. Se pegarmos uma estrada desconhecida, podemos encontrar muito mais monstros. Vamos romper de frente. AlĂ©m disso, podemos acabar encontrando alguĂ©m razoĂĄvel.
Os demĂŽnios conseguem entender a lĂngua humana. Alguns deles sĂŁo surpreendentemente racionais, nĂŁo tĂŁo perigosos quanto parecem. De fato, jĂĄ resolvemos situaçÔes por meio de negociaçÔes antes, embora raramente.
O exército do Rei DemÎnio bloqueando a estrada parecia ser uma unidade mista composta por vårios monstros liderados por um demÎnio. Goblins, ogros e outras figuras familiares.
Sinalizei para parar a carroça e chamei por Sophia, que estava sentada no banco do cocheiro.
â Prepare-se.
â Entendido.
Assim que ouvi a resposta de Sophia, avancei com meu cavalo sozinho.
Aproximei-me do exército do Rei DemÎnio, parando a uma distùncia suficiente para fugir, se necessårio, e levantei a voz.
â Vamos evitar uma luta desnecessĂĄria, senhor demĂŽnio. Somos aventureiros habilidosos. Se lutarmos, com certeza venceremos. Mas isso seria problemĂĄtico para ambos. VocĂȘ provavelmente nĂŁo tem ordens de âexterminar todos os humanos que passaremâ, certo? Feche os olhos por um momento. NĂŁo por muito tempo, sĂł o suficiente para dar uma mijada. Assim, ninguĂ©m se machuca ou morre. Ă provavelmente o quinto melhor acordo que vocĂȘ terĂĄ na vida. O que me diz?
O demÎnio de pele roxa, com duas cabeças de altura a mais que eu, me encarou com olhos afiados e lentamente apontou para mim.
Com aquele sinal, todos os monstros sob seu comando avançaram em minha direção de uma vez.
Negociação fracassada. Existem pessoas inflexĂveis em todo lugar, eu acho.
Rapidamente virei meu cavalo e voltei para os meus companheiros. Vi Sophia no meio da estrada, entoando um feitiço.
No momento em que passei por Sophia, sua magia se completou.
Raios dispararam do cajado de Sophia, atingindo o grupo de inimigos que me perseguia. Os monstros caĂram, transformados em carvĂŁo. Embora a negociação tenha falhado, meu papel como isca foi bem-sucedido. Aquele feitiço provavelmente eliminou metade dos inimigos.
â Bem, vamos lĂĄ?
Virei meu cavalo novamente e desembainhei minha espada. Ephsei também estava preparando sua lança. Agora era a hora dos guerreiros brilharem.
Eu derrubava os monstros que ainda estavam em choque com a magia anterior, avançando a cavalo. Ephsei tambĂ©m estava causando estragos com sua lança. O Ămpeto Ă© crucial em situaçÔes como essa. Mesmo sendo apenas nĂłs dois, com impulso suficiente, podemos lutar em vantagem contra inimigos numericamente superiores.
O nĂșmero de monstros diminuiu rapidamente, mas o demĂŽnio ao fundo soltou um rugido. NĂŁo era em lĂngua humana, mas mais como um grito de fera. Com isso, os monstros que lutavam com medo de repente fugiram em massa. Deve ter sido algum tipo de ordem de retirada.
Para evitar que se reagrupassem, o que seria problemĂĄtico, cortamos implacavelmente as costas dos monstros que fugiam. QuerĂamos reduzir seu nĂșmero ao mĂĄximo agora, mas Ă© bem difĂcil desferir golpes fatais em inimigos que fogem de costas. No final, mais da metade dos inimigos restantes conseguiu escapar.
Em seu lugar, o demÎnio avançou. Seu corpo enorme estava coberto por uma armadura que provavelmente foi feita sob medida, e ele segurava uma espada longa em cada mão. Seja por priorizar mobilidade ou por dificuldades na fabricação, as juntas da armadura estavam expostas, revelando pele.
Duas espadas, huh? Ă difĂcil para humanos empunhar uma espada longa com uma mĂŁo, mas com a força de um demĂŽnio, isso provavelmente nĂŁo Ă© problema. Ele Ă© maior que o demĂŽnio em Arkand. Provavelmente um inimigo formidĂĄvel, mas podemos derrotĂĄ-lo se Ephsei e eu trabalharmos juntos.
No entanto, o demÎnio também estå ciente disso. Muitos de seus subordinados monstros ainda permaneciam. Ele provavelmente tentarå nos flanquear e atacar nossos pontos cegos. Ou talvez tentem atacar a carroça.
Sophia e Nina não são adequadas para combate corpo a corpo, então a defesa da carroça é fraca. Ou eu ou Ephsei precisamos cobri-la. Em outras palavras, um de nós terå que enfrentar o demÎnio sozinho. Esse monstro roxo enorme e musculoso.
Olhei de lado e encontrei os olhos de Ephsei.
â Isso Ă© trabalho de lĂder, nĂ©?
Droga, ele estĂĄ tentando jogar isso em mim.
â NĂŁo, acabei de perceber que nĂŁo tenho jeito para ser lĂder. Estou pensando hĂĄ um tempo que vocĂȘ seria mais adequado como lĂder do grupo, Ephsei.
â Infelizmente, meu falecido pai me disse ânunca se torne um lĂderâ. Vou deixar o resto com vocĂȘ.
Ephsei, cujo pai ainda deveria estar vivo, recuou para manter os monstros sob controle sem esperar minha resposta.
Bem, nĂŁo tem jeito. Ă meu papel lidar com o demĂŽnio.
Ao ver que seus oponentes reduziram de dois para um, o demĂŽnio sorriu confiante. Ele provavelmente acha que nĂŁo vai perder para um Ășnico humano.
Preparei minha espada longa. A lĂąmina emitia um brilho azul pĂĄlido, indicando seu poder mĂĄgico.
Ă uma obra-prima valiosa o suficiente para comprar uma mansĂŁo. Depois de me aposentar como aventureiro, pretendo vendĂȘ-la e viver uma vida tranquila. Isso se eu conseguir derrotar o demĂŽnio Ă minha frente.
â Finalmente se mostrando, senhor demĂŽnio? Parece que vocĂȘ nĂŁo estĂĄ muito bem. Talvez devesse voltar para casa e descansar atĂ© essa sua cara roxa melhorar?
Foi uma provocação barata, mas pareceu funcionar.
Os olhos do demĂŽnio ficaram vermelhos de raiva enquanto ele balançava sua espada longa direita diagonalmente com toda sua força. Eu me esquivei com um leve passo para trĂĄs, mas ele imediatamente seguiu com um corte horizontal de sua espada esquerda. Bloqueei com minha espada, desviando o golpe para o chĂŁo com toda minha força. Meus braços ficaram um pouco dormentes pelo impacto, condizente com sua aparĂȘncia.
Usando a espada longa do demÎnio, agora presa no chão, como apoio, mirei em seu pescoço com um movimento råpido.
O demÎnio tentou bloquear com sua espada longa na mão direita, mas mirar no pescoço foi uma finta. Meu verdadeiro alvo era seu braço esquerdo. Girei o corpo e cortei a articulação exposta do braço, que não estava coberta por armadura. Sangue vermelho, igual ao de um humano, jorrou do braço esquerdo do demÎnio.
â GUOOO!
Enquanto o demĂŽnio gritava e recuava, balancei minha espada mais duas, trĂȘs vezes em rĂĄpida sucessĂŁo. A armadura me impedia de causar tanto dano quanto gostaria, mas consegui feri-lo consideravelmente. Seu braço esquerdo estava pendendo, provavelmente inutilizĂĄvel agora.
Mas nĂŁo ia terminar tĂŁo facilmente. O demĂŽnio abriu a boca com uma expressĂŁo raivosa, e algo cintilante podia ser visto lĂĄ dentro.
Saltei para o lado instintivamente. Naquele instante, chamas azuis jorrou, consumindo o local onde eu estivera hĂĄ pouco.
Era uma baforada. O efeito era desconhecido, mas com certeza nĂŁo poderia ser bom para a saĂșde. Eu nĂŁo tinha vontade de testar isso.
O demÎnio então balançou sua espada longa restante como se fosse um porrete. Se eu tentasse bloquear com a minha espada, com certeza meu braço se quebraria. Evitei aquele ataque também, mantendo-me fora de alcance, mas logo a baforada veio em minha direção novamente.
Tsk, isso estava me mantendo bastante ocupado.
Se eu me afastava, vinha a baforada; se eu me aproximava, vinha a espada longa. Um oponente realmente problemĂĄtico. Se todos tivĂ©ssemos enfrentado ele juntos, talvez conseguĂssemos lidar com isso de alguma forma, mas enfrentĂĄ-lo sozinho era uma tarefa difĂcil. Foi uma decisĂŁo acertada inutilizar seu braço esquerdo com o primeiro golpe.
Olhando para trås, vi que, enquanto eu lutava, os monstros restantes tinham ido em direção à carroça. Ephsei também parecia estar tendo dificuldades para lutar enquanto protegia a carroça. Sophia e Nina mantinham os monstros à distùncia com magia, mas a carroça estava quase cercada. O mercador lå dentro deviam estar completamente pålido de medo a essa altura. Seria ruim se eu não fosse ajudå-los.
Eu precisava derrotar esse demĂŽnio roxo Ă minha frente rapidamente.
Enquanto pensava nisso, houve uma pausa momentĂąnea nos movimentos do demĂŽnio. Era o prelĂșdio para seu ataque de baforada. Depois de ele inspirar o suficiente, eu desviei para o lado. Ătimo. Eu estava começando a entender seu padrĂŁo.
Naquele momento, o movimento de sua mão direita também se tornava vulneråvel. à aà que devo atacar.
Eu me aproximei, a espada longa veio com tudo, me esquivei para trĂĄs, e entĂŁo vinha a baforada. Esse era basicamente o padrĂŁo. O que significa que…
Avancei contra o demĂŽnio. A espada longa, empunhada com pura violĂȘncia, sem nenhuma tĂ©cnica, veio na minha direção. Evitei por um triz. E entĂŁo, quando ele estava prestes a usar seu ataque de baforada, dei um passo Ă frente. Se eu errasse o timing, seria um prato fĂĄcil para aquelas chamas azuis.
O demĂŽnio, prestes a abrir a boca, mostrou uma expressĂŁo de surpresa. Se ele tivesse ignorado meu movimento e simplesmente soltado suas chamas, poderia ter levado a uma derrota mĂștua, mas aquele segundo decisivo determinou o desfecho.
Cortei a garganta do demÎnio com a ponta da minha espada. Sangue vermelho e chamas azuis começaram a escorrer dali.
Com sua cabeça queimando por suas prĂłprias chamas azuis, o grito mudo do demĂŽnio era visĂvel na forma de sua boca.
Ainda nĂŁo acabou. A vitalidade desses caras Ă© incomparĂĄvel Ă dos humanos.
Como esperado, a espada longa foi balançada horizontalmente. Era um ataque desesperado, mas se me atingisse, seria morte instantùnea. Eles realmente não facilitam a vitória.
Enquanto pulava para evitar aquele ataque bruto e desajeitado, me aproximei do demĂŽnio novamente.
â Foi uma breve convivĂȘncia.
Com toda a minha força, decapitei sua cabeça.
â» â» â»
Embora a carroça tivesse uma estrutura resistente, a parte superior era coberta apenas por uma lona, o que tornava fĂĄcil espiar o entorno. Mesmo assim, a famĂlia do mercador, que estava na parte traseira, manteve os olhos fechados.
O mercador segurava sua filha pequena, enquanto sua esposa abraçava o filho ainda mais novo, ambos rĂgidos de medo. Os rugidos constantes dos monstros contavam claramente o quĂŁo grave era a situação.
Apenas um garoto, de cerca de dez anos, observava inquieto e sem expressĂŁo os monstros visĂveis na parte de trĂĄs da carroça.
Na frente, uma maga e uma sacerdotisa lutavam para manter os inimigos Ă distĂąncia, mas o nĂșmero de monstros nĂŁo parava de aumentar.
Se essas pessoas desistirem e fugirem, tudo estarĂĄ acabado.
O garoto sentiu terror ao perceber que sua vida estava nas mĂŁos dos outros.
Eventualmente, seus olhos encontraram os de um goblin. Pele como se fosse feita de barro, com quase nenhum cabelo. Seus olhos amarelos estavam injetados de sangue, com uma expressĂŁo claramente maliciosa e astuta.
Na mĂŁo, segurava uma espada curta enferrujada. O goblin, percebendo a presença do garoto, chamou seus companheiros e apontou em sua direção. Como quem diz: âEstamos indo agora.â
De fato, cerca de cinco goblins se agruparam e, tomando cuidado para nĂŁo se tornarem alvos da magia das mulheres, se aproximaram lentamente, com sorrisos malignos no rosto.
O garoto prendeu a respiração e olhou ao redor, mas não havia para onde escapar. Ele apenas reconfirmou a visão do casal tentando proteger seus filhos, o que o entristeceu ainda mais.
Os goblins estavam chegando. Espiando pela frente da carroça, ele podia ver a maga e o lanceiro lutando desesperadamente contra outros monstros, tornando impossĂvel pedir ajuda ou fugir.
Finalmente, os goblins colocaram as mãos na carroça. Seus rostos estavam distorcidos com prazer sådico. A carroça rangeu, e até o mercador e sua esposa finalmente abriram os olhos, tremendo de medo.
Os olhos do garoto se encontraram com os do mercador. Ele sentiu algo parecido com reprovação naquele olhar. Como se dissesse: âVocĂȘ deveria ser o sacrifĂcio.â
Ele percebeu que um goblin havia levantado sua espada. Parecia que a morte era inevitĂĄvel. Mas no momento seguinte, uma espada atravessou a barriga do goblin, e o pequeno ser malicioso lentamente caiu.
â Ei, foi emoção suficiente para valer cinquenta moedas de ouro?
O espadachim que apareceu por trĂĄs do goblin estava sorrindo apenas com a boca. Seu corpo inteiro estava coberto de sangue e ele respirava pesadamente. Ficava claro que ele nĂŁo estava tĂŁo calmo quanto sua expressĂŁo sugeria.
â VocĂȘ estĂĄ ferido…
Talvez tivesse sido respingos de sangue, mas era Ăłbvio que o espadachim tambĂ©m estava machucado. JĂĄ que ele nĂŁo estava visĂvel atĂ© agora, ele deve ter forçado o caminho atĂ© ali.
â Ă, temos que dar uma chance para a nossa sacerdotisa brilhar tambĂ©m. NĂŁo me parece certo pagar ela por nĂŁo fazer nada. EntĂŁo, ferimentos como esses se curam rĂĄpido. Sem problemas.
O garoto só conseguiu balançar a cabeça repetidamente.
â» â» â»
Depois de encontrarmos o exército do Rei DemÎnio, chegamos à cidade de Elderia sem mais problemas significativos. Outra missão completada com sucesso.
Talvez porque deixamos os monstros invadirem a carroça, o mercador parecia muito insatisfeito, mas a criança adicional estava grata. Bem, neste mundo, o dinheiro é mais importante do que gratidão. Até a criança foi salva apenas porque valia cinquenta moedas de ouro.
Apesar de o paĂs vizinho estar sendo invadido pelo exĂ©rcito do Rei DemĂŽnio, a cidade de Elderia estava movimentada. Ou, quem sabe, estivesse florescendo justamente por causa da invasĂŁo.
A guerra gera dinheiro, seja contra humanos ou monstros. Ă uma cena que jĂĄ vi muitas vezes, e isso me deixa um pouco desconfortĂĄvel.
Por ora, comemos a refeição mais deliciosa da cidade, bebemos um pouco de ålcool e dormimos nas camas mais luxuosas da hospedaria. Após vårias noites dormindo ao ar livre, esse contraste traz uma modesta sensação de felicidade.
Depois de alguns dias descansando para nos recuperarmos da fadiga, fomos procurar o prĂłximo pedido no quadro de avisos da taberna dos aventureiros. Algo que pagasse bem, seguisse na direção que pretendĂamos e estivesse alinhado com nosso propĂłsito.
Pedidos tĂŁo convenientes sĂŁo difĂceis de encontrar. Enquanto examinava cuidadosamente o quadro de ponta a ponta, encontrei aquele pedido em um canto.
Era o que vocĂȘ chamaria de uma orientação divina. Embora as condiçÔes nĂŁo correspondessem completamente, era sem dĂșvida um trabalho feito para nĂłs.
Arranquei aquele papel do quadro e me dirigi ao taberneiro.
Naquela noite, o profeta apareceu novamente.
â Por que escolheu um pedido que nĂŁo paga bem?
O prĂłximo pedido que eu havia decidido era para subjugar monstros que haviam aparecido em Gastan, uma terra mais a oeste daqui.
Aparentemente, as carroças de transporte de Gastan estavam sendo atacadas por monstros. Devido ao impacto da guerra, estavam transportando grãos escassos, então soldados foram designados como escolta, mas foram completamente dizimados.
Apesar do alto nĂvel de perigo, a recompensa oferecida era baixa e, sinceramente, nĂŁo correspondia ao esforço necessĂĄrio.
Como resultado, nenhum outro aventureiro havia aceitado aquele pedido.
â Vai compensar. Essas coisas sĂŁo negociĂĄveis. O pessoal de Gastan deve estar em apuros e provavelmente vĂŁo concordar em aumentar a recompensa.
â Devem haver pedidos mais bem pagos e lucrativos.
â Estou surpreso. O profeta tambĂ©m escolhe pedidos para nĂłs? Quer se tornar nosso corretor exclusivo de missĂ”es?
ImpassĂvel diante do meu sarcasmo, o profeta declarou: â NĂŁo vĂĄ para o oeste.
â Para onde vamos Ă© problema nosso.
â O que estĂĄ escondendo?
â Escondendo? Essa Ă© boa, vindo de vocĂȘ, Profeta.
Apontei para o rosto do profeta.
â Como alguĂ©m que nĂŁo revela nem sua identidade nem qualquer outra coisa, tentando manipular as pessoas das sombras, pode dizer tal coisa?
â Isso Ă©âŠ
A forma do profeta oscilou. Provavelmente era apenas uma imagem ilusória projetada por algum tipo de magia, mas serå que também afetava o aspecto mental?
â Vou te dizer, nĂŁo confio em vocĂȘ nem um pouco. NĂŁo hĂĄ nada que prove que vocĂȘ Ă© um profeta de verdade. Agora que entendeu, desapareça da minha vista rapidamente. Se quer um herĂłi, tente outra pessoa. Deve haver muitos candidatos promissores, certo? O Santo da Espada Leon, a Santa Maria, o Grande SĂĄbio Solon. Esses sĂŁo gĂȘnios que todos conhecem. Por que nĂŁo escolhe eles? Sua escolha Ă© claramente estranha.
Desembainhei minha espada e apontei para o profeta.
â Responda-me. Quem Ă© vocĂȘ?
O outro lado era uma ilusĂŁo, mas minha espada carregava algum poder mĂĄgico. Se eu cortasse, havia a possibilidade de causar algum efeito.
Real ou falso, de qualquer forma, eu não podia deixå-lo continuar me seguindo. Se eu ameaçasse o suficiente, ele provavelmente desapareceria como de costume e nunca mais apareceria na minha frente.
â Eu nĂŁo sou ninguĂ©m.
Contrariando as expectativas, o profeta nĂŁo desapareceu. No entanto, sua voz perdeu a habitual autoridade e parecia transmitir alguma ansiedade.
â NinguĂ©m? VocĂȘ nĂŁo Ă© um profeta?
â Sou um profeta. Mas eu…
O rosto e a voz do profeta eram indistinguĂveis, seja de homem ou mulher. NĂŁo dava para saber se era jovem ou velho. Contudo, agora, sua atmosfera sozinha transmitia algum tipo de hesitação.
Com a espada ainda apontada, o profeta ficou em silĂȘncio e, apĂłs um tempo, desapareceu.
Ele apareceria de novo. Essa era a Ășnica certeza que eu tinha.
Tradução: ParupiroHPara estas e outras obras, visite o Cantinho do ParupiroH â Clicando Aqui
Tradução feita por fãs.
Apoie o autor comprando a obra original.
Compartilhe nas Redes Sociais
Publicar comentĂĄrio