Dare ga Yuusha wo Koroshita ka – CapĂ­tulo 3 – Volume 1

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Dare ga Yuusha wo Koroshita ka
Who Killed the Hero?
Quem Matou o HerĂłi?

MangĂĄ Online – CapĂ­tulo 03
[CapĂ­tulo de Solon]


— Ele nĂŁo Ă© um herĂłi. É apenas um tolo.

O homem que era chamado de grande sĂĄbio disse com desgosto.

Vestindo um manto roxo de mago, o homem magro e de aparĂȘncia severa parecia neurĂłtico, emanando uma aura que fazia as pessoas nĂŁo quererem se aproximar a menos que fosse necessĂĄrio. Esse era Solon-Berkeley.

Chamado de prodígio desde a infùncia, diziam que, quando entrou na Academia Pharmee, suas habilidades mågicas jå superavam as dos professores. E agora, por criar novas magias e fazer muitas descobertas mågicas que contribuíram enormemente para o mundo, alguns o viam como uma criança-problema que mal assistia às aulas.

— O que Ă© exatamente um herĂłi? AlguĂ©m forte? AlguĂ©m com magia poderosa?

— NĂŁo Ă© alguĂ©m que derrota o Rei DemĂŽnio?

— Se vocĂȘ derrota o Rei DemĂŽnio, vocĂȘ se torna um herĂłi? Ou vocĂȘ derrota o Rei DemĂŽnio porque Ă© um herĂłi? Que tolice. Isso Ă© como o dilema do ovo e da galinha. Ele nĂŁo tinha poder nem habilidade mĂĄgica. NĂŁo tinha nenhuma das qualidades que um herĂłi deveria ter. E ainda assim, o destino do mundo foi confiado a um homem como aquele? É inacreditĂĄvel. Ele nunca deveria ter se tornado um herĂłi, e as pessoas que o fizeram um devem ter perdido a cabeça.

— Mas ele derrotou o Rei Demînio.

— Isso Ă© sĂł olhando para o passado. Ele teve sorte, ou melhor
 NĂŁo, com esforço suficiente como o dele, qualquer um poderia ter feito isso. Foi porque nĂłs, o resto, fomos negligentes e empurramos tudo para ele. Leon, Maria e eu deverĂ­amos ter feito mais. Quanto aos outros, nem vale a pena comentar. Pensar que aquelas pessoas que nĂŁo fizeram nada podem seguir suas vidas casualmente Ă© intolerĂĄvel.

— Leon chamou o esforço de extraordinário.

— ExtraordinĂĄrio? VocĂȘ acha que pode derrotar o Rei DemĂŽnio balançando uma espada mil vezes todos os dias? Acha que recitar magia cem vezes o tornarĂĄ capaz de enfrentar o Rei DemĂŽnio? NĂŁo hĂĄ como ser tĂŁo simples, certo? É diferente de almejar ser um Comandante dos Cavaleiros ou um Mago da Corte. VocĂȘ tem que fazer um esforço tremendo para derrotar o Rei DemĂŽnio. NĂŁo dĂĄ para esperar derrotar o Rei DemĂŽnio apenas com esforços ordinĂĄrios. Ser extraordinĂĄrio Ă© o mĂ­nimo esperado.

— Ouvi dizer que vocĂȘ ensinou magia a Ares.

— Ele ficou me importunando para ensiná-lo, voltando para me pedir repetidamente que o ensinasse magia. Aparentemente, os professores de magia se recusaram a ensiná-lo. Claro que recusariam. Mesmo hoje, guerreiros não aprendem magia nesta academia. É ineficiente e uma perda de tempo. Então ele veio implorar para mim.

“Como vocĂȘ conhece mais magia do que os professores, por favor, me ensine”,ele disse.

— EntĂŁo vocĂȘ o ensinou.

— Apenas o bĂĄsico. Mais como passar o tempo do que ensinar. Mas instruir alguĂ©m em magia levou a vĂĄrias descobertas para mim tambĂ©m. NĂŁo foi uma experiĂȘncia ruim, eu acho. Por causa dele, comecei a aceitar discĂ­pulos agora. Sem esse incidente, eu provavelmente teria desprezado os outros e nunca teria me incomodado em ensinar ninguĂ©m atĂ© o dia em que morresse.

— Ares tinha talento para magia?

— De jeito nenhum. De todas as pessoas que conheci, ele era o que mais carecia de aptidĂŁo mĂĄgica. VocĂȘ jĂĄ conheceu Leon e Maria, certo? Eles nĂŁo disseram a mesma coisa? Ele nĂŁo tinha talento algum. Nem para o manejo da espada, nem para a magia, nem para milagres divinos, ele nĂŁo tinha nada. Era apenas um homem comum.

— Mas dizem que o herói Ares usava magia.

— Bem… Talvez sim. Se ele precisar recitar um feitiço de fogo para fazer o que uma pedra e um pavio fariam mais rĂĄpido, esse Ă© o nĂ­vel de que estamos falando. Era algo que ele mal conseguia fazer depois de se matar de treinar. Achei que seria completamente inĂștil.

— Mas acabou sendo Ăștil?

— Sim. E nĂŁo apenas uma ou duas vezes. Ele era habilidoso em usar magia. Ou melhor, tinha bons instintos para usĂĄ-la? Por exemplo, em vez de lançar magia de fogo diretamente nos inimigos, ele primeiro os cobria com Ăłleo e usava o feitiço como fonte de ignição. Enquanto trocava golpes com sua espada, lançava um feitiço de vento diretamente nos olhos do oponente. Esse tipo de aplicação. Mesmo feitiços fracos eram extremamente eficazes quando ele os usava. Aprendi muito com ele. A magia pode se tornar dez vezes mais forte ou completamente inĂștil, dependendo de como Ă© usada. Na primeira batalha na Grande Floresta de Rozolof, fiquei tĂŁo chocado quando minha magia mais forte nĂŁo teve efeito no demĂŽnio que minha mente ficou em branco. É embaraçoso admitir.

Ele me disse entĂŁo: “Use magias mais fracas apenas para ganhar tempo. Isso Ă© tudo que vocĂȘ pode fazer por enquanto.”

Normalmente, eu nunca teria seguido as ordens dele, mas naquela hora eu estava tĂŁo desnorteado que apenas agi como um fantoche. E o conselho dele deu resultado.

— EntĂŁo foi por isso que vocĂȘ decidiu entrar para o grupo dele?

— Naquela Ă©poca, eu era excessivamente arrogante. Acreditava que, mesmo sozinho, conseguiria enfrentar o Rei DemĂŽnio. Na melhor das hipĂłteses, pensava que poderia considerar a possibilidade de unir forças, mas somente se estivesse acompanhado de Leon e Maria. Era assim que eu via as coisas. Leon e Maria provavelmente pensavam da mesma maneira. Esses dois se faziam de santos, mas no fundo eram tĂŁo arrogantes quanto eu, desprezando os outros. Mas depois de ter minha impotĂȘncia exposta e ser derrotado na Grande Floresta de Rozolof, eu me juntei a ele. Sem ele, nĂłs terĂ­amos formado equipes com seguidores aleatĂłrios e terĂ­amos sido mortos rapidamente. Cada um de nĂłs era certamente excelente, mas sem ele nunca terĂ­amos nos unido.

— Foi por causa de Ares que vocĂȘs puderam demonstrar seu poder?

— Bem… Vou dizer o seguinte. Enquanto Leon, Maria e eu poderĂ­amos ter sido substituĂ­dos por outros e o Rei DemĂŽnio ainda assim derrotado, sem ele, o Rei DemĂŽnio nĂŁo poderia ter sido vencido.

— Isso nĂŁo Ă© uma qualidade de herĂłi?

— NĂŁo me provoque. JĂĄ disse, ele era apenas um tolo. Um herĂłi nĂŁo Ă© nada especial. Um homem comum deveria ter vivido uma vida comum em silĂȘncio. NĂłs Ă©ramos certamente gĂȘnios. Confiando arrogantemente em nosso talento, Ă©ramos escĂłria. Mas ele nĂŁo tinha nada, e ainda assim acabou sendo chamado de herĂłi. É fĂĄcil dizer “Senhor HerĂłi”, mas o que essas pessoas realmente entendem sobre ele? Sabem o que ele passou e sacrificou para derrotar o Rei DemĂŽnio? Havia muitos mais talentosos que ele. Eu, inclusive. Foi porque nĂŁo fizemos nada que ele nĂŁo teve escolha a nĂŁo ser se tornar um chamado herĂłi.

— VocĂȘ lutou contra o Rei DemĂŽnio como um Grande SĂĄbio. NĂŁo fez “nada”.

— Claro que lutei. Eu sou um gĂȘnio, afinal. Leon e Maria sĂł lutaram porque isso era esperado deles, o dever deles, o destino deles. Mas ele era diferente. Ele dobrou o prĂłprio destino e lutou contra o Rei DemĂŽnio. Mesmo que fosse o que ele quisesse, eu preferiria que nĂŁo o chamassem de herĂłi.

— Por que o herói morreu?

— Quem sabe. VocĂȘ estĂĄ satisfeito sĂł com isso? Se sim, pode ir embora. Essa conversa acabou.

— Qual foi a causa da morte de Ares?

— EntĂŁo Ă© isso que vocĂȘ realmente queria saber?

Solon, que até agora parecia mal-humorado, de repente riu com diversão.

— Como relatamos, Ares foi morto por um demînio. Não há erro quanto a isso. No entanto, não vimos ele morrer de fato.

— Ele foi morto por um subordinado depois de derrotar o Rei Demînio?

— Suponho que vocĂȘ poderia dizer isso.

— Por que vocĂȘ nĂŁo estava lĂĄ?

— Apenas azar, acho. É só isso que queria perguntar? Se sim, terminamos por aqui.

— É possĂ­vel pensar que vocĂȘ matou Ares dadas as circunstĂąncias, nĂŁo?

— Entendo, vocĂȘ pode ver dessa forma. Mas nĂŁo, isso Ă© impossĂ­vel. NĂŁo poderĂ­amos ter matado Ares. Mesmo que quisĂ©ssemos.

— Porque Ares era forte demais?

— Não, era simplesmente impossível, só isso.

— SĂł mais uma pergunta. O que Ares foi para vocĂȘ?

— Ele foi um amigo. Apenas um amigo. O Ășnico. Mas naquela batalha, eu o perdi. Ele era um homem verdadeiramente comum e humilde. Ah, mas havia uma peculiaridade nele.

— Uma peculiaridade?

— Quando partimos para a jornada para derrotar o Rei DemĂŽnio, o rei mandou um pintor fazer nossos retratos. Ares implicou com os detalhes do retrato. “Faça meu nariz um pouco mais alto”, “faça meus olhos um pouco maiores” e coisas assim. Mesmo sem ele dizer nada, o pintor jĂĄ teria embelezado o retrato de forma lisonjeira, entĂŁo todos nĂłs rimos dele por se preocupar tanto com isso. Nos perguntĂĄvamos se ele era inseguro quanto Ă  sua aparĂȘncia comum e, hum, pouco heroica.

Solon torceu os lĂĄbios em um leve sorriso.

— Se vocĂȘ quer saber mais sobre Ares, vĂĄ atĂ© sua vila natal, Talis. Para narrar corretamente a histĂłria do herĂłi, vocĂȘ terĂĄ que ir tĂŁo longe, certo?

Fragmento 1

Tendo me acostumado gradualmente ao treinamento de espada que impus a mim mesmo e às provaçÔes semanais de Maria, decidi seguir para o meu próximo objetivo.

Sim, aprender magia de ataque.

Eu perguntei a um professor da classe de magos, só por precaução, mas fui prontamente rejeitado.

Bem, isso jĂĄ era esperado. Eu jĂĄ tinha em mente um aluno que provavelmente me ensinaria magia de ataque.

Solon Barclay. Chamado de prodígio e futuro grande såbio. Desde que entrou na academia com habilidades mågicas superiores às dos professores, ele era uma criança-problema que quase não assistia às aulas. Eu o escolhi por um motivo. Na academia, ele apenas vagava por aí, com cara de entediado, então parecia que ele tinha tempo livre.

Portanto, no raro dia em que o avistei, imediatamente o chamei.

— Solon Barclay, me ensine magia.

— De jeito nenhum.

Sem nem me olhar, Solon respondeu e tentou ir embora.

Magro e com uma expressão severa, ele emanava uma aura de total rejeição aos outros.

— Espere um minuto, vocĂȘ nĂŁo vai ouvir o que eu tenho a dizer?

Eu cortei o caminho dele, bloqueando sua passagem.

— NĂŁo hĂĄ necessidade de ouvir. VocĂȘ Ă© o Ares. Um idiota que quer seriamente ser um herĂłi. Treinando suas habilidades com a espada inutilmente, imitando o Leon, e sendo provocado pela Maria semanalmente. E agora vocĂȘ quer que eu te ensine magia de ataque, certo? RidĂ­culo. Por que eu deveria desperdiçar meu tempo de gĂȘnio com alguĂ©m como vocĂȘ? Faça o que quiser jogando sua vida fora sem sentido, mas nĂŁo atrapalhe o meu caminho ou eu nĂŁo terei piedade.

Com sua expressĂŁo jĂĄ severa se tornando ainda mais dura, Solon cuspiu suas palavras de uma vez sĂł.

— VocĂȘ sabe. Sabe o porquĂȘ. Por favor, me ensine magia.

— VocĂȘ ouviu o que eu disse? Eu falei para nĂŁo atrapalhar esse gĂȘnio, seu plebeu. Entendeu?

— Mas vocĂȘ estĂĄ entediado, certo?

— Eu, entediado?

— Quando vocĂȘ vem Ă  academia, parece que nĂŁo tem nada para fazer. E tambĂ©m nĂŁo parece ter amigos.

— Como se vocĂȘ tivesse algum amigo!

Vendo Solon reunir poder mĂĄgico em sua mĂŁo direita, rapidamente saĂ­ da frente. Parece que ele Ă© sensĂ­vel quanto a nĂŁo ter amigos.

— Nunca mais se envolva comigo.

Soltando isso, Solon foi embora.

Uma semana depois, vendo Solon de novo, eu o chamei.

— Ei, Solon. Pensou sobre nossa conversa da Ășltima vez?

— VocĂȘ nĂŁo tem memĂłria? Ou as provaçÔes de Maria bagunçaram sua cabeça? AlĂ©m disso, nĂŁo fale meu nome de forma casual. Eu vou te matar.

A partir de entĂŁo, sempre que via Solon, tĂ­nhamos trocas assim.

Sempre que nos encontrĂĄvamos, Solon lançava insultos como “Morra”, “Lixo”, “EscĂłria”, mas, depois de ter minha força mental desnecessariamente fortalecida pelas provaçÔes de Maria, esse tipo de abuso verbal nĂŁo tinha efeito sobre mim.

EntĂŁo, um dia, cerca de um mĂȘs depois, ele finalmente cedeu.

— TĂĄ bom, tĂĄ bom, eu entendi, verme. VocĂȘ tem um ponto. Eu estou entediado na academia. Estou aqui apenas por complicaçÔes triviais.

Ouvi dizer que Solon estava matriculado ali apenas para manter a reputação da academia, forçado pelos pais.

— Minha famĂ­lia Ă© de nobres menores. Meu pai Ă© um mago habilidoso, mas, mesmo assim, a diferença de status Ă© difĂ­cil de superar. O diretor da academia, que Ă© um nobre de alta posição, pressionou meu pai a me matricular aqui, para que pudessem se vangloriar, Solon Barclay estĂĄ frequentando esta academia. Eu perdi tempo lendo livros na biblioteca no primeiro mĂȘs, mas agora nĂŁo tenho nada para fazer. No entanto, o professor tambĂ©m tem o direito de escolher.

Dizendo isso, Solon tirou vĂĄrios livros do bolso. Mais do que poderia caber fisicamente. Deve ser algum tipo de magia.

— Esses livros sĂŁo dados aos alunos da classe de magos aqui. Dizem que, se vocĂȘ ler e entender, serĂĄ capaz de usar magia bĂĄsica, mas na verdade vocĂȘ tambĂ©m precisa de talento. NĂŁo estou dizendo que vocĂȘ vai conseguir usar magia. Apenas decore o conteĂșdo dos livros. Dou uma semana, no mĂĄximo.

— Uma semana!? NĂŁo tem como eu decorar tantos livros em tĂŁo pouco tempo…

É o equivalente a um ano de liçÔes da classe de magos. Totalmente irreal.

— NĂŁo consegue? Acho que tentar ser um herĂłi Ă© bem mais impossĂ­vel. Para começar, querer usar magia sem nenhum talento e dizer que nĂŁo consegue com apenas esse nĂ­vel de coisa… assim, vocĂȘ nunca vai conseguir usar magia.

— Ugh..

Quando ele coloca dessa forma, Solon tem razĂŁo. Ele nĂŁo estĂĄ falando nada de estranho.

Mais do que isso, é razoåvel em comparação com as provaçÔes de Maria.

— Entendi. Uma semana. Eu vou decorar. Depois me ensine magia.

— Eu não minto.

Dizendo isso, Solon foi embora.

Voltando para o meu quarto, imediatamente comecei a ler os livros. O conteĂșdo era um pouco difĂ­cil, mas tinha algumas semelhanças com os livros de feitiçaria que eu jĂĄ havia lido, entĂŁo foi surpreendentemente compreensĂ­vel.

A partir daquele dia, parei o treinamento com a espada, evitei as provaçÔes de Maria, lamentei o tempo perdido dormindo e me joguei nos livros.

Dia e noite, sem parar, até mesmo durante as aulas e as refeiçÔes, passei todo o meu tempo lendo os livros.

Então, uma semana depois, quando vi Solon, corri até ele.

— Eu decorei tudo!

— Entendo.

Solon estava indiferente ao meu entusiasmo.

— Então vamos lá.

Solon se dirigiu ao prédio da academia.

— Para onde vamos? VocĂȘ nĂŁo vai verificar se eu realmente decorei?

— Eu nĂŁo falo o que nĂŁo posso fazer. E vocĂȘ nĂŁo mente. Sendo assim, nĂŁo hĂĄ necessidade de verificar.

Fiquei atordoado por um momento, mas logo corri atrĂĄs de Solon.

Ele foi até uma sala de aula vazia.

— Certo, tente recitar um feitiço de fogo.

Seguindo suas instruçÔes, recitei o feitiço de fogo que estava escrito no livro.

Mas nada aconteceu.

— Hmm, o feitiço estĂĄ certo. Mas eu nĂŁo senti mana no seu canto. VocĂȘ estĂĄ imaginando o fogo?

— Sim, estou imaginando o fogo, como o livro disse.

— Que tipo de fogo?

— Um fogo de lareira.

— Sua imagem Ă© fraca. Imagine uma chama ardente.

Dessa forma, Solon me deu instruçÔes detalhadas e ensinou o conteĂșdo dos livros de forma ainda mais aprofundada.

Não houve resultados imediatos, mas Solon sempre foi sério.

— Interessante, bem interessante. Isso pode permitir uma análise mais detalhada dos princípios básicos da magia.

No entanto, ainda nĂŁo havia nenhum indĂ­cio de que eu conseguiria usar magia.

— E Ă© justamente por isso que Ă© interessante. Eu fui capaz de usar magia inconscientemente, mas se eu descobrir no que focar conscientemente ao recitar feitiços, pode aumentar a eficiĂȘncia da magia. Em outras palavras, se o processo do seu canto ficar claro, podemos fundamentalmente melhorar a magia!

O que Solon disse era parcialmente compreensível, mas ao mesmo tempo, difícil de entender. Ainda assim, ele me ensinava com dedicação.

Solon só vinha à academia uma vez por semana, então só podia me ensinar magia nessas ocasiÔes. Mas, através de nossas conversas, acabamos nos aproximando.

Eu pensava que ele era uma pessoa cínica e difícil de se aproximar, mas, na realidade, ele era um cara atencioso e de bom coração.

— Por um lado, eu era lisonjeado como um prodĂ­gio e gĂȘnio, mas, por outro, tive que lidar com as complicadas relaçÔes entre os nobres desde criança. Isso pode ser distorcido. Como resultado, eu nĂŁo conseguia confiar em ninguĂ©m ao meu redor e sempre estive sozinho.

Solon disse isso de forma autodepreciativa.

— Maria Ă© igual. A verdadeira habilidade dela Ă© apenas sentir a existĂȘncia de Deus, ela nĂŁo Ă© realmente uma santa. Mas foi sobrecarregada com as expectativas das pessoas ao seu redor e acabou se tornando o que Ă© agora. Por fora, ela parece bem, mas por dentro, estĂĄ bastante frustrada. Mesmo assim, nĂŁo hĂĄ mais ninguĂ©m que consiga sentir a presença de Deus como ela. Diferente daqueles velhos bispos que estĂŁo em suas posiçÔes apenas por status. Se Maria nĂŁo puder te ensinar, ninguĂ©m mais serĂĄ capaz. No fundo, ela realmente Ă© uma santa.

Solon tinha sentimentos complicados em relação à Maria.

— EntĂŁo, como sĂŁo essas provaçÔes da Maria?

— Recentemente, fui chicoteado vĂĄrias vezes. Ela me disse: “Se vocĂȘ orar sinceramente a Deus, a dor irĂĄ embora”

— …Compreendo. PorĂ©m, curar suas prĂłprias feridas Ă© o primeiro passo para um milagre de Deus. Junto com a resposta de cura do seu corpo ao sofrimento, talvez vocĂȘ comece a perceber a presença de Deus?

— Recentemente, tambĂ©m fui esbofeteado enquanto era chamado de “aquele careca!” “Velho!” Porque ela teve o bumbum apalpado por um bispo de alto escalĂŁo.

— …………

— E enquanto eu era atingido, o rosto de Maria gradualmente assumiu um sorriso malicioso, foi meio assustador. Isso Ă© realmente certo?

Eu preciso aprender magia de cura, custe o que custar, mas tenho muitas dĂșvidas sobre a orientação de Maria.

— …Teve algum efeito?

— A dor sumiu no meio do processo. Maria chamou isso de “Milagre de Deus”, mas acho que meus sentidos simplesmente ficaram dormentes por causa da surra.

— Mas vocĂȘ nĂŁo parece ter nenhuma marca no corpo…

Solon examinou meu corpo casualmente.

— Maria curou perfeitamente as marcas do chicote. Ela disse: “Como os detalhes do teste sĂŁo secretos, preciso apagar as evidĂȘncias.”

Maria demonstrou sua grande habilidade de uma maneira bem desagradĂĄvel.

— Bem, entĂŁo, vamos começar seu treinamento de magia! Eu nĂŁo posso desperdiçar o tempo de um gĂȘnio como eu!

Solon desviou os olhos de mim e começou o treinamento de magia.

E assim minha vida na academia se desenrolava dessa maneira. Eu dedicava todo o tempo que tinha disponĂ­vel ao treinamento. Era visto como um esquisito pelos alunos e professores e ridicularizado.

“É um esforço inĂștil, jĂĄ que nĂŁo hĂĄ resultados.” Mas eu nĂŁo podia desistir de me tornar um herĂłi.

Então, algum tempo depois de começar meu terceiro ano, finalmente consegui usar magia. Um pequeno feitiço de fogo se ativou na ponta do meu dedo.

— VocĂȘ conseguiu!

Solon celebrou como se fosse uma conquista dele.

— Isso Ă© incrĂ­vel! NĂŁo se pode usar magia sem talento! Seu trabalho duro superou isso! Isso Ă© algo para se orgulhar! É inovador o suficiente para derrubar as teorias convencionais sobre magia!

Eu estava tĂŁo feliz que esqueci de ficar feliz por mim mesmo.

EntĂŁo, Ă  medida que a alegria se acumulava, lĂĄgrimas rolaram pelo meu rosto.

— Obrigado, isso Ă© tudo graças a vocĂȘ, Solon.

Magia, que antes eu sĂł podia sonhar, finalmente estava ao meu alcance.

Para nunca mais me arrepender.

Fragmento 2

Acho que eu tinha cerca de um ano quando comecei a ser capaz de ler palavras. Nessa época, em vez de livros ilustrados, eu lia a coleção de livros difíceis do meu pai.

É claro que eu nĂŁo entendia o conteĂșdo. Meu pai estava sempre lendo, entĂŁo eu apenas tentava imitĂĄ-lo. Mesmo sendo uma coleção preciosa, ele deixava um bebĂȘ manuseĂĄ-la com diversĂŁo.

Mais do que gostar de ler, eu acho que apreciava sentar ao lado dele e ler livros juntos. Graças a isso, com o tempo, comecei a entender o que estava escrito.

Com essa rotina, aos trĂȘs anos, jĂĄ estava lendo livros sobre magia.

Talvez pensando que era perigoso, meu pai logo me impediu de usar magia de verdade. Mas quando completei cinco anos, ele permitiu, e eu usei magia de fogo para carbonizar completamente um ursinho de pelĂșcia. Fui severamente repreendido por minha mĂŁe por causa disso. Apesar de geralmente ser tolerante, em nossa casa ela era a pessoa mais sensata.

A história de eu ser capaz de usar magia tão jovem rapidamente virou um assunto popular, e me fizeram demonstrar magia em diversos lugares. Era como ser uma atração, mas eu era convencido naquela época.

No entanto, enquanto me elogiavam dizendo “É incrĂ­vel que ele consiga usar magia, mesmo sendo apenas uma criança”, tambĂ©m diziam “É perigoso que uma criança use magia”, e eu claramente era tratado de forma diferente das outras crianças da minha idade.

Os pais que achavam incrĂ­vel tinham grandes expectativas para o meu futuro e tentavam aproximar seus filhos de mim. JĂĄ os pais que achavam perigoso mantinham seus filhos afastados de mim, com medo.

Mesmo como criança, percebi essas distorçÔes, e isso também afetava mal os relacionamentos entre as crianças. Aos poucos, me afastei dos outros e, antes que percebesse, passei meus dias lendo livros sozinho.

Eu gostava de ler e aprender novas magias era divertido. Mas, se me perguntassem se eu não tinha expectativas em relação aos outros, eu não conseguia ser tão desapegado assim.

A Ășnica pessoa com quem eu podia conversar era Maria, mas, ao contrĂĄrio de mim, Maria nĂŁo tinha expectativas sobre os outros e, por isso, conseguia construir boas relaçÔes com as pessoas. É irĂŽnico.

Quando completei quinze anos, ainda nĂŁo conseguia me dar bem com aqueles ao meu redor. Portanto, foquei no estudo acadĂȘmico e no domĂ­nio da magia, e minha habilidade como mago havia se tornado bastante avançada.

Meu pai tambĂ©m ficava feliz, dizendo “Ele Ă© melhor do que eu”, e provavelmente sĂł restavam poucas pessoas no mundo capazes de me ensinar magia.

Assim, nĂŁo havia absolutamente nenhuma necessidade de eu ir para a academia. Achei que continuaria pesquisando magia por conta prĂłpria.

No entanto, esse desejo nĂŁo se concretizou. O diretor da Academia Pharme, um nobre de alta classe, pressionou meu pai, que era de uma nobreza inferior, a me matricular na academia.

Isso era para dar prestígio à academia por ter “Solon Barclay como aluno matriculado”. Meu pai tentou resistir, mas eu aceitei. Não queria sobrecarregar meu pai.

A vida na academia foi exatamente como imaginei. O conteĂșdo das aulas era desnecessĂĄrio para mim, e terminei de ler toda a coleção da biblioteca da academia em um mĂȘs. Os outros alunos me olhavam com uma certa desconfiança.

Em resumo, eu nĂŁo tinha nada para fazer, mas, como me matriculei, nĂŁo tinha escolha a nĂŁo ser ir para a academia. Como um compromisso entre a academia e eu, sĂł precisava aparecer lĂĄ uma vez por semana.

Isso me faria parecer ainda mais desconectado dos outros, mas mesmo indo apenas uma vez por semana, eu conseguia entender as circunstĂąncias da academia.

Havia um rapaz em quem eu estava interessado. Ares Schmidt. Um plebeu que almejava seriamente se tornar um herĂłi. Embora o propĂłsito desta academia fosse treinar herĂłis, isso havia se tornado apenas uma fachada, e praticamente ninguĂ©m almejava de fato ser um herĂłi. A Ășnica exceção era Leon Mueller, o famoso filho de uma famĂ­lia de condes, mas no caso dele, seria mais correto dizer que ele foi reconhecido como um herĂłi, em vez de aspirar a se tornar um. Embora eu nĂŁo saiba o que o prĂłprio Leon pensa.

Em meio a isso, Ares declarava abertamente seu objetivo de se tornar um herói, sem vergonha, e designava Leon como seu rival, esforçando-se no treinamento com espadas. Ele provavelmente também estava recebendo orientação em magia de cura de Maria. No entanto, é questionåvel o quanto Maria estava realmente cooperando.

Que cara tolo

Era tolice para um plebeu vir Ă  Academia Pharme, cheia de nobres, e proclamar um ideal impossĂ­vel nesta era. E se ele veio para esta academia sem sequer entender isso, ele seria um completo idiota.

Cerca de metade do primeiro ano, aquele idiota cruzou meu caminho.

— Solon Barclay, por favor, me ensine magia.

Eu recusei imediatamente. Porque seria inĂștil. O talento para ser um mago Ă© quase totalmente inato. Este homem nĂŁo tem absolutamente nenhuma aptidĂŁo. Eu nĂŁo queria ter nada a ver com ele.

AlĂ©m disso, ele disse de maneira desajeitada: — VocĂȘ tambĂ©m parece nĂŁo ter amigos.

Isso me fez sentir uma fĂșria assassina. Quase usei magia nos terrenos da academia.

O que ele poderia entender sobre mim?

Invadir meu espaço pessoal sem qualquer noção de distùncia apropriada é coisa de imbecil.

Uma semana se passou, e quando voltei Ă  academia, Ares falou comigo novamente. O motivo era o mesmo. Ele queria que eu o ensinasse magia. Eu o afastei com todos os xingamentos que pude pensar.

Mas, toda vez que eu ia para a academia, Ares falava comigo pedindo que eu lhe ensinasse magia, não importava o quanto eu o afastasse. Ele é um desgraçado persistente. Talvez seja a primeira pessoa a me importunar tanto.

A maioria das pessoas se cansava da minha mĂĄ atitude e me deixava em paz.

EntĂŁo, cerca de um mĂȘs depois, eu levei cinco livros de magia fornecidos pela academia como material didĂĄtico. JĂĄ havia memorizado o conteĂșdo, entĂŁo eles eram desnecessĂĄrios para mim.

Quando cheguei à academia, como de costume, Ares veio correndo até mim. Ainda com aquela cara de cachorro, teimosamente agarrado a mim, não importa o quanto eu o rejeitasse.

Eu cedi. Esse cara não tinha segundas intençÔes. Ele estava tentando, de forma pura e inocente, aprender magia para se tornar um herói. Dito por mim, mas ele tem uma forma tão desajeitada de viver.

EntĂŁo, entreguei a ele os cinco livros de magia. Prometi que, se ele memorizasse o conteĂșdo em uma semana, eu o ensinaria magia.

Os cinco livros de magia continham material que as classes de usuĂĄrios de magia levavam um ano inteiro para memorizar. Para um novato em magia, memorizar tudo em uma semana seria bastante difĂ­cil. Quase impossĂ­vel.

Mas, por algum motivo, eu achava que Ares poderia conseguir. E se ele nĂŁo conseguisse, isso sĂł significaria que minhas pequenas expectativas estavam erradas.

Depois de entregar os livros, fiquei pensando em como ensinar magia a alguĂ©m sem talento. Provavelmente era uma contemplação fĂștil. No entanto, acabou sendo surpreendentemente intrigante. Olhando para trĂĄs, pode ter sido a primeira vez que pensei em fazer algo por alguĂ©m alĂ©m da minha famĂ­lia.

Uma semana se passou, e quando voltei à academia, Ares veio correndo até mim.

— Eu memorizei!

Pela expressĂŁo em seu rosto, era claro que ele nĂŁo estava mentindo.

Entendo. Ele conseguiu.

Fiquei surpreso, ainda que, para minha prĂłpria surpresa, senti pouco espanto. Logicamente, ele deveria ter conseguido algo muito difĂ­cil, mas eu esperava mais dele do que imaginava. Essas expectativas nĂŁo tinham base racional. Era apenas um desejo de que fosse assim.

E o fato de Ares ter realizado esse desejo para mim foi algo, de alguma forma, gratificante.

Imediatamente, na sala vazia que eu havia procurado com antecedĂȘncia, fiz Ares tentar usar magia. Claro, nĂŁo houve absolutamente nenhuma reação. Apenas porque ele conseguia recitar os encantamentos, nĂŁo significava que qualquer um poderia se tornar um mago. Era importante examinar em que ponto surgiam as diferenças individuais.

Se os encantamentos estavam sendo recitados corretamente, se havia inconsistĂȘncias na visualização dos feitiços, os princĂ­pios do mundo chamado mana, a que exatamente ele reage no praticante, e assim por diante, havia muitas coisas a serem verificadas.

AtĂ© agora, essas questĂ”es tinham sido descartadas com uma Ășnica palavra: “talento.” Aqueles que conseguiam, conseguiam; aqueles que nĂŁo conseguiam, nĂŁo conseguiam. Era assim que funcionava.

Eu também pensava assim. No entanto, se essas partes fundamentais pudessem ser resolvidas, a magia poderia avançar muito mais.

Nos dias em que eu ia para a academia, acompanhava Ares em seu treinamento de magia, e nos dias em que ficava em casa, dedicava-me Ă  pesquisa mĂĄgica bĂĄsica.

Um dia, meu pai disse: — Ultimamente, parece que vocĂȘ estĂĄ gostando de ir para a academia.

Pensei em negar imediatamente, mas, por algum motivo, fiquei sem palavras e apenas respondi: — Bem, nĂŁo Ă© tĂŁo ruim assim.

— Entendo. HĂĄ coisas que vocĂȘ sĂł pode aprender na academia. Que bom que estĂĄ se tornando uma experiĂȘncia positiva para vocĂȘ — disse ele, satisfeito. Ele provavelmente se sentia culpado por me forçar a ir para a academia e, talvez, tivesse algumas preocupaçÔes sobre minha interação social.

Ares estava treinando magia hå mais de um ano e meio, mas ainda não tinha alcançado nenhum resultado e agora estava no seu terceiro ano.

No entanto, por minha parte, eu havia feito progressos na anålise dos fundamentos da magia e me tornado mais eficiente no uso dela. De acordo com minha anålise, qualquer pessoa poderia usar magia, mas sua afinidade com o mana variava, e aqueles sem talento precisavam desenvolver esse aspecto. Contudo, ainda não estava claro quanto tempo de treinamento seria necessårio para se tornar proficiente. Era como um experimento inédito. Havia até a possibilidade de que nunca se tornasse proficiente, apesar de uma vida inteira de esforço.

Eu contei isso a Ares, mas ele respondeu sorrindo: — Se houver atĂ© mesmo uma pequena possibilidade, apostarei nela.

Ele respondeu com um sorriso.

Ele realmente gosta de coisas infrutĂ­feras. Eu odeio coisas infrutĂ­feras. Ou odiava.

É fĂĄcil ridicularizar algo como infrutĂ­fero, mas lutar contra o medo de que algo possa ser inĂștil e, mesmo assim, continuar avançando Ă© o que realmente deve ser feito, eu comecei a pensar.

E entĂŁo, um dia, uma leve luz piscou na ponta do dedo de Ares. Era uma chama tĂŁo fraca que poderia ser apagada com um sopro.

Mas, pela primeira vez, achei um feitiço de fogo tão belo.

Parecia, para mim, como a luz da esperança de uma pessoa.


Tradução: ParupiroHPara estas e outras obras, visite o Cantinho do ParupiroH – Clicando Aqui


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